quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Gentleman's Agreement (1947)

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A Luz é para Todos de Elia Kazan coloca um magnífico Gregory Peck num desempenho que lhe valeu uma nomeação para Oscar de Melhor Actor.
O reporter Schuyler Green (Peck) é contratado para fazer uma reportagem sobre o anti-semitismo nos Estados Unidos no período pós-guerra. A ideia é fazer-se ele próprio passar por judeu e assim saber o que as pessoas e instituições pensam da sua pessoa antes e depois de saberem da "sua" falsa religião.
Aquilo que constata é que por detrás de rostos simpáticos e de sorrisos sinceros, esconde-se um profundo sentimento anti-semita que o começa a pressionar a afastar de todos os seus desejos ou vontades.
Este filme que fora nomeado a oito Oscars tendo saído vencedor nas categorias de Filme, Realizador e Actriz Secundária para Celeste Holm, num desempenho como a única pessoa de opinião mordaz e que parece realmente não se importar com a religião de Schuyler olhando sim para o homem que é.
Elia Kazan realiza este filme que quase se pode dividir em dois momentos significativos. O primeiro deles onde somos apresentados às personagens bem como às suas intenções e incertezas sobre o futuro e aquilo a que podem realmente dedicar as suas vidas. É um segmento ainda largo do filme que pode por momentos desmotivar-nos sobre a sua continuação mas que para os persistentes dará, ao mesmo tempo, uma ideia de que se devem agarrar a este filme e esperar pelo que dali poderá surgir.
E esse momento passa rápido... o nosso interesse pelo filme começa lentamente a crescer e não nos conseguimos libertar dele. Quando chegamos à sua segunda metade e assistimos às crescentes injustiças a que uma tão liberal sociedade sujeita um dos seus apenas por ele se apresentar como judeu. E pior sendo na época em que o próprio país participou na luta pela liberdade da Europa onde tantos e tantos foram mortos por uma das maiores barbaries da História.
Mas acima de tudo é a conclusão que advém deste momento que se torna de facto mais importante. Um dos momentos mais importantes deste filme surge no diálogo entre Kathy (Dorothy McGuire) e Dave (John Garfield) onde este lhe diz claramente que apesar de estar mal a descriminação e o preconceito existente nas pessoas, o pior é mesmo quando aquelas ditas de bem em vez de o repudiarem e claramente condenarem simplesmente se mantêm no silêncio dando origem a que esses comentários aumentem e se propeguem indiscriminadamente.
Ao ver este diálogo entre estas duas personagens lembrei-me imediatamente daquela observação de que para o mal prevalecer basta que os homens bons nada façam... e nada mais real e certeiro do que esta observação. Como pode ficar alguém indiferente quando o mal se propaga mesmo que sorrateiramente pela sociedade? Como não reagir? Como não impedir?
É sobre esta premissa que boa parte do filme acaba por se desenrolar. Sobre a inércia de uma sociedade que aceita no silêncio a descriminação a que sujeitam os seus semelhantes. Que no silêncio acaba por consentir com a segregação. Que no silêncio vive... que no silêncio violenta... e que no silêncio se perpetua pelas gerações vindouras.
Excelente filme que tive o previlégio de encontrar perdido no meio de tantos outros e que seguramente afirmo ter sido um justo vencedor dos prémios que alcançou bem como deveria servir como um bom caso de estudo em tantas escolas por este mundo fora. Afinal estes filmes mais não são do que grandes reflexos da História e da sociedade pela qual passamos e, em muitos casos, na qual ainda estamos.
Magnífico... Imperdível... E com Gregory Peck num dos seus melhores registos em cinema.
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"Mrs. Green: You know something, Phil? I suddenly want to live to be very old. Very. I want to be around to see what happens. The world is stirring in very strange ways. Maybe this is the century for it. Maybe that's why it's so troubled. Other centuries had their driving forces. What will ours have been when men look back? Maybe it won't be the American century after all... or the Russian century or the atomic century. Wouldn't it be wonderful... if it turned out to be everybody's century... when people all over the world - free people - found a way to live together? I'd like to be around to see some of that... even the beginning. I may stick around for quite a while."
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8 / 10
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

The Cave (2005)

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A Caverna de Bruce Hunt é um filme que mistura vários géneros em pouco mais de hora e meia, passando um pouco por entre acção, terror e ficção científica.
Depois de um grupo de exploradores desaparecer algures numa caverna, um outro grupo aventura-se para descobrir o que sucedeu com tão misterioso desaparecimento.
Depois de os habituais acidentes que fazem com que todos se encaminhem exactamente para onde não deveriam estar, descobrem que afinal não estão sózinhos na caverna e um por um começa a cair vítimas dos ataques de uma estranha criatura que por ali habita que ou os mata ou, evoluída como é, mescla o seu ADN com o dos humanos de forma a poder abandonar a caverna rumo à desconhecida superfície.
Pontos fortes... Bem, com a excepção da premissa inicial do filme que até antevê um interessante filme de terror, pouco mais temos de interessante e mesmo essa dura durante muito pouco tempo.
Os momentos em que a segunda equipa inicia a sua descida à caverna e os primeiros incidentes na mesma conseguem até ser de bastante interesse e aguardamos que aquilo que irá decorrer seja assustador. No entanto, o aparecimento do "monstro" residente finalmente se revela onde não há uma certeza de se é um morcego ou um crustáceo gigante (ou até mesmo uma mistura de ambos) considerando que tanto nada, como anda como voa (deve ser um híbrido), tudo o resto fica digamos que absurdo demais. A partir daqui, e à excepção de momentos muito pontuais, todo o restante filme é quase ao estilo de tapa buracos e pouco mais.
O pior vem no final quando (sem revelar nada de especial pois é preciso que se veja o filme) percebemos que está tudo feito para que existe uma sequela do mesmo o que considerando que este já não é perfeito, bem podemos aguardar pelo caos total na respectiva continuação.
Pontos positivos são mesmo os cenários que conseguem estar bem efectuados bem como a sensação claustrofóbia que eles conseguem, em certa medida, transmitir. Tudo o resto está praticamente feito para ser mais um daqueles filmes de terror que, na prática, nunca o chegam a ser.
Puro entretenimento de filme pipoca com uma qualidade maioritariamente duvidosa mas que ainda assim nenhum de nós lhe consegue resistir.
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4 / 10
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Decisões (2011)

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Decisões da EvolutionFilms (na falta de nome de realizador da mesma) é uma interessante curta-metragem de ficção que junta novamente os actores da curta Segue-me aqui anteriormente comentada.
A premissa essencial do filme prende-se muito com o facto de o que faríamos se pudessemos alterar o passado como forma de emendar alguns erros. E é com base nela que o actor principal do filme actua... Livrar-se de um compromisso para ir salvar a sua cara metade de morrer numa explosão.
A curta que se repete vezes sem conta muito ao estilo do Retroactive, e que nos deixa naquele suspense para ver se é da próxima que tudo se consegue emendar tem alguns pontos dos quais me é impossível escapar de referir com fraquinhos começando logo pelo mais importante que é o som. Momentos existe em que o que os actores dizem se torna quase imperceptível e em cenas de rua... é flagrante.
O jovem actor protagonista, que está de parabéns pelo seu trabalho, só falha nos momentos em que ao querer dizer o texto todo de repente parecer atrapalhar-se um pouco mas considerando o seu trabalho é algo para o qual até nem nos fixamos muito. Por sua vez, já o seu parceiro com tanta e tanta explicação que lhe dá consegue francamente aborrecer pois debita e debita mas expressividade... nem vê-la.
Gostei dos efeitos especiais em particular dos momentos em que o protagonista está constantemente a voltar ao passado que estão bem executados e adequados ao pretendido. Tal como as perseguições finais onde não fosse a câmara com movimentação a mais e estariam perfeitos.
Interessante e bem planeada na sua estrutura peca apenas por alguns detalhes que melhor trabalhados lhe dariam uma dignidiade ainda maior.
Flagrante... a ausência de créditos... amador ou profissional eles são bastante importantes para toda a equipa e para os espectadores que gostam de saber quem são os técnicos que nela trabalharam.
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5 / 10
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domingo, 28 de agosto de 2011

Diminished Capacity (2008)

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Perdidos e Achados de Terry Kinney tem um conjunto de actores francamente interessante para que possamos simpatizar com ele... Nomes como Matthew Broderick, Virginia Madsen, Alan Alda, Dylan Baker e Bobby Cannavale.
Cooper (Broderick) é um tipo com lapsos de memória desde que sofreu um acidente. Quando recebe um pedido de ajuda para mudar o tio Rollie (Alda) para um lar, este pensa que a sua única salvação é um cartão de baseball que poderá valer uma pequena fortuna e assim obter a sua independência.
Cooper reencontra ainda Charlotte (Madsen) uma antiga paixão com quem irá embarcar juntamente com o seu tio numa viagem até Chicago com a finalidade de vender o tão afamado cartão. Pelo caminho aquilo que vamos ter é um conjunto de situações de muitos secundários que tentam aproveitar-se de um Rollie também ele afectado por sérias perdas de memória para lhe ficar com o cartão e poder fazer uma fortuna.
O filme que mistura um pouco de drama com comédia e uma tentativa muito ligeira de road-movie, acaba por não vencer em nenhuma das frentes alternando muito rapidamente entre cada uma delas e sem dar um seguimento minimamente lógico à acção do filme. Ele existe mas sem um fio condutor que faça algum sentido para nós enquanto o vemos.
Quanto às interpretações mentiria se dissesse que não esperava algo com qualidade de, pelo menos, Virginia Madsen mas, na realidade, nem ela nem nenhum deles consegue fazer alguma coisa de jeito à excepção de um Bobby Cannavale que aparece muito apagado mas que, ainda assim, consegue ser o único dos actores a mostrar que tem algum sangue quente nas veias.
De resto o filme não consegue ser nada de especial nem de ter um argumento com sentido ou lógica e onde os actores parecem mais estar perdidos do que propriamente concentrados no seu trabalho. Limitam-se simplesmente a "estar lá".
Fazendo alguma justiça ao nome... tudo parece mais perdido do que propriamente achado e é daqueles que muito rapidamente passa ao campo dos filmes esquecidos para todo o sempre.
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2 / 10
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sábado, 27 de agosto de 2011

Eskalofrío (2008)

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Arrepios na Noite de Isidro Ortiz é um filme de terror espanhol que nos conta a história de Santi (Junio Valverde) um rapaz sensível à luz do sul que com Julia (Mar Sodupe) a sua mãe vão viver para as montanhas de forma a que ele esteja menos horas exposto ao sol e poder assim levar uma vida mais tranquila.
Aquilo que nem Santi nem Julia estariam à espera é que a sua potencial pacata vivência nas montanhas fosse atormentada por um mal que iria colocar um maior risco à sua vida do que o próprio sol.
Mas... nem sempre tudo o que parece o é realmente e por vezes esse mal tem uma razão para existir... resta então saber aquilo que o fez realmente despertar e aparecer aos olhos de tão pacata aldeia.
Deste filme, que comprei inicialmente apenas por ter uma referência de ter estado na selecção Panorama do Festival Internacional de Cinema de Berlim, confesso que não tinha qualquer tipo de referência e nem sequer alguma vez tinha visto o seu trailer. No entanto quando as palavras "terror" e "cinema espanhol" se juntam na mesma frase há que ser honesto e admitir que desperta logo o meu interesse.
Aquilo que comecei a ver como sendo um filme de vampiros pois na sua sinopse bem como nas primeiras imagens do filme assim o indicam, terminou como uma agradável surpresa pois sem ser aquele típico filme onde quando a noite cai aparecem uns seres mais ou menos manhosos que vão dar conta da aldeola local, o que é certo é que o factor "noite" aqui consegue despertar um certo ambiente tenebroso e realmente assustador.
Na prática já sabemos o que é que está "lá fora" a atormentar as vítimas inocentes que se aventuram na escuridão. Na prática sabemos também que muitos daqueles que se aventuram não lhe vão escapar com vida.
Temos também um certo cliché recorrente deste género de filmes em que ao chegar alguém novo à aldeola ao mesmo tempo que estranhos e macabros assassinatos se iniciam... sabemos nós bem sobre quem recaem as culpas, no entanto o que aqui é apresentado como novo é o facto de a seu tempo percebermos que o dito mal age com um intuito muito especial e muito direccionado protegendo aqueles que todos querem ver como os culpados da situação.
Mas o que é certo é que quando vemos esse dito "mal"... ele está bem feito o suficiente para talvez não meter medo mas sim algum asco e repulsa, tudo graças ao brilhante e bem executado trabalho de caracterização que este género de filmes pede.
Não é um tradicional filme de terror onde existe de facto uma qualquer entidade que quer apenas vingar e praticar o mal como se de uma necessidade fosse. Aqui temos mais uma situação de vingança e de justiça pelas próprias mãos que tarde no filme revela os seus reais propósitos tornando o filme mais num suspense bem delineado do que propriamente em algo assustador e com "demónios" à solta.
É um filme algo desconhecido (para mim era e julgo que para a maioria também) mas daqueles que não nos arrependemos de ver por muitas que sejam as suspeitas que inicialmente temos a seu respeito.
E verdade seja dita que não há nada melhor do que passar um final de noite a pensar que a qualquer momento damos um salto no sofá enquanto o estamos a ver. Para aqueles que tiverem oportunidade... não o percam.
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7 / 10
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

The Messengers (2007)

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Os Mensageiros de Oxide Pang Chun e Danny Pang é um filme de terror com a participação de Kristin Stewart, Dylan McDermott, John Corbett e Penelope Ann Miller que se desenrola numa quinta de plantação de girassóis e que podemos afirmar logo de início não ser nada tranquila.
Por muito que pudessem tentar-nos enganar com a aparente calma a que o cenário nos transporta, iniciar um filme com uma inegável cena de um massacre dentro daquela casa acaba com qualquer potencial ideia de que ali poder-se-ia viver tranquilamente.
Ao chegar àquela quinta Jess (Stewart) pressente pequenos acasos que não a deixam encarar o espaço como um lar tranquilo mas como nada de evidente acontece tudo parece ser apenas uma falta de adaptação à nova casa.
Tudo cai por terra quando esses pequenos desconfortos ganham vida e as marcas começam a ser físicas e bem visíveis levantando assim definitivamente a suspeita de que algo está realmente a acontecer.
Este filme que quase anuncia ser grandes dramas o vilão sem sequer ser preciso ele abrir muito a boca, perdendo assim definitivamente qualquer suspense sobre de onde virá realmente o mal, consegue no entanto ter um aspecto bem positivo que se prende com os pequenos segmentos em que as "entidades" dão o ar de sua graça e nos presenteiam com os seus movimentos desconexos e com uma caracterização bem elaborada se bem que mais parecem vítimas de afogamento do que qualquer outra coisa mas, ainda assim, bem feita.
Destaque ainda para os momentos em que os corvos parecem ter ganho uma certa consciência colectiva e como tal uma coordenação muito particular num quase revivalismo d' Os Pássaros de Hitchcock (mas com menos fama ou importância cinematográfica claro está) e em que se assumem eles próprios como os verdadeiros "mensageiros" deste filme.
À excepção de um ou outro momento mais bem conseguido todo este filme se torna previsível demais em quase todas as frentes... A família que tem de abandonar a grande cidade devido aos problemas causados pela filha mais velha em quem ninguém acredita quando as manifestações do sobrenatural se começam a manifestar através dela. A paixoneta pelo único rapaz que manifestou interesse em conhecê-la. E finalmente, e talvez o maior cliché de todos que é a união da família no momento de climax do filme onde é preciso a ajuda de todos para ajudar a menina a não ser comida pelo papão. Em todas as frentes, sem excepção, é previsível demais.
É daqueles filmes que tem apenas algum "efeito" se o virmos de noite pois todas as sombras ganham uma vida diferente... mas mesmo assim é preciso ser muito susceptível para conseguirmos dar-lhe a devida "importância".
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6 / 10
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cyborg (1989)

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Cyborg de Albert Pyun foi um dos grandes títulos desse actor perito em artes marciais que é Jean-Claude Van Damme e que na altura se encontrava no seu "estado de graça".
Encontramo-nos num mundo pós-apocalíptico onde toda a paisagem que vemos está devastada. As poucas pessoas que existem dividem-se em apenas dois grupos. O primeiro indefeso que tenta sobreviver e o segundo constituído apenas por marginais que espalham o caos e o terror onde eles já imperam por si só. No meio de tudo isto encontramos Gibson (Van Damme) que encontra uma mulher que lhe pede que a acompanhe até um porto seguro de forma a poder auxiliar com uma cura todos aqueles que padecem devido a esta destruição. Gibson a quem toda a sua família foi morta por um desses gangs comandados por Fender (Vincent Klyn) e que agora o persegue novamente até àquela que será a grande e derradeira batalha de onde só um poderá sair vivo.
Deste tipo de filmes não se pode propriamente dizer que são bons ou sequer marcantes e dos quais todos nós nos iremos recordar. No entanto, o que é certo é que são marcantes o suficiente para se destacarem como os mais importantes títulos do actor que os interpreta, neste caso Van Damme.
Este actor belga que se destacou num número sem fim de filmes deste género, que todos nós criticamos mas que todos nós acabamos por ver, tem neste um dos seus mais emblemáticos. Não por ser bom ou ter alguma qualidade fora do normal mas talvez por à altura ter sido daqueles que mais publicidade teve e com isso ficar associado à imagem deste actor de uma forma como poucos, muito poucos, outros ficaram.
De resto nada de especial tem além do facto de nos conseguir distrair durante algum tempo e por, de uma ou outra forma, na sua própria "onda" ser um filme do qual podemos falar mal mas que acabamos por gostar de ver quando passa na televisão. Serve apenas e só como puro entretenimento para aqueles fins-de-semana em que não saímos de casa e gostamos de ter ali um filme mais "manhoso" para ver. É tudo previsível mas distraímo-nos com ele.
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4 / 10
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Lenhador Assassino (2011)

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O Lenhador Assassino de Rúben Ferreira é uma curta-metragem de terror que vale a pena ver. O primeiro aspecto que me deixou inicialmente curioso, além do óbvio que é gostar de terror/suspense, foi o facto de ver ali um dos actores com uma máscara bem assustadora. Pessoas como eu que cresceram a ver o Poltergeist irão com toda a certeza perceber o simpático "terror" que palhaços e afins num filme do género fazer ao sistema nervoso dos mais sensíveis.
Quando dois miúdos entram numa casa algo "abandonada" para recuperar a bola de futebol que entrou pela janela deparam-se com mais do que aquilo que esperavam e os momentos que se seguem irão ser, no mínimo, tensos.
Um tanto amadora comparando com outros do estilo consegue, no entanto, provocar alguns momentos mais tensos e stressantes que poderiam ter sido bem mais realizados com uma banda-sonora mais minimalista. Afinal todos poderemos concordar que o verdadeiro terror chega, por vezes, com "pés de pantufa".
Não sei se é um primeiro trabalho do realizador ou não, mas a aperfeiçoar mais alguns detalhes deduzo que futuramente poderá conseguir trabalhos bastante positivos.
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6 / 10
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Rise of the Gargoyles (2009)

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Demónio de Pedra de Bill Corcoran reune um conjunto de actores mais ou menos desconhecidos numa história que pretende ser de terror.
Tudo começa quando uma igreja parisiense é alvo de uma tentativa de demolição que irá despertar e eventualmente libertar um antigo demónio que assume o corpo de uma gárgula. O problema é que esta gárgula não só é feita de pedra (quando lhe dá jeito) como ainda por cima anda a pôr ovos para iniciar aquilo que podemos antever como uma rebelião das ditas.
Do outro lado da linha temos um professor americano (claro) radicado em Paris depois de todo o trabalho da sua vida ter sido desacreditado e de um subsequente divórcio que o deixou de rastos, e que como todos percebemos muito rapidamente vai ser o herói do dia, ou da noite visto que as gárgulas só atacam à noite (isto dito assim até parece outra coisa), e conseguir salvar o mundo naquilo que é a vitória mais absurda que eu vi até hoje mesmo considerando outros filmes "pérola" deste calibre.
Bom... a primeira pergunta que me coloco é se valerá a pena dizer mais alguma coisa depois desta tão breve mas certeira descrição sobre este filme? A resposta é um categórico NÃO.
Este filme é apenas mais um de uma extensa lista de filmes "mata-tempo" que existem e que não só não tem uma grande história ou conteúdo como ainda por cima pouco, muito pouco, distraem aqueles que se aventuram a vê-los.
Da gárgula ou dos seus rebentos... pouco vemos. E quando temos esse (des)prazer é tão rápido e tão mal feito que damos por nós a pensar que o dinheiro para fazer este filme foi tão pouco que os próprios efeitos especiais e afins foram feitos a conta gotas e com muito pouca categoria.
E isto já para não falar nas interpretações pois se fosse por esse caminho tinha dificuldade não em falar nos pontos altos, que não são nenhuns, mas sim nos pontos baixos que se reproduzem mais depressa do que as próprias crias da gárgula.
Essencialmente temos um filme bastante pobre que lucidamente nem consegue justificar o tempo que perdemos a vê-lo. Aos audazes... boa sorte se aguentarem até ao fim.
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1 / 10
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Paid in Full (2002)

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Vingança Total de Charles Stone III é um filme com base numa história verídica em que a busca pelo dinheiro e pela influência no bairro onde eventualmente todos caem na mais profunda das desgraças.
Foi o que aconteceu a Ace (Wood Harris) que farto de ver os seu amigos Mitch (Mekhi Phifer) e Calvin (Kevin Carroll) a progredir na vida enquanto ele não passava do seu simples emprego numa lavandaria decide entrar no mercado da venda de droga e esperar que com isso começasse também ele a obter tudo aquilo que sempre desejou.
Se de início a vida lhe corre bem, rapidamente percebe que nem tudo é tão perfeito como inicialmente lhe parecia e que este tipo de vida lhe tráz muitos mais problemas do que aqueles que ele pensava.
O conceito apresentado com este filme já está francamente gasto. A historieta do tipo desgraçadinho e meio bronco que ambiciona muito mais do que aquilo que tem de forma rápido e sem olhar a meios é algo que por si só já não nos leva a lado nenhum.
Esquemas, intrigas, morte, decadência e degradação estão cá todos em doses bem grandes mas também sem qualquer factor de novidade ou que nos permita conhecer algo de diferente. São histórias que, independentemente de graves e de nos alertarem para muitos perigos, acabam por ser cansativas por já as termos visto em tantos outros filmes do género e em muitos casos com muito maior qualidade e interesse. Aqui temos simplesmente mais um que até vale a pena ver mas do qual nos acabamos por esquecer rapidamente nos cinco minutos seguintes ao seu término.
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5 / 10
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domingo, 21 de agosto de 2011

A Cova (2010)

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A Cova de Luís Alves, que também assina o genial argumento, além de ser mais um óptimo exemplo do panorama nacional de curtas-metragens reune ainda um elenco invejavel composto por Ivo Canelas, José Afonso Pimentel e Augusto Portela.
Dois homens... Queimado (Pimentel) que vai cavando A Cova, pensamos nós para enterrar o corpo que têm na mala, enquanto Cruz (Canelas) snifa e ouve um qualquer discurso religioso pela rádio.
Aos poucos tudo parece correr mal até que aparece um Pescador (Portela) preparado para os ajudar a conseguir abrir aquela mala do carro... Ajudar?
Sem dizer mais nada além daquilo muito que já disse, há que referir que esta curta foi a grande vencedora do Shortcutz Lisboa de Abril 2011 (merecida) e que é mais um sólido exemplo do enorme potencial que as curtas nacionais têm sobretudo devido ao grande mérito dos seus realizadores que espero, terem ainda muito para dar ao cinema português não só em curtas como em médias e longas metragens.
Como já o disse a respeito de outros realizadores... Luís Alves, venham mais!
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8 / 10
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sábado, 20 de agosto de 2011

The Open Road (2009)

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Um Longo Caminho de Michael Meredith é uma simpática comédia com ligeiros toques de drama que conta com mum elenco bastante interessante composto por Jeff Bridges, Justin Timberlake, Mary Steenburgen, Ted Danson e Harry Dean Stanton.
Quando Katherine (Steenburgen) necessita de ser operada pede ao seu filho Carlton (Timberlake) que encontre Kyle (Bridges), o seu pai, para o poder ver antes.
Carlton embarca numa viagem com Lucy (Kate Mara) para tentar convencer Kyle que facilmente acede ao pedido mas que tem também planos próprios para "reencontrar" uma nova ligação ao seu filho através de uma road-trip.
Este filme que conta com um elenco bastante apetecível para qualquer realizador que se preze e que tem à partida uma boa premissa com este simpático argumento também da autoria do realizador Michael Meredith, acaba por se tornar num conjunto de clichés e lugares comuns que já estamos mais do que habituados a ver neste género de filmes não trazendo assim nada de extraordinário ou de inovador.
O filme é simpático sim e consegue deixar-nos relativamente entretidos pois tem uma fluência agradável e comunica com o espectador. No entanto, não deixa ao mesmo tempo de quase parecer uma cópia de tantos e tantos outros filmes do género onde acabamos por saber antecipadamente o que irá suceder nas cenas seguintes à medida a que assistimos ao desenrolar (óbvio) da história.
Consegue cambalear entre comédia e drama contendo uma pitada dos dois e nunca se assumindo num género específico mas assume-se sim com um filme de reencontros e de conexões restabelecidas entre as pessoas. Pai e filho... Amigos... Marido e mulher...
Simpático, agradável e de fácil digestão mas que, ao mesmo tempo, também se torna comum e facilmente esquecido nos momentos imediatos a ser visto.
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6 / 10
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Raúl Ruiz

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1941 - 2011
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Benvenuti al Sud (2010)

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Bem-Vindo ao Sul de Luca Miniero foi o filme italiano feito como "resposta" ao seu "irmão" francês Bem-Vindo ao Norte (Bienvenue chez les Ch'tis) onde Alberto (Claudio Bisio) para agradar à sua mulher Silvia (Angela Finocchiaro) e dar-lhe uma vida diferente numa cidade maior faz um esquema no seu trabalho fazendo-se passar por incapacitado e assim conseguir a tão aguardada transferência.
Como a mentira tem perna curta, assim que Alberto é descoberto só lhe restam duas opções. Uma é o despedimento a outra é ir para um local onde mais ninguém quer ir... para sul.
Contrariado, com muitas reservas sobre o seu futuro e com medo da localidade para onde ia... afinal tudo o que seria perto de Nápoles é terra de Mafia e dos terroni (nome depreciativo dado a habitantes do sul), as reservas de Alberto tornam-se, apenas para ele, tristes realidades.
Calorasamente recebido por Mattia (Alessandro Siani) um dos seus funcionários que o acolhe calorasamente em casa, Alberto pensa que tudo o que se passa à sua volta mais não é do que uma grande conspiração para o assaltar, maltratar e eventualmente matar e embarca num conjunto de situações sempre cómicas que mais não são do que frutos de pré-conceitos em relação às gentes do sul.
Vários são os aspectos que resultam muito bem neste filme começando pelo seu extraordinário argumento de Massimo Gaudioso que nos mostra o retrato de várias Itália's, ou melhor dizendo, o retrato de vários "povos" dentro da mesma Itália. Uns que têm um olhar de um povo superior e mais evoluído e instruido mas que ao mesmo tempo mostram sérios sinais de uma frieza e distância de uns para outros (o Norte). Outros, os do Sul, que não só são pessoas mais despreocupadas e que aproveitam a vida o melhor que podem mas que têm a fama de pouco ou nada fazerem e de viver à custa dos outros.
É este mesmo argumento que me faz transportar até uma Itália acolhedora que me faz desejar estar lá no meio daquela gente e sentir facilmente que estou no local onde devo estar. A sensação de chegar a casa. O momento em que Alberto abre as janelas da sua nova casa e olha o mar é disto o exemplo mais que perfeito.
Mas um argumento bom não chega para tornar um filme igualmente bom. São precisos actores e esses este filme tem de primeira qualidade. Claudio Bisio é simplesmente radiante. A sua alegria e veia cómica dão uma vida imensa a este filme. Os seus medos tão bem retratados, de alguém que chega a um local novo e já tão cheio de pré-conceitos sobre o que deverá encontrar é de facto hilariante.
E os actores secundários, aqui quase com desempenhos tão principais como Bisio, são igualmente alucinantes. Alessandro Siani e Valentina Lodovini (ambos nomeados aos Donatello de Actor e Actriz Secundários), bem como Giacomo Rizzo e Nando Paone são os quatro perfeitamente alucinantes. Não há um único momento no filme em que apareçam e que não seja para nos rirmos.
E não poderia deixar de falar de Angela Finocchiaro, a mulher do protagonista, que aqui desempenha uma mulher com medo de viver e da própria vida que se refugia dentro de casa quase sem sair e que na sua radical (podemos mesmo chamar-lhe assim depois de assistirmos à sua chegada ao sul) mudança para perto do seu marido, ganha ela também uma vida nova onde a aprende a saborear e a realmente vivê-la.
Vários são os momentos geniais neste filme... A conversa entre Alberto e o inspector que o descobre e às suas intenções. Os medos de Alberto ao chegar a sul bem como a sua viagem de mota, completamente alcoolizado, com Mattia. E finalmente aquele mais emocionante e comovente, e que faz justiça à frase final que escolhi para este comentário, onde realmente a sensação de agora sim abandonar a sua verdadeira "casa" o faz sentir aquilo que é pertencer a um respectivo local.
É isto que me faz sentir o cinema italiano... uma real identificação com a sua mensagem de pertença independentemente da história que conta. Seja ela alegre ou mais triste, faça rir ou emocionar, o que é certo é que por muito simples que pareça a mensagem que quer transmitir ela, de uma ou outra forma, consegue tocar nos nossos mais sérios pensamentos.
Ao Instituto Italiano de Cultura de Lisboa que tão gentilmente disponibilizou os convites que me permitiram ir ver este filme só tenho de deixar os mais sérios agradecimentos e esperar que façam muitas mais destas iniciativas... eu estarei, garantidamente, por lá para ir ver.
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"Mattia: Aqui choramos duas vezes... Quando chegamos e quando partimos."
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8 / 10
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Derechos y Deberes (2008)

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Direitos e Deveres de Manuel Dañino é uma curta-metragem de ficção espanhola onde as palavras-chave são o adultério e o incesto.
Dani (Jan Cornet) vive uma relação sexual com a sua prima. Encontram-se em hóteis para manter o segredo. É num destes encontros que descobre que a sua mãe mantém uma relação fora do casamento.
Decidido a contar à sua família na festa de aniversário de casamento dos avós Dani descobre que também o seu pai mantém uma relação com outra mulher.
A questão que agora Dani coloca a si próprio é se deverá ou não contar o seu segredo quando aparentemente toda a gente na família os mantém também.
Uma história interessante também assinada pelo realizador mas que enquanto curta não chega a cumprir o que se espera por falta de um maior desenvolvimento das personagens dando apenas algumas luzes e ideias sobre o que elas poderão ser. Funcionaria muito melhor se fosse uma longa-metragem onde as mesmas pudessem ser mais exploradas e trabalhadas.
De fácil visionamento e com um trabalho de fotografia interessante mas não chega a ter o potencial que poderia ter.
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6 / 10
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

The Banger Sisters (2002)

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As Manas Rock de Bob Dolman reune um trio protagonista de luxo... Susan Sarandon, Goldie Hawn e Geoffrey Rush numa história sobre a lembrança, o orgulho próprio e, acima de tudo, sobre os fortes elos de amizade que se criam e sobrevivem a todos os tempos.
Suzette (Hawn) é uma ex-groupie que ainda leva um estilo de vida liberto de todo o tipo de responsabilidades. Lavinia (Sarandon) é a sua mulher amiga mas não se encontram há largos anos. Quando Suzette se encontra em dificuldades resolve procurar Lavinia e pedir-lhe apoio.
Pelo caminho Suzette conhece Harry (Rush) um escritor falhado que planeia o último encontro com o seu pai e com quem ela estabelece uma relação muito... "colorida".
Este filme feito muito ao estilo de um road-movie mas não com actores adolescentes que tornam assim a viagem bem mais interessante pelo conjunto de experiências mais "vividas", não só é uma extraordinária história de amizade que prova que esta resiste ao longo dos tempos independentemente das inúmeras viagens e caminhos que cada um de nóss tome, mas também é um excelente filme sobre a descoberta pessoal e do jovem idealista que se encontra dentro de cada um de nós, apesar de alguns muito tentarem fazê-lo desaparecer.
Este trio de actores não poderia ter sido melhor escolhido. Por um lado temos uma Goldie Hawn, frenética como sempre, naquele que é a sua última interpretação em cinema. Trágico se pensarmos que já lá vão dez anos desde que este filme foi feito mas como em muitas ocasiões digo, é mau quando um actor se "cola" apenas e só a um estilo de personagem. Chega uma altura que já está tão gasto que já ninguém o quer... o que é uma pena pois confesso já sentir saudades de ver o "fogo" interior desta actriz no cinema.
Por outro lado temos a eterna força da natureza que é Susan Sarandon. Diferente do habitual aqui Sarandon interpreta a tal mulher conservadora que em adolescente fez corar tudo e todos. Com o passar dos anos esqueceu o seu verdadeiro "eu" e, é agora com a presença de Suzette que a sua verdadeira personalidade e os seus verdadeiros sonhos e vontades adormecidos e reprimidos vão de novo voltar a brilhar.
A fechar este trio temos um excelente Geoffrey Rush que com este "Harry" nos entrega uma personagem profundamente dramática que se encontra solitário no mundo sem ninguém que o acompanhe. Já nem as suas palavras e os seus pensamentos que em tempos redigia no papel o conseguem acompanhar. Novamente é engraçado constatar como Suzette faz renascer em todos aqueles desejos e vontades que nem os próprios sonham em confessar.
Confesso eu no entanto que a primeira vez que assisti a este filme não dei muito por ele. Achei uma daquelas comédias que poderia facilmente ter mais uma ou duas horas de duração e aí sim ter-lhe-ia visto algum sentido e significado. Quase passados também dez anos desde que o vi pela segunda vez e que o achei daquelas pequenos grandes filmes que nos fazem pensar no passado. Nas decisões que tomamos e no facto de terem ou não sido as mais acertadas ou simplesmente no facto de aquele "jovem idealista" que também eu tinha (e tenho) se ter ou não perdido pelo caminho à custa de uma ou outra decisão que poderia aos olhos da altura ter achado incorrecta... Divagações...
Foi então que chegado o final deste segundo visionamento que percebo que este filme tem mais do que ao primeiro olhar parece e que para além de uma divertida comédia é um sentido drama com toques de humor que não deixa pensativos, e receptivos, àquilo que fomos e especialmente àquilo que somos.
Deixa-me profundamente contente quando estes filmes que passam quase despercebidos do grande público conseguem retirar de mim sentidos pensamentos positivos.
E como não poderia terminar isto de outra forma... Goldie Hawn... VOLTA...
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"Suzette: (...) you're going right up your own asshole, and i don't feel like following!"
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7 / 10
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

17 Again (2009)

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17 Anos Outra Vez! de Burr Steers junta Zac Efron, Matthew Perry e Leslie Mann num filme em tons de comédia com um tema já muito batido em tantos outros filmes.
Normalmente temos o típico filme onde pai ou mãe "transfere" a sua alma para o corpo do seu filho ou filha. Aqui a diferença é que o próprio pai recua no tempo assumindo o corpo que tinha em adolescente e regressa aos tempos de liceu numa tentativa de refazer aquele momento único que poderia ter modificado toda a sua vida.
É aqui que Mike (Perry) assume o seu "eu" mais jovem (Efron) e não só tenta refazer o tal momento passado como assume uma relação mais próxima dos seus filhos, agora o pai com a mesma idade dos seus filhos, e com a sua quase ex-mulher que sempre culpou por não ter alcançado a vida que sempre desejou.
A premissa e as ideias de base deste filme estão, como todos sabemos, já bastante gastas e vistas em incontáveis filmes que abordam esta ideia do "e se". E se "eu" tivesse feito algo.... E se eu conseguisse... Um sem número de "e ses" que na verdade, e bem vistas as coisas, mais não seriam do que formas de obter o que se quer sim mas com a condição de se perder aquilo que foi entretanto conquistando. Neste caso concreto, a mulher, os filhos... uma família.
À excepção desta premissa já muito explorada no cinema e das interpretações coerentes para o género de filme que é, com especial destaque para os momentos mais bem conseguidos de comédia a cargo de Thomas Lennon que interpreta "Ned" o melhor amigo de "Mike", este filme não tem nada de inovador ou diferente limitando-se a ser um interessante passatempo para as horas mortas.
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6 / 10
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domingo, 14 de agosto de 2011

Justino (2010)

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Justino de Carlos Amaral é uma das grandes e positivas surpresas do panorama nacional de curtas-metragens.
Esta curta que nos conta a história de Justino, numa brilhante prestação de Fernando Laureano, um homem solitário que ganha a vida ateando fogos.
Não temos diálogos ao longo da curta mas o poder das imagens ultrapassa o som de qualquer palavra. Assistimos à vida de um homem só, sem grandes posses e que vive numa casa humilde. Assistimos à concretização de mais um "trabalho" e o porquê de o ter feito.
Excelente o trabalho de Carlos Amaral que além da realização assina também o argumento e nota bem positva também à banda-sonora de Nuno Cardinho e à fotografia de Victor Santos.
Já o disse anteriormente ao comentar outras curtas nacionais e esta uma vez mais o confirma... Forte, muito forte está o cinema nacional no que diz respeito à originalidade, criatividade e conteúdo no que diz respeito ao panorama das curtas.
Carlos Amaral... venham mais assim!
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9 / 10
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sábado, 13 de agosto de 2011

Sorority Wars (2009)

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Pequenos Demónios de James Hayman é daqueles filmes que já se sabendo se ir detestar e onde a cantiga é sempre a mesma, não se consegue deixar de ver.
A história, como disse, é sempre igual ao anterior filme do género... A desgraçadinha de serviço aqui é Katie (Lucy Hale) que agora parte com a sua amiga de sempre para a Universidade e decidem ir ver se ingressam numa "República" (usando os termos aqui de terras lusas, mas como Katie é uma rapariga muito independente percebe que aquele estilo de vida não é para ela, entrando assim em conflito directo com Gwen (Amanda Schull) líder incontestada do sítio.
Como reacção a sua fama (sempre muito importante nestes filmes) cai rapidamente tornando-se Katie numa persona non grata por todo o local por onde passe incluindo na relação com a sua própria mãe (Courtney Thorne-Smith) que fundou a casa para que a filha deveria agora seguir.
Depois de tudo isto claro que temos a vingança da desgraçadinha que acaba por vencer na vida, fazer amigas novas, arranjar namorado que é sempre o tipo mais cool lá do bairro e, como se isso não bastasse, vencer uma qualquer competição que parece ser mais importante do que obter bons resultados nos estudos.
Há alguma coisa de diferente neste relato em relação a qualquer outro filme deste estilo? Não, absolutamente nada. São todos, sem excepção, iguais ao anterior só conseguindo diferenciar-se nos actores e, mesmo assim, se espiolharmos bem, na volta ainda encontramos caras conhecidas em dois ou mais filmes deste calibre.
Portanto, à excepção de servir apenas e só como um desfile de caras mais ou menos bonitas e que ainda julgam que apenas basta isso para poderem um dia ser actrizes e actores de respeito (poucos lá irão chegar), este filme apenas serve para mostrar o lado mais fútil de um certo meio juvenil e para mostrar ao mundo que antigas "glórias" televisivas dos anos 90 ainda estão vivas ao contrário do que se pensa que estão "ligadas à máquina".
É um filme francamente pobre sem qualquer tipo de conteúdo interessante ou inovador e que por momentos, muitos até, consegue ser bastante enervante e até mesmo seco tornando-o, como tal, perfeitamente dispensável.
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1 / 10
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Harry Potter and the Chamber of Secrets (2002)

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Harry Potter e a Câmara dos Segredos de Chris Columbus é o segundo filme desta saga de sucesso que fez as delícias de todos (sim todos... dos mais novos aos mais velhos) durante os últimos dez anos.
Neste segundo capítulo Harry recebe a visita de Dobby, em elfo que o vem avisar que não deverá voltar a Hogwarts pois corre perigo de vida se voltar.
Ignorando todos os avisos Harry, com a ajuda do seu amigo Ron, regressa à escola onde irá novamente passar por um conjunto infindável de aventuras, algumas das quais podem levá-lo realmente à morte, e enfrentar uma vez mais o seu eterno inimigo numa batalha que envolverá contornos até aqui desconhecidos.
Radcliffe, Watson e Grint que são as pedras basilares de toda a saga conseguem superar as expectativas com que nos tinham deixado desde o primeiro filme apoiados por grandes nomes do cinema britânico e mundial como é o caso de Maggie Smith, Alan Rickman e a última participação de Richard Harris enquanto Albus Dumbledore, entre outros. E claro é graças a esta enorme capacidade que os jovens actores conseguem criar sem a menor das dificuldades (para nós pois o filme deve ter dado o seu enorme trabalho) uma das maiores e mais sólidas sagas cinematográficas que não perdeu a sua legião de fãs e seguidores.
De todo o filme destaco dois grandes momentos... O primeiro deles a intensa aventura que Harry e Ron têm com um conjunto muito esfomeado de aranhas que consegue ser dos mais arrepiantes, arrisco-me a dizer, de toda a saga (pelo menos para aqueles que sofrem de aracnofobia). O segundo são os minutos finais do filme onde é travada uma das mais intensas batalhas entre Voldemort e Harry que pela sua criatividade e imaginação consegue ser para mim um dos pontos mais altos de toda esta saga.
Apesar das quase três horas de duração deste filme, é impossível ficar cansado ou saturado. Pelo contrário, à medida que nos apercebemos que o filme está para terminar damos por nós a pensar que ficaríamos ali a ver pelo menos mais uma hora. É o quão bom este filme é. E sem dúvida alguma... ficamos com vontade que chegue rapidamente a terceira parte desta lucrativa saga e pelas mil e uma aventuras que o trio de actores tem.
Afirmo sem reservas que esta saga torna-se a cada filme que passa mais um elemento que agrada a todos independentemente da sua idade e daquilo que alguns por pré-conceitos consegue pensar sobre eles. Recomendo.
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7 / 10
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Quando o Anjo e o Diabo Colaboram (2009)

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Quando o Anjo e o Diabo Colaboram de Paula Soares é uma curta-metragem de ficção naquela que é uma adaptação livre do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente.
Um Anjo (Sandra Celas) e o Diabo (Rui Santos) enquanto passeiam pela Baixa de Lisboa falam sobre se os Humanos merecem mais o Céu ou o Inferno sendo que este último tem sempre muitos lugares disponíveis.
Cruzamos por uma série de personagens que... deixam muito a desejar e comprovam que se calhar a premissa anterior é na realidade a mais séria verdade.
Tomei conhecimento desta curta pois haviam-me dito que era o projecto final de uns estudantes da Universidade Lusófona e, como tal, fiquei curioso com o que daqui vinha sendo que admito ter ficado bastante satisfeito menos num aspecto... a sua curta duração. Este filme tinha potencial para ser pelo menos uma média metragem.
À excepção disso gostei da curta na sua generalidade... as interpretações são agradáveis (mas lá está... também ela curtas e com potencial para mais), os locais escolhidos para as filmagens muito bem conseguidos, tanto a Baixa Lisboeta como o bordel onde as cenas finais ocorrem e a direcção de actores está igualmente bastante agradável.
A apontar falhas (se é que as há) é essencialmente o facto de que a história e os actores envolvidos têm potencial para poder alongar esta curta por muitos mais minutos. Parabéns à realizadora de quem aguardo mais projectos deste calibre. E para todos os curiosos aqui fica a curta para poderem ver.
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7 / 10
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Algo de Bom (2010)

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Algo de Bom de Rui Vieira é uma curta-metragem de ficção portuguesa que nos é apresentada com a frase "numa terra vazia ocorre uma história de amor".
Temos um pensamento promissor que nos faz antever que a procura do amor é a única coisa que existe na nossa essência pois, como a própria frase diz... estamos numa terra vazia.
Bom... pensamentos à parte depois de ver esta curta concluo que de facto o realizador teve o cuidado de entregar uma curta "polida" onde tudo foi pensado para corresponder à premissa inicial. Temos de facto os diálogos entre os dois únicos actores da curta, Erika e Ângelo Rodrigues, que faz antever que são ambos apaixonados desencontrados. Procuram-se, ou ele procura-a, numa terra que mais parece retirada de um qualquer deserto norte-americano, e ficamos a pensar se será que ele a vai de facto reencontrar.
Uma imagem polida onde tudo parece muito alinhado (à excepção do camião que passou por detrás da última conversa), incluindo o próprio vestuários dos actores que parecem ter acabado de sair da loja.
Aquece um pouco e está de facto bem executada mas... não chega a aquecer o suficiente para ser considerada realmente boa. Em termos de imagem e de potencial dou os meus parabéns ao realizador que com uns planos interessantes e um trabalho de fotografia bem executado cria o ambiente necessário para esperar por próximos trabalhos.
No entanto, e no que à procura do amor desencontrado diz respeito... aí, não me convenceu.
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6 / 10
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

In the Blackout (2009)

In the Blackout de Ian Bonhôte à qual poderão assistir na íntegra aqui, é uma curiosa e interessante curta-metragem de ficção sobre o amor. Mas não um amor qualquer. Fala sobre amores impossíveis entre... duas peças de vestuário. É verdade.
E estas peças de vestuário que se apaixonam no meio de um turbilhão vivem um amor quase impossível que começa pelo próprio aspecto fantasioso da paixão entre objectos inanimados e com uma mensagem entre-linhas sobre a diferença de classes presente nos tão distintos vestuários.
Ainda assim temos aqui uma obra imaginativa e que não deixa de ter a sua graça e à qual vale a pena dar uma vista de olhos... não demora muito tempo e o "amor" venha ele de onde vier e seja ele sob que forma fôr vale sempre a pena.
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7 / 10
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

The Whispering (1995)

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O Sussuro de Gregory Gieras é um filme que pretende ser de terror mas acaba por ser mais aterrorizante apenas pelo tão cansativo que é.
A ideia deste filme prende-se pelo facto de existirem pessoas mais sensíveis que conseguem ser influenciadas por um demónio que literalmente as mentaliza a cometerem suicídio.
Os espíritos mais frágeis suicidam-se e mais tarde um investigador de seguros, ex-polícia, começa a investigar estas estranhas ocorrências especialmente porque ele parece ser o único capaz de ver o demónio.
Boas intenções? Sim, o filme tem umas quantas ao pretender causar alguns sustos. No entanto estes sustos assentam bem ao título do próprio filme não passando de simples "sussuros" no que de assustador têm que é como quem diz... muito pouco.
As interpretações bom... são fraquinhas. Qualquer um destes actores não parece muito motivado para o objectivo principal do filme, o suspense, o terror e o susto ou pelo menos não tão motivados quanto para as inúmeras cenas de sexo existentes. Estas parecem mais bem elaboradas do que propriamente o terror em si. É certo que neste tipo de filmes de terror o sexo é sempre uma parte integrante mas... aqui parece que é quase a parte dominante.
A caracterização do demónio, que durante todo o filme encarna o corpo de uma mulher cuja cara está mais branca do que o normal é, também ela, bastante pobrezinha (mesmo em diminutivo que a caracteriza melhor), e nos segmentos finais do filme então parece que já está ou a derreter ou em decomposição revelando de si um grande amadorismo.
O filme pode premeter, apenas e só pela sua premissa, mas em termos de conclusão e de efeitos práticos é francamente pobre e com inúmeras falhas. Vale apenas pelo tempo que ocupa se bem que nos instantes seguintes está completamente esquecido.
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1 / 10
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domingo, 7 de agosto de 2011

A Decisão (2008)

A Decisão de Gonçalo Mourão com Leonor Seixas, João Lagarto, Nuno Melo, Bernardo Mendonça e Pompeu José nos principais desempenhos é mais um telefilme produzido pela TVI no segmento de Casos da Vida.
Neste telefilme temos Mafalda (Leonor Seixas), uma filha da terra, indiferente a Tiago (Bernardo Mendonça) que é o homem com quem vai partilhando a sua vida, é nomeada administradora de uma empresa local na qual trabalham os seus pais (João Lagarto e Elisabete Piecho), o padrinho (Pompeu José) e alguns amigos, e tudo corre bem até ao dia em que Eduardo (Nuno Melo) o dono da mesma, decide vender a empresa e como consequência despedir todos os funcionários.
É aqui que a tão estimada filha da terra passa a ser encarada como uma inimiga que os faz perder os seus postos de trabalho não olhando a meios para atingir os seus fins. Será que Mafalda vai levar a sua acção em frente ou irá este acontecimento modificar a sua forma de encarar a vida?
Este é dos telefilmes que a TVI produziu neste segmento, aquele que consegui ver até ao fim sem achar que estava um pouco "programado" demais. Quero com isto dizer que as interpretações dos vários actores bem como o argumento que interpretaram consegue ser aquele que é aparentemente apresentado com uma maior naturalidade saindo as falas e surgindo a acção sem que pareça estar tudo 100% escrito no papel.
Um João Lagarto igual a si próprio e impulsivo como se quer, aqui num papel secundário mas firme como sempre, um Nuno Melo que confirma ser um dos mais fortes actores portugueses a poder fazer papel de vilão, e muito bem que se diga, e uma dinâmica suave mas conseguida criada entre Leonor Seixas e Bernardo Mendonça dão a estabilidade necessária para que este filme consiga ser estável e coerente do início até ao final.
Como disse e repito, um dos melhores que a TVI conseguiu fazer sendo que para os actores que tem e para os argumentos e histórias apresentadas, estes telefilmes poderiam ir e ser muito mais do que aquilo que foram.
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5 / 10
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sábado, 6 de agosto de 2011

La Mujer sin Cabeza (2008)

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A Mulher sem Cabeça de Lucrecia Martel nomeado para a Palma de Ouro em Cannes e o grande vencedor da Academia Argentina de Cinema do seu ano é um filme que inicialmente tem um potencial extremo mas que de um momento para o outro o perde para não voltar a encontrar.
Tudo começa quando Verónica (María Onetto) ao conduzir por uma estrada de terra semi-deserta embate em algo que inicialmente não consegue perceber o que é. Somos induzidos a pensar que ou será um cão ou uma pessoa pois momentos antes no início do filme vemos algumas crianças a brincar com cães naquela estrada, e ficamos por aí.
A existência de Verónica (Vero), fica a partir desse momento literalmente transformada quando o seu dia-a-dia começa a ser vivido com uma angústia sobre o que será que ela terá atropelado.
Se por um lado recebemos informações de ter sido um cão que atropelou por outro também as recebemos sobre um jovem que desapareceu ou morreu naquele mesmo dia. Que será então que realmente aconteceu e do qual nunca nada ao certo viremos a saber?
Esta história e as suas consequentes premissas sobre a possibilidade de ter sido uma pessoa que Vero atropelou e do qual escapou sem qualquer tipo de consequências, além das morais, poderia ter sido um aspecto mais aprofundado e desenvolvido. Certamente seria bastante interessante ver até que ponto poderia esta personagem ir com um verdadeiro drama moral a ser vivido no "presente".
No entanto, esta história acaba só por se centralizar no dia-a-dia de Vero, no seu regresso ao trabalho, às vivências familiares e pouco mais que isso, seguindo assim a sua presença quase muda e sem reacção, apática a tudo e todos que a rodeiam até um final onde... muda a cor de cabelo.
Não é por ser um filme "parado" que ele me desiludiu mas sim pelo facto de não se ter um qualquer tipo de reacção, mesmo que sem perceber o que tinha Vero afinal atropelado, mas que se sentisse modificar realmente a sua vida. À excepção de um visual nitidamente marcante da sua personagem, também em loura como em morena, e que dá um cartaz visualmente apelativo, est'A Mulher sem Cabeça acaba por ser, de certa forma, um filme sem um conteúdo marcadamente interessante para podermos pensar que no meio de tão trágico acontecimento a sua vida mudou realmente.
Argumento com potencial, desenvolvimento que poderia abrir portas por muitos campos, uma actriz com algum carisma e presença mas que, por um ou outro motivo, se perde em direcção ao nada deixando-nos apenas na memória o título, o cartaz e as boas intenções com que foi, penso, planeado.
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1 / 10
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Bats in the Belfry (2010)

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Bats in the Belfry (Morcegos no Campanário) de João Alves é uma curta-metragem de animação da qual se pode dizer ser, no mínimo, brilhante.
Sem adiantar muito da história porque vale mesmo a pena vê-la, digo apenas que é um misto de história de vampiros com algo de western, não só é excelente do ponto de vista da animação como consegue ainda ser cómica e original no que diz respeito à sua história.
O único defeito, se é que se pode considerar como tal, é mesmo a sua curta duração pois pelo que vi ficava à vontade mais hora e meia a deliciar-me com esta história e os caminhos que ela poderia me (nos) levar.
Ao realizador... os meus mais sinceros parabéns e que venham mais trabalhos assim...
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8 / 10
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Sobre os Mistérios de Lisboa...

... podem ler aqui o que diz o New York Times.
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Será que é desta que vamos, finalmente, ter um filme nomeado na categoria de Filme Estrangeiro ao Oscar?
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bubba Smith

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1945 - 2011
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Segue-me (2011)

Segue-me de Jafar dos Santos e com João Pedro Lourenço e Sara Dinis nos protagonistas é uma pequena história do fantástico em que se prova que o amor vence todas as barreiras. Mesmo as que separam a vida da morte.
A história é simpática e motivante e os primeiros instantes da curta, que atravessa locais emblemáticos de Lisboa, são de facto muito motivadores desde o aspecto visual até à banda-sonora escolhida. No entanto, os momentos que atravessam a Rua Augusta são um pouco penosos não pelo que estamos a assistir mas aqui sim pela banda-sonora escolhida que parece bastante descontextualizada em relação às imagens e ao drama/suspense/angústia que o actor principal quer transmitir.
Interessante e um com bons momentos e na dose certa de duração é uma curta que de uma forma geral está bem pensada mas com alguns aspectos que lhe cortam algum suspense.
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4 / 10
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Paranormal (2011)

Paranormal de Marcos Soares é uma curta-metragem portuguesa feita ao estilo do filme norte-americano Actividade Paranormal, onde o habitante de uma casa coloca câmaras pela mesma para registar supostas experiências com entidades desconhecidas.
A curta, que peca por isso mesmo, tem no entanto um trabalho de fotografia bastante razoável que deve ser apreciado. Exceptuando isto, o conceito apesar de repetido de outros filmes é bom e poderia ser um interessante exemplo do cinema de terror nacional caso fosse uma longa-metragem. Bons conceitos que acabam por "morrer" na praia mas o realizador está de parabéns.
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2 / 10
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Longe Demais (2008)

Longe Demais de Hugo de Sousa é um telefilme inserido na série da TVI Casos da Vida, que conta a história de Mónica (Carolina Scarpari), uma jovem que é agarrada por um homem (Jorge Silva) que a molesta. Este perturbador momento irá transformar a sua vida deixando-a desligada das pessoas que a rodeiam nomeadamente de Paula (Maria João Luís) e de Bruno (Miguel Ferreira Venâncio) o sempre fiel amigo que gosta dela.
O ponto forte deste telefilme, e que consegue ser dos melhorzinhos que a TVI produziu nesta "fornada", é que consegue transmitir alguma intensidade dramática ao drama vivido por esta jovem. Se de início a actriz que interpreta este telefilme consegue ter momentos francamente perturbadores (pela irritação que causa a prestação da pequena actriz), verdade seja dita que à medida que a acção desenvolve a sua prestação melhora em qualidade. Consegue por momentos largar aquele registo mais irritante quase de menina mimada para passar a dar um retrato fiel de uma jovem que passara por um sério acontecimento traumático. Afirmo que foi uma evolução bastante positiva.
Assim como positiva é a prestação de Maria João Luís que dá corpo e alma ao retrato de uma mãe devastada pela inactivdade das autoridades e pelo afastamento provocado pela sua própria filha. Confirma (se é que ainda precisava) a sua excelente qualidade interpretativa.
Como secundários temos ainda esses grandes vultos que são Vítor Norte e São José Correia. O primeiro interpreta o psicólogo da polícia que acompanha este caso. Um papel reservado mas crucial que estabelece a ligação entre as vítimas e as autoridades, num registo muito mais calmo e ponderado, longe daquilo a que este actor nos tem vindo a habituar.
No entanto São José Correia tem aqui uma interpretação longe de mostrar o "fogo" que tem dentro de si. Tem uma personagem muito apagada, como amiga da mãe da vítima, algo que não a deixa brilhar e mostrar todo o seu potencial, mesmo considerando que tem aqui uma prestação secundária.
Como disse, e reafirmo, este cosnegue ser dos melhores telefilmes que a TVI produziu se bem que longe, muito longe, daqueles que há já alguns anos a SIC havia feito. No entanto consegue, de entre todos aqueles deste canal, que se destaca de uma forma mais equilibrada e positiva e seria de esperar que este canal tivesse continuado com a produção dos mesmos ainda que alguns fossem mais fraquitos. Está na altura de os retomarem (novos telefilmes e não a repetição dos mesmos), e que a sua qualidade aumente porque actores capazes e histórias interessantes estou certo que não faltam.
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6 / 10
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Anaconda III (2008)

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Anaconda 3 de Don E. FauntLeRoy é mais um daqueles filmes curiosos, e manhosos, que de conteúdo nada tem mas que consegue divertir seriamente aqueles que de nós lhe conseguem resistir.
Hammett (David Hasselhoff) é um mercenário contratado por Murdoch (John Rhys-Davies) um milionário, para capturar uma anaconda gigante, evadida do laboratório onde se encontra cativa que, através de diversas experiências, pode ajudar à descoberta da cura para várias doenças terminais.
O simples facto deste filme ter um III no seu título e considerando que os seus antecessores já foram mais por si só, já é facto suficiente para perceber que seja lá o que fôr que provém daqui não será sinal positivo em qualquer que seja a parte do mundo onde nos encontremos.
Se juntarmos a este aspecto o facto do actor principal ser David Hasselhoof pós-Marés Vivas e com o aspecto mais manhoso e chunga com que algumas vez brindou os ecrãs, então temos "apenas" mais uma evidência de que precisamos de ter muitas doses de paciência para conseguir sobreviver a este teste.
Os efeitos especiais... bom... como toda a generalidade do filme são algo mau de mais para ser verdade. A anaconda em si é um pobre exemplo de animação gerada por computador que não engana ninguém em circunstância nenhuma e os banhos de sangue consequentes da sua passagem são apenas mais um pobre exemplo daquilo a que estamos a assistir. Ver a anaconda a rebentar com as cabeças das vítimas como se de balões de água se tratassem chega ao ridículo de não se perceber se isto é suposto ser suspense ou comédia.
Há que ser honesto e falar também das interpretações. À excepção dos dois actores já referidos, todos os outros são uns perfeitos desconhecidos e que deve ter sido uma sorte se receberam qualquer tipo de salário por estes desempenhos. Quanto aos principais... Hasselhoff mostra estar igual a si próprio, sendo o perfeito retrato decadente de alguém que em tempos idos era líder de audiências e Rhys-Davies espanta-me como sendo parte deste "projecto".
Finalmente há aquele toque que dá o ar de sua graça a este tipo de filmes que é o facto de, mais uma vez, estes filmes literalmente manhosos serem praticamente todos feitos num qualquer país da Europa de Leste e em que os nativos quase não falam mas grunhem. Quererão os realizadores destes filmes dizer algo que me ultrapassa?
Depois disto tudo será ainda necessário dizer que considero este filme uma experiência completamente rasca?
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1 / 10
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