segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Online Film Critics Society 2012: os nomeados

FILME
Argo
Holy Motors
The Master
Moonrise Kingdom
Zero Dark Thirty
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FILME DE ANIMAÇÃO
Brave
Frankenweenie
ParaNorman
The Secret World of Arrietty
Wreck-It Ralph
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FILME ESTRANGEIRO
Amour (Áustria)
Holy Motors (França)
De Rouille et d'Os (França)
This Is Not a Film (Irão)
A Torinói Ló (Hungria)
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DOCUMENTÁRIO
The Imposter
The Invisible War
Jiro Dreams of Sushi
The Queen of Versailles
This Is Not a Film
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REALIZADOR
Ben Affleck, Argo
Paul Thomas Anderson, The Master
Wes Anderson, Moonrise Kingdom
Kathryn Bigelow, Zero Dark Thirty
Leos Carax, Holy Motors
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ACTOR
Daniel Day-Lewis, Lincoln
John Hawkes, The Sessions
Denis Lavant, Holy Motors
Joaquin Phoenix, The Master
Denzel Washington, Flight
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ACTRIZ
Jessica Chastain, Zero Dark Thirty
Jennifer Lawrence, Silver Linings Playbook
Emmanuelle Riva, Amour
Quvenzhané Wallis, Beasts of the Southern Wild
Rachel Weisz, The Deep Blue Sea
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ACTOR SECUNDÁRIO
Alan Arkin, Argo
Dwight Henry, Beasts of the Southern Wild
Philip Seymour Hoffman, The Master
Tommy Lee Jones, Lincoln
Christoph Waltz, Django Unchained
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams, The Master
Ann Dowd, Compliance
Sally Field, Lincoln
Anne Hathaway, Les Misérables
Helen Hunt, The Sessions
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ARGUMENTO ORIGINAL
The Cabin in the Woods, Joss Whedon e Drew Goddard
Looper, Rian Johnson
The Master, Paul Thomas Anderson
Moonrise Kingdom, Wes Anderson e Roman Coppola
Zero Dark Thirty, Mark Boal
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ARGUMENTO ADAPTADO
Argo, Chris Terrio
Beasts of the Southern Wild, Lucy Alibar, Benh Zeitlin
Cloud Atlas, Lana Wachowski, Tom Tykwer, Andy Wachowski
Cosmopolis, David Cronenberg
Lincoln, Tony Kushner
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MONTAGEM
Argo, William Goldenberg
Cloud Atlas, Alexander Berner
The Master, Leslie Jones, Peter McNulty
Skyfall, Stuart Baird
Zero Dark Thirty, William Goldenberg e Dylan Tichenor
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FOTOGRAFIA
Life of Pi, Claudio Miranda
Lincoln, Janusz Kaminski
The Master, Mihai Malamiare Jr.
Moonrise Kingdom, Robert D. Yeoman
Skyfall, Roger Deakins
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domingo, 23 de dezembro de 2012

A Dança de Sísifo (2011)

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A Dança de Sísifo de André Lourenço e Paulo Valente é uma curta-metragem produzida pela Universidade Lusófona de Lisboa, naquele que é um interessante e bem elaborado trabalho sobre a importância do conhecimento e da cultura na liberdade individual.
Quando em 2084 temos uma sociedade autómata onde são criados individuos desprovidos de sentimentos e de sensações, um regime totalitário impede que o conhecimento se propague, conseguindo assim controlar as mentes daqueles que têm sede pelo conhecimento e sabedoria.
A história e o argumento deste filme, também da autoria de André Lourenço, são francamente interessantes se pensarmos no quão "actual" pode ser esta abordagem sobre os "perigos" da literatura e do conhecimento. Quando os mesmo são considerados nocivos para a sociedade (como já o foram em tempos), aquilo que temos é o estabelecimento de um regime ditatorial que a tudo e todos tenta oprimir e afastar por ser considerado uma ameaça.
Interessante está então a relação estabelecida entre a "criação" de seres que não tendo expressão, emoções ou sentimentos, se destinam unica e exclusivamente à perseguição sem fim daqueles que se opõem ao regime vigente. Felizmente, esta não é cega para sempre e chega sempre o momento de questionar as ordens que "nos" são dadas...
Igualmente desafiante e inovador estão a fotografia de Rodolfo Silveira que transforma o espaço num local quase claustrofóbico de onde parece impossível escapar, graças a uma total ausência de cor, movimentando-se apenas de um preto e branco quase artificial, bem como a banda-sonora de João Portela que recria um ambiente futurista e desprovido de emoção ou reacção às mesmas.
Já vencedor de um das edições do Shortcutz Lisboa, este é um trabalho desafiante, com pernas para andar um pouco mais além e que certamente não iria desiludir os fãs do género.
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"Voz-off: A liberdade ficou esquecida nas páginas de um livro."
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7 / 10
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Mutter (2011)

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Mutter de Rafael Martins e Tony Costa é uma curta-metragem portuguesa que aborda uma interessante temática como é o da clonagem humana.
Num futuro mais ou menos próximo a clonagem humana é praticada não sendo, no entanto, permitida. A Dra. Teresa (Anabela Teixeira) chega com o seu assistente (Welket Bungué) ao laboratório onde esperam a ajuda de Pedro (Francisco Areosa) para ajudar a um aparentemente complicado parto. A inicial relutância de Pedro rapidamente se transforma num acto que iria mudar radicalmente o seu próprio destino.
Até que alguém surge para se encarregar de traçar o futuro...
Com um argumento interessante que nos permite imaginar o quão "distante" poderá ser este futuro pelos constantes avanços que a ciência tem, esta curta-metragem pede para ser um pouco mais longa e desenvolver não só o passado das personagens como também da última aparição que nos deixa equacionar o quão "experimental" está a clonagem humana.
Dotada ainda de uma banda-sonora inquietante, no final resta-nos uma firme sensação de que este filme poderia ter ido muito mais longe pelo potencial mais ou menos elaborado que poderia ser dado ao seu argumento "futurista".
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6 / 10
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sábado, 22 de dezembro de 2012

S9 David Grachat (2011)

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S9 David Grachat de Felippe Gonçalves é uma média-metragem documental portuguesa que nos dá uma pequena abordagem à vida desportiva de David Grachat, uma das esperanças parolímpicas portuguesas que tem disputado algumas das mais importantes provas da sua especialidade.
Este documentário é construído através da realização de diversas entrevistas a alguns importantes intervenientes na vida deste atleta português, nomeadamente o seu treinador que o acompanha de perto em todo o seu percurso desportivo, bem como a alguns amigos que com ele partilharam diversas competições internacionais onde participaram.
À semelhança de tantos outros documentários, este trabalho de Felippe Gonçalves é também ele rico num contributo informativo aproximando-nos de alguns detalhes e considerações sobre a vida de um atleta de alta competição. No entanto este filme não se limita ao relato exaustivo dos factos e, distanciando-se de muitos outros, atribui um lado humano ao retrato do seu principal interveniente, o atleta David Grachat, mostrando o outro lado da competição onde, pelo meio dos treinos que efectua, consegue também reservar muito do seu tempo a conhecer atletas de outros países, conviver com eles e estabelecer aquilo que, pensamos nós, falta muitas vezes nestas competições... camaradagem, espírito de equipa e de entreajuda, sendo esse aliás, um dos seus pontos mais fortes. Dar uma dimensão humana a um documentário que tem, normalmente, uma componente muito mais descritiva e informativa.
Este filme surgiu igualmente numa altura francamente importante. Como produção do ano de 2011, e se pensarmos que neste passado Verão foram efectuados em Londres os Jogos Olímpicos e Parolímpicos, este teria sido um bem conseguido e interessante trabalho para que não só as salas de cinema como também algum canal de televisão lhe tivesse pegado e divulgado para podermos conhecer um pouco mais o dia-a-dia de um dos nossos atletas que quer fosse medalhado ou não representou o país que tem, por tantos momentos, uma falta de representantes com quem a população per si possa criar empatia e identificação.
O documentário que foi recentemente disponibilizado online numa rede social, e que agora também deixo aqui disponível para poderem apreciar, é assim um interessante documento sobre a vida de um dedicado atleta de alta competição que consegue também reservar um aspecto fundamental na vida de qualquer indivíduo... a sua humanidade e que, graças a ela como podemos ver os testemunhos de alguns entrevistados, consegue não só conquistar os lugares das medalhas mas também, bem mais importante, a simpatia daqueles com quem convive.
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8 / 10
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tabu (2012)

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Tabu de Miguel Gomes vencedor de dois prémios no Festival Internacional de Cinema de Berlim, adivinhava-se como um dos grandes sucessos cinematográficos nacionais do ano, tanto dentro como além fronteiras.
Pilar (Teresa Madruga) é uma mulher só, reformada e activista em inúmeras causas pelos Direitos Humanos que ocasionalmente ajuda Aurora (Laura Soveral) a sua excêntrica vizinha. Antes de morrer Aurora refere a Pilar e a Santa (Isabel Muñoz Cardoso) a sua empregada e companheira, o nome que havia marcado a sua vida... Ventura.
É a partir deste momento que Pilar e Santa resolvem saber quem é este homem e, ao encontrá-lo, Ventura (Henrique Espírito Santo) revela-lhes um passado de todos desconhecido e sobre quem foi Ventura (Carloto Cotta) e Aurora (Ana Moreira) em juventude no sopé do Monte Tabu em África, bem como a relação de amor que os uniu e separou.
Este filme cujo argumento o próprio Miguel Gomes escreveu em colaboração com Mariana Ricardo é rico e original. Em primeiro lugar pela sua genial divisão da narração da história em dois muito específicos e particulares momentos. O primeiro deles, intitulado Paraíso Perdido, que abre logo de imediato toda a acção, conta-nos a história de um caçador que, com um desgosto de amor, se lança aos crocodilos que de certa forma iria estabelecer uma relação directa com a segunda metade do filme que nos transportaria para o passado e para uma África Portuguesa do tempo colonial.
São passados poucos minutos quando percebemos que estamos a assistir a um filme dentro do filme. Um Paraíso Perdido que nos remete para a Lisboa dos nossos dias onde conhecemos as personagens principais, e logo de imediato uma "Pilar", brilhantemente interpretada por Teresa Madruga que demonstra uma vez mais conseguir dar a qualquer filme em que participe uma radiante alma e personalidade. Toda a acção desta primeira metade do filme coloca-a como o elemento central de todo o filme que explora a vida de uma mulher aparentemente só, sem planos de maior para o "dia de amanhã" e que, na prática, apenas tem como ocupação tratar dos devaneios de uma vizinha que tem nela o último conforto para as suas acções. "Pilar" chora da sua própria solidão, da falta de amor que tem... Dos momentos em que se encontra só, independentemente de servir como o único consolo a uma vizinha que aos poucos parece perder o pouco juízo que ainda lhe resta. Preocupada com o que a rodeia, mesmo com o agradar ao amigo que lhe dá, como prova da sua atenção, os quadros que cria que pendura e retira da parede conforme a sua visita, "Pilar" é o reflexo de uma tristeza inerente a um povo e a uma cidade que parecem ter-se perdido no tempo, e com ele todos os sonhos e ambições que outrora uma geração teve.
Se Teresa Madruga se revela como uma alma, não deixa de ser verdade que a magnífica Laura Soveral se assume como uma força da Natureza. Forte e determinada enquanto "Aurora", Soveral encarna na perfeição aquilo que poderemos assumir como o rosto de uma mulher que se perdeu. Perdeu-se a partir do momento em que aquilo que de mais sagrado teve, e que a fazia sentir viva enquanto indivíduo, lhe foi retirado... o amor. Não o amor convencional em que se encontrava, ao ter um casamento aparentemente feliz e "correcto" para os padrões sociais da época e do regime, mas aquele que a fazia realmente sentir viva, feliz e que a completava, e que por isso aos poucos o seu estado mental se tornou degenerativo, cheio de maquinações e ideias de vingança e conspirações que a sua empregada e a sua filha (geograficamente longinqua) congeminavam contra ela. É seguro dizer que Laura Soveral tem uma das mais seguras e sólidas interpretações cinematográficas do ano e que não só será reconhecida como uma das suas mais fortes como uma as mais significativas dos últimos anos.
Continuando com o argumento de Miguel Gomes e Mariana Ricardo, ele dá mais uma prova da sua constante harmoniosa movimentação quando faz uma ligação directa desta Lisboa de um "Paraíso Perdido" ao "Paraíso" colonial quando após encontrarem "Ventura" (Henrique Espírito Santo), "Pilar" e "Santa" ficam a conhecer a verdadeira história de "Aurora" e o que a levou a ser a mulher que conheceram.
Passamos assim de um primeiro momento (o segundo cronologicamente) mais austero e cinzento onde as esperanças da juventude já se dissiparam na sua totalidade, para aquele que na prática representa o crescimento, as esperanças e os sonhos que existiam entre duas pessoas que pela sociedade e pelo regime estavam impossibilitados de assumir o que sentiam um pelo outro, voltando assim à história de "Ventura" (Carloto Cotta) e "Aurora" (Ana Moreira).
Este segundo momento cinematográfico não é tão prometedor em história, que se baseia essencialmente neste encontro amoroso proibido entre as já referidas personagens, mas sim pela sua execução que é não só original como genial. Enquanto escutamos "Ventura" nos seus relatos sobre o que realmente aconteceu em África que marcasse de forma definitiva "Aurora", assistimos os acontecimentos na primeira pessoa quando, nós próprios, somos transportados através de imagens para a África colonial portuguesa e vemos aí os mesmos enquanto jovens num relato semi-silencioso. E porquê semi-silencioso? Enquanto "Ventura" já idoso nos relata os acontecimentos quase como que proferidos palavra por palavra pelos mesmos em juventude, apenas assistimos aos seus lábios a movimentarem-se sem que, no entanto, nenhuma palavra seja directamente proferida por eles. Escutamos todos os ruídos envolventes, os sons do local, dos animais, do vento e dos objectos que lá se encontram mas nenhum deles vem das vozes dos actores que os interpretam.
É esta a genialidade atribuída a este momento que nos faz de facto pensar naquilo que realmente recordamos do passado... Quando pensamos em momentos que ocorreram já há alguns anos, será que nos lembramos deles por aquilo que nos foi dito numa dada altura ou, por sua vez, recordamos sim as pessoas e os momentos em que elas participaram mas sem as exactas palavras que nos disseram nessas mesmas situações? Estes mesmos dizeres são assim substituídos pela narração do velho "Ventura" que recorda também ele a sua participação nos acontecimentos e, de certa forma, a própria intervenção que ele teve nos mesmos, percebendo que foi nessa mesma época que tanto ele como "Aurora" perderam a sua juventude.
São assim todos aqueles pequenos grandes sons que acabam por trabalhar de forma intensa para captar toda a essência da época, da vida, da sociedade e principalmente daquelas personagens e do avassalador romance que viveram em silêncio e que, tal como a época política e administrativa que viviam, se preparava ela própria por implodir e tornar inevitável a sua mudança. Escutamos o vento e a sua mudança, os pássaros, o som das pessoas a saltarem para a piscina, os tiros, os objectos que tocam uns nos outros... tudo menos aquilo que quereríamos escutar... as suas vozes, num aparente exercício do que poderá ser a memória de um indivíduo e que percebemos assim reter mais depressa os instantes que vive do que propriamente as vozes daqueles que fizeram parte dessas mesmas memórias. Se inicialmente achamos que este segmento poderá não funcionar da forma mais harmoniosa e elucidatória possível, rapidamente percebemos que não poderíamos estar mais enganados e que tudo parece funcionar e estar interligado de forma a que toda a história, e suas futuras consequências, funcione e nos sejam assim explicitados os comportamentos de uma "Aurora" excêntrica e desamparada.
E se a interpretação de Laura Soveral é de força, não é mesmo verdade que a de Ana Moreira, que assume a mesma personagem em jovem, se assume como a sua alma pura, livre e intocada. Livre para amar, para ser aquilo que sente e, sobretudo, livre para pode ter as expectativas naturais da sua idade mas que por conformismo e aceitação do "papel" que a idade lhe impôs, acata o óbvio e o naturalmente estabelecido perdendo assim aquilo que mais ansiava... poder viver. Algo que lhe faltaria toda a vida, por auto-imposição, e que mais tarda numa Lisboa sem os seus sonhos se limitaria a recordar o que poderia ter sido e não foi.
Tabu, que tanto pode ser o monte onde parte da acção decorreu como os sentimentos que ficaram por se fazer sentir ou dizer, é assim um filme que rompe fronteiras. Diferente sem ser de qualquer forma estranho ou de difícil compreensão é, em última análise uma história de amor correspondido mas que não se poderia concretizar devido às convenções de uma época e de uma sociedade que era ainda muito fechada em si. Fala de uma geração que tinha os seus próprios sonhos e aspirações mas que, com o tempo, os deixou comprometer ao ponto de os esquecer. Fala de um povo que se esqueceu de olhar o seu passado por mais comprometedor que ele possa ter sido e sobretudo de como esse passado acaba por comprometer um futuro (o hoje) por não o libertar das suas algemas, mesmo que estas sejam imaginárias, e tudo sempre ao som de uma rica e bem quente banda-sonora (aliás um dos elementos bm fortes e emblemáticos deste filme) e que ilustra na perfeição todas estas ânsias e momentos quer do passado quer do presente.
De referir ainda a genial fotografia a preto-e-branco deste filme, da autoria de Rui Poças, que serve como um retrato de tudo o que já foi referido... Da memória do passado já pouco nítida dos pequenos grandes detalhes mas clara quanto aos acontecimentos e, ao mesmo tempo, espelha na actualidade essa mesma desilusão... na cidade, nos momentos, nos espaços e principalmente nas suas personagens.
Tabu é, independentemente do público que consiga reunir em sala, um dos filmes mais emblemáticos da nossa filmografia recente bem como uma elaborada e muito bem interpretada história romântica onde os encontros e os desencontros se tornam quase como uma "personagem" do mesmo. História de amor essa que, por não terminar da forma como podemos inicialmente esperar, se torna invulgar e sedutora, fazendo-nos até esquecer todo o ambiente colonialista prestes a eclodir (a qualquer momento) e que serve de pano de fundo ao próprio filme, remetendo-nos assim para um imaginário de "Paraíso" onde os sonhos, as vivências e as vidas daquelas pessoas poderiam ser alcançados na sua plenitude mas que, quando confrontados com a realidade, mostraram aquilo em que se iriam tornar... "Perdidos".
Intenso, poético e dramático, o realizador Miguel Gomes consegue assim o seu mais forte filme até à data e, com toda a certeza, um daqueles que irá definitivamente marcar a sua esperada longa carreira.
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"Ventura: Sob o manto polido da amabilidade esconde um desespero selvagem."
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9 / 10
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London Critics Circle Film Awards 2012: os nomeados

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The Sky Movies Award: FILME
Amour
Argo
Beasts of the Southern Wild
Life of Pi
The Master

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FILME ESTRANGEIRO
Amour
Holy Motors
Once Upon a Time in Anatolia
De Rouille et d'Os
Tabu

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DOCUMENTÁRIO
The Imposter
London: The Modern Babylon
Nostalgia for the Light
The Queen of Versailles
Searching for Sugar Man

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The May Fair Hotel Award: FILME BRITÂNICO
Berberian Sound Studio
The Imposter
Les Misérables
Sightseers
Skyfall

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The Spotlight Award: ACTOR
Daniel Day-Lewis – Lincoln
Hugh Jackman – Les Misérables
Mads Mikkelsen – Jagten
Joaquin Phoenix – The Master
Jean-Louis Trintignant – Amour
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ACTRIZ
Jessica Chastain - Zero Dark Thirty
Marion Cotillard - De Rouille et d'Os
Helen Hunt - The Sessions
Jennifer Lawrence - Silver Linings Playbook
Emmanuelle Riva – Amour
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ACTOR SECUNDÁRIO
Alan Arkin – Argo
Javier Bardem – Skyfall
Michael Fassbender – Prometheus
Philip Seymour Hoffman – The Master
Tommy Lee Jones – Lincoln
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams – The Master
Judi Dench – Skyfall
Sally Field – Lincoln
Anne Hathaway – Les Misérables
Isabelle Huppert – Amour
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ACTOR BRITÂNICO – In association with Cameo Productions
Daniel Craig – Skyfall
Charlie Creed-Miles - Wild Bill
Daniel Day-Lewis – Lincoln
Toby Jones – Berberian Sound Studio
Steve Oram – Sightseers
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ACTRIZ BRITÂNICA
Emily Blunt – Looper e Your Sister's Sister
Judi Dench – The Best Exotic Marigold Hotel e Skyfall
Alice Lowe – Sightseers
Helen Mirren – Hitchcock
Andrea Riseborough – Shadow Dancer
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INTÉRPRETE REVELAÇÃO
Samantha Barks – Les Misérables
Fady Elsayed – My Brother the Devil
Tom Holland – Lo Imposible
Will Poulter – Wild Bill
Jack Reynor – What Richard Did
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The American Airlines Award: REALIZADOR
Paul Thomas Anderson – The Master
Kathryn Bigelow – Zero Dark Thirty
Nuri Bilge Ceylan – Once Upon a Time in Anatolia
Michael Haneke – Amour
Ang Lee – Life of Pi
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ARGUMENTO
Paul Thomas Anderson – The Master
Mark Boal – Zero Dark Thirty
Michael Haneke – Amour
Quentin Tarantino - Django Unchained
Chris Terrio – Argo
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CINEASTA REVELAÇÃO
Ben Drew – Ill Manors
Sally El Hosaini – My Brother the Devil
Dexter Fletcher – Wild Bill
Bart Layton – The Imposter
Alice Lowe & Steve Oram – Sightseers
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The Sky 3D Award: TECHNICAL ACHIEVEMENT AWARD
Anna Karenina – Jacqueline Durran (guarda-roupa)
Argo – William Goldenberg (montagem)
Beasts of the Southern Wild – Ben Richardson (fotografia)
Berberian Sound Studio – Joakim Sundstrom & Stevie Haywood (som)
Holy Motors – Bernard Floch (caracterização)
Life of Pi – Claudio Miranda (fotografia)
Life of Pi – Bill Westenhofer (efeitos visuais)
The Master – Jack Fisk & David Crank (direcção artística)
My Brother the Devil – David Raedeker (fotografia)
De Rouille et d'Os – Alexandre Desplat (banda-sonora)
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DILYS POWELL AWARD FOR EXCELLENCE IN FILM: Sponsored by PREMIER
Helena Bonham Carter
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Young Adult (2011)

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Jovem Adulta de Jason Reitman é uma comédia com fortes contornos trágicos que cimenta, uma vez mais, Charlize Theron como uma das mais fortes actrizes da sua geração.
Mavis Gary (Theron) é a argumentista de um outrora popular programa de adolescentes que agora vive a sua própria desgraça pessoal. Recentemente divorciada e com o programa prestes a ser cancelado, Mavis embarca numa viagem que a irá levar de volta à sua terra natal no Minnesota onde planeia reconquistar Buddy (Patrick Wilson), o ex-namorado que é agora casado e pai de uma jovem bébé.
Numa estranha e improvável união com Matt (Patton Oswalt), Mavis irá perceber que existem coisas que simplesmente não lhe estão destinadas... pelo menos não da forma como ela esperava e que o mundo, ao contrário dela, avançou e evoluiu por um caminho que ela simplesmente desconhece.
A já Oscarizada argumentista Diablo Cody volta aqui a escrever uma história em que dá vida a uma personagem principal que é grande demais para o espaço em que se encontra mas que, ao mesmo tempo, por muitas mudanças pessoais e geográficas que tenha feito continua, anos depois, sem conseguir encontrar o seu próprio espaço e local no qual se possa sentir enquadrada, completa ou realizada. No fundo acaba por ser a imagem daquela pessoa que sempre teve sonhos grandes demais para o local em que se encontrava e que sempre desejou, forçosamente, ser alguém um pouco "maior" do que o espaço de onde veio criando assim um constante sentimento de inadaptação que originou numa fuga assim que teve idade para o poder fazer.
As vidas mundanas onde acabar o secundário e encontrar o primeiro trabalho, a criação de família com o primeiro namorado que poderia ter tido mas que nunca teve ambições tão elevadas como as dela tendo por isso que se conformar em ficar para sempre naquela pequena terriola, eram para "Mavis" planos que simplesmente não constavam no seu caminho e que, de certa forma, sempre considerou como inferiores para si própria.
A dar corpo a esta não complexa mas intrigante personagem com o qual tantos se poderão identificar num ou noutro aspecto (mas não na sua essência) temos Charlize Theron que fora inclusive nomeada para um Globo de Ouro de melhor actriz, e que encarna aqui numa quase imaculada perfeição, o rosto desta mulher que pretende acima de tudo estampar nos outros o seu próprio sentimento de insatisfação. No fundo os seus planos eram grandes e ambiciosos e ela estava determinada a consegui-los mas, Theron espelha em cada olhar que muitos poucos, se é que alguns, dos seus objectivos foi realmente alcançado. Na prática casou, mas não com quem queria. Chegou a mudar-se para a "grande" cidade... mas não para a vida que pretendeu ter. Teve a fama na sua profissão... mas temporária. Nada chegou, por um ou outro motivo, a ser realmente concretizado ficando-se na sua maioria apenas a meio caminho, e é esta inadaptação que ela nos transmite em cada olhar, em cada tentativa de nos mostrar (sem sucesso) que a sua vida é perfeita mas, principalmente, pela sua tão grande (des)preocupação e desinteresse para consigo própria através  de alguns tiques nervosos que se foram agudizando, do alcoolismo e até pelo sexo casual que acaba por encontrar em qualquer um que a aborde mesmo que outrora considerasse essa pessoa como um ser "abominável". A sua falta de consideração pelos outros, mas sobretudo por si própria, são transmitidos a todos os minutos por uma interpretação forte e segura de uma actriz que a cada ano que passa mostra sinais de escolher cuidadosamente todas as interpretações e filmes em que participa e aqui foi mais uma aposta vencida de Theron.
Estas esperanças numa vida melhor que estão abafadas pela crueldade da vida, são também brilhantemente encarnadas por Patton Oswalt que aqui dá corpo ao rapaz que foi torturado pelos "porreiraços" do liceu, e que com isso empenharam de forma definitiva todas as suas hipóteses de um dia e futuro melhores. Ali se manteve para sempre sem esperança de poder um dia ser alguém por um acto de barbárie que foi, à altura, considerado apenas como "brincadeiras de liceu".
Estando os dois em polos opostos da inadaptação, um por querer mais do que aquilo que tem e o outro por saber que está culturalmente à frente do local onde se encontra, tanto "Mavis" como "Matt" acabam por se representar os dois adultos que nunca largaram a sua juventude. Um por estar fisicamente impedido de o fazer e como tal nunca abandonar o local que o travava psicologicamente, e a outra por independentemente de ter conseguido sair da sua pequena cidade de interior onde julgava que os seus objectivos nunca seriam cumpridos não conseguiu, no entanto, libertar-se mentalmente daquele espaço.
Jovem Adulta é, acima de tudo, um filme que nos mostra como os lugares onde fomos outrora felizes são a uma dada altura da nossa vida, os mesmos que nos conseguem mostrar de forma crua e dura como as nossas vidas podem não ser tão completas ou realizadas como pensamos e sobretudo que os lugares que escolhemos para nos refugiar das fugas ao passado podem não ser os melhores se não tivermos deixado o passado resolvido, pois este quando ainda tem contas por saldar não há local no mundo que nos possa proteger de um confronto bruto e sem piedade, pois para acordarmos precisamos primeiro de ser bem "abanados" por aquilo que a vida tem realmente para nos mostrar.
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"Mavis Gary: Sometimes in order to heal... a few people have to get hurt."
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8 / 10
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San Francisco Film Critics Circle 2012: os vencedores

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Filme: The Master
Actor: Joaquin Phoenix, The Master
Actriz: Emmanuelle Riva, Amour
Actor Secundário: Tommy Lee Jones, Lincoln
Actriz Secundária: Helen Hunt, The Sessions
Realizadora: Kathryn Bigelow, Zero Dark Thirty
Argumento Original: Mark Boal, Zero Dark Thirty
Argumento Adaptado: Tony Kushner, Lincoln
Filme de Animação: ParaNorman
Filme Estrangeiro: Amour (Áustria)
Documentário: The Waiting Room
Fotografia: Claudio Miranda, Life of Pi
Montagem: William Goldenberg, Argo
Direcção de Produção: Adam Stockhausen, Moonrise Kingdom
Marlon Riggs Award: Peter Nicks, The Waiting Room
Menção Honrosa: Girl Walk: All Day
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domingo, 16 de dezembro de 2012

The Iron Lady (2011)

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A Dama de Ferro de Phyllida Lloyd tornou-se num dos filmes mais antecipados de ver por dois motivos muito concretos. O primeiro prende-se com o facto de ser uma história baseada numa das figuras mais importantes das últimas décadas da História mundial como é o caso de Margaret Thatcher. O segundo motivo é óbvio quando falamos de Meryl Streep a interpretar esta política britânica, naquela que se espera ser mais uma estrondosa interpretação.
Margaret Thatcher (Streep) a ex-toda poderosa primeira-ministra britânica encontra-se idosa e enclausurada numa casa de onde raramente sai e onde se encontra bastante vigiada e acompanhada quer pela sua filha Carol (Olivia Colman) como também por um conjunto de empregados que trata de todas as suas necessidades. Margaret está idosa e prisioneira das suas memórias que não só não a largam como acentum um galopante estado de demência que a faz estar, sem percepção, no presente como também nos tempos em que ocupou um dos cargos políticos mais importantes do mundo e em todo o processo pessoal que a levou até lá.
Nos dias de limpeza da roupa de Denis (Jim Broadbent), o seu já falecido marido que sempre se assumiu com o seu mais importante pilar, Margaret é acompanhada pelo seu fantasma que a faz recordar os altos e os baixos de uma conturbada carreira política que desde o aumento de impostos e a repressão aos grevistas passando pelos conflitos com a Comunidade Europeia e a Guerra das Malvinas teve de tudo um pouco, tornando-a numa das mais amadas e odiadas políticas do país. Quando terminam as limpezas, Margaret tem finalmente de se confrontar com o seu trágico presente e com a partida definitiva da memória do seu marido.
O descritivo mas sentido argumento de Abi Morgan é excelente na recriação dos momentos passados da vida de Thatcher mas sobretudo eficaz no retrato de uma mulher que tendo governado um dos mais importantes Estados do mundo se encontra agora confinada à redutora pequenez da sua casa e mais concretamente do seu quarto. A idade, e principalmente a degradação da mente humana, são aqui retratados com mestria e desprovidos de qualquer julgamento sobre o passado de uma mulher que ocupou um importante lugar político e que, concordemos ou não com as suas decisões, é impossível negá-lo como um dos mais importantes do final do século passado.
Meryl Streep que aqui viu concretizada a sua décima-sétima nomeação a um Oscar e uma terceira estatueta (finalmente), tem mais uma inspirada e brilhante interpretação que nos permite conhecer um pouco da mulher para além da vida política sendo que mbas se confundem pois consegiu estabelecer o seu nome através de uma carreira feita essencialmente na vida política activa. A sua ascenção e desejo de ser alguém que, em juventude, pretendia ser algo mais do que a "mulher" de alguém, traçando assim o seu próprio caminho e destino de forma a que fosse o seu nome a firmar um legado e não o apelido do seu marido que determinasse aquilo que era havia sido perante a sociedade. Magnífico e irónico, mas talvez um dos mais sentidos, o momento em que termina a lavar uma chávena de chá depois de afirmar não quereria que a sua vida assim terminasse, pois representaria uma vida sem deixar qualquer marca.
Este filme é, essencialmente, um "one woman show" em que Streep é a senhora toda-poderosa do início até ao final. O seu crescendo enquanto mulher independente e que se afirma dentro do Partido Conservador até conquistar a sua liderança só tem semelhança com a decadência a que chega a mulher que perde a noção do espaço e do tempo em que vive bem como sobre aqueles com quem vive ao lidar com o fantasma do seu já falecido marido. Impar no seu desempenho, pois dela não poderíamos esperar outra coisa, Streep dá alma a uma Thatcher que no essencial da sua governação conseguiu cultivar um conjunto elevado de ódios que ainda nos nossos dias subsistem, e só ela conseguiria fazer de qualquer um de nós um simpatizante desta (composição/interpretação) mulher.
De destaque está a caracterização de Mark Coulier e Roy Helland, também vencedora de Oscar, que transforma uma Meryl Streep numa Thatcher que num momento se encontra no seu auge como, segundos depois, a vemos como uma mulher idosa e desgastada tanto pelo tempo como por uma vida conturbada e, muito particularmente, por uma doença degenerativa que aos poucos a vai consumindo.
Possivelmente não será o desempenho e a interpretação mais marcante de Streep mas, ainda assim, não deixa de ser uma (mais uma) interessante composição que a actriz norte-americana junta à sua já extensa e notável galeria que a afirma e confirma como a grande actriz dos nossos tempos. É graças a esta mestria das suas composições interpretativas que se torna quase impossível não simpatizar com as personagens a que dá vida mesmo que, a serem reais, se encontrem em polos marcadamente opostos daquilo que defendemos. Se o filme tem uma alma, esta manifesta-se através de duas palavras... Meryl Streep.
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"Margaret Thatcher: Watch your thoughts for they become words. Watch your words for they become actions. Watch your actions for they become... habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny! What we think we become."
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8 / 10
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sábado, 15 de dezembro de 2012

The Hunger Games (2012)

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The Hunger Games: Os Jogos da Fome de Gary Ross foi um dos filmes mais antecipados do primeiro semestre do ano e que conta com a participação de uma das actrizes mais desejadas do momento... Jennifer Lawrence.
Este filme transporta-nos para o universo de Panem, um Estado totalitário dividido entre doze distritos mais a capital saída vencedora de uma revolta que a opôs aos referidos distritos.
Como forma de celebrar a vitória sobre os distritos revoltosos são seleccionados dois jovens de cada um deles para competir nos jogos que são, acima de tudo, uma demonstração de poder de vencedor sobre vencidos para que estes não ousem uma nova revolta contra a sede do poder. Num misto de entretenimento e sobrevivência brutal de onde apenas um irá escapar, tendo assim de eliminar todos os outros concorrentes, estes jogos são transmitidos para todo o Estado como forma de repressão e de domar qualquer sentimento de revolta que os cidadãos possam sentir.
Quando Prim do distrito 12 é seleccionada para a competição, Katniss (Lawrence) a sua irmã mais velha, oferece-se para ir em seu lugar e, acompanhada por Peeta (Josh Hutcherson) prepara-se para os jogos dos quais poderá não regressar com vida.
Este filme com argumento do realizador Gary Ross em parceria com Billy Ray e com Suzanne Collins, a autora da obra homónima, é um interessante retrato sobre a ditadura e um regime autoritário regulado por uma elite que além do entretenimento procura a humilhação e subjugação do "outro" perante o seu poder inquestionado. Os oprimidos, retratados pela imagem de um conjunto de subúrbios da metrópole que, destroçados por uma revolta e guerra perdida, se encontram agora como uma espécie de colonatos que estão completamente desprovidos de direitos. Por outro lado temos essa mesma metrópole rica e opulenta que tendo saído vencedora de uma guerra exerce anualmente uma demonstração de força sob os colonatos periféricos ao seleccionar por entre os seus descendentes um jogo de sobrevivência e auto-aniquilação que os impede de se sublevarem novamente contra a mesma.
Jennifer Lawrence que aqui interpreta "Katniss", a pesonagem principal deste filme, é o rosto perfeito que encarna o espírito de todo um conjunto de pessoas que, estando "presos" pelos crimes de revolta dos seus antepassados, sente ainda a vontade de resistência e de sobrevivência contra uma sociedade opressora que os impede de viver uma vida digna entre os seus pares. Os sentimentos contidos no seu pensamento são aos poucos revelados inicialmente apenas pelo seu olhar mas, com o tempo pela sua postura combativa e de sobrevivência e auto-preservação. De irmã protectora e maternal abdica da sua segurança a favor da jovem irmã numa sociedade onde poucos conseguem ultrapassar a adolescência, para uma jovem muher combativa e segura do seu lugar num jogo que tem tudo contra ela desde o ambiente natural do espaço em que é inserida até aos seus adversários que são, na sua maioria, treinados desde que nascem para ali poderem combater.
A seu lado temos um Josh Hutcherson que com o seu "Peeta" revela a existência de um jovem mimado e desinteressado no mundo que existe em seu redor mas que, com o tempo, demonstra ser capaz de abdicar da sua própria segurança em nome de algo mais importante e que o próprio desconhecia... o amor.
É esta dupla que de distante e com poucos elementos identificativos que os unia, encarna o espírito de todo um povo oprimido. Dos iniciais sentimentos de inadaptação e há pouca química existente entre ambos, passam rapidamente a uma dupla de lutadores que espelham não só uma vontade de sobrevivência como de sacrifício e também de amor e esperança. É neles que os muitos que ficaram para trás se revêem e percebem existir uma esperança por um futuro melhor que, esperam, surja rapidamente.
De destaque estão ainda as interpretações de Stanley Tucci como o apresentador do programa que é transmitido para milhões e que acaba por, à sua maneira, "construir" e fazer daquelas figuras os concorrentes que todos querem ver e, de certa forma, encontrar neles aspectos com os quais se possam identificar. Temos ainda Woody Harrelson como um antigo vencedor daquele campeonato e que serve agora de mentor para os novos jogadores, Wes Bentley como um dos principais mentores do programa e ainda Lenny Kravitz que tem uma participação especial como aquele que ajuda "Katniss" nas suas regras de comportamento perante as câmaras e o público.
Além das interpretações e do argumento que são bastante eficazes em recriar um mundo onde as liberdades e garantias já há muito se extinguiram, este filme destaca-se ainda por alguns interessantes e bem executados aspectos técnicos onde se destacam a banda-sonora de James Newton Howard que tanto assume contornos dramáticos como épicos, a fotografia de Tom Stern que que em conjugação com o elaborado guarda-roupa da autoria de Judianna Makovsky ora retrata um mundo empobrecido dos distritos desfavorecidos como a opulência de uma metrópole indiferente e pouco igualitária, e é nestes três aspectos que se centram os mais fortes aspectos de todo o filme e aos quais podem ser atribuídos futuramente alguns prémios.
Um épico de aventura e acção que nos prende ao ecrã e que nos deixa a aguardar com muita antecipação pelos dois títulos que irão dar continuidade a esta história em que a liberdade se encontra reprimida e o desejo de resistência é uma constante, que transformou definitivamente Jennifer Lawrence num valor seguro para o futuro e da qual ainda iremos certamente receber muitos e bons desempenhos.
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8 / 10
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Steam (2009)

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Steam de Eldar Rapaport é uma interessante curta-metragem que nos coloca dentro de uma sauna com dois homens que demonstram um crescente desejo um pelo outro.
Depois de tornarem os seus desejos sexuais uma realidade são deparados com uma estranha ocorrência... a sauna em que se encontram não tem uma porta para poderem sair. Então... como chegaram àquele agora tão misterioso local?
O argumento da autoria do próprio Rapaport consegue manter-nos na incerteza sobre aquilo que realmente está a acontecer naquela sauna, e só nos é revelado o verdadeiro propósito daquelas personagens momentos antes desta curta terminar, naquele que é um inesperado mas muito bem dirigido twist que nos consegue verdadeiramente surpreender pela positiva e distanciar-se de muitos trabalhos semelhantes que acabam reduzidos a um conjunto de clichés já excessivamente explorados.
De destacar está ainda a química bem "acesa" entre Scott Hislop e Julien Zeitouni, os dois actores, e ainda a sempre presente e envolvente, mas moderada, banda-sonora orquestrada por Nathan Roberts que cria um ambiente muito característico dentro deste tão inesperado local.
Uma curta-metragem diferente e bem conseguida que vale principalmente pelo seu muito inesperado final que nos consegue fazer olhar para o seu todo com respeito pela sua originalidade.
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7 / 10
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Balas & Bolinhos - O Último Capítulo (2012)

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Balas & Bolinhos - O Último Capítulo de Luís Ismael foi um dos filmes mais aguardados por uma extensa legião de fãs que acompanhou ao longo dos anos as aventuras de Tone e Rato, e também um dos títulos presentes na Selecção Oficial dos Caminhos do Cinema Português deste ano.
Rato (Jorge Neto), Bino (João Pires) e Culatra (JD Duarte) são três amigos que vivem de esquemas ocasionais que os fazem atravessar os seus dias, que de normal pouco ou nada têm, e obter o maior lucro pessoal possível. Pelo meio só podemos esperar trapalhadas, mal-entendidos e vigarices que a seu tempo os irão apanhar desprevenidos.
Quando Tone (Luís Ismael), o líder de tão peculiar gang, regressa de uma vida no Oriente para salvar a vida ao seu pai, o Sr. Carvalho (Octávio de Matos), que necessita urgentemente de um transplante, os dias de glória do grupo, bem como as já esperadas confusões, regressam com ele.
Como já referi, este é possivelmente o filme português mais esperado dos últimos anos. Inexistentes que são as sequelas no cinema nacional, aqui temos de referir a proeza que já marca o terceiro título de uma saga que conseguiu atrair milhares de espectadores às salas e tornar quase míticas as personagens que o constituem.
Luís Ismael que além de realizar e interpretar a personagem principal, assume-se como o homem força de todo o filme ao acumular ainda as funções de produtor, argumentista e editor do mesmo, elabora este argumento que não sendo rico num conteúdo dramático da acção, não deixa de ser elaborado e "fluente" em momentos cómicos e trágicos nas aventuras deste grupo de amigos que estão prontos e preparados para a desgraça... uma atrás da outra.
Se é certo que alguns momentos de tão exagerados serem não conseguem reunir muita simpatia, não deixa de ser verdade que para outros é esse mesmo exagero que os faz funcionar de uma forma tão agradável que somos incapazes de não deixar soltar algumas gargalhadas. Muitas delas graças ao "Rato", personagem interpretada por Jorge Neto que aqui se assume como o detentor do record do maior número de momentos característicos de uma boa comédia. Os seus momentos são ricos na maior "brejeirice" possível e imaginária... quer seja pela comédia de situação, pelos momentos mais inesperados ou mesmo por aqueles que recorrem à básica piada sexual, é impossível não simpatizarmos com a personagem que criou e pela sua capacidade de ser o mais inconveniente possível nos momentos menos próprios. A sua capacidade de se situar sempre no limite daquilo que é "próprio" é ultrapassada a cada momento em que surge no ecrã... Mais que não seja pela quantidade de vernáculos a roçar no calão que utiliza por cada cinco minutos de diálogos... algo nunca conseguido em mais nenhum filme.
Agradável também é a presença de Octávio de Matos, um actor a que estamos habituados a ver em sitcom ou no teatro de revista, e que com esta sua participação dá continuidade à sua veia humoristica e à qual não somos capazes de resistir. É bastante positivo perceber que alguns dos actores que já não estão muito presentes nos nossos ecrãs (ou palcos) voltam assim à ribalta ainda que com pequenas participações que, no entanto, mostram todo o seu potencial.
Independentemente do sucesso e mediatismo que este filme teve, não deixa de ser verdade que para o compreender na perfeição há que acompanhar e ver os dois primeiros títulos desta trilogia. Não é que este filme se perca caso seja o único que se tenha visto mas é o mesmo que começarmos pelo último Harry Potter e daí se ter todo o conteúdo histórico da saga. Ainda assim, é seguro que ao assistir a este filme conseguimos garantir um conjunto bem forte de bons e bem dispostos momentos que não irão deixar ninguém indiferente e que de humor rasca a bondage sado-masoquista... tem um pouco de tudo.
Longe de ser o melhor filme do cinema português, ou mesmo um dos melhores do ano, este Balas & Bolinhos não deixa de ser referenciado como um dos filmes nacionais que mais público conseguiu atrair às salas e a fórmula, apesar de não ser a mais famosa ou com um conteúdo mais profundo, parece resultar. Gostemos dele ou não... tenho sérias dúvidas que alguém lhe consiga ficar indiferente.
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6 / 10
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HFPA - Globos de Ouro 2013: os nomeados

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FILME - DRAMA
Argo
Django Unchained
Life of Pi
Lincoln
Zero Dark Thirty
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FILME COMÉDIA/MUSICAL
The Best Exotic Marigold Hotel
Les Misérables
Moonrise Kingdom
Salmon Fishing in the Yemen
Silver Linings Playbook
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ACTOR - DRAMA
Daniel Day-Lewis, Lincoln
Richard Gere, Arbitrage
John Hawkes, The Sessions
Joaquim Phoenix, The Master
Denzel Washington, Flight
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ACTOR COMÉDIA/MUSICAL
Jack Black, Bernie
Bradley Cooper, Silver Linings Playbook
Hugh Jackman, Les Misérables
Ewan McGregor, Salmon Fishing in the Yemen
Bill Murray, Hyde Park on Hudson
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ACTRIZ - DRAMA
Jessica Chastain, Zero Dark Thirty
Marion Cotillard, De Rouille et d'Os
Helen Mirren, Hitchcock
Naomi Watts, Lo Imposible
Rachel Weisz, The Deep Blue Sea
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ACTRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Emily Blunt, Salmon Fishing in the Yemen
Judi Dench, The Best Exotic Marigold Hotel
Jennifer Lawrence, Silver Linings Playbook
Maggie Smith, Quartet
Meryl Streep, Hope Springs
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ACTOR SECUNDÁRIO
Alan Arkin, Argo
Leonardo DiCaprio, Django Unchained
Philip Seymour Hoffman, The Master
Tommy Lee Jones, Lincoln
Christoph Waltz, Django Unchained
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams, The Master
Sally Field, Lincoln
Anne Hathaway, Les Misérables
Helen Hunt, The Sessions
Nicole Kidman, The Paperboy
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REALIZADOR
Ben Affleck, Argo
Kathryn Bigelow, Zero Dark Thirty
Ang Lee, Life of Pi
Steven Spielberg, Lincoln
Quentin Tarantino, Django Unchained
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ARGUMENTO
Argo, por Chris Terrio
Django Unchained, por Quentin Tarantino
Lincoln, por Tony Kushner
Silver Linings Playbook, por David O. Russell
Zero Dark Thirty, por Mark Boal
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CANÇÃO
"For You", por Monty Powell e Keith Urban, em Act of Valor
"Safe and Sound", por Taylor Swift, John Paul White e Joy Williams, em The Hunger Games
"Suddenly", por Claude-Michel Schönberg, Alain Boublil e Herbert Kretzmer, em Les Misérables
"Skyfall", por Adele e Paul Epworth, em Skyfall
"Not Running Anymore", por Jon Bon Jovi, em Stand Up Guys
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BANDA-SONORA
Anna Karenina, por Dario Marianelli
Argo, por Alexandre Desplat
Cloud Atlas, por Reinhold Heil, Johnny Klimek e Tom Tykwer
Life of Pi, por Mychael Danna
Lincoln, por John Williams
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FILME DE ANIMAÇÃO
Brave
Frankenweenie
Hotel Transylvania
Rise of the Guardians
Wreck-It Ralph
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FILME ESTRANGEIRO
Amour (Áustria)
Kon-Tiki (Noruega)
Intouchables (França)
En Kongelig Affaere (Dinamarca)
De Rouille et d'Os (França)
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Rise of the Guardians (2012)

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A Origem dos Guardiões de Peter Ramsey posso hoje afirmar que é um dos mais interessantes e inventivos filmes de animação a que assisti nos últimos tempos.
Num mundo onde as crianças vivem o seu normal dia-a-dia, um espírito mau conhecido como Pitch, no fundo o Papão (Jude Law), planeia conquistá-lo através da remoção de qualquer sonho e tranquilidade que elas possam ter.
É então que conhecemos os guardiões dessas mesmas crianças: o Pai Natal (Alex Baldwin), a Fada dos Dentes (Isla Fisher), o Coelho da Páscoa (Hugh Jackman) e o João Pestana (quem disser que não gostou dele mente...), que todos conhecem das inúmeras histórias e lendas que ouviram contar antes de adormecer. É então que se lhes junta um desconhecido Jack Frost (Chris Pine), aquele que mantém o espírito jovial e trapaceiro que todas as crianças possuem nas suas partidas e brincadeiras mas de quem, aparentemente, nenhuma delas recorda ou sabe sequer que existe. E são estes mesmos guardiões que, unindo os seus esforços, vão combater os maléficos objectivos de Pitch que de dia para dia parecem estar a ser concretizados, garantindo assim a tranquilidade das crianças e a sua própria sobrevivência junto das suas memórias.
O argumento de David Lindsay-Abaire baseado na obra de William Joyce, consegue não só captar todo o espírito de magia pelo qual milhares de crianças passam em toda a sua infância através da recriação de pequenos e imaginários heróis, como manter ao mesmo tempo um amplo sentido de acção e aventura que consegue seduzir não só os mais velhos como também alguns daqueles que se pensa já não se sentirem atraídos por este tipo de história (não poderia ser maior erro deduzir tal coisa).
O ritmo acelerado mas muito consistente com que todos os acontecimentos decorrem consegue tomar várias direcções sem nunca perder o seu rumo principal que serve de união entre todas as histórias "pessoais" destes verdadeiros super-heróis que residem no imaginário de tantos e tantos contos infantis. Cada um deles tem direito ao seu pequeno espaço ao longo deste filme e nenhum deles se irá sobrepôr às diferentes histórias, garantindo assim que possamos criar uma maior ou menos identificação com eles sem que isso signifique que nos passemos a abstrair dos demais. "Jack Frost", no entanto, acaba por se tornar naquele herói esquecido que aqui assume um desempenho de líder. É ele que não se recorda do seu passado ou do seu próprio lugar no "mundo" dos guardiões bem como também é dele que a maioria das crianças que instintivamente jurou proteger... não se lembra.
E a dar vida a toda esta história temos aquilo que poderá ser simplesmente comparado a um simplesmente deslumbrante conjunto de imagens que nos consegue cativar em todos os momentos. É quase impossível pensar que algum de nós ao assistir a este filme, não se deixa deslumbrar pelos inúmeros recantos e detalhes que o "covil" do Pai Natal apresenta. Mas ao mesmo tempo também se torna impensável que o espaço do espírito maligno não nos consegue seduzir. Todo aquele natural ambiente negro onde apenas residem pensamentos maus e negativos consegue ser tão apelativo, curioso e misterioso como qualquer um dos outros opulentos e coloridos espaços "naturais" onde os nossos guardiões são reis e senhores. Todos estes universos são, sem excepção, sedutores e apelativos para o nosso próprio deleite visual.
Visualmente rico e com uma história interessante, imaginativa e muito bem ritmada que nos prende a todo o segundo ao ecrã, tendo também um conjunto de personagens que por si só poderiam originar diversos filmes sobre as suas histórias, passados e universos, estes Guardiões formam por si só um conjunto de personagens vitoriosas que, levem ou não o Oscar na sua categoria, irão certamente apresentar no futuro mais algumas das suas aventuras que seduzem muitos para além do seu público alvo.
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"Jack Frost: Am I on the naughty list?"
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8 / 10
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Screen Actors Guild Awards 2013: nomeações

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ELENCO
Argo
The Best Exotic Marigold Hotel
Lincoln
Les Misérables
Silver Linings Playbook
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ACTOR
Bradley Cooper, Silver Linings Playbook
Daniel Day-Lewis, Lincoln
John Hawkes, The Sessions
Hugh Jackman, Les Misérables
Denzel Washington, Flight
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ACTRIZ
Jessica Chastain, Zero Dark Thirty
Marion Cotillard, De Rouille et d'Os
Jennifer Lawrence, Silver Linings Playbook
Helen Mirren, Hitchcock
Naomi Watts, Lo Imposible
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ACTOR SECUNDÁRIO
Alan Arkin, Argo
Javier Bardem, Skyfall
Robert De Niro, Silver Linings Playbook
Philip Seymour Hoffman, The Master
Tommy Lee Jones, Lincoln
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Sally Field, Lincoln
Anne Hathaway, Les Misérables
Helen Hunt, The Sessions
Nicole Kidman, The Paperboy
Maggie Smith, The Best Exotic Marigold Hotel
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ice Age: Continental Drift (2012)

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A Idade do Gelo 4 - Deriva Continental de Steve Martino e Mike Thurmeier é o mais recente título destes heróis pré-históricos que, como o próprio título indica, os coloca na época em que se consumou a divisão continental.
Quando os continentes se separam temos Manny, Diego e Sid à deriva pelo oceano usando como meio de transporte um pedaço de iceberg. Nesta sua inesperada viagem, e da qual só esperam regressar para junto da sua família, não só encontram piratas em mar alto, num novo e elaborado conjunto de personagens como também a fazem na companhia de um quarto passageiro inicialmente desconhecido... a avó de Sid (com a voz de Wanda Sykes), que comprova que afinal o desastre é genético.
Apesar da fórmula começar aos poucos a desgastar-se, este filme não deixa de ser divertido e muito bem disposto e consegue ganhar uma nova energia com a inserção funcional de novas personagens que dinamizam e abrem caminhos para a eventual continuidade. Também a constituíção de família de que "Manny" já tinha sido alvo num título anterior, mostrando que a idade jovem das personagens já lá vai, temos agora a vez de "Diego" poder ser o próximo da fila, bem como também assistimos finalmente às origens de "Sid" num momento que justifica muito da sua essência mais que não fosse através da sua avó da qual conseguimos retirar muitos dos melhores momentos deste filme.
E claro, depois de tudo isto não nos podemos esquecer daquele que é já um símbolo desta saga pré-histórica... "Scrat" e a sua eterna procura do paraíso das bolotas, do qual se aproxima mas que não corre exactamente como ele poderia desejar. Claro que não nos podemos admirar... afinal, se os continentes se separaram... a ele o devemos.
Divertido e bem estruturado este filme pode já não ter a magia inicial do primeiro título mas, ainda assim, consegue ser entusiasmante para aqueles que têm seguido as aventuras deste emocionante conjunto de amigos.
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7 / 10
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