terça-feira, 31 de julho de 2012

Carla Lupi

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1965 - 2012
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Gore Vidal

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1925 - 2012
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Quarantine (2008)

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Quarentena de John Erick Dowdle é o remake norte-americano do filme espanhol [REC] de Jaume Balagueró e Paco Plaza, onde um grupo de indíviduos fica retido num prédio de Los Angeles depois de um misterioso surto epidémico infectar alguns dos seus habitantes.
Na mesma noite uma equipa de jornalista efectua uma reportagem sobre o trabalho nocturno de um conjunto de bombeiros que, numa chamada de emergência são levados àquele prédio e ali encerrados com os seus moradores. Sem saberem do perigo que os espera são ali todos encerrados naquela que será uma turbulenta e muito sangrenta noite.
Isto é o melhor e a mais correcta descrição que consigo fazer sobre este filme. O efeito surpresa em relação ao filme original já não é nenhum e sabemos perfeitamente quando vai acontecer o quê. A única diferença em relação em prédio em Barcelona centra-se precisamente no facto de aqui os moradores terem de pertencer quase obrigatoriamente a um conjunto variado de étnias e nacionalidades que retratem um universo variado de populações que povoam os Estados Unidos e fazendo assim com que a audiência nas salas de cinema possa ser um pouco mais alargada. Temos hispânicos, afro-americanos, europeus de leste e os de origem europeia nórdica dando assim um mosaico "perfeito" que vá agradar a gregos e a troianos.
O desenrolar do filme, para quem viu [REC] torna-se, em muitos momentos, bastante aborrecido. Temos os acontecimentos a decorrem ao mesmo ritmo, com os mesmos sustos apenas inovados com a presença de um cão que está tão infectado como a menina de Medeiros do filme original e que potencia um momento que poderia ser interessante mas que acaba abafado e sem qualquer interesse. Já sabemos como é o público norte-americano sempre sensível a excessos de violência que mostrem muito sangue... pelo menos para com alguns filmes.
No entanto, e a estragar em doses industriais o suposto suspense que este filme deveria ter, aqui os infectados são do mais mal pensados e caracterizados possível. Não só parecem em diversas ocasiões terem uma máscara colocada na cara em vez de uma caracterização que os torne realmente medonhos, como ainda por cima quando presos dentro de um apartamento parece que andam a saltitar por cima dos móveis como se de macaquitos charrados se tratassem. Enquanto que na história de Balagueró e Plaza os infectados metem realmente medo, aqui quase que damos por nós a rir com os berros histéricos que dão a fingir que nos querem meter medo.
O mesmo acontece com Jennifer Carpenter que nesse grande O Exorcismo de Emily Rose tanto impressionou mas que aqui mais parece uma amadora que não sabe para onde se virar. Muito sem sal e sem qualquer tipo de protagonismo como aquele alcançado por Manuela Velasco, não só Carpenter é abafada por um filme mau como todo o elenco não consegue ter uma interpretação que se consiga destacar em todo o filme.
Como uma clara vontade de se destacar da película espanhola este Quarentena não só não o consegue como acaba por repetir tudo aquilo que já vimos, mostrando assim que só existe para tentar criar um filme tão rentável nos Estados Unidos como o [REC] havia sido em Espanha, perdendo não só toda a originalidade como o suspense e o efeito surpresa.
É, em suma, um filme que nos distrai mas que não tem qualquer interesse.
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3 / 10
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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Amor Não Escolhe Idades (2008)

O Amor Não Escolhe Idades de Jorge Cardoso é um dos primeiros telefilmes que a TVI produziu no âmbito dos Casos da Vida, um conjunto de histórias exibidas semanalmente baseadas em casos reais ficcionados para o formato.
Esta produção conta-nos a história de Alberta (Rita Salema), uma professora que estando sózinha sentimentalmente, desenvolve algumas fantasias eróticas com Jorge (Francisco Côrte-Real) um dos seus alunos.
Depois destas fantasias proibidas ganharem um novo alento quando as partilha com Idália (Sónia Brazão), que a incentiva a passar à prática, Alberta ganha coragem e põe todas as suas fantasias em prática que, tal como é esperado, mais tarde ou mais cedo se tornam públicas arruinando assim toda uma reputação contruída ao longo da vida.
Assumidamente suspeito sempre deste género de histórias pois acabam, quase sempre, por resvalar num campo muito perigoso ao transformar um actor ou actriz quarentão... cinquentão... num "papa-adolescentes". Raramente as histórias são tratadas com a devida sobriedade, e acabamos por assistir a um conto repleto de imagens mais ou menos eróticas que pretendem validar a imagem de um protagonista também ele mais ou menos apagado no tempo. Infelizmente é isto que aqui acontece. Não vou discutir os dotes representativos da actriz Rita Salema que em diversas interpretações já mostrou ser talentosa e dona de uma simpatia contagiante. No entanto questiono-me se esta interpretação, e em particular este argumento, foram devidamente explorados e justificados para credibilizar tanto a sua interpretação como, claro está, a personagem que desempenha. Depois de muito pensar concluo que não.
À excepção de uns quantos momentos em que a personagem "Alberta" demonstra algum peso na consciência pelos seus pensamentos, e que consegue assim mostrar que aquela é uma situação que lhe é desconfortável, todo o restante telefilme mais não é do que passar à prática os pensamentos lascivos que a mesma tinha não os contextualizando ou sequer dando um seguimento lógico. Alberta quer... Alberta tem.
Além de tudo isto temos um conjunto de clichés mais ou menos recorrentes onde uma "cougar" que já está farta de homens da idade dela que "não lhe dão o devido valor", apenas consegue tê-lo às mãos de alguém que tem idade para ser filho dela, tornando assim todo o filme num conjunto de momentos gratuitos, sexualmente falando, mas que nem isso soube explorar devidamente fazendo com que os seus actores quase estejam embaraçados por estarem ali naquele momento.
Em suma, este telefilme é, de uma ponta à outra, um conjunto de clichés e momentos perfeitamente dispensáveis que poderiam ter sido muito melhor explorados. Aquilo que aqui vemos é, no final, mal executado.
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2 / 10
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domingo, 29 de julho de 2012

Chris Marker

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1921 - 2012
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Santos Manuel

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1933 - 2012
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Bridge (2010)

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Ponte de Ting Chian Tey é uma curta-metragem de animação na qual quatro distintos animais, um urso, um alce, um guaxinim e um coelho, tentam atravessar uma ponte. Neste processo acabam por se tornar obstáculos uns aos outros sendo que os maiores e mais fortes exercem o seu poder sobre os mais pequenos como forma de os afastar do caminho.
Quem, e sob que circunstâncias, conseguirá atravessar aquela ponte?
Uma simpática e muito bem construída história sobre a vontade de alcançar um acordo (ou a sua falta) e sobre o quanto estamos dispostos a chegar a um compromisso para o qual todos os envolvidos podem, e devem, ceder num determinado momento.
Com algum humor à mistura e bonecos animados muito bem executados esta é uma curta-metragem que vale a pena ver.
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7 / 10
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sábado, 28 de julho de 2012

Relic (2012)

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Relíquia de Sam Jordan-Richardson e James Coughlin é uma curta-metragem britânica que nos mostra um mundo apocalíptico onde Scott, um jovem de quinze anos, sobrevive sózinho com a memória dos seus pais e irmão que percebemos terem morrido após um holocausto nuclear.
Numa luta diária pela procura de alimentos, Scott teme encontrar outros sobreviventes que possam colocar em risco não só a sua segurança como a sua sobrevivência. Existirão ou não outros por ali que, ao contrário dele, procuram mais do que simplesmente sobreviver?
Gostei particularmente do início desta curta-metragem, não só pela sua premissa que apesar de já vista parece promissora, mas fiquei francamente desiludido com o recorrente cliché de fuga constante de um desconhecido agressor que apenas teve como objectivo dar a conhecer alguns "toques" de parkour que o actor principal protagoniza, e muito particularmente com um final abrupto e pouco esclarecedor ou conclusivo sobre o destino destas personagens.
Ainda assim vale pelo interessante trabalho de fotografia que com as suas luzes e cores esbatidas e desfocadas aliadas ao próprio cenário de desolação e destruição conseguem (re)criar um interessante ambiente de um mundo que já morreu e aos poucos desaparece.
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5 / 10
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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Tony Martin

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1913 - 2012
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Vaffanculo (2012)

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Vaffanculo de Nuno Filipe é uma curta-metragem que me deixou na expectativa desde o primeiro momento em que dela tomei conhecimento, graças ao seu tão explícito título. Se por um lado tinha uma intensa curiosidade para saber o que daqui vinha por outro tinha igualmente as minhas reservas pois quando o título causa choque... pode não ser necessariamente pelos melhores motivos.
Dois casais... um protagonista e outro mais escondido vivem um caso meramente sexual de troca de casais sem que saibam uns dos outros. Pelo meio da traição existem dois assassinatos cometidos pelo casal protagonista aos seus respectivos amantes. Sentimentos de culpa, raiva, ciúme e adultério que rapidamente dão lugar ao delírio e à paranóia, povoam o argumento desta curta.
Se por um lado o argumento desta curta, também da autoria de Nuno Filipe, é interessante, a sua execução está bem fragilizada. Começando pelos dois actores protagonistas... se por um lado ele se mostra demasiadamente "fora" do contexto quase como se nada se estivesse a passar à sua volta, ela é o seu oposto. Está por todo o lado num misto de histeria e desconcertação que fazem com que metade do que diga e do que tenta exprimir num over-acting de pouca qualidade se perca pelo caminho. A excessiva teatralidade da actriz dá total credibilidade à exxpressão "Less is more".
Como se isto não bastasse a interecção entre ambos roça algo amorfo... Sem vida e desprovido de naturalidade roça quase sempre a excessiva teatralidade mecânica como se se limitassem a debitar o texto sem qualquer pensamento nas palavras, e nas emoções, que se tentam transmitir. Exemplo perfeito disto estão os instantes seguintes ao primeiro assassinato onde ambos falam como se tivessem acabado de beber um café pela enésima vez.
O próprio argumento, que não dá muita margem de manobra à expressividade de ambos, deveria ter muito menos clichés sobre a relação falhada por um lado, e por outro sobre a casualidade de uns quantos encontros sexuais que vão colmatando a indiferença que o casal sente entre si.
Finalmente em aspectos técnicos há pouco de positivo a destacar... o som está mediano tornando a compreensão das falas dos actores quase incompreensível por momentos, e mesmo no que diz respeito à fotografia e luz (ou falta dela) tem bastantes falhas.
Esta curta consegue ter um argumento e história interessantes que não consegue, no entanto, encontrar uma execução digna daquilo que poderia ter sido. E mesmo o final onde deparamos com uma conclusão (desnecessária) daquilo a que assistimos, acaba por se tornar difícil de compreender o porquê de tal justificação. Tivesse a história decorrido com uma maior fluência e execução do fio condutor e esta seria perfeitamente dispensável... Já assim o é.
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2 / 10
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Lupe Ontiveros

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1942 - 2012
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Veneza 2012: Filmes em competição no Festival Internacional de Cinema

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APRÈS MAI, de Olivier Assayas (França)
AT ANY PRICE, de Ramin Bahrani (EUA - Grã-Bretanha)
BELLA ADDORMENTATA, de Marco Bellocchio (Itália)
LA CINQUIÈME SAISON, de Peter Brosens e Jessica Woodworth (Bélgica, Holanda, França)
LEMALE ET HA’CHALAL, de Rama Burshtein (Israel)
È STATO IL FIGLIO, de Daniele Ciprì (Itália, França)
UN GIORNO SPECIALE, de Francesca Comencini (Itália)
PASSION, de Brian de Palma (França, Alemanha)
SUPERSTAR, de Xavier Giannoli (França, Bélgica)
PIETA, de Ki-Duk Kim (Coreia do Sul)
OUTRAGE BEYOND, de Takeshi Kitano (Japão)
SPRING BREAKERS, de Harmony Korine (EUA)
TO THE WONDER, de Terrence Malick (EUA)
SINAPUPUNAN, de Brillante Mendoza (Filipinas)
LINHAS DE WELLINGTON, de Valeria Sarmiento (Portugal, França)
PARADIES: GLAUBE, de Ulrich Seidl (Áustria, França, Alemanha)
IZMENA, de Kirill Serebrennikov (Rússia)
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Heavenly Appeals (2009)

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Recurso Celestial de David Lisbe é uma muito divertida curta-metragem de animação que nos conta a história de Raymond K. Hessle, um condenado a anos de tortura no Inferno que agora tem a sua oportunidade de tentar entrar no Paraíso.
No entanto, apesar do anjo encarregado do seu processo não lhe facilitar a vida, Hessle terá finalmente a oportunidade de provar o seu mérito para passar aquele tão cobiçado portão dourado.
Simples, divertida e com uma interessante premissa sobre as segundas oportunidades (ou falta delas), esta é uma curta-metragem que deve ser vista pela mensagem que dela guardamos no final.
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8 / 10
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

The Curse of the Jade Scorpion (2001)

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A Maldição do Escorpião de Jade de Woody Allen é uma longa-metragem norte-americana onde o actor/realizador volta a participar enquanto intérprete dando vida a CW Briggs, um perito de seguros que, juntamente com Betty Ann Fitzgerald (Helen Hunt) a sua superiora na empresa, é hipnotizado por Voltan (David Ogden Stiers) e levado a assaltar as casas em que instalou alarmes para roubar as jóias aí existentes.
Poderá CW descobrir o verdadeiro criminoso e ilibar-se de um crime que não cometeu?
À semelhança das demais obras de Allen, além de dirigir The Curse of the Jade Scorpion também escreveu o argumento desta história dando vida a personagens repletas de pequenas neuroses que giram em torno de um protagonista (ele próprio), naquela que poderá facilmente ser considerada como uma personagem extensão do próprio Allen. "CW Briggs", personagem à qual da vida, dificilmente poderia ser confundida com outro que não o próprio Allen, não só por ser o centro de toda uma trama que parece não ter fim ou solução como apresenta todas as neuroses a que o cineasta já habituou o seu público e pequenas mas determinantes características como, por exemplo, ter todas as mulheres com quem contracena literalmente "aos seus pés". Se alguém iniciasse uma visualização deste filme sem saber quem era o seu realizador... certamente lá chegaria sem grandes ajudas.
Dito isto, o que é The Curse of the Jade Scorpion? Ambientado nos anos idos anos 40 com a piada de circunstância sobre o "alemão de bigode pequenino" a pairar no ar, o espectador sabe que se encontra numa Nova York ainda afastada da guerra e que ainda poderia perder o seu tempo com crimes e hipnoses a si associadas, enquanto que o resto do mundo vivia o seu grande drama ao qual, do outro lado do Atlântico, poucas atenções parecia receber. Aliás, se este filme pudesse em algo suscitar crítica a esses tenebrosos anos, essa residiria no facto de toda uma população (alemã) aparentar viver sobre a tal hipnose que ou os fazia ignorar o que acontecia pelas suas ruas ou então os levaria a cometer "sem consciências" a maior barbárie a que o século passado assistiu... Ambas as hipóteses são, como poderemos calcular, assustadoras demais para pensar que Allen foi assim tão longe.
De regresso a The Curse of the Jade Scorpion e esquecendo as hipóteses mirabolantes com que escreveu e dirigiu este filme, o que aqui temos afinal? Contrariamente ao inicialmente divulgado, The Curse of the Jade Scorpion é mais uma das inúmeras neuroses de Allen em funcionamento. Longe de qualquer humor capaz de nos fazer sorrir, esta história apresenta alguns actores com desempenhos sólidos para a longa-metragem em questão como por exemplo a já mencionada Hunt, Dan Aykroyd ou até mesmo Charlize Theron e uma improvável Elizabeth Berkeley com personagens secundárias mas que, pela força de um "necessário" e exigido protagonismo do realizador não conseguem desenvolvê-las e suplantar um neurótico Allen que obriga toda a produção a girar à sua volta com pouco conteúdo e incapaz de dinamizar uma história que até poderia ter algum potencial. Terá alguém, de facto, presenciado alguma comédia à custa do seu "CW"? Altamente improvável!
Com uma sólida composição técnica na direcção de fotografia de Zhao Fei e até mesmo a direcção artística, guarda-roupa e caracterização, aquilo que falta a The Curse of the Jade Scorpion é, no fundo, um protagonista capaz de dinamizar a atenção do espectador ou, por outro lado, um realizador capaz de se afastar da constante necessidade de expôr uma parte de si nas personagens que cria como se tudo no mundo fosse sobre o próprio. Encontramos potencial naquilo entregue pelos demais actores, e possivelmente com maior vontade de as conhecer do que ao próprio "CW" mas tendo todo o protagonismo e todas as acções ou direccionadas ou vindas do próprio... que espaço resta para os demais?
De um argumento que depende única e exclusivamente das suas acções e da sua presença, de personagens que giram à sua volta ou mesmo, no caso feminino, que parecem desejá-lo como se o mundo fosse terminar "amanhã", The Curse of the Jade Scorpion acaba por ser mais um devaneio "Alleniano" com muita parra... e pouquíssimo sumo. Salvem-se os secundários pois deles poderiam ter existido histórias interessantes... da afirmação da "Betty Ann" de Helen Hunt à insegurança do "Magruder" de Aykroyd passando pela sensualidade e sexualidade extrema da "Laura" de Charlize Theron sem esquecer a veia criminosa do "Voltan" de Ogden Stiers... todos eles poderiam ter feito um filme mais interessante e eventualmente com o tal humor que faltou a The Curse of the Jade Scorpion que apenas pode entusiasmar os mais acérrimos defensores de Woody Allen... esquecendo todos os demais cinéfilos.
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2 / 10
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terça-feira, 24 de julho de 2012

Blessure (2009)

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Blessure de Johan Vancauwenbergh é uma curta-metragem belga que nos relata a história de um invulgar (ou talvez não) triângulo amoroso entre Tom (Steven Boen), Steven (Tom De Hoog) e a mulher deste Marie (Janne Desmet).
Quando Steven põe fim ao seu relacionamento extra-matrimonial com Tom, este resolve devolver todos os pertences do seu amante à mulher deste sem contar nada do que se passara entre ambos. No entanto Marie irá descobrir involuntariamente o que o marido fez durante o seu "me time".
Simples e bem filmada curta-metragem que nos relata um casamento, e verdadeiros sentimentos, atraiçoados numa história cujo argumento ainda é algo fora do comum. Não é brilhante devido à sua escassa duração, mas tinha potencial para poder ter sido um filme um pouco mais longo.
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7 / 10
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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Cool (2012)

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Cool de João Garcia, João Rodrigues e Francisco Manuel Sousa é uma curta-metragem que nos dá a conhecer Zé Barata (João Rodrigues), um agente especial da União Nacional de Cervejas que, como testemunho de passagem para o irmão mais novo Chico Barata (Francisco Rodrigues), recorda os seus próprios tempos de novato onde defrontou Jorge, o Terrível (Joaquim Nicolau).
Esta simpática e divertida curta-metragem recheada de um humor negro e bem conseguido consegue cativar-nos logo de início. Simpatizamos com aquelas tão caricatas personagens que, interpretadas por actores bem jovens, falam como se anos e anos sem fim já tivessem passado pelas suas vidas.
O humor não pára pelo comportamento do já "experiente" Zé Barata continuando pelo seu relato dos seus tempos de juventude, onde só a barba (ou a ausência dela) faz diferença, levando-nos a um ambiente quase tenebroso dentro daquela taberna onde os seus caricatos frequentadores dão um ar de graça simplesmente com a sua presença.
O duelo entre Jorge, o Terrível e Zé Barata é quase inarrável. Não sabemos se havemos de ficar espantados e surpreendidos ou se por sua vez devemos rir logo no momento. A dinâmica entre os dois actores está francamente deliciosa.
A igualmente brilhante fotografia de Pedro Bessa transforma a taberna num local quase proibido de se frequentar, constituindo assim um dos pontos positivos da curta-metragem que só peca pela sua muito escassa duração. Assumidamente queria ver mais.
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6 / 10
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domingo, 22 de julho de 2012

Treasure Guards (2011)

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Guardiães do Tesouro de Iain B. MacDonald é um telefilme de origem alemã com um elenco internacional que apesar de alguns rostos conhecidos não consegue alcançar o devido protagonismo. Não pela falta de qualidade daquilo que a história poderia ter sido mas sim pelo fraco dos meios que tem disponíveis.
Victoria Carter (Anna Friel) é uma arqueóloga que descobre numas escavações um pergaminho que lhe indica o paradeiro do selo do Rei Salomão que, segundo a lenda, lhe foi entregue por Deus.
Na companhia de Angelo (Raoul Bova) um representante do Vaticano e de Luca (Volker Bruch) partem em busca do tesouro não sem serem "acompanhados" por outra equipa liderada pelo pai de Victoria que fora raptado e obrigado a trabalhar contra vontade.
Quem conseguirá chegar primeiro ao selo do Rei Salomão?
Bom... se por um lado é justo dizer que este género de filme de aventuras e alguma acção que tem como pano de fundo um tema histórico consegue facilmente atrair as atenções de qualquer cinéfilo, pois nem só de filmes ditos mais "sérios" o cinema é feito, por outro lado percebemos muito cedo que aqui não vamos ter algo que seja digno de um registo positivo.
Das interpretações que pouco "calor" têm limitando-se a banais clichés típicos e vulgares no género, nem a interpretação de Raoul Bova escapa à banalidade como um homem derrotado pelo amor que dedica a sua vida à propagação da fé e dos ideais católicos. E isto já para não falar numas quantas personagens que, apesar de serem secundárias, não têm qualquer contributo relevante para o filme limitando-se a ser quase como um "tapa-buracos" cuja única e exclusiva função é encher um pouco o filme levando-o a não ter espaços mortos durante a sua narrativa.
E o mesmo se pode dizer do argumento. Banal e sem sal sabemos perfeitamente onde e quando vai suceder o quê, onde não nos surpreende pela positiva e até mesmo quem é afinal o vilão de serviço que apesar da sua grande amabilidade e voluntariedade em descobrir o tesouro revela abertamente que nada de bom poderá sair daquela sua personagem. Essencialmente é um filme sem o dinamismo necessário para o género.
Resumidamente numa frase, é o tipo de filme de domingo à tarde que mesmo sabendo ser fracota gostamos de ver pois entretém e faz passar o tempo mas que nada de memorável nos irá apresentar.
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4 / 10
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sábado, 21 de julho de 2012

Franka Stain (2012)

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Franka Stain de Riccardo Di Gerlando é uma curta-metragem italiana feita apenas por pessoas com necessidades especiais.
A história dá-nos a conhecer uma mulher que imagina um mundo distante e onde todos os individuos que ali habitam são diferentes. Muito semelhantes às personagens dos contos de ficção e terror ao estilo de, como o próprio nome indica, Frankenstein que aqui é Franka Stain.
Um homem em busca do seu amor perdido resolve, através das investigações do seu falecido tio Victor, trazê-lo de volta à vida. Para tal embarca numa viagem desde o seu castelo até a uma gelataria num cemitério onde os resultados das cremações são transformados em deliciosos gelados com os sabores e aromas daqueles que partiram. Daí devem continuar viagem para o Bar Bara, onde uma mulher com este nome se encarrega de terminar o feitiço que faz consumar o regresso dos entes queridos.
Cheio de pequenos momentos de divertida e inocente comédia, o mote principal desta simpática curta-metragem é apenas um... o amor. Sentimo-lo logo de início com as primeiras e sensíveis imagens de uma rosa que, sem sabermos para quê, vai sendo desfeita aos poucos. O porquê só o sabemos no exacto final e reparamos que no meio de uma fértil imaginação que transporta aquela mulher para um qualquer outro lugar, o seu pensamento está, no entanto, apenas com um propósito.
Excelente, e também de referir, o trabalho de fotografia que transforma a imaginação num cenário a preto e branco como um claro reflexo de algo desejado mas não obtido.
Simpática, divertida e com boas doses de sensibilidade e humor é uma curta-metragem que vale a pena ser vista pela sua mensagem que nos mostra que o amor (ou a sua necessidade) está ao alcance de todos.
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6 / 10
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ted (2012)

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Ted de Seth MacFarlane é provavelmente um dos filmes que mais antecipei ver este Verão. Agora que já o vi posso confirmar que tinha boas razões para tal.
John é um miúdo de um bairro periférico que não tem amigos. Todos o repudiam... mesmo aqueles que são normalmente alvo de pancadaria dos mais fortes. Quando chega o Natal e os pais lhe oferecem um urso de peluche quase tão grande como ele próprio, John encontra ali o amigo que nunca teve e onde sente poder depositar toda a sua confiança e desabafos. John encontrou o seu amigo perfeito que deseja poder falar-lhe tal como ele faz. Por vezes há desejos que se concretizam e Teddy ganha misteriosamente vida tornando-se assim no amigo que John sempre quis ter.
Com o passar dos anos seria de esperar que John (Mark Wahlberg) se tivesse tornado num homem independente e adulto e que o seu amigo de infância fosse apenas uma miragem na sua memória mas, pelo contrário, Teddy, agora Ted (Seth MacFarlane) continua ainda a ser o melhor amigo de John mesmo que Lori (Mila Kunis), a sua namorada lhe diga que tem de ser finalmente independente de um urso de peluche e seguir em frente com a sua vida.
Ted é um filme que poderia facilmente cair no absurdo e no ridículo e ser um dos maiores flops dos últimos tempos arruinando assim uma muito bem conseguida, e gerida, carreira de Wahlberg. No entanto, não só o actor tem uma interpretação completamente feita à sua medida como existe uma intensa química entre a sua personagem e um urso de peluche que tem, curiosamente, a interpretação (se assim se pode chamar) do filme. Digamos que Ted, e o muito mérito que a expressiva voz de Seth MacFarlane tem, são a alma do filme. A química existente entre ambos é absoluta e conseguem criar verdadeiros momentos de boa disposição e humor mesmo que para isso tenham de puxar ao mais ordinário mas que aqui estão perfeitamente bem enquadrados e todos nós queremos ver e ter muito mais... e o que é certo é que nenhum de nós vai olhar para o tapete das compras na caixa do supermercado da mesma forma... muito menos para o gel de banho... e mais não digo!
Mark Wahlberg tem uma excelente interpretação. Se durante a maior parte do filme temos um homem adulto com comportamentos de uma criança pequena, o que é certo é que ao mesmo tempo consegue alternar para um registo adulto e com comportamentos ditos normais da sua idade. Não sendo possivelmente a interpretação da sua carreira, não deixa igualmente de ser verdade que esta será uma daquelas pela qual será recordado. Não lhe vai dar um Oscar mas a nomeação ao Globo de Ouro... não sei não...
Mila Kunis que aqui interpreta Lori, a namorada de John, consegue ser o elemento lúcido do trio, e criar a ligação adulta à vida de John. Uma interpretação bem mais ligeira do que a que teve em Cisne Negro mas, ainda assim, firme e que demonstra que esta actriz irá realmente ter uma carreira promissora. Destaque ainda para a interpretação secundária de Giovanni Ribisi com a sua assustadora(mente) disfuncional interpretação como o homem que cresceu a desejar ter um Teddy e que educou um igualmente disfuncional filho que consegue fazer tremer o mais corajoso dos homens. Os seus segmentos finais são no mínimo hilariantes. E também para Sam. J. Jones, mítico actor desse "mau" clássico Flash Gordon que aqui volta como uma versão drogada e plastificada... dele próprio.
Para lá das óbvias obscenidades que iremos ter ao longo de TODO o filme, verdade seja feita à verdadeira mensagem que este pretende alcançar. A amizade verdadeira e a cumplicidade existente entre dois seres que aqui se assumem como um humano e um urso de peluche que ganhou vida, mas independentemente de serem o que forem, é o que está por detrás de todas as acções. Este filme mostra-nos de uma forma mais ou menos real, dependendo dos momentos em causa, o crescimento de dois indivíduos e de como a sua amizade pode transformá-los nos mais variados momentos. Até mesmo a forma como ambos podem crescer à cista dessa mesma amizade. Como ela pode ser verdadeira e incondicional e especialmente como a verdadeira amizade que uma pessoa sente por outra pode ser ao ponto de abdicar da sua própria felicidade.
Possivelmente poucas pessoas vão pensar nisto quando vão estar a ver este filme. Menos ainda se calhar aqueles que pensam nisto depois de sair da sala de cinema mas, acima de qualquer obscenidade que nos faça rir e "gargalhar", o que é certo é que esta é uma das mais bem conseguidas histórias de amizade, contada através da comédia, feita nos últimos tempos.
Simplesmente delirante.
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"John e Ted: When you hear the sound of thunder
Don't you get too scared.
Just grab your thunder buddy
And say these magic words:
"Fuck you, thunder!
You can suck my dick!
You can't get me thunder
'Cause you're just God's farts!""
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8 / 10
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul Injustiçado (1995)

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Aristides de Sousa Mendes - O Cônsul Injustiçado de Teresa Olga foi o mais revolucionário documentário sobre a vida do Cônsul de Bordéus que ao passar mais de trinta mil vistos naquela cidade francesa salvou dos campos de extermínio e da morte milhares de cidadãos.
Digo revolucionário porque até à data a sua obra era pouco conhecida fora da própria área e, mesmo esta, pretendia esquecer tão nobre atitude por pertencerem ao meio muitos nomes que fizeram parte do corpo diplomático de "outros tempos". Acrescento ainda que foi quase um acto de ousadia a realização deste documentário. Aristides de Sousa Mendes obteve um estatuto quase intocável com a divulgação do seu nome. Por um lado algo que havia estado tantos e tantos anos escondido estava agora ao alcance do conhecimento de todos. Quem quis e viu tinha agora a certeza que não havia sido só Oskar Schindler a salvar milhares das garras do extermínio nazi e que, curiosamente, um desses salvadores falava português... a sua língua.
Através de imagens da época e de uma extensa mas muito bem elaborada pesquisa documental e histórica, este documentário escrito pela então jornalista da RTP, Diana Andringa, obteve quase um estatuto de culto entre o género, quer pela sua excelência quer pela já referida curiosidade que despertou em muitos portugueses. Eu fui um deles.
A diplomacia, especialmente a diplomacia de valores que anos mais tarde seria referência na academia, que centrava a sua atenção sobre aqueles que desafiam a autoridade e os seus superiores, pondo em evidência (e em clara importância) os valores da dignidade, da vida humana e sobretudo dos Direitos Humanos, obtiveram uma importância tal que vários foram os nomes que seriam falados nos anos seguintes, graças à "agora" conhecida brava acção de Sousa Mendes.
O documentário preza ainda pela coerência e destacada investigação histórica que abriu portas a novos trabalhos sobre tão esquecidos arquivos e documentação, revelando a extrema importância que é em salvaguardar tão rico património que este Homem deixou de legado para as gerações futuras mas que, pelas circunstâncias do regime que perdurou em Portugal, se mantiveram esquecidos durante anos e anos. Preza também pelo destaque dado à Casa do Passal, residência do diplomata, e que se encontrou (e se calhar ainda encontra) durante anos na mais perfeita degragação e esquecimento, como se esta representasse o apagar da sua memória em vez de se trabalhar para a sua elevação a um Museu pela sua obra.
Este é, sem qualquer margem para dúvida, um documentário que deveria fazer parte obrigatória do ensino em Portugal pois só transmitindo a sua obra é que a sua memória irá perdurar. A todos aqueles que tiverem a oportunidade de ver este documentário (que passa tantas vezes na RTP Memória) não deixem de o ver.
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10 / 10
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