quinta-feira, 15 de agosto de 2013

CineAvante! - Festa do Avante 2013

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Apesar da sua curta existência, o CineAvante! já é uma referência na Festa. Junto ao Espaço Central, o visitante da Festa tem a possibilidade de encontrar num mesmo espaço o que de melhor e mais actual se tem feito no cinema português.
Para além disto, fomenta-se ainda o encontro com realizadores, actores e demais participantes num "cinedebate" enquadrado no ambiente mais amplo de liberdade, crítica e criatividade que é também a Festa do Avante.
Este ano podemos contar com a participação dos seguintes filmes:
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Adeus à Brisa, de Possidónio Cachapa
Ao Deus Dará, de Tiago Rosa-Rosso
Auguste, de Pedro Santasmarinas
A Batalha de Tabatô, de João Viana
O Cágado, de Luís Almeida e Pedro Lino
Carta para o Futuro, de Renato Martins
Cinco Dias, Cinco Noites, de José Fonseca e Costa
As Coisas Não São Feitas por Acaso, de Tiago Cravidão
É na Terra Não é na Lua, de Gonçalo Tocha
É o Amor, de João Canijo
Flamingo Pride, de Tomer Eshed
O Homem da Cabeça de Papelão, de Luís da Matta Almeida e Pedro Lino
Jantar em Lisboa, de André Carrilho
Lapsus, de Juan Pablo Zaramella
Luiz da Rocha, de Inês Mestre
Manhã Triste, de Hernâni Duarte Maria e Pedro Noel da Luz
Mulher.Mar, de Filipe Pinto e Pedro Pinto
Nenhum Nome, de Gonçalo Waddington
Ó Marquês Anda Cá Abaixo Outra Vez!, de João Viana
Oh Sheep!, de Gottfried Mentor
Píton, de André Guiomar
A Suspeita, de José Miguel Ribeiro
Tabu, de Miguel Gomes
O Turista, de Martin Máj
Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro
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É o Amor (2013)

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É o Amor de João Canijo é a mais recente longa-metragem do realizador de Noite Escura (2004), Mal Nascida (2007) ou Sangue do Meu Sangue (2011) e protagonizado por Anabela Moreira - como ela própria - num registo cinematográfico que cruza a ficção e o documentário centrado na vida de uma comunidade piscatória de Caxinas, em Vila do Conde.
A actriz em campo para um trabalho de auto-investigação e preparação para um eventual trabalho enquanto profissional de artes interpretativas. Da sua chegada ao "campo de trabalho" à sua convivência e criação de empatia sem esquecer a própria amizade formada com algumas das peixeiras com quem acabou por conviver, é a relação entre a actriz com a determinada Sónia Nunes que acaba por se destacar desde o primeiro instante. Num misto de aprendizagem - da profissão e do espaço - e experiência documental que a actriz efectua junto da comunidade, É o Amor é - possivelmente - a primeira obra cinematográfica de Canijo com a qual eu (enquanto espectador) não consegui encontrar grandes pontos de empatia não deixando de, no entanto, lhe reconhecer mérito enquanto um trabalho cinematográfico no qual se reconheça o dedo do realizador.
Com um argumento construído pelo realizador e pela própria actriz, o espectador encontra-se portanto num meio diferente do habitual das obras de Canijo onde se abrem as portas a uma qualquer comunidade marginal onde todos acabam por ser meros "turistas" cinematográficos daquele ambiente específico lançando-se em É o Amor para um registo semi-documental onde se conhece essa comunidade (não marginal), mas como se nela residisse toda uma entrega, dedicação, felicidade e capacidade de "amar" diferente de todas as demais onde, ocasionalmente, todos nós vivemos e deixando, dessa forma, toda uma virtuosidade desta comunidade na pessoa de Sónia Nunes como algo que deveríamos esperar e ambicionar alcançar. Que o documentário tenha de encontrar o lado humano para tentar transmitir uma mensagem que crie empatia no espectador, estou totalmente de acordo, que se transforme o modo ou estilo de vida do "documentado" como o exemplo correcto a seguir ultrapassa o limite de obra documental para uma ficção moralista que nem sempre - se é que alguma vez - acaba por ser desejado.
Assim... o que encontra aqui o espectador? Inicialmente o choque cultural que encontra (através de Anabela Moreira), colocando o seu meio (potencialmente diferente) em directo "confronto" com a vida nas Caxinas, das peixeiras e da comunidade piscatória no seu todo. Começamos por perceber um pouco da vida da comunidade - chamemos-lhe assim uma vez que todos aqueles com quem nos cruzamos no ecrã acabam por revelar todo um um conhecimento e respeito comum - para de seguida nos centrarmos na experiência de Anabela Moreira enquanto membro "estrangeiro" que chega ali para adquirir conhecimento in loco dessa mesma vida. Se inicialmente acompanhamos a actriz nos seus pequenos fait divers ou falta de experiência em todo o trabalho a que se propõe, cedo compreendemos que toda a sua vontade em se sentir "pertença de" acaba não só por soar forçado como uma forma desesperada de ser parte de um grupo que, na realidade, não será o seu. E nunca será não por vontade dos demais mas sim por ter sido claro para o espectador desde o primeiro instante que este é um trabalho de investigação que lhe permitirá ganhar experiência no espaço e no meio e não toda uma mudança radical de vida que irá encetar num futuro próximo. Mais, enquanto actriz Anabela Moreira é um dos nomes fortes do actual cinema português - inegável facto -, o que lança dúvidas no espectador sobre toda uma dramatização de "confessionário" no qual expõe (para o espectador) as suas dúvidas quanto à sua coerência ou talento, sobre o seu percurso ou futuro que, na realidade, nenhum de nós deste lado questiona.
Dito isto, e para lá da exposição excessiva dessa busca da felicidade onde a "do outro" é sempre maior e melhor do que "a minha" que na realidade se torna mais plástica do que propriamente credível ou genuína, É o Amor fragiliza-se pelos lugares comuns de embelezar ou divinizar a vida alheia como um modelo a seguir mas que nunca se conseguirá alcançar e por algumas verdades comuns sobre o amor, a felicidade e o sacrifício que todos nós conhecemos e nunca poderão ser equiparadas às dos demais... afinal, quantos de nós não passam por sacrifícios ou riscos não deixando de ser mais ou menos importantes do que aqueles tidos por outros em situações diferentes. Sem filosofias baratas... não viveremos nós todos uma existência repleta de riscos... dúvidas... incertezas... ou buscas incessantes por "algo" que esperamos alcançar para completar essa felicidade?
Documentário - ficcionado ou não -, É o Amor é possivelmente a obra cinematográfica de João Canijo que menos me impressionou até à data bem como aquela que menos deixou Anabela Moreira brilhar na qualidade de magnífica actriz que é, capaz de provocar todo um misto de emoções genuínas, cruas, existenciais e mesmo dóceis como aquelas que encontramos nos já referidos Mal Nascida ou Sangue do Meu Sangue, expondo-se aqui como alguém incerto e inseguro como se todo um percurso cinematográfico exibido até ao momento mais não fosse como o resultado de um acaso e não o fruto de todo um intenso (não duvido) trabalho.
Excessivamente extenso e por diversos momentos desnecessariamente pseudo-moralizador, É o Amor pode ser uma tentativa de o revelar (ao amor) nas suas manifestações junto das existências mais comuns mas, mesmo assim, está longe de se revelar como uma obra de referência no percurso do realizador (e da actriz) sendo, no entanto, uma interessante obra com alguns momentos interessantes nas vidas daqueles que são representados ou, por outras palavras, nas vidas que se encontram do outro lado da objectiva.
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5 / 10
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Oz the Great and Powerful (2013)

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Oz: O Grande e Poderoso de Sam Raimi foi um dos filmes mais antecipados do primeiro semestre deste ano, não só pelo facto de recuperar a magia do mundo de Oz como também por esta nos ser trazida pelo realizador em questão.
Oscar Diggs (James Franco), é um mágico de um pequeno circo no interior dos Estados Unidos que através de um conjunto de truques manhosos e altamente duvidosos vai ludibriando os populares que o frequentam, até que estranhos acontecimentos o levam para a Terra de Oz.
É então nesta misteriosa terra de paisagens magníficas e de opulência que ele conhece Theodora (Mila Kunis) que lhe revela ser uma bruxa e que ele é esperado por todos para ser o governante da mesma, livrando-a assim do poder de Evanora (Rachel Weisz) a sua astuta irmã que mantém boa parte da Terra de Oz refém dos seus caprichos. No entanto é também aqui que ele conhece Glinda (Michelle Williams), bruxa mas defensora dos mais frágeis e que se opõe ao poder de Evanora reunindo para tal um grupo de interessantes opositores, mas que, tal como ela, não acredita que Oscar seja realmente o homem e feiticeiro por quem todos esperam.
Assim, com a crescente vontade de Evanora em dominar toda a Terra de Oz, Oscar tem de provar ser não só o feiticeiro que todos esperam como conseguir uni-los em torno da sua imagem e da crença de que podem derrotar a temida bruxa... nem que para isso precise de recorrer aos seus dotes que são mais de ilusionista do que de um esperado poderoso mágico.
Se é justo dizer que o argumento de Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire e L. Frank Baum recuperam de forma cativante e emocionante todo o universo que está por detrás do maravilhoso mundo de Oz e que nos deslumbram com a sumptuosidade das imagens, não é menos verdade que ao mesmo tempo nos deixam um certo amargo pela não concretização do mesmo, ou seja, se somos apresentados a todo um novo espaço que emociona pela grandiosidade das imagens não é menos correcto dizer que estas não são devidamente explorados para melhor nos inserir em todo o ambiente. Desde a Cidade Esmeralda passando por todos os novos recantos que este filme nos apresenta, é justo afirmar que queremos mais e mais daquilo que vemos e que, pelo decorrer acelerado dos acontecimentos, estes mesmos locais não são devidamente aproveitados em todo o seu potencial que só iriam contribuir para que existisse toda uma nova legião de admiradores do universo tal como, à época, o foram do Oz original.
No entanto, se a história em torno de O Feiticeiro de Oz girou em torno da busca de Coragem, de Inteligência e de um Coração, características que definem o ser humano, aqui é justo dizer que a procura principal é aquela que e prende com a descoberta do desejo de "Oscar" se poder afirmar como alguém que deixou uma marca e que esteve presente no seu tempo no seu mundo, fosse ele qual fosse, sendo por isso um grande homem. No entanto está curiosamente inerente às duas histórias que estão separadas por setenta e quatro anos, 1939 - 2013 respectivamente, um denominador comum que está aparentemente presente em todas as épocas, ou seja, um incessante sentimento de pertença que permita às personagens em questão, a "Dorothy" de Judy Garland e ao "Oscar" de James Franco, encontrar o seu espaço num mundo que parece não os aceitar como são. Somewhere Over the Rainbow, cantava Garland, talvez a melhor referência a esse invulgar local que a (os) poderia reclamar como seus com todos os seus defeitos e virtudes. E é assim esta a principal mensagem do filme... a busca pelo lugar onde pertencemos ainda que esse possa parecer imaginado, impossível ou meramente uma ilusão obtida através de um qualquer truque mais ou menos "barato".
Se James Franco é uma interessante escolha para o irresponsável "Oscar "Oz" Diggs" pois consegue encarnar muito daquela postura do "pintas" de serviço que se escapa através dos pingos da chuva de todas as suas artimanhas e trapaças, não é menos verdade que o trio escolhido para as três bruxas é do mais refinado possível. Mila Kunis que acaba por ter a maior transformação do Bem para o Mal como a temida "Theodora", consegue encarnar estas duas posturas como requinte sendo que consegue ter de tão adorável como detestável e com isso cativar-nos. Rachel Weisz como a sempre temida "Evanora" que controla os destinos de Oz e de quem, infelizmente, não temos um maior desenvolvimento de personagem que bem necessário seria pois aposto que nos iria mostrar quão mau pode ser o Mal, e finalmente Michelle Williams como uma certeira aposta para "Glinda", a bruxa boa que está do lado dos oprimidos e dos que não se conseguem defender tendo sempre uma palavra de conforto e de esperança para aqueles que não têm fé em si próprios.
No entanto, e apesar das personagens estarem fiéis ao filme e ao espírito que dele esperamos retirar, não deixa de ser menos verdade que aparentam ter muito potencial por detrás que precisa, e merece, ser devidamente explorado. Com uma sequela... não sei... Julgo que teria sido mais apropriado este filme ter durado um pouco mais e que estas personagens conseguissem ter um aprofundamento do seu "espírito" e que iria certamente demonstrar o quanto estaria intimamente ligado aos destinos de Oz. Assim, sabemos que todos eles contribuíram para esse mesmo destino mas não temos dados suficientes para perceber em que medida. Sabemos que o Mal está lá e que o Bem é algo desejado mas... não sabemos o porquê de um ter dominado e do outro estar por "aparecer".
Facto este que é ligeiramente compensado pela excelência técnica deste filme que começa com uma magnífica direcção de fotografia de Peter Deming que capta a verdadeira orgia de cor e luz de Oz e da Cidade Esmeralda que transborda de elementos importantes demais para se ignorarem mas que convivem harmoniosamente sem que nenhum deles se sobreponha aos demais, passando de imediato pela inteligente escolha de Danny Elfman para a composição da música original que é capaz de entregar alma e uma vida própria a todos esses referidos elementos tornando-os todos, sem excepção, importantes para o devido desenvolvimento da trama. Finalmente é importante também destacar o exuberante guarda-roupa de Gary Jones que, tivesse este filme estreado temporalmente mais tarde, poderia ser uma interessante aposta para o Oscar na sua categoria mas que irá assim cair no esquecimento.
Oz: O Grande e Poderoso assume-se assim como um interessante filme que ressuscita com garra a enigmática terra de Oz mas, ao mesmo tempo, não lhe consegue dar o devido dinamismo com que se inicia para nos fazer emergir nesta terra como conseguiu com o seu antecessor de 1939 mas que, ainda assim, deixa a porta aberta para um potencial sequela... resta saber com que qualidade.
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"Oz: I don't want to be a good man... I want to be a great one."
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7 / 10
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mai Stati Uniti (2013)

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Mai Stati Uniti de Carlo Vanzina é uma longa-metragem italiana de comédia estreada este ano cujo argumento escrito por Edoardo Maria Falcone, Carlo Vanzina e Enrico Vanzina nos conta a história de Antonio (Vincenzo Salemme) um empregado de balcão com uma paixão por futebol, Angela (Ambra Angiolini) uma secretária solteira e com frequentes ataques de pânico, Nino (Ricky Memphis) antigo mecânico divorciado, Carmen (Anna Foglietta) desempregada e cuja vida se dedica às compras e Michele (Giovanni Vernia) um adulto eterna criança que trabalha num zoológico.
Para além de não se conhecerem, e aparentemente não terem nada em comum, um dia o destino junta-os e ao serem notificados para se deslocarem a um notário descobrem que afinal são irmãos do mesmo pai, do qual nunca ouviram falar, e que têm uma herança para receber agora que ele falecera.
No entanto, e como forma de poderem receber a tão desejada herança têm de levar as cinzas do seu falecido pai para os Estados Unidos onde as deverão atirar para um lago no Arizona naquela que será uma viagem cheia de aventuras e comédia como como com algumas surpresas que lhes irão mostrar que há valores mais elevados do que aqueles que o dinheiro pode(rá) comprar.
Longe de ser uma grande comédia italiana, este filme de Carlo Vanzina prima mais por se constituir em quase todos os seus segmentos por elementos de humor nonsense e que não ressuscitam a boa comédia transalpina. Começando pelo próprio facto de não estar ambientado no seu meio natural onde há uma maior potencialidade de recursos e de um clima espontâneo para este género de comédia que aqui é descentralizada para os Estados Unidos onde os momentos de comédia são "actualizados" para alguma grosseria norte-americana com a sempre presente road-trip, aqui a la italiana à mistura.
Passamos por todos os elementos ditos típicos do estilo e somos levados para o seio de um conjunto de motards, casas de prostituição e ambientes mais ou menos dúbios onde se tenta fazer uma adaptação da dita comédia mas que aqui funcionam não para prestigiar o género mas sim para parodiar mais um conjunto de pessoas que acabam por cair de páraquedas num país estrangeiro ridicularizando por vezes o próprio país, os hábitos e os costumes no seu todo através dos estereótipos habituais.
Dito isto, e com a excepção de um momentos pontuais onde realmente se conseguem retirar alguns pequenos e breves segmentos de comédia, todo este filme é feito de um conjunto de clichés pré-fabricados que mais parecem ter sido construídos por alguém norte-americano com os seus próprios pré-conceitos sobre os povos fora do seu próprio país do que propriamente por um conjunto de italianos que olha para si próprio e dá (ou tenta) o seu melhor mas que não ultrapassa os limites desses mesmos clichés. Do argumento retira-se a interessante premissa de um grupo de pessoas com passado distinto mas um  presente assustadoramente comum  e que contribuiu para os seus (in)sucessos mas que descobre algo que pode potencializar o seu sentimento de pertença e de se conseguirem sentir enquadrados num espaço e num grupo, ou seja a família, mas a sua execução acaba por ser um total fracasso de onde muito pouco de interessante se consegue realmente retirar.
Assim, no final, temos uma comédia ligeiramente simpática mas com poucos elementos de identificação para o espectador, que podendo não ser italiano percebe os pré-conceitos utilizados, e que apesar da tentativa de algum humor está longe de servir como uma referência para o género limitando-se a um conjunto de banalidades que, regra geral, não funcionam.
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3 / 10
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Rotos (2012)

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Rotos de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção que através de um argumento também assinado pelo realizador nos mostra o fim de um ciclo nos relacionamentos de diversos intervenientes que, de relação em relação, aperfeiçoam os motivos pelos quais num dado momento das suas vidas decidem por fim às relações em que se encontram.
Com interpretações que oscilam entre as mais inspiradas e as mais cómicas a cargo de um conjunto de jovens actores espanhóis entre os quais AlejandroAlbarracín, Ruth Armas, Jonás Berami, Javier Calvo, Laura Díaz, Elena Furiase, David Mora, Elisa Mouliaá, Dani Muriel, Ana Del Rey e Fernando Tielve, assistimos assim aos argumentos utilizados por cada um deles para terminar a sua relação e que mais não são do que fruto daquilo que eles próprios receberam em tempos das suas "caras-metade".
Desfeitos, numa tradução literal deste título, mais não é do que um reflexo das muitas experiências sentimentais pelos quais tantos já passaram e que num misto de drama e alguma comédia podemos ali ver o espelho de tanto que alguns de nós já conhecem e cujo argumento, arrisco dizer, tem potencial para que pudesse ter sido mais desenvolvido numa curta (ou longa) de maior duração.
Bem executada e interessante pelo seu argumento fresco e jovem esta curta-metragem deixa, no entanto, a vontade de ter do seu enredo muito mais.
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7 / 10
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domingo, 11 de agosto de 2013

Gris (2007)

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Gris de Jafet Molina é uma extraordinária curta-metragem de animação mexicana que adapta o conto El Valle Gris de Jean Molina Martínez e que em pouco mais de dois minutos faz uma interessante reflexão sobre a solidão, a vida, a morte, o "eu" e o colectivo, bem como sobre o divino. Temáticas estas que, no seu conjunto, muito raramente se conseguem assistir num filme especialmente se considerarmos que aqui estamos perante uma obra de animação.
Jafet Molina, que também assinou o argumento da curta-metragem, reflecte assim sobre temáticas que além de serem alvo de inúmeras abordagens em tantos filmes fazem, na sua essência, parte dos pensamentos e comportamentos de todos os indivíduos que cruzam os caminhos da vida. Aqueles a quem, aliás, está esta curta-metragem dedicada no seu final.
Interessante pela sua execução e sentido que faz desta invulgar curta-metragem um trabalho diferente e por essencial na cinematografia de animação e que ainda tem o privilégio de beneficiar de uma inteligente música original por parte de Jean Molina.
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8 / 10
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Ismalia (2011)

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Ismalia de Xabier Cereceda-Hoz é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos entrega um olhar desiludido e cansado da sociedade que actualmente vivemos.
Ismalia (Alazne Etxeberría) é uma jovem mulher preparada para uma viagem sem destino ou data de regresso cujo único objectivo é esquecer todo o clima de instabilidade e insatisfação que a sua vida deita "normal" tende a apresentar.
É nesta viagem rumo ao desconhecido que Ismalia chega finalmente a um deserto onde, sem quaisquer confortos que a sua anterior vida lhe proporcionava, consegue finalmente libertar-se de desejos ou ambições que até então a mantinham aprisionada.
Cereceda-Hoz assina aqui um argumento que faz uma reflexão não só sobre os diversos problemas que afectam a sociedade contemporânea e que passam pelas inúmeras notícias de desgraça social anunciadas por "Benicio Santoro" (Unai Gareia), que tem aliás o discurso mais lúcido de toda a curta-metragem como um reflexo da própria sociedade, e desgraças essas que passam pela morte, miséria, recessão e epidemias como principalmente sobre a forma como elas conseguem criar os mais diversos problemas psicológicos e apatia por parte de uma extensa população que vive na sua sombra, ao mesmo tempo que tenta desesperadamente sobreviver no meio de um já variado conjunto de responsabilidades sociais que estão diariamente a seu encargo... a casa, a família, a conta da água ou da luz sendo disso exemplos práticos enquanto, por outro lado, os criminosos se passeiam na rua, os bancos vão falindo e os comerciantes guardam armas debaixo do balcão para se proteger daqueles que os roubam.
Assim, e como consequência, aqui "Ismalia", numa intencionalmente contida interpretação de Alazne Etxeberría), é o rosto de uma qualquer mulher que a dada altura resolve desvincular-se dessas mesmas responsabilidades que inerentemente se tornam naquelas que todos nós assumimos um dia. Num silêncio quase avassalador e cortante face a uma sociedade que a sufoca, o seu único ruído surge sob a forma de um grito quando finalmente percebe estar livre.
Toda esta desolação ganha um contorno ainda mais eficaz graças à direcção de fotografia de Gorka Erkizia e Xabier Cereceda-Hoz que transformam todo o ambiente e as cores de um deserto escasso de vida e de esperança num último reduto de uma qualquer potencial salvação que, na prática, poderá não chegar a tempo de resgatar todos.
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7 / 10
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O Desalmado (2003)

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O Desalmado de Afonso Cruz é uma curta-metragem portuguesa de animação que nos leva para uma pequena ilha deserta onde um homem vive afastado de o mundo que abandonou por desgostos de amor vividos em juventude.
Depois de uma vida solitária onde a sua única companhia eram os peixes que por ele passavam e as visitas intermitentes de um Diabo que o tentava a cada momento, este homem encontra finalmente a sua redenção quando derrota este último numa das suas investidas, recebendo assim finalmente a devida recompensa eterna.
O argumento de Humberto Santana faz uma reflexão sobre a forma como as decisões tomadas no passado influenciam de forma decisiva todo o futuro ao mesmo tempo que refere a importância que as tentações ou o sucumbir às mesmas pode ser também o factor que determina o quão instável podem ser as consequências que elas acarretam.
Afonso Cruz entrega-nos uma simpática curta-metragem da qual, ao mesmo tempo, se esperava que tivesse mais profundidade e desenvolvimento das suas ricas personagens pois estas revelam um imenso potencial por explorar e das quais queremos saber mais.
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6 / 10
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Tsintty (2013)

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Tsintty de Rui Pedro Sousa é uma curta-metragem portuguesa de ficção que através de um argumento escrito pelo realizador em parceria com Eric Victorino nos mostra três diferentes perspectivas sobre relações amorosas e sentimentais.
There's Something I Need To Tell You, Tsintty na sua forma abreviada, é assim o retrato de três distintas relações, uma homossexual masculina, uma homossexual feminina e uma relação heterossexual onde são abordadas três componentes da mesma. O conhecimento, o estabelecimento da relação e finalmente como é executada a separação destes três casais que acompanhamos ao longo desta história, bem como as alegrias e as angústias dos seus intervenientes. No fundo, um retrato sobre como surge, é construído e alimentado o amor até ao momento em que ele se extingue terminando assim com a relação em causa.
Assim, ao som de uma impressionante música original de Sérgio Silva, a narração de Eric Victorino faz o espectador viajar por um conjunto de recordações e lembranças daquilo que as três relações retratadas foram em tempos desde o primeiro contacto entre os dois intervenientes passando pelos momentos de ternura e entrega que partilharam, terminando com as rupturas que podem ser, ou não, mais conflituosas.
Os três pares, Joana Ji Antunes e Ricardo Ribeiro, Nuno Stanley e Daniel Pinheiro e finalmente Maria Luís e Inês Cardoso dão o seu melhor na reconstrução destes momentos que os identificam e caracterizam durante as relações que todos tiveram, fazendo com que o argumento alcance o seu principal objectivo ao desmistificar algum pré-conceito estabelecido sobre como funcionará o "outro" tipo de relação, aproximando-as umas das outras sendo os seus intervenientes o único aspecto assumidamente divergente.
Dotado de uma sensibilidade interessante que mostra o cuidado com que Rui Pedro Sousa pretendeu transmitir ao focar um assunto que parece ainda ser (e ter) um certo tabu na sua abordagem, o realizador entrega-nos ainda uma interessante perspectiva sobre a temática ao colocar-nos perante uma observação presente mas não participante da mesma que quase nos faz "navegar" pelas vidas daquelas personagens, acompanhando-as lado a lado mas estando distante dos actos. Quase como se o espectador estivesse a assistir a uma reconstrução recente das suas memórias, assistindo assim a todos os momentos que, em tempos, contribuíram para as suas respectivas felicidades, ou até mesmo angústias, e que é ainda complementada pela direcção de fotografia de Ricardo Sobral que transforma os momentos bons com a sua luminosidade perfeita em segmentos quentes e os de separação e tentativa de encontrar um novo rumo em momentos de incerteza e algo confusos.
Uma curta-metragem que pode à partida criar algumas reservas (injustificadas) por parte do espectador mas que, ao mesmo tempo, o conquista pela sua execução imparcial e não sectarizada que faz da sua história ou dos seus intervenientes livres de clichés e que a torna, por isso mesmo, um filme forte, consistente e com uma importante mensagem para transmitir.
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8 / 10
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Alabote (2013)

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Alabote de João Botelho e João Garcia é uma curta-metragem portuguesa de ficção que se afirma seguramente como um dos trabalhos dramáticos mais fortes e bem executados que vi nos últimos tempos sendo estas parcas palavras insuficientes para lhe fazer a devida justiça.
António foi abandonado à nascença pelos pais que o deixam aos cuidados da avó materna (Maria Medeiros). Em jovem idade António (Luís Aguiar) sonha poder reencontrá-los permanecendo numa ilusão que a avó lhe proporciona tentando assim protegê-lo ao esconder a verdade que está por detrás da sua própria história.
No entanto há uma vizinha (Paula Santos) que está sempre muito presente na vida de ambos e que tenta fazer com que António desperte do seu sonho irreal e que perceba finalmente o que realmente aconteceu. António luta contra as investidas desta vizinha aparentemente movida por algum sentimento de desdém, até ao dia em que a sua já debilitada avó não pode continuar a cuidar dele.
Quando referi que esta curta-metragem era um exemplo de boa execução, não me referia apenas a um conjunto de aspectos técnicos que funcionam, mas sim a toda uma conjugação de elementos que em união formam um filme perfeito.
Desde o argumento escrito por Carla Lima que nos entrega uma profundamente emotiva e dramática história que consegue, desde o início, não só prender o espectador ao ecrã como o faz de forma a que o mesmo se sinta embrenhado num conto que mais se assemelha a uma fantasia e que nos coloca nos determinado mundo paralelo onde essa mesma fantasia e a realidade estão apenas separadas por uma linha muito ténue, e que tem assim a proeza de retratar uma tragédia, o abandono e a perda como se se tratasse apenas de algo imaginado e irreal.
Esta mesma atmosfera é complementada por duas firmes e sólidas interpretações a cargo de Maria Medeiros e Luís Aguiar. A primeira como a terna avó que pretende salvaguardar o seu neto de qualquer desgosto afectivo que o abandono de que foi alvo lhe poderia (poderá) provocar. Assim, enquanto consegue protege-o da realidade, escondendo-a, e inventa todo um universo alternativo onde "António" pode viver em segurança e com o conforto que o único lar que conhece lhe tem proporcionado.
Por sua vez "António", é interpretado por Luís Aguiar, numa das mais sólidas e fortes interpretações do ano que preza não só pela intensa emotividade que o jovem actor deposita na sua personagem como principalmente pela dramatização da mesma que coloca o espectador num constante sufoco ao imaginar o que será daquele jovem no dia em que descubra toda a verdade. Desconhecia em absoluto este jovem actor, mas arrisco dizer que a continuar este nível de interpretação e com as personagens certas (que nunca se perca em interpretações ditas "juvenis"), será um sólido valor para o futuro da representação nacional, pois aqui como ninguém suporta toda uma história pela força da sua expressão, dos seus gestos, do seu olhar e da força que deposita em qualquer um deles.
A contribuir também para esta atmosfera que nos coloca em suspenso num universo oscilante entre a fantasia e a realidade está uma exímia direcção de fotografia de Hugo França e que nos mantém nesse limbo durante todo o filme. De certa forma nós sabemos onde nos "encontramos", mas a sensação que nos é proporcionada por esta junção de elementos é verdadeiramente muito agradável.
E finalmente, de regresso uma vez mais ao seu argumento, Alabote consegue não só conquistar-nos pela sua brilhante história como também pelo seu inesperado e surpreendente final que se afirma como emocionante e dramático e ao mesmo tempo cortante pela forma como pode mostrar um olhar sobre o passado e à forma como este influenciou a vida de alguém que, de certa forma, nunca o (se) esqueceu.
Numa única palavra não conseguiria descrever esta curta-metragem portanto vou utilizar três... magnífico, fenomenal e brilhante, que fazem dele um dos poucos grandes filmes deste ano cinematográfico, e dos jovens realizadores João Botelho e João Garcia valores seguros e garantidos para o cinema português ou mesmo europeu. Com um pouco de justiça... porque não arriscar dizer que é simplesmente um dos melhores da actualidade e dos quais espero que cheguem mais trabalhos aos quais vou ficar bem atento.
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10 / 10
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A Ceia (2013)

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A Ceia de Duarte Guedes é uma curta-metragem de ficção portuguesa que tem de imediato um trunfo enorme que me fez querer vê-la... Filipe Duarte.
Um homem (Filipe Duarte) parece estar perdido no seu caminho. Conduz enquanto fala ao telefone à espera de indicações que parecem não chegar. Pára pelo caminho e espera conseguir perceber onde se encontra quando é abordado por um rapaz (Ricardo Ribeiro) que lhe pede alguma ajuda para comer.
Depois de uma amarga troca de palavras devido à frustração de um e à insistência de outro conjugadas, o rapaz agride o homem tirando-lhe depois a sua carteira e deixando-o à sua sorte. Mais tarde chega outro homem (Valdemar Santos) que, vendo o primeiro em aflição o ajuda e o leva para casa onde uma ceia parece curar os infortúnios de um dia complicado. Mas as surpresas não páram de acontecer...
O argumento de Pedro Crispim baseado numa história de Nuno Simões é um interessante desafio e reflexão sobre a natureza humana. Por um lado temos um homem (Duarte) que se mostra enervado e pouco paciente com quem se encontra do outro lado da linha e com quem insistentemente fala... por outro temos um rapaz (Ribeiro) de aparência tranquila e incapaz de prejudicar alguém que num acto de desespero agride o anterior para, pensamos nós, recolher alguns trocos que satisfaçam um qualquer vício que insiste em manter.
No entanto, é este mesmo argumento que nos mostra que nem tudo é tão linear como aparenta ser e que a bondade reside para além dos gestos e das acções que definem os outros. A interpretação que é talvez mais sentida e que se encontra no meio das duas anteriormente referidas é aquela tida por um inspirada Valdemar Santos como o homem que no decurso da sua humilde vida pára para ajudar uma alma perdida e que não se recorda de quem é partilhando com a mesma o pouco que tem. Nunca é demais poder ajudar aqueles que estão pior do que nós, pensa.
A surpresa maior surge quando no decurso da incursão do primeiro homem (Duarte) na casa do segundo (Santos) e que percebemos que a humildade, a verdadeira, povoa os lares e o coração de alguns homens que insistem em ser bons mesmo quando à sua volta tudo parece querer tentá-los a enveredar por caminhos menos próprios e cheios de tentações que espreitam de todos os lados prontas a tomar as suas almas. Mas aqui a boa vontade e a disponibilidade para ajudar o próximo são as mensagens principais que um argumento e uma história inspirados e humanos insistem em mostrar-nos que, afinal, o bem existe e também está pronto a recolher umas quantas almas.
No entanto não ficamos por aqui e temos ainda outra mensagem interessante prestes a ser revelada... Aquele homem perdido e que no decurso de uma agressão fica temporariamente amnésico é acolhido por um homem de bem que desconhece os hábitos de sobrevivência do seu filho mas a questão que se coloca é... até que ponto aquele homem está realmente amnésico quando aparentemente e voluntariamente decide ignorar conhecer a carteira que lhe foi roubada? Até que ponto está a sua anterior vida tão boa que ele preferida permanecer num local em que foi recebido e acolhido de braços abertos por uma família que tem tão pouco mas, ainda assim, decide com ele partilhar parte desse pouco no calor daquilo que aparenta ser uma família com alma, unida e com um sentido de pertença mais forte do que aquele que ele alguma vez teve (ou terá)?
Não só estruturalmente bem elaborada pela sua história que, a meu ver, até poderia ser desenvolvida para uma longa-metragem que nos revelasse um pouco mais da vida passada destas personagens, como também é uma forte curta no que diz respeito aos desempenhos de um coeso conjunto de actores onde tenho de destacar não só a sempre intensa participação de um grande Filipe Duarte como também de um dramático e bondoso Valdemar Santos que se torna na alma do filme, ou de um Ricardo Ribeiro que se assume como uma revelação pela dose de comédia mordaz que consegue incutir na sua personagem já bem perto dos seus instantes finais.
Finalmente posso ainda destacar a igualmente bem executada direcção de fotografia de Andrea Azevedo que em comunhão com a direcção de arte de Nuno Simões conseguem conjugar a escassez de luz captada nos interiores com uma decoração parca e pobre, revelando-nos assim o ambiente humilde e recatado daquela família e das suas posses que chegam, no entanto, para compôr um triângulo familiar unido e disponível entre si que é abrilhantado com uma inspirada música de José Ruy Ribeiro que dramatiza todo o ambiente mais íntimo deste filme.
Duarte Guedes dirige assim uma forte curta-metragem da qual poderia resultar uma longa intensa que reunisse elementos fundamentais do drama e que facilmente se conseguiria inserir e retratar a sociedade contemporânea em que vivemos que esconde e omite muitos dos problemas que a fazem "mover". Numa palavra... excelente.
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9 / 10
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De Mim... (2013)

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De Mim... de Carlos Melim é uma curta.metragem portuguesa independente que num misto de reflexão sobre o "eu" e a sociedade constitui uma das mais fortes e agradáveis surpresas do ano cinematográfico.
Num registo autobiográfico, o jovem realizador madeirense, intérprete único da sua curta-metragem, entrega-nos uma história, a sua, mas que poderia ser a de qualquer um de nós onde tece inúmeras considerações sobre os seus sentimentos, a perda e a solidão. Momentos esses em que questiona a sua vida, os seus objectivos que, num momento conturbado, o deixam cheio de dúvidas existenciais que lhe permitem questionar que rumo seguir a partir desse momento repensando assim todas as ideias que até então havia concebido.
Carlos Melim escreveu este argumento onde consegue o que muitos realizadores tentam sem sucesso transmitir quando pretendem contar a sua própria história, ou seja, sem recorrer à ficção mas sim às suas próprias vivências tem a habilidade de possibilitar ao espectador assumi-las como suas e questionar-se, ele próprio, sobre o rumo que a sua vida tem seguido.
Assim e durante cerca de seis minutos acompanhamos toda a sua reflexão sobre a vida e as escolhas que foi tomando ao longo dos anos, as despedidas que teve de fazer, as saudades e a perda daqueles que lhe são mais queridos bem como os desgostos amorosos que foi atravessando e que, de uma ou outra forma, o conduziram ao momento em que ele se encontrava e à pessoa em que se tornou.
De Mim... consegue a fantástica capacidade de juntar não só um argumento com problemas individuais que acabam por ser universais e, como tal, facilmente adaptáveis à realidade de cada um de nós que se identificam com as variadas questões que Carlos Melim nos coloca mas também afirmar-se, para além de um desabafo pessoal, como uma interessante curta-metragem que une segmentos pessoais que poderiam ser ficcionados mas não são, uma direcção de fotografia que transporta esta curta-metragem para um nível de excelência e uma emocionante música que nos faz pensar no quão semelhantes são as vivências do realizador com algumas daquelas que nós próprios já presenciámos e experimentámos.
Ao visionar esta curta-metragem lembrei-me de um magnífico vídeo que vi recentemente sobre um estudante de Erasmus em Nápoles e sobre a identificação que o mesmo teve com a cidade tendo vindo de outro país e sendo, à partida, alguém que poderia muito pouco ter a ver com o local em questão. No entanto, através de um conjunto de momentos, de novas amizades e de uma fácil união do "eu" e do espaço, foi capaz de mostrar o quão marcante este último pode ter para a elaboração de uma consciência individual. De Mim... bem como a excelente reflexão que Carlos Melim faz com este seu magnífico trabalho provocam exactamente a mesma sensação, ou seja, até que ponto os diferentes rumos que a vida de cada um toma podem, no final, conjugar-se e revelar que por muito difícil que pareça a estrada ela acaba finalmente por nos levar e revelar o local onde realmente pertencemos e ao qual podemos chamar de "lar"... seja ele qual fôr.
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10 / 10
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A Estrela Mais Brilhante (2011)

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A Estrela Mais Brilhante de André Matos e Joana Santos é uma surpreendente e emocionante curta-metragem portuguesa de ficção que abriu a última edição do PFShortsFest.
Vasco (Miguel Mestre) é uma jovem criança que perdeu recentemente a sua mãe. Francisco (Ruben Tiago), é o seu pai e como tal tenta explicar esta súbita perda com a mais inocente das explicações... a mãe partiu para o céu para junto das estrelas.
Apaixonado pelo espaço e pelo sonho de poder alcançar as ditas estrelas, Vasco num misto de inocência e determinação típicos da sua idade, tenta então construir uma nave que o possa levar até junto delas e, como tal, poder reencontrar e resgatar a sua mãe que por ali se encontra.
O argumento escrito por Ana Rita Arruda, Sara Marques, André Matos, Andreia Santos e Joana Santos consegue de forma genial construir uma história que consegue recriar um universo pouco explorado no cinema português, ou seja, contá-la de forma a que consiga ser transmitida tanto aos mais adultos como aos mais jovens.
A história é universal e todos de uma ou outra forma já a vivenciaram e conhecem as suas consequências... a perda e a forma como lidamos com ela. Os caminhos e as defesas que todos nós criamos para nos protegermos da dor que ela pode provocar. Os espaços, os locais e a forma como temos, ou tentamos, lidar com a morte, ou o desaparecimento, visto através dos olhos de uma criança, sendo que ao mesmo tempo a vemos pelo olhar de um adulto que tem não só de a saber gerir como principalmente tem de colmatar a perda que a criança a seu cargo sente e que não consegue compreender ou filtrar da mesma forma.
Mas ele é também uma história sobre a imaginação, sobre o poder das palavras, dos sonhos, da perseverança e da vontade de atingir um objectivo mesmo que ele "apenas" sirva para poder confirmar o próprio desejo ou a impossibilidade de o concretizar, tornando-se assim numa história sobre o inesperado crescimento e o precoce amadurecimento de uma criança que vê a sua vida transformada pela perda de um dos seus entes mais queridos.
André Matos e Joana Santos dão assim vida a uma história que também eles escreveram e que nos permite para além de sonhar e acreditar no poder dos sonhos e da imaginação, perceber o como nós próprios fomos um dia, nas ideias que tínhamos sobre o mais impossível (aos olhos de hoje), e como esses próprios sonhos foram os motores que nos definiram, que nos guiaram e que nos possibilitarem viver uma época em que o mundo, ou aquilo que conhecíamos dele, era perfeito (ou não), através de um conjunto de elementos que nos fazem acreditar no poder de um "simples" filme contado com dedicação, alma e coração que aqui estão presentes em todos os segmentos, e que várias foram as ocasiões em que me fez recordar um dos meus filmes preferidos... Where the Wild Things Are de Spike Jonze.
Miguel Mestre e Ruben Tiago formam a dupla perfeita e a química entre os dois actores é uma constante que consegue cativar facilmente o espectador. O jovem Miguel Mestre que já havia demonstrado a emotividade que consegue transmitir na curta-metragem Um Dia Longo de Sérgio Graciano, volta aqui a dominar completamente o ecrã e entregar mais um sentido desempenho e empatia com a câmara que conseguem desarmar muitos mais experientes actores.
E tecnicamente esta curta-metragem é também uma óbvia referência desde a sua emotiva e cativante música original da autoria de Milton Fernandes e Sara Marques, passando pela direcção de fotografia de Ana Rita Arruda e Filipe Casimiro que conseguem durante todo o tempo manter-nos numa certa suspensão sobre o estarmos perante uma realidade trágica ou um sonho imaginado cheio de esperança num reencontro impossível.
Como última "nota" só posso agradecer ao realizador André Matos (presente na apresentação desta curta-metragem) não só por ter conseguido contar esta história de uma forma tão honesta e totalmente livre de pretensões e pela forma calorosa com que dela falou conseguindo assim não só pelas imagens captadas mas como pelo seu discurso conquistar todo o público presente. Eu pelo menos fui um deles. 
E se existe arte no cinema, aqui estamos perante um desses exemplos, e espero muito pacientemente que esta dupla de realizadores apresente muito em breve os seus próximos projectos.
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"Vasco: Há uma estrela que é mais brilhante do que as outras."
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10 / 10
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Karen Black

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1939 - 2013
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Juan de los Muertos (2011)

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Juan de los Muertos de Alejandro Brugués é a longa-metragem cubana que saiu vencedora da última cerimónia dos Goya da Academia Espanhola de Cinema com o prémio para Melhor Filme Ibero-Americano, bem como triunfou o ano passado no Fantasporto ao arrecadar os prémios de Melhor Actor (Alexis Díaz de Villegas) e Melhor Argumento.
Encontramo-nos em Havana, em Cuba, nos dias em que uma misteriosa e suspeita revolução está prestes a eclodir no país quando uma estranha epidemia começa a alastrar pelos habitantes da cidade transformando-os em mortos-vivos sedentos da carne humana daqueles que ainda têm sangue quente a percorrer as suas veias.
É então que conhecemos Juan (Villegas), um simpático e pacato homem que se aproveita da situação para poder ganhar a sua vida, mesmo numa situação tão adversa onde, através do slogan "matamos os seus entes queridos", resolve eliminar todos aqueles que se converteram em infectados, formando não só uma curiosa equipa de exterminadores com alguns dos seus amigos como também fortuna num país que está à beira de um caos humanitário, ao mesmo tempo que se desconhece a sua origem e aquilo que resta do governo insiste em dizer que são "dissidentes pagos pelos Estados Unidos".
Contra todas as expectativas Juan torna-se não só um inesperado herói como tenta, ao mesmo tempo, manter a sua filha em segurança e livrar as ruas de tão perigosos "dissidentes" com um apetite muito particular.
O argumento deste filme, escrito também por Alejandro Brugués, apresenta os sintomas típicos do género onde um grupo de amigos tenta sobreviver o melhor que pode numa cidade (e talvez num mundo) que já não são nada daquilo que em tempos conhecemos. Deixam as suas vidas mais ou menos confortáveis onde inclusivé, podem ter de eliminar amigos, familiares ou vizinhos que sempre conheceram sem pensar duas vezes. Existe também uma clara homenagem à fonte de inspiração deste filme, ou seja, para com Shaun of the Dead, colocando a personagem principal em evidência, e destacando assim aquele que poderia ser o mais improvável dos heróis mas que, numa situação dita de crise se evidencia dos demais marcando invariavelmente a sua presença. Aqui Juan, um tipo melancólico e introspectivo, relativamente novo mas desgastado pela sua vida desinteressante e marcadamente pobre que de pescador de ocasião passa para uma vida de esquemas ocasionais de forma a sobreviver às dificuldades que lhe são apresentadas, nomeadamente o ter de sustentar uma filha de uma relação que já havia terminado.
Sempre acompanhado pelo seu melhor amigo Lázaro (Jorge Molina) que funciona como um bom contrapeso com o ambiente apocalíptico, este evidencia uma comédia mordaz e muito bem disposta que funciona na medida certa para o ambiente esperado deste filme, Juan encontra nesta situação a ocasião perfeita para se reconciliar com a sua própria vida e para com aqueles que, a seu ver, foi deixando para trás, nomeadamente Camila (Andrea Duro), a filha com quem poucos laços afectivos parece manter, e que tenta assim recuperar antes que a vida, ou a morte, os separe definitivamente.
Este invulgar grupo de sobreviventes é ainda composto por Vladi (Andros Perugorría), o filho de Lázaro e o casal gay El Primo (Eliecer Ramírez) e La China (Jazz Vilá), sendo estes dois últimos aqueles que assumidamente controlam a comédia ao longo de todo o filme, e que constituem um forte e memorável conjunto de actores secundários de um filme de terror que, para além da sua "função tradicional" de serem esquartejados ao longo da trama, são eles próprios peças fundamentais para que esta se leve a bom porto. "El Primo" é um tipo forte, alto e musculado capaz de combater tudo e todos sem grande esforço mas, ao mesmo tempo, tem uma fraqueza que é capaz de o tornar na vítima perfeita ao desmaiar cada vez que vê uma gota de sangue tornando-o por isso vulnerável num mundo infestado de mortos-vivos sedentos do mesmo, enquanto "La China" interpreta um certo estereótipo gay que em vez de funcionar como um certo cliché do mesmo, ajuda a contribuir para muito do bom humor e boa disposição que o filme acaba por ter, tendo assim Vilá uma das personagens mais fortes e memoráveis de todo o filme.
Apesar de não ser claramente a ideia principal deste filme, ao vê-lo é impossível que não encontremos e identifiquemos uma mensagem política mais ou menos escondida quer nas acções dos personagens ou até mesmo na forma como o "governo" encara esta ameaça. Se por um lado todos percebem o pânico que se vive nas ruas onde os humanos deixaram de o ser e os sobreviventes vão ao pouco perdendo os amigos e familiares que lhes restam, não é menos verdade que os constantes relatos do governo insistem em referir que nada de grave se passa além de um grupo de dissidentes que pretende espalhar o caos e o terror pagos pelo vizinho mais a norte. No entanto, a mensagem social é bem mais evidente do que qualquer outra e podemos encontrá-la nas próprias personagens, começando pelo protagonista "Juan" que tenta sobreviver num mundo que não lhe tem sido particularmente fácil, e que à custa de ocasionais biscates ou negócios menos lícitos vai sobrevivendo tentando manter sempre a sua dignidade. "Vladi California", o próprio nome da personagem o denuncia, que expressa uma vontade de viver onde ninguém tenha conhecimento de Cuba, de Castro ou do socialismo que governa o país, mas esta mensagem social ganha ainda um contorno mais marcante quando verificamos os milhares de "dissidentes" (ou mortos-vivos), ao longo da avenida que cruza o oceano como se estivessem à espera de uma forma de poder partir e não voltar àquela que é a sua ilha, vagueando sem um destino ou um propósito certos.
Sem perder a essência de um filme de mortos-vivos, Juan de los Muertos consegue unir um conjunto de carismáticas personagens que não se atropelam no seu drama ou mesmo na sua comédia, complementando-se e compondo um elenco coeso e sólido que nos conquista pelas suas próprias personalidades e que aos poucos conseguem criar uma certa nostalgia... todos eles pretendem fugir mas sabem que nenhum outro local será como a sua casa... a sua ilha... a sua Cuba fazendo com que, ao mesmo tempo, sem termos grandes ou demorados planos de batalhas que oponham sobreviventes aos ditos "dissidentes" ou uma caracterização grotesca (que não deixa de o ser) em grandes planos, este filme consegue ser um exemplar muito interessante e dinâmico do género que merece ser visto e revisitado pois, para além do mundo "hispano-hablante" não teve grande difusão constituindo assim uma perda significativa para os amantes do género.
E mesmo que não seja a referência máxima do género, Juan de los Muertos vale pelo principal que se centra na excelente dinâmica e química que o grupo de actores consegue criar entre si e que nos conquista desde o primeiro instante... mesmo que sejam personagens "já vistas" em dezenas de outras produções do género. Aqui, eles conseguem reinventar-se com génio e muito humor.
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7 / 10
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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Bicycle Film Festival - Lisboa 2013

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O Bicycle Film Festival (BFF), é o maior evento global ligado à cultura da bicicleta, volta a Lisboa, pelo quinto ano consecutivo, e terá lugar nos dias 13, 14 e 15 de Setembro, no Palácio Foz, em pleno coração da cidade, na Praça dos Restauradores.
Organizado em Portugal pela Cooperativa POST, o BFF exibirá filmes de diversos países dedicados à temática das bicicletas e, como nem só de filmes vive este Festival, haverá também lugar para festas, bike sprints (corridas em bicicletas estáticas onde ganha quem fizer o melhor tempo), torneio de bike polo, passeios bem como outras actividades.
O Festival celebra este ano o seu 13º aniversário, estando presente em 28 cidades em todo o mundo, desde Londres, Cidade do México, Nova Iorque, Tóquio, Rio de Janeiro, Madrid, Buenos Aires ou Sidney, tendo uma audiência de cerca de 300 mil espectadores em 2012, enquanto espaço privilegiado de exibição de filmes inéditos, com concertos, festas de rua, exposições, passeios e provas de bicicletas.
O BFF é uma mostra não competitiva de cinema e aceita candidaturas sem restrições de género ou duração. As obras seleccionadas são exibidas no circuito mundial que integra uma programação transdisciplinar, celebrando a bicicleta pelo cinema, música e artes.
Este ano, e pela primeira vez, o BFF integra a programação da Semana Europeia da Mobilidade, sendo uma co-produção entre a Cooperativa POST, a Câmara Municipal de Lisboa, a EMEL e a Cinemateca Portuguesa, que acolhe as projecções na sala do Palácio Foz.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Retrovisor (2013)

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Retrovisor de Alberto Lavín é uma curta-metragem espanhola de ficção espanhola que de forma muito original nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos, as consequências que elas têm sobre o nosso futuro e principalmente sobre o olhar que o futuro nos permite ter aos acontecimentos passados.
Lucía (Tatiana Perdiguero) e Álvaro (Jaime Martín) atravessam uma relação com alguns problemas. Secretamente Lucía tem uma relação com outro homem (Gonzalo C. Megias) sempre que não está com Álvaro.
Aquilo que parecia ser uma tradicional história de traição extra-conjugal ganha contornos mais dramáticos que graças ao maravilhoso argumento de Alberto Lavín entregam a esta curta-metragem um surpreendente. emotivo e emocionante desfecho que nos cativa ao mesmo tempo que destrói as ideias pré-concebidas que obtemos de "Lucía".
Se por um lado percebemos que aquela mulher é amada por "Álvaro", não é menos verdade que os problemas que atravessam são uma presença constante, e que o caso que mantém sem o seu conhecimento mais não é do que uma forma de preencher uma lacuna sentimental que sente... ou estará ela a sentir algo mais pela sua nova companhia?
No entanto é este mesmo trio amoroso que vai sofrer um forte abalo quanto o inesperado acontece e "Lucía" se vê a braços com dois homens que a desejam, que a querem por perto a longo prazo e não apenas como um affair de momento. Ela vê-se assim confrontada com toda a verdade da sua vida num instante em que esta se vê com a obrigação de efectuar uma escolha... ou talvez não!
Alberto Lavín consegue colocar-nos na esperança de ver qual a escolha feita por "Lucía" mas retira-nos esse prazer no exacto momento em que percebemos que ela o quer fazer. Momento esse que lhe abre caminho para a tal "escolha" mas que, ao mesmo tempo se encontra marcado pela tragédia agri-doce que nos revela que a sua vida ia, por força dos acontecimentos, mudar drasticamente obrigando-a a ficar com o homem que ama ou com aquele que a satisfaz física e talvez também emocionalmente. É assim que Lavín com o seu Retrovisor nos obriga a avaliar a vida, a de "Lucía" e talvez a nossa como se nos encontrássemos a assistir a um filme visto ao contrário, onde as dimensões do que é e daquilo que poderia ter sido se mesclam e confundem ao mesmo tempo que nos apresenta uma forma bem original de inserir um pedido de casamento num filme.
Tatiana Perdiguero tem uma interpretação dominante nesta curta-metragem sendo ela a desempenhar a personagem que se depara com o maior conflito de emoções e de inesperadas situações, mas é acompanhada de perto pois dois actores que demonstram a seu tempo o carinho e dedicação que lhe têm e como levam a sua "vida" de uma forma mais firme, decidida e com escolhas já elaboradas revelando assim a convicção que têm e a certeza do seu amor por ela.
Retrovisor é uma curta-metragem obrigatória de ver e já vencedora de prémios em Espanha e nos Estados Unidos que irá certamente firmar Lavín como um nome a reter para o futuro da cinematografia da terra de nuestros hermanos.
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8 / 10
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domingo, 4 de agosto de 2013

Young People Fucking (2007)

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Young People Fucking - Sexo sem Complicações de Martin Gero é uma divertida tentativa de comédia romântica e sexual que nos coloca frente a um grupo de casais que durante uma noite se debatem com as mais variadas concepções de aventuras sexuais.
Matt (Aaron Abrams) e Kris (Carly Pope) , amigos de longa data querem ter uma noite de diversão sem qualquer compromisso. Por sua vez Abby (Kristin Booth) e Andrew (Josh Dean) casados e a celebrar o aniversário dele num misto de pouca comunicação e muito desejo. Mia (Sonja Bennett) e Eric (Josh Cooke) estão separados e fazem de tudo por parecer que já não gostam um do outro. Jaime (Diora Baird) e Ken (Callum Blue) trabalham juntos e estão agora no seu primeiro encontro, e finalmente Inez (Natalie Lisinska) e Gord (Ennis Esmer) convidam Dave (Peter Oldring), o companheiro de quarto deste último, para uma invulgar aventura a três.
O argumento escrito por Aaron Abrams e Martin Gero faz interagir estes invulgares pares, e trio, numa dinâmica que oscila entre o drama e algum sentimento, sem nunca esquecer uma pitada de comédia mordaz que, no final destes pouco habituais encontros, nos faz reflectir sobre as inúmeras e potenciais respostas a um conjunto de questões fundamentais que se prendem na sua maioria com as normais inseguranças que qualquer pessoa pode ter sobre um eventual relacionamento... Pode o sexo ser completamente anónimo e no "dia seguinte" ninguém se preocupar com potenciais sequelas do mesmo? Estará um casal tão aborrecidos com o seu parceiro ao ponto de preferir não comunicar do que questionar os seus desejos por cumprir? Será que alguém diz a verdade ou utiliza mentiras encobertas para ir passando pela vida? Terá um casamento realmente chegado ao fim quando o desejo parece perdurar? Ou tão simplesmente será que fazemos alguém feliz satisfazendo as suas aparentes necessidades?
Assim num misto de comédia que aborda todas estas questões e eventualmente mais algumas que não deixam também elas de ter a sua importância e sentido, este filme cruza as diversas histórias destas personagens sem, no entanto, nunca cruzar as mesmas funcionando cada uma delas como um segmento independente das demais que, alternando entre si, nos deixa com a curiosidade em saber sobre o que virá nos instantes seguintes, evidenciando uma perspicaz edição de Mike Banas que nunca interfere com o normal decorrer da "trama".
A única falha, se assim se poderá chamar, que este filme apresenta reside no facto de não contar no seu elenco com nenhum actor mais mediático que conseguisse apurar a nossa simpatia pelas personagens que são desempenhadas. É um facto que encontramos na sua maioria vários pontos e elos de ligação connosco ou com tantas outras pessoas que eventualmente conhecemos, mas falta aquele elemento "cara conhecida" que pode, por momentos, funcionar contra a dinâmica do filme. Existem empatias, principalmente nas personagens recriadas por Aaron Abrams e Carly Pope, ou o invulgar trio que tem mais que dizer pela estranheza com que encaram a sua sexualidade, mas não deixa de ser verdade que ao longo deste filme pensamos em tantos outros actores que possivelmente nos fariam criar uma empatia mais imediata com as suas histórias e personagens, sendo que aqui nenhum se destaca em relação aos demais. No entanto, é também este aspecto que faz com que o espectador não destaque nenhum momento do filme fazendo com que ele prenda a nossa atenção ao longo do mesmo mas, possivelmente, em doses diferentes dependendo isso da situação que mais se enquadre com a vida pessoas de cada um.
Simpático pelo seu argumento, perspicaz pelo seu olhar corrosivo que consegue tecer sobre a realidade das relações humanas e com a dose certa de comédia que nos faz sorrir (ou rir) do involuntário absurdo em que as relações humanas se podem eventualmente tornar pela falta de comunicação ou de admissão dos próprios sentimentos, o que faz deste filme algo bastante agradável que nos pode fazer pensar, mesmo que isso não se admita, e que apesar de passar ao lado da maioria dos cinéfilos não deixa de constituir uma história coerente, bem disposta, sem o eventual recurso ao banal e que mesmo assim consegue falar de algo supostamente tão informal como o sexo sem ser necessário recorrer aos grotescos e banais clichés a que o género normalmente nos habituou.
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7 / 10
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FARCUME 2013: selecção oficial

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SELECÇÃO OFICIAL
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ANIMAÇÃO
Café, de João Fazenda e Alex Gozblau
Conto do Vento, de Cláudio Jordão e Nelson Martins
Ed, de Gabriel Garcia
Eu, Fernando Pessoa, de Eloar Guazzelli Filho
Forbidden Room, de Ricardo Almeida e Emanuel Nevado
Gata Má, de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto
Grande Evento, de Thomas Larson
Homem Só, de Rebeca Neves
Imagine uma Menina com Cabelos de Brasil, de Alexandre Bersot
Linear, de Amir Admani
Luminaris, de Juan Pablo Zaramella
Maria da Glória, de Diego Akel
O Menino que Sabia Voar, de Douglas Alves Ferreira
Mulher Sombra, de Joana Imaginário
O Relógio de Tomás, de Cláudio Sá
A Ria, a Água, o Homem, de Matos Barbosa
Second Chance, de Duarte Teixeira
Tape_Loading_Error, de Sandra Araújo
Terra Cuide Dessa Bola, de Cacinho
Um Gato sem Nome, de Carlos Cruz
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DOCUMENTÁRIO
225, Rua da Rosa, de José Ricardo Lopes
Acoustic Robot 2013, de Carlos Fraga
Aldeia dos Tísicos, de Hugo Dinis Neves
Apartment Nº4, de Rui Esperança, Simona Jerala e Daphnee Van Den Blink
Areia, de Humberto Kzure-Cerquera
Brincadeiras dos Nossos Avós, de Flávio Farias
O Canal por Sintonizar, de Gonçalo Cardeira
Cantaria, de Marco Vilela
Crooner Vieira - A Potência da Voz e o Romantismo Nada Têm a Ver com a Idade, de Catarina Neves
Documentário 239, de Nuno Matos e Pedro Verde
A Eleição é uma Festa, de Fábio Rogério
Entre o Céu e as Marés, de Daniel Pinheiro
Faro do Comboio ao Avião, de Lenea Campelo
Lavrofícios, de Rui António
A Luz da Terra Antiga, de Luís Oliveira Santos
Manducare, de Pedro Serra
Mia Mia Sudan Tumam Tamam, de Luís Moya
Olaria, de Marco Vilela
Passagem, de Rubel Brisola
Pastorícia, de Marco Vilela
Pessoas, de Carol Colezzy
Prosolhos, de Rui António
O Relojoeiro e o Tanoeiro, Júlio Munhoz
Safra, de David Cachopo
Santa Maria dos Olivais, de Susanne Malorny
A Subida, de Afonso Sousa
A Última Lavoura Desta Terra, de Andreia Carvalho
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FICÇÃO
1111, de M.F. da Costa e Silva
Aqui Jaz a Minha Casa, de Rui Pilão
O Anjo, de André Marques
Asas, de Maria Adriana Ventura
Banda Desenhada, de Pedro Santasmarinas
Bué Sabi, de Patrícia Vidal Delgado
O Cheiro das Velas, de Adriana Martins da Silva
A Cidade e o Sol, de Leonor Noivo
Dios por el Cuello, de José Tigueiros
Do Not Stop, de Bruno Carnide
Eroticon, de Ernesto Pinto
The Escape, de Gonçalo Gomes
Évora, de Mark John Ostrowsel
The Headless Nun, de Nuno Sá Pessoa
A Identidade Perdida, de Damián Dionísio
Lápis Azul, de Rafael Antunes
Limbo, de Afonso Sousa
Luzir de Antanho, de Ronard Souza e Laíse Galvão
Memória Fotográfica, de Eduardo Pinto
O Meu Olho Direito, de Josecho de Linares
Mr. Bear, de Andrés Rosende
Noite Gélida em Castelo Branco, de Luís Diogo
A Noite dos Palhaços Mudos, de Juliano Luccas
Ossos do Ofício, de André M. Santos
A Parideira, de José Miguel Moreira
Partir, de Fábio Freitas
Poesia de Segunda Categoria, de Luís Santo Vaz
Porque Há Coisas que Nunca se Esquecem, de Lucas Figueroa
Princesa, de Fábio Gonçalves
Projecto V, de Bernardo Gomes de Almeida
Rafael e Maria, de Ricardo Machado
Sara, de Miguel Antunes
O Segredo Segundo António Botto, de Maria Azevedo e Rita Filipe
O Silêncio das Sereias, de Guilherme Daniel
O Som do Silêncio, de Paulo Grade e João Lourenço
Somos Todos Ilhas, de Pedro Martins Karam
Sugar Girl, de Bruno Simões
O Troco, de Soraia Ferreira
Tsintty, de Rui Pedro Sousa
Tudo por Real, de Luiza de Andrade, Juliana Antich, Rodrigo Levy, Thamyres Viegas, Bruno de La Bandeira, Maricota Baraúna e Laura Lisboa
O Último de Nós, de André M. Santos, Pedro de Sousa Rodrigues e Filipe Caeiro
Virtual, de Joel Duarte
A Viuvez da Carpideira, de Anderson Legal e Bruno Little
A Vontade do Senhor, de Nuno Matos e Rodrigo Lopo
Zigurate, de Pedro Miguel Santos
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VIDEOCLIP
 Anna Júlia - Até Mais, de Natália Cabral e Camila Cabral
Carlos Bica + Matéria Prima - Schlager, de Xavier Almeida
Cinema Paraíso - Flor-de-Lis, de Sérgio Grilo
Criadores de Acaso - A Folha, de Ludmila Olivieri
Eurico Silva - Sonho Artístico, de Nuno Reis, Hugo Sousa e Luís Ferrinho
Low Torque - Stripped Down to the Blood, de Andreia Neves, Andreia Campos, André Ferreira e Rita Mansinho
Iládio Amado - Beatriz, de Hernâni Duarte Maria
Juliana Spanevello - Relíquia, de Natália Cabral e Camila Cabral
Indie Nice Weather for Ducks - Back to the Future, de Bruno Carnide
Orblua - Aviãozinho Militar, de Carlos Norton
The Flat Mountain - Scars are Pretty, de Vanessa Pinheiro
Tribal Baroque - Gipsi Dance, de Nuno Sá Pessoa
Vol.2 - Sai e Vem, de Joel Duarte
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sábado, 3 de agosto de 2013

Zé da Branca na Aldeia Assombrada (2013)

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Zé da Branca na Aldeia Assombrada de Rúben Ferreira e o mais recente trabalho deste jovem realizador português que num argumento escrito em parceria com José Marques resolve cruzar algumas das suas mais emblemáticas personagens numa mesma história de suspense onde a comédia é, no entanto, o seu forte. Falo claro das personagens do "Lenhador Assassino" e do "Zé da Branca" naquele que é um seu merecido desempenho protagonista.
Depois de descobrir que uma tia morreu em Fornelos, Zé da Branca (José Marques) decide visitar o seu primo que julga estar devastado. Numa longa viagem que faz a pé, chega finalmente a casa do primo onde aparentemente pouco aconteceu e a tia que faleceu já não é uma prioridade.
É então que no segundo dia de estadia naquela carismática aldeia que Zé da Branca, o primo e um amigo decidem, ao jeito de desafio, entrar na casa do misterioso lenhador assassino e aí investigarem o clima que ronda aquela casa abandonada, mal sabendo que iriam despertar os seus desejos de sangue.
Sem um fim anunciado, pois todos nós sabemos que surgirão novos capítulos que irão (ou não) dar o devido desfecho a esta aventura numa das mais enigmáticas aldeias de Portugal que graças ao jovem realizador Rúben Ferreira já ganhou o seu próprio estatuto, não é menos verdade que apesar de nos depararmos com uma média-metragem ela não nos satisfaz em absoluto. À media que a acção decorre e que dela esperamos mais e novos elementos que contribuam não só para a comédia que lhe está inerente como também ao suspense que pode surgir de qualquer momento, o argumento não nos permite ter uma clara percepção de onde iremos estar nos instantes seguintes o que, por sua vez, nos permite pensar que as sequelas estão para breve.
Dito isto, aquilo que podemos esperar deste simpático filme é que ele serve como uma porta de entrada para as novas aventuras dadas por um variado e rico conjunto de personagens que resiste não só à sua própria comédia como principalmente a um destino fatal que parece estar sempre ao virar da esquina ao mesmo tempo que nos deixa a pensar... afinal quem é aquele mal fadado lenhador?!
Com um conjunto de segmentos que roçam a comédia teen, nomeadamente aquela sinistra disposição das garrafas de cerveja, ou até mesmo uma sentida homenagem à Linda Blair (vejam e irão perceber), Rúben Ferreira não esquece a vertente popular que invade o norte do país neste época do ano fazendo-nos entrar nesse curioso universo onde somos presenteados com um bailarico na aldeia, e os invariáveis problemas técnicos a nível de som que surgem ocasionalmente são esquecidos pela vontade de fazer um filme que é feito por paixão independentemente do seu posterior resultado final.
De todos os momentos deste filme tenho obrigatoriamente de destacar um... Não que seja original em comparação com outras produções do género, mas pela qualidade fílmica que tão breves instantes demonstraram. Refiro-me muito concretamente às filmagens nocturnas que o jovem grupo de amigos faz em tom de "exploração" e que nos entregam um dos segmentos mais típicos e bem conseguidos e que, mais explorados, poderiam ter entregue um segmento de terror bem pensado e muito dinâmico.
Depois de uma apreciação que considero positiva poderão perguntar-me o porquê de só entregar um cinco a esta média-metragem... E a resposta é tão simples como... queria mais e tenho a certeza que esse "mais" está para chegar para breve. Tenho sérias dúvidas que o Rúben Ferreira deixe esta história sem uma sequela ao seu nível.
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5 / 10
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Placebo (2013)

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Placebo de Carlos Aceituno é uma curta-metragem espanhola que nos dá a conhecer um jovem homem na sua rotina diária, enquanto olha pela janela e vê um dia que se adivinha de bom tempo e onde os grilos se fazem notar.
No entanto a surpresa chega quando de repente se vê um olhar de insatisfação conformada no seu rosto e nos damos conta da realidade que o espera lá fora.
Placebo é uma interessante curta-metragem que nos faz pensar sobre o estado actual do mundo e, principalmente, daquele nosso ambiente mais próximo e das sucessivas transformações agressivas pelas quais tem, infelizmente, passado, e Carlos Aceituno tem aqui um trabalho eficaz e que apela à consciência de todos nós antes que seja tarde demais... se já não o é e, apesar de ser excessivamente curta ela cumpre na totalidade a sua função e deixa-nos a pensar sobre a comunidade e o mundo em que nos encontramos.
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8 / 10
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