segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Clash of the Titans (1981)

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Choque de Titãs de Desmond Davis é um clássico do cinema mitológico e que conta com um elenco de luxo de onde fazem parte Harry Hamlin, Laurence Olivier, Maggie Smith, Claire Bloom, Burgess Meredith e Ursula Andress.
A história, possivelmente conhecida de todos, conta-nos as aventuras e atribulações do jovem Perseu (Hamlin), filho de Zeus (Olivier), e que deslocado da sua terra pelas mãos de uma ciumenta deusa Tétis se vê obrigado a enfrentar os perigos e os enigmas que os deuses decidem colocar no seu caminho.
Umas vezes com os favores dos deuses.... outras obrigado a enfrentar os seus caprichos e vontades, Perseu tem de cortar caminho e vencer os perigos que se lhe deparam de forma a conseguir ficar com a sua amada Andromeda (Judi Bowker). Pelo caminho temos um unicórnio, um Kraken, uma Medusa, bruxas, escorpiões gigantes e muita aventura e acção.
Este filme que se o virmos hoje percebemos muitas imperfeições ao nível dos efeitos especiais é no entanto um genial filme por essas mesmas falhas. São elas que o tornaram imortal, um verdadeiro filme de culto e um marco no género pois, com uma narrativa simples mas muito elaborado e profissional consegue contar uma das maiores histórias de aventuras e de mitologia alguma vez feita no cinema.
Além disso, é de destacar um fantástico elenco que foi reunido para este filme. Algumas das grandes estrelas de cinema de sempre nomeadamente Laurence Olivier e Maggie Smith, que à altura já eram inclusive vencedores de Oscars, participaram neste filme juntamente com outras caras que eram relativamente novatos no mesmo como é o caso de Harry Hamlin e Judi Bowker. Estavam aqui juntos um conjunto de actores de várias gerações e com formações diversas que contribuíram também para que este filme se tornasse num exemplo do género.
Sem comparações com a versão feita este ano pois nem sequer ainda a vi, mas asseguro para quem não conhece que este filme da década de 80 é de longe um filme genial que consegue atrair todos e nem mesmo as suas pequenas imperfeições que poderiam afastar o público, o conseguem fazer.
Genial os momentos com a Medusa e o final com o Kraken. É impossível alguém não gostar dele depois de o ver. Um dos melhores filmes do género fantástico.
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8 / 10
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domingo, 5 de setembro de 2010

The Limits of Control (2009)


Os Limites do Controlo de Jim Jarmusch com Isaach de Bankolé, Luís Tosar, Tilda Swinton, Bill Murray, John Hurt e Gael Garcia Bernal é possivelmente o filme mais chato dos últimos tempos.
Graficamente interessante com planos que até conseguem cativar o espectador ao fornecerem uma imagem diferente dos actores envolvidos (e que actores!!), mas o filme não consegue ir além disso na medida em que dá sono mais depressa do que consegue cativar a atenção alheia.
Um tipo (Bankolé) recebe informações para se dirigir a variados locais e completar certas missões que lhe são confiadas, mas sempre via mensagens cripticas e com pouco sentido. Atravessa lugares desconhecidos e desérticos onde conhece outras tantas personagens mais freak e estranhas do que ele próprio e... pronto.... é isto.
Se o leque de actores que participam neste filme é de primeira linha e já nos habituaram a grandes prestações em grandes filmes... daquelas que nós ficamos simplesmente rendidos... aqui, aquilo qu enós temos é um monte de "chorrilhos" e diálogos com pouco nexo que mais nos desespera do que cativa. Poucos, muito poucos, são os filmes que me dão sono. Menos ainda são aqueles que me dão sono ao fim de dez minutos de duração.... Este foi um desses!
Por muito que tentasse ver o filme, especialmente considerando que tinha aqui a Tilda Swinton, o Luís Tosar e o Bill Murray que são simplesmente daquelas pessoas pelas quais dá prazer olhar para o ecrã e simplesmente vê-los a brilhar, aqui enfim... nem os seus nomes, e muito menos os seus trabalhos, me deram grande vontade de ficar a ver o que daqui vinha. Especialmente também por ter percebido que o que daqui vinha... não era grande coisa.
Pouco se aproveita daqui... Aliás, para ser honesto nada se aproveita daqui a não ser claro podermos ver alguns dos nossos actores preferidos e a vã esperança de pensar que talvez... hipoteticamente... eles vão fazer alguma coisa de que nós vamos gostar... mas é melhor não nos iludirmos porque de facto, NADA vai acontecer que mereça grande atenção...
Um filme pobre... extremamente pobre com o qual Jim Jarmusch ainda não me conseguiu convencer mas... pode ser que esteja para breve.
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2 / 10
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sábado, 4 de setembro de 2010

The Wolfman (2010)


O Lobisomem de Joe Johnston com Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt e Hugo Weaving fez renascer, se bem que não de forma brilhante, este género de filme já há algum tempo esquecido.
A premissa é já bem conhecida. Encontramo-nos numa pequena vila perdida no interior de Inglaterra onde morrem ou desaparecem misteriosamente alguns dos seus habitantes. Não se sabe se às mãos de algum marginal ou se afinal é alguma fera escondida pela florestas circundantes... ou pior, por entre esses mesmos habitantes que cedo começam a temer aqueles que estão ao seu redor.
Inicialmente pouco vislumbramos da verdadeira fera que anda a mutilar os corpos das vítimas inocentes mantendo apenas a suspeita, a sombra ou o vulto que cruza o ecrã como que num prenúncio do que está por vir mas, quando de facto presenciamos o que as sombras escondem, observamos um trabalho de caracterização elaborado - não fosse a mão por detrás da mesma a de Rick Baker em colaboração com Dave Elsey - e que dá corpo ao "monstro" que assombra a pequena aldeia como também é fiel ao género clássico que imortalizou esta personagem.
O filme, que consegue alcançar alguns momentos de entretenimento para o género, não preza por dar grande destaque ao peso dos nomes dos actores que o compõem. As suas interpretações que podemos considerar coerentes para o género são, ao mesmo tempo, pouco inspiradas e medianas ao ponto de não nos colocarem no clima terror ao qual esta longa-metragem deveria prestar devida homenagem. Não basta dirigir um remake ou dar corpo a uma nova entrega que dê vida a esta personagem... há que tê-lo com toda a devida qualidade para homenagear o género e lhe conferir, bem como às suas personagens, a alma que merecem.
Assim a única coisa que temos de facto assegurada são um ou dois "momentos-susto" pela surpresa da montagem preparada para o mesmo mas, no entanto, não um verdadeiro susto provocado por um conjunto de sequências tensas ou mais sombrias.
Dito isto, e além da caracterização, há que deixar uma referência positiva ao magnífico trabalho de guarda-roupa elaborado por Milena Canonero e claro a todo o ambiente vitoriano recriado assumindo-se como o mais positivo desta história toda a dimensão técnica não conseguindo exceder para lá da mesma.
Assim, poderemos esperar que na próxima cerimónia dos Oscars em 2011 tenhamos este filme nomeado respectivamente para Caracterização, Guarda-Roupa e Direcção Artística como apostas seguras e eventualmente - mas não tão previsíveis - nomeações nas categoria de Som ou de Efeitos Sonoros. Além disso, este filme não irá navegar para mares mais distantos mantendo-se apenas por caminhos mais sombrios... não sempre de forma positiva.
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6 / 10
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A-Haunting We Will Go (1949)

Esta curta-metragem de animação que pode ser aqui visionada é uma das primeiras em que se dá vida à personagem de Casper, o fantasma que apenas quer ser amigo de todos mas que por o ser, apenas consegue provocar sustos de morte.
Dito isto, não é das curtas mais brilhantes ou divertidas mas consegue ser interessante ver todo o universo da animação a funcionar e claro, criar uma das personagens de animação mais duradouras que até já chegou ao cinema de "carne e osso".
A todos os interessados sobre as eternas mensagens de amizade eterna e de como tudo, mas sempre tudo, acaba bem... esta é mais uma curta que se pode espreitar.
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7 / 10

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Män Som Hatar Kvinnor (2009)

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Millennium 1: Os Homens que Odeiam Mulheres de Niels Arden Oplev foi um dos filmes sensação do cinema Europeu de 2009. Como actores principais temos Noomi Rapace que foi nomeada ao Prémio de Cinema Europeu de Melhor Actriz e ainda Michael Nyqvist.
O início da história versa sobre a vida de duas personagens. Lisbeth Salander (Rapace) uma hacker profissional que trabalha para uma empresa de segurança e se encontra em liberdade condicional por crimes informáticos. Por outro lado temos o alvo da sua pesquisa inicial Mikael Blomkvist (Nyqvist), alto funcionário de um jornal que denuncia grandes esquemas políticas e económicos e que, por isso mesmo, vê a sua liberdade condicionada quando é julgado por acusar injustamente um desses grandes senhores.
Como forma de manter a sua veia de investigação a trabalhar Mikael é contactado por um poderoso membro da família Vanger para descobrir uma sua sobrinha que desapareceu quarenta anos antes da residência da família e que suspeita de ou ter fugido ou sido morta por alguém da própria família.
Mikael embarca nesta arriscada e perigosa aventura onde, mais tarde, irá ter também o apoio directo de Lisbeth e que irão descobrir todos os podres desta poderosa família que passam desde a perturbação mental, ao Nazismo Sueco dos anos 40 e seguintes bem como até ao próprio assassinato e tortura de pessoas, mais concretamente mulheres.
E de facto é disto que muito do filme trata... da violência para com as mulheres. Os exemplos são claros e gritantes. Todos eles. O primeiro indício é logo o facto de assistirmos à quase "obrigação" de Lisbeth fazer espionagem cibernética à vida de Mikael.
Continuamos a encontrar esta violência para com as mulheres quando conhecemos o "tutor" da liberdade condicional de Lisbeth e sobretudo depois de assistirmos às inúmeras violências e violações de que ela é alvo às suas mãos.
A restante história sobre o desaparecido de Harriet Vanger e sobre todas as vítimas que se suspeita terem sido provocadas pela mesma pessoa, apenas confirmam que esta é uma história sobre o ódio... o ódio às mulheres. Diferentes motivos, diferentes situações e diferentes "justificações", mas todas elas versam sobre o ódio e a violência gratuita exercida sobre a mulher.
Mais um filme que confirma a tendência da presença da violência no cinema nórdico e como ela é encarada quase como uma forma disciplinadora e de manutenção da ordem.
É um filme francamente BOM e que apenas deixa um elevado interesse para com os outros dois capítulos desta trilogia que mantém as duas personagens principais em mais uma série de intrigas policiais... e não só.
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8 / 10

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Globos de Ouro 2011: as primeiras previsões

E mais uma vez chegou a altura de começar a fazer as primeiras previsões para os próximos Globos de Ouro SIC/Caras 2011, facto este que se verificará mensalmente até à próxima cerimónia de Abril ou Maio do próximo ano.
Assim sendo, e considerando as estreias cinematográficas nacionais decorridas já este ano que listarei de seguida, deixarei também aqueles que, na minha opinião, poderão ser os nomeados na categoria de cinema. Dito isto, os filmes que estrearam desde Janeiro são:
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  • A Bela e o Paparazzo
  • Cinerama
  • Como Desenhar um Círculo Perfeito
  • Contraluz
  • Duas Mulheres
  • Fantasia Lusitana (doc.)
  • A Ilha da Cova da Moura (doc.)
  • O Inimigo Sem Rosto
  • Marginais
  • Páre, Escute, Olhe (doc.)
  • Perdida Mente
  • A Religiosa Portuguesa
  • Ruínas (doc.)
  • O Último Voo do Flamingo
  • Um Funeral à Chuva

E ainda por estrear temos:

  • América, de João Nuno Pinto
  • Assalto ao Santa Maria, de Francisco Manso
  • Até Onde?, de Carlos M. Barros
  • O Barão, de Edgar Pêra
  • O Cônsul de Bordéus, de Francisco Manso e João Correa
  • Filme do Desassossego, de João Botelho
  • A Grande Jogada, de Leonel Vieira
  • O Grande Kilapy, de Zézé Gamboa
  • Mistérios de Lisboa, de Raoul Ruiz
  • Outro Sangue, de Pedro Varela
  • Paixão, de Margarida Gil
  • Quinze Pontos na Alma, de Vicente Alves do Ó
  • Sangue do Meu Sangue, de João Canijo

Dito isto, na minha opinião os potenciais nomeados serão:

Melhor Filme

Como Desenhar um Círculo Perfeito

Contraluz

Páre, Escute, Olhe

A Religiosa Portuguesa

Melhor Actor

Carloto Cotta (A Religiosa Portuguesa)

Joaquim de Almeida (Contraluz)

Marco D'Almeida (A Bela e o Paparazzo)

Rafael Morais (Como Desenhar um Círculo Perfeito)

Melhor Actriz

Beatriz Batarda (Duas Mulheres)

Joana de Verona (Como Desenhar um Círculo Perfeito)

Leonor Baldaque (A Religiosa Portuguesa)

Soraia Chaves (A Bela e o Paparazzo)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Avatar (2009)


Avatar de James Cameron foi o filme que fez sensação e bateu todos os recordes de bilheteira em 2009 e era também o filme mais aguardado da temporada de prémios de cinema.
Cameron que não realizava um filme desde o ido ano de 1997 com o tão famoso Titanic, regressava assim às lides da realização com este filme que foi mantido em segredo durante muito e muito tempo aguçando assim a curiosidade de todos os críticos e cinéfilos mundiais.
Avatar, que conta com a participação de Sam Worthington, Zoe Saldana e Sigourney Weaver nos principais papéis conta a história de Jake Sully (Worthington), um militar paraplégico que é enviado para o planeta Pandora (que nome tão sugestivo) habitado pelo povo Na'vi com um aspecto físico gigante e muito próprio naquilo que se pode caracterizar como tendo feições felinas e corpo humano que se revolta incansavelmente contra a presença dos "aliens" (os humanos) que não desistem de explorar ao máximo os recursos naturais do seu planeta.
Através da criação de uma figura semelhante à dos Na'vi mas comandado por Sully, este integra-se no seio da população nativa de início com o intuito de os espiar mas com o passar do tempo esta integração passa não só por partilhar dos seus objectivos e forma de vida como também pela possibilidade de amar Neytiri (Saldana), uma Na'vi com que Jake se identifica.
Escusado será dizer que este facto não só trará problemas a Jake por parte dos restantes Na'vi que não o encaram como um deles como também junto dos humanos que agora o encaram como um traidor que se deixou influenciar pela cultura que tinha como intuito espiar e influenciar para que permitissem a continuidade da exploração dos recursos naturais de Pandora.
Aqui nada é feito ao acaso. O próprio nome do planeta abre portas a um cliché mais que óbvio. Abrem-se os segredos de Pandora e vêm com eles os segredos que podem levar à própria destruição daqueles que o abrem. Bem dito, bem feito...
É certo e sabido logo à partida que no final de contas o invasor (os humanos) não irão sair vencedores de uma batalha em que são "questionados" os segredos de Pandora e a sua harmoniosa forma de estar e de viver. Por isso, demore mais ou menos tempo mas já estamos preparados para a previsibilidade que este pequeno grande factor constrói e que irá, durante o filme, confirmar.
Outro aspecto que a meu ver joga e jogou contra este filme foi a grande campanha de marketing que... ok... resultou em termos de bilheteira, mas que por isso mesmo e pela curiosidade gerada à sua volta e depois não cumprir com aquilo que "prometeu" fez deste filme, que não é mau, tornar-se numa desilusão por se esperar muito e muito mais dele.
Aliado a isto está também o factor 3D. Não me vou perder aqui em conjunturas e explicações porque também a nível técnico pouco, muito pouco, percebo. Mas como espectador tenho como é óbvio uma opinião sobre a grande polémica que se gerou e vai gerando em torno desta "nova" modalidade de fazer cinema. Se pensam que ganham com isto.... Pensem de novo.... Para aquilo que me diz respeito bem como para a maioria das pessoas que conheço e que são apreciadoras de cinema, ver um filme com uns óculos manhosos apenas e só para ter a impressão que está "tudo" a passar-se "ali ao lado" é de facto constrangedor. Não tem piada... não cativa... não desperta qualquer tipo mínimo de interesse para poder ir ver o filme. Prefiro esperar pelas versão "normal" do mesmo e depois aí sim ir vê-lo. Só uma opinião claro...
Quanto à história em si.... todos aqueles rios e rios de comentários sobre as potenciais mensagens que o filme tenta passar... Sejamos honestos... que filme é que não tenta passar uma mensagem ou contar uma história que possa preocupar um pouco mais aqueles que o fazem? Sim, as mensagens "verdes" ecologistas estão de facto lá... o respeito pelo planeta e pelos seus recursos que não devem ser explorados até à exaustão. Os povos indigenas que protegem os muitos ou poucos recursos que podem ter no seu espaço. O facto de quem será de facto o "invasor", onde é claramente apontado o dedo aos humanos que estão ali num planeta distante e estranho a explorar e a ocupar. E finalmente, porque de facto já é demais, o próprio povo Na'vi com os seus cânticos à Mãe-Natureza, ou uma forma dela, que em muito se assemelham os rituais africanos mostrando uma clara ligação à também Mão-África e aos abusos de que esse continente tem sido vítima desde há largas centenas de anos. Clichés atrás de clichés... eles estão lá todos e em boa forma.
Finalmente no que diz respeito às interpretações, é agradável ver Sigourney Weaver de regresso a um estrondodo êxito de bilheteira pois esta actriz merece estar sempre na linha de cima... Só é pena que o seu papel não seja mais protagonista e noutro tipo de filme, muito ao estilo do Aliens, onde aí sim brilhou com luz própria e num filme que não desiludiu ninguém. Quanto a Sam Worthington até consegue ter algum conteúdo quando faz o seu papel humano... como Na'vi... bom, digamos que parece mais um cartoon do que propriamente o papel de um actor "transformado"... e o mesmo serve para Zoe Saldana que apenas a vemos como um "boneco".
Dito isto... passemos aos aspectos positivos do filme. Os técnicos pois claro. É impossível negar que em termos de efeitos especiais este filme está e é sem qualquer dúvida, pioneiro. Está lá tudo... planetas flutuantes, animais gigantescos e medonhos, naves espaciais e equipamentos médicos e miliatres que podem fazer "sonhar" qualquer um que pertença a essas respectivas áreas, e por isso foi sim um justo vencedor do Oscar na respectiva categoria. Aqui seria impossível batê-lo.
Tal como na fotografia da autoria de Mauro Fiore que dá um aspecto simplesmente magnífico ao filme... Basta consideramos a explosão de cor e de luz que todo ele tem e não será preciso dizer absolutamente mais nada.
Nomeada a oito Oscars... Vencedor de três... falta apenas referir a estatueta de Direcção Artística que também venceu este ano e à qual também não se pode apontar o dedo pois em aspectos técnicos o filme está realmente muito bom.
Finalmente e apenas como nota de observador e de espectador... Este filme venceu este ano os Globos de Ouro de Melhor Filme Drama e de Melhor Realizador... Senhor James Cameron... se estiver a ler isto (lol) não volte a fazer as figuras tristes que fez, em que até embaraçou os actores que o acompanharam ao palco, onde pediu um aplauso dos demais participantes na cerimónia para... note-se... eles próprios... É muito mau ser condescendente para com pessoas que muito possivelmente têm carreiras mais marcantes e importantes que a sua... mas isto claro... é apenas a minha opinião.
Tecnicamente falando Avatar é um filme interessante e consegue até conquistar-nos com as suas inúmeras sequências de acção que de facto entretêm. Como um dos melhores filmes de sempre... bom... teria de percorrer muito até lá chegar... E com isto não quero DE TODO dizer que apoio a sequela... pois de facto um destes... CHEGA!!!


"Jake Sully: I was a warrior who dreamed he could bring peace. Sooner or later though, you always have to wake up."

7 / 10

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Then She Found Me (2007)

Até que me Encontrou... de Helen Hunt é um simpático drama com pequenos toques de comédia que conta com a participação da actriz (e aqui também realizadora) Helen Hunt bem como de Bette Midler, Colin Firth e Matthew Broderick.
April (Hunt) é casada com Ben (Broderick) um adulto mimado e de pouco temperamento que pouco tempo após o casamento resolve dizer a April que afinal não quer a responsabilidade.
Mais um drama na vida de April que sabe ser adoptada e considera-se segunda na preferência da mãe adoptiva... Já tem uma certa idade e ainda não é mãe e como se tudo isto não bastasse a sua mãe biológica, interpretada por Bette Midler, uma vedeta da televisão, entra em contacto com ela para a conhecer.
Pelo caminho ainda se apaixona pelo pai de um dos seus alunos (Colin Firth) com quem desenvolve um romance que tem tanto de platónico como de sexual.
Helen Hunt, que aqui assume uma "tripla" ao realizar, escrever o argumento e interpretar a personagem principal do filme, está um tanto longe dos bons velhos tempos do Doido Por Ti, Melhor É Impossível e Favores em Cadeia onde nos entregou dos seus grandes (e talvez únicos) desempenhos de sempre.
Pensando bem e relembrando um Projecto X (também este filme onde partilhava o protagonismo com Broderick), Hunt conseguia ter um papel mais simpático e com quem criávamos empatia ao contrário do que se passa ultimamente com os seus trabalhos. Aqui, apesar de não ser algo totalmente detestável, Helen Hunt não consegue criar uma personagem com que nós enquanto espectadores criemos algum tipo de simpatia. Esta existe sim para com alguns dos seus problemas mas não apra com a personagem em si que acaba por passar quase o tempo todo a criar uma imagem de menina mimada que não sabe o que quer.
Igual ou talvez pior (será pior com toda a certeza) é a interpretação de Matthew Broderick que consegue criar uma personagem francamente irritante e esquizofrénica com a qual eu enquanto espectador só me deu vontade de entrar ecrã adentro e esbofeteá-lo violentamente (deixei-me levar pelos meus impulsos agora).
Colin Firth, e enamorado, tem a postura de sempre... o galã contido (até certo ponto) e apaixonado pela personagem principal do filme que à la Bridget Jones é posto a um canto até quase ao final do enredo...
Já Bette Midler, apesar de num papel secundário, consegue ser ela a que tem as cenas mais cómicas e que conseguem captar mais a atenção do espectador. Não só pela comédia presente mas também por ser uma actriz que, na minha opinião, faz lembrar bons e cómicos filmes dos idos anos 80 em que todo o ecrã era dela e fazia sucesso de bilheteira pelas suas excessivas interpretações.
De facto o filme que, não é mau, sai em muito enriquecido pelo protagonismo que Bette Midler consegue roubar às demais personagens que o compõem.
Depois de o ver podemos finalmente concluir que é um retrato sobre como a vida de uma pessoa pode mudar drasticamente de um dia para o outro, quer por escolhas e caminhos que seguimos quer pelos actos de terceiros que influenciam definitivamente o nosso rumo, e especialmente sobre a capacidade que temos de retirar conhecimentos sobre essas mesmas adversidades com que nos deparamos.
E são estas mesmas adversidades que acabam por modelar a forma como encaramos o mundo. Como nos encaramos especialmente a nós próprios e sobre como, no final, com a presença das pessoas que nos formam e nos transformam acabamos por nos completar.
Não deixa de ser um filme simpático e, para a pouca experiência que Helen Hunt tem como realizadora, não deixa de ser agradável ver uma composição bem estruturada entre o elenco que funciona bem entre si e conseguem ser criadas algumas cumplicidades que acabam por fortalecer algumas interpretações mais fraquitas.

7 / 10

domingo, 29 de agosto de 2010

The Sorcerer's Apprentice (2010)

O Aprendiz de Feiticeiro de John Turteltaub é um filme de aventura fantástica com um leve toque de comédia que conta com a participação de Nicolas Cage, Alfred Molina e Monica Bellucci (razão pela qual assumo ter ido ao cinema ver este filme).
Os três interpretam os sucessores do mágico Merlin até ao dia em que Maxim Horvath (Alfred Molina) por ciúme do amor entre Balthazar Blake (Cage) e Veronica (Bellucci) se junto ao lado negro da magia e declarando guerra aos seus antigos parceiros.
Durante séculos e séculos Blake procura o sucessor de Merlin que acaba por encontrar na cidade de Nova York no corpo do jovem Dave (Jay Baruchel) o qual irá treinar para combater e elimina de vez as forças do mal.
Disto isto há que comentar as interpretações dos referidos actores. Assim encontramos um Nicolas Cage desgastado, arrisco mesmo a dizer "apagado", e com cada vez mais sérios problemas de representação considerando que nos últimos anos só o temos visto em filmes de segunda categoria.
Não escondo que achei piada ao filme, e tem uma história apelativa repleta de aventura mas, os fracos dotes interpretativos com que Cage nos aparece no grande ecrã deixam o filme a meio gás bem longe daquilo que poderia ter alcançado.
Alfred Molina encontra-se igual a si mesmo. Quero com isto dizer que não seria de esperar outra coisa do que interpretar, novamente, o papel de vilão de serviço e que, quer se queira quer não, lhe assenta que nem uma luva. Um papel reduzido dada a capacidade representativa deste actor mas pelo menos podemos afirmar com segurança que o que fez... fez bem.
Já quando à Monica Bellucci, que tal como disse foi o motivo principal que me fez ir ao cinema ver este filme, tem mais uma participação especial do que propriamente algo de relevância que lhe faça justiça à actriz que sabe ser quando lhe dão um papel de nível.
Os pontos mais positivos do filme são sem qualquer dúvida os efeitos especiais, como aliás não seria de esperar outra coisa. Extremamente convincentes e em dose suficiente para conseguir animar um filme que, sem eles, seria bem mais pobre e apagado.
Parece que pelo comentário que fiz ao filme que não fiquei convencido com ele. De certa forma não fiquei. Gostei do que vi e acho que à excepção de Nicolas Cage que como disse está muito desgastado, o filme funciona de uma forma geral bem. No entanto também considero que poderia ter sido retirado muito mais dele e da história que tem e que atravessa vários séculos da própria História que aqui foram, infelizmente, postos em segundo plano. Fora isto, está um filme razoável de bom entretenimento mas que só nos deixa a esperar um pouco mais sobre aquilo que "poderia ter sido".

6 / 10

sábado, 28 de agosto de 2010

Pulse (2006)

Pulse - A Última Dimensão de Jim Sonzero tem Kristen Bell e um algo desaparecido Ian Somerhalder nos principais papéis e Ron Rifkin numa participação especial.
Este filme de terror conta-nos a história de um virus encontrado numa nova frequência que assume a forma de seres (espíritos) que passam por qualquer sistema de navegação (seja ela net, pda ou afins) e rouba a alma e a vontade de viver bem como todas as memórias daqueles que se encontram sob a sua área de influência. O mesmo será dizer que toda a gente que tenha um telemóvel ou a net ligada... está em perigo.
Este é um remake de um filme japonês que são mestres em cinema de terror tanto pelo susto e medo que causam como pelo grotesco que normalmente aplicam em cada filme do género que fazem.
O original confesso não ter visto mas este consegue ser interessante e provocar uns quantos momentos francamente tensos e assustadores, à excepção da cena em que Isabelle (Christina Milian) morre e que é sem margem para dúvidas o mais fraquito de todo o filme.
A premissa em si não convence... seres (virus) que se encontram na internet desejosos de passar para o nosso mundo e sugar-nos a alma para nos retirarem a vontade de viver, no entanto, os filmes de terror não têm, normalmente, grandes premissas que defender, muito menos premissas que são "realidade" como tal, por este mesmo motivo, aqui o que conta realmente é o "terror" que o filme tem. E aqui sim, verdade seja dita, o filme sai triunfante e convincente para o género.
Interpretações seguras para o estilo e um trabalho de fotografia da autoria de Mark Plummer que cria um perfeito ambiente clautrofóbico fazem deste filme um interessante exemplar do género de terror que merece ser visionado.

6 / 10

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Intervention (2007)


Viciados de Mary McGuckian conta com um elenco de primeira linha onde se destacam os nomes de Jennifer Tilly, Colm Feore e Andy MacDowell e como tal esperamos estar na presença de um daqueles filmes que gozam de muita fama por serem "independentes" e que assim sendo temos uma daqueles estrondosas histórias que nos dão aquilo qu ena gíria se chama de "murro no estômago".

E na realidade dá mesmo. Um murro tão forte mas tão forte MESMO que mais apetece vomitar depois de o ver. Pseudo intelectualóide, que nem de pseudo chega a ter seja o que fôr, nada mais é do que uma hora e meia de duração, longa e penosa onde ao fim de pouco tempo, francamente pouco tempo, mais dá vontade de desligar o filme e enterrá-lo para todo o sempre.

Pretencioso é um adjectivo que me vem frequentemente à ideia e é o que na realidade acho deste filme. Recorrendo à ideia de que há pessoas viciadas e com inúmeras obsessões que vão desde o alcoól, a droga ou o sexo, um conjunto de pessoas reune-se num rancho no Novo México para fazer uma intervenção a alguns dos seus residentes.
De resto a história é do mais banal e sem graça que se pode imaginar e o pior de tudo isto é que arrasta o conjunto de actores que até consegue normalmente fazer um bom trabalho nos filmes em que participam. Assim qualquer um dos actores que referi anteriormente passa aqui o tempo em conversas sem nexo e completamente absurdas que mais valia fazerem um filme mudo onde apenas e só davam um ar de sua graça.
A perfeita nulidade é aquilo que aqui tempos onde de argumento nada temos, de interpretações menos ainda e que acaba com um final perfeitamente idiótico onde vemos sucessivos planos em redor das personagens a filmá-los de trás, frente e lados... Sim idiótico é mesmo a palavra correcta para caracterizar todo este espectáculo decadente e degradante que é este filme.
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1 / 10

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Chéri (2009)

Chéri de Stephen Frears foi o grande regresso ao cinema dessa actriz enorme que é Michelle Pfeiffer. De novo em parceria com o realizador de Ligações Perigosas e com o argumentista Christopher Hampton, Michelle Pfeifffer volta em grande forma e estilo ao filme de época onde se insere na perfeição e o seu charme e talento estão definitivamente em evidência.
Lea de Lonval (Pfeiffer) uma cortesã já com alguma idade é encarregada por uma sua colega de "profissão" Madame Peloux (Kathy Bates) para tomar conta do seu filho Chéri (Rupert Friend) que insiste em não ser responsável, enquanto este não se casa, aproveitando assim a oportunidade para o educar para a vida adulta.
Conhecendo-se já desde que Chéri era criança, é desenvolvida entre ambos uma relação que vai para além da amizade, atingindo não só amor como também uma obsessão e vontade de viver lado a lado.
No entanto algo os separa... a idade e uma sociedade suficientemente corrosiva que não iria ver com bons olhos a relação de amor que entre ambos se iniciara.
Este filme tão aguardado quer pela comunidade cinematográfica quer como pelos milhares e milhares de fãs que Pfeiffer reuniu ao longo dos anos é, arrisco-me dizer, um regresso perfeito. A personagem Lea de Lonval tem tudo aquilo que esperamos ver numa actriz como Michelle Pfeiffer. Tem carisma, tem personalidade, tem força de carácter e acima de tudo tem romance. Tem um coração aberto e pronto a ser arrebatado sem, no entanto, se deixar render facilmente às primeiras palavras que lhe são ditas.
No papel de Chéri temos Rupert Friend que completa a dupla principal na perfeição. Existe química entre os dois actores e essa é visivel durante todo o filme onde, da nossa parte, esperamos sempre que exista mais um segmento do filme em que os dois estejam juntos.
Finalmente a completar o trio principal de actores temos a também veterana Kathy Bates como Madame Peloux que interpreta a ex-colega de Lea e mãe de Chéri. Ao contrário do que disse muita da crítica não concordo que esta consiga "roubar" as atenções do ecrã a Pfeiffer.
É certo que as suas características gargalhadas aliadas a uma dose elevada de sarcasmo fazem com que olhemos para ela com muita atenção mas não consegue "tapar" a protagonista do filme das nossas atenções.
No essencial o trio protagonista consegue completar-se e criar uma atmosfera muito interessante entre si o que é transmitido com muito agrado para nós espectadores.
A completar as brilhantes interpretações temos um guarda-roupa genial como deve ser sempre essencial neste estilo de filme elaborado por Consolata Boyle (já nomeada a Oscar), a banda-sonora do eterno mestre Alexandre Desplat que ou muito me engano ou se "arrisca" muito em breve a vencer ele um Oscar na sua categoria, e também um fenomenal trabalho de fotografia que acentua e realça em contraste a brilhante opulência e a enorme decadência que são tão característicos destas épocas e destas vivências, da autoria de Darius Khondji.
Apesar deste não ser (ainda) o regresso que possibilite a Michelle Pfeiffer ser nomeada e vencer um Oscar de Melhor Actriz (que, sejamos sinceros, está mais do que na hora que isso aconteça), verdade seja dita que é também um regresso em plena forma desta actriz que insiste em estar muito tempo afastada dos nossos ecrãs e que, a eles e a nós, muita falta faz.



"Lea de Lonval: I'm probably making a fool of myself... but then again, why not? Life is short!"


7 / 10

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Surrogates (2009)

Os Substitutos de Jonathan Mostow centra a sua acção num mundo futurista onde a grande maioria dos humanos vivem isolados nas suas casas e enviam para o exterior cópias robóticas suas de forma a que não possam sentir medo, dor, violência ou qualquer tipo de emoção que os possa fisicamente prejudicar.
Quando numa noite os assassinatos voltam a assolar uma sociedade aparentemente perfeita onde ninguém tem nada a recear, Tom Greer (Bruce Willis) um detective também ele isolado na sua casa tem de abandonar o conforto que sente afastado do mundo que o rodeia e tentar desvendar o mistério que se esconde por detrás de tal fenómeno.
Willis, que para mim se encontra em baixo de forma há muito tempo, tem aqui mais um exemplo de que os seus tempos áureos já lá vão quer em conteúdos de acção quer nos poucos registos dramáticos que teve. Aqui, apesar de o argumento do filme poder prometer algumas situações interessantes e uma história que poderá dar que pensar e reflectir, Willis entrega um desempenho quase que apagado e sem energia, tudo espelhado pela pouca vivacidade, e possivelmente pouco empenho, que transmite com o seu olhar.
Com a participação de Radha Mitchell e de James Cromwell, também eles com pouco gás e entrega às personagens que interpretam, este filme no que diz respeito a actores está bem servido, mas com os seus desempenhos apagados e pouco trabalhados mais parece que são os actores de facto robots.
Será isto um ponto positivo considerando a sua história? Não... Lá que eles interpretem papéis onde fazem de robots eu até posso compreender, agora representarem como se nem lá estivessem é demais. Estão lá quase ao estilo de ter o cartão à frente com as falas e limitam-se apenas a ler.
Pontos positivos do filme... Poucos. Muito poucos. Além de como já referi a história ter algum interesse caso tivesse sido bem trabalhada (o que não foi), o final mais que previsivel conseguiu surpreender pela positiva não estragando ainda mais um filme que por si só não consegue ultrapassar o nível de mediano e que nos faz desejar que o Bruce Willis que "conhecemos" e amamos volte em força com algo que revitalize a sua cada vez mais apagada carreira.

6 / 10

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Maria Dulce

1936 - 2010
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Missing in America (2005)

Desaparecido na América de Gabrielle Savage Dockterman reune Danny Glover, David Strathairn com Ron Pearlman, Linda Hamilton e uma estreante Zoë Weizenbaum num simpático papel.
A história gira em torno de um ex-combatente do Vietname que vive isolado numa montanha como forma de não ter qualquer tipo de laço ou ligação com o mundo exterior até ao dia em que é encontrado por um seu parceiro dos tempos de guerra que lhe pede para tomar conta da sua filha visto estar com uma doença terminal.
Pelo meio descobrimos que Jake (Glover) tem também uma missão de auxiliar outros ex-combatentes que, tal como ele, se refugiaram naquela montanha para abandonar toda uma vida em sociedade. Tal como ele desistentes daquilo que o mundo tem, ou teria, para lhes oferecer.
É com um deles que toda a sua vida irá transformar-se. Aquilo que de início começa por ser uma relação de animosidade e de algum desconforto, rapidamente se transforma numa relação amigável quase de entre pai e filha até ao dia em que a tragédia se abate sobre ambos.
Este filme que durante a sua primeira metade consegue ser algo aborrecido e repetitivo cheio de lugares comuns que em nada beneficiam a sua narrativa consegue, no entanto, transformar-se num filme comovente e emocionante na sua segunda metade onde, apesar de alguns clichés esperados e repetitivos já vistos noutros filmes do género.
As interpretações dos actores conseguem ser mais convincentes e dramáticas deixando aquela necessidade quase excessiva de as ir descrevendo a par e passo do decorrer do filme. Este final algo (in)esperado consegue ser o ponto mais alto desta película sendo que, no entanto, consegue também ser o mais emocionante e reconciliador de nós enquanto espectadores com o mesmo.
Dono de um banda-sonora emotiva e bem conseguida da autoria do compositor Sheldon Mirowitz este filme apenas peca como já referi, por alguma previsibilidade da sua narrativa e pela primeira metade do mesmo que não ata nem desata sendo que, de uma forma global, consegue ser um filme interessante e apelativo.

"Jake: You can't miss something if you never had it to begin with."

7 / 10

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Last Dance (1996)



A Última Dança de Bruce Beresford é um interessante filme que conta com Sharon Stone no principal papel e é muito bem secundado por Rob Morrow, Randy Quais e Peter Gallagher.
A história centra-se na vida de Rick Hayes (Morrow), um jovem advogado pouco responsável e que leva a vida de uma forma algo leviana até ao dia em que conhece Cindy Liggett (Stone), uma prisioneira no corredor da morte por ter assassinado dois jovens largos anos antes.
Aí Rick conhece uma pessoa que não só irá fazer ganhá-lo novo estimulo pelo Direito como pela sua própria vida e pela forma como defenderá o respeito pelos direitos dos demais.
É inevitável numa história em que a intimidade e a vulnerabilidade da personagem principal estejam mais que evidentes não resulte numa certa tensão ou clima empático entre ela e o seu parceiro. Tensão esta que resulte quase numa espécie de amor platónico que Stone consegue recriar muito bem num papel que foge ao tradicional cliché com que esta actriz foi "catalogada".
Digo que este filme é interessante por isto mesmo. Ao contrário do que as críticas normalmente apregoam sobre Sharon Stone, eu defendo que quando o papel certo lhe é entregue ela consegue entregar desempenhos suficientemente bons e credíveis para serem reconhecidos pela sua qualidade. É isto mesmo que tem faltado a esta actriz nos últimos largos anos em que apenas e só lhe são confiados ou papéis menores em que interpreta uma qualquer maníaca ou então sem qualquer brilho e relevância de forma a que seja notada e apreciada.
Acima de uma história sobre a pena de morte, este A Última Dança é uma história sobre a redenção, sobre segunda oportunidades e sobre a forma como a opinião pública pode em último recurso decidir sobre quem é o quê e se deve ou não ter primazia sobre os demais.
É curioso como são postas em comparação duas pessoas que cometeram o mesmo crime mas que devido à "regeneração" mediática que um tem torna-se um caso de sucesso e de potencial reintegração em sociedade mesmo que, aparentemente, até seja uma regeneração bem duvidosa.
Totalmente injusta a única nomeação que este filme teve a um prémio, ou seja, ao Razzie de Pior "Nova" Estrela cinematográfica que destaca o desempenho da "nova" e séria Sharon Stone como se essa nova etapa da sua carreira cinematográfica fosse uma "nódoa".
Poderá não ser um filme brilhante ou daqueles que no futuro as pessoas irão recordar como um marco na carreira desta actriz, mas é ao mesmo tempo a minha opinião que é um filme que pertence a uma época de ouro na sua carreira. A época que nos deu a conhecer o Instinto Fatal, o Violação de Privacidade, o CasinoA Musa... a época que nos deu a conhecer que além de ser uma actriz que conquistou a fama graças ao seu corpo, tem também (e muito) talento e potencial interpretativo para nos mostrar grandes filmes.
Um filme bastante agradável que, para os mais atentos e curiosos, será também um bom ponto de partida para poder reflectir sobre diversas temáticas que o filme aborda de forma mais ou menos explícita.
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9 / 10

domingo, 22 de agosto de 2010

Up in the Air (2009)

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Nas Nuvens de Jason Reitman conta com três fortes interpretações de George Glooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick pelas quais foram nomeados para o Oscar de Melhor Actor e Melhor Actriz Secundária (Farmiga e Kendrick).
Neste filme conhecemos a história de Ryan Bingham (Clooney) um tipo desligado de tudo e de todos cuja única função é viajar de avião pelo país, acumular milhas para poder pertencer a um grupo restrito daqueles que têm todas as comodidades nos respectivos voos e... despedir funcionários da empresa.
Em tempo de crise e onde é imperativo reduzir custos, as viagens de Bingham tornam-se uma despesa desnecessária que é preciso cortar. Para tal introduz-se um novo método que consiste no despedimento online através de inovações trazidas à empresa por Natallie Keener (Kendrick) uma jovem funcionária da mesma.
Nas suas constantes viagens Bingham conhece ainda Alex Goran (Farmiga) a única pessoa com quem desenvolve uma relação próxima algo que não consegue ter nem com a sua própria família. Apesar da relação com Alex ser puramente sexual é a única para ele que faz sentido.
Nas Nuvens é um interessante filme sobre o mundo actual na medida em que reflete não só sobre o distanciamento (auto) provocado entre as pessoas mas também sobre a situação económica complicada a que muitos estão sujeitos.
A respeito dos distanciamentos (auto) provocados entre as pessoas temos exemplo nas próprias personagens principais na medida em que Bingham não se interessa por ninguém, nem mesmo pela sua família, da qual faz tudo por se manter à margem e com o mínimo de notícias possível. Da mesma forma Alex, mãe e casada, que utiliza a sua vida agitada em viagens para conhecer outras pessoas das quais apenas quer um ocasional encontro onde a faça esquecer a vida que tem, e possivelmente também descontrair dela e das suas inerentes obrigações. Nesta medida a relação desenvolvida entre ela e Bingham mais não é do que algo para poder viver uma vida imaginária de sonho.
O segundo aspecto importante do filme é de facto a situação económica actual, muito bem refletida através dos diversos despedimentos que são efectuados. Sejam os feitos por Bingham sejam os feitos por Natalie. O primeiro dá a notícias presencialmente onde apresenta um "pack" de soluções para a vida. Sem laços. Sem ligações. Sem emoções. O novo método apresentado por Natalie, que pressupõe uma redução de despesas à própria empresa, é o despedimento via webcam onde não existe qualquer tipo de contacto entre quem despede e o funcionário despedido. Se o primeiro método já era impessoal...
Puros reflexos de um mundo em que vivemos desprovido de humanidade e de pessoas com coração e com compaixão. Repleto de pessoas centradas apenas no próprio umbigo e que pouco além disso conseguem ver.
Um filme cujo argumento da autoria do próprio Jason Reitman em parceria com Sheldon Turner, vencedores do Globo de Ouro nesta categoria, centra-se nas relações... entre a família... de amizade... profissionais... sexuais. Sobre elas e especialmente sobre a inexistência das mesmas, o que o torna um filme profundamente actual.

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"Ryan Bingham: If you think about it your favorite memories, the most important moments in your life... were you alone? Life's better with company"
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8 / 10

sábado, 21 de agosto de 2010

Big Fat Liar (2002)

O Grande Mentiroso de Shawn Levy conta com as participações de Frankie Muniz, Amanda Bynes e Paul Giamatti nos papéis principais.
Jason Shepherd (Munoz) é um mentiroso compulsivo e no qual já ninguém acredita. Um dia perde a sua redacção de escola que é encontrada por um grande produtor de cinema Marty Wolf (Giamatti) que acaba por transformá-la num filme de Hollywood.
Para revolta de Jason, Wolf nega que a história seja dele e recusa-se a contar a verdade seja a quem fôr. No entanto, com a ajuda de Kaylle (Bines), Jason vai tornar a vida de Wolf num verdadeiro inferno até ele aceitar contar toda a verdade a respeito da história que lhe roubou.
Resumos deixados de lado, esta pequena comédia é um agradável filme de entretenimento que nos faz passar pouco mais de hora e meia de distracção e algumas risadas sem grande esforços ou subterfúgios.
Não é um filme com grandes pretensões além do simples facto de entreter e distrair um espectador. O típico filme de "domingo à tarde" que consegue ser uma agradável surpresa e retirar a Paul Giamatti uma verdadeiramente irritante interpretação (que de certa forma acaba por ser o papel ideal para este actor).
Espirituoso, divertido e bem-disposto, repleto de situações caricatas e bem construídas, se bem que por vezes demasiado previsiveis, mas que no seu geral acaba por resultar bastante bem.


6 / 10

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Crazy Heart (2009)

Crazy Heart de Scott Cooper foi o grande e esperado regresso de Jeff Bridges ao cinema e papel pelo qual era previsto ele receber inúmeros troféus e nomeações. Facto este que se viria a confirmar na realidade com a vitória do SAG, Globo de Ouro e Oscar de Melhor Actor (este último o primeiro que viria a receber após cinco nomeações).
Cruzamos então pela história de Bad Blake (Jeff Bridges), um cantor country desgastado e abatido pelo tempo que viveu tempos de fama mas que depois se perdeu por caminhos mais obscuros, o resultado óbvio que o alcoól que consumia sem limite lhe acabou por trazer.
Ao mesmo tempo que assistimos a uma tentativa deste homem restabelecer a sua vida, após estar anos e anos perdido no mundo, quando conhece Jean (Maggie Gyllenhall) e o seu filho com quem tenta fazer resultar uma relação mais séria contrariando assim encontros esporádicos que sempre teve, Bad Blake acaba por cair cada vez mais no poço sem fundo onde já se encontra.
O alcoól regressa e com ele o afastamento desta que parecia ser a relação que iria salvar a sua vida. Pelo contrário... apenas a sua paixão e o seu regresso à música iriam conseguir fazer com que a sua vida tivesse de novo uma oportunidade.
Que Jeff Bridges entrega novamente uma prestação sentida e apaixonada não questiono. Que Maggie Gyllenhall tem um simpático e sentido papel também não há dúvida. Que as nomeações que ambos tiveram nos Oscars deste ano... bom... não considero que sejam totalmente despropositadas. No entanto, considerar que Jeff Bridges ganhou a sua primeira estatueta dourada com este filme é algo que já me deixa mais apreensivo por dois motivos concretos. O primeiro é a qualidade de outros actores nomeados que, não desfazendo, conseguem ter trabalhos mais interessantes e profundos. O segundo é pensarmos que Jeff Bridges já foi nomeado para Oscar por um filme chamado Starman e que nem sequer o foi por outro chamado Sem Medo de Viver. Considerando estes dois factores torna-se para mim difícil perceber que afinal foi "aqui" que saiu a vitória. Soa-me mais a uma nomeação e a um Oscar "Carreira" do que propriamente de Melhor Actor do ano.
Brilhante e totalmente merecida foi a vitória do Oscar na categoria de Canção Original, "The Weary Kind" escrita e musicada por T-Bone Burnett e Ryan Bingham. Muito sentida e com uma melodia simplesmente maravilhosa.

Crazy Heart não é um filme mau e consegue ter uns quantos momentos mais emotivos e tristes e até arriscaria dizer decadentes, especialmente se pensarmos que é muito fácil poder cair num abismo que parece não ter fim. No entanto não é aquele filme pelo qual eu esperaria que um actor como Jeff Bridges fosse finalmente galardoado com aquele que é o maior prémio da indústria cinematográfica.
Muito ao estilo de Mickey Rourke e do The Wrestler no ano passado, este filme e esta nomeação/Oscar acabam mais por ser uma recompensa por uma carreira e pela sua respectiva revitalização do que propriamente pelo papel em si.
Dito isto, não deixa no entanto de ser agradável poder ver de novo este fantástico actor num papel de grande destaque novamente no cinema. Como tal, para os fãs, vale a pena darem uma vista de olhos por este filme.


6 /10

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Miracle at St. Anna (2008)

O Milagre de St. Anna de Spike Lee apresenta uma história potencialmente interessante passada durante a ocupação alemã de Itália durante a Segunda Guerra Mundial e, como tal, torna-se naqueles filmes que despertam o interesse logo de imediato.
De seguida ao assistirmos ao trailer do filme é escusado negar que pensamos logo estar na presença de um filme magnífico, o que só acentua mais essa suposição se pensarmos que o realizador é Spike Lee que já nos deu inúmeros filmes de grande porte e que, como tal, não nos irá desiludir.
Se tal como eu tiverem pensado em tudo isto então... lamento informar que se enganam redondamente.
A época histórica que o filme retrata é de facto apelativa para assistirmos a um daqueles filmes que ou estão recheados de batalhas intensas e duras ou então estão sim carregados de uma carga dramática tão intensa que acabam por nos fazer lacrimejar vezes sem conta.
Aqui temos em potência as duas situações quer pelas breves cenas de combate a que assistimos quer pela história paralela que decorre durante todo o filme. Temos a batalha e temos o lado humano.
No entanto algo se estraga e atrapalha pelo caminho. Temos aqui um filme de duas horas no qual se resolve contar tudo ao mesmo tempo, muitas das vezes ao ritmo quase fantasioso de uma época histórica que desolou todo um continente e um sem número de vidas e que, para talvez compensar essa fantasia excessiva, tenta (re)criar situações dramáticas que de tão lamechas serem não conseguem sequer fazer emocionar a alma mais sensível.
Pela primeira vez assisto a um filme de Spike Lee que nem venceu nem convenceu ninguém. É daqueles filmes nos quais nos damos a questionar o que terá pensado o realizador ou até mesmo o que o terá levado a fazer um filme que parece ter sido contado ao mesmo ritmo que se atirava cimento para uma parede de forma a que ela não caia.
De facto as ideias e as boas, espero, intenções estão lá. Aquilo que falta radicalmente é a capacidade de as transformar em algo sólido e credível e que nos convença a nós enquanto espectadores.
Ao assistir a este filme quase dei por mim a pensar se o Batman ou qualquer outro herói da ficção e da banda-desenhada iria aparecer a meio do filme conseguindo assim exterminar todos os nazis que por lá circulavam. Francamente pobrezito enquanto história passada ao grande ecrã que apenas se acentua com desempenhos também medianos a roçar o fraco e pobre.
Destacam-se muito ao de leve pela positiva os trabalhos de fotografia de Matthew Libatique e a banda-sonora de Terence Blanchard sem que, ainda assim, sejam suficientemente bons para conseguir levar este filme a um outro patamar.
Não é um filme que não se consiga ver mas é daqueles que por tanto andarem a dispersar faz-nos perder alguma concentração na sua narrativa e, como tal, serem mais apontados pela negativa do que pelos poucos aspectos positivos que tem apesar do seu conteúdo ter um franco potencial para ser êxito de bilheteira e de crítica.

6 / 10