domingo, 8 de maio de 2011

Rendez-vous (1985)

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Encontro de André Téchiné vencedor do prémio de realização em Cannes conta com a participação de dois dos mais fulgurantes actores da actualidade do cinema francês. Refiro-me a Lambert Wilson e a Juliette Binoche, naquele que seria uma das suas primeiras interpretações cinematográficas.
Este filme conta-nos a história de Nina (Binoche que fora nomeada ao César de Melhor Actriz), uma rapariga do interior rural de França que chega a Paris para dar vida ao seu sonho de representação.
É aqui que, ao procurar casa, conhece Paulot (Wadeck Stanczak que ganhou o César de Actor Revelação), um homem que a partir desse momento vive um intenso, e não correspondido, amor obsessivo por ela. Conhece igualmente Quentin (Lambert Wilson nomeado ao César de Melhor Actor) com quem desenvolve uma relação sentimental e sexual violenta e cheia de pressão da qual parece não se conseguir libertar.
Quanto Quentin morre fica a suspeita se terá sido devido a um acidente ou suicídio, Nina conhece Scrutzler (Jean-Louis Trintignant), antigo mentor de Quentin e encenador da peça Romeu e Julieta em que este participaria com a sua filha, não tivesse ela morrido num acidente supostamente provocado por Quentin.
As relações, mais ou menos próximas, a que assistimos neste filme são essencialmente aquelas que vingam através da força e da violência... Assim o temos representado nas relações laborais no gabinete de venda/aluguer de casas onde Paulot trabalha. Estas são igualmente visíveis na relação que Paulot pretende estabelecer com Nina onde, mesmo que controladas a seu tempo, não deixam de se iniciar com uma violência latente dele para ela. Esta mesma violência, que quase roça o sado-masoquismo, acaba por tornar-se o elo mais forte de ligação entre Nina e Quentin que não têm uma relação afectiva normal mas sim unicamente baseada no carnal e na violência principalmente psicológica que é exercida de um para o outro.
A violência acaba assim por se tornar o elo de ligação entre estas várias personagens e o principal elemento que caracteriza todas estas relações. Não se denota um único afecto ou compaixão.. apenas o desejo carnal, a violência e o abuso de poder.
O argumento da autoria do próprio Téchiné em colaboração com Olivier Assayas é, de longe, muito bom. No entanto penso que na transposição para o ecrã faltou algo. Faltou uma transposição de palavras e de sentimentos mais "natural" e não tão teatral como se sente por parte dos actores que não deixam, no entanto, de ter fantásticas interpretações.
Finalmente é impossível fazer um comentário a este filme sem deixar uma observação à extraordinária, e talvez o mais brilhante de todo o filme, banda-sonora da autoria de Philippe Sarde. Logo nos créditos iniciais quando dá o primeiro ar de sua graça consegue ser... transcendente.
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5 / 10
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sábado, 7 de maio de 2011

Le Conseguenze dell' Amore (2004)

 
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As Consequências do Amor de Paolo Sorrentino foi vencedor de cinco Donatello nas categorias principais, sendo eles Filme, Actor (Toni Servillo), Realizador, Argumento e Fotografia, e foi ainda nomeado à Palma de Ouro de Cannes.
Titta di Girolamo (Servillo) tem aquilo que qualquer um poderia considerar uma vida desinteressante e de tédio. Senta-se à janela do bar de um hotel em Lugano onde vive e espera. Espera por algo que não sabemos o que é.
Dia após dia Sofia (Olivia Magnani), a empregada do bar do hotel, quando sai despede-se. De todos e em particular de di Girolamo que nunca lhe responde. Dias depois, e segundo as próprias palavras de di Girolamo, senta-se ao bar e conversa com ela, assumindo que esta atitude poderá modificar a sua vida para sempre.
E muda... Ficamos a conhecer os seus mais sombrios segredos e o que o leva a uma espera "desesperante" que até então não conseguiamos perceber.
A interpretação de Toni Servillo é simplesmente magnífica, aliás outra coisa não seria de esperar. O retrato inicial que nos dá de um homem desligado e apático é quase incompreensível. Que estará aquela pessoa ali a fazer dia após dia sem qualquer justificação ou sequer uma reacção a tudo o que se passa à sua volta, principalmente a interacção, inexistente, para com as outras pessoas?
Acaba por ser a sua mudança de postura e o contacto que estabelece com a empregada do bar, Olivia Magnani que despoleta, ao mesmo tempo, um efeito bola de neve onde tudo acontece e tudo finalmente se justifica. É a partir deste momento que percebemos realmente quem é Titta di Girolamo.
É um facto que as pessoas podem passar toda uma vida sem trocarem qualquer tipo de intimidade com os demais. No entanto é também certo que são vidas apáticas e distantes que não fazem valer o significado da própria palavra "vida". É com o relacionamento com aqueles que nos rodeiam e com aqueles que acabam por de uma forma ou outra partilhar o mesmo espaço que nós, que acabamos por conseguir experienciar todo um conjunto de emoções, sensações e sentimentos que podemos pensar não ter. É isto que acontece com a personagem Titta di Girolamo. Um homem ausente e distante do qual ninguém nada sabe mas que por se deixar aproximar por uma outra pessoa, e sem trocarem qualquer tipo de contacto físico, acaba por perceber que está realmente vivo.
Paolo Sorrentino, que venceu o Donatello como melhor realizador do ano, tem aqui uma vez mais um brilhante retrato de uma vida. De um homem. De alguém que aparentava estar "morto". De alguém que (in)voluntariamente estava alheio a tudo e todos. E ninguém mais perfeito para isto do que esse brilhante Toni Servillo do qual Sorrentino tem conseguido retirar brilhantes interpretações que já lhe valeram dois (além deste ainda com Il Divo) Donatello de Actor do ano.
Deixo também um destaque à excelente banda-sonora da autoria de Pasquale Catalano que, à excepção do tema escolhido para a abertura do filme, contém tanto sentimento como a própria acção do filme. Inicialmente sóbria e distante para uma crescente envolvência à medida que di Girolamo se revela ao espectador.
Paolo Sorrentino entrega-nos assim mais um excelente filme sobre sentimentos, e ausência deles, a transformação da vida de um homem igual a tantos outros, sobre o verdadeiro significado da palavra "viver", sobre crime, droga, Máfia, morte e com uma enorme dose de mistério que nos deixa verdadeiramente colados ao ecrã.
E como achei de enorme qualidade a cena introdutória do filme e a música que a compõe, aqui deixo a canção para a puderem apreciar seguida do trailer do filme.
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8 / 10
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Donatello 2011: Filme

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Noi Credevamo
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Carlo Degli Esposti (prod.)
Conchita Airoldi (prod.)
Giorgio Magliulo (prod.)
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Mario Martone (real.)
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Donatello 2011: Actor

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Elio Germano
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La Nostra Vita
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Donatello 2011: Actriz

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Paola Cortellesi
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Nessuno mi può Giudicare
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Donatello 2011: Actor Secundário

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Giuseppe Battiston
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La Passione
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Donatello 2011: Actriz Secundária

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Valentina Lodovini
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Benvenuti al Sud
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Donatello 2011: Realizador

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La Nostra Vita
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Daniele Luchetti
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Donatello 2011: Realizador Revelação

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Basilicata Coast to Coast
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Rocco Papaleo
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Donatello 2011: Argumento

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Noi Credevamo
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Giancarlo de Cataldo
Mario Martone
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Donatello 2011: Produtor

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20 Sigarette
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Claudio Bonivento
Gianni Romoli
Tilde Corsi
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Donatello 2011: Fotografia

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Noi Credevamo
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Renato Berta
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Donatello 2011: Banda-Sonora

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Basilicata Coast to Coast
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Rita Marcotulli
Rocco Papaleo
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Donatello 2011: Canção

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Basilicata Coast to Coast
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"Mentre Dormi"
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Gimmi Santucci
Max Gazzè
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Donatello 2011: Direcção Artística

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Noi Credevamo
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Emita Frigato
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Donatello 2011: Guarda-Roupa

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Noi Credevamo
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Ursula Patzak
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Donatello 2011: Caracterização

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Noi Credevamo
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Vittorio Sodano
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Donatello 2011: Design/Estilo de Cabelo

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Noi Credevamo
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Aldo Signoretti
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Donatello 2011: Montagem

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20 Sigarette
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Alessio Doglione
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Donatello 2011: Som

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La Nostra Vita
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Bruno Pupparo
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