segunda-feira, 13 de maio de 2019

Deutscher Filmpreis - Academia Alemã de Cinema 2019: os vencedores

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Gundermann, de Andreas Dresen foi o grande vencedor do Deutscher Filmpreis ao arrecadar seis troféus da Academia Alemã de Cinema numa cerimónia que se realizou no início deste mês.
São os vencedores:
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Filme: Gundermann, de Claudia Steffen e Christoph Friedel
Segundo Prémio: Styx, de Marcos Kantis
Terceiro Prémio: Der Junge muss an die Frische Luft, Sebastian Werninger, Nico Hofmann e Hermann Florin
Documentário: Of Fathers ans Sons, de Ansgar Frerich, Eva Kemme, Tobias N. Siebert e Hans Robert Eisenhauer
Filme Juvenil: Rocca - Verändert die Welt, de Tobias Rosen, Steffi Ackermann e Willi Geike
Prémio do Público: Der Junge muss an die Frische Luft, de Caroline Link
Realização: Andreas Dresen, Gundermann
Actor Protagonista: Alexander Scheer, Gundermann
Actriz Protagonista: Susanne Wolff, Styx
Actor Secundário: Alexander Fehling, Das Ende der Wahrheit
Actriz Secundária: Luise Heyer, Der Junge muss an die Frische Luft
Argumento: Gundermann, Laila Stieler
Montagem: Of Fathers and Sons, Anne Fabini
Fotografia: Styx, Benedict Neuenfels
Música: Wackersdorf, Hochzeitskapelle
Som: Styx, Andreas Turnwald, Uwe Dresch, Andre Zimmermann e Tobias Fleig
Design de Produção: Gundermann, Susanne Hopf
Guarda-Roupa: Gundermann, Sabine Greunig
Caracterização: Der Goldene Handschuh, Maike Heinlein, Daniel Schröder e Lisa Edelmann
Carreira: Margarethe von Trotta
Prémio Bernd Eichinger: Christian Becker
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Doris Day

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1922 - 2019
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Premios Platino de Cine IberoAmericano 2019: os vencedores

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Decorreu a noite passada a mais recente cerimónia de atribuição dos Prémios Platino entregues anualmente às produções estreadas nos países Ibero-Americanos destacando como a grande vencedora a longa-metragem mexicana Roma, de Alfonso Cuarón ao arrecadar cinco troféus incluindo os de Melhor Filme e Realização.
São os vencedores:
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Cinema
Filme Ibero-Americano:
Roma, de Alfonso Cuarón
Primeira Obra: Las Herederas, de Marcelo Martinessi
Premio Platino al Cine y Educación en Valores: Campeones, de Javier Fesser
Documentário: El Silencio de Otros, de Robert Bahar e Almudena Carracedo
Filme de Animação: Un Día Más con Vida, de Raúl de la Fuente e Damián Nenow
Realização:
Alfonso Cuarón, Roma
Interpretação Masculina: Antonio de la Torre, El Reino
Interpretação Feminina: Ana Brun, Las Herederas
Argumento: Alfonso Cuarón, Roma
Montagem: Alberto Del Campo, El Reino
Fotografia: Alfonso Cuarón, Roma
Música Original: Alberto Iglesias, Yuli
Som: Sergio Díaz, Skip Lievsay, Craig Henighan e José Antonio García, Roma
Direcção Artística: Angélica Perea, Pájaros de Verano
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Televisão
Série ou Mini-Série: Arde Madrid, de Paco León
Interpretação Masculina:
Diego Luna, Narcos: México
Interpretação Feminina: Cecilia Suárez, La Casa de las Flores
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domingo, 12 de maio de 2019

IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2019: os vencedores

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Terminou hoje a décima-sexta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu desde o passado dia 2 de Maio na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema Ideal e Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.
São os vencedores:
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Competição Internacional de Longas-Metragens
Grande Prémio Cidade de Lisboa: De los Nombres de las Cabras, de Silvia Navarro e Miguel G. Morales (Espanha)
Prémio Especial do Júri: Sa Nu Ucizi, de Gabi Virginia Sarga e Catalin Rotaru (Roménia) e Jessica Forever, de Jonathan Vinel (França)
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Competição Internacional de Curtas-Metragens
Grande Prémio: Past Perfect, de Jorge Jácome (Portugal)
Prémio Turismo de Macau - Ficção: The Girl with Two Heads, de Betzabé Garcia (Reino Unido)
Prémio Turismo de Macau - Documentário: Swatted, de Ismaël Joffroy Chandoutis (França)
Prémio Turismo de Macau - Animação: Guaxuma, de Nara Normande (França/Brasil)
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Competição Nacional
Longa-Metragem: A Minha Avó Trelotótó, de Catarina Ruivo
Curta-Metragem: A Casa, a Verdadeira e a Seguinte ainda Está por Fazer, de Sílvia das Fadas
Menção Especial: O Mar Enrola na Areia, de Catarina Mourão
Realização: Tiago Hespanha, Campo
Prémio Novo Talento: Poder Fantasma, de Afonso Mota
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Competição Novíssimos
Prémio Novíssimos: Estas Mãos são Minhas, de André Ferreira
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Competição Silvestre
Longa-Metragem: Imi Este Indiferent daca in Istorie vom Intra ca Barbari, de Radu Jude (Roménia/Rep. Checa/França/Bulgária/Alemanha) e M., de Yolande Zauberman (França)
Curta-Metragem: Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa (Brasil/Argentina)
Menção Especial: Wong Ping's Fables 1, de Wong Ping (Hong Kong)
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Competição IndieMusic
Prémio IndieMusic: Batida de Lisboa, de Rita Maia e Vasco Viana
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Competição Árvore da Vida
Prémio Árvore da Vida - Filme Português: Invisível Herói, de Cristèle Alves Meira
Menção Especial: A Minha Avó Trelotótó, de Catarina Ruivo
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Competição Amnistia Internacional
Prémio Amnistia Internacional: Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa (Brasil/Argentina)
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Competição Santa Casa
Prémio Santa Casa: Príncipe Kik-ki-do: A Toupeira Mineira, de Grega Mastnak (Eslovénia)
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Competição Universidades
Prémio Universidades: Present Perfect, de Shengze Zhu (EUA/Hong Kong)
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Competição Escolas
Prémio Escolas: Guaxuma, de Nara Normande (França/Brasil)
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sábado, 11 de maio de 2019

Peggy Lipton

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1946 - 2019
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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Heatstroke (2019)

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Heatstroke de Edgar Morais (Portugal/EUA) é uma das curtas-metragens presentes na Competição Nacional da décima-sexta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorre na capital desde o passado dia 2 de Maio.
O calor. O desejo. A satisfação sexual. A despreocupação. O delírio. Em breves instantes assistimos a uma sucessão de estímulos e estados de espírito que primeiro confundem e depois desarmam o espectador.
Esta que é a primeira incursão do actor Edgar Morais na realização de uma obra cinematográfica não poderia ser mais sugestiva e inolvidável na medida em que o espectador é completamente surpreendido não só pela sua narrativa como principalmente pela forma como a sucessão de imagens induzem para uma constante percepção da história que apenas é revelada já quando tudo está prestes a terminar.
Ao longo de toda esta breve mas original curta-metragem escutamos os lamentos de "Claire" (Leah Pipes) que fala de recordações de um passado aparentemente distante onde, em casa da sua avó durante o Verão, tinha um cão de nome "Zizi". Os seus lamentos, que subitamente se transformam em devaneios algo inconsistentes, são abruptamente interrompidos - na atenção do espectador - pela companhia a seu lado que, sem ser perceptível de imediato, se assume como o tal "elefante na sala" que todos compreendem estar presente mas que ninguém quer ainda explorar. Apenas os sons e a percepção dessa presença assumem um lugar protagonista sem, na realidade, serem revelados.
A história de "Claire" repetida vezes sem conta assume-se primeiramente como um qualquer devaneio pouco lúcido como o resultado de uma insolação - heatstroke - que a mesma sofrera... Mas é quando compreendemos quem a acompanha e a sua potencialmente desenquadrada actividade que todo o título de "heat".. ou "stroke" se assumem como mais "complexos" ou, pelo menos, levarem a uma dispersão de pensamentos assumidos pelo espectador... estarão todos eles lúcidos... carnais... conscientes?!
Neste "filme dentro de um filme" que subitamente surge no ecrã, cada personagem vive a sua própria dinâmica e a sua história dentre da história tornando todos os envolvidos em inesperados protagonistas de um conto que vivem em comum mas do qual nenhum faz verdadeiramente parte... Contracenam individualmente nos seus próprios imaginários, nas suas próprias experiências conferindo, a cada uma delas, a sua veracidade e realidade para lá daquilo que se passa centímetros ao lado e daquilo que o espectador possa, inicialmente, imaginar garantido que o calor em excesso pode, na realidade, transformar todos aqueles que por ele se deixam afectar.
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7 / 10
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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Um Punk Chamado Ribas (2019)

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Um Punk Chamado Ribas de Paulo Antunes (Portugal) é um dos documentários presentes no IndieMusic da décima-sexta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema de Lisboa a decorrer até ao próximo dia 12 de Maio em diversas salas de cinema da capital.
Nascia neste dia, em 1965, João Ribas, músico, cantor, compositor e letrista do punk português e membro fundador das bandas Ku de Judas, Censurados e Tara Perdida. Da sua influência para outros músicos ao seu carácter genuíno enquanto artista e idealista, vários são os testemunhos que passam por este documentário que nos dão a conhecer um pouco mais do homem por detrás da lenda.
Por entre um conjunto de observações sobre João Ribas, o primeiro de todos é efectuado pela irmã Isabel, que o caracteriza como alguém diferente à primeira vista mas que, depois de alguém privar com ele encontrava uma pessoa afável e dócil capaz de seduzir pela sua simpatia. De um início profissional no teatro à música, a sua grande paixão e à qual se entregou de alma e coração, Ribas transformara-se no mito incontornável no panorama musical português principalmente ao longo da década de '80.
Os testemunhos sucedem-se na primeira pessoa passando por João Pedro Almendra (Despe & Siga), Miguel Newton (Mata Ratos), Eduardo Pinela (Capitão Fantasma), Aurora Pinheiro que fora sua manager, Rui Costa (Tara Perdida), diversas amigas e também pelo sobrinho João Diogo Ribas de quem saem algumas das mais emocionadas palavras sobre o tio e sobre a influência e amizade que lhe reconhece.
Um Punk Chamado Ribas é assim um documentário que se apresenta, em diversos momentos, como um documento pessoal onde o espectador conhece, para lá da lenda musical, o homem e uma boa parte da sua personalidade - pelo menos aquela que nos é facultada pelos entrevistados -, e descobre alguém com uma sensibilidade francamente diferente do que aquela que se poderia adivinhar através da sua imagem de palco forte, aguerrida e dominante. Várias são as fotografias que são partilhadas bem como aquele que seria possivelmente o lugar mais mítico de Ribas e daqueles que o conheceram... o seu quarto que servia de sala de ensaios e de reuniões de e com as dezenas de pessoas que conhecera. Para lá de um simples local de prática, o seu quarto foi o verdadeiro estúdio de ensaio e improviso, de criação e inspiração (sua e das bandas a que pertencera), fazendo do mesmo uma espécie de lugar de culto. Das histórias com a vizinhança que nunca interferira, e para quem o "barulho" nunca foi um incómodo (pelo menos não um que fosse verbalizado), João Ribas chega mesmo a ser caracterizado com um elemento fundamental - senão o principal - de toda uma geração que encontrou na música um espaço não só de rebeldia como também de denuncia e do próprio direito à diferença que tanto, e tantas vezes, se reclama e se pretende conquistar. Símbolo de uma geração em que a imagem da noite, da droga e da violência urbana caracterizaram a própria e, até mesmo, uma Lisboa que se dividia (e assumia) nas diferenças evidentes dos bairros e dos seus habitantes desejando, o próprio ainda que inconscientemente, que a aceitação por esse referida diferença fosse uma marca do seu tempo como que de um legado se tratasse.
Com o recurso a muitas imagens de arquivo como um competente documento histórico, Um Punk hamado Ribas é igualmente um testemunho, súbtil e livre de preconceito, da transformação do homem e das suas diversas etapas que, sendo elas de maior ou menor êxtase e excessos, nunca julgou ou condenou prestando-se sempre a uma aceitação do outro e do seu contributo para a arte que com ele poderiam partilhar.
Evidente em todos aqueles que partilharam aqui os seus testemunhos está a constante comoção e emoção ao falarem no amigo que conheceram... aquele alguém que decidiram partilhar com o mundo mesmo sendo alguém só "seu"... alguém de quem ainda lhes custa falar apesar do imenso prazer que têm em recordar todos os momentos mais ou menos privados que partilharam... alguém a quem reconhecem uma educação extrema e memória exemplar mesmo que tenham sido dezenas, centenas ou até mesmo milhares aqueles com quem se havia cruzado... alguém dado ao mundo, à cidade, ao seu bairro e a todos aqueles que resolviam "perder" alguns minutos de conversa... um "punk diplomático" como é caracterizado pelo seu sobrinho.
Desaparecido a 23 de Março de 2014, João Ribas fica não só com o nome marcado ao movimento do rock punk português como também como um, arriscarei dizer, humanista pela forma como encarava o "outro" tão bem caracterizado pelos seus amigos, sempre disponível para uma palavra a toda a gente e também como um vulto maior do panorama musical nacional mesmo com todos os potenciais altos e baixos da vida... característicos de qualquer um de nós... transformando este sentido documentário numa importante peça do cinema português do género e num documento imprescindível para a contextualização não só do homem mas também da música para a qual deixou uma importante marca e parte de si.
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7 / 10
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domingo, 5 de maio de 2019

Shortcutz Viseu - Sessão #120

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A Sessão #120 do Shortcutz Viseu que se irá realizar no próximo dia 10 de Maio na Incubadora do Centro Histórico da cidade é inteiramente dedicada a um convidado especial... o MONSTRA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Lisboa onde serão exibidas algumas das curtas-metragens aí exibidas.
Serão assim apresentados os filmes curtos Anna, de Jessica Mountfield (Reino Unido), At First Sight, de Sjaak Rood (Holanda), Las del Diente, de Ana Pérez López (Espanha/EUA), Entre Sombras, de Alice Guimarães e Mónica Santos (Portugal/França), I am OK, de Michel Digout (França), Kinky Kitchen, de Bea Höller (Alemanha), M2, de Kamila Kucikova (Estónia), Nini, de Yingzong Xin (EUA), Ride, de Paul Bush (Portugal/Reino Unido), Savanah Swift, de Pauline Grégoire, Lucie Bonzom, Benoît Parias e Theo Pierrel (França) e Sister, de Siqi Song (China).
A Sessão #120 iniciar-se-à a partir das 22 horas com entrada livre.
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sábado, 4 de maio de 2019

FICPI - Festival Internacional de Cine de Piélagos 2019: os vencedores

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El Niño que Quería Volar, de Jorge Muriel foi o grande vencedor da décima edição do FICPI - Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorria desde o passado dia 26 de Abril na Cantábria, em Espanha, ao arrecadar os troféus de Melhor Curta-Metragem Nacional e também o de Argumento.
O festival, para o qual trabalho enquanto programador nos últimos cinco anos, premiou ainda na categoria Internacional a curta-metragem romena Cadoul de Craciun do realizador Bogdan Muresanu.
Foram os vencedores:
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Secções Oficiais
Premio Dunas de Liencres
Curta-Metragem Internacional: Cadoul de Craciun, de Bogdan Muresanu (Roménia)
Curta-Metragem Nacional: El Niño que Quería Volar, de Jorge Muriel
Curta-Metragem Cantábria: Escalada, de Nacho Solana
Puesta de Largo: Zona Hóstil, de Adolfo Martínez Pérez
Documentário: Blessy, de Susana González, Silvia Cepero e Carme Gomilla
Documentário Cantábria: Pasiego, Presente de su Pasado, de Jacobo Muñoz
Animação: Soy una Tumba, de Khris Cembe
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Premio Costa Quebrada
Ahora Cuentas Ellas: Yerbabuena, de Estefanía Cortés
Premio Mailuki - Curta-Metragem LGBTI: Eran Otros Tiempos, de Alejandro Talaverón
Realização: Carlos Villafaina, Gusanos de Seda
Realização Revelação: Celia Giraldo, Te Busco en Todos
Actor: Marc Joy, Hostal Orión
Actriz: Nausicaa Bonnín, La Inútil
Argumento: Jorge Muriel, El Niño que Quería Volar
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Prémio Valdearenas: El Diário Montañés - Sección Cultura (comunicação) e Eva Arranz - vereadora da Cultura (Carreira)
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Secções Paralelas
#59: Amén, de Jorge Cimiano
#OneSequenceShot: Lucero del Alba, de Aroa Gómez García
#UnoCortoyRapidito: Impulsos, de Zoa Peña e Miguel del Barrio
#NoTeCortesHazTuCorto: Troféu entregue a todos os participantes pelo conjunto dos seus trabalhos cuja temática se centrou na Igualdade
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quinta-feira, 2 de maio de 2019

Antunes Filho

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1929 - 2019
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O Braço do André (2018)

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O Braço do André de Tomé Pereira (Portugal) é um documentário curto presente na secção Novíssimos da décima-sexta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer em Lisboa até ao próximo dia 12 de Maio.
Quando as adversidades batem à porta e André vê adiado o seu sonho de pertencer à equipa Olímpica de ping-pong, o seu propósito e sentido de vida ganham um inesperado novo rumo.
À primeira impressão o documentário curto de Tomé Pereira poderia passar sem que o espectador lhe garantisse a atenção devida. No entanto, é quando - talvez por mero acaso - este se depara com esta pequena obra cinematográfica que se descobre todo um potencial cujos limites parecem, à partida, ainda por explorar. André Maia sempre teve um sonho na vida... o ping pong. Todo o seu tempo, percebemos, é investido nesta modalidade que, de certa forma, o define enquanto a pessoa que é. Mas, o que poderá acontecer quando tudo aquilo pelo qual sempre se lutou escapa por entre as pontas dos dedos questionando todo uma, até então, pacífica existência? A resposta surgirá nesses escassos minutos que separam o início do fim desta curta-metragem e, se por momentos tudo nos parece impossível demais para ser real, não deixa de ser uma constante verdade que situações extremas merecem soluções igualmente "trangressoras".
Longe de qualquer juízo de valor sobre os métodos deste jovem atleta que parece ter ainda tudo para dar - à sua vida e à modalidade desportiva que o fascina -, a realidade é que o espectador encontra-se num local complicado de não deixar tecer uma opinião sobre a sua actividade. Até que ponto esta é a resposta a uma adversidade ou, por sua vez, a manifestação de uma mente perturbada que decide de forma implacável em obter os resultados que tanto busca...
Da luta à loucura, e desta à violação da confiança e lealdade desportiva, aquilo que separa as boas intenções de um potencial atleta da maior mentira da sua vida é tão ínfimo que por vezes - quase sempre - acaba por ser voluntariamente ignorado.
Credível até certo momento e "mockumentarilizado" não sabemos em que medida, O Braço do André é uma pequena escondida pérola que merecia uma maior e mais intensa exploração da vida e "obra" de André Maia... um desportista ao seu próprio dispôr.
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6 / 10
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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Alessandra Panaro

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1939 - 2019
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Prémios Fugaz 2019: os nomeados

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Foram esta semana revelados os nomeados aos Premios Fugaz que celebram agora o seu terceiro aniversário destacando para o troféu de Melhor Curta-Metragem os filmes curtos Background, de Toni Bestard, Cerdita, de Carlota Pereda, La Guarida, de Iago de Soto, La Noria, de Carlos Baena e Seattle, de Marta Aledo.
São os nomeados nas dezoito categorias:
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Background, de Toni Bestard
Cerdita, de Carlota Pereda
La Guarida, de Iago de Soto
La Noria, de Carlos Baena
Seattle, de Marta Aledo
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Melhor Longa-Metragem
Campeones, de Javier Fesser
Carmen y Lola, de Arantxa Echevarría
Quién te Cantará, de Carlos Vermut
El Reino, de Rodrigo Sorogoyen
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Melhor Documentário Curta-Metragem
2001, Destellos en la Oscuridad, de Pedro González Bermúdez
Alaska, de Marco Huertas
Love, de Raúl de la Fuente
El Viaje a Islandia, de César Vallejo de Castro
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Cazatalentos, de José Herrera
I Wish, de Victor L. Pinel
La Noria, de Carlos Baena
Soy una Tumba, de Khris Cembe
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Melhor Realização
Toni Bestard, Background
Rubin Stein, Bailaora
Carlota Pereda, Cerdita
Iago de Soto, La Guarida
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Realização Revelação
José Herrera, Cazatalentos
Victor L. Pinel, I Wish
Cristina Martín e María José Martín, Mi Hermano Juan
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Melhor Direcção de Produção
Bailaroa, Rubin Stein
Foreigner, Violeta Tudela
La Guarida, Laura Mato
Ipdentical, Antonio Campos e Juan Eduardo Peso
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Melhor Actor
Pedro Casablanc, Uno
Javier Gutiérrez, Zero
Pablo Mérida, El Niño que Quería Volar
Miguel Rellán, Tono Menor
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Melhor Actriz
Laura Galán, Cerdita
Nuria Herrero, Seattle
María Hervás, La Guarida
Laia Manzanares, La Tierra Llamando a Ana
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Melhor Argumento
Background, Toni Bestard
Cerdita, Carlota Pereda
Foreigner, Carlos Violadé
Seattle, Marta Aledo
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Melhor Montagem
27 Minutos, de Fernando González Gómez
Background, Toni Bestard
Bailaora, Rubin Stein
La Guarida, Martí Roca
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Melhor Fotografia
Bailaora, Alejandro Espadero
Flotando, Ricardo Canyelles
La Guarida, Miguel Leal
Ipdentical, Ismael Issa
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Melhor Música Original
Bailaora, Juan Carlos Casimiro
La Guarida, Paul Loewe
La Noria, Johan Söderqvist
La Tierra Llamando a Ana, Juan Antonio Simarro e Fernando Bonelli
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Melhor Som
Background, Rubén Pérez
Bailaora, José Tomé
Foreigner, Alonso Velasco e Jorge Marín
La Noria, Oriol Tarragó
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Melhor Direcção Artística
Bailaora, Judith Alcubierre
La Guarida, Aitor Almuedo e Francisco Almuedo
Ipdentical, Juan Eduardo Peso
Lo Siento Mi Amor, Idoia Esteban
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Melhor Guarda-Roupa
Bailaora, Pablo Porcel
La Guarida, Lucía Conty
Ipdentical, Andrés Domínguez
Lo Siento Mi Amor, Carlos Paredes e Renato Rufoni
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Melhor Caracterização
Bailaora, Nahomí Armas
La Guarida, Victor Javier Bernardos e Lola Hernández
Ipdentical, María José Gómez
Lo Siento Mi Amor, Lolita Gómez, Selmo del Campo e David Ambit
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Melhores Efeitos Visuais
Bailaora, Daniel Villegas
Flotando, Oriol Tarrida, Marcos Díaz e Frankie de Leonardis
Ipdentical, Pablo González
Lo Siento Mi Amor, Iván Martín
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Os vencedores da terceira edição dos Premios Fugaz serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 23 de Maio na Sala 25 Kinépolis.
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LGTBI... H (2019)

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LGTBI... H de Francisco Javier Gutiérrez (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção One Sequence Shot da décima edição do FICPI - Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorre na Cantábria, em Espanha desde o passado dia 26 de Abril.
Carlos decidiu dar um grande passo na sua vida e, na companhia de Juan, espera pelos seus pais para dar a grande novidade. Conseguirão eles aceitar tudo aquilo que Carlos tem para lhes contar?!
Num mundo em que tudo e todos estamos sujeitos a normalização da sigla que tudo define, a curta-metragem de Francisco Javier Gutiérrez começa por apresentar todo um conjunto de pressupostos já conhecidos do espectador mas que, ao mesmo tempo, entra por um caminho perigosamente irónico que nos tempos do dito "politicamente correcto" pode apresentar uma vertente pouco apropriada daquela que é a realidade das minorias que tanto (ainda) batalham pelo seu devido respeito e dignidade.
Esta curta-metragem apresenta o par de amigos como um potencial casal que tarde se desmistifica como apenas... dois amigos. Mas se "Juan" é o amigo homossexual, é "Carlos" que de repente se subentende como o heterossexual aqui algo descriminado numa realidade familiar que o coloca como filho... de dois homens. Num LGTBI... H onde o "h" é agora compreendido como representativo de uma sigla que todos tenta englobar, o espectador questiona-se então sobre a legitimidade desta singela letra num universo onde não é conhecida a (sua) descriminação.
Num lado inovador, e até mesmo interessante pela normalização daquelas que são questionadas como as minorias, LGTBI... H revela dois pais homossexuais que lidam com um filho jovem adulto e com a sua sexualidade "diferente". Se por um lado o espectador recebe esta nova realidade com alguma normalidade não deixa, ao mesmo tempo, de ser preocupante a forma como estes pais encaram a sexualidade do filho - livre de qualquer descriminação na sociedade em que vivemos - como algo preocupante para o mesmo como se em alguma época da História esta tivesse sido alvo de perseguição. Assim, e num mundo - seja ele qual fôr - em que as figuras parentais se preocupam com a felicidade da prole, esta curta-metragem parece querer normalizar a perseguição e o factor "minoria" àqueles que... nunca o foram... conferindo a toda a dinâmica desta curta-metragem uma realidade desconhecida como se quem nunca sofreu descriminação pudesse encarar a sua realidade com a daqueles que... sempre o foram.
Assim, e ainda que tentada a normalização pela igualdade... as realidades são francamente bem distintas colocando toda esta obra num limbo não só preocupante como até relativamente perigoso pela mensagem que pode - em diversos momentos - não ser bem compreendida, mesmo com as interpretações descontraídas dos seus actores ou (eventualmente) pelo objectivo do realizador (?) em tranquilizar o seu público afirmando que todos somos iguais independentemente do género ou sexualidade... mas, conhecendo bem o espectador a sociedade em que vive... será que essa mensagem passa tranquilamente... ou o "h" num universo que passou pelas amarguras da descriminação não estará... "a mais"?
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4 / 10
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terça-feira, 30 de abril de 2019

Anémone

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1950 - 2019
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Peter Mayhew

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1944 - 2019
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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Caroline Bittencourt

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1981 - 2019
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John Singleton

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1968 - 2019
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A Sombra Interior (2018)

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A Sombra Interior de Diego Tafarel (Brasil) é uma das curtas-metragens presentes na Competição Internacional da décima edição do FICPI - Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorre na Cantábria, em Espanha, até ao próximo dia 4 de Maio.
No Brasil rural uma criança (Rafael Schaefer) deseja a companhia de um pai (Frederico Vittola) relativamente ausente preocupado com o trabalho no campo. Insatisfeito com o seu afastamento, a jovem criança segue o pai onde faz uma devastadora descoberta para o seu imaginário.
O argumento da autoria do próprio realizador emerge o espectador na realidade de um Brasil rural... uma sociedade patriarcal onde a imagem de um pai forte e fisicamente musculado se confunde com o exercício de uma forma de poder que é implementado na mente de todos desde o seu nascimento. A principal forma de subsistência de todas estas personagens prende-se, portanto, com essa vida de campo onde o trabalho físico de sol a sol se impõe como uma realidade presente. Tendo esta noção de ordem e estratificação social em mente, as personagens desta curta-metragem correspondem, todas elas, as papéis sociais que delas esperamos... Uma mãe dona-de-casa, um pai que coordena o trabalho da fazenda tendo ao seu encargo diversos trabalhadores e uma criança que vê neste último a sua fonte de inspiração e à semelhança da qual quer definir a sua imagem. Mas, por outro lado, o que acontece à dinâmica afectiva?
Na profunda realidade de um país que está longe de ter o impacto dinâmico e cosmopolita das grandes metrópoles como o são Rio de Janeiro ou São Paulo, ou a força política de Brasília, ali o que define a realidade de todos e cada um é sim o quão fiéis estão para os já referidos papéis sociais. Nesta perspectiva, a esperada afectividade entre o casal e destes para com o seu filho limita-se à estritamente necessária para o seu inicial desenvolvimento deixando toda a demais aprendizagem ao "sabor" daquilo que se espera de um círculo fechado, conservador e onde não há tempo para o desenvolvimento emocional de ninguém. Mas, o que acontece quando algo se esconde para lá daquilo que os olhares mais distraídos não captam? Quem serão, na realidade, estas três pessoas que se constituem como família num local que parece ter sido abandonado pelo tempo?
Por um lado encontramos uma "Mãe" (interpretada por Carina Dias), apagada por uma vida que potencialmente não a representa mas que sustenta por uma qualquer conveniência que é alheia ao espectador. Distante do marido e do filho que parece acompanhar apenas pela inevitável consequência que a vida lhe proporcionou, o distanciamento deste último resulta - talvez a médio prazo - como o espelho de uma maternidade que não desejou. O "Filho" (Schaefer) é o resultado de uma família disfuncional e na qual parece ter sido largado como o resultado de algo que teria de acontecer mas que não fora necessariamente desejado por nenhum dos seus progenitores sendo, dessa forma, tudo aquilo que eventualmente consegue dinamizar para o seu bem e revendo-se no homem adulto que espontaneamente admira como um potencial "modelo" para a vida que o espera. O "Pai" (Vittola), por sua vez, é a representação dessa já referida sociedade patriarcal onde o "Homem" é a força de trabalho, o sustento de uma família, a força moral educadora dos mais novos mas, ao mesmo tempo, são as revelações proporcionadas ao seu jovem filho - e ao espectador - que demonstram que nem tudo é tão moralizador como aparentemente se desenha nem tão pouco a vida perfeita no sertão brasileiro é representativa de um qualquer idealismo moral que se faz anunciar.
Quando a jovem criança descobre que, afinal, o seu pai mantém uma relação extra-conjugal não com outra mulher mas sim com um dos seus funcionários com o qual desaparece nas quentes tardes brasileiras e se deixa levar pelos prazeres carnais que não consegue fazer cumprir com a sua mulher - e mãe do filho -, é o jovem de Schaefer que se ressente com o mais choque da sua vida... primeiro por compreender que o distanciamento sentido em casa entre os seus progenitores mais não é do que o resultado desta falta de afectividade e cumplicidade entre ambos, depois porque se assume como o eventual resultado de uma relação de conveniência e, finalmente, porque o único modelo de masculinidade que aparentava ter numa altura em que as suas próprias hormonas dão os primeiros sinais de vida, resulta como um sentido (por si) embuste que a partir daquele exacto momento não tem qualquer resultado prático enquanto educador por (o) ter presenciado num momento de maior fragilidade física e carnal. Todos os comportamentos entre pai e filho são, a partir desse momento, o resultado de um inevitável confronto do qual ambos sairão fragilizados como que duas vítimas de uma relação agora abalada e onde o respeito e admiração se esvaíram. A tragédia que daí resulta não é só esperada como inevitável e assumidamente transformadora de uma virilidade que agora... ninguém reconhece.
Intensa e até crua pela forma como espelha a desmistificação do papel social da família numa comunidade onde esta representa o pilar moral dos membros que a compõem, A Sombra Interior é, acima de tudo isso, o rosto de um segredo inconfessável que define não só todos aqueles que o vivem como sobretudo a forma como estes encaram o tal mundo (não tão) perfeito como anteriormente o assumiam. Com duas sólidas e interpretações de Schaefer e Vittola, esta curta-metragem brasileira assume-se como o rosto de um novo cinema brasileiro capaz de contar histórias que se situam longe das metrópoles mas igualmente importantes pela forma como desconstroem velhas noções de família, sexualidade, moral e papéis sociais sempre em constante transformação.
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9 / 10
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Eran Otros Tiempos (2018)

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Eran Otros Tiempos de Alejandro Talaverón (Espanha) é um dos filmes curtos presentes na secção competitiva LGBT da décima edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorre na Cantábria, em Espanha até ao próximo dia 4 de Maio.
No presente, todos temos liberdade sexual e as minorias levantam a sua voz podendo, dessa forma, orgulhosamente sair à rua e expressar aquilo que e por quem sentem. Mas nem sempre foi assim...
Este belíssimo documentário curto tem como principal interveniente a avó do realizador que começa por ser apresentada ao espectador como uma mulher idosa, viúva e por quem se espera ter um inesperado interesse por aquilo que ela potencialmente tem para nos contar. No entanto, não é tanto pela história que nunca chega a ser devidamente desenvolvida que nos interessamos, mas sim pela candura e honestidade com que a mesma fala e se expõe a um espectador surpreendido pela sua genuinidade e coração aberto para falar não sobre as dinâmicas de uma mulher na terceira idade mas sim daquilo que sempre a fez mover um pouco mais além... o amor.
Talaverón com uma câmara firme e o gosto por descobrir - ou fazer descobrir - a sua avó, apresenta-nos uma mulher que aparenta levar a vida de forma ligeira e despreocupada. Certa dos seus sentimentos e segura daquilo que sentiu no passado, lentamente revela-se para uma câmara que a quer descobrir confessando assim a paixão que sentiu pela noiva do seu irmão. Paixão essa que nunca confessou pelo medo das represálias, da família e mesmo da rejeição. A única coisa da qual ela revela não sentir qualquer lamento é do próprio sentimento... Um sentimento que a fez sentir viva, que a faz sorrir pelas memórias que lhe trazem e que, mesmo não tendo sido um amor cumprido, foi sentido com a intensidade de uma jovem que ainda hoje é.. em pensamento.
Com uma vida construída para lá do sentimento da paixão - e que deu, obviamente, origem ao seu neto e realizador -, esta mulher sempre sentiu uma forte atracção pela cunhada com quem pouco conviveu para lá dos eventuais encontros familiares que se proporcionariam ao longo dos anos e por quem nunca perdeu um especial carinho que, no fundo, sempre definiu o seu ser e os seus sentimentos.
Inteligente, emotiva e dotada de uma grande sensibilidade que levam o espectador a simpatizar desde o primeiro instante com esta mulher de força emocional extrema, Eran Otros Tiempos define não só os sinais do tempo e da sua mudança onde tudo aparenta estar mais fácil para a aceitação pessoal dos sentimentos individuais mas que, ao mesmo tempo, não deixa grande margem de manobra para essa mesma aceitação àqueles que, vindos de outros tempos, ainda se deixam definir pelos parâmetros e valores de outras épocas libertando-os (talvez) de culpas sentidas mas condicionando-os no tempo e no espaço que já não lhes permite viver a vida com a mesma intensidade. Se o espectador se deixar levar pela genuinidade de uma mulher desses "outros tempos"... aqui encontrará a sua musa.
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8 / 10
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quinta-feira, 25 de abril de 2019

José (2019)

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José de João Monteiro (Portugal) é uma curta-metragem que revela uma história, assinada pelo próprio realizador, centrada num qualquer subúrbio onde as revelações pessoais e de um passado perturbado se assumem como determinantes para um futuro porvir.
José (José Cordeiro) celebra o seu décimo-oitavo aniversário. O seu irmão mais velho (Nuno Nolasco) oferece-lhe um fio. Num momento de reflexão sobre o passado, compreensão do futuro e considerações futuras tidas pelo próprio espectador, José revela a história de uma família à procura de si própria.
De imediato a curta-metragem de João Monteiro transporta o espectador para um espaço incerto. Incerto não pela sua condição geográfica que (compreendemos) ser precária e onde as carências são uma certeza, mas sim pela forma como a relação entre os dois irmãos se manifesta. Ainda que próximos, o espectador sente que "José" e o seu irmão são o fruto de algo que, no passado, correu mal. Para lá da morte - que se assume como o ponto de partida principal - ou mesmo de qualquer carência económica que os leva à sua realidade social - "José" a trabalhar na recolha do lixo e o irmão como alguém que aparenta ter encontros casuais com homens mais velhos -, existe uma mágoa presente em ambos que embora os torne indiferentes à realidade alheia, agindo e interagindo com tudo o demais por mera sobrevivência, os transforma em seres emocionalmente próximos compreendendo que tendo muito que os separa - nos caminhos percorridos - estão unidos por um passado comum... perdido mas que lhes confere essa inquebrável ligação familiar e afectiva.
Tudo à volta destes dois irmãos parece degradado. Do seu ambiente natural (pensa o espectador) que se assume sob a forma de uma casa abandonada que se revela como a sua casa (passada ou presente?!), às formas escolhidas para ganharem a sua vida. Nada parecer ter corrido como aquelas oportunidades que eventualmente esperavam ao ponto dos silêncios serem a maior e melhor forma de comunicação que conseguiram encontrar. A própria identidade de "José" é, em boa parte desta curta-metragem, protegida pela câmara impossibilitando o espectador que compreender quem está do outro lado e só já decorrido algum tempo se compreende de facto quem é aquele jovem que agora cumpre o seu décimo-oitavo aniversário ao mesmo tempo que recebemos essa sua aparente apatia para com o mundo que o rodeia. Entre o vive e o sobrevive, desperta a curiosidade no espectador sobre a realidade do seu passado que, não sendo importante para a compreensão do seu "agora", não deixa de ser o factor principal que os levou ao referido momento.
Sem outros elos que não o familiar que os unam, este aniversário marca, de certa forma, a independência de "José" de qualquer responsabilidade familiar a que poderia - até então - estar vinculado. Serão então esses laços afectivos de fraternidade que os continuarão a obrigar a cruzar caminho ou, por sua vez, a compreensão de uma difícil realidade passada que o fará assumir os sacrifícios que o seu irmão mais velho terá efectuado para o manter o mais são e afastado possível de um rumo mais marginal que o próprio escolheu? Será esta realidade fraterna e a compreensão de que mais nada têm no mundo que não eles próprios, o elemento mais importante de um amor e amizade que os salvará desse esperado descarrilar?
Ainda que seja um enigmático José Cordeiro o homónimo protagonista desta história, acaba por ser a presença mais emocional de Nuno Nolasco aquela que cativa a atenção do espectador mais não fosse pelo seu relato semi-aberto de um passado que reconhece ter sido transformador. Nesta perspectiva, e com o recurso a uma direcção de fotografia de André Amaral que emerge o espectador numa constante sensação de fria apatia onde algo mais está para lá das suas parcas palavras conferindo a toda esta obra uma ambiência distante e pouco neutra, José é - poderá ser - um coming of age pouco tradicional onde a inocência não se perdeu neste exacto momento em que chega a tal "maior idade", mas onde, por sua vez, se pode finalmente confessar que esta se manteve no seu subconsciente como uma realidade ida que eternamente se busca sem nunca se conseguir alcançar.
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8 / 10
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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Jean-Pierre Marielle

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1932 - 2019
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segunda-feira, 22 de abril de 2019

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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Shortcutz Figueiró dos Vinhos - Sessão #32

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O Shortcutz Figueiró dos Vinhos está de regresso para a sua terceira temporada com a exibição de dois novos filmes curtos em competição. Um Marco no Futebol, de José Pedro Caetano é o primeiro desses filmes ao que se seguirá California, de Nuno Baltazar.
A sessão, que é de entrada gratuita, irá decorrer amanhã sexta-feira dia 19 de Abril, na Casa de Cultura de Figueiró dos Vinhos a partir das 22 horas.
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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira 2019: os vencedores

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Terminou no passado dia 15 de Abril a vigésima-segunda edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira onde, na sua cerimónia de encerramento, foram conhecidos os vencedores dos seus troféus.
São eles:
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Competição de Longas-Metragens
Filme: Divino Amor, de Gabriel Mascaro
Prémio Especial do Júri: Alis Ubbo, de Paulo Abreu
Prémio da Crítica: Mormaço, de Marina Meliande
Prémio dos Cineclubes: Domingo, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa
Prémio do Público: Alis Ubbo, de Paulo Abreu
Actor: João Patrício, Alis Ubbo
Actriz: Dira Paes, Divino Amor
Menção Honrosa do Júri: Rui Poças, Ferrugem (cinematografia) e Rafael Faustini, Domingo (direcção de arte)
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Competição de Curtas-Metragens
Filme: Anteu, de João Vladimiro
Prémio Especial do Júri: Reforma, de Fábio Leal
Menção Honrosa: Água Forte, de Mónica Baptista e Entre Sombras, de Mónica Santos e Alice Guimarães
Prémio da Crítica: Aquaparque, de Ana Moreira
Prémio dos Cineclubes: Reforma, de Fábio Leal
Prémio Revelação: BR3, de Bruno Ribeiro
Prémio do Público: Quando Elas Cantam, de Maria Fanchin
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Diego Galán

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1946 - 2019
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domingo, 14 de abril de 2019

Bibi Andersson

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1935 - 2019
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Festa do Cinema Italiano 2019: os vencedores

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Terminou hoje a décima-segunda edição da Festa do Cinema Italiano que decorreu desde o passado dia 6 de Abril no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e no UCI El Corte Inglés.
A Festa, que agora se irá prolongar até ao próximo mês de Junho por diversas cidades portuguesas, acabou com o anúncio dos seus vencedores anuais decididos pelo Júri Oficial e também pelo Público. São eles:
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Prémio do Júri: Figlia Mia, de Laura Bispuri
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Prémio do Público: Bangla, de Phaim  Bhuiyan
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Georgia Engel

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1948 - 2019
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Shortcutz Viseu - Sessão #118

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O Shortcutz Viseu regressa para mais um ano e, desta vez, com a sessão de entrega dos seus troféus anuais relativos ao quinto aniversário.
A Sessão #118 irá decorrer na Incubadora do Centro Histórico em Viseu, no próximo dia 19 de Abril a partir das 22 horas onde serão homenageados os vencedores do quinto aniversário do Shortcutz Viseu nomeadamente O Homem Eterno, de Luís Costa, vencedor de Melhor Curta do Ano.
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Dina

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1956 - 2019
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terça-feira, 9 de abril de 2019

Prémios Fantastic 2019: os vencedores

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O site de informação Fantastic revelou hoje os vencedores dos seus prémios anuais alcançados através do voto do público. Pedro e Inês, de António Ferreira foi o grande vencedor do ano ao arrecadar os troféus de Filme, Realização e Actor Protagonista.
São os vencedores de Cinema:
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Filme Nacional: Pedro e Inês, de António Ferreira
Filme Internacional: A Star Is Born, de Bradley Cooper (EUA)
Curta-Metragem: 3 Anos Depois, de Marco Amaral
Realização: António Ferreira, Pedro e Inês
Actor Principal: Diogo Amaral, Pedro e Inês
Actriz Principal: Daniela Melchior, Parque Mayer
Actor Secundário: José Fidalgo, Linhas de Sangue
Actriz Secundária: Rita Blanco, Carga
Prémio Revelação: Alba Baptista, Leviano - actriz
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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Seymour Cassel

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1935 - 2019
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sábado, 6 de abril de 2019

The Good Fight (2017)

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The Good Fight de Marco Espírito Santo e Miguel Coimbra (Portugal) é um documentário em formato de curta-metragem cuja abordagem ao mundo do boxe chega pela acção de Jorge Pina, ex-pugilista que recolhe jovens de bairros desfavorecidos para os treinar. Ao espectador, ainda que por breves momentos, é revelado o laço de cumplicidade e amizade que se forma e firma ao longo do treino e a acção de um homem que tem, ele próprio, os seus próprios segredos (para o espectador).
É no final deste brevíssimo documentário que são revelados os elementos que, potencialmente, poderiam fazer desta curta uma longa-metragem na qual fosse explorada toda a acção humanista - arrisco dizê-lo - de um homem que poderá ser para a maioria de nós um qualquer desconhecido com o qual nos cruzamos nas ruas.
Jorge Pina não é um homem qualquer que um dia resolveu dar um pouco de si a jovens que se poderiam perder nas ruas de um bairro de uma qualquer cidade. Pina é atleta. Já percorreu a maratona de Paris mas, no entanto, foi em 2004 que ficou invisual. Dos Paralímpicos a uma acção humanista, este documentário revela então não só a sua paixão pelo desporto - mais concretamente o boxe -, como também a sua capacidade de ensinar a sua arte e criar laços de camaradagem nos jovens que ensina e que acompanha.
Com uma importante mensagem a transmitir que, no entanto, se limita a escassos dez minutos, The Good Fight poderá não só ser um paralelismo entre a luta de um atleta que poderia ver na sua limitação o fim de uma paixão mas também (e principalmente) a forma como reagiu à adversidade e a transformou num trunfo que utiliza para ser alguém capaz de criar empatia com essa paixão que sempre sentiu... o boxe. Digno de um registo em longa-metragem onde tantos pequenos detalhes poderiam e deveriam ser explorados (principalmente a história do "eu"), este documentário prima sobretudo pela sua mensagem e pela forma como a dupla de realizadores conseguiu criar uma história factual que, no entanto, surpreende pelo poder desse inesperado final.
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6 / 10
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