segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dennis Farina

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1944 - 2013
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domingo, 21 de julho de 2013

Priest (2011)

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Padre de Scott Stewart é uma longa-metragem pós-apocalíptica que mistura elementos de ficção científica e banda-desenhada numa história centrada num universo aparentemente paralelo que fora devastado por séculos de guerra que opuseram a Humanidade a uma imensa horde de vampiros.
Este filme conta-nos assim a história de um Padre (Paul Bettany) que era membro de um clã que tinha como função defender os últimos redutos da Humanidade dos iminentes ataques dos vampiros, bem como dar-lhes caça nos inúmeros ninhos que criavam ao longo das desérticas planícies ou em infra-estreturas que dominavam. Uma vez terminada a guerra, este Padre e os demais que compunham o seu clã foram afastados da sociedade e tomados como inadaptados dos quais todos se deveriam afastar, vivendo em locais obscuros das cidades fortaleza que são dominadas pela Igreja que incute nos seus cidadãos a "moral" e os valores que devem seguir.
Quando a sociedade parecia aparentemente pacificada, Lucy (Lily Collins), a sobrinha do Padre é raptada por um conjunto de vampiros que volta a atacar pequenas povoações espalhadas pelas planícies ele, na companhia de Hicks (Cam Gigandet) e de uma sua anterior parceira (Maggie Q), persegue todas as pistas que ficam no caminho para a encontrarem e evitar que a transformem numa vampira. É então nesta aventura que descobre quem está por detrás do início dos ataques vampíricos e que os planos vão muito para além daquilo que inicialmente pensava.
Este filme junta um interessante conjunto de elementos que fascinam imediatamente um vasto conjunto de espectadores. Por um lado temos uma típica história de vampiros que, por tradição, seduz qualquer cinéfilo pela potencialidade das suas histórias e, ao mesmo tempo, cria com o género um universo muito particular que está imediatamente interligado com o suspense e o terror. Se a isto juntarmos o típico universo pós-apocalíptico onde toda uma sociedade amedrontada pelo perigo do outro lado do muro bem como pelas devastadoras consequências de uma guerra e que vive ao mesmo tempo sob uma sociedade ultra-conservadora que os oprime voluntariamente, então temos os mais variados aspectos que podem unir o espectador à sua volta e convencer-nos das mais diversas formas.
Aquilo que faltava então antever seria a química existente (ou não) entre o conjunto de actores que o compunha e, felizmente, também essa parece estar aqui presente. Paul Bettany é convincente como o "Padre" destemido e capaz de ser o único receio de tão sanguinários vampiros, à medida que também ele vive os demónios do seu passado que parecem estar prontos para o alcançar. A seu lado tem uma enérgica Maggie Q que com os seus próprios dotes marciais entrega ao filme um dinamismo muito marcado, criando ainda com Bettany uma empatia e dedicação imediatas.
Lily Collins com uma interpretação contida e que só encontra um pouco mais de desenvolvimento já bem perto do final e Cam Gigandet como o aventureiro de serviço compõem o elenco mais jovem deste filme e que lhe poderia dar continuidade numa potencial saga (a/se existir), e finalmente Karl Urban que facilmente se assume como um "bom" vilão que consegue com a sua calma realmente amedrontar aqueles com quem se cruza.
Aquilo que mais me decepcionou com este filme foi o argumento de Cory Goodman não pelo potencial que tem, que é francamente positivo e que nos permite esperar mais títulos de uma eventual saga, mas sim pelo facto de que aqui não é suficientemente explorado deixando inúmeras pontas soltas principalmente a partir da segunda metade do mesmo. No fundo, se ao longo da sua acção nos começa a entusiasmar todo o universo e suas respectivas personagens, não é menos verdade que Padre não tem a conclusão que merece e que dele esperamos para podermos perceber por onde iria continuar a sua sequela que aliás já peca por tardia. Assim, aos poucos mas em crescendo, ficamos com uma sensação de que gostamos deste filme mas também sabemos que ele poderia ter sido muito mais do que aquilo que é, deixando assim um agridoce que não nos convence.
Interessante pela atmosfera, fotografia de Don Burgess que nos insere perfeitamente num ambiente apocalíptico e de devastação, e pela sua história e entretenimento mas, ao mesmo tempo, não nos consegue convencer na totalidade comprometendo até algum do potencial que conseguiu conquistar.
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5 / 10
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sábado, 20 de julho de 2013

Undead or Alive: A Zombedy (2007)

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Procuram-se: Mortos-Vivos de Glasgow Phillips é um daqueles filmes que o espectador ou ama ou odeia sem possibilidade de qualquer meio termo.
Elmer Winslow (James Denton) é um soldado que abandonou o exército da União que, juntamente com Luke Rudd (Chris Kattan), um simpático cowboy de coração destroçado, assalta o corrupto Xerife Claypool (Matt Besser) escapando os dois de seguida da povoação com todo o seu dinheiro.
A acompanhá-los está Sue (Navi Rawat) uma guerreira apache sobrinha do lendário Gerónimo, e que aparenta ser a única capaz de terminar o feitiço por ele lançado cujo fim era transformar todos os homens brancos em zombies. Não sabendo inicialmente que o feitiço está realmente a surtir efeito, este improvável trio percorre as planícies americanas sendo perseguido por uma horde de mortos-vivos que não estão preparados para os perdoar e aparentam ter muita fome.
Scott Pourroy e Glasgow Phillips assinam um argumento que poderia ter um de dois fins possíveis... O primeiro era conseguir reunir um conjunto de agradáveis momentos de comédia que seduzissem o espectador e nos conseguisse agarrar desde o primeiro momento, transformando-o assim no improvável filme de família, ainda que grotesco, que todos quisessem ver. Por outro lado corria o risco de se tornar tão idiota e sem graça que o mais benevolente espectador o considerasse demasiadamente absurdo e o encarasse como um conjunto desapropriado de momentos que apenas encontram o seu ponto forte numa caracterização também ela grotesca mas que felizmente se enquadra no género de filme que aqui pretende ser retratado.
E ficamo-nos pela segunda situação. Este filme é desde o início demasiadamente disparatado para sequer lhe entregarmos algum crédito que o valide. Piadas que não a têm, segmentos perfeitamente desnecessários e que apenas apresentam mais personagens que, na prática, pouca diferença fazem à história e apesar da sua curta duração percebemos que até esta está em demasia.
As interpretações são pobres de conteúdo, pouco credíveis na dramatização e absurdas demais para serem consideradas sequer de comédia e, há excepção de um inspirado Leslie Jordan que aqui interpreta o "Padre" da pequena povoação que se vê a braços com uma epidemia de violentos mortos-vivos dos quais se pretende esconder mas que involuntariamente se coloca em situações que o obrigam a encontrar-se com um, ou vários, ao mesmo tempo, e até o xerife morto-vivo de Matt Besser consegue ter mais ritmo do que qualquer um dos protagonistas mesmo que actuem e preencham o ecrã ao mesmo tempo.
É, no seu conjunto, um filme recheado de banalidades e com um "happy-end" tão ou mais ridículo do que a generalidade do filme, e que apenas prima pela inspirada e grotesca caracterização dos mortos-vivos que excede as expectativas que possamos ter, especialmente depois de começarmos a ver os resultados práticos que este filme nos exibe.
Dentro do género, e mesmo como um filme de forma geral, é algo perfeitamente dispensável que apenas grandes fãs de um dos actores pode querer ver.
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1 / 10
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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jumper (2008)

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Jumper de Doug Liman é um simpático filme, mas por cumprir em todo o seu potencial, que mistura géneros como a acção, ficção e aventura.
David Rice é um jovem estudante com uma vida aparentemente normal dentro dos problemas que qualquer adolescente pode ter. Abandonado pela mãe (Diane Lane) em jovem idade e apaixonado por Millie, e com um pai abusivo (Michael Rooker), David descobre que pode teletransportar-se no momento em que está prestes a afogar-se.
Depois destes acontecimentos David foge para Nova York onde se estabelece assaltando um banco e vivendo do dinheiro que dali retira. Anos mais tarde David (Hayden Christensen) é perseguido por Roland (Samuel L. Jackson), líder de um misterioso grupo governamental que persegue pessoas como ele e que o pretende eliminar para não causar danos à ordem natural da vida. É na figa a este grupo mercenário do qual Roland faz parte que David resolve regressar a casa e reencontrar Millie (Rachel Bilson) com quem combina uma viagem e assim deixar de ser alvo de atenções alheias. Mas é nesta mesma viagem que David irá conhecer Griffin (Jamie Bell) outro jovem que, tal como ele, consegue teletransportar-se e perceber o quão fragilizada pode estar a sua segurança e a sua vida.
Baseado no romance de Steven Gould, o argumento de David S. Goyer, Jim Uhls e Simon Kinberg apresenta uma premissa interessante ao colocar-nos perante uma história que nos dá a possibilidade de viajar não só  no espaço como principalmente poder nessa viagem enveredar por um conjunto infindável de aventuras que potencialmente dinamizam todo o filme. No entanto, se a primeira metade deste filme é francamente positiva e nos deixa com a vontade que ele não termine tão depressa, não é menos verdade que a segunda metade nos deixa com uma enorme insatisfação para com ele. Porquê? Simples... Enquanto o início de Jumper nos mostra toda a potencialidade que tem enquanto uma interessante e enérgica história, a sua conclusão parece ser feita de forma a que fique tudo em aberto para uma potencial sequela que, até à data, ainda não está confirmada, deixando-nos assim como uma história que, na prática, mais não é do que metade dela própria.
Com interpretações medianas e participações quase "especiais" de actores como Michael Rooker ou Diane Lane que apenas dão um ar de sua graça sem nunca serem devidamente explorados, nem Jamie Bell ou Samuel L. Jackson conseguem estar ao nível daquilo que tão frequentemente apresentam nos filmes dos quais fazem parte, nem mesmo uma jovem mas já confirmada promessa como Christensen, consegue salvar este filme que vive assim de um suposto potencial que tem mas que nunca vê cumprir limitando-se a uma eventual prequela ou sequela onde possam ser conhecidas as origens destas viagens no espaço como as consequências e rumos que as suas personagens já conhecidas podem ter levado num futuro imediato. Tudo no campo das possibilidades o que faz deste filme algo que promete mas não chega a mostrar, ou pior, algo que parece não ter deliberadamente intenções de mostrar, e nem mesmo o seu look ou personagens muito cool chegam para o safar de um buraco onde parece querer estar.
Com um conjunto de segmentos turísticos apelativos e cenários que nos fazem querer ver para onde será a próxima "viagem", não deixa também de ser verdade que na altura em que fizerem a sequela deste filme ele já "arrefeceu" tanto que na prática não sei até que ponto será bem sucedido, valendo apenas como um esboço de filme que poderia ter sido interessante e cativado uma legião de fãs mas que resolveu ficar pelo caminho perdido numa das viagens que ele próprio retrata. Entretenimento puro, mas longe de ser um grande filme do género aventura/acção, Jumper limita-se a se um filme pipoca com pouco que contar (aparentemente...), e merecia um pouco mais daquilo que poderia ter sido.
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6 / 10
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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Take This Waltz (2011)

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Notas de Amor de Sarah Polley e a mais recente obra desta realizadora e actriz conta a participação de Michelle Williams e Seth Rogen nas interpretações principais.
Numa viagem de avião de regresso a Toronto, Margot (Williams) conhece Daniel (Luke Kirby) e imediatamente sentem uma atracção um pelo outro.
Quando percebem que vivem perto um do outro, curiosamente na mesma rua, as supostas últimas palavras que trocam são "Sou casada" por Margot ao que Daniel responde "é uma pena" fazendo-nos perceber que a sua história comum não terminou ali.
A partir deste momento e num fluir de emoções e sensações reprimidas, Margot começa a pensar se aquilo que sente por  Lou (Rogen) o seu marido, mais não é do que uma amizade ao mesmo tempo que equaciona se as sensações que Daniel lhe proporcionou em tão breves instantes são aquelas que necessita para se sentir feliz e sentimentalmente realizada.
Polley volta a surpreender com mais um argumento sobre as relações humanas. Por um lado apresenta-nos uma mulher que desconhecemos se partilha a sua vida afectiva com alguém e que um dia, por breves instantes, conhece aquele alguém que a completa. A nossa atenção é imediatamente captada para os momentos em que aquelas duas personagens interagem como se nada mais existisse no mundo. No entanto não é menos verdade que sentimos que algo os impede de arriscar um pouco mais e entregarem-se nos braços um do outro. Percebemos que existe um "porquê" que em breve será revelado.
E assim é... "Margot" é uma mulher comprometida com aquele que é provavelmente o único homem que alguma vez conhecera sentimentalmente e "Lou", o seu marido, é aquele tipo porreiro que todos conhecem como sendo um coração mole, dedicado, atencioso mas que na prática mais não é do que o amigo e confidente que ela sempre tivera e por quem se deixou "levar" por considerá-lo um porto de abrigo seguro que estaria sempre disponível para os dias que lhe corressem menos bem. Para além de uma relação de amor, Polley mostra-nos que apesar de cúmplice esta sempre foi uma relação de uma forte amizade que o tempo foi amolecendo e que terminou invariavelmente numa rotina.
É aqui que nos é então apresentado o elemento novo trazido por "Daniel", o homem por quem "Margot" se poderia facilmente apaixonar pois ele caracterizava tudo aquilo que ela procurava noutra pessoa... a paixão, o espírito perspicaz e de entrega, a amizade sim mas algo que trouxesse o calor da cúmplice sexualidade e que a permitisse conhecer mais sobre o seu próprio prazer, desejo e sedução que nunca havia explorado por "Lou", não por não o querer mas porque nunca viu para com ele essa necessidade. Se com o seu marido, "Margot" sentia os benefícios de uma amizade com quem revela alguns dos detalhes do seu íntimo, com o seu amante que nela havia despertado uma sexualidade escondida, ela poderia sentir os prazeres carnais que inconscientemente reprimira durante anos.
E o argumento que Polley escreve resolve  retratar este triângulo mais ou menos amoroso em dois momentos bem específicos. A definição da relação entre "Margot" e "Lou" encontra a sua caracterização nos pequenos duches que ela tome e ele resolve "sabotar", mostrando que a relação deste casal mais não é do que uma sólida amizade que durava há anos. Entre "Margot" e "Daniel" temos também a imagem da sua relação quando ambos se deslocam a um parque temático onde ao som de Video Killed the Radio Star dos The Buggles nos deliciam com a cumplicidade que os seus olhares nos entregam, e que a sedução e o flirt são uma necessidade nas suas vidas. Momento esse onde nos fazem perceber que noutro tempo ou noutra vida eles iriam concretizar, numa perfeita harmonia sentimental e sexual, o desejo que ambos sentem. É ali naquele instante que nos revelam o seu verdadeiro "eu" e como a solidão de um e a relação da outra não são aquilo que pretendem para as suas vidas. Ambos desejam mais, ambos querem poder sentir algo diferente daquilo que tiveram até àquele instante. Algo que sem definir aquilo que são mas que os complete.
No entanto não há perfeição que dure eternamente e, como tal, também é nesta relação e paixão que Polley mete o dedo e nos mostra como também ela pode cair na rotina e nos lugares comuns mostrando-nos que mesmo quando alimentadas todas as relações passam por, ou pela, fase onde a novidade se desvanece dando lugar ao amor e à amizade que, ainda assim, podem ser apimentadas. Os próprios elementos que lhe dão vida (à rotina) são por demais evidentes em comparação com a relação que "Margot" sentira em tempos com "Lou" e todos irão perceber assim que os visionarem.
Mas não é só da relação entre estes três intervenientes que o filme nos fala. Ele também aborda as relações familiares e os seus dramas pessoais, as suas escolhas e complexidades que determinam também a dinâmica que existe dentro das famílias ao mesmo tempo que nos revela que nos momentos mais complicados existe sempre uma união que ultrapassa todo e qualquer problema que se poderá enfrentar.
Não sendo eu um fã incondicional da Michelle Williams sou, no entanto, obrigado a dizer que Sarah Polley conseguiu retirar dela uma das suas mais fortes e emotivas interpretações que não foi, infelizmente, nomeada para um Oscar como deveria ter sido mesmo que tenha pelo meio existido um pequeno grande segmento onde os devaneios sexuais foram desnecessariamente revelados quase na íntegra. Ainda um bravo às interpretações de Luke Kirby e especialmente à de Seth Rogen que consegue ultrapassar a fronteira que divide a comédia do drama, entrando neste último pela porta grande.
Notas de Amor é um filme simpático, intimista como tem revelado a filmografia de Polley e que nos surpreende pela facilidade com que nele encontramos pontos de identificação que nos fazem aproximar da sua mensagem.
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"Margot: Sometimes I'm... walking along the street and a shaft of sunlight falls in a certain way across the pavement and I just wanna cry. And then a second later, it's over. I decide because I'm an adult, to not succumb to the momentary melancholy (...)"
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8 / 10
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UHF Canal Maldito - 35 Anos (2013)

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UHF Canal Maldito - 35 Anos de Nuno Calado e Eduardo Adelino é um documentário produzido pela RTP sobre a banda UHF, liderada por António Manuel Ribeiro, e que teve a sua formação em 1978 quando deram o primeiro concerto, sendo assim uma das bandas mais antigas de rock em Portugal.
Com abordagens a alguns dos seus álbuns mais emblemáticos nomeadamente a Estou de Passagem ou Persona non Grata, este documentário percorre através de testemunhos de muitos dos ex e actuais membros do grupo bem como de produtores musicais e críticos, os mais de trinta anos de história da banda, bem como alguns dos altos e baixos que atravessaram nomeadamente por serem desde o início considerados como uma banda "marginal" e fora dos parâmetros culturais da metrópole.
Com o recurso a imagens da época bem como a entrevistas documentais na actualidade, este documentário funciona de certa forma, como uma interessante ponte de ligação entre os vários anos de história da banda que servem para ultrapassarmos a mediatização que sempre teve e entrarmos um pouco dentro dos seus "bastidores" e assim perceber os porquês de ter felizmente resistido durante mais de três décadas através dos seus enormes sucessos bem como de alguns momentos menos bons e atritos.
Interessante pela abordagem limpa e pouco embelezada dos factos que entrega uma maior e mais credível veracidade ao documentário, este vence pelo conjunto de informação disponibilizada bem como pela forma que nos permite conhecer mais para além das canções que fizeram história.
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6 / 10
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vincenzo Cerami

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1940 - 2013
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Stoker (2013)

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Stoker de Chan-wook Park é um intenso e inesperadamente macabro filme que conta com a participação de Nicole Kidman e Mia Wasikowska nas interpretações principais.
O mundo de India Stoker (Wasikowska) é subitamente abalado quando Richard (Dermot Mulroney), o seu pai, morre num trágico acidente de automóvel e quando chega para o seu funeral Charlie (Matthew Goode), o tio que nunca soubera ter que, ao mesmo tempo, se instala na casa como se de lá nunca tivesse saído. A completar o elenco familiar temos Evie (Nicole Kidman), a sua mãe disfuncional com quem nunca partilhara qualquer tipo de afecto e que se mostra incondicionalmente próxima do seu cunhado que olha para India de uma forma muito cúmplice e interessada.
A sua presença que parece fazer despertar em Evie a mulher que há muito se anulara, afecta também India que, aos poucos, denota comportamentos cada vez mais sexuais assim como da descoberta de uma feminilidade que aparentava estar reprimida e que "usa" de forma agressiva para com todos os homens com quem se cruza sendo que, ao mesmo tempo, desconfia de toda aquela inesperada simpatia e mistério que a presença de Charlie exala, ao mesmo tempo que se deixa encatar por tais características.
O desfecho da estranha relação que surge entre estas três personagens só poderá culminar no pior que delas esperamos e que, aos poucos, se faz anunciar mas não suficientemente explícito.
O argumento que foi escrito pelo actor Wentworth Miller (uma curiosa e agradável surpresa), tem um significativo conjunto de elementos simbólicos tradicionalmente ligados aos filmes de suspense e terror e que podem ser encontrados um pouco por toda a obra, e podemos logo de imediato encontrá-los na mansão que "Evie" e "India" habitam que assume um ambiente perfeitamente fantasmagórico polido e que poderá eventualmente esconder vários "podres" do passado. Se por um lado se assume como opulenta, rica e com um estilo clássico, não é menos verdade que nada é revelado ao acaso e todos os segmentos em que ali entramos estão cuidadosamente preparados para nos sentirmos num espaço que nos cativa mas que, ao mesmo tempo, nos faz sentir como se estando a ser preparados para ali ficar presos. Apenas nos filmes clássicos de terror sentimos igual experiência, onde os jogos de luz e a respectiva decoração envolvente nos remete para um imaginário vampírico (é preciso relembrar o título do filme?) de outros tempos.
No entanto é também de realçar o latente desejo entre as personagens "Evie" e "India" para com "Charlie". Se para com a primeira "Charlie" apenas a seduz como forma de poder manter-se por perto, para com "India" a proximidade e cumplicidade que se faz sentir inicialmente vai, aos poucos, para lá de afecto e admiração roçando sim o desejo carnal que, considerando o género, pressupõe que uma vez consumado o perigo irá emergir e apoderar-se ou destruir tudo o que se cruze no seu caminho. É este mesmo desejo carnal que faz despertar uma puberdade e adolescência reprimida em "India", fazendo-a perceber que por detrás de um aspecto frágil e envergonhado se esconde uma mulher prestes a ver-se como tal e preparada por fazer realizar a sua própria sexualidade que surge incontornavelmente através de uma crescente violência mais ou menos gráfica, que se assume como uma sua característica ganha através de uma relação proibida que sente crescer com a presença do seu tio.
São estes pequenos mas decisivos traços psicológicos que vamos obtendo também através de segmentos que muito nos reflectem sobre tão curiosas personagens. "India" na sua aula de pintura que ao desenhar um vaso não sobre o objecto em si mas sim ao seu interior ou quando nos encontramos no velório do seu pai, todos os espelhos e relógios são tapados como forma do tempo e das imagens não serem encaradas tal como são, tendo assim parado algures no espaço. Qual a imagem que tanto se receia ver? Aquela que o espalho pode revelar ou aquela que os seus olhos podem realmente ver nessa mesma imagem reflectida e que pode, a dado momento, assustar por perceber aquilo que realmente é?
É esta mesma reflexão inconsciente sobre o seu subconsciente que nos leva de imediato a perceber que está ali algo mais por descobrir e pronto a ser colocado à prova que a presença de "Charlie" saberá pertinentemente explorar. E assim o faz com as ofertas de boleia, de um chapéu, de um gelado ou insuspeitos presentes que mais não são do que tentações do mal prestes a revelar-se, mostrando-nos que o predador, essencialmente nocturno, está a testar e rondar a presa antes de finalmente a conseguir fragilizar e atacar. A questão é... quem é a verdadeira vítima... a haver uma?!
A contribuir para este ambiente tenso e algo macabro temos ainda um conjunto de elementos sonoros e visuais que nos cativam pela sua originalidade e vertente artística, nomeadamente o tocar da campaínha e as interferências sentidas com a luz mostrando uma interligação entre momentos, espaços e personagens ou melhor, como todos se desenrolam numa sequência de acontecimentos que anunciam um desfecho final, o som do afia que a certo momento parece estar a afiar um pedaço de carne ou mesmo o toque do telefone que se reflecte nas campaínhas que se encontram na campa do único rapaz que olhou, em tempos, com alguma dignidade para "India".
A tríade de actores protagonistas não poderia ter sido mais acertada e as personagens que compõem parecem ter sido propositadamente pensadas neles. O "Charlie" de Matthew Goode consegue ser assustadoramente perigoso só de olharmos para ele, e cedo percebemos que a sua chegada não é tão inocente quanto aquilo que quer aparentar, e confirma que o mal pode e quer ser sedutor com o intuito de conquistar aqueles com quem se cruza e que de uma ou outra forma lhe resistem. Por sua vez, Nicole Kidman e a sua "Evie" representam aquilo que de mais fútil e mesquinho pode existir numa pessoa. Potencialmente gélida em oposição a um marido dedicado e preocupado, a sua personagem mostra-se incapaz de amar e de se entregar, o que aos poucos fez transmitir a imagem de uma mulher indiferente e seca que era adversa à ideia de abraçar sequer a sua filha "India" para a qual tem um dos mais intensos e perturbadores momentos de todo o filme. É no entanto esta, interpretada por Mia Wasikowska, que se revela aquela incapaz de receber um afecto, ou até de os expressar, àqueles com quem convive, exceptuando a sua linhagem paterna por quem sente uma quase incestuosa atracção. Aos poucos, e à medida que desperta para uma sexualidade reprimida e agora fruto de uma violência exacerbada que comete contra aqueles que de mais perto com ela convivem (independentemente de serem ou não relações afectivamente próximas), que a sua "India" se revela como um novo tipo de vilã adolescente (ou pós) cruel e sedenta de sangue que encara a morte como uma nova forma de excitação sexual.
Todos, sem excepção, têm ainda uma curiosa particularidade ao passarem boa parte deste filme sem uma expressão visual que nos permite "ler" a sua alma, isto é, raros são os momentos em que o seu olhar transmita uma emoção para além do vazio e são raros também os momentos em que vejamos qualquer um destes actores a pestanejar, concentrados eles próprios no que lhes é exterior que observam com excessiva atenção.
Finalmente a direcção de todos os aspectos técnicos encontram, graças ao fio condutor de Chan-wook Park, uma perfeita harmonia e sintonia que compõem o ambiente ideal de um invulgar filme de terror como a sua direcção de fotografia por Chung-hoon Chung que transforma todo o ambiente em momentos que precedem uma intensidade extrema, ou seja, as cores e a ausência de luz mantêm o filme num clima de tensão imediata do qual aparenta não poder sair mantendo os espectadores numa tensão extrema. A ajudar para a dramatização destes segmentos temos uma intensa música original de Clint Mansell que consegue extremar todos os pequenos detalhes numa perfeita harmonia entre movimentos e sons fazendo com que tudo pareça fazer parte de um mesmo elemento e apenas atingindo o seu clímax já bem perto do final quando tudo está prestes a encarar um inesperado desfecho.
Ainda sem data de estreia em Portugal graças aos sucessivos atrasos a que foi sujeito, este filme demonstra ser um dos mais fortes e bem sucedidos filmes de suspense que este ano viu ou verá estrear, dotado de um conjunto de actores, argumento e elementos técnicos e artísticos que se complementam funcionando com um só e que consegue em diversas ocasiões ser fiel ao espírito de um filme que pretende causar-nos terror sem que ele aparente ter um aspecto medonho para o qual não possamos olhar. Bem pelo contrário, aqui se o mal existe, ele tem como único objectivo seduzir-nos... E consegue.
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"Evelyn Stoker: You know, I've often wondered why it is we have children in the first place. And the conclusion I've come to is... At some point in our lives we realize things are screwed up beyond repair. So we decide to start again. Wipe the slate clean. Start fresh. And then we have children. Little carbon copies we can turn to and say, "You will do what I could not. You will succeed where I have failed." Because we want someone to get it right this time. But not me... Personally speaking I can't wait to watch life tear you apart."
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10 / 10
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El Empleo (2008)

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El Empleo de Santiago Bou Grasso é uma curta-metragem de animação argentina que apesar de retratar muitos dos problemas que afectam qualquer sociedade dita ocidental e moderna, está estranha e assustadoramente real e presente nos dias pelos quais hoje atravessamos.
Um homem acorda com o barulho do seu despertador. Faz a sua rotina matinal... Acende a luz, veste-se, prepara o pequeno almoço e senta-se à mesa antes de vestir o casaco e preparar-se para sair rumo a mais um aparente cansativo dia de trabalho.
No entanto algo que parecia um conjunto de tarefas perfeitamente normais, cedo ganha contornos mais assustadores quando percebemos que enquanto se barbeia está um homem a agarrar no seu espelho. Quando se senta não é à mesa nem numa cadeira, mas sim nas costas de um homem, enquanto outros dois lhe servem de mesa, e que antes de sair retira o seu casaco de um bengaleiro que, mais não é, do que uma mulher que aguarda pacientemente naquela posição sem proferir um único ruído. Aliás, como todos os outros que estão ali para o servir.
É à medida que começamos a olhar para este homem como mais um dos muitos que numa sociedade de indiferença se encontra indiferente aos problemas da mesma e daqueles que o rodeiam, que percebemos que afinal toda ela está com uma acentuada crise de valores onde a sobrevivência impera e é mais forte do que a moral que nela queremos presente.
Enquanto ruma ao seu local de trabalho montado num outro homem que lhe serve de táxi, e enquanto aguarda que o semáforo (dois outros que com a camisa verde ou vermelha indicam a disponibilidade do trânsito), a nossa antipatia para com aquela figura ganha contornos assustadoramente crescentes, e percebemos que aquele homem representa os inúmeros atropelos aos direitos fundamentais de dignidade, do trabalho e de um desenvolvimento económico coerente com valores que pensávamos adquiridos.
No entanto, é quando chega ao seu local de trabalho, e depois de mais uma série de estranhas ocorrências, que percebemos que afinal as amarguras e atropelos da sociedade moderna a esses mesmos direitos fundamentais são não só uma constante presença como pior, percebemos que eles se perpetuam num ciclo sem limites que ocorre em todas as direcções e praticados por parte de todos. É quando finalmente percebemos qual o seu trabalho que o brilhante argumento que Patricio Plaza escreveu ganha um contorno perfeitamente avassalador e nos desmonta, bem como às nossas crenças, muito rapidamente e percebemos que um mundo que idealizamos ou pensámos está definitivamente perdido e que os seus reflexos são agora uma constante aqui ironizada, mas que é feito com uma acidez cortante e para com a qual não temos nenhum tipo de reacção possível a não ser pensar que isto a que aqui assistimos não é o que queremos (ou será?).
Santiago Bou Grasso tem um olhar mordaz e altamente corrosivo sobre os problemas que afectam as sociedades contemporâneas. Problemas esses pelos quais passou uma Argentina no início deste novo século, e pelos quais passa agora uma Europa devastada por uma crise que sectariza violentamente toda a sua sociedade, relegando para um plano quase inexistente valores pelos quais este espaço sempre se regeu, e diminuindo drasticamente, quase até ao seu desaparecimento, esses direitos fundamentais entre os quais se encontra uma dignidade aparentemente perdida, onde as trabalhos outrora desempenhados pelas máquinas que vieram substituir o Homem, voltam elas agora a desaparecer fazendo com que esse mesmo Homem volte ele próprio a ser encarado como a "máquina" que as deve executar, desprovido de direitos, de valores, de dignidade e principalmente da sua própria Humanidade.
Mas existe ainda um sentimento de empatia que precede a esperança. A empatia que julgávamos perdida surge quando percebemos o que realmente faz de profissão este homem, e que é também ele um fruto de uma sociedade que já não compreendemos. A esperança, essa surge já depois dos créditos quando percebemos que aquela figura inicial a que pouca importância nós próprios demos, o homem candeeiro, é ele próprio o sinal de revolta que faz mudar pensamentos, mentalidade e a sociedade que não queremos ver... e é nele que depositamos a nossa esperança e o encaramos como o símbolo e o gesto que queremos, e devemos, todos nós fazer.
El Empleo é não só uma lição como principalmente um filme actual, que fará História, e ao qual todos nós devemos assistir, do e com o qual deveremos retirar as nossas próprias conclusões. Numa única palavra apenas o posso caracterizar como excelente... mas imperdível, magnífico ou obra de arte seriam também elas boas designações que se lhe poderiam aplicar.
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10 / 10
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terça-feira, 16 de julho de 2013

Bruxis (2012)

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Bruxis de Christian Bastias é uma curta-metragem chilena cujo argumento, também escrito por Bastias, é inspirado no conto de Edgar Allen Poe, The Tell-Tale Heart.
Victor (Alex Rivera) trabalha numa morgue e naquela noite específica percebemos que está impaciente. Eduardo (Ignacio Balarí) é o seu animado colega que leva a vida tranquila mas que faz denotar uma certa ironia no trato com Victor. Existe uma óbvia animosidade entre os dois que já é um facto recorrente.
Mas a noite é longa e o tempo parece ser cada vez mais difícil de passar, e principalmente de suportar, fazendo com que os ódios de estimação que cada um nutre pelo outro seja quase impossível de esconder. Será que a autópsia que têm de efectuar antes da chegada do polícia (Álex Hofmann) irá finalmente revelar a verdadeira natureza de cada um deles?
Bastias consegue escrever um argumento para uma curta-metragem que se torna viciante logo nos minutos iniciais, e que apesar de nos fazer prever um desfecho assumidamente mau para as respectivas personagens, não deixa de nos surpreender pelo quão bem corre apesar de não ser (aparentemente) planeado pelas mesmas.
E é Alex Rivera que com o seu "Victor" mais contribui para a tensão que se sente ao longo desta curta-metragem. É ele que percebe que o ambiente em que se encontra já é complicado por natureza pois é ele que lida invariavelmente com cadáveres todos os dias e com aspectos mais melindrosos que os levaram até àquele local e, como se isso não bastasse, ainda se vê confrontado com as piadas ofensivas e sem limites que o seu colega insiste em dizer. Rivera faz-nos perceber que pode explodir a qualquer momento e que aquela sala começa a ficar pequena para que lá estejam dois corpos com vida. Sentimos a sua impaciência, a sua percepção de um tempo que insiste em não passar assim como uma certa noção de claustrofobia que aparenta fazê-lo sentir-se enclausurado. E percebemos também que ele não irá aguentar durante muito mais tempo sem reagir às provocações que ignorou durante muito tempo.
Desorganizado ao eliminar os vestígios dos seus actos, o seu "Victor" consegue ainda assim ser meticuloso e surpreendentemente preparado para em situações de crise e de emergência sair por cima e sem aparentes problemas quando involuntariamente interpelado pela polícia e principalmente curioso o facto da sua personagem conseguir criar laços de simpatia com o espectador apesar de ter cometido um acto hediondo que qualquer um de nós iria recriminar.
Destaco ainda dois elementos fundamentais para o agravar da tensão da história e que em comunhão funcionam perfeitamente para a sensação de clausura sentida por "Victor"... a música de Alexander Muñoz que nos faz antever o clímax e a direcção de fotografia de Vladimir Escobar que graças à presença de uma luz de tonalidades azuis que é assumidamente escassa, permite-nos sentir que o espaço em que se encontram pode ser grande mas que, na prática, nunca será o suficiente para que aqueles dois homens possam conviver sem se atropelar.
Um filme intenso muito bem dirigido e interpretado que nos cativa e surpreende.
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8 / 10
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We Ride: The Story of Snowboarding (2013)

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We Ride: The Story of Snowboarding de Jon Drever e Orlando von Einsiedel é um documentário britânico que, tal como o próprio nome deixa antever, retrata a história do nascimento do snowboard enquanto desporto, dos seus criadores e praticantes bem como de toda a trajectória que teve nos últimos quarenta anos.
Assim ao longo deste documentário que foi divulgado online em Fevereiro último, temos uma abordagem ao desporto que começou inicialmente por ser encarado como uma contracultura nos anos 60 do século passado, praticado por um conjunto de jovens que pretendia assim deixar desesperadamente a sua marca naqueles conturbados anos, até aos anos 90 onde teve a sua grande expansão e reconhecimento a partir da internacionalização do mesmo, sem esquecer o repúdio por parte de uma elite do ski até à sua aceitação e prática generalizada. Assistimos ainda ao aparecimento de grandes nomes do desporto e das consequentes rivalidades que nasciam entre os mesmos sem que nunca se esqueça a paixão e dedicação que ao desporto entregavam sendo, muitos deles, antigos skaters ou surfistas.
Feito quase na íntegra com o recurso a um extenso arquivo histórico de imagens das várias épocas pelas quais o desporto foi tendo a sua formação, e que é possivelmente um dos seus mais importantes aspectos, tendo ainda a narração de Jason Lee, este é o primeiro documentário longa-metragem que aborda esta temática e sobre a forma como ele se transformou de um desporto marginal num que movimentava todo um extenso conjunto de desportistas bem como milhões de dólares em publicidade e marketing.
Possivelmente um documentário que terá mais relevância para os amantes do desporto em si mas que, ainda assim, constitui um importante documento histórico para os inúmeros curiosos sobre o mesmo e que tem a vantagem de ter sido disponibilizado livremente para a visualização por parte de um conjunto de espectadores interessados.
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6 / 10
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Me Caso (2013)

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Me Caso de Borja Álvarez Ramírez é uma curta-metragem espanhola cujo argumento escrito por Jose Ortiz (também protagonista), nos apresenta um casal em vésperas de matrimónio.
Oscar (Ortiz) e Elena (Raquel Falomir), são um jovem casal que acompanhamos no seu dia-a-dia, nos seus momentos de amor e de cumplicidade, mas também nos momentos mais tensos em que discutem e já não conseguem literalmente ver-se.
É neste ambiente de conflito e de alguma saturação que assistimos àquilo que poderá ser o resto das suas onde em muitas ocasiões irão discutir mas, em tantas outras, irão perceber que só na companhia um do outro poderão ver o seu mundo completo.
Estamos aqui perante uma curta-metragem simpática e que se coloca longe de artifícios ou de argumentos demasiadamente complexos conseguindo assim cativar o espectador com situações quer cómicas quer dramáticas com as quais qualquer um de nós se poderá identificar, e ainda nos deixar alguma boa disposição pela simpatia com que encaramos estas tão características personagens.
Vence principalmente pelos cómicos de situação que recria, bem como pela desmistificação dos papéis do homem e da mulher no seio do casal, e principalmente pela entrega dos dois actores às suas respectivas interpretações.
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7 / 10
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Triple Standard (2010)

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Triple Standard de Branden Blinn é uma curta-metragem dramática dos Estados Unidos que se inicia logo de imediato com um dos seus pontos mais fortes, ou seja, a sua música original composta por Guy-Roger Duvert que entrega a todo o filme uma extrema sensibilidade e emotividade.
O argumento que Branden Blinn escreveu leva-nos para um ginásio onde um grupo de amigos joga basketball que os une fora das suas obrigações diárias. Chegados aos balneários, Stanley (Ronnie Prouty) um habitual provocador, testa os limites de Crim (William Jennings) ao provocá-lo sexualmente.
Quando Crim, um ex-atleta profissional, verbaliza toda a sua homofobia, D (Lee Amir-Cohen) também presente no local e seu parceiro de casa, faz-nos entender que também ele é homossexual e que o esconde dos seus colegas e amigos. No entanto talvez não de todos fazendo denotar que Crim tem, também ele, os seus segredos que pretende não revelar.
Este filme preza pela qualidade na medida em que nos apresenta uma história sobre a falta de aceitação e sobre o preconceito sem que para tal precise de recorrer a um conjunto pré-concebido de ideias e de exibicionismos que condicionem a verdadeira mensagem que aqui se pretende transmitir. Assim este filme faz-nos reflectir sobre o preconceito que está tantas vezes inconscientemente inerente às relações humanas, mas eleva-o ao facto de fazer-nos também pensar sobre os preconceitos que cada um de nós tem a respeito da sua própria identidade e imagem, independentemente dos aspectos que a cada um o condicionem.
Lee-Amir Cohen e William Jennings têm fortes e consistentes interpretações como o par protagonista não assumido. Cohen como aquele que já se aceitou e procura como parceiro um homem que não se aceita e que tudo faz por repudiar aquilo que ele verdadeiramente é, assume-se como o elemento mais dramático e emotivo do filme. Por sua vez Jennings assume-se como a força e aquele que não pretende largar o passado, a sua ex-mulher e filho bem como o passado de atleta de alta competição, ao mesmo tempo que abraça a sua real sexualidade o que o faz viver num constante limbo do qual aparentemente não consegue (ou pretende) sair.
Os dois entregam interpretações que se encontram em lugares opostos de uma auto-aceitação e graças à direcção de fotografia de Sandra Valde-Hansen que retira grandes focos de luz ao redor dos actores obrigando assim ao espectador a uma maior concentração nas expressões dos mesmos, consegue torná-los focos de uma intimidade cúmplice que conquista o espectador mais adverso à temática em questão o que, aliado à já referida entrega dos mesmos e da história em si faz desta curta-metragem um filme diferente do habitual no género e, como tal, uma clara vencedora de uma forma global.
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9 / 10
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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sebastião Vasconcelos

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1927 - 2013
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O Princípio do Fim (2012)

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O Princípio do Fim de André Agostinho e Joel Rodrigues é uma curta-metragem portuguesa de ficção que esteve presente na selecção do MOTELx em 2012, e que o argumento que os dois realizadores escreveram em parceria com Rodolfo Silveira nos transporta para o fim do mundo a 21 de Dezembro do referido ano.
Ao contrário de um qualquer cataclismo natural que iria eliminar a raça humana, esta encontra o seu fim através de um misterioso vírus que "zombifica" o comum mortal e, como tal, se propaga ao estilo de pandemia sem qualquer tipo de controle e do qual aparentemente ninguém escapa.
É neste contexto que Nuno (Joel Rodrigues) e a sua mulher Andreia (Catarina Anacleto) que vivem uma aparente crise matrimonial se encontram e que dão as boas noites a Raquel (Matilde Rijo), a sua jovem filha que aparenta estar febril.
Quando Nuno se desloca à farmácia e Andreia relaxa no seu banho, fica claro que algo está prestes a acontecer e que a normalidade como eles a conheceram é apenas uma memória do passado... Até que Raquel o confirma...
Normalmente quando nos é apresentado um filme de apocalipse zombie a primeira coisa que qualquer espectador pensa é "ok... mais um", e neste momento apenas podem acontecer duas distintas soluções. A primeira, e talvez mais comum à maioria das pessoas, é seguir em frente e não pensar mais no assunto, e a segunda é claramente optar por ver o filme e esperar o que de lá vem... Com O Princípio do Fim quem opta pela segunda hipótese escolhe, claramente, a mais acertada. Os porquês...
Se inicialmente pensamos que este tipo de filme e a sua história não varia muito e poucos são os elementos originais que lhe estão associados, é certo que apesar de uma boa parte da história ser já de certa forma esperada, não é menos certo se disser que os elementos inovadores e que nos atraem estão lá presentes e são altamente recomendados. Sem revelar muito porque é preciso ver, o segmento em que "Nuno" sai finalmente da sua casa rumo a um destino incerto dentro do seu próprio prédio é dos mais originais e tecnicamente apelativos que vi num filme português nos últimos tempos e, a bem da verdade, só é pena que não existam mais ao longo do filme e que este não seja uma longa-metragem do género pois seria certamente um filme que eu não iria perder.
E o mesmo poderia dizer da caracterização dos actores. Se a efectuada à pequena Matilde Rijo aparenta não ser a mais bem sucedida e muito do "terror" que lhe está inerente ser graças aos efeitos utilizados durante a própria filmagem, não é menos verdade dizer que a dos actores adultos e figurantes que fazem parte desta curta estão bastante competentes e poderiam facilmente competir com qualquer produção mais "abonada" de fundos vinda de outro qualquer país "especialista" no género em questão. E quem não acredita basta seguir alguns dos tensos momentos em que "Nuno" desce a escadaria do seu prédio e encontra alguns inesperados vizinhos, num segmento tenso e do mais genial que vi para um filme deste género.
Finalmente, e apesar de ser um pouco previsível e esperado o que decorre no segmento final, não é menos verdade que apesar de terminada a curta, qualquer um de nós fica a pensar o que terá acontecido "depois", e se a "Andreia" de Catarina Anacleto não terá conseguido dar a volta como o fez na sua casa quando consegue fugir do duche sem que nada lhe aconteça.
O potencial existe e cumpre aquilo a que se promete, e ainda deixo uma nota positiva à direcção de fotografia de André Agostinho que consegue criar um ambiente tenso graças à parca iluminação que dá aos espaços ao mesmo tempo que transforma toda a curta num típico filme B, mas muito cool, bem como aos efeitos especiais de Joel Rodrigues que primam pela originalidade e pela sensação de jogo dentro do filme que consegue aligeirar a tensão e entregar ao espectador uma estranha sensação de vitória.
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8 / 10
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R'ha (2013)

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R'ha de Kaleb Lechowski é uma curta-metragem de animação alemã que nos remete para uma sala de interrogatório onde um membro de uma raça alienígena é torturado por uma máquina para saber os segredos da sua raça.
O argumento de Matthew Graham e Kaleb Lechowski é a porta de entrada mais do que evidente para uma eventual longa-metragem de animação que desenvolva o passado deste Alien torturado e sobre os propósitos da invasão das máquinas ao seu planeta de onde toda a sua espécie teve de fugir. Pela brilhante animação computorizada que vemos nesta curta, apenas podemos esperar não só um intenso e interessante enredo como um igualmente óbvio sucesso de bilheteira pois, desde já, ficamos com vontade de ter muito mais deste rico universo.
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8 / 10
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Nazaré Terra de Milagres (2012)

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Nazaré Terra de Milagres de Pedro Santasmarinas é uma curta-metragem portuguesa que recupera a lenda da fundação da vila que relata que pelo ano de 1182 a Virgem ali apareceu ao templário D. Fuas Roupinho e o salvou da morte.
É neste espírito de recuperação dos mitos e lendas que uma equipa ali se desloca e pretende não só desenvolver um conjunto de entrevistas aos locais como também para perceber qual a veracidade da mesma ou se, por sua vez, a vila esconde um longo passado de "visitas" extraterrestres que poucos querem equacionar como verdade.
Esta curta-metragem muito ao estilo mockumentary consegue a proeza de em diversos momentos nos iludir quanto à sua real intenção, ou seja, se se inicia com o intuito de nos presentear com um conjunto das já referidas entrevistas onde conhecemos alguns dos locais com as suas diversas teorias sobre o assunto, não é menos verdade que rapidamente insere o tema de falso documentário em que a equipa de investigadores se coloca a caminho de, eles próprios e em primeira pessoa, perceberem o que por ali se passa.
Se por um lado não nos coloca perante uma grande novidade quanto ao seu argumento que, acrescento, tem potencial suficiente para ir mais além, não é menos verdade que nos deixa com uma importante e pertinente questão... Se "somos" tão relutantes quanto à questão de sermos "visitados" por seres de outros planetas, porque motivo aceitamos com tanta facilidade a vinda de uma figura religiosa cuja única "prova" em que se baseia é a crença e os ditos populares? Pergunta esta que ficará com a resposta que cada um de nós achar mais correcta.
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7 / 10
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domingo, 14 de julho de 2013

Woensdagen (2011)

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Woensdagen de Aaron Rookus, que também escreve o argumento, é uma curta-metragem holandesa de ficção e vencedora de uma das edições do início do ano.
Kris (Tyn Hageman) é uma criança de oito anos que todas as quartas-feira acompanha Willem (Viktor Griffioen), um homem de 28 anos, à piscina onde os dois se divertem a nadar, mergulhar e descer pelos inúmeros tubos para dentro de água.
Quando num desses dias de diversão Kris me magoa num pé, Willem sugere-lhe que vão comer umas batatas fritas antes de se irem embora. É quando Kris pensa que passou um dia de diversão e quando estão prestes a abandonar a piscina que Willem o confronta com uma questão que irá abalar para sempre a sua jovem existência.
O argumento de Rookus coloca-nos muito cedo perante uma situação que achamos estranha. Não por seremos confrontados com algo que seja óbvio ou tenebroso, mas pelo facto de existir no conjunto de imagens do jovem "Kris" enquanto se encontra na piscina, um silêncio ensurdecedor que nos faz criar lentamente uma sensação de desconforto e de que algo se esconde por detrás de uma aparente normalidade.
São também estas mesmas imagens destes segmentos que nos mostram uma jovem criança curioso com a anatomia, quer feminina quer masculina, que silenciosamente observa quando ninguém o observa a ele; as pernas desprovidas de rosto dentro da piscina, os adolescentes com as suas pequenas e insinuantes interacções, assim como o corpo feminino que passa no balneário ou até mesmo o de "Willem" enquanto está no duche. A normal "descoberta" feita por alguém que se encontra numa idade em que a curiosidade ganha uma vida própria e lhe interessa saber o porquê das formas femininas diferentes das suas, ou até mesmo as diferenças entre o corpo de alguém mais velho por quem tem uma amizade.
No entanto, não é menos verdade que a sua inocente tentativa de descobrir o "outro" está a ser lentamente observada como se ele se tratasse (e trata) de uma presa inocente que desconhece que o predador está bem mais perto do que ele poderia alguma vez imaginar. Predador esse que lentamente foi ganhando a sua confiança, o seu respeito, a sua amizade e que se preparava para o encurralar num canto de onde ele dificilmente poderia (poderá?) sair, retraindo-se cada vez mais no seu pequeno e indefeso espaço.
O jovem Tyn Hageman tem aqui uma interpretação fundamental e muito bem executada enquanto a jovem e indefesa vítima que vai sendo cercada sem poder ou conseguir oferecer resistência. O seu "Kris" é um jovem pacato, isolado e aparentemente sem grande interacção com outras crianças da idade dele o que o torna vulnerável perante as pequenas descobertas e aventuras que as jovens crianças da idade dele podem ter. Isolado e aparentemente sem amigos, "Kris" está assim sujeito às inúmeras investidas que um predador lhe poderá efectuar sem que, dessa forma, tenha alguém que por ser da sua idade e com ele descobrir também os pequenos mundos que compõem o mundo esteja, ao mesmo tempo, alerta para os pequenos sinais alarmantes que o seu crescimento deveria emitir. A sua inicial inocência que o faz ser igual a tantas outras crianças é subitamente perdida quando se vê confrontado com uma proposta que iria abalar toda a sua zona de conforto e o seu "Kris" é notável na personificação desta inocência que jamais voltará.
Por sua vez Viktor Griffioen é, também ele, perspicaz na sua composição e apesar de percebemos que algo existe de errado no seu "Willem", não é menos verdade que a ausência de uma identificação clara ao longo da curta-metragem graças à câmara de Rookus que lhe esconde a cara quase durante todo o filme, o tornam assim o predador desconhecido que pode ser qualquer um... um amigo, um vizinho, um familiar ou um qualquer estranho que cruza os mesmos espaços que aquela jovem criança sendo possivelmente esta a grande mensagem que esta curta-metragem e seu respectivo argumento entregam para o seu público... o perigo, ou um predador, podem esconder-se por detrás do mais familiar ou inocente rosto... mesmo um que conhecemos.
Toda esta atmosfera é enaltecida pela direcção de fotografia de Robbie van Brussel que nos momentos iniciais capta uma luz quase alva (dentro e fora de água) característica de um ambiente quase etéreo e onde a inocência do jovem "Kris" deve ser inaltecida, transformando-se quase drasticamente num segundo momento da curta onde, depois de confrontado com o Mal, somos apresentados a um ambiente mais fechado, mais escuro e mais claustrofóbico onde o próprio ambiente anteriormente com a presença de alguns raios de luz do Sol, dá lugar a um carregado ambiente cinza onde percebemos que apesar de ainda intocada, a inocência de "Kris" está agora perdida.
Woensdagen é um filme cru, bruto e avassaladoramente forte que nos deixa constantemente desconfortáveis com as imagens a que assistimos pois sentimos a presença de uma "sombra" apesar de algumas delas, as da piscina principalmente, terem presente alguns elementos artísticos que facilmente nos cativam.
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10 / 10
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Kruiswoord (2012)

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Kruiswoord de Sander Van Dijk é uma curta-metragem holandesa de humor negro que saiu vencedora da primeira edição do Shortcutz Amsterdam no início deste ano, e que nos conta a história de Eduard van Leeuwen (Arthur Roffelsen), um homem solitário que tem poucos prazeres na vida para além de todas as manhãs receber à porta de casa o seu jornal e deleitar-se com as palavras-cruzadas que nele encontra.
No entanto uma certa manhã ao abrir o jornal percebe que o seu passatempo já havia sido feito por alguém, decidindo assim seguir caminho, de robe e pijama, em direcção à sede do mesmo e reclamar pelo seu direito a ter uma cópia que não esteja já preenchida por alguém que desconhece. Mas tudo se iria complicar quando é abordado por um grupo de marginais que precisa daquele puzzle e que tem para ele os seus próprios planos.
No meio de toda uma pacata existência que se vê subitamente ameaçada, como irá conseguir Eduard recuperar a rotina das suas manhãs?
Esta divertida curta-metragem consegue captar um espírito que tem tanto de comédia pela impossibilidade de alguns momentos proporcionados pelas suas muito bem construídas personagens entre as quais se destaca claramente o "Eduard" a que Arthur Roffelsen consegue dar corpo e alma naquela que é uma brilhante interpretação, como também tem de surreal pelo conjunto de segmentos em que o mesmo se insere das mais absurdas e irreais formas como se se tratasse de um sonho e não de uma história que pretende ser "real". E é exactamente graças a este elemento que esta curta consegue ganhar a nossa simpatia e admiração pois quanto mais estranhas são as situações descritas ou ainda mais alternativas são as suas personagens, mais o espectador se deixa levar para o seu próprio universo e o abraça como sendo o seu. Afinal, quantos de nós já não se viram em situações que parecem retiradas de um filme?!
Também alternativo está o guarda-roupa disponibilizado pela Alternatief Kostuum que dá às variadas personagens uma marca pessoal muito própria, e que exponencia a grandeza desse mesmo universo especial bem como traça uma certa mentalidade daquelas personagens tão características.
Kruiswoord (palavras-cruzadas) é uma hilariante e por vezes macabra curta-metragem que tem uma energia contagiante muito própria e que nos consegue "agarrar" desde o primeiro instante.
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8 / 10
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Stardust (2013)

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Stardust de Mischa Rozema, que é também autor do argumento, é uma curta-metragem holandesa vencedora da edição de Fevereiro último do Shortcutz Amsterdam que nos conta a história da Voyager 1, lançada em 1977 para o espaço com a missão de explorar o espaço para além do sistema solar e poder registar o maior número de imagens do desconhecido, testemunhando assim um território ao qual o Homem está ainda interditado.
Dito isto, esta curta-metragem funciona essencialmente como uma reflexão sobre a importância da condição humana na Terra e aos elementos que valoriza, bem como perante um imenso Universo ainda desconhecido do qual é apenas uma pequena parte.
Tendo como ponto de partida as inúmeras imagens disponibilizadas pela NASA ou até mesmo os universos recriados nos inúmeros filmes de ficção científica, Mischa Rozema adapta-os e recria a sua própria concepção do universo libertando a nossa mente para o desconhecido e obtendo deles novas perspectivas e pontos de vista como, por exemplo, o nascimento e morte de uma estrela que aqui podemos testemunhar não a partir de factos cientificamente comprovados mas sim pela ideia recriada que o realizador pretende transmitir e, ao mesmo tempo, estabelecendo ainda uma relação com o disco dourado enviado na missão espacial com as respectivas mensagens e imagens da Terra na hipótese de serem captadas por alguma forma de vida inteligente ainda desconhecida, assim como estabelece relação com as referidas etapas que o próprio ser humano atravessa diariamente.
Para recriar estes brilhantes momentos de puro deleite visual que servem, no fundo, como uma homenagem a todas as memórias de espaços e de pessoas que amamos e que pretendemos para sempre recordar, há que agradecer a uma fantástica equipa de efeitos especiais visuais composta por Ivor Goldberg, Chris Staves, Matthijs Joor, Jeroen Aerts, Marti Pujol, Silke Finger, Mariusz Kolodziejczak, Dieuwer Feldbrugge, Cara To e Jurriën Boogert que são acompanhadas por uma emocionante música original de Guy Amitai que nos eleva o espírito e que homenageiam Arjan Groot, designer holandês que morreu de doença prolongada, revelando que por muito breve que seja a passagem pela Terra (e Universo), todos deixam a sua pequena marca.
Uma curta-metragem diferente, por vezes quase psicadélica, mas que é ao mesmo tempo profundamente emotiva e cumpre uma certa missão de nos fazer pensar sobre o nosso pequen (grande) lugar num Universo que é tão apelativa como desconhecido.
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9 / 10
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