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sábado, 4 de agosto de 2018

Zombe Man: The Journey to Hell (2014)

Zombe Man: The Journey to Hell de George "Crane" Cruz (EUA) uma já não tão recente curta-metragem que expõe a sempre presente paranóia norte-americana face ao perigo (?) de uma potencial pandemia provocada por um dos seus opositores (aqui a Coreia do Norte) que provocou a "zombieficação" da sua população. Pelo caminho... um herói... Zombe Man que destrói todos os mortos-vivos que percorrem aquilo que resta do planeta Terra.
Comecemos pelos pontos positivos desta curta-metragem que são efectivamente muito poucos e o motivo único pelo qual atribuí uma pontuação tão alta à mesma... um dois. Ao entrar na dinâmica de Zombe Man: The Journey to Hell, reconheço-lhe a criação de um ambiente interessante através da sua direcção de fotografia - também pela mão do realizador - e da música utilizada para a dinamização da mesma que transforma toda a atmosfera em algo que para o espectador parece ter saído de um qualquer filme B - ou Z - da ida década de '70 mas... a potencial positividade que se possa encontrar... termina por aqui. Zombe Man: The Journey to Hell é desde o primeiro instante um filme que se percebe inicialmente tendencioso na medida em que encontra o inimigo num espaço político que o espectador compreende "conveniente" para a sua aceitação (nada melhor do que agora o inimigo ser a Coreia do Norte seja lá sob que perspectiva fôr), como a construção do próprio anti-herói neste "Zombe Man" se entende como uma réplica zombie de "Bane" em The Dark Knight Rises. No entanto, é no título que chega a maior surpresa ao transformar seja por erro, omissão ou um qualquer sentido de humor menos apropriado, o nome da personagem "principal" de "Zombie"... para "Zombe", como se este quisesse ser um filme sobre os mal-amados mortos-vivos mas... na realidade, nunca chegou a ser onde, tal como o protagonista, os próprios são um mero vislumbre numa história onde se assumiam (ou deveriam) como uma sua parte relevante.
Ainda que com um ritmo interessante e um exagero (esperado para o estilo) na dinâmica da vítima indefesa perseguida pelos zombies que estão sempre perto e no seu rasto, Zombe Man: The Journey to Hell é uma daquelas curtas-metragens que precisava de um pulso mais firme e um propósito mais concentrado, conferindo às suas personagens uma dinâmica tão forte e intensa como aquela tida na construção da atmosfera envolvente para que, no final, se assumisse como uma história relevante para que o espectador se recordasse dela enquanto referência no género... Para isso ajudaria que pequenos detalhes fossem também trabalhados, nomeadamente no que diz respeito ao guarda-roupa onde toda a vestimenta do protagonista - já de si preocupante pela óbvia referência que faz a outra personagem de outro filme - não fosse diminuída quando o espectador encontra um par de ténis a acompanhar que mais parece ter saído à cinco minutos da loja... Neste género de filmes é o detalhe que conta... e quando algo parece estar a correr bem... chega todo um conjunto de elementos que deita por terra tudo o que fora anteriormente construído.
No final, se existe viagem ao inferno é aquela tida pelo espectador sedento de uma história sobre "o fim" e encontra algo repleto de não duvidadas boas intenções mas muita falta de concretização que não fala... mas berra muito alto.
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2 / 10
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domingo, 3 de junho de 2018

Zombiehagen (2014)

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Zombiehagen de Jonas Ussing (Dinamarca) é uma curta-metragem de terror centrada na ocupação de Copenhague pelos mortos-vivos.
Uma rapariga (Simone Lykke), percorre as ruas da capital até chegar a uma praça onde estão centenas de pedidos de ajuda e de notícias sobre os desaparecidos. Um rapaz (Casper Sloth) que chega ao mesmo local minutos depois. Os dois cruzam-se no estádio da cidade onde ela tenta encontrar o namorado. Poderão eles os dois ser os últimos sobreviventes que ali se encontram e os responsáveis pela continuação da Humanidade?
O realizador e argumentista Jonas Ussing entrega ao espectador uma das inúmeras histórias de mortos-vivos (ou zombies) aqui num cenário urbano e Europeu que contrariando o tradicional rural norte-americano, insere o espectador num espaço que fora - em tempos - densamente povoado e agora mais não é do que uma miragem desse passado. Mas, se nesse espaço rural os mortos parece que abundam pelas ruas, em Zombiehagen - uma Copenhague literalmente mortificada - as ruas parecem desprovidas de qualquer forma de "vida" (ironicamente falando), conferindo a toda esta curta-metragem uma certa sensação de que para lá do perigo de um qualquer ataque, é aquele que se prende com a solidão que ameaça os nossos protagonistas.
Assim, e para lá da dinâmica de perigo que está instalada, é aquela que se prende com a relação dos dois protagonistas que fica sob atenção do espectador que deseja ver na relação de ambos uma qualquer salvação para aquilo que poderá restar dessa Humanidade agora semi desaparecida. O encontro entre "Ela" e "Ele" - provocado pela personagem interpretada por Casper Sloth - deve-se, pensa o espectador, por uma necessidade extrema de se poder estabelecer uma nova relação numa cidade que está literalmente perdida. Assim, o segmento dentro do estádio da cidade repleto daqueles poucos que ainda caminham mas que já não têm qualquer réstia de vida, impressiona não só pela magnitude do espaço e da dinâmica ensombrada por uma direcção de fotografia de Andrew Grant-Christensen que lhe confere todo uma atmosfera de morte, mas principalmente pela esperança depositada naquelas duas pessoas cujo encontro mais ou menos casual faz adivinhar todo um novo começo.
Saídos das ruas da cidade e agora dentro da casa d'"Ele", Zombiehagen revela os trágicos passados desta personagem masculina e um vislumbre do seu desejo em poder voltar a ter companhia depois da trágica morte da mãe da qual o próprio se responsabiliza. Mas poderão estar os propósitos deste jovem corrompidos de alguma forma? Se a sua rápida intervenção junto d'"Ela" se revelou crucial para que a mesma fosse salva, é um pequeno e muito súbtil detalhe que deixa o alarme instalado e são os breves mas intensos momentos finais que revelam que de facto, num momento de crise extrema, nada é como parece... ou pelo menos... nada é como aquilo que se poderia fazer esperar.
Original pelo seu desfecho que revela que a Humanidade está perdida não necessariamente pela catástrofe mas sim pela desgraça em querer sobreviver mantendo os parâmetros e ideais de uma vida que já não é, Zombiehagen é uma curta-metragem atípica pela sua concepção fora dos locais tradicionais que o espectador tão bem conhece e, como tal, um ponto que joga a seu favor e, apesar de recorrer a todo um conjunto de elementos que, de certa forma, o espectador já conhece, consegue vencer pela forma como se livra dos lugares comuns do género surpreendendo com um desfecho não só inesperado como mortalmente inspirador para aqueles que julgam que a perda determina a capacidade de cada um avançar mais além do esperado. Porque por vezes a morte faz laços tão ou mais fortes do que a própria vida.
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7 / 10
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Zeichnen Gegen das Vergessen (2015)

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Desenhar para Nunca Mais Esquecer de Bärbel Jacks é um documentário austríaco centrado na acção do pintor e fotógrafo Manfred Bockelmann nascido durante a Segunda Guerra Mundial - em 1943 -, numa época em que milhões de pessoas foram mortas nos campos de concentração nazis por toda a Europa.
Centrado na memória das crianças e adolescentes que se encontravam por entre esses milhões, Bockelmann iniciou uma investigação pelas fotografias existentes dos mesmos e imortalizá-los em pinturas a carvão que recuperavam algumas das suas expressões (então) sob o jugo da detenção e cativeiro nazi. Perdidas que foram milhares de entidades e a individualidade de cada um roubada e substituída por um número, Bockelmann tenta desta forma entregar um nome ao número pelo qual passaram a ser identificados.
Percorrendo os mais variados arquivos cuja missão é a preservação da memória do Holocausto e das suas vítimas, o realizador Bärbel acompanha o artista austríaco não só na missão que tenta cumprir mas principalmente nos seus objectivos e propósitos para com a mesma. ao longo deste documentário compreendemos que Bockelmann é um homem que hoje, nos seus mais de setenta anos de idade, vive atormentado com a ideia que no seu passado enquanto criança, milhares eram aqueles que da sua idade morriam bem perto dos mesmos locais onde ele passava os seus Verões entre amigos e família. Enquanto jovem distante dos problemas que afectavam milhões por toda a Europa, Bockelmann era aquilo que hoje considerava como uma criança feliz mas ignorante quanto ao que se passava do outro lado dos seus muros.
Centrado numa busca incessante pela recolha e identificação das mais diversas identidades e histórias, Bockelmann tenta, com o seu contributo enquanto artista, perpetuar a imagem, a memória e sobretudo a individualidade de cada um daqueles jovens rostos que pereceram, conferindo-lhes o nome que lhes fora roubado e deixando "cair" o número com o qual foram desumanizados durante os terríveis anos do conflito europeu.
Para lá de uma obra esta é uma missão de vida que assumiu como sua, que lhe retira o descanso pela necessidade inerente em identificar todos aqueles que encontra e cuja identidade se perdeu não só na década de 40 em questão mas também em todas estas décadas já decorrentes pela escassez de informação que acompanha a grande maioria daqueles rostos. Existirão familiares ainda vivos? Poderá alguém identificar aqueles jovens? Ou, por sua vez, terá a sua identidade sido perdida para todo o sempre?
Movido por uma enorme sensibilidade e sentido de missão, também o realizador Bärbel Jacks embarca nesta viagem pela História, pela memória - uma constante em documentários deste género e que se assume cada vez mais como um Direito Humano fundamental -, e sobretudo por um sentido de justiça que todas aqueles vítimas ainda lhes vê negado, Zeichnen Gegen das Vergessen é um intenso mas extremamente tranquilo documentário que tenta - e consegue - dar nome a muitas destas vítimas cuja memória não só não pode ser esquecida como poderá ser didacticamente utilizada como forma de alerta e prevenção para que estes momentos na História - que tende a repetir-se -, jamais possam ser repetidos cumprindo não só a sua missão enquanto registo dessa mesma História como sobretudo um documento de ensinamento para o futuro.
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8 / 10
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Zeus (2016)

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Zeus de Paulo Filipe Monteiro é uma longa-metragem luso-argelina presente na Secção Oficial - Em Competição da XXIIª edição dos Caminhos do Cinema Português que decorrem até ao próximo dia 26 em Coimbra e que relata um período na vida de Manuel Teixeira Gomes, antigo Presidente da República Portuguesa e escritor, paixão que, aliás, nunca perdeu.
Quando no início da década de 20 se sentiam em Portugal os ventos de uma revolta, o então Presidente Teixeira Gomes (Sinde Filipe) fazia denotar o seu descontentamento com as elites conservadoras predominantes no país e uma vontade cada vez maior de abraçar uma liberdade que - então - não sentia possuir.
Quando nos finais de 1925 decide demitir-se da sua posição e embarcar no paquete Zeus, Teixeira Gomes iria então viver na Argélia, então colónia francesa, onde ficaria até à sua morte libertando-se das amarras de um país que vivia agora uma ditadura.
Zeus de Paulo Filipe Monteiro é então a história de um homem dividida em dois distintos segmentos. O primeiro destaca o período português do homem então Presidente da República, da figura de Estado saturada de um país que parecia retroceder esquecendo as premissas libertárias e Republicanas que vivia há mais de uma década, aproximando-o - ao país - de destinos sombrios, ultra-conservadores e retrógrados que diminuíam o Homem e elevam uma tradição que se pretendia esquecida ou, melhor dizendo, ultrapassada. De homem boémio - aspecto do seu carácter que apenas é mencionado - a homem do poder, Teixeira Gomes revela-se como um homem saturado das intrigas palacianas a que o sujeitam, das ameaças de derrube político pelos inuendos e insinuações de que é alvo bem como por essa ameaça presente de que um regime mais sombrio poderá ser a única salvação de um país que se encontra à beira de uma ruptura. A salvação pelas "sombras" que tanto temia, parece ser a certeza máximo que adivinha para um país atormentado e instável.
Da sua auto-destituição do poder para a sua própria libertação dos labirintos governativos de um país que aparenta(va) não se querer governar, Teixeira Gomes ruma à Argélia dando assim origem ao segundo momento de Zeus. É aqui que depois de percorridas as dunas de um território colonial francês, Teixeira Gomes começa o seu rápido processo de adaptação ao espaço e ao povo com quem empatiza de imediato estabelecendo sólidas relações de amizade enquanto recorda o seu turbulento passado recente numa Lisboa sombria e, como contraste, os momentos de um "Ramiro" (Ivo Canelas) auto-biográfico no Algarve de 1900. Pelas memórias - afinal um dos elementos mais importantes de todo este filme - o espectador conhece o homem "Teixeira Gomes" com uma personalidade fundamentalmente melancólica e saudosista de um passado que abandonou quando seguira para a Presidência da República, e como omite daqueles com que convive, este passado que subtilmente considerada nefasto e virtualmente pobre no seu curriculum.
Do seu jovem "Ramiro" aos amigos e conhecidos passados como "João" (Miguel Cunha numa fortíssima e memorável interpretação) o empregado que teve nas suas férias de boémia na sua terra, passando pelos amigos, conhecidos e adversários com que se cruzou no seu percurso político e que não o deixaram esquecer o homem de espírito livre e honesto nas suas convicções, este período argelino seria manchado pelos primeiros movimentos independentistas que se faziam sentir na colónia francesa e os primeiros sinais de uma invasão da Itália do Mussolini que faziam anunciar a guerra que se aproximava. Da perseguição de Lisboa àquela de que é alvo em Bougie por ser um "estrangeiro", Teixeira Gomes é um homem que no essencial vive solitário apenas na presença de "Amokrane" (Idir Benebouiche), o argelino que o acompanha para todo o lado e a mais fiel companhia destes seus dias. De Portugal - das pessoas - pouco parece restar e em todo este tempo apenas conheceu a visita de um "Norbeto Lopes" (Carloto Cotta) que o pretende entrevistar e que, de certa forma, revela o seu passado político, e o desencanto para com o país que o viu nascer marca toda uma saudade de e para com o mesmo.
Entre a boémia que marcou toda a sua juventude, o desencanto com a falta de horizontes com que terminou o seu período português e o reencontro com os prazeres da vida numa Argélia "pronta" para também ela atravessar um duro período, "Texeira Gomes" - homem e Presidente - marcou um período pouco falado na História de Portugal, como o homem que renunciou ao poder, às intrigas, aos "beatos" que tão vincadamente se apoderavam dos destinos do país e, de certa forma, a toda uma posição social que vinha a ser minada pelos seus inimigos preferindo com toda a certeza viver a vida que sempre desejara ter... mesmo longe da terra que o viu nascer.
Sinde Filipe, naquela que será seguramente a sua melhor e mais representativa interpretação de toda uma carreira, dá corpo a um homem esquecido pela própria História, aos seus feitos - principalmente de espírito - e à sua presente vontade de fazer do - e ao - país o espaço moderno e liberto que dele pretendia... afinal, como dizia, a República isso pedia.
Da reconstituição histórica à caracterização - brilhante Sara Menitra - e ao guarda-roupa de uma perfeccionista Sílvia Grabowski, Zeus é uma magnífica aposta do realizador Paulo Filipe Monteiro em dirigir um filme português de cariz histórico - infelizmente tão pouco habitual no nosso cinema considerando a rica História que o país tem - o coroar de uma carreira como a de Sinde Filipe e sobretudo aproximar o já referido período histórico português ao seu público - tão pouco habituado a compreender as origens do fascismo - sem que este seja, no entanto, o centro de uma história que se ocupa sim das memórias de um passado vivido em liberdade e de um presente ocupado com a confirmação de uma amizade fiel.
Com estreia comercial marcada para o início do próximo ano, Zeus "abre" o ano cinematográfico português da melhor forma, elevando as expectativas e confirmado a certeza de que o cinema nacional tem pernas para andar desde que criadas as condições para se filmar o povo, a História bem como - principalmente - a sua memória.
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"Manuel Teixeira Gomes: (...) que sina triste ser lido pelos beatos."
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8 / 10
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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Zootrópio (2016)

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Zootrópio de Tiago Rosa-Rosso é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na Selecção Oficial da XXIIª edição dos Caminhos do Cinema Português que decorre até ao próximo dia 26 de Novembro, em Coimbra.
O zootrópio é um objecto anterior ao animatório que, quando rodado, exibe um conjunto de imagens animadas em sequência. Tendo isto em mente, o mais recente trabalho de Tiago Rosa-Rosso revela, ao espectador, um segmento animado que retrata uma conversa mais ou menos banal - quase desconstruída - de um momento entre dois pares de personagens. Entre conversas à janela e a leitura de um jornal... até que ponto os assuntos são de facto reveladores ou apenas momentos repetidos de uma história sem fim?
Depois dos magníficos e originais Ao Deus Dará (2013), Lei da Gravidade (2014) e Despedida (2015), Tiago Rosa-Rosso apresenta esta história em estilo homenagem às origens do cinema. No fundo o que já fizera com as suas obras Lei da Gravidade - com uma homenagem à importância de um bom argumento - e em Despedida - numa reflexão sobre o abraçar uma nova etapa ao som de temas de séries televisivas (cinema versus televisão) dos anos 80 e 90 -, e que aqui tenta dar continuidade a esta temática como se de uma trilogia se tratasse.
Ainda que as intenções de Rosa-Rosso sejam este filme-homenagem às origens da Sétima Arte, o resultado final desde Zootrópio - ainda que compreensíveis na sua forma - fazem da curta-metragem enquanto objecto para o público, uma obra com a qual se torna difícil de empatizar ao desprovê-la de conteúdo narrativo que lhe dê uma devida sequência. Por outras palavras, se o aspecto "técnico" de Zootrópio se enquadra na referida homenagem, de argumento esta curta-metragem perde-se num total e completo vazio - certo que o zootrópio também não tinha um "argumento" mas apenas a sucessão de imagens - que não agradam ou provocam qualquer tipo de interesse de o continuar a ver para lá de cinco - já de si longos e exaustivos - minutos.
De longe a obra menos conseguida de Rosa-Rosso - irei remetê-la para o âmbito das obras "experimentais" e de aprendizagem - que é seguramente um dos realizadores mais imaginativos e bem sucedidos de uma nova geração e, o qual, se deve manter sob um olhar atento pela capacidade que tem de inovar e contar histórias originais, apelativas e universais.
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1 / 10
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Zombie Kiss (2016)

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Zombie Kiss de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção e o mais recente trabalho do realizador canário que aqui associa ao Halloween - esta noite celebrado - ao "culto" da máscara... esse objecto que metaforicamente tantas pessoas utilizam...
Ele (Íñigo Etayo) e Ele (Álex Cerezal) amam-se de forma francamente apaixonada. A sua cumplicidade apenas encontra par com uma química sexual que é inicialmente revelada. Os dois escondem-se do e para o mundo por detrás de uma outra relação que lhes confere a sua ilusão de segurança. As máscaras que usam diariamente apenas podem ser comparadas com esta noite que agora se preparam para celebrar.
A diferença - ou aquilo que para os demais pode ser considerado como tal - é aqui explicado de forma simples como o motivo pelo qual todos utilizam máscaras... A vontade de não ser olhado como o "outro" distante e diferente explicada a necessidade sentida de encarnar um papel social que apenas pode ser ignorado quando vivido dentro de quatro paredes porque todos querem ser vistos como iguais numa sociedade - e por vezes comunidade - sempre preparada para encontrar algo que a todos distinga.
No final fica a pergunta... o que é o amor? Aquilo que cada um sente independentemente do género... ou a imagem ou ideia que os demais têm de cada um, espelhados a uma ideal social que tendencialmente tem vindo a ser quebrado?
Com uma marca que qualquer espectador - ou crítico - que acompanhe a carreira de Pérez Toledo, Zombie Kiss é um - mais um - dos sempre atentos e presentes olhares deste realizador espanhol que insiste de forma coerente e digna em filmar o amor, os sentimentos, os afectos e claro... todo o seu resultado sexual intenso e sentido.
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7 / 10
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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Z for Zachariah (2015)

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Os Últimos Dias na Terra de Craig Zobel é uma longa-metragem norte-americana centrada num mundo pós-apocalíptico no qual Ann (Margot Robbie) vive solitária algures perdida numa região interior.
Um dia, nos dos seus passeios pelo campo com o seu cão, Ann encontra John (Chiwetel Ejiofor) que mede os níveis de radioactividade da área e depois de o levar para sua casa, ambos desenvolvem uma relação próxima de cumplicidade e mútuo conhecimento. No entanto, é quando surge Caleb (Chris Pine), que a relação entre Ann e John é colocada em causa testando não só os seus limites individuais, aqueles da confiança e principalmente a forma como se encontram num mundo que parece não ter salvação ou sobrevivência.
Naquilo que resta de um mundo onde um qualquer cataclismo nuclear destruir a Humanidade como a conhecemos, o argumento de Nissar Modi centra a sua atenção não sobre essa mesma destruição mas sim sobre o que sobreviveu à mesma, ou seja, para lá de escombros dos grandes marcos históricos ou de sombras humanas que resistiram desfiguradas, Z for Zachariah revela-nos essa sobrevivência sim mas sobre a perspectiva de como continuar para o dia seguinte e com que crenças ou convicções.
Apenas com o conhecimento do essencial sobre estas três personagens, o espectador tece um mínimo de crenças sobre os mesmas para lá de que escondem mais do que aquilo que revelam não num necessário sentido de dupla intenção para com os demais mas sim de que a única forma que têm de sobreviver é resguardarem-se das potenciais ligações que criam com os demais, ou seja, o que tiveram realmente de comprometer para sobreviver?
Com a excepção de uma aparentemente ingénua "Ann" cujos comportamentos manifestam o resultado de uma jovem que sempre vivera afastada da cidade e com princípios morais e religiosos marcados por um pai também ele religioso, são "John" e "Caleb" que denotam um passado mais conturbado. O primeiro revela um homem de convicções marcadamente intelectuais, alguém preocupado em sobreviver através do conhecimento e que se contenta com as tarefas mundanas de uma vida recatada mas que controla. O segundo assume-se desde os instantes iniciais como alguém que de forma agressiva e dominante se faz penetrar nos espaços até então dominados por "John" usurpando a sua influência e lugar na casa. Em comum têm, no entanto, o ambiente de onde provêm - "John" de um bunker e "Caleb" de uma mina - e que os resguardou de toda a suposta degradação a que o planeta esteve sujeito - nunca a confirmamos ou vemos para lá de alguns edifícios destruídos - mas espaços esses em que estavam privados de sol, ar, ou de ver o céu e onde o medo e o pânico sobre o exterior se instalavam.
A relação que então fica estabelecida entre os dois homens transforma-se em dominador e dominado não sendo, no entanto, sob uma perspectiva física mas sim intelectual. "John" consegue criar um jogo em que se assume como dominado por "Caleb" mas, percebemos no final, foi quem esteve a dominar toda a dinâmica de grupo levando o novo visitante a trabalhar para saciar as suas - e de "Ann" - necessidades de sobrevivência e de perpetuação.
No final Z for Zachariah acaba por revelar uma invulgar mas interessante premissa na medida em que distanciando-se do tradicional filme pós-apocalíptico, obriga a meditar sobre o "depois", ou seja, o que esperar quando já nada existe para alcançar. Como regressar depois de se ter experimentado o que realmente se quer? Como manter a fé quando todas as referências daquilo que ela foi já se dissiparam e desapareceram?...
Com interpretações fiéis ao género e um cenário quase idílico que nos insere num mundo que já não é, não deixando de manter os elementos daquilo que foi em tempos a "civilização", Z for Zachariah mantém desde o primeiro instante uma tranquilidade invulgar nos filmes do género, muito graças à direcção de fotografia de Tim Orr que nos faz alhear daquilo que foi e concentrar nas cores de um entardecer pacífico.
Distante do filme apocalipse, Z for Zachariah mantém uma interessante estrutura do filme do género que não recorre ao lado visual mas sim ao da memória que recorda o que foi e o que se transformou.
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7 / 10
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Zar (2013)

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Zar de Bartosz Kruhlik é uma curta-metragem polaca de ficção presente na secção Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que terminou no passado dia 10 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Michael (Aleksander Sosinski) viaja para uma pequena localidade do interior do país para conhecer Anne (Sara Bartkowska) com quem tem desenvolvido uma relação virtual próxima.
Ao encontrarem-se pela primeira vez frente a frente a empatia entre os dois é imediata até que Anne se afasta misteriosamente e surge no caminho de Michael um novo e misterioso elemento que se apresenta como Daniel (Rafal Fudalej) e que tem os seus próprios planos a respeito daquele encontro.
Kruhlik escreveu este argumento que nos apresenta de imediato um ambiente muito familiar aos filmes teen norte-americanos onde tudo parece idílico e bonito deixando os intervenientes confiantes quanto a um futuro cor-de-rosa. No entanto, o mesmo argumento faz com que o espectador sinta desde o primeiro instante uma desconfortável sensação de déjà vu quanto àquilo que espera a respeito desta viagem. O clima sente-se pesado e pouco natural. No fundo, quantos de nós já não viram filmes deste género onde percebemos muito facilmente que aquilo que daqui pode surgir será tudo menos a viagem de uma vida...
Se o encontro entre "Michael" e "Anne" parece aparentemente perfeito, não é menos verdade que deixa uma imediata sensação de qua algo não está bem ainda que não consigamos perceber exactamente o quê. No entanto, aquele inesperado afastamento de "Anne", que se torna imediatamente secundária numa história cujo propósito era conhecê-la, revela que o pesadelo está prestes a começar.
Se ela serviu como um engodo para algo maior, não é menos verdade que é apenas quanto "Michael" e "Daniel" se encontram que tudo se desvanece e percebemos estar perante um pesadelo que parece não ter um fim à vista... E confirma-se. Aos poucos "Daniel" percorre o terreno e prepara o seu caminho para controlar tudo à sua volta. É quando a tensão se percebe como estando instalada que a verdadeira "caça" se inicia para aquilo que seriam as piores horas da vida do jovem "Michael" que apenas pode tentar sobreviver a uma aventura da qual não tem escapatória possível.
O seu cativeiro, abuso e tortura por parte de um instável "Daniel", fazem assim justiça àquilo para o qual somos inicialmente avisados... Zar, no sentido de calor, que tanto se pode à temperatura climatérica do ar como, mais explícito nesta curta-metragem, à tensão e frustração sexual sentida por parte daquele violento intruso e exercida sobre uma inesperada vítima às suas mãos.
Numa acção que decorre numa floresta deserta e labiríntica que automaticamente se transforma na própria prisão de "Michael", Zar denota elementos que nos aproximam de uma filmografia cruzada entre Haneke e Roth fazendo-os conviver no mais perfeito elogio ao sadismo físico e psicológico que, a certa altura, não só é exercida sobre a referida personagem como também obrigatoriamente sobre o espectador que desespera pelos momentos que a vê atravessar sem nada poder fazer... tão perto da civilização se encontra que o próprio salvamento parece ser uma mera ilusão que a sua mente se atreveu a pensar.
Se a simpatia e quase delicadeza dos momentos iniciais parecem conquistar o público através de uma relação que se apresenta terna, é no entanto a violência dos sentimentos e da aceitação que a personagem de Fudalej apresenta que acabam por dinamizar todo o filme e obrigar-nos a odiar aquele vilão que, de certa forma, se odeia a ele próprio exercendo sobre terceiros as suas próprias incertezas, frustrações e dificuldades em aceitar e perceber os seus sentimentos.
Daniel Wzwrzyniak consegue através da sua excelente execução de fotografia captar não só o factor de prisão aberta em que se transformam todas as sombras e caminhos incertos daquele floresta, o que só torna ainda mais complicado de digerir todo o ambiente pois percebemos que apesar de poder "facilmente" fugir dali, "Michael" encontra-se, na verdade, num espaço que é mais restrito do que aparenta, assim como é tão captado todo aquele ambiente de um Verão cálido e desconfortável que apenas vai agudizar todos os sentimentos reprimidos que se fazem sentir.
Zar é, com toda a justiça, um filme bruto e desconcertante que nos incomoda e nos faz pensar uma vez mais nos perigos de encontros desconhecidos e que podem trazer perigos e momentos que conseguem definitivamente transformar a vida daqueles que neles estão envolvidos. Um filme forte, bruto e cru que não nos deixa indiferentes pela sua inicial calma violência que faz adivinhar que o pior está ainda por chegar.
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9 / 10
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Zombies4Kids (2014)

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Zombies4Kids de Pedro Santasmarinas, realizador de Banda Desenhada, Auguste e M Is for Mail, é uma curta-metragem portuguesa de animação presente na secção IndieJúnior 2º Ciclo/+9 Anos, do IndieLisboa.
Através de uma pequena, hilariante e bem ritmada melodia, Zombies4Kids assume-se, tal como a própria tagline anuncia, como um pequeno guia de sobrevivência a um ataque zombie feito propositadamente para crianças. Mas atenção, cuidado com o que se cruzam pois... "if it has grey hair...", provavelmente não é um zombie.
Pedro Santasmarinas cria assim uma curtíssima de um minuto que, ainda que totalmente competente, nos deixa com aquele gosto de que queremos ver mais deste guia e possivelmente de algumas das dicas de sobrevivência que nele poderiam constar, tornando-se assim num dos filmes obrigatórios da secção júnior desta edição do IndieLisboa.
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8 / 10
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domingo, 8 de setembro de 2013

De Zaak Alzheimer (2003)

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O Caso Alzheimer de Erik Van Looy este presente no penúltimo dia do Cinema Bioscoop - Festa do Cinema da Holanda e da Flandres a decorrer no Cinema São Jorge em Lisboa.
Vincke (Koen De Bouw) e Verstuyft (Werner De Smedt) são dois brilhantes detectives de Antuérpia que após o desmantelamento de uma rede de pedofilia se vêem confrontados com o desaparecimento de um respeitado membro do Estado e com a intrigante morte de duas prostitutas.
É no seio desta investigação que os seus caminhos se cruzam com Angelo Ledda (Jan Decleir), um assassino profissional contratado para inúmeros "serviços" mas que agora se afasta gradualmente da "profissão" por denotar uma gradual debilitação devido ao Alzheimer de que sofre, especialmente depois de recusar assassinar uma jovem call-girl de 12 anos, o que provoca a ira dos seus antigos patrões. Ledda, que encontra as últimas energias para eliminar quem o contrata, estabelece assim uma relação entre todo o universo de escândalos sexuais e políticos com ramificações bem mais complicadas do que aquelas que a dupla Vincke e Verstuyft alguma vez imaginaram.
Com base no romance de Jan Geeraerts, Van Looy em colaboração com Carl Joos escrevem o brilhante argumento deste filme que nos deixa em suspenso ao longo de duas emocionantes horas, levando-nos a entrar não só no complexo universo destas personagens como também no jugo político, económico e sexual que está por detrás de rostos aparentemente inocentes e que pretendem a todo o custo espelhar uma moral social que está longe de poder ser aceite e evidenciando as inúmeras teias de corrupção que estão por detrás daqueles que deveriam cumprir a lei.
Num único filme consegue ser harmoniosamente juntos estilos tão diversos como o policial e o drama, a comédia e a intriga sempre recheados de muito suspense e de uma intensidade mordaz que nos prende aos destinos daquelas personagens deixando-nos sempre à espera do quão longe podem, ou querem, ir em nome da justiça e daqueles que vivendo nas suas margens não prejudicaram ninguém além de si próprios.
Este filme faz-nos igualmente nutrir uma especial simpatia por aquele que, à partida, deveria ser o verdadeiro repúdio de todo o filme. "Ledda" é um assassino profissional que levou toda a sua vida a eliminar "inconvenientes" para a Mafia, dando-lhe assim a possibilidade de continuar com todos os seus crimes e escapatórias à lei. E esta simpatia é conseguida graças à interpretação bem humana que um fantástico Jan Decleir consegue incorporar na sua personagem dando-lhe uma dimensão que passa a de simples assassino transformando-o antes num agente justiceiro de uma lei que a própria não reconhece mas que está no subconsciente de qualquer um de nós. Afinal quem nos incomoda mais: um assassino profissional que elimina um violador ou um pedófilo ou um homem que pratica crimes hediondos capazes de chocar as mentes de qualquer um de nós?
Se socialmente qualquer crime é de recriminar e de punir, não deixa de ser menos verdade que existe uma lei para além da própria que por muito condenável seja existe na mente de todos nós e sabemos no nosso íntimo que somos incapazes de julgar um homem como "Ledda" que resolve limpar os verdadeiros prevaricadores tornando todo o espaço em que co-habitamos estranhamente mais seguro.
No entanto, não é menos verdade que precisamos desse braço da lei também presente, e aqui está presente atrés de "Vincke" interpretado por um inspirado Koen De Bouw como o polícia que tudo faz para descobrir os factos e a verdade que estes escondem, mas que desespera por não conseguir tornar todo o seu mundo num espaço perfeito e livre de crime. É a "Ledda" e aos seus actos que vai buscar a força necessária para saber que algo é possível, naquela que é uma perfeita mas estranha junção entre o crime e a lei pois na prática um não "sobrevive" sem o outro. E De Bouw interpreta com uma extrema Humanidade o dilema em que o seu "Vincke" vive. Se por um lado é um polícia do dito "lado certo da lei" que pretende prender e punir aqueles que a violam, não é menos verdade que para o fazer acaba por ter de ceder aos caprichos e vontades de um homem que sempre viveu a sua vida no lado oposto da lei, que a contornou e violou vezes sem conta estando sempre um passo à frente daquilo que "Vincke" representa. É esta dualidade que os tanto De Vouw como Decleir representam numa perfeição e harmonia constantes e que nos conseguem cativar desde o primeiro tenebroso momento.
É ainda de destacar a interpretação de Werner De Smedt como "Verstuyft", o polícia que estando sempre do dito lado certo da lei começa a colidir com a súbita alteração de comportamento de "Vencke" e que, como tal, se assume como o elemento que o consegue trazer para aquele mesmo lado não o deixando portanto ser totalmente corrompido por uma incansável vontade de saber a verdade que o pode, invariavelmente, levar para caminhos menos ortodoxos.
Toda a atmosfera deste filme é enriquecida por uma excelente direcção de fotografia da autoria de Danny Elsen que transforma uma chuvosa Antuérpia em ruas e espaços sinistros onde o crime abunda. Sempre com uma luminosidade muito própria digna de uma Europa do norte onde o sol aparenta ter esquecido de aparecer, somos encaminhados por um ambiente que oscila entre várias tonalidades de azul que refletem não só o frio do espaço temporal como principalmente o mescla com a própria mente perturbada de "Ledda", denotando que aos poucos se começa a fragmentar enquanto se isola de grandes sentimentos em nome de uma verdade que tarda a chegar. É assim esta atmosfera fria e quase temporalmente distante de todos os intervenientes que Elsen nos transmite que funciona como uma comparação com a própria lei e justiça que parecem tardar ou sequer aparecer, num ambiente típico de um policial que recupera os seus elementos fundamentais dando-lhe um toque moderno, e o qual a música original de Stephen Warbeck ajuda a recriar e manter no clima perfeito desde o primeiro instante cativando o espectador ao ponto de esquecer a duração do próprio filme.
No final temos um thriller emocionante e repleto de adrenalina mas com uma história de fundo forte e bem narrada que nos prende aos destinos das suas personagens e das suas últimas acções que, na prática, acabem por definir toda a sua vida tendo ela sido vivida mais ou menos fora da lei, aproximando as suas personagens e esquecendo de que lado dessa dita lei viveram.
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9 / 10
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Zigurate (2011)

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Zigurate de Ricardo Terto e Gabriela Ramalho é uma curta-metragem de ficção brasileira que nos tenta inserir num complexo mundo onde os sonhos e a realidade caminham lado a lado confundindo-se e dando aos seus intervenientes uma dimensão que poderá ser (ou não) falsa.
Bernardo (Osmar Amorim) é um homem que não se lembra da sua mãe que falecera quando ele tinha seis anos. Com o seu pai pouca ligação teve visto que este se suicidara tinha ele onze anos de idade, vivendo num aparente drama de falta de afecto e atenção paternal.
Num constante dilema sobre aquilo que idealiza como o mundo perfeito onde todas as suas vontades são positivamente respondidas, Bernardo sonha-o como um espaço onde é o rei e senhor de todas as vontades que têm de ser cumpridas por terceiros, nomeadamente aqueles que no dito mundo real exercem sobre ele uma posição de chefia.
Sedento de sonhos e desejos de vingança e de alguma humilhação, o argumento escrito por Ricardo Terto coloca o nosso protagonista numa constante viagem entre dois mundos que a dada altura nem ele, nem tão pouco o espectador, consegue decifrar se são a sua realidade ou algo que ele idealiza e deseja como tal mas que lhe mostra consequências bem mais duras do que aquelas com que ele alguma vez pensou viver.
Confusa e dispersa esta curta-metragem peca ainda por um conjunto múltiplo de interpretações e personagens que roçam muito de perto o mais básico e pouco preparado fazendo dispersar a atenção do espectador de um argumento que é ele, por si, muito confuso e sem sal cujo único objectivo imediato é tentar, sem sucesso, recriar um universo paralelo ao qual apenas os mais fortes e resistentes conseguem manobrar.
Os vários segmentos pelos quais viajamos são, também eles, dispersos e vagos, sem uma relação condutora entre si, o que nos faz chegar a menos de metade desta curta-metragem já vagos de ideias sobre aquilo que pretenderam transmitir para além de uma mescla pouco elaborada de ritmos e de presunções sobre aquilo que poderia ser essa mesma realidade alternativa.
Se por um lado a ideia base encontra-se lá por explorar, o que por si mostra alguma criatividade apesar de se constituir como um argumento já visto, não deixa de ser menos verdade que a sua fraca execução faz do mais forte ser o mais fraco e fragilmente concebido, tornando toda a curta-metragem num trabalho não memorável e dispensável.
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1 / 10
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sábado, 3 de agosto de 2013

Zé da Branca na Aldeia Assombrada (2013)

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Zé da Branca na Aldeia Assombrada de Rúben Ferreira e o mais recente trabalho deste jovem realizador português que num argumento escrito em parceria com José Marques resolve cruzar algumas das suas mais emblemáticas personagens numa mesma história de suspense onde a comédia é, no entanto, o seu forte. Falo claro das personagens do "Lenhador Assassino" e do "Zé da Branca" naquele que é um seu merecido desempenho protagonista.
Depois de descobrir que uma tia morreu em Fornelos, Zé da Branca (José Marques) decide visitar o seu primo que julga estar devastado. Numa longa viagem que faz a pé, chega finalmente a casa do primo onde aparentemente pouco aconteceu e a tia que faleceu já não é uma prioridade.
É então que no segundo dia de estadia naquela carismática aldeia que Zé da Branca, o primo e um amigo decidem, ao jeito de desafio, entrar na casa do misterioso lenhador assassino e aí investigarem o clima que ronda aquela casa abandonada, mal sabendo que iriam despertar os seus desejos de sangue.
Sem um fim anunciado, pois todos nós sabemos que surgirão novos capítulos que irão (ou não) dar o devido desfecho a esta aventura numa das mais enigmáticas aldeias de Portugal que graças ao jovem realizador Rúben Ferreira já ganhou o seu próprio estatuto, não é menos verdade que apesar de nos depararmos com uma média-metragem ela não nos satisfaz em absoluto. À media que a acção decorre e que dela esperamos mais e novos elementos que contribuam não só para a comédia que lhe está inerente como também ao suspense que pode surgir de qualquer momento, o argumento não nos permite ter uma clara percepção de onde iremos estar nos instantes seguintes o que, por sua vez, nos permite pensar que as sequelas estão para breve.
Dito isto, aquilo que podemos esperar deste simpático filme é que ele serve como uma porta de entrada para as novas aventuras dadas por um variado e rico conjunto de personagens que resiste não só à sua própria comédia como principalmente a um destino fatal que parece estar sempre ao virar da esquina ao mesmo tempo que nos deixa a pensar... afinal quem é aquele mal fadado lenhador?!
Com um conjunto de segmentos que roçam a comédia teen, nomeadamente aquela sinistra disposição das garrafas de cerveja, ou até mesmo uma sentida homenagem à Linda Blair (vejam e irão perceber), Rúben Ferreira não esquece a vertente popular que invade o norte do país neste época do ano fazendo-nos entrar nesse curioso universo onde somos presenteados com um bailarico na aldeia, e os invariáveis problemas técnicos a nível de som que surgem ocasionalmente são esquecidos pela vontade de fazer um filme que é feito por paixão independentemente do seu posterior resultado final.
De todos os momentos deste filme tenho obrigatoriamente de destacar um... Não que seja original em comparação com outras produções do género, mas pela qualidade fílmica que tão breves instantes demonstraram. Refiro-me muito concretamente às filmagens nocturnas que o jovem grupo de amigos faz em tom de "exploração" e que nos entregam um dos segmentos mais típicos e bem conseguidos e que, mais explorados, poderiam ter entregue um segmento de terror bem pensado e muito dinâmico.
Depois de uma apreciação que considero positiva poderão perguntar-me o porquê de só entregar um cinco a esta média-metragem... E a resposta é tão simples como... queria mais e tenho a certeza que esse "mais" está para chegar para breve. Tenho sérias dúvidas que o Rúben Ferreira deixe esta história sem uma sequela ao seu nível.
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5 / 10
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Zero Dark Thirty (2012)

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00:30 A Hora Negra de Kathryn Bigelow tem sido um dos filmes sensação desta temporada de prémios arrebatando quase todos os troféus de Filme e Realizadora dos grandes grupos da crítica especializada norte-americana bem como, mais recentemente, o Globo de Ouro para Jessica Chastain como Actriz em Drama, posicionando-o como um dos mais antecipados para os Oscars para os quais recebeu cinco nomeações nas principais categorias como Filme ou Actriz.
Este filme aproxima-nos de Maya (Chastain), uma operacional da CIA, e da sua dedicação e empenho em capturar Osama bin Laden após os terríveis ataques de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, num percurso que apenas terminaria em Maio de 2011 quando após intensas buscas, pesquisas e interrogatórios onde o mote principal eram as torturas físicas e psicológicas aos detidos eram a palavra de ordem.
Maya, uma jovem recém chegada a uma área profissional que em parte condena e por outro lado percebe ser a única forma de obter informações, rapidamente se enquadra num ambiente hostil onde a cada momento que passa um novo e brutal atentado terrorista pode estar a ser preparado.
No momento em que menos o espera, Maya consegue uma pista que coloca bin Laden ao seu alcance mas, no entanto, ela parece ser a única a acreditar nesta possibilidade.
Três distintos momentos são recriados pelo argumento de Mark Boal, já colaborador de Bigelow em The Hurt Locker e que aqui se arrisca uma vez mais a receber um Oscar pelo seu trabalho. O primeiro aproxima-nos do drama em 2001 através de um conjunto de gravações onde somos confrontados com as vozes de algumas das vítimas daquele fatídico dia. Sem imagens e apenas com um ecrã em negro, não somos distraídos por nada além do sofrimento que aquelas vozes nos transmitem, ao mesmo tempo que servem de enquadramento no tempo e no espaço de tudo o que estaria para acontecer até ao presente.
O segundo longo momento deste filme coloca-nos numa quase interminável rede de escutas, interrogatórios, pesquisas e pistas para tentar capturar aquele que é (foi) o homem mais perseguido e procurado da História. Os seus retrocessos e avanços, as perdas humanas tanto na equipa que o procurava como nos inúmeros atentados terroristas que desde 2001 foram reinvindicados em nome da Al Qaeda (não determinante mas grande foi a omissão ao 11 de Março em Madrid), que contribuíram para uma vontade cada vez maior de Maya em continuar a sua missão (curioso o momento em que revela que não fez mais nada para a CIA além desta missão que, na prática a ocupou em todos os segundos do seu tempo).
Finalmente o terceiro, e talvez um dos mais emocionantes momentos, prende-se com a descoberta do "covil" de bin Laden e com a sua não captura e detenção mas  morte, e que nos aproxima de um verdadeiro filme de guerra não tanto pela acção mas sim pela forma em que a própria filmagem é realizada através de câmaras nocturnas e do próprio estilo in loco.
São estes três mesmos segmentos que acabam por determinar a sua própria caracterização. Num primeiro momento assistimos a uma componente mais pessoal onde não só é caracterizado o próprio drama que dá origem a toda esta caça como, principalmente, vemos o lado ainda "humano" desta agente que dá tudo de si para a captura daquele homem. Momento este que se prolonga até ao início do segundo onde assistimos a um conjunto de buscas, pesquisas e interrogatórios que são em muito caracterizados pelos jogos políticos e militares de bastidores que irão determinar a rapidez, ou falta dela, da execução das buscas e da possibilidade que existe, ou não, de Laden ser realmente capturado. Finalmente, a parte mais "prática" de todo este exercício que nos coloca no próprio lugar e momento da sua captura que, como referi, não tanto pela acção do momento mas mais pela forma como é filmado nos coloca nos cenários de um filme de guerra onde esperamos (já o sabemos da própria História) que aquele homem se encontre ali para finalmente ser colocado um fim a todos estes acontecimentos. É de certa forma aqui que, depois de tudo finalizado, surge um dos (senão o único) momento mais emocional de todo este filme para "Maya", quando depois de todo o seu trabalho esta terminado ela própria já não sabe para onde ir, pois toda a sua vida profissional foi dedicada a esta missão que, de uma ou outra forma, lhe retirou tudo o que de "pessoal" poderia ter desde a possibilidade de ter em tempos construído a sua própria família a todos os amigos que constituiu durante este mesmo processo. A sensação de vazio após missão cumprida é assim o elemento que vai permanecer, e é aqui que reside o grande trunfo do argumento de Boal quando nos deixa a questionar sobre o "e agora?".
Bigelow, que estranhamente falhou a nomeação a Oscar para Realização, continua a mostrar que está em forma e recomenda-se para os grandes títulos de acção. Se inicialmente há muitos e largos anos nos provou que dava cartas no género com títulos como Ruptura Explosiva ou Estranhos Prazeres, não deixa de ser igualmente verdade que agora com a sua vontade certeira de tocar na "ferida" da História americana recente, consegue não só entregar títulos controversos, polémicos e muito presentes, pela sua exactidão no relato dos factos, bem como comprova que o seu olhar clínico para os factos não deve, nem se espera, que fique adormecido.
Ao mesmo tempo é também curioso verificar que para a personagem principal de um filme do género que inicialmente por algum preconceito qualquer um poderia pensar que seria entregue a um homem é, no entanto, entregue a uma jovem mas já bem firmada actriz do momento como é o caso de Jessica Chastain. Pessoalmente não considero a sua interpretação uma das mais fortes da sua ainda jovem carreira, nem tão pouco aquele pelo qual ela ficará recordada mesmo que já tenha vencido tantos troféus ou até que venha a vencer o Oscar (novamente... não acredito que seja com este), mas não deixa também de ser verdade que Chastain se afirma a cada passo que dá. Não a vi ainda em nenhuma comédia, mas do que já vi em drama, factual ou ficcionado, não resta qualquer dúvida de que esta actriz ainda vai dar um muito (mesmo muito) e grande contributo para o cinema nos próximos tempos. Aqui, não só nos mostra ser capaz de uma interpretação objectiva e fria onde as suas emoções estão, aparentemente, desviadas de tudo o que se passa à sua volta, limitadas pela determinação que a sua missão lhe confere como, momentos depois, revela que aquele ar gélido e distante são afinal uma defesa que assume para se manter fiel a um caminho que em tempos delineou e que, uma vez concluído, a fragilidade da incerteza do "amanhã" a conseguem facilmente desarmar.
De destacar ainda as interpretações secundárias, mas determinantes para a história de Jason Clarke como "Dan" e de Jennifer Ehle como "Jessica", dois dos mais próximos apoiantes de "Maya" que não tendo sido nomeados para nenhum prémio não deixam de ser determinantes para todo este filme e para o desenvolvimento da personagem de Chastain, um como aquele que a "introduz" à brutal realidade dos interrogatórios e a outra como a única forma que tem de se ligar a um mundo mais pessoal e distante de toda aquela barbárie como se nota, por exemplo, quando as duas decidem ir "sair e jantar fora", bem como se destacam ainda as participações de Mark Strong, Édgar Ramirez ou James Gandolfini como director da CIA.
Com ou sem Oscars (acredito que vá ter o de Argumento e Som) será impossível negar a importância histórica que ele irá ter pela óbvia proximidade aos acontecimentos reais que a ninguém irão passar despercebidos, servindo mesmo de um importante interessante documento da História recente. É também verdade que uma vez mais Kathryn Bigelow toca na ferida e que este se torna num (em mais um) filme polémico da realizadora que se continua a afirmar no meio com filmes que para além da história que contam conseguem ser filmes que transcendem o tempo que demoram a decorrer no próprio ecrã.
O filme do ano não será... mas um deles será certamente e que a partir de amanhã podem ver numa sala de cinema.
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"Maya: You can help yourself by being truthful."
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8 / 10
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sábado, 25 de agosto de 2012

Zombies & Cigarettes (2009)

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Zombies & Cigarros de Iñaki San Román e Rafa Martínez é uma curta-metragem espanhola que nos leva para um centro comercial onde uma epidemia zombie ameaça os visitantes que por ali passam.
Nada sabemos sobre a origem desta epidemia, das suas origens ou do que se passa no mundo "exterior". A única coisa que sabemos é que sobreviventes são poucos, muito poucos e caem literalmente que nem tordos às mãos de tão violentos zombies. Mas até eles têm um ponto fraco que acabamos por saber já bem perto do final desta curta.
A história desta curta-metragem acaba por não trazer nada de francamente novo para o género, afinal já todos nós sabemos como isto se processa e como, à partida, irá acabar. No entanto, sejamos francos em admitir que a caracterização destes zombies é francamente positiva e deveras intimidatória. Poucos deles se conseguem ver claramente, sendo que na sua maioria se limitam em dar saltos bem grandes e correr que nem uns desalmados mas, dos poucos que nos são bem "apresentados", há que assumir que estão francamente assustadores.
A originalidade criada para o ponto fraco destes mortos-vivos também está inovador, no entanto, o rápido desfecho desta curta-metragem deixa-nos com algum amargo de boca pois esperamos que ele pudesse ser mais prolongado e garantir-nos assim mais alguns sustos com este filme. É aqui que reside aquele que posso apontar como único ponto fraco... os seus escassos (mas bons) dezassete minutos.
Interessante, bem executada, com a história de amor não correspondido sempre implícita e com doses suficientes de humor corrosivo... "Zombies?! En España?!", esta curta merecia ser um pouco mais longa, conseguindo assim seguramente uma maior legião de fãs.
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6 / 10
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Zombey (2011)

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Zombey de Jack De La Mare é uma bem disposta curta-metragem britânica que, como o próprio nome indica, perpetua o cinema zombie. E sim, digo bem disposta pois foge um pouco às contínuas mortes dramáticas, aliando-as aqui a um grande sentido de humor. Nunca chegamos a ter medo ou assustarmo-nos com nada, antes pelo contrário, a tensão é aqui do início ao fim dissipada com algum humor nonsense.
Um grupo de amigos foge de uma recente praga zombie e refugia-se numa escola primária que, não para nosso espanto, está infestada com os mortos vivos que assumem aqui várias "personalidades". Desde estudantes a professores passando pelos administrativos e pessoal de limpeza todos aqui são o resultado devastador (ou talvez não) desta epidemia.
Os momentos são sempre fruto de alguma boa disposição e percebemos claramente que desde técnicos a actores não estão à espera de ser glorificados com este trabalho o que faz com que a sua beleza resida exactamente neste aspecto. Se este trabalho fosse para levar a sério, certamente as críticas negativas iriam "chover". Assim aquilo que aqui temos é um bom resultado de entretenimento que nos conseguem quer prender quer distrair ao longo de pouco mais de quarenta minutos onde o humor completamente desprovido de sentido é rei e senhor. E resulta.
Animada e realmente bem disposta esta curta-metragem deve ser vista mais que não seja pelo conjunto de artimanhas efectuadas por este tão singular grupo de sobreviventes que recorre a tudo o que tem à mão (mesmo que seja absurdo) para sobreviver.
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6 / 10
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domingo, 20 de maio de 2012

Zombies: A Living History (2011)

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Zombies: Uma História Real de David V. Nicholson é um interessante documentário do Canal História que analisa a origem do fenómeno dos mortos vivos ao longo dos tempos bem como a sua relação com alguns dos mais significativos acontecimentos da História.
Qual a veracidade de alguns dos filmes realizados ao longo dos anos, a que se deve o aparecimento sistemático destas histórias no cinema bem como algumas dicas de sobrevivência numa catástrofe (seja ela de que natureza fôr), são alguns dos temas abordados e estudados ao longo deste documentário que vai muito além da simples "praga zombie".
Além do factor entretenimento, este documentário que deixo na integra e que especialmente para os fãs do género deve constituir um interessante documento e que é, acima de tudo, uma interessante obra de conhecimento que nos ilustra a realidade um pouco mais além daquilo que o efeito divertimento nos provoca quando assistimos a um destes filmes.
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7 / 10
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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Zombie Apocalypse (2011)

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Apocalipse Zombie de Nick Lyon é mais uma longa-metragem, neste caso feita para a televisão, sobre a já extensa temática de final do mundo como o conhecemos que dá lugar a um planeta infestado de zombies.
Numa história que se inicia com relatos dos tráficos acontecimentos que devastaram a Europa, rapidamente damos por nós nos Estados Unidos a acompanhar um grupo de sobreviventes que procura um refúgio seguro na California, onde poderão assim escapar dos perigosos zombies e reconstruir as suas vidas em paz e harmonia, mesmo sabendo que muitos daqueles que outrora conheceram já não se encontram com vida... ou pelo menos não com uma vida natural.
Muito semelhante à maioria dos demais filmes da temática zombie, este telefilme não apresenta grandes factores que o diferenciem ou que o tornem um marco na área, à excepção de conseguir reunir um actor mais mediático do que a maioria como é o caso de Ving Rhames.
Novidades, talvez não muito mas as mais significativas, prendem-se com o facto destes zombies conseguirem ser um pouco mais inteligentes do que o habitual, não se limitando apenas a deambular pelas ruas à procura do próximo naco de carne, e por pela primeira vez (tanto quanto me lembre), a epidemia ser transmitida também aos animais, se bem que depois na prática a execução destes como zombies não seja de todo a melhor.
A caracterização dos mortos-vivos apesar de ser um dos pontos fortes do filme não é, nem de longe, um dos melhores comparando com outros filmes do género, sendo que em diversas situações se nota claramente a presença de uma máscara que não está muito bem executada.
Interessante enquanto filme do género não é no entanto um dos melhores mas, ainda assim, consegue deixar por alguns momentos aquela sensação de tensão e provocar alguns sustos em boas doses.
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3 / 10
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Zomblies (2010)

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Zomblies de David M. Reynolds é uma extraordinária curta-metragem de terror zombie que faz frente (e ganha) a muitas produções do género.
Não há muito para adiantar nesta história que segue a linha já traçada por muitas outras obras do género logo, temos um conjunto de militares que tentam sobreviver no meio de uma floresta completamente infestada por uma nova estirpe de zombies... mais fortes, mais rápidos e mais sedentos de sangue, não desistem perante nada... nem mesmo com os tiros sucessivos de metralhadoras que aos poucos os vão dilacerando.
O desfecho, também ele semelhante a outros trabalhos do género, é o habitual... depois de muito se resistir e combater as adversidades, os sobreviventes são praticamente nulos e traídos pelos seus semelhantes que, à última da hora, resolvem que ninguém pode escapar.
O ambiente claustrofóbico é de tal maneira eficaz que não só nos assustamos, e bem, em diversos momentos como também sentimos o sufoco do espaço onde estes militares se encontram. Tudo, sem excepção, muito bem sucedido neste filme que nos deixa uma constante vontade de que não acabe. Queremos mais, sempre mais um bocado.
Destaque ainda para a extremamente bem conseguida e perfeitamente credível caracterização que tanto pelo grotesco tão característico destas obras como pela própria sugestão que nos é dada em diversas ocasiões consegue criar uma repulsa nem sempre eficaz no género.
Conselho a dar... simples... quem ainda não viu este filme, que aqui disponibilizo na íntegra, não sabe o que está a perder. Simplesmente magnífico.
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9 / 10
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Zodiac (2007)

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Zodiac de David Fincher, realizador de quem assumo desde já ser admirador, foi um filme que só muito recentemente vi. Desencontrado do filme no circuito de aluguer foi só há bem pouco tempo que o consegui ver à venda e imediatamente comprei. Tardou mas chegou a altura de o conseguir finalmente apreciar.
A história baseada em factos reais conta-nos os acontecimentos que se iniciaram no final da década de 60 e que percorreram os anos já até ao início do século XXI que davam conta da actividade do assassino Zodiac que depois de cometer os crimes enviava longas e detalhadas cartas para os jornais a relatar os factos.
Longe de ser apenas uma história sobre um assassino, é também a história das vidas daqueles que acompanharam de perto tda a investigação sobre a misteriosa identidade deste homem que conseguiu durante todo este perído ludibriar as investigações que foram feitas sobre o caso e especialmente sobre si.
Conhecemos Paul Avery (Robert Downey Jr.), o principal reporter a investigar este caso que pela incapacidade de comprovar a verdadeira identidade do assassino acabou dependente do alcoól e na ruína. Temos ainda uma outra figura central neste caso, ou seja, David Toschi (Mark Ruffalo), o polícia que investigou de bem perto este caso, que chegou a ter o verdadeiro culpado sob interrogação e vigilância mas que, por meios retrógrados e inquestionáveis o teve de deixar seguir a sua vida. E finalmente temos o terceiro mas não menos importante interveniente Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), o cartoonista que na sombra assistiu a todas as investigações mas que se tornou no homem que conseguiu de facto provar a identidade de tão monstruoso assassino.
Este filme que na prática nos relata todo o processo de investigações, quer policias quer jornalisticas e privadas, que se arrastaram durante praticamente três décadas, os seus sucessos e ineficácias, atrasos, medos constantes por parte dos envolvidos em receber mais uma carta com relatos de uma mente bem perversa, é no fundo bem mais do que isso.
Aqui sim assistimos a essas investigações mas como pano de fundo temos os resultados práticos que as mesmas tinham nas vidas daqueles que as efectuvam. Vidas solitárias que se corrompiam pelo alcoól, famílias que aos poucos se desintegravam graças à obsessão em tentar identificar e deter um homem que a qualquer momento ameaçava cometer outro(s) assassinato(s) e também assistimos à destruição de sólidas e bem estabelecidas carreiras que ficavam ameaçadas por pequenos actos que os tornavam a eles suspeitos de alimentar um caso que deveria ser encerrado.
Os dramas humanos que começavam a afectar as vidas destes homens tanto devido à difícil resolução do caso como pelo desgaste a que eram diariamente sujeitos torna-se aos poucos o principal elemento deste, arrisco dizer, grande filme. As diversas histórias destas homens bem como a investigação policial efectuada conseguem interligar-se de uma forma perfeitamente natural onde o trágico destino destas pessoas acaba por ser quase tão dramático como o destino daqueles que morreram às mãos deste assassino.
Gostei particularmente da interpretação deste trio de actores que são bons naquilo que fazem mas que às mãos do génio que é David Fincher ganham uma nova dimensão para as suas capacidades. Interpretações que começam quase alvas e cheias de esperança, de justiça e de sonhos e que muito rapidamente se deixam embrenhar pelo lado mais negro da vida... ganham uma dimensão demasiadamente real e humana típica da sociedade actual e dos meios em que viviam. Estranho como este filme que era apontado como um dos preferidos aos Oscars não obteve nem uma única nomeação para os mesmos. Não que isso tire importância aos filme ou às interpretações que o compõem mas, verdade seja dita, elas por vezes ajudam a abrilhantar um pouco mais as mesmas.
Gostei igualmente da perfeita conjugação entre direcção artística e fotografia que a partir de dado momento dá ao filme uma dimensão acentuadamente negra estabelecendo assim uma clara ligação entre o desespero e falta de esperança em descobrir quem era o homem por detrás daqueles assassinatos. Notamos perfeitamente durante o filme que algo muda no ambiente. Inicialemente temos a imagem em tons carregados mas desprovidos de vida e aos poucos passamos a ter um filme negro com sombras e pontos "mortos" que espelham o vazio e o desconhecido. Exactamente aquilo que as personagens sentem e aquilo que nós deveremos (deveríamos) sentir. Francamente muito bom.
Demorou para assistir a este filme mas a verdade é que valeu com toda a certeza a espera. David Fincher não desilude em nada e continua com uma carreira, a meu ver, imaculada. Gostemos mais de uns e menos de outros dos seus filmes, mas a realidade é que acabamos por não ficar indiferente a nenhum deles e percebemos claramente que é ele que está por detrás das câmaras.
Intenso, como a grande maioria da sua filmografia, este filme é indispensável. Aqueles que como eu ainda não tinham assistido... não percam mais tempo pois temos aqui um verdadeiro e genuíno thriller que em muitos momentos nos consegue realmente angustiar.
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"Robert Graysmith: Just because you can't prove it doesn't mean it isn't true."
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8 / 10
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Zombieland (2009)

Bem-vindos a Zombieland de Ruben Fleischer é no mínimo um dos melhores filmes de zombies de sempre. E quando digo de sempre... é MESMO verdade.

Num mundo infestado por zombies que são bem inteligentes e com inúmeros recursos para capturar os poucos humanos que restam, quatro resistentes sobreviventes que de início não suportam a companhia uns dos outros unem-se numa viagem sem destino como forma a escaparem às garras dos mortos-vivos.

São estes quatro sobreviventes Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Abigail Breslin que através de um conjunto de regras específicas e bem rigidas conseguirão não só eliminar um sem fim de mortos-vivos como ainda perceber que a sua união é o elo fundamental para conseguirem sobreviver num mundo que está a morrer.
O quase filme-documentário onde não só passamos por bem elaboradas e explicativas cenas sobre as regras de como sobreviver a um zombie, ainda temos aquilo que é um filme muito bem estruturado e ritmado considerando esta temática que é sempre, ou quase, um risco de ser contada pois acaba sempre por cair nos habituais clichés.
Aqui, mesmo que eles estejam presentes, são contados de uma forma francamente cómica através destas quatro personagens que em circunstâncias normais não duravam num planeta agreste mais do que dez minutos.
Como se o filme em si não fosse já um conjunto de sinais positivos que o tornam por demais apelativo, ainda temos uma participação especial hilariante. Falo claro desse grande senhor Bill Murray que aqui aparece não como actor mas como o próprio Bill Murray.
Apesar de uma sequência que não excede os dez minutos de duração, Bil Murray tem um papel não só simpático e agradável como do mais hilariante possível conseguindo captar uma boa parte da atenção que se dá ao filme, mais ainda do que aquela que damos aos demais actores. Quando ele aparece, o filme é TODO dele.
Finalmente, deixo ainda um destaque pela positiva à sequência final do filme passada no parque de diversões. É sem dúvida de tirar o fôlego e sentimo-nos bem agarrados ao sofá enquanto aquilo tudo não termina.
Com acção quanto baste, interpretações bem acima da média para um filme de comédia/terror, química entre os vários actores e um ritmo e empatia fácil criada com o público, não tenho qualquer problema em dizer que é dos melhores filmes do género não só dos últimos anos como desde sempre.
E se de facto algum dia o planeta ficar infestado de zombies... que esteja por perto uma equipa destas!




7 / 10