sexta-feira, 8 de junho de 2012

Shortcutz Faro #02

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ShortcutzFaro | #02 Sessão Pátio de Letras | Faro | 21h30 ... Curtas em Competição: O Lenhador, de Rúben Ferreira | Aqui Jaz a Minha Casa, de Rui Pilão ... Curta Convidada: Raposo Manhoso, de Mauro Viegas. Não faltem!
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quinta-feira, 7 de junho de 2012

The Dictator (2012)

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O Ditador de Larry Charles é a mais recente colaboração do realizador com Sacha Baron Cohen que aqui interpreta o General Aladeen, o ditador de Wadiya, uma república no corno de África que defende orgulhosamente a ditadura e a violação constante dos Direitos Humanos no seu país.
Quando Aladeen é convocado pelas Nações Unidas para discutir as mais recentes notícias de que o seu país tem planos próprios para a emergência de um programa nuclear, a sua viagem a Nova York será tudo menos pacífica... menos ainda quando Aladeen conhece Zoey (Anna Faris), a para ele estranha activista feminina que irá roubar o seu coração e fazê-lo encarar o mundo com toda uma nova perspectiva... até um dia...
Sacha Baron Cohen enquanto o terrível ditador de Wadiya está, à escala, igual ao seu Borat, ao seu Brüno e ao seu Ali G. Se no primeiro ridiculariza ao máximo o seu país, e de arrasto os Estados Unidos que a sua personagem tanto idolatra, e se no segundo ridiculariza muitas das "boas acções humanitárias" que tantos outros têm, aqui o General Aladeen consegue, uma vez mais graças às suas eternas piadas sobre as mulheres, os judeus ou os Direitos Humanos e a terra das oportunidades, ser corrosivo e não encontrar qualquer tipo de limites ou bom senso onde parar. Tudo e todos são potenciais alvos do seu humor, muitas vezes não o mais próprio mas também somos incapazes de não rir com o que diz ou faz. Afinal, qual a melhor receita (seja para o que fôr) se não fôr o rir de nós próprios? Mesmo que para isso se tenha de tocar em assuntos que são, à partida, "sensíveis"...
Dito isto só me resta acrescentar que Baron Cohen está "em forma" como de costume, e que suspeito que estas suas criações estão para durar muitos e largos anos. De resto só compete a nós espectadores ou gostarmos ou detestarmos... é mesmo isto... não há meio termo possível. Ou gostamos do estilo e seguimos... ou então pomos de lado pois já sabemos com toda a certeza o que vai surgir dali. Já Anna Faris é, por sua vez, um elemento mais fraquinho contrariando a tendência das suas personagens noutros filmes do género onde brilha e irradia comédia... Talvez pela sua personagem, apesar de principal, ter pouco tempo de antena ao longo do filme, não consiga mostrar mais da sua graciosidade, mas o que é certo é que fica muito longe daquilo a que já nos habituou.
O único conselho a dar... quem gostou de Borat e Brüno, este é o filme que têm de ir ver... se não gostaram acreditem que não é com este que se vão tornar fãs nem do actor nem das suas corrosivas criações.
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"General Aladeen: Oh it's a girl. I'm so sorry. Where's the trashcan?"
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7 / 10
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Little Voice (1998)

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Little Voice - Uma Estrela Caída do Céu de Mark Herman é uma talvez esquecida mas muito forte comédia dramática que conta com um elenco de luxo vindo das terras de sua majestade... Michael Caine, Brenda Blethyn, Ewan McGregor, Jim Broadbent e Jane Horrocks.
LV (Horrocks) é uma mulher absurdamente tímida que se refugia do mundo e das pessoas no seu quarto. Quer seja de dia ou de noite passa todos os minutos do seu tempo a ouvir os velhos discos do seu pai onde lendas como Judy Garland, Shirley Bassey ou Marylin Monroe conseguiam encantar tudo e todos com as suas soberbas vozes.
Mas LV não vive sózinha... a acompanhá-la está Mari (Blethyn) a sua problemática e despreocupada mãe que só pensa numa qualquer emoção mais forte que a faça esquecer o pardieiro onde vive, desprezando ao mesmo tempo a sua filha que considera como um estorvo na sua vida. Quando Mari conhece Ray (Caine), e vê nele a oportunidade que tanto esperava longe estaria de pensar que este se iria encantar com a voz de LV e quereria fazer dela a sua mais nova fonte de receitas. No entanto LV não funciona como os outros querem... não canta por dinheiro. Canta para poder homenagear a memória daquele que a marcou pela sua dedicação e amor... o seu pai.
Este filme divide-se em dois momentos muitos específicos. A primeira metade onde temos um escalar da construção das diversas personagens, e suas personalidades mais ou menos excêntricas, e na qual somos abalroados por um conjunto de momentos bem cómicos onde a decadência da moral e dos valores nos é entregue não como uma fatalidade de vidas sem rumo mas sim como uma consequência inerente a pessoas que são depreocupadas com o que se passa para além do seu próprio umbigo. Mari quer uma vida boa para si sem se lembrar da sua filha, Ray quer o lucro fácil e Boo (Broadbent) quer lucrar à custa dos esquemas alheios e tudo fazem para atingir os seus objectivos. Mais que vidas sem rumo eles são, à sua maneira, representações das frustrações daqueles que não cumpriram a sua vida no seu próprio tempo, e através dos seus actos podemos ver tantas e tantas pessoas com que nos cruzamos ao longo da vida.
A segunda metade do filme é, por sua vez, aquela em que todas as consequências dos actos tomados resolvem muito abruptamente explodir provocando um despoletar de todas as verdades até então recalcadas. Enquanto que por um lado Mari percebe o quão pequena e insignificante é a sua vida, LV descobre que afinal a voz que tem dentro de si não é apenas para dar vida àquelas cantoras já desaparecidas que tanto idolatra, fazendo-se ouvir pela primeira vez na sua vida.
O elenco de actores que dá vida a este tão bizarro conjunto de personagens não poderia ter sido melhor. Michael Caine, vencedor do Globo de Ouro por esta interpretação consegue, mais do que ninguém, dar corpo a estas personagens marginais e que fazem dos seus actos a sobrevivência do dia-a-dia, enquanto que por sua vez Brenda Blethyn que estamos habituados a encontrar em personagens humanas e sensíveis que fazem da sua existência uma luta pela própria dignidade aqui, pelo contrário, temos a dar corpo a esta Mari Hoff, Mrs. F. Hoff como ela costuma dizer (tentem perceber o significado deste apelido), uma mulher rude e desiludida com a vida que tem e com a ideia daquela que poderia ter tido e que descarregou no marido e no presente na filha, todas as frustrações por nunca ter alcançado o que sempre sonhou para si. Com uma nomeação ao BAFTA, ao Globo de Ouro e ao Oscar (a segunda) por esta interpretação, Blethyn mostra do que é capaz com qualquer tipo de personagem que lhe é entregue e que por sua vez nos entrega com toda a dedicação. Mesmo com esta tão vil personagem consegue conquistar qualquer um de nós que, mesmo revoltados com as barbaridades que profere, consegue ter sempre a sua eterna graciosidade.
Jane Horrocks para quem a personagem foi escrita para o teatro e que aqui assume uma vez mais a interpretação principal, é simplesmente divinal. A sua gentileza e simplicidade conquistam o coração de qualquer um de nós e percebemos muito facilmente como aquele quarto onde passa grande parte do seu tempo se torna no seu próprio mundo fechado a tudo e a todos. A própria decoração e o cuidado que nele investe destoam de imediato com toda a restante casa, e ela faz disso a sua batalha tentando mesmo que a sua horrível mãe, culpada da morte do seu pai (não por assassinato mas pela frieza das palavras que sempre usou), dali se mantenha afastada.
O filme não são só momentos pesados e dramáticos. Bem pelo contrário, temos durante quase toda a sua duração uma tentativa, sempre bem conseguida, de transformar mesmo os momentos mais intensos em ligeiros e soltas situações cómicas que nos dão um lado mais positivo mesmo da desgraça que insiste em bater fortemente à porta. A tragédia aqui é tanta que só pela comédia consegue ser encarada. Quando não existe mais nada que nos tire do buraco em que nos encontramos... o melhor é mesmo sorrir e esperar que passe.
Excelência na direcção e na interpretação, este filme consegue não só provocar-nos intensos momentos dramáticos como também muito boas situações de comédia das quais não conseguimos deixar escapar algumas gargalhadas.
Uma referência na inteligente comédia dramática britânica à qual se deve prestar muita atenção.
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"LV: He never spoke up to you because you'd never listen. I never spoke up to you because I could never get a word in!"
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9 / 10
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terça-feira, 5 de junho de 2012

A Armada - Nos Bastidores da Verdade (2011)

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A Armada - Nos Bastidores da Verdade de Alexandre Azinheira é uma curta-metragem mockumentary feita para retratar os dias da primeira banda Hard-Rock-Metal portuguesa que teve a sua fundação em 1978 "ali para os lados da rua do Cinebolso".
A genialidade desta curta-metragem começa pelo facto de se apresentar muito séria com o propósito de relatar o aparecimento desta banda que revolucionou a vida de toda uma geração desde os mais "chungas" aos mais "betos". Para aqueles que de nós são apanhados de surpresa, ela começa a funcionar mais como um documento histórico, onde é contextualizada toda uma época, do que propriamente uma curta-metragem de comédia.
É quando aparecem os seus intervenientes e personagens mais ou menos bizarras que começamos a perceber a real dimensão deste trabalho e quão genialmente concebido ele está. A capacidade de criação de um conjunto de personagens que, por muito que não queiramos, nos parecem até bastante "familiares", é de facto muito boa e muito bem conseguida. A ex-groupie, os ex-fãs e aqueles que foram de uma ou outra forma influenciados e marcados por esta banda só poderia ser suplantado pelos próprios membros da mesma.
A descrição feita de Drum Drum, do Matos, do Pires e do Rosa à época e nos nossos dias onde são tudo menos cópias ou lembranças de '78 é no mínimo genial. Ao olharmos para o antes e o depois não poderíamos ter dois retratos mais díspares da realidade que, no fundo, é comum àqueles quatro homens. De ex-ídolos metal a contabilista, cantor popular, pregador e "tio" de Vilamoura, estes quatro tipos têm sempre na sua essência algo que os apela a voltar aos seus princípios "metal".
Genial curta-metragem com uma originalidade ímpar e uma comédia despreocupada mas muito eficaz que nos cativa desde os primeiros instantes. Se o cinema português não vai mais longe, não é pela falta de originalidade pois essa está à vista de todos nós, e do realizador só posso esperar pelo próximo trabalho.
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"Narrador: Do Palheirinho para o Mundo."
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8 / 10
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Perdoa-me (2012)

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Perdoa-me de André Dias e Joana Silva é uma simpática e terna curta-metragem que nos faz conhecer um homem que percebemos ser alguém que vive pelas ruas da cidade e que se perde nas fotografias que transporta... possivelmente o único bem que possui de uma vida passada que nunca conseguiu esquecer.
Quando um dia este homem se cruza com uma jovem e lhe rouba um dos presentes que esta tinha comprado, longe estaria de pensar que este acto menos lícito iria garantir-lhe uma qualquer aprovação que há muito não tinha.
Além da história desta curta que é sentida e quem sabe retrata a vida de muitos que andam perdidos pelas ruas de tantas cidades anónimas e anónimos de personalidade, há que destacar a igualmente franca e sincera interpretação de Agostinho Magalhães que retrata aquele homem com uma sentida vulnerabilidade.
Interpretação esta que é realçada com o excelente trabalho de fotografia e câmara que nos fazem desde o primeiro instante centrar naquela única pessoas entre tantas que passam, e que transforma a própria cidade num qualquer lugar secundário pois, as suas ruas, poderiam ser de qualquer uma espalha pelos vários cantos do mundo.
Sentida, honesta e detentora de uma franca sensibilidade, esta curta-metragem é mais uma de muitos bons trabalhos a que o cinema português tem assistido nos últimos tempos. Um retrato fiel sobre e da solidão que merece ele sim o nosso olhar.
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7 / 10
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domingo, 3 de junho de 2012

Legally Blonde (2001)


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Legalmente Loura de Robert Luketic é possivelmente o filme que lançou definitivamente para o estrelato essa grande actriz que é Reese Witherspoon, que aqui encarna Elle, uma loira com muito pouco na cabeça além de concluir o secundário, casar e viver num mundo ilusório onde nada de mal acontece... se se fôr louro e se conseguir encarar esse mesmo mundo com tanta personalidade quanto aquela que a cor do cabelo impõe.
Elle Woods (Witherspoon) vive para o liceu, respira o liceu, a sua residência e as suas tão ou mais desmioladas amigas que com ela compõem um trio bastante dinâmico em road-trips, ocasionais insinuações sexuais e estereótipos que fazem da mulher alguém dependente de um homem para poderem ser alguém na vida.
A vida de Elle é perfeita. Vive num mundo à margem da realidade, tem as suas amigas, Warner (Matthew Davis), o namorado perfeito e Bruiser o seu chihuahua que transporta para todo o lado como se de uma mala de mão, ou qualquer outro acessório, se tratasse. Tudo perfeito até ao dia em que Warner lhe diz que a vai deixar pois não é a namorada ideal para um futuro advogado de Harvard.
A perfeita vida de Elle é destruída até que esta loira literalmente burra (será?), resolve que o seu próximo desafio é estudar em Harvard e reconquistar o amor da sua vida. Aquilo que ela não esperava é que fosse a sua própria vida a mudar e ganhar todo um novo interessante e desafiante rumo que ninguém, muito menos ela, esperava poder vir a percorrer.
Hoje talvez não, mas na altura este filme assumia-se como a grande comédia do ano. Primeiro porque tinha como principal intérprete uma actriz que era (e é) muito apreciada no meio, e depois porque apesar de ser uma comédia liceal conseguia radicalmente afastar-se das tradicionais comédias do género onde a promiscuidade sexual e as piadas "broncas" assumem todo o controle e comando do filme em questão. Aqui as piadas existem sim, mas mais graças à ingenuidade da protagonista que, sem o prever, consegue dar a volta à vida de todos aqueles que a rodeiam e que têm a pior das imagens a seu respeito. Afinal o preconceito existe por todo o lado mesmo naqueles que naturalmente se assumem como mais inteligentes e iluminados e que, mais não fosse por isso, deveriam eles próprios encarar o mundo, e principalmente as pessoas, com uma mente mais aberta e disponível para aceitar a diferença mesmo que ela lhes pareça, inicialmente, "inferior".
Reese Witherspoon, que sempre tomou de pulso todos os filmes em que participou, tem de facto neste primeiro de dois em que interpretou esta personagem, esqueçam todos os outros que se aproveitaram do sucesso e soltaram (mal) para a ribalta (na prática nunca lá chegaram como este), o filme que a lançou definitivamente para as interpretações principais de Hollywood. O misto de inocência e uma pitada de malícia que a sua "Elle" transporta para o grande ecrã são não só o elemento de força do filme como aquele que faz qualquer um de nós gostar de o ver. E sim toda a gente gosta... Já vi muito boas pessoas a desdenhar o género mas com este ficaram rendidos mesmo que em "público" não o confessem.... Mas voltando a Witherspoon e à sua Elle Woods... A personagem criada consegue ser aquela amiga que todas as pessoas querem ter. Encara o mundo com um sorriso e por muitas desagradáveis situações por que possa passar, nada é motivo para desânimo... Por vezes alguns retrocessos mas nunca suficientemente fortes para a fazer retroceder. Ela é divertida e conquista-nos com o seu sorriso... com as suas deduções (i)lógicas mas principalmente com o seu carácter francamente humano que nos momentos mais delicados sabe dosear na quantidade certa para nos fazer sorrir e pensar "isto vai acabar bem".
A interpretação que lhe valeu uma nomeação ao Globo de Ouro de Melhor Actriz em Comédia e a colocou na lista como uma das preferidas para ser nomeada a Oscar de Melhor Actriz, foi aquela que marcou um ponto de viragem na sua carreira que até então era "divertida" mas que a partir deste momento a colocou também na lista de actrizes a ser consideradas para interpretações ditas "mais sérias".
E não esquecer todos os outros actores que em interpretações mais ou menos secundárias ficaram também inevitavelmente ligados e marcados a este filme... Jennifer Coolidge que se torna na improvável amiga de "Elle" que a ela recorre sempre que pretende tratar das unhas e do cabelo... Selma Blair como a rival pelo amor de "Warner"... Luke Wilson que interpreta o professor assistente que se rende a "Elle" no primeiro instante que a vê... a interpretação convidada de Raquel Welch que apesar de morena... é tão loura como "Elle"... ou Ali Larter, uma loura assumidamente mais inteligente e a quem "elle" vai salvar de uma longa estadia na prisão. Todos giram, essencialmente, em torno de Witherspoon mas também todos têm o seu lugar cativo no filme.
Aquilo que para mim faz desta comédia um filme vencedor não se prende com o facto de simpatizar com a actriz principal. Sim, é verdade que Witherspoon tem uma certa graça que nos faz gostar dela. Disso não haja dúvida. Aquilo que me faz simpatizar com o filme são as pequenas mensagens que para muitos poderão passar entre-linhas, mas que na verdade são o fio condutor de todo o filme.
Esqueçamos a actriz... esqueçamos o meio de onde ela provém e quem a rodeia. Concentremo-nos apenas nos factos... Temos uma jovem por quem ninguém dá nada e todos consideram como sendo apenas mais uma "burrinha" lá do burgo que tem tudo e não lhe dá nenhuma aplicação prática (o que de facto é a verdade). Mas é esta mesma pessoa que tem tudo para ser alguém e que nada usa que todos surpreende, primeiro pelo impossível e depois pelo concretizável. Estuda e consegue entrar numa das universidades mais prestigiadas do mundo. É certo que inicialmente pelos motivos errados, mas é depois de lá estar que realmente percebe que ela própria pode ser algo mais do que aquilo que ela própria projecta. Estuda, trabalha, luta por aquilo em que acredita e ainda tem tempo para poder ajudar uma inesperada amizade que lhe surge pelo caminho. Dedica-se àqueles que a respeitam e entrega-lhes sem reservas o seu tempo, a sua amizade e a sua atenção. Defende em quem acredita, mesmo que para todos os outros os motivos pareçam os mais errados ou improváveis, e sabe que por detrás de uma qualquer imagem há muito mais do que aquilo que os olhos vêem.
É certo que é tudo ilusório, afinal estamos a falar de um filme de comédia que à partida poderia não ter qualquer objectivo além de nos fazer divertir, mas não deixa também de ser verdade que para lá da imagem "cor-de-rosa", este filme tem muito mais escondido nas piadolas habituais de um filme de comédia. Ao contrário do que é costume no género... este filme tem coração. Tem uma mensagem que talvez muitos se esqueçam porque estão apenas divertidos a olhar para a comédia sem olhar o que ela esconde... o lado humano.
É isto que a interpretação de Witherspoon tem... um lado humano que a comédia "liceal" muitas vezes esquece, remetendo-se apenas para as brejeirices sexuais e o rebentar das hormonas que fazem destes filmes "bombas de bilheteira". E é este lado humano que torna uma personagem "impossível" em alguém real...alguém que nos esperamos que consiga triunfar no final mesmo que seja através das mais absurdas situações e momentos que seriam para qualquer um de nós, no mínimo, embaraçosos. É este lado humano que muitos ignoram e que faz com que muitas pessoas vivam num mundo à margem... um mundo paralelo e que não respeita as normas e as regras pelos quais a maioria se rege... e é a este tipo de "personagem" que representam de uma ou de outra forma muitas pessoas que eu enquanto espectador respeito. A capacidade de ser diferente mesmo quando todo o mundo diz para seguir a mesma linha. E é aqui que a Elle Woods de Witherspoon consegue ser uma vencedora intemporal e personagem pela qual será durante muitos e muitos anos recordada (mesmo que o Oscar lhe tenha chegado à mão através de outro filme).
No final, temos uma comédia forte, bem disposta e com uma enorme mensagem humana que se pretende passar (mesmo que alguns a prefiram nem sequer ver), e que se torna por muitos e longos anos um daqueles filmes que ao ver nos deixa incondicionalmente bem dispostos. Se todos os actores têm um desempenho que os marque... este será o de Reese Witherspoon.
Escusado (espero) será dizer que esta comédia deve ser vista e apreciada para além daquilo que inicialmente possamos achar dela... Caso não se veja para além do que as imagens mostram temos apenas uma comédia que esquecemos no instante imediato... No entanto se procurarmos um pouco mais para além das inocentes graçolas que percorrem o ecrã, teremos uma comédia que não esqueceremos tão depressa. Long live Elle.
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"Elle: No more boring suits or pantyhose, I'm trying to be somebody I'm not."
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10 / 10
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sábado, 2 de junho de 2012

Marco Onorato

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1953 - 2012
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1+3 Histórias (2011)

1+3 Histórias de Rui António foi uma das duas curtas-metragens em competição que abriu a primeira edição do Shortcutz Faro, naquela que se espera ser um dos novos e bem sucedidos eventos da capital algarvia.
Esta curta-metragem dividida em quatro momentos específicos teve tanto de interessante como de desapontante. Em primeiro lugar inicia a sua narrativa com um interessante segmento chamado A Trama, que nos expõe a uma bem construída história sobre um homem que todos os dias ao sair do trabalho é revistado pois sobre ele recaem suspeitas de roubo de material onde está. Suspeitas ou certezas que confirmamos quase de imediato neste segmento, possivelmente um dos mais fortes da curta, e que por si só, caso tivesse sido mais explorado, daria uma interessante e dinâmica curta.
De seguida temos O Cavalo... possivelmente um dos menos explorados momentos e que, na sua totalidade, falha na construção de uma história dinâmica que se interligasse com a anterior, e menos ainda com a seguinte, A Bicicleta, que compõe o momento cómico da curta e que tal como o primeiro momento, tem potencial suficiente para poder ir mais além sózinho.
Finalmente aquele que considero ser o segmento mais fraco, muito por causa do texto mas também pela expressividade do actor que lhe dá vida temos A Inflamação, onde um empregado reflete sobre a capacidade de enganar ou não o seu patrão na falta ao trabalho e nas consequente desculpa (pouco elaboradas) que tem para lhe dar.
A falha desta curta reside essencialmente na falta de interligação entre os quatro segmentos (apesar do próprio título nos indicar que são 1+3 histórias), mas ao mesmo tempo esta deveria existir para termos uma curta coerente na sua narrativa e na acção que lhes dá continuidade.
No geral temos então dois segmentos que têm potencial para uma vida própria, um dramático e um de vertente cómico, e outros dois mais fracos que se desenquadram na totalidade e que poderiam ser dispensáveis da obra e que, de certa forma, a fazem falhar no seu todo.
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4 / 10
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Kathryn Joosten

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1939 - 2012
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Snow White and the Huntsman (2012)

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A Branca de Neve & o Caçador de Rupert Sanders foi uma das duas adaptações cinematográficas que a história dos irmãos Grimm viu concretizada este ano. Ao contrário da primeira protagonizada por Julia Roberts como a Raínha que persegue a inocente Branca de Neve, esta adaptação tinha tudo para me levar ao cinema.
Tudo começa com um Rei solitário e a sua filha Branca de Neve (Kristen Stewart) recentemente devastados com a morte da sua mulher e mãe e que recebem a visita de Ravenna (Charlize Theron) uma jovem e bonita mulher que facilmente os seduz. Após um imediato casamento, Ravenna tem os seus próprios planos para o seu mais recente reino... a dominação do mesmo e o controle da vida das jovens mulheres que o povoam para a manutenção da sua própria beleza e imortalidade. Esta última que espera conseguir graças à juventude e graciosidade da sua jovem enteada.
No entanto, (in)voluntariamente, a jovem Branca de Neve tem outros planos para aquilo que espera ser o destino do seu Reino e do seu povo.
Voltando um pouco atrás e aos motivos pelos quais este filme me conseguiu facilmente entusiasmar e querer ir vê-lo ao cinema prendem-se, não necessariamente com a sua história, pois essa todos nós, sem excepção, sabemos como se desenrola, mas sim pelo excelente marketing (sim, um filme também vive e muito dele) que se gerou à sua volta.
Em primeiro lugar, e mentiria se não o referi-se, a presença de Charlize Theron como Ravenna, a Raínha Má, numa que é das mais icónicas personagens de toda a história literária infantil. Todos nós vibrámos em criança com a raínha transformada em velha e que dá à inocente Branca de Neve uma maçã envenenada. Não vale a pena negar... aconteceu a todos. Theron, que consegue sistematicamente "agarrar" interessantes e densas personagens, consegue aqui captar a atenção de qualquer cinéfilo que se preze e fazer-nos salivar com aquilo que poderia fazer com esta personagem. E acreditem quando digo que tudo aquilo que esperámos é correspondido e superado. Theron encarna literalmente a personagem malévola que lhe é confiada e a sua raínha tem tanto de bela como de má, de arrogante como de fria e tudo com um constante sorriso pérfido que inacreditavelmente nos faz simpatizar com ela. Sim, eu confesso... fiquei a adorar a Raínha Ravenna.
Em segundo lugar temos uma Branca de Neve que ganha vida graças a Kristen Stewart. Desde já assumo que não sou um fã da actriz nem tão pouco da saga vampírica-teen que tem feito as delícias de muitos adolescentes por esse mundo fora. A única referência mais positiva que tenho desta actriz é a sua prestação em Sala de Pânico que interpretou à largos anos com Jodie Foster e, mesmo assim apesar de simpatizar com o referido filme, não deixou grandes recordações. As minhas reservas quanto à sua interpretação eram muitas e era de longe aquilo que me motivava a ir ao cinema. No entanto, também é verdade que a sua Branca de Neve é suficientemente competente para formar um duo dinâmico com a Raínha Má, e que ele é de facto um dos elementos força nesta adaptação do conto dos irmãos Grimm. Stewart, longe de ser uma jovem mulher doce e que cative as criancinhas (note-se que este filme não é propriamente um filme infantil), consegue ser competente naquilo que faz e ficamos agradados com o seu "tempo de antena". Não é marcante, e longe de ser a intérprete mais mediática ou principal mesmo que tenha o seu nome em primeiro lugar nos créditos, consegue ainda assim ser bastante competente e construir uma interessante nova abordagem de uma Branca de Neve forte e guerreira, algo que até à data era inédito.
Finalmente, a fechar o trio protagonista temos Chris Hemsworth, o Caçador, que ao contrário da habitual presença secundária nestas histórias assume aqui o papel masculino protagonista e nos dá toda uma nova abordagem ao desenrolar e desfecho desta história que confesso não só ter acho original como bastante interessante e inovadora ao ponto de dar todo um novo significado àquilo que conhecemos desta história. Que se afaste o príncipe encantado... chegou ao reino o Caçador.
Nenhum filme deste género vive apenas e só de interpretações convincentes. Bem pelo contrário, muitas vezes estas são relegadas para segundo plano em nome de um cenário e vestuário competentes e convicentes. Aqui, estes elementos fundem-se numa perfeição exímia que nos agrade e convence do princípio ao fim. Sim, as interpretações são não só aquilo que delas esperamos mas muito mais. Todos os actores vivem numa perfeita harmonia e a química entre eles, mesmo entre aqueles que nunca pensaríamos existir, está lá. E a eles é acrescida a igual perfeição técnica que compõe toda a componente mais visual do filme. Começando pelo exuberante guarda-roupa de Charlize Theron ou o mais militar de Kristen Stewart e de Chris Hemsworth que Colleen Atwood executa na perfeição, só falha pelo temporariamente cedo em que o filme é lançado fazendo assim com que muito provavelmente a Academia se esqueça dele com o passar dos meses. Caso contrário Atwood teria aqui, muito provavelmente, mais uma das suas nomeações a Oscar.
E tecnicamente falando, também a fotografia de Greig Fraser nos transporta para um mundo imaginário onde a todo o momento damos por nós num mundo realmente mágico (ou diabólico) e onde sentimos toda a carga negativa que, por exemplo, a Floresta Negra nos transmite. Isto sem esquecer a maestria da execução de efeitos especiais que transforma todo um exército fantasmagórico num dos mais cruéis e impiedosos a que o cinema fantástico tem assistido nos últimos tempos. Este filme consegue ser, dentro do seu género, perfeito e uma das estreias mais bem conseguidos do primeiro semestre do ano.
Inteligente, com boas interpretações e bem executado tecnicamente, este A Branca de Neve & o Caçador consegue ser dos mais perfeitos filmes do género fantástico e uma das mais desafiantes adaptações cinematográficas que uma obra dos irmãos Grimm (talvez a mais mediática) conseguiu até à data ter. Arrisco sem qualquer preconceito dizer que é uma prova mais do que superada. Obrigatório ver.
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"Queen Ravenna: Mirror, mirror on the wall. Who is fairest of them all?"
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8 / 10
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Shortcutz Faro #01

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Shortcutz Faro | #01 Sessão 1 de Junho 21h30 Pátio de Letras | Curtas em competição | 1+3 Histórias Realização Rui António | Perseguido Realização Antonio Carlos | curta convidada What's Coming Realização Ramir Oliveira. Não faltem!
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Desavergonhadamente Real (2009)

Desavergonhadamente Real de Artur Serra Araújo é uma interessante e divertida curta-metragem que conta com a participação de Ivo Canelas e Marisa Morais e a narração de José Wallenstein, e que nos transporta para a gravação... da mesma.
A originalidade desta curta reside no próprio facto de acompanharmos actores/personagens numa linha paralela no decorrer das gravações que acaba por aglutinar os sentimentos de uns e outros num mesmo espaço, "confundindo" assim a realidade com a ficção.
Muito bem pensada e de uma originalidade bem recebida pelos espectadores, esta curta-metragem além de uma das vencedoras dos mais importantes troféus do Shortcutz Lisboa, valeu ainda o prémio de Melhor Actor a Ivo Canelas na edição de 2010 dos Caminhos do Cinema Português em Coimbra.
Para todos aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ver esta curta... por onde ela "parar"... não a percam.
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7 / 10
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Al Buio (2005)

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Na Escuridão de Fabio Mollo é uma curta-metragem italiana que retrata o desejo físico e sexual (in)confessável entre Antonio (Giuseppe Forli) e Marcello (Daniele Grassetti), dois rapazes que dividem o mesmo quarto.
Se Antonio revela um claro desejo por Marcello ao ponto de o seguir por todo o espaço onde ele anda, este último não parece partilhar o mesmo entusiasmo.
Será este desejo mútuo, ou estará Antonio com uma obsessão para com Marcello? Apenas a escuridão o irá revelar.
Interessante no ponto de vista das portas que abre mesmo no seu final, esta curta-metragem torna como seu principal objectivo retratar uma obsessão de uma pessoa por outra que, no entanto, a sociedade dita ser imprópria mas que, tal como o próprio título indica, na ausência de olhos que consigam compreender o que se passa na escuridão, estas relações incorrectas perpetuam-se.
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6 / 10
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Píton (2011)

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Píton de André Guiomar é uma simpática curta-metragem documental sobre a boxer Juliana Rocha que através de pequenas entrevista com a própria, o pai e o treinador formam um olhar sobre o seu início desportivo e algumas das adversidades e glórias por que já passou, e que nos dá também um olhar e uma perspectiva sobre um desporto que em Portugal (tanto quanto tenho conhecimento) não é muito divulgado e que aqui tem a proeza de o fazer através daquela que é pelos vistos a melhor no país.
Com um interessante trabalho de fotografia da autoria do próprio André Guiomar que com o seu cru preto&branco nos faz focar em todos os elementos essenciais deste filme sem dispersar para o que pode ser considerado secundário, esta curta-metragem já tem uma extensa carreira em festivais de cinema, como por exemplo os Caminhos do Cinema Português, dos quais já saiu vencedora de diversos prémios.
Interessante trabalho que aqui fica disponibilizado na íntegra.
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6 / 10
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domingo, 27 de maio de 2012

Festival Internacional de Cinema de Cannes 2012: vencedores

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Palma de Ouro: Amour, de Michael Haneke
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Grande Prémio: Reality, de Matteo Garrone
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Melhor Actriz: Cristina Flutur e Cosmina Stratan em Beyond the Hills
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Melhor Actor: Mads Mikkelsen em The Hunt
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Melhor Realizador: Carlos Reygadas por Post Tenebras Lux
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Melhor Argumento: Beyond the Hills, de Cristian Mungiu
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Prémio do Júri: The Angels’ Share, de Ken Loach
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Caméra d'Or: Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin
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Palma de Ouro - Curta Metragem: Silence, de L. Rezan Yesilbas
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P (2005)

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P - A Semente do Mal de Paul Spurrier é uma longa-metragem de terror que nos conta a história de Dau, uma jovem orfã do interior da Tailândia que após passar uma infância ostracizada por todos e ter a sua avó doente e sem dinheiro para se tratar, é induzida para trabalhar na grande cidade onde, enganada, dá por si num bar de striptease onde invejada pela colegas e desejada pelos homens, passa da sua inocência à idade adulta num curto espaço de tempo.
Mas não é só isto que se pode dizer a respeito de Dau... esta jovem aparentemente inocente esconde muito mais do que aqui que os olhos dos outros conseguem alcançar...
Este filme que começa com a vida solitária de uma jovem que apesar de não procurar a aprovação de ninguém sempre desejou fazer parte de um meio que não a desprezasse, tão depressa é interessante como com igual rapidez começa a torna-se enfadonho e aborrecido. Se os momentos iniciais até à sua chegada à capital mostram um filme que se quer dramático e com algum "cheirinho" a vingança que secretamente qualquer espectador quer ver, depressa se torna numa história onde tudo está mais concentrado e preocupado com danças do ventre e nudez semi conseguida que não convencem ninguém.
A história de Dau, esta jovem inocente que apenas pretende encontrar uma forma de ajudar a sua debilitada avó, mostram que a compaixão pode existir dentro de qualquer um de nós. Mas também é uma verdade que esta compaixão pode ser rapidamente corrompida quando "valores" mais altos como o dinheiro se intrometem do bem-estar de qualquer um de nós. Se analisarmos o filme nesta perspectiva, que é como quem diz a primeira meia-hora da sua duração, temos aquilo que procuramos neste filme. Uma história dos nossos dias... real, dramática e com uma leve brisa de vingança que vai sendo "cozinhada" à medida que os minutos passam.
O problema começa quando, já na capital, Dau se transforma numa prostituta bem paga que já nem se lembra da avózinha que está doente e precisa da sua ajuda. Nunca mais, em momento algum, sabemos o que terá se passado com aquela mulher por quem Dau abandonou todo o seu confortável mundo. A partir daqui a única preocupação de Dau é vingar-se de todos aqueles que se mostrem uma ameaça à sua segurança ou... uma forma de saciar a sua fome.
Inicialmente interessante e promissor julgo que a meio caminho o filme se perde e de uma intenção de filme de suspense/terror se torna numa vontade extrema de demonstrar uma decadência ocidental que se aproveita da extrema miséria e carência que, no caso, o povo tailandês sente. Temos os ocidentais ricos com dinheiro, muito dinheiro, para gastar em jovens raparigas e uma delas que, da fama e do "prazer" de bruxa não se livra e lá vai ganhando o seu próprio "sustento".
Esta pobre transição de dois momentos deste filme é acompanhada pela igualmente pobre caracterização de Dau que a transforma numa rapariga normal num demónio mal pensado e concebido que não assusta ninguém, pelo menos não da forma como era pretendido mas sim pela sua falta de eficácia e coerência. Não basta, bem pelo contrário, pintar a cara de preta e colocar umas lentes amarelas para se imaginar que se está possuído por "algo".
Com um potencial dentro do género que se perde pelo caminho, este filme promete inicialmente muito mais do que aquilo em que se transforma acabado por se tornar maçador e repetitivo ao ponto de ser quase desgastante aguentá-lo até ao fim. Ainda assim, para os interessados e curiosos, nada melhor do que o verem para confirmarem.
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2 / 10
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sábado, 26 de maio de 2012

After Party (2011)

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After Party de Evan Agee é uma fantástica curta-metragem de "terror". Perguntam-se porque terei colocado as aspas em terror... Bom... para desenvolver muito sobre esse aspecto poderia ter de revelar algum do conteúdo desta curta-metragem que, TEM obrigatoriamente de ser vista para poder ser apreciada.
A única coisa que posso revelar sabendo que não estou a divulgar o conteúdo da mesma é que esta curta-metragem foca, uma vez mais, a temática zombie. Mas... não é uma abordagem comum ao tema... é francamente original e bem pensada, com um argumento inovador e que provoca um excelente twist final que não pode ser perdido.
Este é de longe um dos trabalhos que merece ser visto e apreciado e que, para os fãs, não só tráz algo de novo como não desilude no final graças ao seu efeito surpresa. Sem dúvida muito boa e não deve deixar de ser vista.
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8 / 10
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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Milionária a Dias (2008)

Milionária a Dias de Carlos Neves foi um dos muitos telefilmes que a TVI produziu numa primeira vaga e que contou com a participação de alguns dos mais conhecidos actores portugueses, nomeadamente Ana Zanatti, Víctor de Sousa, Paula Lobo Antunes e Ana Moreira.
Quando Helena (Antunes) começa a trabalhar na casa de uma distinta família, São (Zanatti) e o seu marido Francisco (Víctor de Sousa) estariam longe de imaginar as suas reais intenções e aquilo que iriam literalmente passar às suas mãos. De empregada a patroa em muito pouco tempo, Helena há-de fazer pelos seus "patrões" aquilo que estes nunca esperariam, ou pensariam, que fosse possível.
Estará por detrás daquele aparente rosto inocente algo mais escondido ou serão as únicas inteções de Helena mostrar aos seus patrões que apesar de empregada deve ser tratada com o respeito que eles não lhe querem dar?!
Mais uma vez se confirma que esta primeira temporada de telefilmes produzida por este canal esteve longe de ser perfeito. As intenções e o argumento estão lá prontos para ser trabalhados e explorados por um conjunto de actores que consegue fazer inveja a qualquer produção cinematográfica, ou não falássemos de pessos pesados como Ana Zanatti e Víctor de Sousa, ou de uma actriz em constante ascenção como é o caso de Ana Moreira. O problema é que estas histórias apesar de se mostrarem receptivas a interessantes produções, perdem-se pelo caminho e nunca conseguem atingir o esplendor que as mesmas mostram poder ter.
É certo que existem alguns momentos que nos conseguem arrancar (tímidos) sorrisos, mas também é verdade que uma vez findo, este telefilme nos deixa com uma sensação de que "algo" não foi concretizado tendo apenas ficado por um conjunto de boas intenções não cumpridas.
Interessante até certo ponto, nunca chega a aquecer o suficiente para se tornar em algo minimamente memorável.
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4 / 10
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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Go Get Some Rosemary (2009)

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Vão-me Buscar Alecrim de Ben Safdie e Joshua Safdie vencedor do Grande Prémio Cidade de Lisboa numa das anteriores edições do IndieLisboa conta-nos a história de um pai divorciado que durante um conjunto de dias fica com os seus filhos na sua casa nova e ainda pouco "habitável".
Lenny (Ronald Bronstein) é um homem aparentemente mais velho do que a sua real idade e que se encontra dividido entre as suas responsabilidades e o seu eterno desejo de permanecer jovem e independente de qualquer obrigação. Durante o período em que fica com os seus filhos todo o tipo de ocorrências mais ou menos normais sucedem a um ritmo alucinante que demonstram o quão pouco preparado está para poder assumir qualquer compromisso que seja, independentemente da motivação ou vontade que tem de, por exemplo, poder estar com os seus filhos.
Por muito interessante que seja podermos assistir à dinâmica existente entre um pai solteiro e os seus jovens filhos, este filme acabou por fazer perder muita da concentração que nele poderia depositar graças à sua filmagem ao estilo de "câmara na mão". Ficamos desde o início com a leve impressão de que os realizadores pretendem estar em todo o lado ao mesmo tempo e como tal filmar tudo o que lhes aparece à frente quebrando assim muita da atenção que poderíamos ter em determinados momentos.
E o mesmo se poderá dizer com alguns dos momentos do filme que são e estão francamente desapropriados com a narrativa principal nomeadamente o mais flagrante quando após ter estado com os filhos no ginásio Lenny é alvo de uma tentativa de engate por parte de outro homem... descontextualizado e sem qualquer nexo (muito menos devido à duração e da exposição que tem aquele momento). Como este, outros momentos como a mudança de casa que não sabemos como irá ser concluída ou mesmo a relação entre pai e mãe que pouco se desenvolve, acabam por estar sempre muito presentes no filme, fazendo com que outros caminhos se abram na história sem que para a narrativa principal muito contribuam além de nos mostrarem caminhos que não se fecham mas também não lhes é dada continuidade.
Resumidamente é um filme com algum potencial e com interpretações às quais não se lhes pode apontar defeitos de maior mas que se perde(m) graças à própria filmagem que nos faz dispersar por vários momentos ao longo do filme. No essencial seguimos a vida daquela família... principalmente daquele pai, que demonstra um esforço enorme para poder passar aqueles escassos dias com os seus filhos, mas ao mesmo tempo que o acompanhamos estamos também muito "preocupados" com todo o meio envolvente que, na maior parte das situações, é completamente irrelevante para o que de central está a acontecer e, como tal, perdemos por várias ocasiões o rumo que a história poderia levar.
Interessante por momentos mas nunca estimulante ao ponto de se tornar num dos filmes que gostamos realmente de ver ou com que criemos um qualquer tipo de identificação.
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3 / 10
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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gesto (2011)

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Gesto de António Borges Correia é um interessante filme que alia alguns factores originais em cerca de oitenta minutos.
O primeiro é o facto de ser um filme que é feito em duas línguas; a habitual, o português residindo a inovação no facto de ser também utilizada a língua gestual portuguesa durante uma boa parte da duração total deste filme.
O segundo aspecto a ter em consideração é o facto de Gesto ser, para lá da sua essência enquanto documental e basear-se na história do seu actor principal... António (interpretado por António Coelho), um jovem estudante surdo que ambiciona um dia ser realizador cinematográfico que cheguem a um público mais vasto... ouvintes e não.
António quer desesperadamente sair do país e estudar no estrangeiro mas, ao mesmo tempo que o deseja, vive também o seu primeiro amor por Irina Pereira, outra jovem surda. Auxiliado por Vanessa (Vanessa Teixeira), António decide efectuar um casting com alguns actores conhecidos... e é aqui que o espectador depara com algumas caras conhecidas como o são Alexandra Lencastre, Adriano Luz e José Raposo.
É neste ambiente que temos uma obra que une dois estilos. Por um lado o documental, que retrata as ansiedades de um jovem que encontra a sua paixão pelo cinema e a sua vontade de realizar filmes que tanto cheguem a um público ouvinte como a um público surdo, e para tal planeia e consegue "recrutar" três actores de reputada e bem estabelecida carreira. Os momentos de casting a estes actores são em primeiro lugar a prova de que a linguagem é por vezes uma barreira mas, por outro, também revela que quando há vontade de comunicar e de nos fazermos entender, tudo é possível... principalmente atravessar pontes que parecem, à partida, intransponíveis. A vontade de integração dos dois públicos é a sua necessidade e vocação, mas para isso sente que tem primeiro de se deslocar para outro local, conhecer novos "ares" e claro, estudar.
Por outro lado temos ainda a ficção onde a crescente paixoneta de António por Irina e os drama de uma relação que pode estar limitada pela vontade dele se deslocar para outro país tomam lugar, e é através dos gestos, das expressões e dos olhares que toda uma nova comunicação entre duas pessoas toma lugar. Comunicação esta que é - agora - essencialmente direccionada para um domínio sentimental e afectivo onde se revela o despertar de algo maior e onde os laços que se pretendem construir são os do "coração".
Rodrigo Almeida e Sousa e António Borges Correia assinam o argumento deste que é um filme assumidamente diferente e original, e que vence graças a uma perspectiva assumida desde o início de não se deixar limitar pelos eventuais entraves, e querer ser uma obra - a primeira - do género. Gesto não se quis esconder atrás de "algo que poderia ter sido", assumindo-se como um filme relativamente experimental que une dois estilos distintos - a ficção e o documental - mas que se complementam, e que ao mesmo tempo é interpretado em duas línguas também elas distintas mas que fazem parte de um mesmo povo, e que o espectador poderia também discutir sobre a sua relevância numa sociedade que se pretende inclusiva mas à qual nem todos têm acesso.
Poderia ainda dissertar sobre a necessidade de ser exibido a um nível escolar, mas seria uma dissertação que no final primaria pelo óbvio... é português e suporta uma nova abordagem e estilo diferente... estes dois argumentos resumem tudo o demais.
Temos então Gesto, um filme original que, apesar das diversas reportagens na imprensa televisiva e escrita bem como pelo facto de já ter passado na televisão, tem estado relativamente ao lado do grande público que, por reservas ainda grandes para com o seu cinema, ignora trabalhos que conquistam um lugar interessante no panorama cinematográfico nacional.
Não sei se de futuro outros projectos como este terão mais divulgação - estreia comercial por exemplo -, ou sequer se serão feitos - um bem haja à iniciativa de António Borges Correia -, mas este por ter dado o primeiro passo, terá com toda a certeza o seu lugar, não direi privilegiado mas sim de destaque, no cinema nacional.
E para aqueles que por uma ou outra circunstância se "cruzarem" com este filme, percam os preconceitos que ainda têm em relação ao cinema português ou mesmo em relação a um cinema onde a comunicação está para além de um conjunto de diálogos orais pois aqui toda uma comunicação é celebrada com o gesto, com a presença e com uma troca de olhares nem sempre explícita mas determinante para a interacção entre os diversos intervenientes... afinal se todos pensarmos nas origens do cinema... grandes mensagens chegaram ao espectador apenas com elementos de uma linguagem física e expressiva que continham todas as emoções do mundo.
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7 / 10
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