quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mean Creek (2004)

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Uma Pequena Vingança de Jacob Aaron Estes é um drama teen que decorre numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos e que tem nos principais papéis Rory Culkin, Trevor Morgan e Scott Mechlowicz.
A acção do filme decorre após aquele que parece ser mais um bullying por parte de George (Josh Peck) sobre Sam (Culkin). Depois de já estar farto de ser constantemente agredido, Sam combina com o seu irmão Rocky (Morgan) e com uns amigos deste em pregar uma partida bem forte a George para o humilhar perante toda a cidade.
Depois de convidarem George sob o falso pretexto da festa de aniversário de Sam, e de dirigirem para o rio onde iriam fazer canoagem, George revela inicialmente uma personalidade mais dócil e frágil até ao momento em que se sente novamente provocado e reage como sempre havia feito até aí. Momento este em que tudo muda de figura.
Este filme composto quase na sua totalidade por actores mais jovens toca num assunto que até há bem pouco tempo era totalmente tabu, ou seja, o bullying. Quantos não serão os jovens que maioritariamente no silêncio não sofrem ataques consecutivos de outros jovens, nomeadamente nas escolas, e que se fecham e isolam tentanto mostrar aos demais que não se passa nada?
Esta seria a premissa inicial do filme até ao momento em que a personagem interpretada por Rory Culkin desabafa e confessa ao irmão o que afinal se tem passado com ele. É então aqui que a história toma outros contornos e se assume como aquilo que ela na realidade é... uma história de vingança. Vingança esta que assumia inicialmente contornos não tão "graves" mas que, com o desenrolar da acção se assumiu como uma vingança pura e dura para alguém que fazia os demais sofrer quer física quer psicologicamente às suas mãos.
Este filme deixa-nos pensar onde está na realidade o agressor. Será ele George, um jovem problemático que mostra que a única atenção de que é alvo é aquela que tem das suas vítimas quando as agride? Serão os agressores os outros jovens que são diariamente alvos destas investidas violentas?
Por sua vez deixa-nos igualmente a ponderar sobre quem será a verdadeira vítima.... É George a vítima na medida em que tem pouca atenção em casa e ainda menos na escola, muito derivado também das dificuldades de aprendizagem que revela ter ao longo do filme? Serão os demais jovens que sofrem às mãos de George?
Quem é a verdadeira vítima e o verdadeiro agressor no meio de tudo? Nada mais simples do que pensarmos que existe apenas uma resposta para ambas as perguntas... A sociedade. É ela que permite que um jovem tenha e continue a ter dificuldades de aprendizagem e que não seja devidamente inserido num contexto de compreensão e atenção. É ela que permite que os mais jovens assistam a todo o tipo de violência e que pensem que essa é a única forma de obtenção so que querem, e não através do diálogo. Finalmente, é também a sociedade, e por sua vez a comunidade, a verdadeira vítima na medida em que são estes mesmos jovens que, de uma forma ou de outra, irão ser os futuros líderes e adultos da mesma, perpetuando assim um ciclo de violência que dificilmente consegue encontrar o seu fim.
Assumo que foram precisas duas vezes para ver este filme, e que ambas foram separados por cinco anos para que pudesse claramente perceber a mensagem que este filme tem. Não por não lhe ter dado devida atenção da primeira vez, mas porque há temas e assuntos que felizmente deixam de ser tabu com o passar dos anos, e podemos assim perceber acções que se passam à nossa volta e por vezes até mesmo connosco. É esta distância temporal que faz este filme realmente ganhar a importância que tem e tornar-se numa importante peça que testemunha aquilo que hoje vulgarmente conhecemos como bullying. Como este assume contornos perigosos que vão desde a violência física à psicológica e como nos compete a nós enquanto comunidade e membros da sociedade tomar medidas para que ela não se perpetue num ciclo vicioso do qual a juventude dificilmente escapa.
A ignorância não é felicidade. Nunca foi. Nunca deveria ter sido. Não é. E espero sinceramente que nunca o seja.
Um aplauso aos brilhantes desempenhos que este grupo de jovens actores aqui tem que retrata de forma exacta e coesa um dos mais fortes e pesados dramas da população mais jovem.
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7 / 10
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fish Tank (2009)

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Aquário de Andrea Arnold é um interessante e muito bem dirigido filme britânico não só sobre a passagem da adolescência à idade adulta como também sobre a moral e os valores que devem reger o ser humano.
A dar vida às personagens principais temos Katie Jarvis, uma jovem actriz que tem aqui a sua primeira experiência de representação mas que conseguiu com este filme ser nomeada para inúmeros prémios incluindo o de Melhor Actriz Europeia. Temos também um dos pesos pesados do cinema Europeu da actualidade que é o excelente Michael Fassbender que uma vez mais surpreende e mostra aquilo de que é capaz com mais um forte desempenho.
Neste filme seguimos a vida de Mia (Jarvis), uma adolescente britânica que tem uma personalidade vincada e forte demais que a leva a enfrentar tudo e todos, pensamos nós, apenas por ser uma questão de afirmação. Perita em encontrar confusão por todo o lado por onde passa, depressa percebemos que mais não que uma forma de se proteger de uma sociedade da qual ela própria também vê ter pouco interesse.
Percebemos também pelo seu meio envolvente que Mia vive num ambiente pesado demais para ser uma pessoa dócil. Uma mãe (Kierston Wareing) ainda jovem e preocupada demais com a sua própria vida do que dar atenção às suas duas filhas adolescentes e uma vida de bairro social de onde percebe não conseguir sair facilmente, contribuem para que o seu comportamento seja adequado ao espaço em que vive.
Tudo muda no dia em que a mãe leva para casa Connor (Fassbender), o novo namorado, e por quem Mia vai desenvolver uma paixão secreta que percebemos ir longe demais.
Este filme que além de receber o BAFTA de Melhor Filme Britânico do ano foi ainda seleccionado para a Palma de Ouro em Cannes, tendo vindo a conquistar o Prémio do Júri, e no Fanstasporto recebeu ainda os Prémios de Melhor Filme e Realizador da Semana dos Realizadores, tem além de um óptimo argumento que reflete sobre o dia de uma jovem de um bairro social e sobre a sua adolescência, tem como o seu ponto mais forte as magníficas e credíveis interpretações compostas por Jarvis, Fassbender e Wareing, o trio principal de actores.
Katie Jarvis é, para uma actriz que compõe a sua primeira interpretação, simplesmente brilhante e todos os prémios para que foi nomeada ou que recebeu foram, sem sombra de dúvidas, merecidos. A sua composição enquanto uma jovem socialmente instável e desprotegida num meio que lhe é agreste é magnífica. Sentimos a sua vontade de procurar e ter algo melhor, algo que é mais que evidente quando tenta salvar uma égua que pensa estar a ser vítima de maus tratos. Como não o consegue para ela, talvez consiga para outro ser ainda mais frágil.
Percebemos igualmente o quão complicado é para uma jovem, forte mas francamente fragilizada, poder conseguir ultrapassar as adversidades que a sociedade ou uma família disfuncional lhe colocam, e como estes factores a podem levar a enveredar por caminhos que são menos próprios de um ponto de vista moral. Jarvis é, em todas as frentes, muito convincente no seu trabalho.
Por seu lado temos Kierston Wareing, a mãe, ausente, violenta, distante e socialmente inadaptada. Mãe enquanto jovem e desligada das suas filhas já adolescentes com quem não pretende manter qualquer tipo de relação amigável. As suas filhas nada mais são do que entraves para a sua vontade de farras diárias e, como tal, nada melhor do que as manter fora dos seus interesses e afastadas da sua vida.
Finalmente temos Michael Fassbender, como sempre brilhante, no papel de Connor, o homem que aparece inicialmente na vida da mãe mas que é da filha de quem vai gostar e com quem vai desenvolver uma relação, e tensão, bastante perigosas.
Gosto destes filmes sobre vidas marginais e inadaptadas. Pronto, assumo. Gosto destas histórias ou nem tudo, ou menos nada, é perfeito ou corre bem. Gosto de ver diferentes pessoas perante as adversidades e como, perante elas, conseguem (sobre)viver para que, no final, consigam dizer "eu passei por lá". Perceber como reagem, o que fazem. Perceber, ou não, os porquês e o que as levou a chegar a um determinado ponto ou situação. Como conseguiram de lá sair e como encaram depois tudo o que fizeram ou passaram. Se guardam ressentimentos, angústias ou assuntos por resolver.
Gosto de ver que do Reino Unido continua a surgir cinema de qualidade para além dos magníficos filmes de época que normalmente chegam de terras de Sua Majestade. É bom ver o cinema real, que mostra o que de facto se passa com grande maioria das pessoas que habitam espaços mais ou menos distantes daquele em que nós próprios nos enquadramos e que, em muitos casos, mantêm problemas tão parecidos com os nossos.
Simplesmente brilhante. Digno de destaque e de atenção. Soberbas interpretações que são magnificamente dirigidas por Andrea Arnold que também compôs o argumento. Que durem estas agradáveis surpresas.
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8 / 10
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vincere (2009)

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Vencer de Marco Bellocchio é um excelente drama histórico sobre a vida secreta do ditador italiano Benito Mussolini, deste igualmente grande realizador italiano que conta com as participações de Giovanna Mezzogiorno e Filippo Timi nos principais papéis.
Este magnífico filme inicia-se vários anos antes de Mussolini (Filippo Timi) chegar de facto ao poder. Assistimos à sua vida ainda como militante socialista bem como ao seu período como jornalista onde denunciava os crimes e atrocidades que eram cometidos na sociedade italiana, assim como o seu forte empenho anti-Monarquia.
Um dia conhece Ida Dalser (Mezzogiorno) que ganha uma obsessão quase doentia pela sua figura. Tudo o que ele faz ou diz é encarado por Ida como sendo feito por um deus. Mais tarde casam-se e têm um filho Benito Albino (mais tarde também interpretado por Filippo Timi). Assistimos então à ascenção meteórica de Mussolini ao poder e, ao mesmo tempo, à negação desta etapa da sua vida, de Ida e do seu filho.
Inicialmente Ida faz tudo por tudo para obter o reconhecimento legal por parte de Mussolini, que já era casado, escrevendo para o próprio, para o Papa e para os tribunais, fazendo apenas com que a ira deste político cada vez mais sedento de poder se virasse contra ela e a lançasse numa espiral de desespero e no consequente esquecimento, numa vida de clausura num convento para ela e para o seu filho onde ambos viriam a morrer.
Marco Bellocchio depois de magníficos filmes tais como Buongiorno, Notte e L'Ora di Religione, presenteia-nos com mais um estrondoso filme sobre a vida do ditador italiano num estilo francamente interessante que ora junta imagens de ficção onde os actores dão vida a estas personagens que ficaram na História de um período negro não só de Itália como da Europa, ora temos imagens de época que nos ilustram um pouco do ambiente e do clima que se vivia então. Esta junção de ambas as situações, que dão um ar de documentário ao próprio filme conseguem criar uma atmosfera interessante na medida em que para nós espectadores é ilustrada, e inserida num contexto específico e real, os verdadeiros acontecimentos a que assistimos ao longo do filme. É à custa desta situação que percebemos, como exemplo, o quão vã era a acção de Ida ao escrever cartas para o Papa sobre a sua situação com Mussolini, quando o mesmo Papa havia assinado nessa mesma altura, o Tratado de Latrão que conferia ao Vaticano a independência.
Os actores foram também brilhantemente escolhidos. Refiro-me, como é óbvio, aos dois que preenchem na sua quase totalidade os ecrãs, ou seja, Giovanna Mezzogiorno e Filippo Timi, que com estas magníficas interpretações conseguiram ser nomeados e vencer inúmeros prémios de cinema. nomeadamente a nomeação que ambos conquistaram para os Donatello de Actores Principais e no caso de Filippo Timi ainda a nomeação a Melhor Actor nos Prémios de Cinema Europeu.
Filippo Timi é francamente bom no retrato que faz de Mussolini nos seus anos de revolucionário, mas consegue ser a representar Benito Albino, filho não reconhecido do ditador italiano, que Timi é realmente "assustador"... O retrato de um jovem adulto à beira da loucura é no mínimo assombroso e percebemos muito claramente que estamos perante um enorme talento representativo.
E o mesmo se pode dizer em relação a Giovanna Mezzogiorno que com o seu fabuloso retrato de Ida Dalser comprova uma vez mais que não só é uma das melhores jovens actrizes italianas como é uma das melhores a nível Europeu e mundial. Mezzogiorno tem com este seu retrato, um trabalho digno de ser nomeado a Oscar e é, sem qualquer margem para dúvidas, a grande força de todo o filme, a quem se aplica sem reservas o próprio título... Vincere.
Igualmente em termos técnicos este filme sai vencedor. A execução dos espaços em que os vários acontecimentos relatados é muito boa e credível. As salas onde se reuniam a discutir se Itália entraria na Primeira Grande Guerra... e especialmente o convento. Convento que mais parecia um manicómio ou melhor, uma prisão para aqueles que eram considerados uma ameaça ao Estado e à integridade do ditador. Os espaços são bastante credíveis e o trabalho de fotografia de Daniele Ciprì, vencedor do Donatello na respectiva categoria, confere um ambiente ainda mais pesado que caracteriza na perfeição aquilo que nós imaginamos terem sido os pesados anos que foram.
Também de parabéns está o magnífico trabalho de guarda-roupa da autoria de Sergio Ballo, igualmente vencedor do Donatello, que se transforma de um vestuário elegante, discreto e cuidado na primeira metade do filme, para algo que de certa forma acompanha o real estado de espírito das personagens, que é como quem diz descuidado, pobre (do ponto de vista simples e não relacionado com uma possível riqueza) e que retrata o próprio desespero que Ida Dalser terá sentido ao perceber que nada nem ninguém iriam resolver o seu problema e tratar do seu reconhecimento.
Entre muitos, Vincere é um soberbo filme italiano que não só emociona e comove pela percepção da desumanidade que as pessoas atingem em épocas de poder e em que querem esconder um passado, como também nos dá um magnífico retrato histórico de uma Itália perdida e cujo único rumo seria a própria aniquilação em anos de ditadura e numa guerra que lançaria o país no caos e na miséria. Filme este que venceu os Donatello de Realizador, Fotografia, Design de Produção, Guarda-Roupa, Caracterização e Penteado, Montagem e Efeitos Especiais Visuais.
Um filme que ninguém deve perder quer pelo fantástico trabalho técnico quer pela História, bem como pelo magnífico leque de actores que apresentam um brilhante conjunto de interpretações dignas de figurar entre as melhores do ano.
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10 / 10
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domingo, 7 de novembro de 2010

European Film Awards 2010: os nomeados

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MELHOR FILME
Bal, de Semih Kaplanoglu
Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois
The Ghost Writer, de Roman Polanski
Lebanon, de Samuel Maoz
El Secreto de sus Ojos, de Juan José Campanella
Soul Kitchen, de Fatih Akin
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MELHOR REALIZADOR
Olivier Assayas, em Carlos
Semih Kaplanaglu, em Bal
Samuel Maoz, em Lebanon
Roman Polanski, em The Ghost Writer
Paolo Virzi, em La Prima Cosa Bella
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MELHOR ACTRIZ
Zrinka Cvitesic, em Na Putu
Sibel Kekilli, em Die Fremde
Lesley Manville, em Another Year
Sylvie Testud, em Lourdes
Lotte Verbeek, em Nothing Personal
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MELHOR ACTOR
Jakob Cedergren, em Submarino
Elio Germano, em La Nostra Vita
Ewan McGregor, em The Ghost Writer
George Pistereanu, em Eu Cand Vreau sa Fluier, Fluier
Luis Tosar, em Celda 211
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MELHOR ARGUMENTO
Jorge Guerricaechevarría e Daniel Monzón, em Celda 211
Robert Harris e Roman Polanski, em The Ghost Writer
Samuel Maoz, em Lebanon
Radu Mihaileanu, em Le Concert
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PRÉMIO CARLO DI PALMA FOTOGRAFIA
Giora Bejach, em Lebanon
Caroline Champetier, em Des Hommes et des Dieux
Pavel Kostomarov, em How I Ended this Summer
Bans Özbiçer, em Bal
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MELHOR MONTAGEM
Luc Barnier e Marion Monnier, em Carlos
Arik Lahav-Leibovich, em Lebanon
Hervé de Luze, em The Ghost Writer
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MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Paola Bizzarri e Luis Ramiraz, em Io, Don Giovanni
Albrecht Konrad, em The Ghost Writer
Markku Pätilä e Jaagup Roomet, em Püha Tönu Kiusamine
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MELHOR COMPOSITOR
Ales Brezina, em Kawasakiho Ruze
Pasquale Catalano, em Mine Vaganti
Alexandre Desplat, em The Ghost Writer
Gary Yershon, em Another Year
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sábado, 6 de novembro de 2010

Looking for Eric (2009)

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O Meu Amigo Eric de Ken Loach é uma brilhante comédia dramática britânica com a participação de Steve Evets no principal papel que lhe deu a nomeação ao Prémio de Cinema Europeu de Melhor Actor em 2009 e também com o ex.jogador de futebol Eric Cantona que tem agora algumas participações em cinema.
Evets interpreta Eric Bishop, um carteiro fanático por futebol e que se encontra na pior fase da sua vida... Sem mulher, com um trabalho para o qual já não encontra dedicação, dois filhos a viverem a fase da adolescência em que se metem em todo o tipo de problemas e uma filha de uma ex-paixão que o faz reencontrar-se com a mesma.
No entanto, nem tudo corre mal. Eric tem também o apoio dos seus melhores amigos que se encontram sempre por perto e, depois de um charro que lhe subiu bem à cabeça, passa também a ter o apoio do seu ídolo maior... o futebolista Eric Cantona em "pessoa".
Através de muitas "conversas" entre ambos Eric, o carteiro, passa a debater e discutir a sua vida e os problemas que ao longo dos anos lhe foram cruzando os caminhos, o que perdeu, o que abandonou e até onde isso o levou, e a receber conselhos e indicações de Eric, o futebolista. São estas mesmas conversas que o ilucidam sobre o que de facto tem e como deve rentabilizar e concentrar-se nesses mesmos ganhos, como por exemplo ser pai e avô ou o ter dois filhos jovens que precisam da sua orientação, em vez de passar o tempo a pensar naquilo que não tem. E especialmente na possibilidade que tem em poder recuperar e reconquistar a mulher que sempre amou, mãe da sua filha.
Como sempre, visto que já é digamos a "marca" do cinema de Ken Loach, aqui também encontramos uma personagem que não vivendo à margem da sociedade é, no entanto, alguém que a sociedade quase excluiu. Ou melhor, alguém que a sociedade esqueceu. Alguém que sempre passou no limite entre ela e algo que existe para além. Alguém que está "anulado" de ter ideias, objectivos ou sonhos. Alguém que simplesmente se limitou a "estar por lá".
São estas mesmas personagens marginais com as quais conseguimos encontrar pontos de referência com as nossas próprias vidas. Não necessariamente nos aspectos mais negativos, pois positivos também existem. Quer seja de uma forma ou de outra encontramos essas mesmas referências comuns, que existem devido à credibilidade e realismo com que as personagens dos filmes de Loach são elaboradas. Ele cria-as considerando que elas são mesmas pessoas. Pessoas como qualquer um de nós. Pessoas que têm vidas, problemas, tristezas e alegrias e que, como tal, são tão reais como qualquer um de nós e que as suas vivências podem, de uma ou outra forma, ser iguais a tantas outras pessoas.
Steve Evets, o actor que dá vida a Eric o carteiro, era para mim um actor totalmente desconhecido. Não recordo de nada em que o já tivesse visto representar. No entanto, verdade seja dita, que mesmo que este tivesse sido o seu primeiro trabalho de representação, seria totalmente justo afirmar que estaria perante um brilhante actor digno de estar na "galeria" onde brilham tantos outros nomes que conhecemos e amamos. A sua personagem criada num misto de alegria e amargura, de comédia e de drama, é um brilhante retrato sobre a condição humana. Sobre como os problemas que existem na vida podem, e muitas vezes conseguem, moldar o nosso dia-a-dia e como consequência o nosso futuro.
Já quanto a Eric Cantona, o seu retrato como "ele próprio", é uma brilhante lufada de ar, talvez não fresco pois já o vimos representar em outros quantos filmes em papéis secundários, mas impressiona pela sua calma, tranquilidade e dedicação a alguém que precisa de um enorme camião de auto-estima.
A dinâmica que se cria entre os dois "Eric" é, sem sombra de dúvida, um dos pontos bem altos do filme e que o lança num fantástico imaginário com que qualquer um de nós se pode identificar. Duvido que exista a pessoa que nunca se imaginou (não forçosamente à custa do poder do charro) a ter longas e fantásticas conversas com aqueles ídolos que amamos e estimamos acima de tudo.
Paul Laverty, autor do argumento do filme, está de parabéns por ter criado um rico e interessante filme sobre a auto-estima, a valorização pessoal, a amizade, a família e os sonhos... os que se cumpriram e aqueles que estão por cumprir. Brilhante filme dramático. Igualmente brilhante como filme de comédia que nos consegue despertar de uma forma muito natural alguns sorrisos e umas quantas gargalhadas que chegou inclusivé a ser, justamente, nomeado à Palma de Ouro em Cannes.
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"Eric: The noblest revenge is to forgive."
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8 / 10
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Jill Clayburgh

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1944 - 2010
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Robin Hood (2010)

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Robin Hood de Ridley Scott é o regresso do mítico herói desta vez interpretado por Russell Crowe e que tem um elenco de luxo a acompanhá-lo onde se destaca Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong e Oscar Isaac.
Robin Hood (Crowe) é aqui um arqueiro ao serviço do Rei nas cruzadas e que na sequência da sua morte em França, regressa a Inglaterra para estar de novo no seu país, e após algumas peripécias pelo caminho e a morte de Robert of Locksley, à qual ele assiste, faz uma promessa de devolver a sua espada, herança de família, ao pai de Locksley, Walter (von Sydow) e proteger Inglaterra de uma invasão francesa.
Historietas à parte, o que aqui temos é uma versão algo diferente daquilo que tradicionalmente conhecemos como sendo a história de Robin Hood.
Começa pelo próprio nome da personagem principal que, para mim, sempre havia sido Robin Locksley e aqui descubro que afinal o Locksley era outro. Continua com o facto de sempre, mas sempre mesmo, ter visto esta história com Marian (aqui Cate Blanchett) a ser a musa e amada de Robin mas que, nesta versão, aparece casada com outro. Depois os eternos amigos de Robin sempre foram "apresentados" como sendo fora-da-lei que este havia encontrado já na floresta aos quais se uniu na luta contra o temido Xerife de Nottingham, mas aqui são, tal como Robin, participantes nas cruzadas que agora tentam regressar ao seu país natal.
Confusão a mais para a minha cabeça numa história que, sendo simples, sempre cativou pela elegância, aventura ou acção com que foi filmada. Aqui, as sequências de acção são muitas e elas sim cativam a nossa atenção. No entanto, a história propriamente dita, aqui parece quase inexistente. Uma memória esquecida.
Russell Crowe e Cate Blanchett que são para mim excelentes actores e praticamente sempre consistentes nos trabalhos que fazem estão aqui quase como anulados. É um facto que estão lá e que são os actores principais do filme mas, no entanto, não têm o magnestismo que lhes é habitual e que nos consegue sempre cativar em qualquer um dos filmes que fazem. No caso de Crowe isto já vem sendo quase que uma "tendência", mas no caso de Blanchett ela sim surpreende. Encantadora como sempre mas... sem o poder interpretativo que lhe é reconhecido.
Um facto é impossível de negar... o lado técnico do filme é muito bom. Seja em termos das sequências de acção, do guarda-roupa da autoria de Janty Yates que não me surpreenderia de receber nova nomeação para o Oscar na respectiva categoria considerando que estão fielmente retratados à época e são sem dúvida um elemento muito rico em qualquer filme de época que se preze. Também a fotografia da autoria de John Mathieson retrata muito o espírito de uma Europa medieval, fechada e sombria que vivia sob a sombra das Cruzadas e da despovoação devido aos mesmas.
Como qualquer obra de Ridley Scott que se preze não estamos perante um mau filme mas, ao mesmo tempo, temos de ser sinceros e reconhecer que está longe do seu melhor. Está longe de um Gladiador, de uma Thelma & Louise, de um Cercados, de um 1492 ou de um Alien. Este Robin Hood não me convenceu enquanto espectador na sua glabalidade tendo conseguido apenas ser positivo em certos aspectos pontuais.
Ainda assim, e depois de tudo isto dito, não me espantaria que conseguisse ser nomeado em 2011 aos Oscars em categorias técnicas como Som e Efeitos Sonoros, Fotografia e Guarda-Roupa, não conseguindo, no entanto, chegar às categorias principais.
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7 / 10
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reach the Rock (1998)

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O Desafio do Futuro de William Ryan é um filme que conta com o dedo do falecido John Hughes no argumento e na produção o que nos faz obrigatoriamente esperar por uma comédia com toques dramáticos, e que nas interpretações principais nos apresenta Alessandro Nivola, William Sadler e Bruce Norris.
Neste filme conhecemos Robin (Nivola) um rapaz à margem da sociedade na pequena cidade onde vive, pois todos o culpam pela morte de um amigo sobrinho de Quinn (Sadler) o chefe da polícia local. Quando Robin decide lançar o caos numa noite, Quinn e Ernie (Norris) vêem-se completamente abafados pela capacidade que ele tem de os enganar constantemente. Por meio de algumas perseguições inúteis pela cidade que se tornam no momento mais cómico e engraçado do filme, assistimos a pequenas confissões e desabafos por parte destes três homens que mais não são do que o revelar de pequenas frustrações e sentimentos esquecidos ao longo das suas vidas.
As personagens de Nivola e de Sadler são, no seio das três personagens principais, aqueles que mais se confessam e mais se revelam. Tornam-se naqueles que mostram por um lado ter medo de passar à idade adulta e enfrentar os desafios que se avizinham agora (Nivola) e por outro, encarar a realidade dos acontecimentos passados, tentar sarar as feridas e perceber que no meio de tais acontecimentos a culpa não pertencer na realidade, a ninguém (Sadler).
Das obras que conheço de John Hughes esta foi até à data aquela que considero mais fraca. Não que o filme seja mau ou não se veja bem, ou mesmo que não provoque alguns momentos mais bem dispostos mas, não tem a força ou o protagonismo que outros filmes têm ainda nos dias de hoje. Existe de facto a exposição dos problemas da adolescência e aqueles que se mantêm no início da idade adulta, e o cliché que a meu ver, prejudica um pouco o filme, quando a personagem principal interpretada por Nivola alcança de facto a pedra no meio do rio. O tal "Reach the Rock" que simboliza a mudança. A possibilidade de fazer algo mais da vida e dar um rumo aos sonhos que em tempos se tiveram.
Faco que acaba por ser quase irritante no filme é a constante música de fundo. Parece que todos os movimentos dos actores ou planos de câmara têm de ser acompanhados por uma qualquer música que é mais irritante do que agradável e, a partir de certa altura, já nos fere mais os ouvidos do que propriamente descontrair.
Para aqueles que apreciam a obra deste falecido realizador, que aqui assume o papel de produtor e de argumentista, esta obra não irá certamente impressionar ou manter-se como um das de maior referência mas não deixa, no entanto, de ter todos os elementos que caracterizaram a sua carreira cinematográfica. Elementos como a juventude... a passagem à idade adulta... os conflitos interiores e os conflitos para com a sociedade envolvente... os conflitos geracionais... estão todos lá, e sabemos perfeitamente que esta é mais uma obra de Hughes... simplesmente não a sua mais brilhante ou marcante.
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4 / 10
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

The Year of Getting to Know Us (2008)

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O Ano em que nos Conhecemos de Patrick Sisam é um pequeno drama com leves toques de comédia com a participação de Jimmy Fallon, Sharon Stone, Lucy Liu, Tom Arnold e Illeana Douglas.
Aqui conhecemos a vida de Chris Rocket (Fallon) um tipo que tem um enorme receio de assumir qualquer tipo de compromissos evitando assim a desilusão, a traição ou o abandono. Esta situação coloca-o de certa forma afastado de Anne (Liu) a mulher que ama.
Um dia recebe um telefonema a dizer que Ron (Arnold), o seu pai teve um enfarte, facto que o leva de volta à sua cidade natal onde reencontra Jane (Stone) a mãe, bem como um sem número de recordações a que nós assistimos em tons de flashbacks.
Através destas recordações percebemos o quão disfuncional era a sua vida familiar e como aquilo que ele é e vive no presente foi o resultado de um sem número de traumas pelos quais passou em jovem, incluindo o receio que tem em assumir um compromisso.
O filme que reune um conjunto de actores interessante, e que até certo ponto cumprem um bom trabalho, mostra algo do qual já sentia saudades, ou seja, uma Sharon Stone em forma e a mostrar que ainda é capaz de dar prazer de ver quando bem dirigida. A mulher é uma verdadeira força, e sentimos na perfeição toda aquela fúria e energia reprimida, causa de um ambiente que não é favorável a uma alma grande demais. Grande demais para o pequeno lugar em que vive.
Este é, possivelmente, o ponto mais forte de todo o filme que não passa de um nível mediano. Tenta aquecer mas nunca passa do morno, sendo que tem momentos engraçados mas é na sua globalidade muito fraco.
Versa sobre a família e os seus problemas. Os dramas que todas as famílias têm e que, nas disfuncionais, são abundantes. Mostra o afastamento que as pessoas podem ter, ou criar, entre si e que só causa traumas ou problemas existenciais naqueles que a constituem.
Este filme mostra-nos os sonhos destroçados e a incapacidade que algumas pessoas têm de viver e de sentir. Infelizmente, e apesar de um ou outro momento mais interessante, o filme não consegue ser suficientemente bom para cativar o público como poderia.
Interessante apenas para ver uma sempre magnífica Sharon Stone e ficarmos a perguntar como é que ela não tem papéis mais dinâmicos em cinema. Vale pelo esforço...
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5 / 10
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Globos de Ouro SIC/Caras 2011: previsões de Novembro

Mais um mês e como tal novas previsões. Com a estreia de quatro novos filmes portugueses, a listagem dos potenciais nomeados vai sofrer algumas alterações de peso. Comecemos então com os filmes estreados até à data:
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  • Assalto ao Santa Maria
  • A Bela e o Paparazzo
  • Cinerama
  • Como Desenhar um Círculo Perfeito
  • Contraluz
  • Duas Mulheres
  • Embargo
  • Fantasia Lusitana (doc.)
  • Filme do Desassossego
  • A Ilha da Cova da Moura (doc.)
  • O Inimigo Sem Rosto
  • Marginais
  • Mistérios de Lisboa
  • Páre, Escute, Olhe (doc.)
  • Perdida Mente
  • Quero Ser Uma Estrela
  • A Religiosa Portuguesa
  • Ruínas (doc.)
  • O Último Voo do Flamingo
  • Um Funeral à Chuva
  • Vai com o Vento
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E ainda por estrear temos também:
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  • América
  • Até Onde?
  • O Barão
  • O Cônsul de Bordéus
  • O Estranho Caso de Angélica
  • O Grande Kilapy
  • A Grande Jogada
  • Outro Sangue
  • Paixão
  • Quinze Pontos na Alma
  • Sangue do Meu Sangue
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Com isto, resta apenas divulgar aqueles que, segundo a minha opinião, serão os potenciais nomeados na próxima gala dos Globos de Ouro SIC/Caras em 2011, e são eles:
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MELHOR FILME
Como Desenhar um Círculo Perfeito
Embargo
Filme do Desassossego
Mistérios de Lisboa
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MELHOR ACTOR
Adriano Luz (Mistérios de Lisboa)
Cláudio da Silva (Filme do Desassossego)
Filipe Costa (Embargo)
Rafael Morais (Como Desenhar um Círculo Perfeito)
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MELHOR ACTRIZ
Beatriz Batarda (Duas Mulheres)
Dalila Carmo (Quero Ser Uma Estrela)
Joana de Verona (Como Desenhar um Círculo Perfeito)
Maria João Bastos (Mistérios de Lisboa)
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CinEuphoria Prémios 2011: segunda edição

Inicia hoje o período de votação para a segunda edição dos CinEuphoria Prémios relativos a filmes estreados em Portugal no ano de 2010.
Todos os filmes que irão ser considerados estrearam em Portugal entre 31 de Dezembro de 2009 e esta listagem estará em actualização até dia 20 de Dezembro de 2010 pelo que, poderão existir novos filmes que estarão seleccionados para esta edição.
Assim sendo, os filmes para já a considerar são:
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(500) Days of Summer
Alice in Wonderland
An American Girl: Chrissa Stands Strong
An Education
Antichrist
Away We Go
A Bela e o Paparazzo
The Blind Side
The Book of Eli
Bright Star
Brothers
Cinerama
Como Desenhar um Círculo Perfeito
The Crazies
Crazy Heart
Dear John
O Dez
Estômago
Filme do Desassossego
From Paris With Love
Green Zone
Les Herbes Folles
Humpday
Inception
Invictus
It's Complicated
John Rabe
Lebanon
Legion
The Lion Cub from Harrods
Looking for Eric
The Lovely Bones
Mine Vaganti
Mistérios de Lisboa
Nine
A Noite do Fim do Mundo
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
The Private Lives of Pippa Lee
[REC]2
República
The Road
Robin Hood
Salt
O Segredo de Miguel Zuzarte
A Single Man
Shutter Island
The Sorcerer's Apprentice
Un Prophète
Up in the Air
Vincere
Das Weisse Band
Where the Wild Things Are
The Wolfman
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Agora é só optar por seleccionar UM nome em cada uma das categorias: Filme, Actor, Actriz, Actor Secundário e Actriz Secundária, e aguardar pelos resultados que serão publicados no dia 13 de Janeiro de 2011.
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domingo, 31 de outubro de 2010

The Reaping (2007)

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As Pragas de Stephen Hopkins é um simpático filme de suspense que junta uma Hilary Swank ao renascer das antigas pragas bíblicas nos nossos dias naquela que é a sua mais recente incursão no género.
Centrada em desmascarar supostas lendas e acontecimentos bíblicos que se sucedem nos nossos dias, Katherine (Swank), uma professora universitária, é convidada a visitar a cidade de Haven para descobrir e expôr aquilo que parece assolar a pequena e pacata cidade do interior que, segundo os locais, será provocado por Loren (AnnaSophia Robb), uma criança acusada de possessão demoníaca que todos pretendem combater liderados por Doug (David Morrisey), o padre local.
The Reaping é o sempre "bem-vindo" filme que confronta a crença e a fé bíblica frente aos conhecimentos científicos da actualidade expondo situações que se assemelham às "tradicionais" pragas do antigo Egipto com (ou sem) explicações lógica normalmente relacionadas com alterações climatéricas que, há altura, não seriam explicáveis. No entanto, aquilo com que o espectador aqui se vê confrontado cruza, muito de perto, estes fenómenos com uma população profundamente crente e um conflito religioso com que "Katherine" se debate depois da morte da sua própria família. Quando a fé e tudo aquilo que julgava como certo é colocado à sua frente e desafiado por acontecimentos que transgridem a fronteira do que é real, poderá ela voltar a acreditar que Deus e o Diabo, Céu e o Inferno existem realmente?
Na realidade aquilo que The Reaping pergunta na sua essência é se todos os acontecimentos podem ser explicados de facto, ou seja, até que ponto dentro da "nossa" era científica poderia a mesma explicar tudo aquilo que acontece não deixando uma réstia de dúvida que, em boa fé, o Homem não entregue para a explicação teológica? Neste mesmo raciocínio, se tudo carece de explicação e se esta pode ser encontrada junto da ciência... como explica o Homem aquilo que é inexplicável? A quem recorre quando tudo o demais "falha"? Onde procura as suas respostas? Em que lugar fica colocada a fé ou, melhor ainda, em que lugar ficam aqueles que já não têm fé? O que resta para lá daqueles que, em momento de crise, já não têm crença nenhuma no religioso a quem recorrer? Quando uns em crise dizer "ajuda-me Deus".... o que dirão aqueles que nele já não acreditam?!
No entanto, se The Reaping parece querer levantar estas questões e até levar o espectador para o tal "outro lado" da barricada, certo é que se perde num lado profano pouco dinamizado ou credível na medida em que a partir da chegada da "Katherine" de Hillary Swank à Haven, tudo parece forçado demais para que o espectador não perceba de imediato que ali... algo não corre assim tão perfeito como se quer fazer crer. E se a premissa de base que recorre às profecias e pragas bíblicas funcione no que diz respeito a cativar o espectador a chegar a este filme, é também certo que a falta de coerência e previsibilidade dos acontecimentos o fazem pensar que está perante uma daquelas histórias cujo único objectivo não foi criar a dúvida mas sim alguns dólares extra na bilheteira que, certamente, iria estar cheia pelos nomes de Swank, Elba ou Morrissey.
Swank dá o seu melhor, aliás foi graças a ela que olhei para este filme e senti algum interesse em dar-lhe uma hipótese. Depois de The Gift (2000), de Sam Raimi onde dá um ar de sua graça ao género de suspense/terror, The Reaping prometia ser o filme onde a actriz confirmava enquanto protagonista a sua veia para o estilo mas, no entanto, por muito que se esforce e tente ser credível, Swank limita-se a ir na "corrente" e dançar ao sabor da maré sem conseguir dramatizar a sua interpretação ou tão pouco provocar o tal receio do ambiente hostil em que se encontra direccionando o espectador para um enredo mas, com o tempo, revelando que afinal nada é tão normalizado como aparenta ser. E se The Reaping até é um daqueles filmes que se vê com alguma facilidade não levando o espectador a pensar muito sobre aquilo que vê, este acaba também por ser um dos seus principais "defeitos", ou seja, dada a temática... não esperaríamos ver algumas das nossas crenças também desafiadas?
Dito isto... o que resta de The Reaping? Alguma coordenação na recriação das ditas pragas. Os segmentos em que as mesmas ganham "vida" são dinâmicas e desafiam a uma explicação para lá dos "fenómenos meteorológicos" mas, quando pouco concentradas nesses momentos querendo forçosamente levar o espectador para uma linha narrativa já delineada - eliminando portanto a sugestão -, esta longa-metragem cai nesse que é o erro mais comum do género... querer tudo explicar e aparentar "ser lógico"...
Este The Reaping não será, portanto, um filme de relevância maior. Mesmo considerando o leque de actores já mencionados aos quais se acresce um sub-aproveitado Stephen Rea como o improvável lado bom da fé, a longa-metragem de Stephen Hopkins perde-se nos lugares comuns do género, no revelar demasiado cedo o que esconde a simpática cidade de Haven e no facto de nem todos os bons - ou maus - o serem realmente. O argumento, já trabalho inúmeras vezes em tantos outros filmes do género e, segundo a minha opinião, muito melhor conseguido em The Seventh Sign (1988), de Carl Schultz, acaba por também ele perder-se nos lugares comuns em que tantos filmes caem revelando muito cedo quais os intuitos das diversas personagens e expondo a protagonista a um suplício sem fim dos seus próprios traumas... O espectador percebe que "Katherine" tem um passado traumático que a leva a colocar em causa todas as suas convicções... não precisa de a cada cinco minutos ser lembrado do mesmo...
No final, o que sobre a The Reaping? Algum entretenimento, alguma promessa de algo consistente (que depois se desmistifica) e a garantia de pouco mais de hora e meia de alguma descontracção por ser um daqueles filmes que distanciando-se da referência no género não deixa, ainda assim, de conferir um agradável momento cinematográfico. Não levamos daqui o filme da nossa vida mas também não saímos defraudados com aquilo que nos foi apresentado pelo realizador.
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5 / 10
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sábado, 30 de outubro de 2010

Marie and Bruce (2004)

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Um Casal Surreal de Tom Cairns com Julianne Moore e Matthew Broderick é possivelmente o pior filme que alguma vez vi com a participação destes actores.
Neste filme acompanhamos a história de um casal, Marie e Bruce (Moore e Broderick) em que a mulher se encontra à beira de uma depressão e em que a simples presença do marido a enjoa e deixa com mal-estar. A partir daqui temos um sem número de diálogos que o expressam... mais ou menos bem. De resto o filme centra-se essencialmente ora nas experiências que um e outro têm durante um dia.
Tendo visto este filme apercebo-me agora que não é foi preciso muito tempo para perceber que era um filme que me iria aborrecer profundamente, e digo isto por vários motivos.
O primeiro deles é ao ver o cartaz do filme vejo lá algo que me atrai imediatamente... Julianne Moore. Claro que um nome com uma potência destas leva qualquer pessoas de bom senso a ir vê-lo mas, em poucos minutos de filme, percebe-se que este é possivelmente o pior filme de uma carreira brilhante e com escolhas ponderadas que esta mulher teve.
Aquilo então a que assisto é uma Julianne Moore em fase de "depressão" mas sem qualquer tipo de "brilho" como tinha noutros filmes como As Horas ou Magnolia. Temos mais uma fase irritante e absurda que me leva a pensar "mas afinal no que é que esta mulher pensou para aceitar fazer isto?". Má, muito má prestação desta que é possivelmente uma das melhores actrizes da actualidade.
Depois o argumento... desgastado, sem "fogo" ou energia, que mais não é do que mostrar um quotidiano absurdo e sem nexo de um casal que não se suporta e que passa a vida a chamarem "amor", "querido" e "querida" numa palhaçada sem qualquer sentido, no final de cada frase que profere. Sejamos honestos, há um limite de paciência para aturar isto. O que é demais realmente enjoa.
Ao ver este filme aborreci-me. E não pela falta de qualidade que é notória do princípio ao fim, mas sim pela irritabilidade que o mesmo me causou. Não tem piada, não consegue ser dramático, não consegue manter uma história que cative o espectador e o pior é que utiliza uma excelente actriz e um actor mediano quase em fase decadente (lamento aos fãs mas é assim que vejo hoje em dia Matthew Broderick) e atira-os para um poço de onde não conseguem escapar.
Um filme pobre... aliás MAU, que não se safa por lado nenhum e que mais não é do que um puro desgaste de 80 minutos de qualquer ser humano que aprecie ver um bom filme e que aqui jamais o irá encontrar.
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"Marie: You eat shit Bruce..."
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1 / 10
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

XVII Caminhos do Cinema Português

Foram ontem anunciados as longa-metragens seleccionadas para a edição deste ano dos Caminhos do Cinema Português que se realizam todos os anos em Coimbra.
Asssim entre os vários nomeados nas diversas categorias, na de longas-metragens as nomeadas a melhor filme do ano são:
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Como Desenhar um Círculo Perfeito, de Marco Martins
Duas Mulheres, de João Mário Grilo
Efeitos Secundários, de Paulo Rebelo
Embargo, de António Ferreira
Marginais, de Hugo Diogo
O Inimigo Sem Rosto, de José Farinha
O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro
Um Funeral à Chuva, de Telmo Martins
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Windtalkers (2002)

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Códigos de Guerra de John Woo é um drama passado em tempo de guerra com a participação de Nicolas Cage no principal papel e ainda Adam Beach, Christian Slater, Peter Stormare, Mark Ruffalo, Noah Emmerich, Brian Van Holt, Frances O'Connor e Martin Henderson.
Joe Enders (Cage) é um sargento que sobrevive a um forte ataque sobre o seu pelotão no decurso da Segunda Guerra Mundial no Pacífico e que insiste em voltar ao campo de batalha. Devido à sua experiência e ao avanço interminável das tropas nipónicas, Enders é encarregado de ser um protector de Ben Yahzee (Beach) um índio que, através da sua língua Navajo e de um código inventado para ela, conseguem dominar o avanço das tropas japoneses.
Em campo de batalha a acção é interminável e o duelo entre o que foi contratado para fazer, matar Ben em caso de ser capturado, e aquilo que a sua moral manda, proteger aquele estranho que aos poucos se torna seu amigo, são os dois pontos fortes pelos quais a consciência de Enders vai ter realmente de batalhar. Tudo isto ao mesmo tempo em que se depara com os seus próprios fantasmas por ter sido o único sobrevivente entre todo o seu pelotão vão, durante o filme, limitar a dualidade constante e crescente em que se sente Enders.
Repleto de interessantes sequências de acção é um filme de guerra feito, na sua globalidade, de forma coerente mas ao mesmo tempo apressada onde parece que se tem de contar quase tudo ao mesmo tempo, algo que não é vulgar neste género de filmes onde se tenta de uma forma calma contar uma história.
As interpretações, que apesar de não serem de topo também não estão más, dão a Nicolas Cage um dos melhores papéis dos últimos tempos onde, de facto, voltamos a ver aquilo a que ele nos habituou e que misteriosamente perdeu na maioria dos trabalhos que tem vindo a fazer... o seu talento.
Consistente e coerente, apesar de não ser uma história maior do cinema ou do género, e que mostra uma parte da História da Segunda Guerra Mundial que está até hoje ainda pouco retratada e que é sempre bom de saber e perceber, este filme tem nas suas variadas sequências de acção o seu ponto forte, tornando-o assim num emocionante filme.
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7 / 10
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dead Calm (1989)

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Calma de Morte de Phillip Noyce é um (in)tenso drama com a participação de Sam Neill, Nicole Kidman e Billy Zane passado em alto mar.
Temos um casal, Rae e John (Kidman e Neill) que para revitalizarem a sua relação e viverem em descanso durante uma temporada decidem fazer uma viagem no seu barco pelo Pacífico. Durante esta viagem deparam-se com Hughie (Zane) que sai de um barco e que se faz convidado no barco do casal. Pouco tempo depois revela a sua verdadeira personalidade, e enquanto John investiga o barco de onde Hughie veio, este abandona-o em alto mar, sendo que é assim que nós descobrimos que Rae tem a bordo um verdadeiro psicopata.
As interpretações são de mestre. Qualquer um dos actores evoca muito naturalmente o espírito que cada uma das personagens deve realmente ter. Zane é brilhante como psicopata. Consegue ser assustador e depois de olharmos para aqueles olhos que mais parecem encarnar algum espírito não muito positivo, esperamos quase tudo com que ele nos possa surpreender.
Neill como o marido que tenta tudo por tudo para sobreviver em alto mar após ter sido abandonado à sua sorte mostra-nos o que é verdadeiramente o rosto do desespero sem, contudo, ter esse sentimento expresso no seu rosto. Sentimos apenas pelas suas acções quase vãs de sobrevivência que ele próprio percebe que pode estar realmente nos últimos momentos da sua vida. Finalmente Kidman, como a refém numa enorme prisão que tenta por tudo sobreviver e regressar atrás para salvar o seu marido detido com um estranho psicopata, mostra-nos o quão longe podem ir as pessoas para tentar (sobre)viver independentemente das dificuldades ou obstáculos com que deparam.
Mais atrás disse "finalmente"... Finalmente não, pois esquecemos o pequeno cão do casal que inicialmente consegue provocar-nos a maior das simpatias mais através de um ou outro momento consegue provocar-nos alguma "fricção"... mas não deixa de ser um dos poucos momentos menos tensos de todo o filme.
Um outro ponto alto deste filme é mesmo a sensação de claustrofobia que consegue provocar-nos, independentemente de "estarmos" num espaço aberto e enorme mas que, por não nos permitir avançar para muitos locais começamos a sentir quase uma sensação de sufoco por nos encontrarmos ali. É quase a sensação de prisão a céu aberto.  Não estamos detidos mas ao mesmo tempo também não podemos sair do espaço onde nos encontramos. Este é sem dúvida um ponto forte do argumento e claro, do filme. Sentimos a todo o momento não só a tensão criada pela sensação de perigo que aquela "pessoa" provoca a outras, como também a própria tensão por estarem num espaço de onde ninguém pode fugir. Estão todos ali sem qualquer hipótese de fuga do inimigo.
Este aspecto define muito do que é o filme. Muito na medida em que esta sensação contribui de uma forma muito próxima para a de tensão sempre crescente que temos durante toda a duração do mesmo. Sentimo-nos quase "desconfortáveis" por nos encontrarmos num ambiente tão "fechado" e de onde percebemos não conseguir escapar.
O mesmo sucede com a banda-sonora da autoria de Tim O'Connor e Graeme Revell que apenas acrescenta mais tensão, e consequentemente nervosismo, a uma história e acção que são por si só já constrangedoras.
Como nota pessoal, é igualmente curioso ver um dos primeiros grandes filmes que Nicole Kidman fez, e de notar que já se sentia algo que a iria tornar grande e detendora de participações em filmes igualmente grandes.
Intenso e poderoso drama de acção e claustrofóbico que nos revela que quando chega um filme vindo da Austrália, também é de ter em atenção e descobrir o que daqueles terras vem.
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7 / 10
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Child's Play (1988)

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Chucky - O Boneco Diabólico de Tom Holland é um muito bem conseguido clássico de terror. E digo clássico com toda a segurança que o afirmo sabendo que este filme tem um conjunto enorme de seguidores por toda a parte.
Com as participações de Chris Sarandon, Catherine Hicks, Alex Vincent e Brad Dourif no papel (e depois voz) de Chucky, este filme é pura adrenalidade de suspense e expectativa do princípio até ao minuto final.
O detective Mike Norris (Sarandon) está envolvido na perseguição e potencial morte do estrangulador Charles Lee Ray (Dourif), e após segui-lo até uma loja de brinquedos e um severo tiroteio Lee Ray "morre".
Dias depois, no lado oposto da cidade, Karen (Hicks) compra para Andy (Vincent) o boneco sensação do momento... um "Good Guy" chamado Chucky (voz de Dourif) como presente de aniversário. Aquilo que vimos a "descobrir" depois, é que antes de morrer Lee Ray passou a sua alma para o boneco que é agora um perigoso, e medonho, psicopata assassino que tudo fará para eliminar os seus inimigos e... apoderar-se da alma do jovem Andy.
Isto em termos muito básicos é a história deste filme que fez sensação no final da década de 80 quando estreou e que originou igualmente uma vasta "carreira" de sequelas, adaptações e inovações desde então. Já tivemos as duas sequelas... a noiva dele e claro, não poderia faltar a própria "semente". Já se fala numa revitalização da própria saga e se pensarmos como as coisas correm hoje em dia, é quase certa que será feita (e lá estarei para ver).
O filme era, e ainda é, assustador. Nós todos vibrávamos quando viamos aquela figura que, neste primeiro filme teve uma participação menor do que nos seguintes, mas que ao mesmo tempo é possivelmente a mais assustadora de todas elas, considerando que ainda lidávamos com o inesperado.
No entanto, quando o maléfico Chucky nos brindava com a sua aparição é certo e sabido que o boneco de facto assustava. Quando estava no seu "estado" normal, tem uma aparência dócil... o típico boneco para os miúdos... mas quando se transforma, o boneco é realmente assustador. Não só pela transformação que lhe fazem à "cara", mas também pelos olhos que lhe irradiam algo demoníaco (note-se que estou a falar de um boneco).
A história pode não ser nova, mas o suspense que este filme transmite é francamente forte e deixa-nos agarrados ao sofá do primeiro ao último minuto. O Chucky deixava-nos a todos num perfeito estado de tensão, e mais ainda quando começava com aqueles estridentes berros que eram de gelar os ossos (sim, sou muito susceptível a este tipo de filmes, mas estupidamente não consigo deixar de vê-los... é mais forte do que eu...).
Brilhante filme de suspense/terror que não deixa ninguém indiferente, e é mesmo destes que precisamos para revitalizar um género que normalmente só nos entrega o suspense aliado a muita comédia de segunda categoria. Long live Chucky!
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"Chucky: Hi, I'm Chucky. Wanna play?"
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8 / 10
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

An Education (2009)

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Uma Outra Educação de Lone Scherfig é um excelente e simpático drama nomeado para três Oscars em 2010 nomeadamente Filme, Actriz e Argumento Adaptado que conta com a participação de um excelente leque de actores entre os quais se destacam Carey Mulligan (nomeada ao Oscar de Melhor Actriz), Alfred Molina, Rosamund Pike, Olivia Williams, Emma Thompson, Dominic Cooper e Peter Sarsgaard.
O filme reflete sobre uma conservadora família suburbana de Londres e, em particular, sobre a descoberta de como a vida pode ser vivida por parte da filha do casal, magnificamente interpretada por Carey Mulligan que aqui recebeu o BAFTA de Melhor Actriz do ano.
Jenny (Mulligan) encontra-se com David (Sarsgaard), um homem com o dobro da sua idade, e que através do seu charme lhe mostra o quão diferente e interessante pode ser a vida para além dos estudos e dos objectivos que já haviam sido previamente definidos.
David mostra a Jenny uma vida de glamour, aventura, emoção e de experiências novas que, para uma jovem de 16 anos numa Londres dos anos 60 em que se viviam as grandes revoluções sociais e culturais eram, obrigatoriamente, apelativas.
No entanto, com o tempo, percebemos que David e o seu estilo de vida algo "inovador" não são assim tão moralmente correctos ou lícitos e começamos a questionar o verdadeiro intuito dos seus objectivos para com Jenny.
Este filme que tem vários pontos fortes, tem num dos mais importantes o seu excelente elenco. O grupo de actores que o compõe, vá dos principais aos mais secundários, é sem qualquer margem para dúvidas, fenomenal. Todos eles, sem excepção, consegue cativar-nos e mostrar-nos vários feitios e comportamentos distintos entre si.
Carey Mulligan, a jovem Jenny e uma das grandes revelações do ano, tem aqui o papel forte e determinante de todo o filme. A sua composição mostra-nos uma jovem sensível mas ao mesmo tempo curiosa e determinada que pretende saber mais e melhor sobre o mundo que a rodeia. Confirmar o que conhece e conhecer novos locais, novas pessoas e novos ambientes e estilos de vida.
A dar vida ao seu parceiro de aventuras temos David (Peter Sarsgaard) que para seduzi Jenny mostra-lhe o mundo que ela realmente quer conhecer. O mundo das festas, das viagens, dos conhecimentos e da folia. Um mundo diferente daquele que ela conhecera até então.
Como secundários temos actores de peso como é o caso de Alfred Molina que interpreta o conservador pai de Jenny que apenas a quer ver ou a estudar numa Universidade importante ou então casada com um marido que trate dela. Temos Emma Thompson no papel da directora do colégio onde Jenny se encontra, igualmente conservador, e que apenas quer preparar as jovens estudantes para uma vida igualmente conservadora em que todos os prazeres da vida devem ser reprimidos. No papel da professora compreensiva e que dá bons conselhos temos Olivia Williams. Não só tenta aconselhar os melhores caminhos como, na altura de escolher o pior, está lá para amparar e tentar guiar e orientar.
Em termos de elenco o filme está no seu melhor. Todos os actores, dos mais aos menos conhecidos, completam-se de uma forma harmoniosa e dão vida a um magnífico argumento da autoria de Nick Hornby que foi igualmente nomeado a Oscar de Argumento Adaptado.
Argumento este baseado nas memórias de Lynn Barber que nos dão a conhecer o importante período que é a passagem da adolescência para a idade adulta. Uma altura em que todos nós pretendemos conhecer o máximo possível do mundo. Viajar. Ver. Experimentar. Conhecer. Saber o que é que está para além daquilo que nos mostram os livros ou o conhecimento já experimentado e vivido pelos outros.
É exactamente isto que Jenny pretende. Conhecer. Ver. Experimentar. Saber o que é que existe para além dos livros que lê e que existe para além das quatro paredes da sua casa ou do seu colégio, que apenas lhe apresentam aquilo que é dito como "socialmente aceitável".
Jenny quer viver. Não depender de ninguém a não ser de si. Não se anular nem como ser humano nem como mulher. Bem pelo contrário, quer afirmar-se e dizer que não precisa de depender de ninguém para poder vencer e ser alguém na vida mesmo com os erros que poderá ter de cometer para seguir esse caminho e atingir os seus objectivos.
Magnífico filme que, assumo, constituiu uma enorme surpresa para mim mas que, levado pela enorme curiosidade que tinha a seu respeito, mostrou ser um dos melhores e mais sentidos filmes que vi ultimamente, e que sem sombra de dúvidas, merece ser visto, apreciado e admirado.
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"Jenny: If you never do anything, you never become anyone."
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9 / 10
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domingo, 24 de outubro de 2010

Green Zone (2010)

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Green Zone - Combate pela Verdade de Paul Greengrass é um intenso filme de acção com Matt Damon no principal papel e que se centra nos acontecimentos que sucederam a invasão americana ao Iraque em 2003.
A história inicia-se por volta de 2003, altura em que as tropas norte-americanas já se encontram no Iraque à procura das tão faladas armas de destruíção massiva. O problema está, claro, que elas nunca iriam aparecer.
Miller (Damon), o responsável por uma equipa que procura as ditas armas, começa a achar estranho nunca encontrar nenhuma após estar em tantos locais indicados pelos serviços de informação secreta. É aqui que começa a questionar a veracidade destas informações e da fonte que as fornece.
É aqui que começa uma intensa perseguição pelas ruas de uma Bagdad semi (ou totalmente) destruída, em que americanos perseguem iraquianos... iraquianos perseguem iraquianos... e americanos perseguem americanos. Sim... temos realmente de tudo. Tudo para salvaguardar aquela que já é considerada uma das grandes "mentiras" desta invasão ao Iraque.
Damon que se encontra novamente em parceria com Greengrass para mais um filme em que mostra os seus dotes de novo "herói" do cinema de acção, tem aqui um interessante papel como militar que questiona as ordens que recebe e que, como tal, resolve tentar realmente descobrir qual a veracidade de todas as informações que lhe são passadas bem como a fonte das mesmas.
Os restantes papéis são secundários demais para merecem algum tipo de destaque, mesmo as de Greg Kinnear ou Brendan Gleeson. No entanto, há que destacar entre os secundários, a prestação de Khalid Abdalla que, apesar de um papel menor, acaba por ser um dos mais marcantes e com alguma razão de existir no filme. Tem motivos para estar lá, se bem que quase sempre "escondido" das atenções do filme, e acaba por ser ele que dá o devido desfecho mais ou menos dramático para um filme que se quer de acção. Este actor britânico já tinha dado mais que muitas provas do seu talento no filme O Menino de Cabul, e aqui confirma-o sem qualquer sombra para dúvidas.
Pessoalmente acho que ainda há muito por explorar nesta nova guerra que ainda tem muito para "dizer". Ao mesmo tempo é claro que estes filmes começam agora a surgir e da ros seus primeiros passos. A muitos mais iremos assistir até que tudo (?) fique dito. No entanto, à semelhança de outras guerras que começaram a ter "direitos" cinematográficos, há que perceber que esta começa a tê-los muito pouco tempo depois de ter começado e ainda sem ter visto um final.
Histórias estas que têm ainda muito para dizer. Muito por questionar. E especialmente muito por perceber. Se o iremos conseguir ou não, isso é outra história.
Quanto a este filme, pode-se seguramente afirmar que já levanta algumas questões que gostaríamos de ver respondidas. Não será para agora é um facto, mas em certa medida confirmam muito daquilo que nós todos, mais ou menos atentos aos noticiários, pensávamos e suspeitávamos. Se a isto adicionarmos que se trata de um intenso e bem construído filme de acção, então temos puro entretenimento, e construtivo claro, durante duas horas que nos conseguem prender ao ecrã a 100%.
Temos a trama política, o drama (algum), bons desempenhos, momentos muito intensos de perseguição e de acção que o tornam num muito bom filme do género, ou não fosse filme de quem é. Paul Greengrass voltou a conseguir firmar-se.
Para os apreciadores do género que não pensam que vamos ter apenas um conjunto de tiros, murros e pontapés, este filme é em indicado. Quanto a prémios, podemos esperar vê-lo nas categorias técnicas da próxima edição de Oscars, nomeadamente nos Efeitos Especiais Visuais e Sonoros e possivelmente Fotografia. De esperar até próximo Fevereiro.
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8 / 10
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sábado, 23 de outubro de 2010

3:10 to Yuma (2007)

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O Comboio das 3e10 de James Mangold é um moderno western que conta com Russell Crowe e Christian Bale nos principais papéis.
Bale interpreta o papel de Dan Evans, um agricultor em dificuldades financeiras e que sofre às mãos do empresário do sítio que, devido a uma acção de represália deste, se vê sem o seu gado. Quando o vai procurar com os seus dois filhos menores depara-se com o grupo de assaltantes de Ben Wade (Russell Crowe) a quem, mais tarde, irá acompanhar ao comboio que o levará para a prisão pelos seus inúmeros actos criminosos.
Dito isto assim de forma tão simples e crua parece que estamos perante um filme banal e desinteressante, no entanto, nada de enganos. O Comboio das 3e10 é um interessante e emocionante western sob contornos dramáticos e de acção que nos prende ao ecrã desde o primeiro minuto.
Para isto muito contribuiu o magnífico argumento da autoria de Michael Brandt, Derek Haas e Halsted Wellws, que transporta e dá vida ao conto de Elmore Leonard no cinema. E não é uma vida qualquer. Ela é intensa e cheia de vivacidade.
Temos aqui uma mescla de estilos que talvez seja um dos segredos que tornou este filme tão desejado e aclamado ao ponto de ser em 2008 um dos favoritos aos Oscars tendo, no entanto, só alcançado duas nomeações nas categorias de Banda-Sonora e Som. Temos então um intenso western, um género que há muito estava adormecido, tendo apenas reanimado com alguma confiança com Imperdoável de Clint Eastwood, temos também uma forte história de acção, e de certa forma um drama histórico ao serem abordados com alguma ligeireza acontecimentos que moldaram a História norte-americana do período da Guerra Civil e suas consequências.
É impensável falar neste filme sem falar nas magníficas interpretações que dele fazem parte. De Russell Crowe e de Christian Bale já é quase impossível fazer elogios pois tudo sobre eles já foi dito. De Bale só há a dizer que está irrepreensível e que o papel lhe cai que nem uma luva. Já de Crowe é de minha sincera opinião que este foi possivelmente o seu último grande papel em cinema, e que desde ele se tem apenas limitado a papéis "presenciais" na medida em que está lá mas é quase como se não estivesse.
Que se destque também Ben Foster. O tipo raramente faz papéis "brandos"... É sempre intenso e o mau da fita por mais curta que seja a sua presença num filme, mas sejamos honestos... o tipo é mesmo BOM a fazer de mau! Só de ver aqueles olhos que mais parecem de um psicopata verdadeiro dá para meter medo a qualquer alma mais sensível! Muito bom de facto este trio de actores.
A banda-sonora de Marco Beltrami, que como já referi foi nomeada para o Oscar na respectiva categoria tem acordes que, apesar de nos transportarem claramente para um western e para o todo o ambiente que envolve este estilo, e época, de filme, é feita de uma forma extremamente moderna e igualmente intensa, acrescentando assim toda a tensão que o filme acarreta. Um justíssimo nomeado ao Oscar.
Não sendo eu um especial admirador deste género cinematográfico, à excepção do já referido Imperdoável, há que ser honesto e reconhecer que este filme ultrapassa qualquer designação que possa, à partida, limitar-nos como espectador a poder ir vê-lo. E se de facto existe alguma restrição inicial, o que é certo é que após começar a visioná-lo não somos capazes de retirar os olhos do filme. Muito bom western. Muito bom como filme de acção. E muito bom no que respeito ao elenco onde se destacam além dos já referidos actores, outros tantos como Peter Fonda, Dallas Roberts, Logan Lerman, Vinessa Shaw e Gretchen Mol.
Que se destaquem todos os momentos finais onde existe uma magnificamente encenada perseguição e tiroteio até chegar ao tão falado comboio... das 3 e pouco...
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"Dan Evans: I've been standin' on one leg for three damn years waitin' for God to do me a favor... and He ain't listenin'."
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8 / 10
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