
Depois claro, ajudou ser um filme com quatro nomeações aos Oscar sendo que duas delas eram exactamente para as respectivas actrizes, Dench para Actriz e Blanchett para Secundária. Injustamente não escolhidas... talvez talvez... mas o que é certo é que com ou sem Oscar ninguém lhes retira o enorme poder com que brindaram estes dois belíssimos desempenhos.
Barbara (Judi Dench) é uma veterana professora numa escola onde ninguém a aprecia; nem alunos nem professores. Vive uma vida áspera e recatada onde não deixa ninguém penetrar.
À mesma escola chega Sheba (Cate Blanchett) uma jovem professora de arte que rapidamente fascina não só os alunos, como os professores seus colegas e num silêncio cortante ganha a imediata atenção de Barbara que não só quer a sua amizade como a cobiça a um nível que ultrapassa uma amizade platónica. Barbara deseja Sheba.
Após descobrir que Sheba mantém um romance com um dos seus alunos menores está aqui a oportunidade perfeita de Barbara obter toda a atenção de Sheba e tê-la à sua mercê.
Se a presença dos dois nomes no cartaz já não fosse por si só o suficiente para conquistar a atenção do público para visionar este filme, a sua história é também muito aliciante para que nos agarremos ao filme do princípio ao fim.
Tanto Barbara como Sheba revelam ser duas personagens que se sentem no seu íntimo sós. Desejam a atenção de alguém. Uma atenção inequívoca e sem rodeios. Barbara só a tem na escola devido ao seu comportamento rígido e austero. Por sua vez Sheba, casada com um homem mais velho, com uma filha independente e um filho com necessidades especiais não a tem como desejaria e como tal, obtém-na através do seu jovem aluno. O desejo. Aquilo que ambas procuram ter e que só alcançam através de jogos doentios quer de poder quer de corrupção. O poder de Barbara sobre Sheba, e a corrupção física desta para com o seu aluno.
Tudo isto apimentado ao longo do filme com os excelentes pensamentos de Barbara enquanto escreve no seu diário, ao som e ritmo de uma magnífica banda-sonora da autoria de Philip Glass que muito cedo nos revela um escalar e uma queda estrondosa das personagens que nos são apresentadas.
Um magnífico filme repleto de estrondosas interpretações onde figura também Bill Nighy no papel de marido de Blanchett, com uma banda-sonora intensa e poderosa e um argumento de Patrick Marber simplesmente genial, este é um filme que não se deve deixar passar.
"Barbara Covett: We want so much to believe that we've found our other. It takes courage to recognise the real as opposed to the convenient."
8 / 10
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