sexta-feira, 16 de maio de 2014

24 Horas con Lucia (2013)

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24 Horas con Lucía de Marcos Cabotá é uma curta-metragem espanhola de ficção que esteve presente na secção Nacional/Internacional da última edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha entre os dias 5 e 10 de Maio e onde tive o prazer de estar presente enquanto membro do júri.
Nacho (Alberto Lozano) depara-se com a improvável possessão de Lucía (Alexandra Palomo), a sua mulher.
Depois de incontactável durante vários dias, Merche (Laura Pons) a mãe de Lucía, dirige-se a casa do casal pedindo satisfações a Nacho. Perante a insistência de uma sogra para além de controladora, Nacho encontra a solução perfeita para os seus problemas.
Marcos Cabotá, também o autor do argumento de 24 Horas con Lucía, encontra a forma perfeita para conciliar a comédia inteligente com o terror ligeiro que tantas vezes falha no género. Esta divertida e inteligente curta-metragem pega numa temática já tantas vezes explorada, e nem sempre das melhores formas, dando-lhe uma cor e energia invulgares que cativam desde o primeiro instante o espectador que se sente inicialmente perdido entre sentimentos sem saber se temer pela inesperada situação das suas personagens ou se rir pelos mesmos motivos.
Alexandra Palomo e Alberto Lozano fazem um improvável - mas dinâmico e cúmplice - par protagonista, e é graças a uma possessiva - não a única - interpretação de Laura Pons que nos sentimos presos a esta curta-metragem desejando saber os "depois" de um desfecho igualmente improvável - e satisfeitos pelo destino da nossa irritantemente querida "Merche".
24 Horas con Lucía é, sem reservas, um dos mais fortes e dinâmicos filmes do género e uma agradável surpresa pela boa disposição e humor com que aborda um estilo que deixa - quase sempre - o seu público "colado" ao seu lugar.
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8 / 10
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Push Up (2013)

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Push Up de David Galán Galindo é uma curta-metragem espanhola de ficção que esteve presente na secção Nacional/Internacional da última edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha entre os dias 5 e 10 de Maio e onde tive o prazer de estar presente enquanto membro do júri.
Dani (Julián López) e Rebeca (Mariam Hernández) encontram-se numa loja quando, de repente, ele descobre que ela fez uma redução ao peito. Entre o choque e a incredulidade, Dani exige um conjunto de explicações para tentar dar razão de ser à sua própria existência.
Com muita comédia à mistura Push Up dá razão de ser a muitos dos ideais sobre aquilo que caracteriza o Homem e a Mulher nos seus traços mais evidentes. Com um sentido de humor desarmante o trio de actores López, Hernández e Pérez Prada conseguem cativar o espectador que delira nuns breves três minutos de duração que nos levam a questionar o que seria se este filme fosse mais longe e explorasse, numa maior duração, muitos dos lugares comuns existentes na masculinidade e na feminilidade. Afinal, o que nos caracteriza e apreciamos uns nos outros?
Espirituosa e mordaz Push Up é uma muito inteligente comédia sobre a guerra dos sexos!
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7 / 10
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Iniciación a la Fotografía (2013)

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Iniciación a la Fotografía de Nico Aguerre é uma curta-metragem espanhola que esteve presente na secção Nacional/Internacional da última edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha entre os dias 5 e 10 de Maio e onde tive o prazer de estar presente enquanto membro do júri.
Ela (Laura Barba) entra num estúdio de fotografia e pede informações sobre um curso que já está a decorrer. É quando parecer querer saber demais que o improvável se descobre.
Esta é daquelas curtas-metragens da qual apenas percebemos a dimensão do seu sentido de humor quando ela está prestes a terminar. De fácil empatia com a sua personagem principal ainda que, a certa altura, pensemos que seja alguém de muito difícil trato, Iniciación a la Fotografía é ainda dotada de uma notável direcção de fotografia da autoria de Edgar Melo que transforma todo o cenário ausente de cor, numa imagem limpa, expressiva e de grande qualidade capaz de mostrar todos os pequenos detalhes que envolvem aquele cenário (estúdio) em particular.
Não sendo uma curta-metragem que tenha um enredo muito elaborado e estando muito ao estilo de um sketch, Aguerre consegue com ela demonstrar quatro diferentes personagens com personalidades distintas e amplas que poderiam facilmente contribuir para um trabalho mais extenso onde as respectivas perspectivas daquele mesmo acontecimento seriam interessantes de dar a conhecer ao espectador.
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7 / 10
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Bam (2012)

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Bam de Won Kang é uma curta-metragem sul coreana que esteve presente na secção Nacional/Internacional da última edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha entre os dias 5 e 10 de Maio e onde tive o prazer de estar presente enquanto membro do júri.
Dongchul é um jovem que se vê regularmente forçado a roubar alimentos para Kyungho através dos mais variados esquemas. No entanto, numa noite, os planos de Kyungho levam os dois jovens para uma sucessão de acontecimentos que prometem não ficar resolvidos da melhor forma.
Won Kang, que também assina o argumento e a edição, constrói uma história que pode ser interpretada pelo espectador de diversas formas. Por um lado temos uma abordagem à cumplicidade mais ou menos forçada entre aqueles dois jovens que denota a sua própria proveniência. No fundo, a meio gás, perdemos a noção se os dois agem devido à carência e necessidade que esta sociedade moderna lhes impõe ou se, por sua vez, os seus esquemas mais não são do que puro prazer que um exerce sobre o outro e sobre a sua aparente fragilidade emocional.
No entanto, Bam entrega-nos também uma outra perspectiva, mais irracional mas ao mesmo tempo fascinante pela possibilidade que dá ao espectador de assistir a uma história que quase se torna fantasmagórica pelo ambiente no qual as personagens se vêem inseridas e pela fuga labiríntica que têm de efectuar para escaparem de um destino que cada vez se torna mais negro, mais tenebroso e complicado de se lhe escapar.
É esta transição de momentos que torna uma história aparentemente banal e comum a tantos outros filmes do género que faz de Bam um filme cativante. Graças à direcção de fotografia de Jae-Sung e a um elaborado jogo de sombras que consegue recriar uma escuridão que parece ganhar terreno a qualquer ideia de luz transformando assim todo aquele já de si pequeno espaço em corredores labirínticos, imundos e apertados, o espectador sente-se preso a esta história e com uma igualmente crescente urgência de sair daquele espaço onde nada de bom aparenta poder acontecer.
Intenso pela sua qualidade filmica bem como pelas interpretações, também elas, fantasmagóricas, Bam é um daqueles filmes que nos faz perder não só na sua história como principalmente pelo ambiente em que é contado que oscila entre um misto de realidade social e moral contemporânea como, ao mesmo tempo, nos dá uma certa ideia e imagem de que estamos perante uma realidade paralela e alternativa.
Assumidamente um dos filmes fortes deste segmento competitivo de Piélagos en Corto.
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8 / 10
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Shortcutz Xpress Viseu - Vencedora do mês de Abril

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A curta-metragem Herculano, de Sérgio Graciano foi a grande vencedora do mês de Abril no Shortcutz Xpress Viseu, numa competição onde estava também nomeada O Que Eu Entendo por Amor, de Ricardo Martins.
Herculano vence assim mais um troféu da rede Shortcutz depois de no passado mês de Janeiro ter reunido nomeações para os Prémios Shortcutz Lisboa referentes a 2013 nas categorias de Melhor Curta do Ano, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhor Música Original e Melhor Actor para Miguel Borges, categoria na qual saiu premiada.
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quinta-feira, 15 de maio de 2014

The Man in the Glass Booth (1975)

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O Homem das Duas Faces de Arthur Hiller e com argumento de Edward Anhalt conta com uma extraordinária interpretação nomeada ao Oscar de Maximilian Schell como "Arthur Goldman".
Goldman é um excêntrico multimilionário judeu que vive uma vida opulenta num apartamento de luxo em Manhattan.
Sempre na companhia de Charlie (Lawrence Pressman), o seu assistente, Goldman vive no seio da polémica sobre a vida e os costumes judaicos, regularmente recordando o seu passado enquanto sobrevivente do Holocausto, naquela que parece uma cada vez maior insanidade que aos poucos o consome.
No entanto, um dia Goldman é abordado por agentes israelitas no seu apartamento que o pretendem transportar para Israel onde será julgado como criminoso de guerra nazi. As maiores revelações chegam quando durante o julgamento Goldman tenta expiar não só as culpas dos crimonosos de guerra como principalmente as daqueles que lhes sobreviveram.
The Man in the Glass Booth é a adaptação cinematográfico da peça teatral como o mesmo nome e que desde o primeiro instante toca em assuntos e problemáticas francamente delicadas pois coloca em causa o sentimento de culpa per si. Se por um lado a enigmática e excêntrica personagem de "Arthur Goldman" é um homem visivelmente afectado pelo seu passado enquanto vítima do Holocausto, não é menos verdade que não é uma com a qual o espectador crie qualquer laço de empatia. Rude, irónica e até hipócrita, "Goldman" é aquele homem para quem tudo tem valor mas o qual ele não confere ou respeita em igual medida, ou seja e como exemplo, se a sua vida esteve em risco durante o conflito mundial, não é menos verdade que secretamente ele despreza todos aqueles (poucos) que estão ao seu redor tratando-os de forma desprestigiante e obrigando-os a considerar o seu real valor. Dito isto, desde o primeiro momento em que somos confrontados com esta curiosa personagem que a nossa imagem a seu respeito mais não é do que aquela de um déspota que trata tudo o que lhe está socialmente inferior como meros "objectos" dos quais pode pôr e dispôr conforma acha que deve em determinado momento.
"Goldman" tem dinheiro e um estatuto social que o mesmo lhe conferiu. Ninguém se lhe opõe mesmo quando lhes falta ao respeito ou os agride física e psicologicamente com as suas teorias existencialistas que profere com a superioridade que o seu dinheiro lhe confere. Ninguém o contraria ou desdiz e o silêncio auto-imposto mais não é do que a forma de poder continuar a ter um trabalho e uma vida financeiramente mais estável o que, como tal, os impede de responder ou contrariar independentemente do quão excêntricas possam aparentar ser as suas vontades, discursos e ordens.
É então que "Goldman" parece ser afinal "Erik Dorff", o carrasco do campo de concentração de Mauthausen que é procurado e levado para Israel onde será julgado por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade. Ele não contraria nenhum, pelo contrário, confirma-os com detalhes que mais ninguém poderia saber, assumindo assim toda a sua culpa até que... algo corre mal com as provas e testemunhas apresentadas.
Quanto estreou este filme gerou imensa polémica por colocar no mesmo patamar de culpa vítimas e carrascos bem como pela forma mordaz e quase sem piedade como aponta os dedos àqueles que nada fazem... os que nada dizem... os que assistem impávidos à carnificina sem dar um última grito de revolta e de denúncia independentemente deste os poder salvar. "Goldman" aponta o dedo a todos, sem excepção, pela sua passividade... pela forma como se aceita a ordem de alguém dito superior e que exerce a força através do seu dito poder que mais não é do que uma ilusão. Anhalt questiona com o seu argumento a forma como todos se colocam numa posição submissa à ordem por mais excêntrica ou neste caso concreto atroz sem que esta seja questionada e contrariada. Queremos mesmo saber quem é a vítima ou o carrasco ou, a dada altura, estão os dois no mesmo patamar? Um por comandar e o outro por obedecer sem questionar aceitando assim o destino que o "outro" lhe confere?
Sem respostas a estas e outras tantas questões, The Man in the Glass Booth torna-se assim num registo sobre a culpa que, contra a nossa vontade e simplesmente por nos obrigar a questionar a sua simples existência, deixa todas as portas abertas para a interpretarmos... para pensarmos. E é a magnífica interpretação de Schell, numa justíssima nomeação a Oscar de Melhor Actor, que consegue assombrar o espectador e deixá-lo impávida com as questões que levanta e que proclama para si próprio sem que, uma vez mais, lhes confira qualquer resposta. Schell ultrapassa todos os limites com a sua interpretação e transforma-se no corpo e no rosto da culpa... de uma culpa por não ter resistido nem enfrentado limitando-se, como tantos outros impotentes, a fazer frente a uma ordem tirânica e selvagem de eliminação sistemática e sem coração que durante anos destruir espaços, memórias e vidas.
Se a primeira hora deste filme, ainda que introdutório e de apresenção de "Goldman" seja, por momentos, algo difícil de digerir, não é menos verdade que a segunda metade de The Man in the Glass Booth seja de cortar a respiração; inicialmente porque a antipatia provocada por aquele homem nos faça desejar que ele seja realmente um culpado, um criminoso e um homem que esperamos poder odiar mas, no fundo, aquilo que ali temos é um homem que simplesmente desistiu de viver, que se entregou à loucura e à excentricidade que a sua culpa lhe conferiram e que o permitiram continuar a viver todos aqueles anos não num qualquer conforto que o seu lar e o seu dinheiro lhe dessem mas sim, por sua vez, num purgatório interminável que jamais lhe iria conferir segurança, conforto e estabilidade... Esta, ele já a perdera há muito tempo.
Schell é poderoso desde a sua encarnação enquanto um homem excêntrico até aos momentos em que se assume como um criminoso de guerra nazi entregando dos mais assustadores relatos da Alemanha do pré-guerra e do conforto que todo um povo (também ele culpado pelo silêncio) encontrou num ditador louco e assassino. No entanto, são os momentos finais em que demonstra toda a sua vulnerabilidade que conferem a Schell a humanidade que a sua personagem não fez notar durante todo o filme. Numa interpretação intensa, mordaz, irónica e bruta, Shell demonstra porque deveria ter vencido este Oscar... ainda que ele não representa a amplitude de uma interpretação que ficará marcada como uma das suas melhores e mais poderosas.
Filmado quase de forma teatral, pela ausência de detalhes que nos importem reter para além da referida interpretação de Schell, The Man in the Glass Booth é um filme difícil de encontrar mas que aqueles que o conseguem devem devorar todo o seu conteúdo e reflectir sobre a culpa per si... a cometida... e principalmente aquela que foi silenciosamente consentida.
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8 / 10
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Zar (2013)

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Zar de Bartosz Kruhlik é uma curta-metragem polaca de ficção presente na secção Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que terminou no passado dia 10 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Michael (Aleksander Sosinski) viaja para uma pequena localidade do interior do país para conhecer Anne (Sara Bartkowska) com quem tem desenvolvido uma relação virtual próxima.
Ao encontrarem-se pela primeira vez frente a frente a empatia entre os dois é imediata até que Anne se afasta misteriosamente e surge no caminho de Michael um novo e misterioso elemento que se apresenta como Daniel (Rafal Fudalej) e que tem os seus próprios planos a respeito daquele encontro.
Kruhlik escreveu este argumento que nos apresenta de imediato um ambiente muito familiar aos filmes teen norte-americanos onde tudo parece idílico e bonito deixando os intervenientes confiantes quanto a um futuro cor-de-rosa. No entanto, o mesmo argumento faz com que o espectador sinta desde o primeiro instante uma desconfortável sensação de déjà vu quanto àquilo que espera a respeito desta viagem. O clima sente-se pesado e pouco natural. No fundo, quantos de nós já não viram filmes deste género onde percebemos muito facilmente que aquilo que daqui pode surgir será tudo menos a viagem de uma vida...
Se o encontro entre "Michael" e "Anne" parece aparentemente perfeito, não é menos verdade que deixa uma imediata sensação de qua algo não está bem ainda que não consigamos perceber exactamente o quê. No entanto, aquele inesperado afastamento de "Anne", que se torna imediatamente secundária numa história cujo propósito era conhecê-la, revela que o pesadelo está prestes a começar.
Se ela serviu como um engodo para algo maior, não é menos verdade que é apenas quanto "Michael" e "Daniel" se encontram que tudo se desvanece e percebemos estar perante um pesadelo que parece não ter um fim à vista... E confirma-se. Aos poucos "Daniel" percorre o terreno e prepara o seu caminho para controlar tudo à sua volta. É quando a tensão se percebe como estando instalada que a verdadeira "caça" se inicia para aquilo que seriam as piores horas da vida do jovem "Michael" que apenas pode tentar sobreviver a uma aventura da qual não tem escapatória possível.
O seu cativeiro, abuso e tortura por parte de um instável "Daniel", fazem assim justiça àquilo para o qual somos inicialmente avisados... Zar, no sentido de calor, que tanto se pode à temperatura climatérica do ar como, mais explícito nesta curta-metragem, à tensão e frustração sexual sentida por parte daquele violento intruso e exercida sobre uma inesperada vítima às suas mãos.
Numa acção que decorre numa floresta deserta e labiríntica que automaticamente se transforma na própria prisão de "Michael", Zar denota elementos que nos aproximam de uma filmografia cruzada entre Haneke e Roth fazendo-os conviver no mais perfeito elogio ao sadismo físico e psicológico que, a certa altura, não só é exercida sobre a referida personagem como também obrigatoriamente sobre o espectador que desespera pelos momentos que a vê atravessar sem nada poder fazer... tão perto da civilização se encontra que o próprio salvamento parece ser uma mera ilusão que a sua mente se atreveu a pensar.
Se a simpatia e quase delicadeza dos momentos iniciais parecem conquistar o público através de uma relação que se apresenta terna, é no entanto a violência dos sentimentos e da aceitação que a personagem de Fudalej apresenta que acabam por dinamizar todo o filme e obrigar-nos a odiar aquele vilão que, de certa forma, se odeia a ele próprio exercendo sobre terceiros as suas próprias incertezas, frustrações e dificuldades em aceitar e perceber os seus sentimentos.
Daniel Wzwrzyniak consegue através da sua excelente execução de fotografia captar não só o factor de prisão aberta em que se transformam todas as sombras e caminhos incertos daquele floresta, o que só torna ainda mais complicado de digerir todo o ambiente pois percebemos que apesar de poder "facilmente" fugir dali, "Michael" encontra-se, na verdade, num espaço que é mais restrito do que aparenta, assim como é tão captado todo aquele ambiente de um Verão cálido e desconfortável que apenas vai agudizar todos os sentimentos reprimidos que se fazem sentir.
Zar é, com toda a justiça, um filme bruto e desconcertante que nos incomoda e nos faz pensar uma vez mais nos perigos de encontros desconhecidos e que podem trazer perigos e momentos que conseguem definitivamente transformar a vida daqueles que neles estão envolvidos. Um filme forte, bruto e cru que não nos deixa indiferentes pela sua inicial calma violência que faz adivinhar que o pior está ainda por chegar.
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9 / 10
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Sájara (2013)

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Sájara de Juanan Martinez é uma curta-metragem espanhola de ficção e também ela presente na secção Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha, até ao passado dia 10 de Maio.
Jaime (Alfredo Alba) e Lucía (Silvia Espigado) têm algo para revelar à sua filha mas, no entanto, ela leva o namorado para jantar em casa e tem também algo a revelar.
Esta simpática curta-metragem insere-se facilmente num género de comédia que a todos agrada, e o argumento da autoria de Martínez consegue cativar o espectador pela sua simplicidade e pela construção de personagens que se tornam complexas à medida que a narrativa avança tornando-as reais e parecidas com tantos de nós.
Se por um lado a dinâmica entre o casal protagonista revela tantas questões e problemáticas inerentes a tantos casais como são, por exemplo, o desgaste da relação e a monotonia do dia-a-dia que consomem as energias de cada um, não é menos verdade que a dupla mais nova composta por "Arancha" (Beatriz Olivares) e "Víctor" (Ignacio Montes) consegue, também ela, captar muitos dos momentos de comédia que esta simpática curta-metragem nos oferece não só pela dinâmica que constroem entre si como principalmente pelo caricato momento que os leva a pedir auxílio aos pais dela e que inteligentemente induzem o espectador a um conjunto de falsas ideias pré-concebidas, numa perfeita união entre os quatro actores que entregam profundos, sentidos e hilariantes interpretações que são, sem margem de dúvida, a alma deste filme.
Martínez e o seu Sájara são, essencialmente, uma reflexão sobre a vida e sobre a passagem do tempo bem como sobre a forma como estas convivem numa estrada sem possibilidade de escapar entre si e também uma sentida forma de relatar como, e aqui utilizando um certo lugar comum, as únicas coisas das quais nos iremos arrepender são aquelas que acabamos por não fazer.
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7 / 10
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Secretos del Lado Oscuro (2013)

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Secretos del Lado Oscuro de Salva Martos Cortés é uma curta-metragem espanhola de ficção e mais uma das presentes na secção Nacional/Internacional da quinta edição d Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu até ao passado dia 10 na Cantábria, em Espanha.
Clara (Rosa Boladeras), Julia (Esther Ortega) e Rebeca (Júlia Estornell) são três irmãs que regressam à casa onde nasceram depois da morte dos seus pais. Todas elas têm os seus próprios segredos que serão relembrados nesta inesperada visita.
É no seio de grandes e traumáticos acontecimentos que, dizem, melhor se conhece a essência de cada um de nós. Os seus segredos e actos mais ou menos duvidosos assim como a forma como lidamos com o passado e com o presente. Salva Martos Cortés recupera de forma engenhosa mas infelizmente pouco explorada esta premissa que nos revela os podres na relação entre três irmãs que sentimos serem distantes, frias entre si, e que de uma ou outra forma tentam escondem as suas próprias acções e recordações que aquela inesperada visita à casa onde cresceram lhes transmite.
Desde a sugestão de incesto ao adultério, "Clara", "Julia" e "Rebeca" denotam um crescente desconforto não só por se encontrarem naquela casa que percebemos não lhes trazer as melhores recordações como também pelo facto de estarem na presença umas das outras o que, para cada uma delas, revela a ideia de um passado que pretendem esquecer a todo o custo. E é este mesmo desconforto que sentimos quando percebemos que a sua visita que tinha o propósito de dar um destino aos bens dos pais é ultrapassado pela necessidade de dali saírem e esquecerem tudo, e de forma definitiva, o que ali está e representa... afinal, já bem perto da conclusão desta história, percebemos que nenhuma dela leva algo como recordação daqueles que lhes deram vida.
Ainda que interessante pela premissa e pela vertente mais profunda a respeito das traições ocultadas ao longo de uma vida, Secretos del Lado Oscuro não chega a mostrar todo o potencial que tem enquanto filme capaz de contar uma história sobre as vidas não "vividas" em pleno por estas mulheres como resultado dos traumas que ficaram por revelar na sua totalidade e que ainda as condiciona anos passados. É nas interpretações do trio de actrizes que sentimos que existe muito mais por contar, não necessariamente sobre aquilo que lhes aconteceu mas sim sobre a forma como esse acto condicionou as suas felicidades, os seus projectos e as suas concretizações, levando assim o espectador a simpatizar com a forma como esta curta-metragem está dirigida porque promete um desfecho trágico, mas ao mesmo tempo insatisfeito porque o caos pessoal de cada uma delas não se chega a cumprir (aos nossos olhos).
Aqui o amor não é sentido, o conforto não é sincero e no fundo estamos perante três mulheres que, tendo cada uma delas um passado comum, mais não são do que estranhas e indiferentes aos problemas das demais mas principalmente frias e desconfortáveis por se encontrarem na presença comum que mais não representa do que uma memória que se pretende esquecer e ocultar para que não desperte e se torne num fantasma que não poderão controlar.
Secretos del Lado Oscuro é assim uma curta-metragem que deveria ter sido longa, que deveria ter explorado as memórias e o que ficou por dizer por cada uma delas que certamente teriam dado origem a uma história crua, difícil e pouco polida sobre as verdadeiras dinâmicas entre pessoas que apenas partilham um património genético que em vez de as aproximar só exponencia as suas diferenças colectivas.
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5 / 10
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Piove (2013)

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Piove de Lu Pulici e Francesco Zucchi é uma curta-metragem italiana de ficção presente na quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción mais concretamente na secção Nacional/Internacional.
Num dia como qualquer outro, o Dr. Tony Bianchi (Roberto Agostino) vive a sua rotina habitual... visita alguns pacientes em suas casas, vai ao barbeiro e encontra-se no café da aldeia para uma amena conversa com outros populares.
É no seio destes encontros que Bianchi se questiona sobre as pessoas com quem convive e principalmente com o seu papel na interacção que com eles desenvolve e as dinâmicas de cada um naquela tão caricata aldeia do interior italiano... até que uma vez mais surge a chuva.
No meio de tão caricatas personagens recriadas graças a um engenhoso, alternativo e bem disposto argumento da autoria de Josep Piris, Lu Pulici e Francesco Zucchi, aquilo que se destaca do mesmo acaba por ser o universo muito próprio que as mesmas habitam não só no espaço geográfico mas também nas relações que estabelecem entre si. É, aos poucos, enquanto decorre toda a narrativa que sentimos que estas personagens sendo "normais" (seja lá o que isso o que fôr), habitam um espaço próprio, com comportamentos simples e desprovidos de uma qualquer corrupção que o mundo tenho trazido um dia a cada uma delas. Ali não... estamos puras, quase inocentes, e os comportamentos que têm entre si mostram esse afastamento de um espaço já tocado pela malícia alheia.
No entanto, é esta mesma dinâmica que esperamos ver desenvolvida e que avance nos seus passos que acaba por não se cumprir na totalidade deixando por isso um sentido amargo para o espectador. Ao assistimos a um momento tão "simples" como a ida de "Dr. Bianchi" a casa de um paciente e onde toda a sua interacção com a voluptuosa filha deste último nos deixa uma réstia de esperança na simplicidade e inocência de uma corte que já não se usa e que nos faz esperar por mais, por muito mais, tais as expectativas que conseguem ser criadas e que nos deixa fluir a imaginação sobre o momento seguinte e das dinâmicas existentes entre os habitantes daquela aldeia que mais parece um local inexistente ou perdido no tempo mas que, infelizmente, não chegam dada a curta duração deste simpático filme.
É toda esta componente "especial" que se encontra retratada num simples, mas esclarecedor, momento no qual um dos habitantes desta aldeia pinta o céu de azul afastando a chuva como se realmente de uma tela por pintar se tratasse. O poder do sonho, da imaginação e do desejo é o que se encontra presente por todo este filme e que nos permite esperar e desejar por mais que não sendo totalmente cumprido, respondendo assim a todas as nossas expectativas, que deixa o tal sentimento de incumprimento e de insatisfação no espectador. Não retira o brilho a Piove mas deixa o céu um pouco mais cinzento.
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5 / 10
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Clodette (2013)

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Clodette de Jose Pozo é uma curta-metragem andorrina de ficção presente na secção Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que terminou no passado dia 10 na Cantábria, em Espanha.
Uma mulher reformada (Mercé Sanz) passa horas intermináveis frente a um televisor e com o comando na mão. Este quase se assume como o seu melhor amigo pois permite-lhe ver o mundo sem sair do seu pequeno espaço.
No entanto, um dia, e para seu infortúnio ela fica presa num teleférico e sem poder pedir auxílio. Ali durante horas, recorda o seu passado recheado de memórias da sua juventude e infância.
María Canabal e José Pozo, o mesmo realizador do filme de animação El Cid: La Leyenda com o qual venceu o Goya na respectiva categoria, assinam um argumento que nos leva a viajar pela memórias e pelas recordações de uma mulher solitária. E não apenas solitária no presente onde já tem uma idade avançada mas sim um ser que percorreu o tempo sem se completar com a presença de outros. Acompanhamo-la em jovem mulher (Elisabet Terri) na qual passa ao lado das normais interacções de descoberta e cumplicidade, assim como em jovem criança (Ingrid Morell) na qual era, uma vez mais, a criança mais solitária do mundo.
É com este cenário por base que o espectador se coloca na sua posição onde se questiona sobre a francamente breve passagem por uma vida onde nem a sua vida tocou a dos demais nem nenhum testemunho da sua passagem permanece na memória de alguém. Quem a testemunho? Quem viu os seus feitos ou o seu dia-a-dia com alegrias e tristezas? Absolutamente ninguém. E isso prova a sua passagem naquele teleférico onde, tendo apenas levado o único "amigo" que a acompanha diariamente (o comando), pensando que teria um telemóvel, vê-se impossibilitada de pedir auxílio assim como ninguém dá pela sua falta até que o próximo dia chegue.
Tendo como ponto forte o estudo que se pode tecer sobre a solidão e o isolamento, Clodette sofre, no entanto, de um problema tão grave quanto aquele do qual se propõe "falar", ou seja, o seu próprio esquecimento.
Assim, sendo uma curta-metragem interessante do ponto de vista técnico com todo um ambiente que propicia a própria viagem do espectador para um cenário austero e frio típicos de uma memória apagada e distante para o qual muito contribui a direcção de fotografia de Jose Luis Pulido, não é menos verdade que a sua protagonista e o dinamismo que entrega à história, não conseguem torná-la(s) memoráveis ao ponto de nos fazer sentir que "sim... ali está uma interpretação notável" levando por sua vez o espectador a quase esquecer esta importante e tão presente história que afecta tantas pessoas de idade mais avançada como é o caso da solidão mas que é, ainda assim, captada de forma brilhante e original através dos silêncios e da incomunicabilidade existente durante toda a sua acção na qual a protagonista nunca verbaliza nenhum dos seus pensamentos. Todos, sem excepção, são apenas recuperados através da visualização da sua memória, e daquilo que o espectador depreende como sendo uma sua despedida da vida, solitária, sem testemunhas e esquecida.
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5 / 10
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You & Me (2013)

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You & Me de Rafa Russo é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu no início de Maio na Cantabria, em Espanha.
Ele (Mark Schardan), com um sério desejo de realizar uma curta-metragem. Ela (Anna Casas) quer uma máquina de lavar loica que lhe facilitará a vida e o trabalho. Ambos colidem com os objectivos que não partilham em comum ao mesmo tempo que se reavivam assuntos do passado que ficaram por resolver.
A principal dinâmica que esta curta-metragem que Rafa Russo escreveu e realizou centra-se na interacção entre o casal interpretado por Schardan e Casas que dão vida e cor aos problemas que um casal que perdeu o rumo e, de certa forma, alguns dos seus objectivos depois daquilo que percebemos ter sido uma vida apaixonada e bem vivida.
Se por um lado vemos que ainda existe amor nesta relação não é menos verdade que também é dado a conhecer ao espectador o desgaste que a mesma teve com o passar dos anos seja através dos objectivos não cumpridos, pela rotina diária que faz dissipar e esquecer muitas das ideias que outrora tiveram ou mesmo por alguma forma maior que os fez anularem-se em nome de uma relação na qual não mantinham nenhuma individualidade.
Schardan e Casas têm uma química imediata com o espectador e apesar de interpretarem uma história com princípio, meio e fim, não é menos verdade que poderíamos assistir a um maior desenvolvimento das suas histórias, dos seus silêncios e principalmente daquilo que sob pressão, e tensão, teriam para dizer mutuamente numa história que, ironicamente, poderia por si só ser o reflexo da curta que "ele" queria fazer deixando o próprio espectador questionar-se sobre o registo "autobiográfico" que a própria história poderá (poderia) ter.
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7 / 10
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Pipas (2013)

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Pipas de Manuela Moreno é uma curta-metragem espanhola de comédia já nomeada ao Goya atribuído pela Academia Espanhola de Cinema, e que marcou presença na quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria entre 5 e 10 de Maio na secção Nacional/Internacional.
Duas amigas (Marta Martín e Saida Benzal) estão num momento descontraído quando uma delas revela que o seu namorado a deve trair. Depois de uma explicação que é, para si, tida como certa percebemos que o acha por ele lhe ter dito "Amo-te Pi".
Quando as evidências estão tão presentes e por parecerem tão óbvias mais não são do que impossíveis, Manuela Moreno e o guião que escreveu, centram-se não tanto nesta impossibilidade mas sim na comédia que o (des)conhecimento de causa atribui àqueles que dele querem saber.
Simpática pela dinâmica das duas actrizes e pela história que em escassos três minutos conseguem tirar alguns sorrisos do espectador, Pipas funciona ainda como um simpático interlúdio que efectua entre histórias mais complexas e talvez mais presentes afirmando-se assim como um daqueles filmes que deixa o espectador bem disposto e com algo pelo qual sorrir.
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7 / 10
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No Tiene Gracia (2013)

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No Tiene Gracia de Carlos Violadé é uma curta-metragem espanhola de ficção inserida na secção competitiva Nacional/Internacional da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria até ao passado dia 10 de Maio, e na qual tive a honra de estar presente enquanto membro do júri.
Manolo (Andrés Berlanga) e María (Mercedes Bernal) são um jovem casal apaixonado e que partilha a vida em comum. Manolo, um eterno bem disposto, passa o tempo num conjunto de partidas mais ou menos bem dispostas para provocar a boa disposição de María.
No entanto, um dia María resolve ter algo mais para dizer...
O argumento, também da autoria de Violadé, consegue captar não só a essência de uma história romântica onde duas pessoas convivem e se conhecem nos seus momentos alegres como também nos seus momentos mais aborrecidos, e para os quais é necessário quebrar a rotina, mas também consegue ser bem sucedido numa abordagem a uma temática mais séria, complexa e igualmente perturbadora quando nos faz reflectir sobre o lado mais sombria da mente humana.
Questionamo-nos no decorrer desta história sobre o que acontece quando algo corre mal? O que fazer quando somos colocados à prova pelos nossos actos mas, principalmente, pela moral que nos define enquanto seres humanos no exacto momento em que temos necessidade de enfrentar, e escolher, como será a nossa própria vida a partir daquele instante. É este pequeno grande factor que torna No Tiene Gracia, uma curta-metragem cuja sua história poderia ser linear e algo previsível, num filme que não tendo uma carga propriamente negativa consegue, no entanto, firmar-se como bruta e intensa na forma como nos faz olhar para nós próprios pois é, no fundo, isso a que o espectador se sente "obrigado".
Enquanto a "María" de Mercedes Bernal se apresenta como uma mulher seca e algo cansada de uma vida em "eterna juventude" e que sabe ter chegado a altura de se tornar adulta, é no entanto Andrés Berlanga enquanto "Manolo", o namorado bem disposto e folião que consegue reunir a empatia do espectador desde o primeiro instante. Sentimo-nos cativados pela sua genuinidade e vontade de fazer com que tudo corra bem mas é também ele que, ao mesmo tempo, se revela pelo inesperado e pelas decisões drásticas, e completamente amorais, que revela quando algo aparenta ter corrido mal. É esta dualidade entre as composições dos dois actores que dá uma vida (quando ela aparenta ter sido perdida) a toda a trama e que conquista o espectador quando percebemos que tantas vezes tomamos decisões más que nos irão comprometer para o resto da nossa vida.
Ainda um breve mas positivo destaque para a direcção de fotografia de Alex Catalán que transforma um aparentemente simpático e convidativo apartamento no local onde as almas mais negras dos seus intervenientes se revelam, graças a um jogo de luz escassa e sombras que nos revelam como o "lado negro" (no verdadeiro sentido da expressão) se apoderou daquele que em tempos foi para ambos um "lar".
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8 / 10
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Festival Internacional de Cinema de Cannes 2014

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Festival Internacional de Cinema de Cannes
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14 a 25 de Maio de 2014
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terça-feira, 13 de maio de 2014

Malik Bendjelloul

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1977 - 2014
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Subterráneo (2013)

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Subterráneo de Miguel A. Carmona é uma curta-metragem espanhola de ficção e a última das presentes na secção Fantástico da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu entre 5 e 10 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Durante a madrugada, Susana (Cuca Escribano) e Daniel (Carlus Fabrega) vivem uns momentos de um tórrido encontro sexual dentro de um automóvel na garagem de um prédio.
Tudo parecia correr bem até serem interrompidos pela chegada de um novo automóvel de onde saem três homens de aspecto sinistro e com planos próprios para aquela noite.
Álvaro Begines e Miguel A. Carmona escrevem este argumento de suspense e alguma tensão que para além de uma história de cinema fantástico se prende principalmente com aspectos morais explorados de uma forma aparentemente ligeira mas que acabam por se tornar nos principais elementos desta história.
Cedo percebemos que "Susana" e "Daniel" não têm nenhuma relação afectiva para além da sexual que lhes confere alguns instantes de prazer. Mais... cedo percebemos que pelo menos no que diz respeito a "Susana", ela encontra-se na garagem do prédio no qual vive enquanto o seu marido está em casa a dormir descansado.
Não bastasse esta traição já ser motivo para uma história que se adivinhava difícil, é então que encontramos estas duas personagens numa situação de perigo de vida quando um grupo de homens invade a garagem em que se encontram para "tratarem" dos seus próprios negócios e agendas criminosas da qual os nossos dois protagonistas têm de fugir sem que ninguém dê pela sua presença.
É então que ambos são colocados perante um complicado dilema que pode determinar o resto das suas mais ou menos curtas vidas... irão pedir ajuda sujeitando-se a serem descobertos ou, por sua vez, nada fazem esperando apenas que o mal passe?! Tudo seria simples demais para que esta história se alongasse sendo que, desta forma, tenha de ser colocada uma terceira via... Arriscará um deles a vida do outro como forma de sobreviver a um trágico destino e ainda escapar à revelação dos porquês de se encontrarem naquela garagem?
Com esta última questão colocada é então que nos deparamos com a verdadeira essência de Subterráneo onde o lado mais animal de qualquer um de nós é colocado à prova e onde se tentam eliminar todos os indícios de tarefas menos explícitas (ou lícitas) e agir como se o amanhã fosse um dia tão normal como qualquer um dos anteriores. Arriscar a vida de um parceiro, independentemente da actividade que com ele se pratique, e salvar a própria integridade (ainda que ela possa ser pouca no final das decisões que se tomam), acaba por ser o ponto mais forte desta história que desmascara as intenções de "Susana", e de certa forma de qualquer um de nós como auto-preservação, demonstrando assim que não são apenas os criminosos assumidos que tomam as atitudes ou acções mais limite... qualquer um de nós as pode tomar... a diferença é que nem todos estão dispostos a admitir que somos capazes de as ter.
No final, e talvez aquilo com que ninguém conta, é que nem todos os passos são limpos e por vezes o melhor dos planos pode correr mal... um alarme pode tocar e todo o nosso percurso ser posto a descoberto graças às nossas próprias e impensadas acções.
Escribano e Fabrega formam uma dupla interessante como o casal de amantes que tem tudo a perder se a sua relação se tornar pública. Amigos mais ou menos confidentes que se encontram às escondidas para manter as respectivas reputações, denotam uma inicial cumplicidade que percebemos à medida que o tempo passa mais não ser do que uma química meramente sexual e que quando o momento "aperta" mais não são do que dois estranhos a conviverem no mesmo espaço no qual tentam sobreviver. Escribano compõe uma "Susana" mordaz e de raciocínio rápido que, no entanto, não elimina todas as provas do seu próprio crime e que, a curto prazo, terá muito para justificar.
No entanto, se a dupla protagonista tem desempenhos sólidos, é Emilio Buale com o seu par de óculos escuros tão ou mais intimidante que ele próprio, que se destaca no decurso desta curta-metragem como aquele com o qual temos de ter verdadeiro cuidado. Aparentemente cool mas dono de uma atrocidade feroz, Buale compõe um vilão extremamente intenso capaz de dominar todos os segundos em que aparece no ecrã... e mesmo os demais nos quais não aparece mas que se faz sentir a sua presença.
E depois do crime organizado tomar conta daquele espaço e um "menos" organizado ocorrer, só resta dizer que nenhum deles passa sem ser notado sendo a única questão que resta colocar ser... quem terá mais a perder quando as suas acções se revelarem aos demais depois daquele tão desejado alarme finalmente soar?!
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8 / 10
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Timothy (2013)

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Timothy de Marc Martinez é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Fantástico da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que terminou no passado dia 10, e uma das mais fiéis detentoras do título "fantástico" em que se insere.
Simón (Roger Moreno), é um miúdo pacato que tem de suportar Sonia (Ann M. Perelló), a sua insuportável, cheia de caprichos e adolescente ama mais uma noite.
No entanto, Simón irá receber a inesperada visita de Timothy, o seu herói juvenil que tem uma surpresa reservada para ambos e que irá transformar para sempre as suas vidas.
Logo desde o primeiro instante Timothy cativa o espectador pelo seu ambiente que o coloca numa dimensão desconhecida por se sente que algo está prestes a correr mal. Não só a atmosfera de "conto infantil" numa categoria de cinema fantástico já é de deixar algumas "inseguranças" quanto a algo mais ligeiro, como também existe toda uma direcção de fotografia de Yuse Riera que nos leva a um espaço imaginário e que nos faz sentir desde o primeiro instante uma qualquer instabilidade que não nos permite descansar. Os jogos de luzes e sombras assim como o efeito "espectáculo" que Riera recria encaminham-nos para um lugar no nosso subconsciente que, de uma ou outra maneira, receamos e não queremos admitir.
Aos poucos a história, da autoria do próprio Marc Martinez, fazem adivinhar o pior, rapidamente confirmado pela presença física de "Timothy" que é, digamos, um cruzamento entre um "Jack Torrance" do filme The Shining com um "Hannibal Lecter" do filme The Silence of the Lambs... sim, é assim tão sedutoramente assustador e aos poucos percebemos que apesar de nos amedrontar também nos impele a querer mais da sua presença e sentir que vamos assistir (talvez) a um banho de sangue.
E quando menos esperamos... abate-se sobre nós a verdadeira dimensão desta história que, não a vou revelar, mas exponencia os elementos psicóticos de uma mente perturbada (a das suas personagens) e o verdadeiro significado da loucura e insanidade que se escondem por detrás de um rosto aparentemente inocente mas que perdeu, algures no tempo, a dimensão daquilo que poderia ser uma vida dita normal.
Os elementos que aproximam Timothy dos dois filmes norte-americanos que referi são vários ao longo deste filme, desde o elemento solidão num espaço fechado e aparentemente distante sentidos em The Shining, assim como a presença de uma criança no mesmo, não esquecendo os elementos de violência que quase arrisco dizer serem também eles uma homenagem ao género slasher, e que quase funcionam como uma homenagem aos mesmos (quando "Timothy" destrói a porta - The Shining - ou no espancamento com o martelo - The Silence of the Lambs) e que tornam esta curta-metragem e o seu realizador/argumentista, não só como referências no género como uma das mais fortes presenças neste festival de cinema onde me encontrei enquanto membro do júri.
Em tão breves instantes temos então uma história francamente bem construída que nos transporta para um domínio onde o espectador fica perdido entre aquilo que vê e aquilo que realmente está a acontecer num jogo entre o real e a ideia de uma mente perdida e retorcida no qual é inserido com ose de uma dupla personalidade se tratasse, que contém ao mesmo tempo um refinado conjunto de elementos técnicos, nomeadamente a sua já referida direcção de fotografia, que denotam não só o profissionalismo dos envolvidos como também a vontade de o fazer com marca de excelência.
Se procurávamos uma nova referência no terror... naquele terror que sem saber pode estar "sentado" ao nosso lado... ele já chegou... e dá pelo nome de "Timothy".
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9 / 10
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Potwór (2012)

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Potwór de Piotr Ryczko é uma curta-metragem polaca de ficção e a única na categoria Fantástico da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que não era falada em castelhano.
Peter (Aleksander Madej) é uma jovem criança solitária e ostracizada e sem as normais interacções com os demais seres humanos, como também é vítima de bullying por parte das outras crianças com quem vive. A sua única solução é fugir enquanto vive na esperança de reencontrar a mãe que nunca teve.
É quando chega a uma enorme e aparentemente deserta mansão onde encontra um homem (Mariusz Wojciechowski), que a vida de Peter irá finalmente assistir a uma inesperada transformação, e onde serão revelados segredos que têm permanecido escondidos.
Ryczko assume não só a direcção desta curta-metragem como também a elaboração do seu argumento em parceria com Trond Arntzen, nesta história sobre a marginalização, o esquecimento e como a falta de afectos e interacção entre as pessoas pode resultar não só na "animalização" dos mesmos como conduzir, a longo prazo, à alienação e à perda.
Com uma atmosfera muito particular na qual o espectador é inserido num universo diferente quase fantasmagórico e centrado numa época já distante, Potwór (monstro na sua tradução), é assim uma história que se centra em vivências alternativas, todas elas marcadas por um passado violento e traumático que, voluntariamente ou não se encontram marginalizados, em espaços escondidos e onde ninguém os conseguirá ver. Vidas escondidas e transformadas pela dor, pela perda e pela ostracização tão decadentes como o próprio espaço em que habitam e fisicamente transformados pela dor de uma dedicação que nunca resultou em frutos.
Se um perdeu a mãe (ou por ela foi abandonado), não é menos verdade que o outro perde a mulher para uma doença que não consegue curar e que, em última análise, também ele vai ficar sozinho e perdido num mundo que já não conhece e que se transformou (tal como ele) para algo distante e quase insuportável.
Ainda que o argumento nos faça reflectir e questionar em certa medida a sociedade, seja ela de que época fôr, na prática os aspectos mais fortes de Potwór encontram-se nos elementos técnicos que lhe dão vida, nomeadamente a caracterização dos seus actores, num brilhante registo de Karolina Mamelka que transforma os dois actores protagonistas em meros vultos e fantasmas no espaço real em que habitam (na prática eles não convivem com mais ninguém e parecem deslizar pelos locais em que se encontram), a execução do guarda-roupa da autoria de Agnieska Utwinowicz, Malgorzata Bednarek e Marta Novicka que deixam o espectador em suspenso sobre a real época em que se encontra e uma direcção de fotografia de Nicolas Villegas que graças a um jogo de luzes e sombras também eles fantasmagóricos deixa em suspenso a dimensão dos locais e permite ao espectador transportar o seu imaginário para uma incerteza entre o real e o ficcionado e que deixa, ao mesmo tempo, um certo desconforto e incerteza sobre o termos ou não presenciado um sonho.
Interessante pela sua dinâmica e atmosfera e um interessante representante da categoria Fantástico, Potwór não é uma das curtas-metragens mais acessíveis de se visionar. Não só pela sua temática que se deixa levar pela sua extremamente longa duração (afinal falamos de uma curta-metragem de quase trinta minutos) como também pela dispersão que daí resulta levando o espectador a querer um desfecho para as problemáticas das suas personagens que se deixam arrastar até um momento em que nenhuma redenção já lhes é permitida.
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7 / 10
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Meeting with Sarah Jessica (2013)

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Meeting with Sarah Jessica de Vicente Villanueva é uma curta-metragem espanhola de ficção presente na secção Fantástico da quinta edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes de Ficción que decorreu na Cantábria, em Espanha, entre 5 e de 10 de Maio últimos.
Dori (Inma Cuevas) cumpre o seu sonho ao viajar até Nova York para jantar e conhecer a estrela da sua série preferida, Sarah Jessica (Montserrat Roig de Puig) sendo que, no entanto, a esperava uma surpresa muito maior do que aquela que poderia imaginar.
Vicente Villanueva elabora um argumento que, de certa forma, junta dois estilos que já se cruzaram no passado quando Joel Gallen dirigiu o comic Sex and the Matrix para a gala dos prémios MTV e que, muito originalmente colocou as personagens da série Sex and the City no universo Matrix dos irmãos Wachowski.
Aqui, uma vez mais, entramos no universo Sex and the City mas com uma significativa e igualmente engenhosa orientação que faz da sua estrela "Sarah Jessica" alguém que se encontra no seio de uma conspiração mundial para controlar as mentes dos espectadores e fazê-los esquecer o mundo problemático em que vivem(os), com o intuito de o expôr sendo que, no entanto, forças maiores a impedem de cumprir o seu objectivo.
"Dori", numa composição extremamente cómica e divertida de Inma Cuevas, é então aquela fã completamente oposta ao ideal de beleza que a série impôs pela mundo fora, mas que sonha poder ser como a "Carrie Bradshaw" à qual "Sarah Jessica" deu vida e que agora encontra apenas para descobrir que aquilo que via e aquilo que agora tem à sua frente são, na prática, duas imagens bem distintas... tal o poder da televisão.
Meeting with Sarah Jessica leva-nos então numa viagem não só pelo universo mágico da televisão que impõe um padrão que não será no final aquele que corresponde à verdade, não por uma questão de mentir ao seus eternos e leais fãs, mas sim porque poderes maiores se escondem por detrás de todo o mundo do espectáculo que tem, como fim último, a dominação mundial e o controle das mentes dos mais fracos (que entre a teoria da conspiração), conseguindo-o através de séries mundialmente difundidas e que conquistam uma vasta dimensão de seguidores e fãs. Com a premissa de que nem tudo o que parece realmente é, o argumento de Villanueva pressupõe através de Meeting with Sarah Jessica que a televisão é apenas um "pequeno" mundo de aparências com fins bem mais complexos do que o mero entretenimento e que, (in)felizmente alguns são "capturados" e controlados ao ponto de, tal como "Dori" se apresentarem tal como a sua estrela de televisão preferida sem que, no entanto, em nada se pareça com ela.
Numa viagem entre o mundo do espectáculo, os universos alternativos, a ilusão das aparências e aqueles que se deixam levar por mundos irreais que tomaram, algures pelo caminho, como sendo os mais certos e reais, o espectador delicia-se com duas soberbas e alucinantes interpretações de Roig de Puig e Cuevas, a primeira que parece alimentar-se de speed e a segunda que aos poucos perde toda a sua sedutora ingenuidade e que pelo meio encontram uma cumplicidade e identificação que conquistam em segundos.
Ainda que Meeting with Sarah Jessica fique longe do filme que poderia ter sido tendo, no entanto, todos os ingredientes necessários para uma comédia referência, pois no final esperamos poder receber algo mais destas duas personagens e dos seus "depois" nomeadamente o que terá acontecido a tão nobre missão que é confiada a "Dori", não deixa também de ser verdade que por momentos aquele jantar em que as duas potencialmente antagónicas personagens se encontram tem momentos de puro delírio nos quais nos questionamos se nós próprios não nos encontramos num espaço alternativo e no qual nos deixámos levar por uma conspiração mundial que está em curso há largos anos.
Se existe filme curto que merecia uma maior exploração não só das suas personagens como também da história em que estão inseridas, Meeting with Sarah Jessica é o exemplo perfeito. Como uma maior edição da história já apresentada e prolongar o "e depois" que não chegamos a conhecer, esta tem aquele potencial que poderia transformar o filme numa série de histórias alternativas que teriam um público próprio receptivo para as consumir, e Villanueva deveria questionar se não está disposto a avançar com a mesma.
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5 / 10
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