domingo, 7 de junho de 2015

Christopher Lee

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1922 - 2015
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Maria José Silva

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1937 - 2015
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Maggie (2015)

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Maggie de Henry Hobson é a mais recente longa-metragem de Arnold Schwarzenegger a ter estreia comercial este mês em Portugal e que nos remete para um cenário pós-apocalíptico onde a perda e a sobrevivência se mesclam numa história que é, de alguma forma, familiar.
Maggie (Abigail Breslin) encontra-se separada da sua família aquando de um vírus infecta uma boa parte da população do Midwest. Wade (Schwarzenegger), o seu pai, procura-a por entre as ruínas de uma cidade para a encontrar num centro de detenção dos infectados.
Depois de a levar para casa, Maggie começa lentamente a transformar-se num zombie caníbal e, como tal, numa ameaça para a segurança da sua família e da sua comunidade.
O argumento de Maggie está longe de fugir aos elementos fundamentais de um filme onde os mortos-vivos tomaram conta da Terra mas, no entanto, também não se aproxima da premissa original do género onde o espectador está perante uma intensa e longa viagem de fuga, de medo e de perda. Aqui o que se pode encontrar é principalmente uma história de despedida, de redenção e principalmente uma em que se pretende encontrar um qualquer tipo de paz em tempos conturbados que possibilitem uma tranquila passagem para "outro lado".
Longe de encontrarmos o típico filme em que Schwarzenegger protege o mundo de uma qualquer ameaça, Maggie mostra-nos uma faceta pouco explorada do actor como um pacato pai de família que percebe ir perder uma parte significativa da mesma. Quase sempre contido, é o lado dramático de Schwarzenegger que se vê explorado. Aquela faceta de duro com uma arma que elimina tudo à sua volta dá lugar a uma introspecção sobre o lar, a família e os tempos que para lá da janela de casa insistem em transformar-se ao mesmo tempo que cada um dos membros daquela família procuram - também eles - o seu próprio lugar.
Quando o mundo que conhecem - campos, cultivo, subsistência e trabalho - são postos em causa por uma ameaça desconhecida, o que fazer ou de que forma perceber que é necessário a partir daquele momento equacionar toda uma nova existência? O que fazer quando, durante esse processo, se percebe que uma parte importante da vida está prestes a desaparecer para sempre não deixando qualquer tipo de lembrança ou memória?
Ao mesmo tempo Maggie reflecte - de forma quase silenciosa - sobre as novas ameaças ecológicas ao relacionar o início deste vírus bem como o contágio humano, com a presença de novos químicos utilizados nos campos de cultivo, motivo pelo qual os mesmos são imediatamente incendiados e destruídos lançando assim a população com uma nova crise - a alimentar e a laboral - que os coloca numa posição de desconfiança e resistência a tudo o que ameace o pouco que têm. É nesta época de incerta mudança - que claramente não é para melhor - que "Maggie" se transforma. Uma transformação que leva à desconfiança, à suspeita, à ostracização e eventual perseguição. Até que ponto se torna a sociedade mais segura quando ninguém está - aparentemente - livre das suspeitas de um vizinho?! O tempo não pode ser desperdiçado pois todo o que existe é importante para a segurança comum.
Se Abigail Breslin entrega uma interpretação inspirada para o género - também a sua personagem com a percepção de que o tempo é limitado e, como tal, importante demais para ser desperdiçado -, não é menos verdade que é Schwarzenegger que detém toda a relevância ao longo desta longa-metragem que surpreende por se manter fiel ao género mas fugindo dos tradicionais clichés do grupo de sobreviventes que vagueia pelas cidades abandonadas à procura de alimento e refúgio. Aqui o alimento apesar de escassear a acção é, no entanto, centrada toda no mesmo espaço: uma casa. A casa de família. Aquela onde "Maggie" nasceu, cresceu, onde a sua mãe morreu e onde o seu pai voltou a casar e ter mais filhos. A casa onde todas as recordações estão gravadas e onde tudo pode - e vai - terminar sem qualquer ausência ou fuga. Sem desesperos, gritos, perdas ou separações. A casa que (como se diz) guarda as memórias de todos aqueles que por ela passaram ganhando assim a sua própria vida e alma.
Schwarzenegger é seguro neste seu regresso ao grande ecrã com uma interpretação contida - tanto quanto necessário num filme em que o que está implícito é a perda de um ente querido - com uma história onde a agressividade se vê mais nas acções de uma nova sociedade do que propriamente no cataclismo que a fez cair.
Seguro ainda pelos seus aspectos técnicos nomeadamente a caracterização e a direcção de fotografia de Lukas Ettlin, é curiosamente através da protagonista Abigail Breslin que Maggie cai num cliché algo absurdo mesmo nos instantes finais com a solução por si encontrada para terminar com o seu martírio. Ainda assim é, no seu geral, um filme interessante que foge aos variados lugares comuns que normalmente abundam pelo género e que se afirma como um interessante regresso de "Arnie" à Sétima Arte.
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7 / 10
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sábado, 6 de junho de 2015

Pierre Brice

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1929 - 2015
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Shaun the Sheep Movie (2015)

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A Ovelha Choné - O Filme de Mark Burton e Richard Starzak é uma longa-metragem britânica de animação e a mais recente a dar vida às aventuras da ovelha mais conhecida dos mais novos.
Quando Shaun - a Ovelha Choné - decide tirar um dia de folga das aborrecidas tarefas da quinta todos os caminhos levam à confusão e ao desaparecimento do Agricultor na grande cidade. No entanto, é quando os porcos da quinta decidem tomar o controlo da casa, que Shaun ruma à cidade para encontrar o seu dono agora com amnésia.
Como as confusões não acabam por aqui, o restante rebanho segue Shaun enquanto todos são perseguidos por um imparável funcionário do canil que detém todos os animais com quem se cruza. Conseguirá Shaun regressar aos verdes pastos da sua quinta?
Ainda que uma animação pouco típica numa sala de cinema - muito também graças à conotação que o nem sempre feliz título português conferiu a esta série animada - Shaun the Sheep é assumidamente uma animação não só para crianças. Longe de uma história banal, esta longa-metragem cujo argumento ficou também a cargo da dupla de realizadores, é um interessante estudo sobre as pequenas tarefas rotineiras do dia-a-dia que inicialmente nos parecem constrangedoras e aborrecidas mas que, na sua ausência, assumem uma proporção curiosa ao serem elas que caracterizam aquilo que todos nós conhecemos como lar.
Ao mesmo tempo Shaun the Sheep Movie tece sérias e interessantes considerações - sempre de forma bem divertida - sobre a independência ao sairmos do nosso espaço e da nossa casa, sobre o crescimento e amadurecimento mas principalmente sobre a amizade e como só existe um espaço ao qual chamamos lar apesar de todos os percursos que seguimos ao longo da nossa vida, e tudo isto tendo ainda tempo para uma simpática reflexão sobre os milhares de animais que se encontram em abrigos prestes a ser adoptados e a encontrar, também eles, a sua própria família.
Com um humor cortante e ao qual o espectador não consegue resistir - independentemente da sua idade - Shaun the Sheep Movie reserva ainda simpáticos momentos de emotividade e emoção que fazem tanto miúdos como graúdos sonhar um pouco com aquele tipo de animação que infelizmente já não são muito comuns onde as histórias podem ser contadas sem o recurso à violência gratuita sem que por isso percam o seu lado mais frenético, louco e agitado que apenas personagens bem construídas, com história e o seu próprio "passado" conseguem entregar.
Aqui os protagonistas são os animais... Todos eles. São eles que interagem com uma história que pretendem contar, com as frustrações que os desanimam e desmotivam e são também eles que pretendem mostrar e obter um novo rumo para as suas vidas desinteressantes. Não falam, mas expressam-se através de ruídos característicos que lhes são atribuídos, e as suas preocupações são por demais evidentes para o espectador... Até mesmo os seus comportamentos que são por momentos mais "humanos" do que aqueles tidos pelos próprios. As poucas personagens ditas humanas conseguem ser menos expressivas do que os supostos animais, e as poucas formas "verbalizadas" que denotam são ainda mais incompreensíveis do que as produzidas pelas ovelhas, cães, tartarugas, lagostas ou peixes... Mas todos eles, sem excepção, têm a sua própria mensagem para contar.
Com uma passada certa e constante sem que, no entanto, seja uma "fábrica" de produção em massa, a Aardman Animation consegue produzir histórias credíveis, fortes e divertidas, assumindo-se assim como um nome de peso na animação europeia e com a sua marca característica que foge à criação computorizada e sem que isso face as suas personagens perder qualquer tipo de expressividade... bem pelo contrário... "Shaun the Sheep" não poderia ter naquele "rosto" todo um conjunto de expressões... até mesmo a ironia.
Para mim uma das mais bem sucedidas animações dos últimos tempos. Talvez não chegue longe face às inúmeras outras histórias cujo marketing funciona em peso e mais eficazmente mas por aqui a diversão consegue ser tão boa - por vezes melhor - quando livre de preconceitos o espectador arrisca assistir a uma história que está muito para além de um título que nem sempre é muito feliz.
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8 / 10
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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Totally Free (2015)

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Totally Free de Daniel Soares é um documentário em formato de curta-metragem português filmado em San Francisco na Califórnia e que retrata um conjunto de pessoas que de forma mais ou menos anónima se encontram e reunem num jardim onde fazem livre de preconceitos aquilo que mais os faz sentir livres... patinar.
Sem qualquer tipo de expectativas sobre o que fazer ou tão pouco como o fazer para impressionar os demais que ali se encontram, cada uma daquelas pessoas tem um único propósito... descontrair de uma vida que pode, por vezes, ser complicada e entregando-se apenas a uma sensação de total descontracção e liberdade.
Num ritmo colorido e com uma coreografia quase programada Totally Free é, no entanto, o registo de um conjunto de pessoas que curiosamente se unem pelo seu intenso desejo de liberdade - social, económica, cultural, profissional (...) - e que encontram os seus pares através de uma actividade lúdica e desportiva que praticam como se de uma tribo se tratassem e que apenas encontra semelhanças com o período em que, enquanto jovens crianças, todos fazíamos aquilo que nos fizesse sentir bem e especiais independentemente do que os demais pudessem achar sobre os nossos actos num exercício de plena libertação de preconceitos e noções sobre o socialmente "correcto", de quem ou como se é.
Num mundo repleto de pessoas pouco interessantes mas que têm protagonismo, porque não entregá-lo àqueles que têm realmente algo a contar? Este é um pensamento expresso pelo realizador numa entrevista e que, no fundo, resume muito a essência de Totally Free... Todas aquelas pessoas têm a sua história, os seus porquês e os motivos que os levam ali àquele lugar onde se reunem e libertam das noções pré-concebidas pelos demais. Com este mini-documentário o realizador permite ao espectador sonhar sobre as suas possibilidades e ambições tal como aquelas dos que são ali representados.
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"Just listen to your heart."
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8 / 10
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Chicos que Lloran (2015)

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Chicos que Lloran de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção e o mais recente filme do realizador de Seis Puntos Sobre Emma (2006), Al Final Todos Mueren (2013) - colectivo de realizadores - e Los Amigos Raros (2014).
Quatro amigos partem para um passeio pelo floresta quando um deles (Javier Zapata) avisa que se vai casar com Marga com quem está junto há seis meses. Mas é quando grava um pequeno vídeo para lhe enviar que todos os segredos se descobrem.
Os filmes de Pérez Toledo têm ao longo dos anos denotado uma característica muito especial, ou seja, a atenção que o realizador e argumentista deposita nas relações de amizade entre as suas mais variadas personagens. Com um cuidado especial a filmá-las, Pérez Toledo conta-nos através das suas histórias as mais diferentes formas de amizade e de como estas se compõem de segredos, de silêncios, de proximidade e também - neste caso - de como nem sempre todos eles funcionam de forma a favorecer aqueles elos primários que estabelecemos com as pessoas que nos são mais queridas. Em Chicos que Lloran aquilo que é realçado é a capacidade de dizer ao nosso melhor amigo aquilo que mais ninguém é capaz - por desinteresse ou simples omissão - mesmo que essas revelações levem a uma quebra de amizade, a desentendimentos ou até a algum tipo de agressão que, também eles, marcarão um percurso.
Ainda com a interpretação de David Mora, Sergio Wolbers e Andrés Acevedo, Chicos que Lloran oferece ao espectador o passado, o presente e o futuro de um instante determinante de três amigos que ao assistirem a um ponto de viragem de um outro decidem quebrar o silêncio que pode ser transformador na sua vida. Sob a premissa de que a amizade não é um bem absoluto que pode a qualquer momento ser colocada à prova, esta curta-metragem reflecte ainda sobre aquilo que eles são e o que sonharam em crianças poder vir a ser. Existirá alguma semelhança ou, por sua vez, os seus percursos levaram-nos a percorrer caminhos diferentes? Estará esta amizade a salvo face a todos os elementos exteriores que ao longo dos tempos foram surgindo? Será amizade nunca alertar aqueles que nos estão próximos ou será que a intromissão nos assuntos dos nossos amigos, protegendo-os de alguma desilusão, não é a prova maior de que estamos sempre do seu lado mesmo que eles possam ficar ressentidos com o que dizemos ou fazemos?
Quase sempre num registo semi-cómico mas com uma acentuada dramatização típica de um momento de viragem, Chicos que Lloran apresenta ainda uma inteligente e motiva música original de Alejandro Ventura que alerta o espectador para todas essas pequenas e quase invisíveis transformações de (mais) uma inteligente direcção de Pérez Toledo sobre as relações humanas.
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8 / 10
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Sintoma de Ausência (2015)

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Sintoma de Ausência de Carlos Melim é uma curta-metragem portuguesa de ficção que nos conta um momento na vida de Isabel (Mia Tomé) que após uma indisposição resolve comprar um teste de gravidez.
Num momento em que a relação com o seu namorado parece ter terminado e onde depende apenas da amizade de Rita (Filipa Areosa), Isabel parece encontrar-se completamente sózinha no mundo.
É graças ao argumento de Nelson P. Ferreira e Vítor Bruno Pereira que, uma vez mais, temos uma interessante abordagem ao "eu" na obra de Carlos Melim. Depois de De Mim... (2013) e de Remissão Completa (2014), Sintoma de Ausência é mais uma reflexão sobre o lugar do "eu" num mundo que parece andar mais depressa do que aquilo que qualquer um de nós consegue acompanhar.
No entanto esta não é uma simples reflexão sobre esse lugar do "eu" mas sim a sua posição após uma percepção de que para lá de todos aqueles que nos rodeiam estamos, essencialmente, solitários. É esta solidão que então define a essência de cada um e se em De Mim... esta era definida pela chegada a um espaço novo longe de tudo aquilo que contribuiu para a formação de cada um enquanto indivíduo - neste caso a experiência do próprio realizador - e se em Remissão Completa essa mesma essência era definida aquando da confrontação com a própria morte em Sintoma de Ausência esta é definida pelo potencial surgimento de uma vida nova e de todas as responsabilidades que lhe estão inerentes.
Como abraçar então uma nova vida quando todo o mundo parece fugir-lhe entre os dedos? O que fazer quando essa mesma vida pode ser acompanhada na solidão, sem apoio, sem o conforto de um pai que é assumidamente ausente e desinteressado - na eventual futura mãe - e cuja vida depende apenas, e essencialmente, da mãe que mais não é do que uma jovem. É esta ausência - de uma relação, de um pai, de uma família, de amigos, de elos, de intimidade, e eventualmente até de uma criança - com que "Isabel" tem de aprender e saber lidar.
"Isabel" é no fundo uma jovem perdida. Não existem grandes amizades - só lhe conhecemos uma - e ao longo desta curta-metragem o espectador entende que a sua existência em Lisboa dependia única e exclusivamente de uma relação afectiva que agora termina e da qual não sabe se "ficou" algo. A sua repentina indisposição levanta a suspeita de uma gravidez que nem ela sabe se deseja e quer mas que pode ser o veículo para a manutenção da relação que parece ter terminado. Será este o motivo correcto para que esta potencial gravidez funcione? O verdadeiro medo chega quando "Isabel" não sabe se a sua vida tem mais significado para lá daquele que teve com o seu namorado e por tal procura-o de todas as maneiras... segue-o na rua - ou o que julga ser ele - remetendo toda a demais existência para aquele pequeno apartamento em que habita e onde se anula na escuridão de uma casa que de lar pouco tem.
Mas no final mantém-se a questão... Quem somos nós realmente? Sabemos que nascemos e morremos sózinhos mas, em todo o período em que por "cá" andamos, seremos apenas uma dependência de alguém ou um indivíduo que tem de se conhecer antes de saber quem é o "outro"? Estará "Isabel" capaz de perpetuar a sua vida - com uma outra vida - não sabendo quem ela própria é?
Para todas as vidas existe uma encruzilhada, ou seja, aquele exacto momento em que nada parece fazer sentido mesmo que aparentem existir algumas boas ou interessantes soluções. Esta encruzilhada é, para "Isabel", aquele exacto momento em que a sua gravidez é incerta, em que um potencial stress emocional parece tê-la privado do seu ciclo biológico natural mas que, ao mesmo tempo, pode também ser um sinal que confirme o seu período de gestação. Este é o momento da sua escolha... das escolhas... O momento em que parada à porta do hospital percebe que tem de conhecer a sua condição e saber que rumo lhe dar.
Mia Tomé entrega um especial e interessante espaço psicológico à sua "Isabel" fazendo-a oscilar entre a rapariga pós-adolescente que vê toda a sua vida a avançar rápido demais considerando a sua própria preparação e a jovem mulher decidida a cumprir os seus desejos junto de alguém que aparentemente pouca importância lhe confere. No entanto, é no meio deste dilema que melhor consegue evidenciar aquilo que de certa forma melhor a caracteriza... a sua solidão - sempre realçada por uma direcção de fotografia preocupada em captar os espaços "negros" que se acentuam ao longo da curta-metragem conferindo-lhe assim a constante presença do "nada". Numa cidade rodeada de gente a sua personagem é solitária, desamparada e entregue apenas aos ocasionais momentos em que partilha desabafos com aquela que é a sua única amiga. Não lhe conhecemos nem família, nem qualquer tipo de trabalho, nem relação... nada. "Isabel" é uma jovem mulher que se desaparecesse do mapa ninguém conseguiria alguma vez perceber que ela tinha sequer existido. Perdida na limitação da sua personagem, Mia Tomé transforma a sua "Isabel" num ser igual a tantos de nós que por vezes se questionam se alguém se irá lembrar do "eu".
Sintoma de Ausência fica, para o espectador, como o filme sem o - um - desfecho conclusivo... Existirá uma criança? Existirá uma interrupção de gravidez? Existirá uma "Isabel" depois deste momento aparentemente decisivo? Esta existirá, mas certamente será alguém muito diferente depois de saber o que realmente espera.
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8 / 10
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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Poltergeist (2015)

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Poltergeist de Gil Kenan é o mais recente remake de uma obra de ficção/terror numa época em que os mesmos parecem abundar. Desta vez o revivalismo leva-nos até à obra homónima de Tobe Hooper de 1982 mas com alguns elementos modernos que não ajudam à revitalização do género.
Os Bowen - Eric (Sam Rokwell), Amy (Rosemaria DeWitt), Kendra (Saxon Sharbino), Griffin (Kyle Catlett) e Madison (Kennedi Clements) - chegam a uma nova casa depois da mais recente crise económica e desemprego afectar a família. Enquanto tentam adaptar-se à nova casa, Griffin nota que a jovem Madison começa a apresentar um comportamento diferente à medida que o próprio percebe que pequenos fenómenos ocorrem um pouco por toda a casa.
Quando Madison desaparece após estranhos acontecimentos ocorrerem, os Bowen tentam lutar contra o desconhecido e recuperar a sua jovem filha.
Com uma clara inspiração na história original de Steven Spielberg, David Lindsay-Abaire escreve o argumento de Poltergeist depois do brilhante Rabbit Hole (com algumas outras entregas pelo meio) naquilo que é uma clara e esforçada tentativa de recuperar um género e uma trilogia adormecidos há quase trinta anos e que assim deveria ter continuado. Ainda que Poltergeist inicie bem e com alguns momentos de tensão relativamente bem construídos, não é menos verdade que a tentativa de fazer algo "diferente" através de uma réplica daquilo que o espectador mais atento rapidamente identifica como parte fundamental do original, não abona a favor deste remake.
Por um lado Lindsay-Abaire faz desta família a nova vítima da crise, do desemprego e de um estatuto social que se perde - ao contrário dos já nossos conhecidos "Freeling" que só encontram esses problemas pós-entidades sobrenaturais - ou até mesmo estabelecer uma relação próxima entre os pequenos fenómenos que ocorrem dentro daquela casa com as linhas de alta tensão que passam perto da comunidade mas isto só funcionaria se o espectador não soubesse aquilo que o espera ou nunca tivesse assistido à obra original. E as "inovações" terminam por aqui.
Aquilo que temos de seguida é uma rápida, e por vezes desastrada, recuperação do fenómeno sobrenatural e da desvirtualização de algumas personagens e dos seus papéis, nomeadamente da mãe de família que aqui deixa de ser a heroína protagonista para dar lugar a um filho que se assume como o salvador de uma irmã perdida às mãos das entidades do além, ou até mesmo o pai de família que teria em Sam Rockwell um interessante protagonista mas que aqui pouco mais faz do que vaguear também ele fantasmagoricamente por um filme que lhe escapa pelos dedos muito fácil e rapidamente.
Não temos a magia sobrenatural à volta dos investigadores do mesmo, nem tão pouco o regresso de alguém capaz de possuir o carisma de uma Zelda Rubinstein que nos cativava pela enorme personalidade que depositava à sua "Tangina", cedendo aqui também à evolução do meio televisivo e trazendo para este Poltergeist as modernices de uma reality-TV desinteressante e oca que sobrevive apenas e só graças aos momentos pop que consegue recriar. Com o devido respeito a Jared Harris e ao seu "Carrigan Burke"... no thanks!
A Poltergeist versão 2015 falta alma, apesar de ser um filme que pressupõe ter a existência de muitos no seu enredo, falta personalidade para as suas personagens que vivem de alguns clichés e de uma tentativa hipster de se tornar a nova porta de entrada às respectivas sequelas - que eventualmente vão surgir ainda com menos força do que este - e ainda que aqui existam alguns momentos inicialmente bem pensados... nada assustará mais do que aquilo que tivemos em 1982 com o dedo mágico de Spielberg - se é que me entendem!!!
Rockwell não chega à interpretação de Craig T. Nelson e DeWitt não consegue ser a mãe coragem que JoBeth Williams foi. A jovem Kennedi Clements não estabelece uma empatia natural com o espectador como o fez Heather O'Rourke nem tão pouco conseguimos esquecer Oliver Robins e a sua saga pessoa com um palhaço ou com o aparelho dos dentes e que aqui através da interpretação de Kyle Catlett deixa de ser algo secundário para assumir ele a postura de "salvador da nação". A magia, muita ou pouca, perde-se e Poltergeist mais não é do que um daqueles filmes que entretém agora no Verão toda uma nova geração que, muito possivelmente, jamais se dignará a conhecer os títulos originais, que irá chegar aos Prémios MTV mas que nunca conseguirá estabelecer o estatuto de culto como a trilogia original conseguiu. Nunca as piscinas, as árvores ou os palhaços foram tão assustadores como no Poltergeist original e o espectador fã do mesmo sente-se um tanto atraiçoado com a recuperação tão insonsa de um título que reservou boas experiências e sustos àqueles que foram "criados" com o bom cinema de terror dos idos anos 80.
Poltergeist distrai... tem os seus momentos... mas também exagera - por vezes ao absurdo (aquela árvore... enfim...) - não estabelece qualquer empatia com as personagens e no fim... bom, no fim bocejamos porque percebemos que isto era perfeitamente dispensável.
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5 / 10
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

San Andreas (2015)

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San Andreas de Brad Peyton é a mais recente longa-metragem catástrofe e que terá estreia comercial em Portugal durante o mês de Junho.
Depois de um terramoto que abala toda a California deixando um rasto de destruição sem precedentes, Ray (Dwayne Johnson) ruma a São Francisco, cidade que se prepara para o mais violento abalo sísmico de sempre e onde se encontra a sua filha Blake (Alexandra Daddario).
Carlton Cuse, Andre Fabrizio e Jeremy Passmore são os autores do argumento de San Andreas, um filme que não se prende tanto com uma história que vá emocionar os espectadores mas sim um que possa e consiga impressionar pela espectacularidade dos efeitos especiais envolvidos há semelhança do que acontecera já com longas-metragens do género nomeadamente The Day After Tomorrow (2004) ou 2012 (2009) cujo único apelo às emoções humanas é aquele feito através da mais ou menos elaborada destruição do planeta Terra tal como o conhecemos.
No entanto - pensado ou não por parte dos argumentistas - não deixa de conter alguma réstia de verdade que todos os problemas ambientais surjam eles sob a forma que surgirem, não são questões suficientemente importantes para no meio de toda esta recriação da desgraça pensarmos um pouco nos "e se..." que toda a questão levanta se bem que, na prática, nenhum espectador pensa.
Mas, quanto a assuntos mais sérios, ficamos por aqui. San Andreas vive exclusivamente do seu efeito sensacionalista onde quanto maior a desgraça e o espectáculo que lhe está inerente melhor será o efeito "rentável" do filme... afinal, qual de nós assiste a isto pensando realmente que todos estes acontecimentos são uma "possibilidade"? Aquilo que o espectador realmente procura é um blockbuster de entretenimento onde a sobrevivência esteja presente naqueles que se assumem como os protagonistas do filme e quanto a isso podemos todos ficar descansados pois de sobrevivência fala este filme. Em San Andreas temos um pouco de tudo sem esquecer os tradicionais factores e elementos que caracterizam um filme do género nomeadamente o herói que cedo se revela com um qualquer acto de bravura mas que na sua vida pessoal sofre de inúmeros problemas existenciais e familiares que irão definir toda a sua personagem desde esse momento inicial. Temos desgraça anunciada e em grandes proporções que definem com uma nova fronteira tudo aquilo que conhecemos como a realidade presente... destruição, mortes - ainda que nada gráfico visualmente - arranha-céus que não resistem, monumentos nacionais que caem como uma baralho de cartas e finalmente um tsunami que parece estar tão "na moda" agora... Desastre natural que não apresente um tsunami... não é desastre natural.
Se até aqui todos estes elementos são típicos do género, não é menos verdade que também entramos no campo daqueles lugares comuns que seriam perfeitamente dispensáveis para a boa execução de um filme-catástrofe nomeadamente quando é finalmente desvendado o grande problema emocional do protagonista ao ser-lhe colocada uma situação idêntica que parece ser determinante e definitiva. Clichés que vamos também encontrar já bem perto do final quando os sobreviventes olham embevecidos para uma cidade destruída por detrás de um grande plano da bandeira norte-americana... Sim, todos nós sabemos que o "evento" ocorre nos Estados Unidos mas não precisamos do "plano patriota" num acontecimento que, a ter lugar, ultrapassa qualquer tipo de nacionalidade ou fronteira... afinal, e ao contrário daquilo que muitos pensam... todos nós habitamos nesta esfera azul.
Com interpretações fiéis ao género - que não se esperam grandes conflitos existenciais ou emocionais pois não estamos aqui para isso - San Andreas é o blockbuster de acção do Verão, competente e com toda a consciência que não irá ultrapassar fronteiras como a "referência do género", que funciona bem como um filme de entretenimento que reserva ao espectador momentos de acção bem construídos e que talvez - atenção ao talvez - possa recolher alguns prémios no campo dos efeitos especiais que são, assumidamente, o seu ponto forte.
Simpático e energético, competente e com as respectivas tiradas sarcásticas que lhe são esperadas, San Andreas não irá desiludir nenhum espectador que entenda de antemão que não está perante o melhor filme do ano mas sim perante uma boa longa-metragem de acção.
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7 / 10
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terça-feira, 2 de junho de 2015

Alberto De Martino

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1929 - 2015
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Woman in Gold (2015)

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Mulher de Ouro de Simon Curtis é uma longa-metragem britânica que conta com a participação de Helen Mirren como protagonista ao interpretar Maria Altmann, uma judia austríaca que conseguiu fugir para os Estados Unidos que descobre cinquenta anos depois que é a legítima herdeira do famoso quadro Woman in Gold de Gustav Klimt que, na realidade, mais não era do que o retrato da sua tia Adele Bloch-Bauer.
Depois de um encontro com o advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds) sobre quais as suas expectativas de o recuperar, ambos viajam para a Áustria - detentora do quadro - onde pretendem iniciar um processo de recuperação do mesmo sem esquecer entretanto, todos os traumas do passado e as memórias de uma família que já não tem.
Desde o Anschluss austríaco à Los Angeles de 1998, o argumento de Woman in Gold é uma viagem não só ao passado como principalmente uma feita aos meandros de uma justiça que ainda está por cumprir. Maria Altmann é uma mulher que, como tantas outras, leva uma vida aparentemente normal até ao dia em que perde a sua irmã... a última prova da sua origem austríaca como também da emocionante fuga do seu país de forma a não cair nas garras da perseguição nazi. Mas, quando esta mulher descobre que parte das suas memórias existem na posse do Estado Austríaco, a mesma pretende acima de tudo que a verdade seja reposta e que seja finalmente encerrar um capítulo da sua vida que não julgava ainda por sarar.
Entre um conjunto de momentos em flashback onde conhecemos todas as origens familiares de Altmann bem como o seu casamento, os seus espaços e lugares, as suas ligações com uma tia que serviu de mote inspirador a uma das obras mais emblemáticas da arte europeia, e toda uma dinâmica batalha legal onde aqueles que se apresentam como defensores de uma restituição da justiça são também os mesmos que mais cerram fileiras para que esta nunca seja cumprida, o espectador de Woman in Gold não só se identifica com diversos momentos desta história como, ao mesmo tempo, deseja que alguns daqueles segmentos do passado pudessem ter sido mais extensos e que explorassem de melhor forma todas as pequenas cumplicidades familiares que se intensificaram quando o terror lhes batia literalmente à porta sendo esta "falta" aquela que é a principal fragilidade do filme não por estar mal explorada mas sim por ter deixado no espectador uma necessidade de saber mais sobre esta família.
Curiosos são alguns factos nomeadamente a dinâmica entre "Randy" e "Maria" - aqui tão bem explorada por Reynolds e Mirren respectivamente - que de gerações diferentes e como uma igualmente distinta relação com o passado conseguem através de um objectivo comum encontrar um meio termo que faz funcionar o seu relacionamento. Se para "Maria" a vontade era esquecer e ultrapassar um passado trágico, para "Randy" foi a necessidade de conhecer o seu próprio passado - também de famílias originárias e fugidas da Áustria - que despoletou tanto o interesse pelo caso de "Maria" como por uma história da História que faltava fazer cumprir.
Igualmente de destaque a forma como é retratado o governo e autoridades austríacas que inicialmente deram início a todo este processo de restituição das obras de arte roubadas pelos nazis como que numa tentativa de sarar e saldar a dívida com o seu passado mas que, de seguida, parecem querer que essa manifestação de boa vontade não passasse de uma formalidade que nunca seria cumprida através de um conjunto de burocracias e questões legais que mais rapidamente levavam as vítimas ao esgotamento pelo desespero do que propriamente a uma justiça que havia demorado cinquenta anos a chegar.
Finalmente uma última curiosidade - e possivelmente aquela que melhor define a reposição e devida justiça pessoal - o momento em que "Maria" se despede dos seus pais pela última vez dando de seguida início ao seu processo de fuga com o seu marido, quando as últimas palavras do seu pai são que os (pai e mãe) recorde. É esta dinâmica da preservação da memória e das origens - para lá de nacionalidades - que acabam por se manifestar como as mais importantes no cinema de género que Woman in Gold representa acabando por definir que apesar dos trágicos acontecimentos da década de quarenta do século passado estão (estiveram) para sempre vivos na memória de todos aqueles que por eles passaram mas que ainda mais vivos estão as memórias e os afectos partilhados pelas vítimas que se separaram muitos dos quais sem nunca mais se tornarem a ver.
Com uma - mais uma - sólida interpretação de Helen Mirren que dá uma força sobrenatural a cada personagem - aqui real - a que dá corpo, Woman in Gold destaca-se na minha opinião por um subentendido alerta para uma certa similitude entre o passado e o presente onde nesta Europa adormecida se começam a levantar pontas de xenofobias internas que se julgavam desaparecidas na "Europa das Nações" constituindo-se como um nem sempre reconhecido documento sobre uma memória que devemos preservar na esperança de que não se volte a repetir.
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"Maria Altmann: Unlike Lot's wife, I never looked back."
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8 / 10
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sábado, 30 de maio de 2015

Julie Harris

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1921 - 2015
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SNGCI - Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani - Nastri d'Argento 2015: os nomeados

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Realizador do Melhor Filme Italiano
Saverio Costanzo, Hungry Hearts
Matteo Garrone, Il Racconto dei Racconti
Nanni Moretti, Mia Madre
Francesco Munzi, Anime Nere
Paolo Sorrentino, Youth - La Giovinezza
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Melhor Realizador Revelação
Michele Alhaique, Senza Nessuna Pietà
Laura Bispuri, Vergine Giurata
Duccio Chiarini, Short Skin
Eleonora Danco, N-capace
Edoardo Falcone, Se Dio Vuole
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Melhor Comédia
Fino a Qui Tutto Bene, de Roan Johnson
Il Nome del Figlio, Francesca Archibugi
Italiano Medio, de Maccio Capatonda
Latin Lover, de Cristina Comencini
Noi e la Giulia, de Edoardo Leo
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Melhor Produtor
Cinemaundici /Luigi Musini e Olivia Musini com Rai Cinema, em colaboração com On My Own, Anime Nere
Luigi Musini e Olivia Musini com Elisabetta Olmi/Ipotesi cinema, Torneranno i Prati
Luigi Musini e Olivia Musini com Elda Ferri/Jean Vigo, Essentia ,Rai Cinema, Last Summer
Domenico Procacci/Fandango e Nanni Moretti Sacher, Mia Madre
Fulvio Lucisano e Federica Lucisano /IIF con Warner Bros Italia, Noi e la Giulia
Fulvio Lucisano e Federica Lucisano com Rai Cinema, Scusate se Esisto!
Mario Gianani e Lorenzo Mieli/Wildside con Rai Cinema, Hungry Hearts e Se Dio Vuole
Nicola Giuliano, Francesca Cima, Carlotta Calori/ Indigo Film, Il Ragazzo Invisibile e Youth - La Giovinezza
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Melhor Argumento Original
Alessandro Fabbri, Ludovica Rampoldi e Stefano Sardo, Il Ragazzo Invisibile
Riccardo Rossi, Chiara Barzini e Luca Infascelli, La Prima Volta di Mia Figlia
Edoardo De Angelis e Filippo Gravino, Perez
Duccio Chiarini e Ottavia Maddeddu, Short Skin
Guido Lombardi e Gaetano Di Vaio, Take Five
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Melhor Argumento

Nanni Moretti, Francesco Piccolo e Valia Santella, Mia Madre
Francesco Munzi, Fabrizio Ruggirello, Maurizio Braucci com a colaboração de Gioacchino Criac, Anime Nere
Francesca Archibugi e Francesco Piccolo, Il Nome del Figlio
Matteo Garrone, Edoardo Albinati, Ugo Chiti e Massimo Gaudioso, Il Racconto dei Racconti
Paolo Sorrentino, Youth - La Giovinezza
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Melhor Actor Protagonista
Alessandro Gassmann, Il Nome del Figlio e I Nostri Ragazzi
Pierfrancesco Favino, Senza Nessuna Pietà
Fabrizio Ferracane, Marco Leonardi e Peppino Mazzotta, Anime Nere
Riccardo Scamarcio, Nessuno si Salva da Solo
Luca Zingaretti, Perez
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Melhor Actriz Protagonista
Ambra Angiolini, La Scelta
Margherita Buy, Mia Madre
Paola Cortellesi, Scusate se Esisto!
Alba Rohrwacher, Vergine Giurata e Hungry Hearts
Jasmine Trinca, Nessuno si Salva da Solo
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Melhor Actor Secundário
Claudio Amendola, Noi e la Giulia
Stefano Fresi, Ogni Maledetto Natale e La Prima Volta di Mia Figlia
Adriano Giannini, Senza Nessuna Pietà e La Foresta di Ghiaccio
Luigi Lo Cascio, I Nostri Ragazzi
Francesco Scianna, Latin Lover
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Melhor Actriz Secundária

Barbora Bobulova, I Nostri Ragazzi e Anime Nere
Valeria Bruni Tedeschi, Latin Lover
Giovanna Ralli, Un Ragazzo d’Oro
Micaela Ramazzotti, Il Nome del Figlio
Carla Signoris, Le Leggi del Desiderio
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Melhor Fotografia
Luca Bigazzi, Youth - La Giovinezza
Fabio Cianchetti, Hungry Hearts
Michele D’Attanasio, La Foresta di Ghiaccio
Fabio Olmi, Torneranno i Prati
Vladan Radovic, Anime Nere e Vergine Giurata
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Melhor Design de Produção

Dimitri Capuani, Il Racconto dei Racconti
Ludovica Ferrario, Youth - La Giovinezza
Rita Rabassini, Il Ragazzo Invisibile
Tonino Zera, Romeo e Giulietta e Soap Opera
Paki Meduri, Noi e la Giulia
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Melhor Guarda-Roupa
Massimo Cantini Parrini, Il Racconto dei Racconti
Alessandro Lai, Latin Lover
Lina Nerli Taviani, Maraviglioso Boccaccio
Carlo Poggioli, Youth - La Giovinezza e Romeo e Giulietta
Paola Ronco, Inferno, la Solita Commedia
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Melhor Montagem
Clelio Benevento, Mia Madre
Esmeralda Calabria, Il Nome del Figlio
Francesca Calvelli, Hungry Hearts e Latin Lover
Marco Spoletini, Il Racconto dei Racconti
Cristiano Travaglioli, Anime Nere e Youth - La Giovinezza
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Melhor Som
Maricetta Lombardo, Il Racconto dei Racconti
Antongiorgio Sabia, I Nostri Ragazzi
Remo Ugolinelli, Il Nome del Figlio
Vincenzo Urselli, Perez
Alessandro Zanon, Mia Madre
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Melhor Banda-Sonora
Enzo Bosso e Federico De’ Robertis, Il Ragazzo Invisibile
Paolo Fresu, Torneranno i Prati e Vinodentro
Raphael Gualazzi, Un Ragazzo d’Oro
Orchestra di Piazza Vittorio, Pitza e Datteri
Nicola Piovani, Hungry Hearts
Giuliano Taviani e Carmelo Travia, Maraviglioso Boccaccio e Ogni Maledetto Natale
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Melhor Canção Original
Lello Analfino, por "Cocciu d’amuri", Andiamo a Quel Paese
Aldo De Scalzi, Pivio, Claudio Pacini, Antonello De Leo e Pietro Loprieno, interpretada por Aldo De Scalzi por "Mocca alla crisi", Le Frise Ignoranti
Francesco De Gregori, por "Sei mai stata sulla luna?", Sei Mai Stata sulla Luna?
Raphael Gualazzi com Guliano Sangiorgi (e a participação de Erica Mou), interpretada por Gualazzi por "Time for my prayers", Un Ragazzo d’Oro
Giordano Corapi e Roberta Serretiello cantada por Roberta Ser por "Buonesempio", Take Five
Gatti Mezzi por "Morirò d’Incidente stradale", Fino a Qui Tutto Bene
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Crime (2015)

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Crime de Rui Filipe Torres é uma longa-metragem portuguesa de ficção e a mais recente a encontrar estreia comercial que tem gerado alguma curiosidade por ser livremente inspirada - não oficialmente - no mediático homicídio de um cronista social português que, para efeitos preventivos, o nome será aqui omitido mas com o qual todos estão devidamente familiarizados.
António (João d'Ávila) e Rodrigo (Ruben Garcia) são um casal não assumido que se encontra num quarto de hotel. A horas de embarcarem para uma viagem que se espera mítica em Nova York, Rodrigo espera pela fama que não encontra em Portugal e António com um jovem namorado rendidos aos favores que este lhe proporciona. Mas, quando as tensões sentimentais e a diferença de idades se interpõem no caminho, a tragédia é apenas um detalhes que os espera ao virar da esquina.
Devido à atenção mediática que causou a morte do já mencionado cronista social que tantos amavam e tantos outros odiavam, Crime era aquele filme que inevitavelmente haveria de surgir no panorama cinematográfico português. Um caso real, presente e que ainda hoje é motivo de tantos comentários e opiniões seria motivo para, esperava qualquer um de nós, fosse levado ao grande ecrã para uma algo sumarenta história que iria continuar a dar uma oportunidade a cada espectador tecer as suas próprias conclusões e comentários sobre o caso. No entanto, a história acabou por se algo diferente...
Ao contrário do esperado, Crime não reacendeu a discussão sobre o caso mas, por sua vez, levou a que aqueles que foram ver o filme - contando comigo estava apenas mais uma pessoa na sala - discutissem a qualidade cinematográfica deste... trabalho. Se nos últimos anos temos vindo a assistir a uma qualidade inquestionável de obras cinematográficas que não só têm aproximado o público português do cinema falado na sua língua, não é menos verdade que aqui aqueles que tiverem a ousadia de entrar na sala de cinema têm apenas uma de duas oportunidades: a primeira é resistir e pensar que isto é um pequeno precalço no cinema nacional ou como segunda opção pensar que Crime é um dos mais sérios e graves atentados que qualquer profissional pode cometer na sua carreira. Dito isto, concentremos o espectador na primeira opção - o cinema português é bom e recomenda-se - e este comentário na segunda - estamos perante um atentado - e que se siga para bingo.
Crime falha nos mais variados momentos. E quando digo que falha não é apenas na sua execução mas sim em pequenos detalhes que nem o mais elementar dos jovens estudantes de cinema cometeria num dos seus trabalhos académicos. Esqueçamos aquelas pausas quase embaraçosas que um diálogo entre duas pessoas pode ter... aqueles momentos em que ao conversar com outra pessoa ficamos sem tema de conversa imediato para um diálogo construtivo e que podem - e são - normalmente incomodativos e embaraçosos. Temos desses aqui e não são poucos - quase telenoveleiros até - e o espectador fica naquela posição de "sigam que pode ser que isto melhore"... mas não melhora... Mas mesmo esquecidos estes momentos que quase dão para ir tomar um cafézinho e concentremo-nos naqueles falhas que não são admissíveis num filme... Passemos a eles...
Quando "Rodrigo" desatento aos caprichos do seu companheiro prefere estar numa qualquer rede social - evitemos os nomes também - a actualizar os seus pensamentos, verificamos que o seu perfil recebe actualizações de alguém chamado "Ruben"... ora... o nome do actor que interpreta a anteriormente referida personagem. Ninguém pede perfeição - claro que pede - mas existem pequenos grandes detalhes que arruínam a credibilidade de uma obra que se pretende artística e este é um deles... e quando algum desses detalhes escapa é bom que não se concentre a câmara em cima do mesmo durante muito tempo a ver se passa sem ninguém notar... é que permanecer a filmar um erro é inevitável que alguém vá eventualmente dar por ele.
O segundo erro fatal de Crime é a sua captação de som. Não só é lastimável para a compreensão de alguns diálogos onde o eco é uma constante, como também se torna inoportuno um ou dois segmentos ou assistimos a um conjunto de legendas em inglês - porque existem é algo que me ultrapassa (não me venham com a ideia da internacionalização pois isto não chega nem sequer a Badajoz) mas até ajudou no momento - sem escutar qualquer tipo de diálogo entre os dois actores.
Finalmente - pelo menos entre os mais significativos - o terceiro grande erro desta peça cinematográfica prende-se com os segmentos em WC - poderia estabelecer aqui uma relação mas não o irei fazer - onde "Rodrigo" se encontra e tem os seus momentos mais angustiantes e reflexivos. Fechado naquele espaço o espectador deveria centrar-se na tensão dramática que a personagem de Ruben Garcia atravessa mas, por sua vez, concentra-se sim mas nas sombras e vultos reflectidos nos mosaicos de parede onde assistimos às instruções para que o actor reproduza. Inadmissível por muito pouco pretencioso que se queira um filme...
Como se todos estes erros e detalhes não fossem suficientes para queimar a hipótese do espectador ter aqui um filme interessante e com o qual pudesse criar uma maior proximidade ou empatia para com os trágicos acontecimentos nos quais este filme (não) se baseia, eis que surge a pérola no meio da desgraça quando os vários momentos da narrativa são interrompidos por aquilo que se pretende ter com misteriosas captações da lua ora branca ora vermelha como que se aguardasse a próxima vinda de Satanás à Terra e tudo ao som de uma igualmente tensa e fantasmagórica música capaz de fazer inveja ao mais negro dos filmes. Por momentos, e considerando que estava praticamente só naquela sala de cinema, dei por mim a olhar para o lado pois pensei que, das duas uma, ou estava a ser filmado para os apanhados ou então estava presente um qualquer teste alucinogenio facultado aquando da compra do bilhete. Nenhum deles... estava mesmo a viver um momento The Omen meets Birdcage e tudo estava surreal demais para ser verdade.
E no momento em que se espera que nada possa ser pior... Pode. Durante a acção de Crime, "Rodrigo", a personagem interpretada por Ruben Garcia, decide sair daquele bolorento quarto de hotel e aproveitar a noite da cidade. Dirigindo-se a um bar "despovoado" encontra "Olga" (Marina Albuquerque) - cujo nome da personagem só conhecemos nos créditos finais - que habilmente brinca aos olhos de quem quiser ver com um enorme e prateado dildo que retira da sua mala. Ainda que este momento pudesse conter algum tipo de sensualidade para o filme pela forma como ela tenta seduzir "Rodrigo" - não sei bem onde ou como mas enfim... - tudo se tornou um dos mais hilariantes momentos desta peça - filme? - que se queria séria e intensa mas que impossibilita qualquer um de nós de não soltar uma mais ou menos ligeira gargalhada.
Dito isto, entre luas fantasmagóricas, dildos prateados, masturbação pós-homicídio, maus diálogos e o uso exacerbado das palavras "New York", Crime resume-se a muito pouco. Resume-se aos seus erros, às suas pretensões não-assumidas, à sua vontade de fazer algo diferente mas que se ficou pelas tentativas falhadas de se tornar sequer num filme - menos ainda um que seja interessante. Resume-se a uma história que se ficou pelas banalidades de uma qualquer revista cor-de-rosa onde todos tentam e querem ter opinião e uma razão mas que se esqueceu das pessoas por detrás da tragédia... a que morreu, a que matou e todas aquelas que poderias ter sido representadas como sofrendo as consequências de um acto bárbaro. Esqueceu ainda a perversão do acto concentrando-se numa qualquer disfunção eréctil que o mesmo parece ter despertado no homicida e que o leva a tentar satisfazer-se depois de ter morto. Crime é, acima de tudo, um momento parolo que teve como base um dos mais mediáticos e assustadores crimes de ódio que Portugal conheceu - mesmo que não tenha decorrido em terras nacionais - dos quais nada soube retirar e que não respeita a memória das vítimas... àquela que foi barbaramente assassinada e que aqui é retratado como um infeliz com sonhos grandes demais e a família de um homicida que é vetada à inexistência.
Acto bárbaro esse que aliás, se resume apenas e só à existência deste filme. Filme que tem nome mas não tem categoria e que usa o talento de três magníficos actores para um conjunto de banalidades e verborreia absurdamente desconexa não lhes entregando material para explorar e criar três personagens - que de ficção pouco tiveram - que lhes possibilitaria entrar nos fantasmas físicos e psicológicos que aqueles que existiram realmente possuíram.
Como uma última nota a Crime... são projectos destes que nos Estados Unidos ou outro mercado maior condenariam a carreira de três brilhantes actores ao insucesso e esquecimento... felizmente em Portugal a nossa memória é curta e Garcia, d'Ávila e Albuquerque são três actores grandes demais para que este filme os prejudique verdadeiramente... mas para bem da sanidade de todos nós desejo que esqueçam muito rapidamente este projecto e que alguém se lembre de lhes entregar personagens capazes e dignas do seu enorme talento porque por aqui... o material escasseia.
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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Betsy Palmer

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1926 - 2015
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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Porto 7 - Festival Internacional de Curtas-Metragens do Porto 2015: selecção oficial

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Ficção Internacional
An Sobh, de Abbas Davoudi (Irão)
Astronautas, de Javier Ruiz (Espanha)
Ausstieg Rechts, de Rupert Höller e Bernhard Wenger (Alemanha)
Baùll, de Daniele Campea (Itália)
Cara de Caballo, de Marc Martínez (Espanha)
Dinner, de Dmitry Bukovskiy (Luxemburgo)
En Directo, de Wenceslao Scyzoryk (Espanha)
Flash, de Alberto Ruiz Rojo (Espanha)
Los Huesos del Frío, de Enrique Leal (Espanha)
Koshki Melurekan, de Tofigh Amani (Irão)
Listen, de Hamy Ramezan e Rungano Nyoni (Espanha)
The Loyalist, de Minji Kang (EUA)
Mellom Himmel Og Hav, de Håkon Anton Olavsen (Noruega)
Miedo, de Carlos de Antonio (Espanha)
La Mujer Asimétrica, de Ana M. Ruisz (Espanha)
My Shadow Mocks Me, de Jack McGinity (Reino Unido)
Nada S.A., de Caye Casas & Albert Pintó (Espanha)
Not Funny, de Katharina Woll (Alemanha)
One, de Daniel Devecioglu (Alemanha)
Otro Día Más, de Anne Thieme (Alemanha)
Plake Stil, de Zanyar Azizi (Irão)
Safari, de Gerardo Herrero (Espanha)
Sweetheart, de Miguel Angelo Pate (Alemanha)
Trato Preferente, de Carlos Polo (Espanha)
Un Tour de Cheville, de Guillaume Levil (França)
Willa, de Helena Hufnagel (Alemanha)
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Ficção Nacional
Bestas, de Rui Neto e Joana Nicolau
Dualidade, de Luís Miranda
Labirinto, de Paulo Abreu
Margem, de Miguel Pereira
Ode, de Ana Sofia Sousa
Puto, de Fabiana Tavares e Bernardo de Carvalho
Quietude, de Luís Miranda
Rastos de Pó, de Rui Neto
Vermelho Vivo, de David Barros
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Documentário
Bola Cá, Bola Lá, de Luís Sousa (Portugal)
Born to be Mild, de Andy Oxley (Reino Unido)
Elena Asins - Génesis, de Álvaro Gimenez Sarmiento (Espanha)
Hacia una Primavera Rosa, de Mario de la Torre (Espanha)
Hotel der Diktatoren, de Florian Hoffmann (Alemanha)
Little Questions, de Virginia Abramovich (Canadá)
Voces en el Aire, de Nicolas Cuiñas (Argentina)
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Animação
Alexandra, de David Silva (Colômbia)
Alienation, de Laura Lehmus (Alemanha)
Arroz y Fósforos, de Javier Beltramino (Argentina)
Bendito Machine V - Pull the Trigger, de Jossie Malis (Espanha)
Foi o Fio, de Patrícia Figueiredo (Portugal)
Оттенки серого - Shades of Gray, deAlexandra Averyanova (Rússia)
Re Place, de Sven Windszus (Alemanha)
Roadtrip, de Xaver Xylophon (Alemanha)
Seriously Deadly Silence, de Sara Koppel (Dinamarca)
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Ariel 2015 - Academia Mexicana de Cinema: os vencedores

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Filme: Güeros, de Alonso Ruizpalacios
Primeira Obra: Güeros, de Alonso Ruizpalacios
Documentário: H2Omx, de José Cohen
Filme Ibero-Americano: Relatos Salvajes, de Damián Szifrón (Argentina)
Realizador: Alonso Ruizpalacios, Güeros
Actor: Juan Manuel Bernal, Obediencia Perfecta
Actriz: Adriana Paz, La Tirisia
Actor Secundário: Noé Hernández, La Tirisia
Actriz Secundária: Isela Vega, Las Horas Contigo
Actor Revelação: Sebastián Aguirre, Obediencia Perfecta
Actriz Revelação: Nora Isabel Huerta, Seguir Viviendo
Argumento Original: Carmín Tropical, Rigoberto Perezcano
Argumento Adaptado: Obediencia Perfecta, Ernesto Alcocer e Luis Urquiza
Montagem: Las Oscuras Primaveras, Valentina Leduc
Fotografia: Güeros, Damián García
Música: Las Oscuras Primaveras, Emmanuel del Real, Renato del Real e Ramiro del Real
Som: Isabel Muñoz, Pedro González, Gabriel Teyna e Kyoshi Osawa, Güeros e Enrique Ojeda e Enrique Greiner, Las Oscuras Primaveras
Direcção Artística: Cantinflas, Christopher Lagunes
Guarda-Roupa: Cantinflas, Gabriela Fernández
Caracterização: Cantinflas, Maripaz Robles
Efeitos Especiais: Visitantes, Ricardo Arvizu
Efeitos Visuais: Visitantes, Charlie Iturriaga
Curta-Metragem de Ficção: Ramona, de Giovanna Zacarías
Curta-Metragem Documental: El Penacho de Moctezuma. Plumaria de México Antiguo, de Jaime Kuri
Curta-Metragem de Animação: El Modelo e Pickman, de Pablo Ángeles Zuman
Ariel de Oro: Bertha Navarro e Miguel Vázquez
Homenagens: Vicente Leñero, Gabriel García Márquez e José Emílio Pacheco
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Shortcutz Viseu - Sessão #54

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O Shortcutz Viseu está de regresso e a sua Sessão #54 irá decorrer uma vez mais no Museu Grão Vasco, em Viseu na próxima sexta-feira dia 29 de Maio a partir das 22 horas.
A noite começa com o segmento de Curtas-Metragens em Competição onde serão exibidos os filmes curtos Se o Dia Chegar, de Pedro Santasmarinas e Mulher.Mar, de Filipe Pinto e Pedro Pinto.
No segmento de Curta-Metragem Convidada, o Shortcutz Viseu irá exibir a curta-metragem de animação nomeada ao Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, Outro Homem Qualquer, de Luís Soares que estará presente na sessão para a apresentação do seu filme.
Finalmente com o segmento Shortcutz Around the World será exibida Dawn, de Mario Rico (Espanha).
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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Prémios Platino 2015: os nomeados

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Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção
Conducta, de Ernesto Daranas
La Isla Mínima, de Alberto Rodríguez
Mr. Kaplan, de Álvaro Brechner
Pelo Malo, de Mariana Rondón
Relatos Salvajes, de Damián Szifrón
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Melhor Primeira-Obra Ibero-Americana de Ficção
10.000 Km, de Carlos Marques-Marcet
Ciencias Naturales, de Matías Lucchesi
La Distancia más Larga, de Claudia Pinto
Mateo, de Maria Gamboa
Vestido de Novia, de Marilyn Solaya
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Melhor Documentário
¿Quién es Dayani Cristal?, de Marc Silver
2014. Nacido en Gaza, de Hernán Zin
El Vals de los Inútiles, de Edison Cájas
O Sal da Terra, de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders
Paco de Lucía: La Búsqueda, de Curro Sánchez
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Melhor Filme de Animação
Até que a Sbórnia nos Separe, de Otto Guerra e Ennio Torresan
Dixie y la Rebelión Zombi, de Beñat Beitia e Ricardo Ramón
La Leyenda de las Momias de Guanajuato, de Alberto Rodriguez
O Menino e o Mundo, de Alê Abreu
Meñique, de Ernesto Padrón
Mortadelo y Filemón Contra Jimmy el Cachondo, de Javier Fesser
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Melhor Realizador
Alberto Rodríguez, La Isla Mínima
Álvaro Brechner, Mr. Kaplan
Damián Szifrón, Relatos Salvajes
Ernesto Daranas, Conducta
Mariana Rondón, Pelo Malo
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Melhor Actor
Benicio del Toro, Escobar: Paraíso Perdido
Javier Gutiérrez, La Isla Mínima
Jorge Perugorría, La Pared de las Palabras
Leonardo Sbaraglia, Relatos Salvajes
Óscar Jaenada, Cantinflas
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Melhor Actriz
Érica Rivas, Relatos Salvajes
Geraldine Chaplin, Dólares de Arena
Laura de la Uz, Vestido de Novia
Leandra Leal, O Lobo Atrás da Porta
Paulina García, Las Analfabetas
Samantha Castillo, Pelo Malo
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Melhor Argumento
Álvaro Brechner, Mr. Kaplan
Damián Szifrón, Relatos Salvajes
Ernesto Daranas, Conducta
Mariana Rondón, Pelo Malo
Rafael Cobos e Alberto Rodríguez, La Isla Mínima
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Melhor Montagem
Damián Szifrón e Pablo Barbieri, Relatos Salvajes
José M. G. Moyano, La Isla Mínima
Marité Ugas, Pelo Malo
Nacho Ruiz Capillas, Mr. Kaplan
Pedro Suárez, Conducta
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Melhor Fotografia
Alejandro Pérez, Conducta
Alex Catalán, La Isla Mínima
Álvaro Gutiérrez, Mr. Kaplan
Javier Juliá, Relatos Salvajes
Micaela Cajahuaringa, Pelo Malo
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Melhor Música Original
Adán Jodorowsky, La Danza de la Realidad
Gustavo Dudamel, Libertador
Gustavo Santaolalla, Relatos Salvajes
Julio de la Rosa, La Isla Mínima
Magda Rosa Galbán e Juan Antonio Leyva, Conducta
Roque Baños, El Niño
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Melhor Direcção Artística
Clara Notari, Relatos Salvajes
Erick Grass, Conducta
Gustavo Ramírez, Mr. Kaplan
Matías Tikas, Pelo Malo
Pepe Domínguez, La Isla Mínima
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Melhor Som
Daniel de Zayas, Pelayo Gutiérrez e Nacho Royo-Villanova, La Isla Mínima
Fabián Oliver e Nacho Royo-Villanova, Mr. Kaplan
José Luis Díaz, Relatos Salvajes
Juan Carlos Herrera e Osmany Olivare, Conducta
Lena Esquenazi e John Figueroa, Pelo Malo
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