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segunda-feira, 3 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
I'll See You in My Dreams (2003)
I'll See You in My Dreams de Miguel Ángel Vivas é a primeira curta-metragem portuguesa de terror, ou pelo menos de mortos-vivos.Para esta pequena curta que não excede os vinte minutos de duração total, contamos com a participação de muitas caras conhecidas do panorama português nomeadamente João Didelet, Sofia Aparício, Manuel João Vieira e São José Correia.
A história em si não suporta nada de novo. Os mortos-vivos que perseguem incansavelmente os humanos e estes que fazem de tudo para lhes escapar. Lúcio (Adelino Tavares) é um caçador de mortos-vivos que se apaixona por Nancy (São José Correia) mas que mantém a sua mulher Ana (Sofia Aparício) presa por esta ter sido mordida por um morto-vivo e estar agora também transformada.
Depois de um breve romance... ao fugir dos mortos-vivos, e talvez a inovação desta história face a tantas outras do género, é que o herói aqui se transforma em anti, e entrega a sua amada às feras para escapar... Será que escapa? Fica para descobrirem...
Curiosa enquanto primeira curta portuguesa exclusivamente dedicada à temática dos mortos-vivos e interessante dento do género, com uma boa pitada de humor e um bem conseguido trabalho de fotografia da autoria de Pedro J. Márquez, este I'll See You in my Dreams apenas peca por não ser uma longa-metragem.
6 / 10
Indie Lisboa 2010: os vencedores
Grande Prémio de Longa-Metragem "Cidade de Lisboa": Go Get Some Rosemary de Josh Safdie e Ben SafdieGrande Prémio INATEL de Curta-Metragem: Cocoon de Till Kleinert e La Neige Cache L'Ombre des Figuiers de Samer Najari
Prémio de Distribuição Caixa Geral de Depósitos: La Pivellina de Rainer Frimmel e Tizza Covi
Prémio FIPRESCI: Castro de Alejo Moguillansky
Prémio FIPRESCI - Menção Honrosa: Au Voleur de Sarah Leonor
Menção Honrosa atribuída pelo Juri Internacional de Curta-Metragem: Fuera de Quadro de Márcio Laranjeira
Menção Honrosa para a Interpretação atribuída pelo Juri Internacional de Longa-Metragem: Mithat Esmer, em 10 to 11
Prémio TOBIS para a Melhor Longa-Metragem Portuguesa: Guerra Civil de Pedro Caldas
Prémio MEDIA RECORDING para Melhor Curta-Metragem Portuguesa: A History of Mutual Respect de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes
Prémio RESTART para Melhor Realizador Português de Curta-Metragem: Sandro Aguilar, Voodoo
Prémio Novo Talento FNAC: Carne, de Carlos Conceição
Prémio AIP/KODAK de Melhor Imagem para Longa-Metragem Portuguesa: Sem Companhia, de João Trabulo
Prémio AIP de Melhor Imagem para Curta-Metragem Portuguesa: O Verão, de João Dias
Prémio SIGNIS - Árvore da Vida: Pelas Sombras, de Catarina Mourão
Prémio SIGNIS - Árvore da Vida - Menção Honrosa: Nenhum Nome, de Gonçalo Waddington
Prémio RTP Pulsar do Mundo: Les Arrivants, de Claudine Bories e Patrice Chagnard
Prémio RTP Pulsar do Mundo - Menção Honrosa: Barbe Bleue, de Jeanne Gailhoustet e Anne Paschetta
Prémio RTP2 Onde Curta: Enterrez Nos Chiens, de Frédéric Serve e Cyclist, de Marc Thuemmler
Prémio AMNISTIA INTERNACIONAL: Les Arrivants, de Claudine Bories e Patrice Chagnard
Prémio AMINISTIA INTERNACIONAL - Menção Honrosa: Ilha da Cova da Moura, de Rui Simões
Prémio do Público JOHNNIE WALKER para Melhor Longa-Metragem: Pelas Sombras, de Catarina Mourão
Prémio do Público JOHNNIE WALKER para Melhor Curta-Metragem: Cities on Speed #4 - Bogotá Change, de Andreas Mol Dalsgaard
Prémio INSTITUTO PORTUGUÊS DA JUVENTUDE para Melhor Filme IndieJúnior: The Six Dollar Fifty Man, de Louis Sutherland e Mark Albiston
Prémios INSTITUTO PORTUGUÊS DA JUVENTUDE para Melhor Filme IndieJúnior - Menção Honrosa: Plank, de Billy Pouls e Jacco's Film, de Daan Bakker
Prémio do Público IndieJúnior PAIS & FILHOS: Summer Wars, de Mamoru Hosoda
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sábado, 1 de maio de 2010
Mon Idole (2002)
O Meu Ídolo de Guillaume Canet é a estreia do actor francês no argumento e realização de uma longa metragem, da qual também é um dos actores principais juntamente com François Berléand e Diane Kruger secundados por Philippe Lefebvre que também assina o argumento.Bastien (Canet) trabalha como assistente num reality-show e anseia por conseguir o seu lugar ao sol dentro do canal de televisão, algo que o seu ídolo Broustal (Berléand) lhe pode proporcionar.
Após as empatias iniciais entre Bastien, Broustal e Clara (Kruger) a mulher deste, decidem ir passar um fim-de-semana de trabalho para a quinta do casal onde são reveladas intenções que ultrapassam as relações de trabalho passando rapidamente a ser relações de abuso, humilhação e escravidão, e que acabam por culminar numa situação de violência gratuita e homicídio.
Aquilo que temos neste filme é, resumidamente, a capacidade e vontade que todos nós podemos ou não ter de ascender ao topo a qualquer custo. Através da mentira, do engano, da perda de respeito própria e na consentida auto-humilhação. O poder a qualquer custo é a máxima que este filme tão bem transmite.
O que advém deste custo pode inclusivé chegar ao total desaparecimento da dignidade e respeito que o próprio indivíduo pode ter para consigo, e a questão que se coloca é se ele estará disposto ou não a ser colocado nos limites e desqualificado de qualquer tipo de respeito!
O que advém deste custo pode inclusivé chegar ao total desaparecimento da dignidade e respeito que o próprio indivíduo pode ter para consigo, e a questão que se coloca é se ele estará disposto ou não a ser colocado nos limites e desqualificado de qualquer tipo de respeito!
A realização para uma primeira grande obra de quem fez quase exclusivamente a sua carreira como actor está bem conseguida e competente, e o argumento não parece apresentar falhas à excepção de não ter sido explorada a relação entre Bastien e a sua noiva interpretada por Clotilde Courau mas que, bem analisada, mostra não ser assim tão central ou importante para o desenvolvimento da história.
É engraçado ainda verificar como certas sequências do filme se enquadram tão bem na realidade dos nossos dias. Refiro-me concretamente à selvátiva morte, para não ir ao ponto de dizer eliminação, de um cervo, animal que representa a graciosidade e elegância e em sua oposição o alimentar dos abutres com carne crua, um animal rude e que ronda sempre a morte. Algumas semelhanças com as mesmas situações pelas quais o filme passa... Curioso de se verificar!
Isto posto de parte o filme é interessante e bem conseguido para uma primeira-obra, abrindo portas para aquela que seria a grande obra deste jovem realizador... Não Digas a Ninguém que conquistou qualquer um com os seus brilhantes desempenhos e história.
Destaque ainda para os minutos iniciais e os finais em que para nos distanciar das situações mais trágicas é criada uma pequena sequência em animação que nos ilustra o início e o desfecho das personagens centrais, e principalmente como nos afasta, ainda que por breves instantes, dos reais horrores que estão por detrás destas histórias "pessoais".
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7 / 10
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sexta-feira, 30 de abril de 2010
Undertow (2004)
Contra-Corrente de David Gordon Green conta com a brilhante participação de Jamie Bell no papel principal, excelentemente secundado por Dermot Mulroney e Josh Lucas e ainda com a participação especial de Kristen Stewart, num filme sobre a violência e especialmente sobre a sua existência no seio da família.Este é fundamentalmente o enredo do filme. A violência e sobre as diferentes formas como esta se manifesta. Seja a violência pelos segredos que consomem as respectivas almas. A violência física e psicológica. A violência através do trabalho constante e árduo. A violência perante a falta de afecto. A violência para com o próprio corpo através de diferentes formas de auto.mutilação. E simplesmente a violência pelo poder de a praticar.
As interpretações do filme estão de facto inspiradas e são claro de destacar a prestação de Jamie Bell que se reinventa constantemente entregando desde os tempos do saudoso Billy Elliot filmes onde se "despede" definitivamente da imagem de um tímido rapaz de um pequena cidade mineira.
Já Josh Lucas entrega um papel onde podemos assistir ao prazer da violência pura e dura. Simplesmente pelo que ela de facto é: violência. Apesar da sua prestação ser mais secundária do que a de Bell ela é no entanto, a central e a que se sente predominante em todo o filme.
Com tudo isto assistimos ao mesmo tempo a um retrato da América profunda afastada do estrelato e do movimento das grandes cidades. Uma América essa onde as pessoas se vão degradando e morrendo a um ritmo muito mais lento e pouco dignificante.
O único defeito que encontro neste filme, e que consegue em várias ocasiões distrair da atenção que pretendemos ter para com ele, são as mudanças de situação/cenário que ocorrem. A imagem pára por momentos como se fosse ali o final do filme, quando na realidade é apenas a mudança de um local para outro onde a acção decorre, em vez de haver uma passagem mais suave onde existisse um seguimento natural das mesmas. Ao vermos o filme parece então que existem vários cortes no que se passa nesse exacto momento quando, na realidade, apenas é uma passagem de uma cena para outra.
Fora isto todo o filme está bem conseguido e dinamizado, repleto de boas interpretações e de uma história que tem tanto de interessante e cativadora como de repulsa e distanciamento por parte dos espectadores.
7 / 10
quinta-feira, 29 de abril de 2010
My Best Friend's Girl (2008)

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A Namorada do meu Melhor Amigo de Howard Deutch com as interpretações de Kate Hudson e Dane Cook nos principais desempenhos e secundados com as interpretações de Jason Biggs e Alex Baldwin é uma - mais uma - das inúmeras comédias românticas em que a Hudson se começa a "especializar".
Quando Dustin (Biggs) decide conquistar Alexis (Hudson) com a ajuda de Tank (Cook), provando-lhe que a maioria dos homens só procuram sexo descartável, dificilmente poderia imaginar que o feitiço se viraria contra o feiticeiro e que presa e predador se poderiam apaixonar. Poderá então o maior marialva ter um coração sentimental?
Ainda que um agradável surpresa por conter elementos de uma comédia sarcástica que habilmente escapam ao género, o argumento de My Best Friend's Girl é em muito semelhante a tantos outros deste estilo das comédias românticas permanecendo no reino das tradicionais histórias de amores impossíveis que afinal se cumprem.
"Tank", naquele que é um brilhante Dane Cook, é um tipo contratado para se armar em desprezível a todas as mulheres com quem se cruza, criando assim hipóteses aos seus namorados de se tornarem irresistíveis aos seus olhos. A relação despreocupada que leva para com a vida é apenas abalada quando decide favor um favor ao seu melhor amigo e, contrariamente ao desejado, se apaixona pela mulher que este quer impressionar. Por entre as peripécias que se podem imaginar e amizades que são testadas, o melhor que é retirado desta comédia ligeira são os diversos momentos em que "Tank" entra em acção provocando o pânico por todos aqueles com quem se cruza fazendo crer que o amor não é para si mas, ao mesmo tempo, demonstrando cada vez mais que afinal existe um insuspeito coração que pretende ser preenchido.
As confusões que daqui provêm são, como será de imaginar e esperar, imensas. Todos os lugares comuns acabam por fazer parte desta comédia mas tornados irrelevantes pelo bom ritmo dado aos acontecimentos e à forma como todas as personagens aqui representadas parecem ser, de uma ou outra forma, disfuncionais no que à vida - e ao amor - diz respeito e afastando qualquer dinâmica lamecha do percurso. Afinal, conheceremos nós alguém assim tão "fora" da realidade?
No seio da uma gritante irracionalidade reinam ainda as interpretações de Alec Baldwin como o mentor da disfuncionalidade de "Tank" e Zooey Deschanel como a amiga alucinada de "Alex" e todos os secundários que dão uma cor especial a uma comédia que não sendo excelente prima por bons momentos de boa disposição e que fazem Kate Hudson descolar-se da imagem de "namoradinha" da América desesperadamente à espera de ser arrebatada (ainda que o seja e esteja).
No seio da uma gritante irracionalidade reinam ainda as interpretações de Alec Baldwin como o mentor da disfuncionalidade de "Tank" e Zooey Deschanel como a amiga alucinada de "Alex" e todos os secundários que dão uma cor especial a uma comédia que não sendo excelente prima por bons momentos de boa disposição e que fazem Kate Hudson descolar-se da imagem de "namoradinha" da América desesperadamente à espera de ser arrebatada (ainda que o seja e esteja).
Temos então uma comédia mordaz e bem-disposta que foge radicalmente ao estereótipo da tradicional comédia romântica onde todos "vivem felizes para sempre", e apesar de se inserir perfeitamente nesta categoria, não deixa de piscar o olho a um lado mais perverso da condição humana enquanto ser apaixonado à procura do seu par.
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6 / 10
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
Globos de Ouro SIC/Caras 2010: Revelação
Anunciados que foram os nomeados nas diversas categorias aos Globos de Ouro 2010, chegou a altura também de deixar aqui referências aos respectivos nomeados nas três (ainda só três) categorias de cinema, bem como nesta nova categoria Revelação que nomeia as descobertas do passado ano em diversas categorias.Apesar do blog ser dedicado ao cinema em casos pontuais abro excepção, tal como esta, quando se refere à nomeação daqueles que contribuem não só para cinema mas também televisão e teatro.
Assim sendo, aqui fica os nomeados nesta categoria que se inaugura este ano:
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Tuno Negro (2001)
Serenata de Morte de Pedro L. Barbero e Vicente J. Martín que foi nomeado para o prémio de melhor filme no Fantasporto, conta-nos uma lenda adaptada aos dias de hoje. A história resume-se a um vingador que decide eliminar os piores alunos de uma universidade como forma a proteger o ensino apenas para os melhores e para os mais aplicados.Depois de um conjunto sem fim de mortes de todas as formas e feitios, umas mais elaboradas outras nem tanto, aquilo que por aqui vamos tendo é uma versão espanhola do filme Gritos que, à excepção da diferença de serem assassinados os piores alunos, de resto é em tudo igual ao filme americano.
Temos umas quantas cenas de sexo para animar um filme praticamente morto (ironia) um pouco mais "selvagem" em raras ocasiões e resto mais do mesmo. A loira de serviço, os estudantes excitados, muito alcoól, droga e só fica a faltar o rock'n roll.
Não é inovador em nada, pega no universo cibernético ao de leve como forma de poder haver uma interacção inicial entre vítima e agressor, e de resto temos apenas um banho de sangue do início ao final com a surpresa, ou talvez não, quando descobrimos a verdadeiro identidade do assassino.
As interpretações, se bem que medianas, destacam a participação de actores que são pesos pesados do cinema espanhol tais como Maribel Verdú, Fele Martínez, Jorge Sanz ou Eusebio Poncela.
É de uma forma geral um filme que distrai e até se consegue ver bem mas, como é óbvio, não podemos esperar encontrar aqui nada de novo que nos deixe agradavelmente surpreendidos.
4 / 10
terça-feira, 27 de abril de 2010
Underclassman (2005)
Desclassificado de Marcos Siega que conta com a participação de Nick Cannon e Cheech Marin num papel secundário, é mais um daqueles filmes pipoca de sábado à tarde.Um polícia falhado (Cannon) em quem poucos confiam e menos ainda lhe dão crédito vê-se envolvido numa operação policial disfarçado de estudante de liceu para descobrir quem anda a fazer tantos assaltos a viaturas de luxo.
Trapalhadas em cima de trapalhadas com inúmeras de piadolas abimbalhadas e mais que estereotipadas que todos nós já ouvimos em dezenas e dezenas de filme de comédia barata é, de forma muito resumida, tudo aquilo em que este filme se baseia.
Não há aqui elemento nenhum novo, e se pensarmos um bocadinho só no início da trama liceal, acabamos rapidamente por perceber e descobrir quem é o culpado de tanto problema. O mesmo será dizer que este filme não foge à regra e é claro está previsível o suficiente para sabermos sempre como irá eventualmente acabar.
Bem disposto e responsável por alguns tímidos sorrisos é um filme de entretenimento no seu melhor sem conseguir ser um bom filme de comédia. Resume-se a piadas conhecidas e não a mostrar algo de inovador e criativo.
4 / 10
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Respiro (2002)
Respiro de Emanuele Crialese tem a brilhante Valeria Golino como a sua actriz principal secundado por muitos outros de onde se destaca a breve participação daquele que é hoje um dos novos talentos do cinema italiano Elio Germano.Este filme centra-se na vida de Grazia (Golino) que é um verdadeiro espírito livre preso em Lampedusa, uma pequena ilha do Mediterrâneo, onde os costumes e as tradições quase mandam que as pessoas, especialmente as mulheres, sejam invisíveis.
Todo o percurso do filme, das suas personagens e principalmente a de Grazie transpiram sentimentos. No caso de Pietro (Vincenzo Amato), o marido de Grazia, temos principalmente a quase obrigação de reprimir qualquer tipo de manifestação de sentimentos. Seja de amor ou carinho, a sua "obrigação" como homem é a de não manifestar preocupação além daquela definida para manter a sua imagem na comunidade. O homem como o chefe da família e a quem todos obedecem.
Quanto aos seus filhos, o mais novo segue já vincadamente a mesma postura do seu pai, o mais velho sente o peso da responsabilidade, enquanto que a filha sente a vontade da descoberta.
Por seu lado Grazia transpira a vontade de respirar, que dá nome ao próprio filme. Respirar a liberdade, a vontade de ser independente e de viver a vida a que se sente destinada. Temos como manifestações disto a sua vontade de sentir o ar e o cheiro vindos do mar que a poderiam transportar para outras paragens ou até mesmo os passeios que dá de motorizada pela vila e sentir o vento a bater no seu rosto. Liberdade dos rituais que se vão banalizando e que a enclausuram cada vez mais na submissão da sua casa.
Esta mesma liberdade é prontamente eliminada numa sequência breve após a libertação dos cães do matadouro. Por breves momentos livres... e rapidamente eliminados na sua passagem pela vila. Este sim, é o momento principal de que nem tudo deve, segundo alguns, ter direito à liberdade, e é também talvez o mais forte momento de todo o filme em que, ao nada se ver, torna tudo ainda mais angustiante.
Com um forte trabalho de fotografia da autoria de Fabio Zamarion que capta na perfeição as cores do Mediterrâneo e da respectiva vila e uma inspirada banda-sonora de Andrea Guerra e John Surman que cria este ambiente que circula entre liberdade e opressão, Emanuele Crialese conseguiu dirigir um magnífico filme não sobre a opressão mas sobre a vontade inerente a cada um de ser livre.
7 / 10
domingo, 25 de abril de 2010
Julgamento (2007)
Julgamento de Leonel Vieira é um muito bem conseguido filme que conta com muito boas interpretações por parte de alguns actores portugueses nomeadamente Júlio César, Henrique Viana, José Eduardo, Alexandra Lencastre, Fernanda Serrano e Carlos Santos.Em período pré 25 de Abril de 1974, quatro amigos são detidos pela PIDE pelos quais são torturados sendo que um deles acaba por morrer. Trinta anos depois a filha de um deles (Serrano) defende em tribunal o torturador da PIDE (Santos) e é reconhecido pelos amigos que ficaram com inúmeros problemas desde essa altura César, Eduardo e Viana).
Sem nada revelarem à advogada, os três combinam com raptar o PIDE que está agora sob outra identidade de forma a retirarem dele toda a verdade e o confrontarem com a filha do falecido (Lencastre).
Durante este rapto e consequente cativeiro tudo toma proporções mais dramáticas que claro não irei revelar mas confesso serem muito fortes e dinâmicas principalmente por parte das interpretações dos actores que como disse anteriormente são de facto muito boas.
Se o elenco no seu geral está muito coeso e forte, é no entanto imperativo destacar as interpretações de Carlos Santos e de José Eduardo. O primeiro, bom como sempre em todo e qualquer papel que interprete, consegue aqui por breves, muito breves, momentos instaurar a dúvida se será ele ou não o verdadeiro Mendes Oliveira que torturou o grupo de amigos mais de trinta anos antes. Chegamos a ter pena da sua personagem que pode afinal ser apenas uma vítima de um equívoco. Passados esses instantes, começamos a desconfiar.. as suas atitudes são cada vez mais sombrias e mostram pequenos indícios daquilo que ele poderá ser. Finalmente, quando se revela, aqui sim temos a verdadeira pessoa e o verdadeiro mal que encarna, e Carlos Santos entrega uma excelente e brutal interpretação como a verdadeira encarnação do próprio mal.
Com percurso igual temos Miguel, personagem interpretada pelo também fantástico José Eduardo, vencedor do Prémio GDA de Melhor Actor Secundário, que inicialmente nos entrega uma prestação contida de um homem vítima do seu passado e com problemas de afectividade emocional que vive um casamento desfeito e que com o desenrolar da acção utiliza o cativeiro do seu agressor para nele descarregar todos os recalcamentos que a sua tortura lhe causaram. Soberbo é a única palavra que tenho para descrever o trabalho deste actor que aqui em muito me surpreendeu.
No geral é um filme de boas interpretações que possuem um forte conteúdo e uma coesão extraordinária entre todos, mas estas duas são sem sombra de dúvida as mais centrais para toda a dinâmica dramática do filme. Dignas de, se Portugal tivesse uma Academia de Cinema que premiasse todos os seus profissionais, receberem prémios pelas suas fantásticas interpretações.
Um aplauso também para o trabalho de fotografia da autoria de José António Loureiro que torna os momentos de cativeiro do ex-PIDE em sequências verdadeiramente assombrosas e também para os cenários desérticos criados para criar toda a sequência desse mesmo cativeiro.
Destaque ainda para as participações secundárias de actores como André Gago, Manuel Marques e Simone de Oliveira que conseguem abrilhantar um pouco mais este que é na minha opinião um dos filmes maiores do cinema português dos últimos anos. Brilhantemente realizado e com interpretações superiores pelo conjunto de actores, é daqueles filmes que não se devem perder.
Destaque ainda para as participações secundárias de actores como André Gago, Manuel Marques e Simone de Oliveira que conseguem abrilhantar um pouco mais este que é na minha opinião um dos filmes maiores do cinema português dos últimos anos. Brilhantemente realizado e com interpretações superiores pelo conjunto de actores, é daqueles filmes que não se devem perder.
8 / 10
sábado, 24 de abril de 2010
Glitch (2008)
Sinais da Mente de Randy Daudlin que no seu título original é Static ou Glitch (curioso) é um daqueles maravilhosos filmes de sexta à noite na TVI, esta que teve a particularidade de após o intervalo da primeira para a segunda parte nem sequer se dar ao trabalho de passar a continuação do filme passando directamente para as televendas (ponto alto da programação do canal).Piadola à parte... Três inventores/investidores num novo chip que ao ser instalado no cérebro humano permite ser um telefone sem a existência do dito revolucionando assim os meios de comunicação como os conhecemos. No entanto nem tudo é assim tão simples e claro, o chip tem um vírus...
Dito isto o que sobra dizer? Pobreza! Pobreza de história, de interpretações, essas sim de bradar aos céus e esperar que o chip as interrompe-se a qualquer momento, pobreza de efeitos e também de banda-sonora , de cenários e de tudo o resto que se possa sequer imaginar.
Nada, absolutamente nada neste filme é digno de um registo positivo além de claro, de tão mau ser acabar por se tornar num bom método de passar do tempo mais que não fosse por observarmos a quantidade de ridicularidades que por ali se passam. E é tudo!
Abençoada TVI que resolve passar estas pérolas cinematográficas. Mas peço... Deixem o filme passar na sua totalidade. Por muito mau que seja não é necessário cortá-lo a meio como se fossem existir as cenas dos próximos capítulos!
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1 / 10
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mais um prémio...
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Bailey's Billion$ (2005)
Bailey, Um Cão que vale Milhões de David Devine é, fora as ocasionais graçolas que consegue produzir, um daqueles filmes que percebemos muito cedo não deveriam ter visto a luz do dia.Projectos há, e nem questiono quantos deverão ser, que nunca chegam a ser feitos por serem ambiciosos ou conterem ideias novas e outros há, tal como este, que são feitos e não chegamos bem a perceber o porquê.
Uma velhota milionária morre e deixa toda a sua fortuna ao seu cão. Este, pasme-se, fala com um homem que, pasme-se mais, o entende e dá-lhe resposta. Os sobrinhos da velhota são uns agiotas e calculistas que esquema atrás de esquema lá vão sacando dinheiro a toda a gente. Para eles trabalha uma activista pelos direitos dos animais que tem alguns problemas com a justiça para poder manter a sua filha, e atrás desta há um detective mais tanso que sabe-se lá o quê mas sempre pronto para tramá-la a qualquer momento.
Interpretações exageradas no caso de Jennifer Tilly e de Tim Curry que de tão absurdas serem damos por nós a pensar o quão mau é o estado de alguns actores para chegarem ao ponto de fazerem comédias que mais vale ter pena delas do que propriamente achar-lhes graça. Quanto aos outros... medíocres medíocres... nada que valha a pena registar... fazem o trabalho deles e já está... Ponto picado!
Exceptuando a mensagem pelos direitos dos animais, que mesmo assim passa mais ao lado devido às inúmeras situações absurdas, este filme pouco, mas mesmo muito pouco conteúdo consegue ter vivendo apenas dos breves momentos em que consegue criar uma ou outro graçola. E já está... Mais um filme para animar a malta que, na sua generalidade, serão ainda crianças que não vão perceber daqui a uns anos que o estiveram a ver.
1 / 10
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Little Man (2006)

O Minorca de Keenen Ivory Wayans é quase um filme familiar na medida em que conta com a participação de Marlon e Shawn Wayans irmãos do realizador nos principais papéis.
Filme de comédia, com estes actores não se poderia esperar outra coisa, que consiste em dois ladrões, sendo um deles anão, que roubam um enorme diamante. A única forma de escaparem é esconderem-no na mala de outra pessoa e depois o anão passar-se por bébé abandonado à porta do casal que tem o diamante sem saber e claro, tentar recuperá-lo.
Arrisco-me a utilizar o termo "brejeiro" para este filme mas de facto outra coisa não me ocorre para caracterizá-lo. Piadas picantes a roçar o ordinário por onde passam os trocadilhos fálicos e rectais que são apenas aguçados pelas próprias interpretações também elas do mais rasca (no bom sentido da palavra) que tornam tudo num bom momento de comédia para passar o tempo.
No entanto, é impossível passar por este filme e não destacar a interpretação de Marlon Wayans como francamente brilhante pelo seu potencial cómico ao longo de todo o filme sem que, no seu todo, não utilize muitas palavras.
O filme não é, nem tenta ser aliás, uma peça de primeira linha do género e é por isso mesmo que se sai tão bem no seu propósito: o de entreter e de distrair. Pelo caminho ainda toma o seu tempo para pensar uma mensagem de amizade e dedicação mas de uma forma ligeira e bem disposta.
Ninguém por estas bandas se leva a sério ou sequer pensa demasiado no seu contributo artístico, e é por isso mesmo que este filme se torna numa peça agradável e bem conseguida.
De todos os momentos é impossível não pensar naqueles em que os "pais adoptivos" tentam tirar a temperatura ao filho e também quando o dito casal tenta passar uma noite mais digamos... animada.
6 / 10
terça-feira, 20 de abril de 2010
[REC] 2 (2009)
[REC] 2 de Jaume Balagueró e Paco Plaza é a continuação do filme de terror espanhol [REC], e por mim muito aguardado.Não vou adiantar muito sobre o argumento do filme pois para os fãs não se pode estragar a história ao irem vê-lo já a conhecer o que se vai passar de antemão. Como tal, vou limitar-me sobre esta, dizendo apenas que a acção decorre algumas horas depois de onde o primeiro filme terminou onde alguns membros da polícia de intervenção vão entrar no tão medonho prédio para saber o que por lá se passou. Assim, a juntar às personagens que todos nós já conhecemos temos este novo grupo... e uns quantos mais que não irei revelar.
Posso ainda adiantar que uma parte substancial do filme decorre no apartamento da Menina de Medeiros... Possivelmente alguns dos segmentos mais assustadores do filme. Sim... Continua com a energia para esses momentos ainda bem vivos, como tal garanto que se esperam mais alguns saltos na cadeira onde se está sentado. Cardíacos... vão ver também!!!
Apesar de ser de uma forma geral um filme mais brando que o primeiro, não por ter qualidade menor mas por o efeito surpresa/susto estar mais diminuto considerando que já sabemos ao que vamos, este [REC]2 continua a ser um bom teste para os nervos (ou falta deles) de cada um, e acreditem quando digo que durante os 90 minutos de filme eles são sim muitas vezes testados.
Aspectos positivos que o filme tem? São todos! Continua com um brilhante trabalho de caracterização dos actores da autoria de Imma P. Sotillo e Lucía Salanueva que em conjunto com o magnífico e sombrio trabalho de fotografia da autoria de Pablo Rosso cria um ambiente não só medonho como claustrofóbico de onde pensamos não conseguir sair de forma alguma.
É também interessante ver o regresso da Angela Vidal (Manuela Velasco) e o quão surpreendente está o seu trabalho neste filme. Não vou revelar como, pois tem MESMO de ser visto para poder ficar tão surpreso como eu fiquei.
Algo de negativo neste filme? Não, nada! Quando o filme termina ficamos "apenas" à espera que chegue o terceiro título para perceber onde é que vamos parar depois de tanto terror!
Já o disse uma vez e volto a afirmar, para bom cinema de terror temos aqui o exemplo perfeito dos nuestros hermanos, e para o melhor do melhor... temos a dupla Balagueró e Plaza.
8 / 10
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Perdida Mente premiado
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