domingo, 17 de novembro de 2013

Pré-Seleccionados ao Goya de Filme Ibero-Americano

.
Foram hoje divulgados no âmbito do Festival Ibero-Americano de Cinema de Huelva, em Espanha, os dez filmes pré-seleccionados para o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano a atribuir na cerimónia dos prémios da Academia Espanhola de Cinema, a realizar no início do próximo ano em Madrid.
.
.
Assim entre os pré-seleccionados temos:
.
Wakolda, de Lucia Puenzo (Argentina)
Gloria, de Sebastián Leilo (Chile)
La Eterna Noche de las Doce Lunas, de Priscilla Padilla (Colômbia)
La Pelicula de Ana, de Daniel Díaz Torres (Cuba)
La Jaula de Oro, de Diego Quemada-Diéz (México)
Chicama, de Omar Forero (Perú)
A Última Vez que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (Portugal)
La Montaña, de Tavaré Blanchard e Iván Herrera (República Dominicana)
El Bella Vista, de Alicia Cano Menoni (Uruguai)
Azul y no tan Rosa, de Miguel Ferrari (Venezuela)
.

Cinanima 2013: os vencedores

.
Grande Prémio Cinanima: Plug & Play, de Michael Frei
Prémio Especial do Júri: It's Such a Beautiful Day, de Don Hertzfeldt
.
Competição Internacional
Prémio Alves Costa: Baths, de Tomek Ducki
Menção Honrosa: Astigmatismo, de Nicolai Troshinsky
Prémio Gaston Roch: Hearth, de Bálint
Menção Honrosa: Golden Boy, de Ludovic Versace
Prémio de Melhor Curta-Metragem (5 a 24 minutos): Ziegenort, de Tomasz Popakul
Prémio José Abel: Boles, de Spela Cadez
Prémio de Melhor Banda-Sonora Original: My Mum is an Airplane, de Yulia Aronova
Menção Honrosa: Antigamente, Tudo Era Diferente, de Alunos das Escolas Primárias das freguesias rurais de Montemor-o-Novo sob orientação de Joana Torgal e Rodolfo Pimenta
.
Competição Nacional
Maior de 18 Anos: Três Semanas em Dezembro, de Laura Gonçalves
Menor de 18 Anos: Brincar, de Colectivo de Crianças e Jovens de Guimarães sob orientação de Joana Torgal e Rodolfo Pimenta
Menção Honrosa: Dona Fúnfia, de Margarida Madeira
Prémio António Gaio: Ana - Um Palíndrome, de Joana Toste
Menção Honrosa: Carrotrope, de Paulo D'Alva
.
Sereia Animada
Prémio de Divulgação: Gernika, de Ángel Sandimas, Winter and Lizard, de Julia Gromskaya, Snow, de Ivana Sebestova, Sea of Letters, de Julien Telle e Renaud Perrin, Meandres, de Florence Miailhe, Elodie Bouedec e Mathilde Philippon-Aginski e One Love, de Mariya Stepanova
.

Lisbon & Estoril Film Festival 2013 - dia 10

.
Penúltimo dia do Lisbon & Estoril Film Festival com destaque natural para as presenças internacionais em Lisboa pelas 15 horas no Monumental para a antestreia do filme Cadências Obstinadas, de Fanny Ardant que estará presente para a sua apresentação (e que foi júri na edição do ano passado). Presentes também para a antestreia estarão Nuno Lopes, Gerard Depardieu e Franco Nero que participam neste filme.
Pela mesma hora no Centro de Congressos do Estoril será exibido Fora de Competição o filme História da Minha Morte, de Albert Serra que estará presente para uma conversa sobre o seu filme vencedor do Leopardo de Ouro em Locarno.
Pelas 19e30 será a segunda exibição, agora no cinema Monumental, do vencedor da Palma de Ouro, A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche, enquanto que pelas 19e45 no Espaço Nimas terá lugar uma conversa com Juliette Binoche.
Finalmente pelas 21e30 no Centro de Congressos do Estoril será exibido o filme The Immigrant, de James Gray que será apresentado pelo realizador.
.

sábado, 16 de novembro de 2013

Festival Internacional de Cinema de Roma 2013: os vencedores

.
PRÉMIOS OFICIAIS
Prémio Marc Aurelio d'Oro: Tir, de Alberto Fasulo
Prémio Especial do Júri: Quod Erat Demostrandum, de Andrei Gruzsniczk
Melhor Realizador: Kiyoshi Kurosawa, Sebunsu Kodo
Prémio Interpretação Masculina: Matthew McConaughey, Dallas Buyers Club
Prémio Interpretação Feminina: Scarlett Johansson, Her
Prémio Actor e Actriz Emergente: Todo o elenco do filme Gass
Melhor Argumento: Tayfun Pirselimoglu, Ben o Degilim
Menção Especial: Cui Jian, Lanse Gutou
Prémio Contributo Técnico: Koichi Takahashi, Sebunsu Kodo (montagem)
.
CINEMAXXI
Melhor Filme: Nepal Forever, de Aliona Polunina
Prémio Especial do Júri: Birmingemskij Ornament 2, de Andrey Silvestrov e Yury Leiderman
Cinema Breve: Der Unfertige, de Jan Soldat
Cinema Breve - Menção Especial: The Buried Alive Videos, de Roee Rosen
.
PROSPETTIVE DOC ITALIA
Prémio DOC IT - Melhor Documentário Italiano: Dal Profondo, de Valentina Pedicini
Menção Especial: Fuoristrada, de Elisa Amoruso
.
PRÉMIO PRIMEIRA OU SEGUNDA OBRA
Prémio Taodue Camera d'Oro: Out of the Furnace, de Scott Cooper
Prémio Taodue Produtor Emergente: Jean Denis Le Dinahete e Sébastien Msikaper, Il Sud è Niente
.
Prémio BNL do Público para Melhor Filme: Dallas Buyers Club, de Jean-Marc Vallée
.
ALICE NELLA CITTÀ
Melhor Filme: Lärjungen, de Ulrika Bengts
Menção Especial d Júri: Leijonasydän, de Dome Karukoski
.
PRÉMIOS PARALELOS
Prémio Farfalla d'Oro - Agiscuola: Dallas Buyers Club, de Jean-Marc Vallée
L.A.R.A. (Libera Associazione Rappresentanza di Artisti) - Melhor Intérprete Italiano: Valeria Golino, Come il Vento
Prémio AMC Melhor Montagem: Johannes Hiroshi Nakajima, Tir
Prémio Sorridendo Onlus: Anna Foglietta
Prémio AIC Melhor Fotografia: Yves Belanger, Dallas Buyers Club
Prémio Melhor Som - A.I.T.S.: Border, de Alessio Cremonini
Prémio Chioma di Berenice - Melhor Caracterização: Nadia Ferrari, La Luna su Torino
Prémio Chioma di Berenice - Melhor Design de Cabelo: Pablo J. Cabello, La Luna su Torino
Prémio Maurizio Poggiali - Melhor Documentário: The Stone River, de Giovanni Donfrancesco
Prémio de Curta-Metragem Studio Universal: Na Pravakh-Reklamy, de Ivan Vyrypaev
Prémio Centenário BNL: #100 SEC para o Futuro: Premonizione, de Salvatore Centoducati e Futuro, de Accursio Graffeo
.

Fruitvale Station (2013)

.
Fruitvale Station de Ryan Coogler é um dos filmes mais aguardados para esta temporada de prémios que está prestes a iniciar e que passa agora no Lisbon & Estoril Film Festival em duas sessões no Monumental e no Centro de Congressos do Estoril.
Esta história cujo argumento é assinado por Ryan Coogler centra-se nos factos verídicos ocorridos a 31 de Dezembro de 2008 quando Oscar Grant (Michael B. Jordan) depois de um dia onde faz as pazes com o seu passado decidido a construir um futuro melhor para si e para aqueles que o rodeiam, se vê envolvido em trágicos e inesperados acontecimentos que iriam transformar a vida de todo um conjunto de pessoas que com ele privavam. Encontros e pessoas essas que mostram que existe muito mais para saber sobre Oscar do que os meros acontecimentos que marcaram o seu passado.
Fruitvale Station é aparentemente mais um daqueles filmes que decidem partilhar a vida de um qualquer tipo que uns odeiam e de quem outros desejam gostar. Oscar Grant de seu nome é um homem como tantos outros, detentor de uma vida banal mas que numa dada altura do seu passado esteve envolvido em esquemas menos lícitos e pelos quais pagou cumprindo o seu tempo na prisão. Filho de uma mulher que lutou para ter os seus dois filhos com uma vida digna e sem privações, pai de uma jovem menina com um mundo pela frente e que tenta afastar dos mesmos caminhos que outrora seguira, Oscar tenta ainda manter uma relação com a sua companheira que a cada dia que passa perde a credibilidade que havia em tempos visto nele.
Tudo isto acontece em menos de vinte e quatro horas do último dia de 2008. O mesmo dia em que a sua mãe faz anos, no qual se livra definitivamente do passado de traficante, em que finalmente encontra uma qualquer redenção com a sua companheira e no qual estabelece uma relação duradoura com a sua filha que vê nele o exemplo de alguém que, na sua tenra idade, percebe ir defendê-la de tudo e todos. O mesmo dia em que finalmente decide abraçar uma vida que, independentemente de lhe poder vir mostrar todos os precalços e contratempos, sabe que também lhe irá reservar momentos bons, cheios de esperanças que pretende ver cumpridas e um dia poder dizer que viveu uma boa vida.
Ryan Coogler realiza e escreveu este argumento baseado em factos reais de uma forma que caso não se conhecesse a história, nos conseguiria cativar e dar a perceber que aos poucos a sua vida e as suas oportunidades vão finalmente sorrir-lhe. Simpatizamos naturalmente com este tipo que poderia facilmente ser um nosso amigo, um nosso irmão ou um colega de trabalho com o qual sabemos que podemos contar e que dentro das suas possibilidades ele está lá disponível e com uma palavra certa.
É quando esta aparente harmonia nos parece conquistar que algo nos faz perceber que nada é assim tão perfeito e bem intencionado como aquilo que nos poderíamos esperar, e finalmente percebemos que o mundo real tem as suas partidas que nos fazem (des)esperar por acontecimentos que não chegarão a concretizar-se e é quando Oscar se encontra a encher o depósito de gasolina que um acontecimento específico nos faz perceber que o que o espera não pode ser bom.
Este filme, que poderia facilmente chamar-se "As Últimas Doze Horas de um Homem" mais não é do que um sentido e por vezes emocionante retrato de um homem que decidiu a tempo poder dar o devido rumo à sua vida, encontrar uma qualquer redenção com aqueles que o rodeiam e provar que é realmente o amigo com quem todos podem contar. Michael B. Jordan, emocionante na sua igualmente sentida composição de "Oscar Grant", consegue colocar-se como um dos actores do momento que irá certamente ser muito referenciado nesta temporada de prémios que agora se aproxima, e aproximar-nos de uma "personagem" que poderia ter tudo para o caracterizarmos como "mais um". No entanto, personagem essa que se diferencia por ao longo do filme mostrar que encontrou o caminho para fazer de uma vida simples um desempenho marcante e ainda que Fruitvale Station não seja o melhor filme do ano, não deixa de se posicionar como uma denúncia sobre uma injustiça por resolver que apesar de envolto numa aura de paz nos prepara para a tragédia de uma vida que iria marcar não só aqueles que mais directamente com ele privavam como também toda uma comunidade que se sente e percebe frágil e indefesa quando confrontada com o preconceito racial ao mesmo tempo que se afasta do tradicional filme de gang urbano refugiado na marginalidade de um qualquer bairro para mostrar que pessoas simples com um passado menos tranquilo podem querer modificar a sua vida mas que vivem sempre com o estigma deixado na mesma.
Fruitvale Station é um filme linear, com um enredo já conhecido do espectador através de um conjunto de obras do género e que como tal não trazem nenhum elemento inovador, e que essencialmente fica na memória por um marcante e sentido desempenho de Michael B. Jordan, à volta de quem aliás tudo acontece e uma música original de Ludwig Göransson que nos prepara para os acontecimentos demonstrando que, embora inevitáveis, servem para marcar vidas que estamos destinados a conhecer e que o preconceito, embora por vezes mascarado, existe e persiste dentro de muitos de nós.
.
.
8 / 10
.
 
.

Sevilla Festival de Cine Europeo 2013: os vencedores

.
Giraldillo de Ouro: L'Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie
Giraldillo de Prata: Sacro GRA, de Gianfranco Rosi
Melhor Actor: Toni Servillo, La Grande Bellezza
Melhor Actriz: Alexandra Finder, Die Frau des Polizisten
Melhor Realizador: Tsai Ming-Liang, Jiao You
Melhor Argumento: Clio Barnard, The Selfish Giant
Melhor Fotografia: Claire Mathon, L'Inconnu du Lac
Prémio Deluxe - Novas Ondas: La Jungla Interior, de Juan Barrero
Prémio Novas Ondas - Não-Ficção: Costa da Morte, de Lois Patiño
Melhor Curta-Metragem - Panorama Andaluz: No Tiene Gracia, de Carlos Violadé
Melhor Filme - Secção Resistências: El Triste Olor de la Carne, de Cristóbal Arteaga
Melhor Filme - Secção Europa Júnior: Oggy y las Cucarachas, de Olivier Jean-Marie
Grande Prémio do Público - Melhor Filme da Selecção EFA 2013: Alabama Monroe, de Felix van Groeningen
IV Prémio Europeu de Cinema da Universidade de Sevilha: Projecto Las Novias, de Elena López Riera
Prémio Eurimages - Melhor Co-Produção Europeia: La Grande Bellezza, de Paolo Sorrentino
Prémio Marvin & Wayne - Curta da Secção Panorama Andaluz: Tin & Tina, de Rubin Stein
.

Festival de Cine Iberoamericano de Huelva 2013: participação portuguesa na selecção oficial

.
Inicia-se hoje o Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, que se prolonga até ao próximo dia 23 de Novembro, na qual se destacam entre outras, e em concurso, a longa-metragem portuguesa Pecado Fatal, de Luís Diogo.
Estão assim seleccionados em em competição os seguintes filmes:
.
Longas-Metragens
Las Analfabetas, de Moisés Sepúlveda
Brazilian Western, de René Sampaio
Cazando Luciérnagas, de Roberto Flores Prieto
Cinco de Mayo, La Batalla, de Rafa Lara
La Distancia más Larga, de Claudia Pinto Emperador
Esclavo de Dios, de Joel Novoa
Il Futuro, de Alicia Scherson
El Mudo, de Daniel Vega e Diego Vega
Pecado Fatal, de Luís Diogo
Planta Madre, de Gianfranco Quattrini
Vino para Robar, de Ariel Winograd
Workers, de José Luís Valle
.
Curtas-Metragens
O Afinador, de Fernando Camargo e Matheus Parizi
El Baldio, de Marcelo Martinessi
Carreteras, de Denisse Quintero
Cuando Sea Grande, de Jayro Bustamante
Des(pecho)trucción, de Maria Ruíz
¿Dónde Están las Llaves?, de Ana Graciani e Matilde Rubio
Forastero, de Lucía Ferreyra
Graça, de Anna Clara Peltier
Habitantes, de Leticia Dolera
Inframundo, de Ana Mary Ramos
Kay Pacha, de Alvaro Sarmiento
Leones, de Albert, Hernando e Mejlachowicz
Náufrago, de Andrew Stehney Vargas
No Tiene Gracia, de Carlos Violadé
Ojos, de Pablo Gonzalo Pérez
El Otro, de Jorge Dorado
Pacto, de Pedro Miguel Rozo
Pipas, de Manuela Moreno
Yocasta, de Alexa Fontanini
Yolanda, de Cristian Carretero
.
.

Lisbon & Estoril Film Festival 2013 - dia 9

.
Chegado o antepenúltimo dia do Lisbon & Estoril Film Festival os destaques naturais da programação do dia passam pela exibição de dois filmes de Sokurov sendo eles Pai e Filho no Monumental pelas 14 horas e Fausto no Espaço Nimas pela mesma hora.
No Centro de Congressos do Estoril passa Fish & Cat, de Shahram Mokri, Em Competição e com a presença do realizador que repete depois pelas 21 horas no Monumental. Também no CC do Estoril passa Pozitia Copilului, de Calin Peter Netzer, Fora de Competição, filme vencedor do Urso de Ouro em Berlim que será seguido de La Vie d'Adèle, de Abdellatif Kechiche que estará presente na sessão, naquela que é a antestreia nacional do filme.
Pela mesma hora no Centro Cultural de Belém começa o concerto de Piotr Andersewski num dos últimos eventos desta edição do LEFFEST.
.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Stockholm International Film Festival 2013: os vencedores

.
Melhor Filme: The Selfish Giant, de Clio Barnard
Menção Especial: 12 Years a Slave, de Steve McQueen
Melhor Primeira Obra: Fruitvale Station, de Ryan Coogler
Menção Especial: The Reunion, de Anna Odell
Melhor Actor: George Mackay, For Those in Peril
Melhor Actriz: Jasmine Trinca, Miele
Melhor Argumento: Alexandros Avranas e Kostas Peroulis, Miss Violence
Melhor Fotografia: Lorenzo Hagerman, Heli
Melhor Música: Hans Zimmer, 12 Years a Slave
Melhor Curta-Metragem: Tears of Inge, de Alisi Telengut
Prémio FIPRESCI: Nebraska, de Alexander Payne
Prémio Cidade de Estocolmo de Melhor Filme: She's Wild Again Tonight, de Fia-Stina Sandlund
Prémio Telia de Melhor Filme: Pozitia Copilului, de Calin Peter Netzer
1 KM Film Scholarship: Förår, de John Skoog
Menção Especial: Mr. Magdy, Room Number 17 Please, de Carl Olsson
Prémio IFESTIVAL: Swear, de Lea Becker
Citroën DS Rising Star: Adam Lundgren
Prémio Carreira: Claire Denis
Prémio Visionário: Peter Greenaway
.

Lisbon & Estoril Film Festival 2013 - dia 8

.
Neste oitavo dia do Lisbon & Estoril Film Festival temos o segundo dia de competição de curtas-metragens para o Prémio Meo a decorrer novamente no Espaço Nimas pelas 10 horas da manhã.
O cinema Monumental, em Lisboa vê seis filmes Em Competição; Sieniawka, de Marcin Malaszczak pelas 14 horas, Stop the Pounding Heart, de Roberto Minervini pelas 14e15 e Short Term 12, de Destin Cretton pelas 14e30, Das Merkwürdige Kätzchen, de Ramon Zürcher pelas 16e30, Când se Lasa Seara Peste Bucuresti sau Metabolism, de Corneliu Porumboiu pelas 16e30, e Viola, de Matías Piñeiro pelas 19e15.
Também Em Competição mas pelo Centro de Congressos do Estoril temos pelas 15 horas temos Viola, de Matías Piñeiro e pelas 17 horas La Última Película, de Raya Martin e Mark Peranson enquanto que Fora de Competição serão exibidos Fruitvale Station, de Ryan Coogler pelas 19e15 e The Grandmaster, de Wing Kar-Wei pelas 21 horas.
.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Shortcutz Xpress Viseu - Sessão #11

.
O Shortcutz Xpress Viseu está de volta à Só Sabão amanhã pelas 22 horas para mais uma sessão de cinema em formato curto.
Na habitual Secção Competitiva estarão duas curtas-metragens sendo elas O Cheiro das Velas, de Adriana Martins da Silva e Tsintty, de Rui Pedro Sousa, realizadores que estarão presentes nesta sessão para apresentar os seus trabalhos.
Finalmente o Shortcutz Xpress Viseu abre uma nova categoria de seu nome Doc Xpress Viseu com o intuito de assim existir um espaço que dê destaque aos documentários realizados sobre a região e que para esta sua primeira sessão terá presente o documentário Terra dos Sonhos, de Nuno Leocádio que também estará presente na Sessão #11 do SXV.
.
.

Wakolda (2013)

.
Wakolda de Lucía Puenzo foi uma das aguardadas e justificadas boas surpresas que o Lisbon & Estoril Film Festival trouxe e que ontem tive a oportunidade de ver no Centro de Congressos do Estoril e que tem já um percurso interessante no seu historial considerando que é um dos filmes mais nomeados para os prémios da Academia de Cinema da Argentina, o filme seleccionado para representar o país ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro bem como aos Goya para o Melhor Filme Ibero-Americano.
Este filme começa nos desertos do sul da Argentina onde uma família se dirige para a casa que Eva (Natalia Oreiro) herdou da sua mãe e que pretende reabrir como uma pensão para as tranquilas férias junto das montanhas.
É neste viagem que numa inesperada paragem encontram um homem de uma aparente desconfortante calma a quem dão direcções para a cidade que procura mas que estranhamente se impõe junto da família e os acompanha na sua viagem desenvolvendo ao mesmo tempo uma invulgar empatia com Lilith (Florencia Bado), a filha mais nova do casa.
É mais tarde quando já instalados na sua nova casa que percebemos que este homem se tornou o seu mais próximo vizinho e que mais não é do que Josef Mengele (Àlex Brendemühl), o médico que desencadeou um conjunto de brutais experiências médicas no campo de concentração de Auschwitz durante a segunda guerra mundial.
Lucía Puenzo consegue com Wakolda recriar uma atmosfera que se sente tensa desde o primeiro instante e, não soubesse o espectador quem é a sua personagem principal, conseguiríamos de igual forma perceber que algo de tenebroso se encontrava por detrás do seu passado tal não é a vontade de se manter nas sombras que demonstra desde o início sendo que, no entanto, a curiosidade que a jovem "Lilith" desperta nele, faz reavivar a memória do monstro que nunca conseguira esquecer.
Assim, e por detrás de toda a trama que se adivinha como um retrato pós-guerra de monstro que nunca esqueceu o seu "trabalho", Puenzo entrega-nos também uma história paralela mas não menos importante onde nos é igualmente relatado o passado de uma Argentina nos anos seguintes ao conflito mundial nos quais o espectador fica a conhecer o silencioso envolvimento do país com uma boa parte dos criminosos de guerra que nele encontraram refúgio para escapar aos tribunais onde seriam julgados pelos seus crimes, e como existiu igualmente uma corlaboração silenciosa por boa parte daqueles que, sendo dali naturais, partilhavam um passado pessoal ou curricular comum com as doutrinas nazis propagandeadas durante os anos 30.
Brendemühl enquanto "Josef Mengele" é perfeito e possivelmente o maior triunfo de um filme que é, já de si, bastante positivo. Com um olhar que tem tanto de penetrante como de desconcertante, o espectador fica desde cedo hipnotizado pela sua violenta calma com que encara aqueles com quem se cruza, não pelo potencial auxílio que lhes poderia prestar mas sim pela capacidade que tem em seduzi-los com uma aparente calma fruto de um mórbido interesse em desconcertar os demais em favor dos seus estudos com seres humanos. Não existe um único momento nesta sua interpretação onde consigamos ter qualquer tipo de empatia para com a personagem (real) que representa sendo que, no entanto, por momentos pensamos que ele realmente está preocupado com as pessoas com quem se cruza. Na prática está, mas apenas por nelas ver uma perfeita cobaia para testar as suas teses assassinas e percebemos rapidamente que o desfecho das vidas daqueles com quem se cruza está longe de ser pacificado.
É todo este seu comportamento e principalmente a forma como seduz maliciosamente todas aquelas pessoas que nos remete para a forma cúmplice como muitos pactuaram com um regime louco e genocida quer pela forma como se adaptaram a costumes que rebaixavam o Homem pelo Homem como por um silêncio consentido para com estas mesmas acções e comportamentos que se cultivavam entre a comunidade desde uma tenra idade.
Florencia Bado como a jovem "Lilith", fruto da atenção incondicional e "Mengele", Natalia Oreiro como "Eva", a sua mãe e Elena Roger como "Nora", a fotógrafa infiltrada da Mossad na escola alemã compõem o trio feminino protagonista cada uma delas com o seu próprio trágico destino. Se a primeira nunca alcançou (que se conheça) a altura desejada e "perfeita" segundo os padrões defendidos por "Mengele", ocupando assim um tão importante protagonismo em toda esta história que a própria narra e que assume como a sua missão de denunciar os brutais crimes cometidos pelo menos, a segunda é o espelho de uma sociedade que conviveu e consentiu que o crime vivesse tranquilamente ao seu lado sem ser questionado ou denunciado assumindo-se assim como livre para poder continuar o seu próprio "trabalho". Elena Roger é, por sua vez, o rosto com quem queremos (e conseguimos) simpatizar. Aquela que desafia o monstro e arrisca, e perde, a sua própria vida para que este seja capturado e julgado... algo que nunca viria a acontecer, mas que enfrenta sem medo aquele que seria possivelmente o homem mais temido de todo o século XX colocando assim a sua própria vida em risco. Diego Peretti como "Enzo", o pai que descobre quem é o homem que vive na sua casa, é por sua vez o rosto da denúncia. Aquele que tendo inicialmente pactuado com alguém que o parecia querer ajudar se repulsa com a barbárie dos seus actos e do seu comportamento selvaticamente pacato, e todo o segmento em que "Mengele" lhe propõe actual como eu mecenas sob uma silenciosa condição de poder continuar a estudar a sua filha que resulta no despertar de "Enzo" sobre o "trabalho" efectuado pelo médico, é no mínimo desconcertante.
Tecnicamente tenho a destacar aquele que me parece ser o mais importante aspecto de todo este filme que se prende obrigatoriamente com a sua direcção de fotografia a cargo de Nicolás Puenzo que consegue não só recuperar o ambiente sombrio de um país que parecia querer viver na sombra mas também que no seio de pequenos meios onde tudo e todos se conheciam vivia uma exuberante comunidade fechada ao exterior e que escondia assim alguns dos maiores criminosos de guerra jamais conhecidos. Direcção de fotografia esta que consegue ao mesmo tempo transformar todo um semblante carregado dos intervenientes numa metáfora do seu próprio passado que, vivido com orgulho, escondia atrocidades e uma barbárie sem limite e que nos faz olhar para Brendemühl como se este actor fosse realmente o rosto reencarnado do mal.
Possivelmente não irá longe na corrida aos Oscars por ser um ano recheado de grandes obras na categoria do Filme Estrangeiro mas, ainda assim, não deixa de ser um muito bom e competente filme do género com que felizmente o Lisbon & Estoril Film Festival presenteou o seu público.
.
.
9 / 10
.
.

European Union Film Festival Ottawa 2013: participação portuguesa

.
De 14 de Novembro a 1 de Dezembro decorre em Ottawa, no Canadá, a 28ª edição do Festival de Cinema da União Europeia com participações de 27 países europeus.
O Cônsul de Bordéus, de Francisco Manso e João Correa filme nomeada a diversos prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema incluindo para Vítor Norte como Melhor Actor, é a participação que representará Portugal no certame. O Cônsul de Bordéus é uma história ficcionada baseada em factos reais que envolveram a participação do cônsul português naquela cidade francesa, na emissão de vistos de entrada em Portugal aquando da invasão alemã do país. O filme que conta ainda com a participação de Leonor Seixas, Carlos Paulo, Laura Soveral, São José Correia e Manuel de Blas junta-se assim a uma forte representação europeia no Canadá. Fazem dela parte os seguintes filmes:
.
Alcan Highway, de Aleksi Salmenperä (Finlândia)
Äta Sova Dö, de Gabriela Pichler (Suécia)
Bajarí: Barcelona, de Eva Vila Purtí (Espanha)
O Cônsul de Bordéus, de Francisco Mando e João Correa (Portugal)
Dinner with my Sisters, de Michael Hapeshis (Chipre)
Doudege Wénkel, de Christophe Wagner (Luxemburgo)
Elavad Pildid, de Hardi Volmer (Estónia)
Les Géants, de Bouli Lanners (Bélgica)
Grand Central, de Rebecca Zlotowski (França)
Izlet, de Nejc Gazvoda (Eslovénia)
Jackie, de Antoinette Beumer (Holanda)
Kuma, de Umut Dag (Áustria)
Love.net, de Ilian Djevelekov (Bulgária)
Matrimoni e Altri Disastri, de Nina di Majo (Itália)
Mój Rower, de Piotr Trzaskalski (Polónia)
Natural Grace: Irish Music and Martin Hayes, de Art Ó Briain (Irlanda)
Nócni Brodovi, de Igor Mirkovic (Croácia)
The Other Dream Team, de Marius A. Markevicius (Lituânia)
Prilis Mladá Noc, de Olmo Omerzu (República Checa)
Sapnu Komanda 1935, de Aigars Grauba (Letónia)
Schuld sind Immer die Anderen, de Lars-Gunner Lotz (Alemanha)
Sunt o Baba Comunista, de Stere Gulea (Roménia)
Superclásico, de Ole Christian Madsen (Dinamarca)
O Theos Agapaei to Haviari, de Yannis Smaragdis (Grécia)
Up There, de Zam Salim (Reino Unido)
A Vizsga, de Péter Bergendy (Hungria)
Zázrak, de Juraj Lehotský (Eslováquia)
.
.

Lisbon & Estoril Film Festival 2013 - dia 7

.
Chegado o sétimo dia do Lisbon & Estoril Film Festival que é o mesmo que dizer que chegou o primeiro dos dois dias de exibição das curtas-metragens em competição para o Prémio Meo, no Espaço Nimas pelas 10 horas.
Pelas 14e15 no Monumental em Lisboa são novamente exibidos dois filmes da competição oficial sendo eles Tip Top, de Serge Bozon e Harmony Lessons de Emir Baigazin.
Em competição está também Stop the Pounding Heart, de Roberto Minervini que será exibido no Centro de Congressos do Estoril pelas 17e15 e no Monumental pelas 19e15.
Pelo Malo, de Mariana Rondón pelas 19e30 e Mel, de Valeria Golino pelas 21e30 serão exibidos no Centro de Congressos do Estoril com a presença das duas realizadoras para uma conversa com o público, e finalmente no Monumental é exibido, fora de competição, Fruitvale Station, de Ryan Coogler um dos filmes mais falados para a próxima cerimónia dos Oscars.
.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Lisbon & Estoril Film Festival - dia 6

.
Chega o sexto dia do Lisbon & Estoril Film Festival com a presença de quatro emblemáticos filmes do momento cinematográfico sendo eles Wakolda, de Lucia Puenzo, uma co-produção da Argentina, França, Espanha e Noruega sobre a família com que viveu Josef Mengele na Argentina que desconhecia quem o médico era na realidade, em exibição no Centro de Congressos do Estoril pelas 19 horas e Stories We Tell, de Sarah Polley pelas 21e30, um dos preferidos para o Oscar de Melhor Documentário.
Pelas 19 horas no Casino Estoril será exibido Esther Kahn dentro do ciclo de homenagem e retrospectiva a Arnaud Desplechin, com Summer Phoenix e Ian Holm.
No cinema Monumental em Lisboa temos pelas 19e30 o filme romeno Fora de Competição Pozitia Copilului, de Calin Peter Netzer e pelas 22 horas Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch com as interpretações de Tilda Swinton e Tom Hiddleston.
.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Uroki Garmonii (2013)

.
Lições de Harmonia de Emir Baigazin marcou o dia de ontem do Lisbon & Estoril Film Festival naquela que é sem margem para dúvidas a grande longa-metragem do certame e que se posiciona como um dos preferidos para o troféu de Melhor Filme.
Aslan (Timur Aidarbekov) é um jovem e pacato adolescente que vive com a avó numa pequena aldeia do Cazaquistão. Sem pais ou irmãos por perto, a sua existência é praticamente toda ela feita em silêncio e, ainda que pacífica, não deixa de ser atormentada por Bolat (Aslan Anarbayev), um seu colega de escola que a todos rouba em nome de gangsters mais velhos para patrocinar aqueles que se encontram na prisão.
Bolat despreza Aslan por motivos que nunca nos são revelados mas tudo faz para que ele seja marginalizado pelos demais colegas ameaçando todos aqueles que lhe falem ou se tornem seus amigos.
No entanto, é quando Mirsain (Mukhtar Andassov) chega à cidade e estabelece uma imediata empatia com Aslan que a vida de todos se prepara para enfrentar transformações radicais e que irão definitivamente marcar todos os envolvidos.
Emir Baigazin tem em Uroki Garmonii, a sua estreia como realizador de longas-metragens, e posso dizer que não poderia ter começado com maior empenho e convicção ao entregar ao espectador esta história que se anuncia desde o primeiro instante como um relato calmo e violento sobre o crescimento de um jovem que não só se vê isolado tendo como única referência um familiar mais idoso, a sua avó, como ao mesmo tempo os únicos pares que encontra são, eles próprios, o motor de toda uma violência sem limites.
Quer seja graças a bullying ou mesmo pela pressão dos ditos pares, "Aslan" tem toda uma convivência com a violência que o faz ser um rapaz pronto para o mais abominável dos actos e percebemo-lo desde o primeiro instante quando se prepara para esventrar uma ovelha da qual a família retira o seu sustento, num segmento que tem tanto de poético como de mórbido pelas imagens que divulga.
Se desde o primeiro instante "Aslan" é apresentado como um rapaz sujeito a uma vida difícil não só pela aparente ausência da sua família como também pelo próprio meio em que se encontra e claro, as constantes humilhações dos seus colegas, não é menos verdade que estas preparam-nos (e a nós), para o seu último acto de rebeldia que lhe permitirá ter o seu devido descanso sem que, no entanto, este lhe permita viver a vida normal de alguém da sua idade. Darwinista, assim poderíamos apelidar este filme, na medida em que somos apresentados por uma história ue celebra a sobrevivência dos mais fortes, daqueles que se adaptam às circunstâncias que lhe são colocadas pelo seu meio natural e aqui também social e que delas retiram os elementos fundamentais para garantir a sua existência. No entanto este darwinismo é manifestado não através daqueles que são fisicamente mais fortes ou destemidos mas sim naqueles que se adaptam às adversidades e as "abraçam" como potenciais defesas para a manutenção da sua própria sobrevivência. Assim, se as constantes humilhações e ostracização, bullying e violência são inicialmente motores para uma vida de sofrimento e de angústia, não é menos verdade que os mesmos são os elementos fundamentais para, a seu tempo, garantirem àquele jovem as suas próprias defesas e forças. No fundo, é uma história sobre como a violência é a única forma de defesa encontrada por alguém vítima de maus tratos, alguém esse capaz de ser tão ou mais requintado nos seus actos como aqueles que contra ele actuaram, utilizando todos os mais elementares recursos que nos são "inocentemente" apresentados ao longo de toda a narração dos acontecimentos.
Timur Aidarbekov, o jovem "Aslan", é a encarnação de uma paz sofrida. Por um lado percebemos que aquele jovem é uma vítima de uma sociedade e de um meio que podem não ser os seus. Afastado de qualquer referência paternal, de um conjunto de amigos ou de modelos de referência, ele mantém a sua inocência até onde esta pode ser possível, sabendo que rapidamente precisa de transformar os seus comportamentos e hábitos em algo que o possa manter vivo ou então irá desaparecer engolido nas investidas daqueles que contra ele actuam. Calmo, silêncioso e com um comportamento de quem parece não resistir durante muito mais tempo, o seu hábito de uma higiene incompreensível aos olhares dos demais é sinal de que se prepara para a sua guerra santa, onde a purificação do seu corpo permitirá a boa execuação dos seus actos e assim sabemos, com uma confirmação que chegará mais tarde, de que ele comprometeu-se a tomar as rédeas de uma existência que aos poucos parecia fugir-lhe.
A seu lado temos Aslan Anarbayev, que com o seu "Bolat" inicialmente mais um inocente num meio rude e que a todos coloca à prova, encarna no entanto a mente de um jovem criminoso capaz dos actos mais hediondos para provar que é ele que manda no local principalmente graças ao uso da extorção e da força física, a mesma que o impede de ver que ao seu lado pode existir alguém que pacientemente prepara o seu fim.
Em todos a desumanização está presente. Se em "Bolat" ela é evidente nos seus comportamentos fisicamente agressivos, não é menos verdade que o próprio "Aslan" também os manifesta. Logo de início podemos vê-lo na forma fria e distante com que mata uma ovelha, facto que podemos equacionar dever-se à sua sobrevivência e da sua avó, no entanto o facto mais explícito desta mesma desumanização prende-se com o comportamento que tem para com "Mirsain". Este, o único que estabeleceu uma relação de empatia e amizade consigo sem questionar as "ordens" que os demais lhe davam, é o mesmo que sofre às mãos de "Aslan" e da sua própria adaptação ao meio, usando os sentimentos de proximidade que os uniam em seu próprio proveito, não de uma forma inconsciente mas sim sentimentalmente distante. Se por um lado sabe que "Mirsain" é a única pessoa que dele se aproximou sem segunda intenções, não deixa de registar que é graças a este coração aberto que "Aslan" conseguirá a sua própria liberdade da ostracização e violência de que é alvo.
Violência esta que está presente desde o primeiro instante e Baigazin, que assinou o argumento, não nos permite esquecê-la. Temos a aparente violência de um meio rude onde os recursos são escassos e aproveitados ao limite, a social que coloca os mais fracos numa constante opressão por aqueles que são detentores de força física e actuam em grupo, os gangsters e mafias locais que vivem à custa das "doações" forçadas que cobram em nome de uma religião que não professam, na própria escola onde a desumanização se vive pelo desrespeito das crenças individuais de cada um ou até mesmo nos comportamentos dos agentes da lei que seguem os modelos de interrogatório para um menor tal como se este fosse um perigoso marginal, sem sequer questionar os motivos que o levaram a pisar os limites da lei. Violência esta que é desde o primeiro instante captada pela rudeza das imagens desprovidas de luz que a direcção de fotografia de Aziz Zhambakiyev insiste em filmar, tratando todos os intervenientes como meros elementos de uma sociedade que é, também ela, dura demais para suportar aqueles que não a aguentam.
Baigazin dá-nos assim a hipótese de assistir a uma história onde todos os intervenientes são peças fundamentais de um ciclo de violência a que nenhum tenta pôr um fim imediato. Por sobrevivência, conveniência ou pior, por mero hábito, todos são o fruto de um ambiente que apenas permite a existência daqueles que dão provas, independentemente de moralmente aceites ou não, de poder resistir. Os demais, que ousem mostrar uma qualquer indecisão ou que equacionem a moral de uma dada situação são, ou devem ser, automaticamente eliminados... mesmo que num dado momento tenham comprovado ser o topo da pirâmide do poder, permitindo um espaço muito reduzido a momentos em que cada um destes intervenientes possa pensar estar no local onde todos os seus problemas sejam esquecidos, aqui interpretados como um parque de diversões ou uma simples e pacífica margem de um rio.
Uroki Garmonii é de facto uma lição de harmonia, mas uma que apenas existe quando se jogam os dados dentro de um sistema que não permite regras para além daquelas que já estão colocadas e formatadas de forma inata... ou se joga tendo-as como base ou então somos elementos superfulos que devem ser violentamente afastados. Com todos os riscos e responsabilidades que uma primeira grande obra acarreta para o seu realizador, aqui Baigazin levantou e muito a fasquia para a sua próxima obra que espero seja tão breve e tão intensa como esta que é, sem reserva, uma das melhores e mais coerentes de todo o certame e uma forte candidata ao seu prémio máximo.
.
.
10 / 10
.
.

International Film Festival Bratislava 2013: os vencedores

.
Prémios Oficiais
Grande Prémio de Melhor Filme: Razredni Sovražnik, de Rok Biček
Melhor Realizador: Bobo Jelčić, Obrana i Zaštita e Yuri Bykov, Major
Actor: Igor Samobor, Razredni Sovražnik
Actriz: Anna Odell, Ǻterträffen
Prémio FIPRESCI: Razredni Sovražnik, de Rok Biček
Prémio do Júri dos Estudantes: Ǻterträffen, de Anna Odell
Melhor Documentário: Stories We Tell, de Sarah Polley
Melhor Curta-Metragem: Djur Jag Dödade Förra Sommare, de Gustav Danielsson
Prémio IFF Bratislava pela Excelência Artística: Billie August
Prémio Film Walk of Fame: Eva Krížiková
Prémio Film Europe: Táňa Pauhofová
.
De referir ainda que no International Film Festival Bratislava 2013 estavam três filmes portugueses em competição sendo eles Pecado Fatal, de Luís Diogo na Competição de Primeira ou Segunda Obra em Longa-Metragem, Cativeiro, de André Gil Mata na Secção Internacional de Documentários e finalmente Gambozinos, de João Nicolau na Secção de Curtas-Metragens.
.
.

Sérgio Grilo

.
1973 - 2013
.

Lisbon & Estoril Film Festival 2013 - dia 5

.
Chegado o quinto dia do Lisbon & Estoril Film Festival continuamos com a homenagem à filmografia de Alain Guiraudie através da exibição de algumas das suas obras nomeadamente Ce Vieux Rêve qui Bouge e Du Soleil pour les Gueux (Monumental às 14 horas), Voici Venu le Temps e La Force des Choses (Monumental às 16e30) e L'Inconnu du Lac (Centro de Congressos do Estoril às 19e15) com a presença do realizador, bem com a homenagem a Jorge Silva Melo através da exibição de Ninguém Duas Vezes (Monumental às 14 horas) e Coitado do Jorge (Monumental pelas 17 horas).
De destacar ainda a exibição na secção competitiva do filme Short Term 12, de Destin Creton (Centro de Congressos do Estoril às 15 horas e Monumental às 21e30) e de Vic + Flo Viram um Urso, de Dénis Côté (Moumental às 20 horas).
Finalmente o dia encerra no Centro de Congressos do Estoril pelas 22 horas com a exibição de Le Passé, de Asghar Farhadi (Fora de Competição), filme seleccionado pelo Irão para o Oscar de Filme Estrangeiro.
.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

MiradasDoc 2013: Menção Honrosa para Bela Vista

.
O documentário português Bela Vista, de Filipa Reis e João Miller Guerra, actualmente em exibição no Cinema City Alvalade, em Lisboa e também no Auditório Charlot, em Setúbal, foi premiado com uma Menção Honrosa no Miradas Doc - Festival Internacional y Mercado de Cine Documental de Guía de Isora, em Espanha.
.
.