Tendo esta premissa como base o que é que o espectador tem? Nada mais nada menos do que aquilo que poderia ser um interesse momento publicitário a um qualquer sabonete de marca mais ou menos reconhecida tendo como base os diversos momentos em que a protagonista se passeia por cenários ora interessantes ora exploratórios da emoção que pretende transmitir mas que, na realidade, pouco avançam para uma qualquer dinâmica ficcional onde exista de facto uma história e desenvolvimento de personagem que possa interessar, ou pelo menos despertar a curiosidade, ao espectador. Água, árvores, cenários naturais... e pouco mais. Uma deriva de ego excessivo enquanto existe um qualquer momento de eco-sexualidade que não só se torna desnecessário como até é, por momentos, francamente desconfortável e inoportuno. Filme, na sua verdadeira concepção enquanto tal... não o vemos. E em abono da verdade... depois do que temos... nem queremos ver.
terça-feira, 8 de abril de 2025
Dentro (2024)
Tendo esta premissa como base o que é que o espectador tem? Nada mais nada menos do que aquilo que poderia ser um interesse momento publicitário a um qualquer sabonete de marca mais ou menos reconhecida tendo como base os diversos momentos em que a protagonista se passeia por cenários ora interessantes ora exploratórios da emoção que pretende transmitir mas que, na realidade, pouco avançam para uma qualquer dinâmica ficcional onde exista de facto uma história e desenvolvimento de personagem que possa interessar, ou pelo menos despertar a curiosidade, ao espectador. Água, árvores, cenários naturais... e pouco mais. Uma deriva de ego excessivo enquanto existe um qualquer momento de eco-sexualidade que não só se torna desnecessário como até é, por momentos, francamente desconfortável e inoportuno. Filme, na sua verdadeira concepção enquanto tal... não o vemos. E em abono da verdade... depois do que temos... nem queremos ver.
sábado, 11 de maio de 2024
O Dia em que os Porcos Voaram (2023)
Numa escola, as crianças desenham. Enquanto todas desenham em tons de cinzento uma delas destaca-se por desenhar com criatividade e cor. Num universo uniformizado e onde tudo parece igual... poderá a imaginação vencer?
Nesse dito universo sem cor e imaginação onde todas as crianças aparentam ser "criadas" para um objectivo comum e igualitário sem qualquer poder de decisão sobre aquilo que podem (ou têm direito) a criar, o que acontece quando uma delas se deixa envolver pelo poder da sua criatividade e dar corpo à sua imaginação que, compreende, não ter limites? O que acontece quando um, entre tantos, se destaca pela capacidade de apresentar uma nova e diferente perspectiva daquela que está institucionalizada (pela professora) deixando que, todos os demais, entrem num choque (ou medo?) pela possibilidade de se dar origem a uma revolução que ninguém conseguirá controlar?
Lentamente a mudança (pela desobediência) instala-se. Aquilo que é visível apenas para um ganha corpo para todos os demais que, involuntariamente, começam a observar um mundo sem limites - como o deve ser para todas as crianças -, com cor, sem fronteiras, sem limites e cheio de oportunidades conferindo-lhes aquilo que até então ainda não tinham experienciado... a possibilidade de imaginar, de criar e finalmente de sentir.
Metafórico pela recriação de um ideal de liberdade na forma de um "porco voador" (afinal, quanta é a força que a imaginação pode ter para conferir a qualquer um de nós a possibilidade de criar), O Dia em que os Porcos Voaram consegue, através dessa imaginação e criatividade, um mundo sem limites, sem fronteiras e sem obstáculos que apenas podem ser criados por um pensamento enclausurado e desconhecedor de todo o seu potencial... que não tem limites.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Do Outro Lado do Mundo (2008)

Depois de anos de espera pela estreia desta longa-metragem de Leandro Ferreira, eis que finalmente a RTP presenteou o espectador com a sua estreia. Com um argumento de Luís Mário Lopes brevemente inspirado nos acontecimentos decorridos no norte de Portugal no início do século, este Do Outro Lado do Mundo tem por base uma pequena comunidade do país assolado - forte palavra para os desvios matrimoniais de alguns casais da região - por casamentos interrompidos, personagens supostamente exóticas que vêm apimentar a pacatez da cidade e despertar, ao mesmo tempo, algumas paixões ardentemente adormecidas das mais insuspeitas personagens.
É este Portugal "pequenino" perdido no interior que é aqui essencialmente explorado. Não necessariamente as dificuldades de uma vida num local isolado e distante mas sim as transformações de personalidade daqueles que nele habitam. O que acontece a estas pessoas que diariamente vêem os mesmos rostos, as mesmas histórias e os mesmos hábitos sem que, de dia para dia, nada se altere ou transforme? Mais, o que acontece quando algo ou alguém de "diferente" chega à cidade e abala uma das suas mais sagradas instituições como o é a familiar? Conseguirá a família resistir à tentação da carne? E o que acontece à ordem social quando esta sagrada instituição é abalada? O que existe para lá da família que ocupa um lugar superior na pirâmide social quando a mesma parece acabar destruída por essa agora nova tentação que surge?
Não é desconhecido para ninguém que é no mais insuspeito dos locais que se esconde a dita tentação. Tentação essa que não só coloca à prova o mais respeitado dos elementos da sociedade - como o é aqui o "Lourenço" de Paulo Pires - mas, sobretudo, tudo aquilo que o mesmo representa. Polícia, filho de polícia, com uma família tida como um pilar da comunidade e que de repente se vê ameaçado na sua estabilidade e envolvido nos meandros mais sinistros da mesma que, apesar de todos saberem que existem, ninguém lá se quer envolver. Para "Lourenço" existe a possibilidade do "sonho" como o mesmo revela quando diz que voltou a fazê-lo depois de conhecer "Ana". Mas, tal como o sonho, esta sua nova vida não passa de uma ilusão que termina quando a manhã chega. Nada aqui é, de certa forma, real. Todo o prazer, todo o sonho, todo o desejo e todas as experiências são fruto do momento. De um momento. Um momento que termina mais rápido do que havia começado e a única certeza que existe são as vidas destruídas que lentamente tentam - se é que conseguem - recuperar de uma realidade que não existira.
Ao mesmo tempo descobrimos pequenas grandes realidades escondidas por detrás destas vidas supostamente exemplares. Conhecemos um padrão de violência não apenas explícita pelas vidas marginais que o bar de alterne nos revela em personagens como, por exemplo, o "Ricky" de Ivo Canelas, mas também no passado de "Lourenço" quando é dado a perceber ao espectador que por detrás do rosto da lei espelhado em si e no seu pai - breve mas potente interpretação de José Eduardo -, também ele polícia, existe um rosto abusador que o intimidava e à sua mãe. A violência, ainda que mais latente na suposta vida de boémia que as novas realidades sociais trouxeram para a cidade, existe escondida e imperturbada nos rostos anónimos forçados a mentir sobre uma suposta harmonia social que todos sentem. Os novos rostos que habitam estes bares de alterne não trouxeram realmente a violência. Pelo contrário. A violência sempre existiu... está é, agora, a ser revelada e vivida às claras.
A dinâmica entre Pires e Llorens é sentida desde o primeiro instante recriando não uma relação afectiva mas uma dependência agonizante que, percebemos, não poderá trazer nada de bom para nenhum deles para lá da compreensão de que ambos são dois marginais numa vida que não os engana (apesar de o tentarem disfarçar). Ambos sabem estar condenados a uma realidade para a qual - ou na qual - nasceram e, independentemente de se conformarem com ela, será apenas e só aquilo que sempre irão poder ter. Tudo o demais será oportunamente arruinado por acções próprias ou suas derivações.
Secundados pelos já mencionados José Eduardo e Ivo Canelas num pouco vulgar desempenho enquanto um vilão que pouco se preocupa por onde passa ou com o que destrói, há ainda que destacar Anabela Teixeira como a mulher saturada de uma vida que não pretende ou Tomás Alves como o jovem com sonhos grandes demais para o local em que se encontra e que silenciosamente compreende nunca poder cumprir, é o argumento de Luís Mário Lopes que se destaca peo retrato desse tantas vezes chamado "Portugal profundo" que tantas vidas por cumprir esconde. Vidas essas que os anos vêem passar e que, também um segredo desarmante, aprendem não a viver mas sim a desprezar tudo o que as rodeia. Não existe respeito, ou o seu mais pequeno vislumbre, para com aqueles com quem se cruzam. Existe, talvez, uma aceitação e união para com aqueles que compreendem poder viver nas mesmas dinâmicas que o tal "eu" sofrido mas ninguém quer, na realidade, estabelecer mais elos do que aqueles que são necessários para sobreviver e encarar mais um dia. No fundo, todos acabam por ser detentores de vidas marginais que disfarçam com uma capa para que a sociedade os veja e "aceite" enquanto seus ilustres membros.
E é este mesmo argumento que tem todo um potencial por explorar que, no entanto, se deixa levar sem nunca aparentar querer consolidar-se como "a tal" história sobre vidas marginais versus vidas socialmente aceites onde ambas se disfarçam esperando que ninguém alguma vez perceba o que realmente são. Todos, sem excepção, pretendem um pouco mais para as suas vidas... uma redenção, uma saída do local em que se encontram, a concretização de um sonho, a esperança de uma vida melhor, um amor, um passado resolvido ou um futuro esperado... No entanto, nenhum parece alcançar esse momento chegando o espectador a equacionar que existe uma redenção ou aceitação de que aquilo que têm é o que foi possível alguma vez alcançar. Existe esta consciência mas, ainda assim, permanece a dúvida se foi essa vida que o argumento quis dar a estas personagens ou se foi o próprio espectador que desejou que as mesmas pudessem fazer-se cumprir sob outras realidades. É esta possibilidade de um duplo caminho que fragiliza um pouco esta longa-metragem conferindo-lhe aquela velha máxima de que poderia ter sido e que se calhar ficar por dizer...
Um bravo à RTP por finalmente ter dado luz e alguma vida a Do Outro Lado do Mundo que, no entanto, deveria ter tido a merecida estreia em sala e não limitar-se a um horário nem sempre nobre para o cinema português e um outro bravo a Paulo Pires que uma vez mais se revela como um protagonista que o nosso cinema - e público - querem ver mais.
sábado, 11 de julho de 2020
Dernier Acte (2019)

Repleto de humor e algum sarcasmo, esta é a "confirmação" de que por vezes se consegue sobreviver num território que não é o seu ou, pelo menos, que existe a possibilidade de adaptar todo um conjunto de regras e normas previamente conhecidas para que uma inesperada nova realidade ocorra e os locais ditos "normais" de cada um sejam agora... outros domínios. Quando as interacções entre improváveis novos "amigos" se firmam e todo um novo universo se estabeleça como a realidade de alguns... desmistificam-se lugares, papéis "sociais" e até mesmo personalidades que, afinal, não eram tão intransigentes como inicialmente se queriam dar a conhecer.
Típica animação onde se invertem as realidades conhecidas pelas personagens que dela fazem parte, Dernier Acte é um divertido conto sobre sobrevivência firmada no engano e no engodo mas que confirma sempre a vitória do mais preparado... o selvagem. Um selvagem resistente e que tantas vezes demonstra qualidades mais humanas do que aqueles que o são. Divertida e capaz de captar bons momentos de comédia numa animação refinada, principalmente quando conhecemos a sua realidade enquanto obra académica, Dernier Acte permite ao espectador um conjunto de bons e bem dispostos momentos de humor na linha de uma animação mais tradicional que, em boa medida, fez parte da juventude de tantos de nós.

quinta-feira, 9 de julho de 2020
Direito à Memória (2019)


segunda-feira, 18 de maio de 2020
The Door at the Edge of Reality (2019)

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The Door at the Edge of Reality de Jacob Greer (EUA) é mais uma das curtas-metragens em exibição no Trapped Film Festival aqui num conto sobre um grupo de mulheres que praticam rituais online com o objectivo de abrir uma porta para outra dimensão.
Com um certo toque de poder feminino no seu âmago, The Door at the Edge of Reality tenta um terror gore pela mutilação do corpo masculino como dualidade entre homem e mulher conferindo-lhe, ao mesmo tempo, uma sentida dinâmica moderna ao selar um "pacto" com o tal "outro lado" com o apoio de milhares de fãs que se encontram nas redes sociais, esse veículo maior de informação destes nossos "novos" tempos.
Se esta curta-metragem explora o propósito do ritual como fim último para a já mencionada passagem para o outro lado desconhecido e onde o "eu" - neste caso feminino - poderá alcançar a supremacia face ao papel social que lhe foi forçado a aceitar na realidade tal como a conhecemos, não será despropositado também mencionar que tudo o que é feito pelas personagens desta curta-metragem continua a favorecer "um" sobre o "outro" na medida em que este último mais não é do que um sacrifício natural para um propósito que se quer fazer ver concluído. Por outras palavras, se existe uma necessidade extrema de expôr um qualquer género como um herdeiro não natural da vassalagem perante o outro, não é menos verdade que durante o ritual e consequente sacrifício os papéis são pouco harmoniosamente invertidos dando uma perpetuação a essa desigualdade social. Mais, é o mesmo ritual que faz denotar que a mudança da órbita social não invalida que o agora "sexo forte" marginalize os seus pares para, ela própria, manter o seu poder numa corrida do "poder pelo poder" e não por uma qualquer justiça social conferida pelo "outro lado".
Com uma vontade extrema de ter o banho de sangue pedido por qualquer filme de terror que se digne, este The Door at the Edge of Reality, acabam por ser estes escassos momentos que dão algum crédito a esta curta-metragem que promete muito este "terror" mas que, na realidade, tenta ser mais visual do que construir uma narrativa credível para confirmar as imagens que tão cuidadosamente tenta recriar. E se para estas a direcção de fotografia de Jon Chomiak contribui ao ponto de por momentos considerarmos estar num qualquer ambiente alucinante e fora de uma normalidade compreendida, há algo que fica a faltar na mesma principalmente no que a personagens protagonistas diz respeito. Sim, é uma realidade que temos uma protagonista e sim, também é verdade que esta dinamiza visualmente uma boa parte desta história mas, em igual medida, o espectador questiona-se sobre a veracidade da mesma porque para lá de compreender as suas motivações esta não parece preocupada em manter-se com sentido mas sim em "lá chegar" - ao tal outro lado - e obter "fãs" nas redes sociais desprovidas de um qualquer conteúdo que confirme as suas crenças (se é que existem).
Feito com alguma despreocupação técnica, narrativa e interpretativa, este The Door at the Edge of Reality assume-se tal como é... despreocupado... arbitrário... e pouco motivado... tem um princípio, um meio e um fim mas... fica-se por aí e consciente de tal.
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5 / 10
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Deathless (2020)

Deathless de Katie Carpenter e Jenna Canell (EUA) é uma das curtas-metragens que foi exibida no Trapped Film Festival e onde o espectador é transportado para tempos futuros após um evento impediu os humanos de morrer, de envelhecer ou de engravidar.
Agora, numa quinta distante daquilo que resta da civilização uma família vive na tranquilidade do campo até serem perturbados por três ladrões que procuram uma mercadoria muito especial.
Trinta anos depois do "Crash" que modificou a vida tal como todos a conheciam - desconhecem-se os motivos, o cataclismo ou o apocalipse tal como ele foi -, esta curta-metragem recupera o género onde o retomar a vida normal após o conflito é a palavra de ordem. Mas, a questão levanta-se quando nada é apresentado sobre o que existe para lá daquela pacatez que o campo parece proporcionar a um grupo de pessoas que tentam manter-se fora dos olhares mais curiosos construindo a sua vida tal como ela (lhes) parece "normal". Das imagens do caos e dos distúrbios às notícias da desordem e de um Estado sem lei, encontramos então uma paz podre que apenas existe quando ninguém sabe que estas almas perduram num espaço onde, possivelmente, têm algo mais a esconder do que aquilo que a vista desarmada apresenta.
Entre estes sobreviventes pacíficos e os guerrilheiros da estrada muito ao estilo de um Mad Max, Deathless é a nova entrega de um conjunto de filmes (neste casos curtos) que recupera o género que prolifera numa altura em que a própria existência do espectador - dentro e fora da sala de cinema - está num estranho impasse. Com um cenário idílico no seio de um mundo que se compreende apocalíptico, esta curta-metragem apresenta aquilo que, tragicamente, já conhecemos dos destinos da Humanidade... enquanto uns tentam recuperar a normalidade que conheceram de tempos que são, neste agora, distantes, outros rendem-se e entregam-se a uma vivência de marginalidade onde o dinheiro e os bens materiais ganham uma importância ainda maior do que nesse "antigo normal"... mas o que aconteceria se esses "bens" fossem agora as vidas humanas que, não sendo escassas, apresentam características muito próprias que as tornam "únicas"?
Na selva humana que é aqui tragicamente ilustrada por um "novo normal" onde as regras de civilização já há muito que desapareceram, Deathless é o reconto de tempos trágicos que, transformados pela mão do Homem, sucumbem pelas mesmas aproximando-se a cada dia da perdição e da total desumanização... E ainda que o cenário em que personagens e espectador se encontrem aparente querer mostrar um qualquer paraíso, rápido se compreende que mais não é do que uma vã miragem ou ilustração do mesmo. Não sendo uma novidade em termos de cenário ou de história e deixando em falta toda uma contextualização histórica sobre os acontecimentos que (n)os transportaram a este momento, esta curta-metragem consegue, ainda assim, manter uma construção técnica digna para o género cinematográfico em questão bem como manter uma coerência nos vilões e "heróis" (que não o são) revelando os dois lados de uma realidade que qualquer um de nós poderá observar independentemente dos tempos e dos dias que vive... ou viverá.
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7 / 10
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Devoted Dead (2017)
Num acto de liberdade crítica poderia facilmente estabelecer uma próxima ligação deste filme curto à obra Anna and the Apocalipse (2017), de John McPhail distanciando-os, ao mesmo tempo, não só pela qualidade do humor, de tempo e de interpretações mais amadora que aqui poderemos encontrar mas também pela falta de originalidade com que esta obra chega para o espectador mais atento que seguiu a obra escocesa de há três anos.
Tudo indica que estamos quase perante um "estudo" ou ensaio para aquilo que viria a ser esse Apocalipse de McPhail e, não fossem dois distintos realizadores que dão luz às suas respectivas obras, poderíamos considerar este Devoted Dead como a obra de preparação para a longa. Não se distanciam na sua componente musical, nem tão pouco na percepção do apocalipse "lá fora" quando ambos os protagonistas percorrem as ruas da cidade que caem às mãos do terror zombie sem que nenhum tenha a devida compreensão desse novo mundo que os espera. Distanciam-se pela execução dos momentos, perante a capacidade de transformar esta obra num filme-divertimento que se assume mais perante aqueles que o construíram - e cujo amor à obra está longe de ser questionado - e não tanto para o seu público e que, para lá da dedicação... tudo o demais ficou a dever (muito) àquilo que se poderia esperar de inovação ou de qualidade deixando esta curta-metragem praticamente... morta.
Entretém o seu público por breves momentos deixando compreender que existiu vontade de construir uma obra de género mas, para lá da boa vontade, ficou todo um filme que poderia ter sido um pouco... "mais".

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
Da Capo (2019)

Com a vontade de que algum mistério una as mãos a um conto histórico e romântico, o realizador dá cor a um relato sobre o poder do amor. Um amor que poderá até nem ser assumido face aos tempos passados que não reconheciam todas as diferentes cores do mesmo mas que devido à sua força e determinação encontra lugar no mundo mesmo anos passados onde os intervenientes - ainda que com a mesma forma - são os receptáculos daquilo que perdurou.
Parca em diálogos mas intuitiva pela forma como expõe os gestos e a forma como estes reflectem um sentimento intemporal, esta curta-metragem urge por uma maior definição do seu argumento que expunha para lá do óbvio as motivações e os (des)encontros dos dois protagonistas transformando-a, assim, numa eventual história de amor - mesmo que não cumprido - entre duas pessoas deslocadas do seu tempo e do seu espaço.
Os dois momentos temporais em que a acção se desenrola, ainda que compactados ao essencial para que a narrativa funcione, revelam a necessidade de uma maior profundidade do espaço e das personagens com o mesmo, podendo dessa forma evoluir para um filme memorável do género e não aquele conjunto de lugares eventualmente comuns que encontramos neste tipo de histórias. Se pensarmos como só a vertente da viagem temporal poderia transformar toda esta história num relato fascinante e emocionante aqui perdido - obviamente pela limitação de tempo de uma curta-metragem -, conseguiria o espectador compreender que estamos perante muito mais que não se chegou a cumprir. Interessante do ponto de vista do seu argumento, a Da Capo falta uma maior precisão técnica que possibilite, ao mesmo tempo, uma maior exploração dos meandros sentimentais das duas personagens que se perdem no tempo.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2019
Dos Veintitrés (2018)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019
D is for Demon (2019)


terça-feira, 27 de novembro de 2018
Os Dois Irmãos (2018)


sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Diane a les Épaules (2017)


quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Disobedience (2017)

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"Rav: (...) what is this thing? Man? Woman? It is a being with the power to disobey."
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sexta-feira, 20 de julho de 2018
The Damned (2017)

Cavender que também escreveu o argumento desta curta-metragem consegue criar uma história que prende o espectador não pela bizarra realidade que estas personagens apresentam como sendo a sua "vida", mas sim pela suspeita do que poderá vir a acontecer com os mesmos quando, deduzimos nós, ousarem ultrapassar aquela aparente fronteira que ali lhes é colocada. O muro, ainda que visualmente ausente de boa parte da dinâmica, ganha contornos de uma silenciosa personagem que parece assombrar a realidade destas "vidas", e que apenas se assume como tal de uma forma lenta à medida que as diferentes dinâmicas parecem ganhar contornos dando corpo às realidades de cada um dos intervenientes que tentam encontrar o seu lugar neste espaço incolor e distante.
Os conflitos e a solidão parecem ocupar cada uma destas personagens. Ora aqueles que tentam começar uma vida nova optando por adquirir um "quarto novo" para a sua casa... naquele que o vende cujo único propósito parece ser conquistar mais rendimento para poder fazer uma viagem turística para o mundo para lá daquele muro... na família disfuncional cuja realidade parece apenas ser sobreviver ao instante seguinte não se preocupando com o que está porvir... ou até mesmo no par solitário que tenta encontrar um qualquer propósito comum e estabelecer uma dinâmica em conjunto para esquecer o pouco que os dias lhes parecem trazer. Nesta medida, até mesmo os propósitos diários são escassos. Compreendemos que poucos, se é que alguns, têm propósitos maiores nas suas realidades e tudo é, compreensível desde o primeiro instante, ausente, distante e sem pequenos elementos de uma realidade à qual qualquer um de nós está habituado. O jantar do par solitário assim o revela quando se deliciam com uma refeição de cenouras das quais já não conheciam o sabor. Ou até mesmo na vida de uma família desfeita onde a jovem filha se assume como o elemento rebelde prestes a perturbar não só a sua vida familiar como aquela desta sociedade que compreendemos "ordeira" e "disciplinada" não por convicção mas sim em prol de uma qualquer ordem que é incompreensível até aos últimos instantes. E é quando o espectador finalmente compreende o que os rodeia, que os enclausura e que domina as suas realidades que se equaciona o fim como a inevitabilidade mais realista que os amedronta. E nesse momento tudo ganha uma explicação deixando o argumento, no entanto, um vazio sobre os porquês desta população ali ter chegado. O que os forçou? Uma crise? Um fim? Uma tentativa de novo começo? Estarão eles na base de uma sociedade estratificada e que apenas lhes confere aquele espaço para viver? Existirá outro mundo para lá daquilo que os contornos daquele muro lhes permitem ver?
Sendo este argumento o ponto forte desta curta-metragem, imediatamente equiparado com a direcção de fotografia que confere um ambiente especial e quase desumanizado ao espaço e às suas personagens, são estas que, no entanto, se afirmam como o elemento mais frágil deste filme curto na medida em que pouca é a exploração das personagens que quase se limitam a um debitar de frases feitas que nos dão - aos espectadores - noções básicas do seu descontentamento ou revolta interior para com o que os rodeia e para com aqueles com quem vivem. Existe pouco nestas personagens e todas elas poderiam ter apresentado muito mais dinamizando a história, o próprio argumento e o ambiente que se esperaria ainda mais negro se equacionarmos que no final compreendemos as suas realidades e o porquê dos medos que aparentam revelar. Ainda assim, e sobretudo pelo potencial exibido nesta história que nos apresenta a realidade destes "amaldiçoados" sem nunca pretender justificar os porquês e os seus passados, The Damned revela-se como uma história que confere ao sentido de fim (ou fim do mundo?) uma nova e interessante perspectiva não esquecendo nunca exibir o ideal de "sonho" que algumas destas personagens insistem em não perder.
quarta-feira, 27 de junho de 2018
Dead Zone (2013)

Inúmeros são os filmes - curtos e não só - que se dedicam a este imaginário de fim-do-mundo ou de mundo pós destruição. Muitas são também as boas vontades e o gosto que o género exerce sobre não só fãs do mesmo como naqueles que desejam começar a sua carreira cinematográfica com estas histórias capazes de fazer despertar no espectador um gostinho pelo "como seria?" inerente a estes contos. No entanto, e ainda que reinem as boas intenções naqueles que as constroem com toda a sua dedicação, nem sempre o resultado final é ou o esperado ou o melhor.
Sem qualquer condescendência para com o trabalho de Brian Binder e de toda a sua equipa envolvida na construção deste filme curto, a realidade é que aquilo que aqui é apresentado já foi filmado, visto e revisto vezes sem conta e com mais criatividade ou primor na sua execução. A história... não é desconhecida.
Num mundo do qual poucas referências obtemos, apenas um sobrevivente e alguns tipos que o perseguem (pensamos), com o fim último de o exterminar. Afinal, o que existirá para lá daqueles morros e marcos de "segurança" que foram, em tempos, apresentados ao nosso protagonista como o último reduto de uma qualquer salvação pela qual espera? Deambulando por uma espaço desconhecido e com o propósito de encontrar uma companhia que perdera - o seu cão - e que escuta constantemente - delírio ou não nunca saberemos -, o actor principal desta curta-metragem, ainda que convincente dentro do género, necessitava de um aprofundamento do seu carácter e estado de espírito que aqui se resume ao já conhecido em tantos outros filmes do género... Tudo se resume ao "até que ponto aguenta alguém num mundo que aparenta estar deserto"... Até que ponto resiste a mente humana a uma solidão da qual parece não escapar?
Com uma maior e melhor coordenação não só do argumento como dos actores dos quais poderia ter sido explorado mais das suas motivações ou do seu ânimo - que aqui se resume a breves momentos em que a expressão facial tudo revela -, Dead Zone poderia ter surgido ao espectador como uma curta-metragem melhor conseguida e que deixasse mais mistério, suspense ou até mesmo incerteza sobre o que existe para lá daqueles montes e até que ponto existiria a própria Humanidade se o último habitante "limpo" perdesse o controlo sobre as suas emoções ou livre pensamento. Interessante pela abordagem, pela clara vontade em contar uma boa história e pelo prenúncio de interpretações que tinham mais sumo para ser espremido, Dead Zone mantém-se pelo seguro e não arrisca para alcançar aquilo que poderia ter sido.
Didáskale (2018)

sexta-feira, 4 de maio de 2018
Desaliento (2018)


quarta-feira, 2 de maio de 2018
Dayless (2016)


domingo, 29 de abril de 2018
Drvo - A Árvore (2018)

Um Homem (Petar Fradelic), uma Criança (Filip Zivanovic). Duas guerras. Dois estados temporais. Um Rio. Uma Árvore. O Homem e a Criança conhecem-se sob uma árvore junto a um rio. Partilham uma memória.
Com argumento do próprio Gil Mata e uma direcção de fotografia de João Ribeiro - que "pinta" belíssimo quadros de imagem em movimento -, Drvo - A Árvore é assumidamente uma obra de arte que exige, sem se impôr, ser contemplada.
Os dois momentos que acompanham esta longa-metragem aproximam o espectador de duas cruas realidades temporais de uma Sarajevo que, então, viveu sob um manto negro e violento. Numa primeira realidade temos uma criança (Zivanovic) que enquanto brinca "força" o espectador a escutar os bombardeamentos que, distantes, cercam o espaço natural à sua volta. Percebemos, mais tarde, que um homem (Fradelic) vive sob a mesma realidade no mesmo espaço. Distantes pelo tempo, o espectador compreende estas semelhantes realidades como os anos '40 - para a criança - e '90 - para o homem - onde a capital bósnia viveu sob intensos períodos de guerra - Segunda Guerra Mundial e os conflitos resultantes da declaração de independência da então Jugoslávia - nos quais, aqueles que nela subsistiam viviam sob um intenso e violento purgatório. Se a criança encontra espaço para brincar alheando-se (ou talvez não) da realidade "lá de fora", é no homem mais velho que encontramos o rosto marcado por esta (sobre)vivência e uma certa apatia para com aquilo que o rodeia.
"Ele" (Fradelic) recolhe garrafas de vidro que transporta às suas costas, e os únicos ruídos que são perceptíveis são os do vidro que chocalha e o dos seus passos na neve. Distantes, mas igualmente presentes, são os dos bombardeamentos que, no entanto, acabam por ser por ele ignorados tal a sua normalidade nesta que é a sua realidade. Dali parte num barco e desce o rio rumo a uma realidade que o espectador desconhece até que, de repente, um vulto surge numa das suas margens. O vulto de uma criança que ele então persegue até uma árvore. É naquela árvore com as marcas do frio de um rigoroso Inverno, que os dois se encontram e conversam revelando incoerentes momentos de uma memória partilhada, e eventualmente colectiva, da sua realidade e daquela do espaço em que ambos se encontram.
A conversa entre ambos ganha uma dimensão de reflexão na medida em que explora pequenas particularidades que parecem comuns a ambos. Pequenos momentos dessa referida memória que apenas o mesmo ser poderia saber e conhecer. É então que o espectador se questiona se estas duas pessoas não serão uma única em momentos distintos de uma realidade comum e, nesta medida, em que espaço temporal se encontram de facto... naquele que foi vivido pelo jovem ou pelo adulto? Estarão eles distanciados por anos ou simplesmente por realidades distintas mas comuns que se cruzam nesta cidade deserta, quase fantasma, que poderá mais não ser do que a imagem reflectida que ambos encontram e conhecem como o seu espaço de segurança?
Por momentos, e tendo esta linha de pensamento, o espectador questiona-se sobre a possibilidade deste mais não ser do que um espaço transitório para onde ambos foram transportados no seu "depois". Um espaço no qual a mesma pessoa em diferentes etapas da sua vida encontrou para poder tranquilizar o seu outro "eu"... Um jovem que encontra uma qualquer forma de paz compreendendo que o próprio irá existir até tardia idade, e o mais velho assegurando este que as agruras da vida não terminarão com o rugir das bombas que escuta ao longe. Nem tudo serão maus tempos e os anos de uma paz física e psicológica surgirão com os anos mas, ao mesmo tempo, ambos são, no seu tempo, assombrados com a realidade da guerra, do fim, da perda, da inexistência, do nada e até mesmo de uma morte vizinha que espreita pelo melhor momento de surgir e se dar a conhecer.
Também surge ao espectador uma noção de tragédia grega... dos deuses do Olimpo e dos seus servos na medida em que o homem (Fradelic) não só procura a sua subsistência (a moeda) pela recolha das garrafas como também se faz transportar entre margens através do seu barco. Fradelic, ou o "Caronte" destes tempos, transporta ou aborda aqueles que se acercam à margem do rio conferindo-lhes a possibilidade de uma existência do "outro" lado ou, por sua vez, confirmando que ainda não chegou o tempo deles serem transportados para essa nova realidade que julgam ter então alcançado. A tranquilidade ou seu adiamento, surge então personificado pela caminhada sem destino que estas margens precisam "consumir" antes de ser consumada a eterna e última passagem para o outro lado ou outra existência.
Ao mesmo tempo, André Gil Mata força o espectador a acompanhar o "homem" de Fradelic, primeiro através de uma calma e psicologicamente tranquila existência - pelo menos aparentemente -, que o faz percorrer as ruas de uma cidade abandonada e visivelmente deserta apenas na companhia de um fiel cão. Nesta caminhada percebemos a existência de um sofrimento inerente às suas acções, algo que o acompanha como um fardo atribuído a alguém que cumpre uma pena... O sofrimento como pena de uma existência condenada aos meus ritos e rituais, aos mesmos gestos e passos que se repetem sistematicamente dia após dia e dos quais este homem não consegue escapar. Numa prisão a céu aberto, o espectador sente uma imediata empatia pelo homem, pela sua condição e pela forma como silenciosamente - pela ausência de outro alguém ou até mesmo pela voluntariedade que assume ou assumiu com o passar dos tempos -, aceita o seu isolamento e aquilo que o destino lhe proporcionou... naquele momento e em toda a sua vida. O desespero surge assim não pela condição mas pela repetição de um ritual que se perpetua. Um desespero silencioso que apenas quebra para salvar da incerteza o seu "eu" mais jovem e que, de certa forma, resulta como um auto-conforto na medida em que as suas palavras poder-se-ão perpetuar na mente de um jovem que cresce e se desenvolve com a certeza de que esta incerteza de paz e segurança serão a sua realidade no início da sua vida e potencialmente nesse tal "final" nunca confirmado.
Contemplativo desde os instantes iniciais onde o espectador é levado a conhecer o interior de uma modesta habitação perdida num qualquer vale dos Balcãs, Drvo - A Árvore assume-se como a fonte de uma vida (a árvore) independentemente da forma como esta poderá ser desenvolvida no futuro. Ela será no entanto, o elemento que testemunha toda essa passagem de tempo, de pensamento, de regimes, de conflitos e sobretudo daqueles que a cruzaram ignorando que se manteve ali durante tempos inconfessáveis. Com uma direcção de fotografia de João Ribeiro, um mestre na captação do espírito, do momento e da energia do espaço, Gil Mata constrói uma obra maior do cinema português distanciando-se, no entanto, de qualquer nacionalidade que poderia inicialmente ser atribuída a esta história. Ao reter a mensagem de Drvo - A Árvore, o espectador desconhece primeiro o espaço - apenas revelado por pequenos elementos da obra -, depois o tempo - que apenas assume pela narrativa e pelo cenário de fundo na qual se desenrola - e finalmente a sua origem que pode firmar a obra apenas pela origem do seu realizador mas transformá-la num conto sem nacionalidade pela universalidade da sua mensagem.
De longe uma das obras maiores do novo cinema português, Drvo - A Árvore consegue nos seus pouco mais de noventa minutos firmar a importância da memória (física, psicológica, histórica, temporal...), transformar-se num conto assombroso na medida em que deixa o espectador incerto sobre os limites da ficção, do drama, do real e do fantástico sem que, no entanto, este se consiga esquecer de que se encontra perante uma história contemplativa sobre o silêncio, a dor, a perda e sobretudo o sofrimento de uma alma que - desconhecemos - se limita a percorrer os mesmos espaços, cantos e lugares de forma monótona (des)esperando por um breve momento no qual possa partilhar a sua sabedoria e o seu relato sobre a passagem desse tempo nem sempre benemérito.
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