Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Milionária a Dias (2008)

Milionária a Dias de Carlos Neves foi um dos muitos telefilmes que a TVI produziu numa primeira vaga e que contou com a participação de alguns dos mais conhecidos actores portugueses, nomeadamente Ana Zanatti, Víctor de Sousa, Paula Lobo Antunes e Ana Moreira.
Quando Helena (Antunes) começa a trabalhar na casa de uma distinta família, São (Zanatti) e o seu marido Francisco (Víctor de Sousa) estariam longe de imaginar as suas reais intenções e aquilo que iriam literalmente passar às suas mãos. De empregada a patroa em muito pouco tempo, Helena há-de fazer pelos seus "patrões" aquilo que estes nunca esperariam, ou pensariam, que fosse possível.
Estará por detrás daquele aparente rosto inocente algo mais escondido ou serão as únicas inteções de Helena mostrar aos seus patrões que apesar de empregada deve ser tratada com o respeito que eles não lhe querem dar?!
Mais uma vez se confirma que esta primeira temporada de telefilmes produzida por este canal esteve longe de ser perfeito. As intenções e o argumento estão lá prontos para ser trabalhados e explorados por um conjunto de actores que consegue fazer inveja a qualquer produção cinematográfica, ou não falássemos de pessos pesados como Ana Zanatti e Víctor de Sousa, ou de uma actriz em constante ascenção como é o caso de Ana Moreira. O problema é que estas histórias apesar de se mostrarem receptivas a interessantes produções, perdem-se pelo caminho e nunca conseguem atingir o esplendor que as mesmas mostram poder ter.
É certo que existem alguns momentos que nos conseguem arrancar (tímidos) sorrisos, mas também é verdade que uma vez findo, este telefilme nos deixa com uma sensação de que "algo" não foi concretizado tendo apenas ficado por um conjunto de boas intenções não cumpridas.
Interessante até certo ponto, nunca chega a aquecer o suficiente para se tornar em algo minimamente memorável.
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4 / 10
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Go Get Some Rosemary (2009)

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Vão-me Buscar Alecrim de Ben Safdie e Joshua Safdie vencedor do Grande Prémio Cidade de Lisboa numa das anteriores edições do IndieLisboa conta-nos a história de um pai divorciado que durante um conjunto de dias fica com os seus filhos na sua casa nova e ainda pouco "habitável".
Lenny (Ronald Bronstein) é um homem aparentemente mais velho do que a sua real idade e que se encontra dividido entre as suas responsabilidades e o seu eterno desejo de permanecer jovem e independente de qualquer obrigação. Durante o período em que fica com os seus filhos todo o tipo de ocorrências mais ou menos normais sucedem a um ritmo alucinante que demonstram o quão pouco preparado está para poder assumir qualquer compromisso que seja, independentemente da motivação ou vontade que tem de, por exemplo, poder estar com os seus filhos.
Por muito interessante que seja podermos assistir à dinâmica existente entre um pai solteiro e os seus jovens filhos, este filme acabou por fazer perder muita da concentração que nele poderia depositar graças à sua filmagem ao estilo de "câmara na mão". Ficamos desde o início com a leve impressão de que os realizadores pretendem estar em todo o lado ao mesmo tempo e como tal filmar tudo o que lhes aparece à frente quebrando assim muita da atenção que poderíamos ter em determinados momentos.
E o mesmo se poderá dizer com alguns dos momentos do filme que são e estão francamente desapropriados com a narrativa principal nomeadamente o mais flagrante quando após ter estado com os filhos no ginásio Lenny é alvo de uma tentativa de engate por parte de outro homem... descontextualizado e sem qualquer nexo (muito menos devido à duração e da exposição que tem aquele momento). Como este, outros momentos como a mudança de casa que não sabemos como irá ser concluída ou mesmo a relação entre pai e mãe que pouco se desenvolve, acabam por estar sempre muito presentes no filme, fazendo com que outros caminhos se abram na história sem que para a narrativa principal muito contribuam além de nos mostrarem caminhos que não se fecham mas também não lhes é dada continuidade.
Resumidamente é um filme com algum potencial e com interpretações às quais não se lhes pode apontar defeitos de maior mas que se perde(m) graças à própria filmagem que nos faz dispersar por vários momentos ao longo do filme. No essencial seguimos a vida daquela família... principalmente daquele pai, que demonstra um esforço enorme para poder passar aqueles escassos dias com os seus filhos, mas ao mesmo tempo que o acompanhamos estamos também muito "preocupados" com todo o meio envolvente que, na maior parte das situações, é completamente irrelevante para o que de central está a acontecer e, como tal, perdemos por várias ocasiões o rumo que a história poderia levar.
Interessante por momentos mas nunca estimulante ao ponto de se tornar num dos filmes que gostamos realmente de ver ou com que criemos um qualquer tipo de identificação.
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3 / 10
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Festival Ibérico de Cinema 2012: vencedores

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Primeiro Prémio: La boda, de Marina Seresesky
Segundo Prémio: Maquillaje, de Alex Montoya
Melhor Realizador: Alex Montoya, por Maquillaje
Melhor Argumento: Esteban Crespo, por Nadie Tiene la Culpa
Melhor Actriz: Yailene Sierra, por La Boda
Melhor Actor: Joaquín Sánchez, por El Chola
Melhor Banda Sonora: Daniel Cavalho, David Doutel e Vasco Sá, por O Sapateiro
Melhor Fotografía: Javi Agirre, por La Calma
Prémio do Público: Libre Directo, de Bernabé Rico
Prémio CEXECI do Jurado Joven: Voice Over, de Martín Rosete
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Chamada por Engano (2008)

Chamada por Engano de José Manuel Fernandes e Ricardo Inácio é mais um dos telefilmes produzidos pela TVI no segmento dos Casos da Vida, e que conta com alguns dos actores que têm trabalhado regularmente para aquele canal de televisão, nomeadamente Fernanda Serrano, Marcantonio Del Carlo, Sandra Cóias, Vera Alves e Almeno Gonçalves.
Laura (Serrano) conhece Paulo (Del Carlo), um homem que sabe estar separado da sua mulher. Quando Laura recebe uma chamada de uma mulher que diz que o seu marido a vai matar, as suspeitas sobre Paulo começam. Ao mesmo tempo Laura vive o seu próprio drama familiar quando a sua irmã Beatriz (Alves) é vítima de violência doméstica às mãos de Francisco (Gonçalves).
Com um argumento da autoria de Elisabete Moreira que contém alguns clichés já tipificados neste género, este telefilme não deixa de conter um certo carácter moralista no sentido da denúncia de casos de violência doméstica infelizmente tão comuns e escondidos nas quatro paredes de muitos lares, e também algumas interessantes interpretações como as de Fernanda Serrano (que já assumiu definitivamente um posto de actriz de primeira linha) e Vera Alves, ou um Marcantonio Del Carlo que assume aqui um vilão pouco habitual nas personagens a que dá vida.
Um dos poucos e interessantes telefilmes que a TVI conseguiu produzir nesta primeira vaga e que se destaca pela qualidade da sua execução em relação aos demais títulos que o acompanham.
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6 / 10
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Domingo, 20 de Maio de 2012

Robin Gibb

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1949 - 2012
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: Melhor Filme

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Pedro Borges (prod.)
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João Canijo (real.)
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Sangue do Meu Sangue
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: Melhor Actor

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Nuno Melo
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O Barão
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: Melhor Actriz

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Rita Blanco
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Sangue do Meu Sangue
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Zombies: A Living History (2011)

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Zombies: Uma História Real de David V. Nicholson é um interessante documentário do Canal História que analisa a origem do fenómeno dos mortos vivos ao longo dos tempos bem como a sua relação com alguns dos mais significativos acontecimentos da História.
Qual a veracidade de alguns dos filmes realizados ao longo dos anos, a que se deve o aparecimento sistemático destas histórias no cinema bem como algumas dicas de sobrevivência numa catástrofe (seja ela de que natureza fôr), são alguns dos temas abordados e estudados ao longo deste documentário que vai muito além da simples "praga zombie".
Além do factor entretenimento, este documentário que deixo na integra e que especialmente para os fãs do género deve constituir um interessante documento e que é, acima de tudo, uma interessante obra de conhecimento que nos ilustra a realidade um pouco mais além daquilo que o efeito divertimento nos provoca quando assistimos a um destes filmes.
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7 / 10
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: nomeados a Melhor Filme

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América, de João Nuno Pinto
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O Barão, de Edgar Pêra
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Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
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Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: nomeados a Melhor Actor

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Fernando Luís, América
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Nuno Lopes, Sangue do Meu Sangue
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Nuno Melo, O Barão
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Rafael Morais, Sangue do Meu Sangue
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Globos de Ouro SIC/Caras 2012: nomeadas a Melhor Actriz

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Anabela Moreira, Sangue do Meu Sangue
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Beatriz Batarda, Cisne
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Maria de Medeiros, Viagem a Portugal
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Rita Blanco, Sangue do Meu Sangue
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Shortcutz Faro

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A 1 de Junho inicia-se mais uma edição do Shortcutz, desta vez em Faro com sessões regulares todas as sextas-feiras. É com muita honra e orgulho que anuncio ser um dos júris das curtas-metragens em competição.
Para mais informações sobre como participar neste evento, podem sempre consultar o regulamento no blog oficial que se encontra aqui bem como na coluna à direita sob na secção de parcerias do CinEuphoria.
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Day 1000 (2010)

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Dia 1000 de Alex Calleros é uma curta-metragem de ficção que decorre numa cabana isolada nas montanhas onde há 1000 dias se encontra David (Dan Beckner), onde se refugiou após o aparecimento de uma qualquer epidemia que devastou as grandes cidades, completamente sózinho... até agora.
Neste dia 1000 David encontra Claire (Adele Watkin) dentro da sua casa e consegue finalmente estabelecer uma conversa com outra pessoa, algo que não acontecia desde que os seus pais saíram daquela cabana à procura de outros sobreviventes.
Interessante pelo clima de tensão e desespero que consegue recriar, principalmente nos minutos iniciais onde nos é apresentado David e o seu sentimento de isolamento e solidão que sente que culminam no exacto oposto quando percebe que iria ter uma companhia com quem dividir a casa.
A única falha maior que lhe posso apontar prende-se com o facto de não ser explorado mais o que originou a epidemia ou quais os efeitos reais que teve junto da população e não ter uma maior duração que relatasse as provações com que aquelas duas pessoas já teriam de ultrapassar. Exceptuando isto, esta curta funciona bem e consegue transmitir no essencial os sentimentos de desespero e solidão.
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7 / 10
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Donna Summer

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1948 - 2012
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Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Beowulf & Grendel (2005)

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Beowulf & Grendel - A Lenda dos Vikings de Sturla Gunnarsson tem dois argumentos de peso que nos fazem considerar vê-lo. Um deles é o facto de se basear nos contos mitológicos nórdicos que num misto de fantasia e de lenda são de imediato bons temas para dar em filme épico. O outro é a presença de um dos actores mais requisitados do momento como é o caso de Gerald Butler.
Depois de um ataque por puro medo e vontade de controlar um vasto território que correu mal, o jovem Grendel cresce separado do normal contacto com as outras pessoas e com o sentido desejo de vingança para com todos aqueles que mataram injustamente o seu pai.
É então chamado por Hrothgar (Stellan Skarsgard) chama para defesa do seu povo o mítico herói Beowulf (Gerald Butler) que irá assim travar uma batalha com um inimigo que não conhece e que não percebe os motivos que o levam a atacar tão pacífica comunidade.
Os segredos que envolvem todo aquele povo só irão, a seu tempo, ser descobertos à medida que Beowulf questiona a passividade de Grendel para consigo quando todos o apontam como o causador de tanta violência.
Se é verdade que este filme tem uma dupla de actores protagonistas que já dão cartas em qualquer filme em que são anunciados, aqui as expectativas não poderiam ser menores, afinal de contas estamos a falar de uma produção que envolve História e mitologia, batalhas, a sede de justiça e vingança e, acima de tudo, uma história onde a honra se sobrepõe a tudo e todos, não é no entanto menos verdade que muitas dessas nossas expectativas acabam por não ser satisfeitas com aquilo que este filme nos oferece na prática.
As interpretações do conjunto de actores não denotam qualquer química entre si. Cada um puxa para seu lado e no final temos vários actores, em vários momentos cada um deles quase que a interpretar um filme diferente dos outros, tornando inexistente uma potencial química entre eles.
Assim aquilo que acaba por se tornar positivo neste filme, ainda que não suficiente para o tornar algo francamente apelativo (mesmo para os apreciadores do género), são os vários aspectos técnicos nomeadamente a fotografia que transforma o local num sítio pouco convidativo e com um ambiente claramente sinistro e a caracterização dos actores que, essa sim, se afirma como um dos maiores trunfos do mesmo.
Não que desiluda na totalidade, seria aliás injusto dizê-lo, mas é certo que este filme não nos consegue cativar no seu todo mesmo com o extremo potencial épico que tem e que não é devidamente aproveitado. Durante algum tempo prende-nos ao ecrã e consegue fazer-nos esperar por mais, no entanto, por não desenvolver correctamente a história e as personagens acaba por se tornar extenso demais e sem aquele "fogo" que esperamos da sua execução.
Interessante mas não bom, com algum potencial mas longe de ser memorável, ainda não foi desta que a lenda de Beowulf saiu devidamente dignificada.
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5 / 10
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Caçadores da Noite (2012)

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Caçadores da Noite de Zé Luís Rebel é uma curta-metragem de ficção que nos tenta confundir, e levantar a dúvida, sobre a próxima relação existente entre o mundo real e o mundo dos sonhos. Até onde é que um se distingue do outro e em que medida aquilo que sonhamos pode ser, ou não, um reflexo do passado ou um olhar sobre o futuro.
Enquanto uma rapariga fala com o seu psicólogo sobre os seus mais recentes e frequente pesadelos, assistimos a uma reconstituição que nos transporta para os mesmos dando-nos uma clara ideia sobre aquele que é o seu sufoco nocturno diário.
Num relato que se confunde facilmente com a realidade, tornando por vezes difícil perceber se se trata apenas de um sonho ou se realmente algo mais se passa com aquela rapariga (notemos no detalhe da chávena de chá tanto de uma estranha e muito suspeita estalajadeira como do psicólogo serem exactamente as mesmas), percebemos que o medo e o pânico se instalaram facilmente na sua vida, mais não fosse pelo facto dos seus eternos perseguidores procurarem algo que é uma trágica realidade como é o caso do tráfico de orgãos.
Além do seu interessante argumento que nos coloca num constante estado de suspense à espera de ver e perceber qual é de facto a "realidade" que atormenta aquela rapariga, e de uma bem executada trabalho de fotografia que nos priva de muita cor e luz tornando assim o meio envolvente tão frio como o ambiente atmosférico, algo que torna esta curta-metragem diferente é o facto de ser interpretada em linguagem gestual, abdicando assim da necessidade de ser sonorizada. Ao sermos confrontados com uma história onde estamos obrigatoriamente privados de um dos nossos sentidos, percebemos o quão difícil será poder identificar correctamente de que parte nos chega o perigo. Ele pode estar imediatamente atrás de nós que... nem damos por ele.
Interessante, tensa e que nos coloca num constante estado de incerteza esta é uma curta-metragem a não perder.
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7 / 10
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Nascimento de uma Garrafa (2011)

Nascimento de uma Garrafa de Pedro Horta e Filipa Gouveia é uma curta-metragem publicitária onde depois de uma semente cair de uma árvore e dar origem a uma nova... garrafa, assistimos ao seu percurso a partir desse nascimento até ao seu uso e consequente quebra, naquilo que podemos antever como sendo o ciclo natural da (sua) vida. Tão dignificada está esta sua vida como o próprio meio onde ela a passou num misto de requinte e de nobreza onde o seu trato é o mais cuidado possível.
Gostei particularmente dos efeitos de reconstrução pós-quebra da garrafa e também do pequeno detalhe de desenho do copo que depois quase que num passe de magia também ele nasce a partir do mesmo. Abundante em criatividade esta é uma curta publicitária imaginativa e com uma "pitada" de fantástico à mistura.
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6 / 10
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Sábado, 12 de Maio de 2012

Anquanto la Lhéngua fur Cantada (2012)

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Anquanto la Lhéngua fur Cantada de João Botelho é o primeiro filme português feito em mirandês, a segunda língua oficial do país e, só por isso, já é merecedor de atenção.
Este documentário, filmado em Miranda do Douro, mostra-nos um pouco não só da língua (uma vez que é falado na íntegra em mirandês), mas transporta-nos também para algumas tradições e hábitos culturais daquela localidade, através de uma curiosa particularidade... a música.
As canções presentes neste filme, cantadas pela actriz Catarina Wallenstein que percorre a região ao som do acordeão de Gabriel Gomes, ilustram-nos na prática esses mesmos hábitos que passam desde simples confraternizações entre os seus habitantes como também os costumes em determinados acontecimentos ou dos ritos diários que aquela população tem.
Ambos percorrem as paisagens, os locais, as populações, aquilo que eles fazem, pensam e dizem dos seus próprios costumes, e sempre na companhia de Atenor, um burro mirandês tão característico da localidade e um elemento indispensável de muitas das tarefas e actividades que caracterizam a própria região.
Àparte do conhecimento que este documentário nos transmite, aquilo em que acho ser um franco vencedor foi a capacidade que conseguiu alcançar em transmitir à população de Portugal, ou pelo menos àqueles que se dignaram a vê-lo, uma sua segunda língua que é na prática algo completamente desconhecido. À semelhança do que acontece em outros países, lembro-me agora concretamente do caso suíço, é uma pena que nas escolas esta língua não seja desde o início ensinada às crianças. Não só lhes fornece um novo conhecimento e instrumento de trabalho como também o dinamiza e, como consequência, impede a sua perda com o passar dos anos. Respeito esse pela língua que me fez não colocar o título em português logo no início deste comentário como é habitual em todos os filmes que aqui comento mas sim mantê-lo no original. Afinal, se o mirandês é uma língua de Portugal não está em detrimento ao português (ou pelo menos não deveria).
Não sendo uma obra máxima do cinema português não deixa no entanto de ser um interessante e original filme que só não irá abrir portas para uma continuidade no registo linguístico por nos encontrarmos em Portugal, país que continua a ter uma séria aversão a tudo o que é cultural. Ainda assim, deixo o forte aplauso ao realizador João Botelho por ter arriscado fazer um filme diferente do qual saiu claramente vencedor.
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7 / 10
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

Bernardo Sassetti

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1970 - 2012
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Zombie Apocalypse (2011)

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Apocalipse Zombie de Nick Lyon é mais uma longa-metragem, neste caso feita para a televisão, sobre a já extensa temática de final do mundo como o conhecemos que dá lugar a um planeta infestado de zombies.
Numa história que se inicia com relatos dos tráficos acontecimentos que devastaram a Europa, rapidamente damos por nós nos Estados Unidos a acompanhar um grupo de sobreviventes que procura um refúgio seguro na California, onde poderão assim escapar dos perigosos zombies e reconstruir as suas vidas em paz e harmonia, mesmo sabendo que muitos daqueles que outrora conheceram já não se encontram com vida... ou pelo menos não com uma vida natural.
Muito semelhante à maioria dos demais filmes da temática zombie, este telefilme não apresenta grandes factores que o diferenciem ou que o tornem um marco na área, à excepção de conseguir reunir um actor mais mediático do que a maioria como é o caso de Ving Rhames.
Novidades, talvez não muito mas as mais significativas, prendem-se com o facto destes zombies conseguirem ser um pouco mais inteligentes do que o habitual, não se limitando apenas a deambular pelas ruas à procura do próximo naco de carne, e por pela primeira vez (tanto quanto me lembre), a epidemia ser transmitida também aos animais, se bem que depois na prática a execução destes como zombies não seja de todo a melhor.
A caracterização dos mortos-vivos apesar de ser um dos pontos fortes do filme não é, nem de longe, um dos melhores comparando com outros filmes do género, sendo que em diversas situações se nota claramente a presença de uma máscara que não está muito bem executada.
Interessante enquanto filme do género não é no entanto um dos melhores mas, ainda assim, consegue deixar por alguns momentos aquela sensação de tensão e provocar alguns sustos em boas doses.
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3 / 10
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Moneyball (2011)

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Moneyball - Jogada de Risco de Bennett Miller antecipava-se como o filme perfeito para os Oscars. Realizado pelo mesmo homem que já tinha dirigido o conhecido Capote, com a interpretação principal de Brad Pitt e com Philip Seymour Hoffman num desempenho secundário, com argumento de Aaron Sorkin e Steven Zaillian sobre uma história real que tem como pano de fundo o baseball, nada menos do que várias nomeações a Oscars se poderia esperar.
E confirmou-se, este filme sobre a história verdadeira de Billy Beane (Brad Pitt), o director geral de uma equipa de baseball que tenta reunir a equipa perfeita através de análises geradas por computador, foi o receptor de seis nomeações para as tão cobiçadas estatuetas douradas, entre as quais se encontrava a nomeação para melhor filme, actor para Brad Pitt e actor secundário para Jonah Hill.
No entanto, esta história que tem pouco de baseball e muito sobre a perseverança de um homem em alcançar os seus objectivos e um lugar próprio no meio em que "co-habita" não conseguiu recolher nenhuma das estatuetas para que está nomeado.
O argumento dos já Oscarizados Steven Zaillian e Aaron Sorkin é feliz na medida em que foge ao tradicional filme de baseball, em que uma velha glória do desporto afastado das luzes da ribalta, faz o seu glorioso regresso. Aqui, por sua vez, temos sim um homem que poderia ter sido, no seu tempo, o maior no desporto em questão mas que, por alguma falta de vocação, não atingiu a plenitude desapontando todas as expectativas que nele haviam sido depositadas.
Assim, em vez da grandeza de um desporto que move multidões e que enquanto dura une milhares, temos sim a história de um homem que se manteve sempre à margem do estrelato, do protagonismo e das grandes confusões que o desporto envolve, lançando-se nos seus bastidores e na aspiração de aí sim poder ser grande... sem, no entanto, o conseguir ser alguma vez (pelo menos até à realização deste filme que projectou o seu nome para todas as salas de cinema possíveis e imaginárias, muito também graças ao actor que o interpreta).
E eis que chegamos a Brad Pitt, no filme que lhe valeu duas nomeações ao Oscar. Uma enquanto produtor do filme e outra, a sua terceira, como intérprete. Muito longe de uma das suas melhores interpretações (lembro-me de repente de O Estranho Caso de Benjamin Button, Sete Pecados Mortais ou Conhece Joe Black?), Pitt consegue aqui ter uma sentida interpretação de um homem que perdeu ou nunca atingiu os seus sonhos. Desde o início, já antes de ver este filme e de esperar outra coisa dele, defendi que não seria aquele pelo qual iria finalmente vencer a estatueta dourada. Como fã que sou, prefiro que vença num filme realmente bom e não num daqueles filmes que apela sentimentalmente ao coração dos americanos. E estou certo que esse grande filme (mais um) irá chegar brevemente.
Nem Jonah Hill, também ele nomeado mas na categoria de secundário, nem tão pouco Philip Seymour Hoffman são detentores de grandes interpretações... o primeiro longe de uma graça que já teve e o segundo longe de um protagonismo que nunca conseguiu realmente alcançar, limitam-se neste filme a desfilar durante breves instantes pelo ecrã apenas e só para suportar alguns dos momentos tidos por Brad Pitt.
Extraordinária sim é a banda-sonora da autoria de Mychael Danna que tarda mas aparece em todo o seu esplendor. A sua composição aclara-nos as ideias que temos de Billy Beane... um homem a meio caminho de todo o seu potencial... um homem que com as intenções certas nunca chegou a cumprir os seus verdadeiros objectivos mantendo-se sempre num segundo plano e na penumbra.
Longe de ser um filme memorável ou um daqueles que ficará para sempre nas galerias da fama da sétima arte, este Moneyball consegue ser um filme interessante se considerarmos que nos dá uma perspectiva sobre os sonhos que não se cumprem mas que, ainda assim, fazem mover as vontades de um Homem.
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"Billy Beane: I hate losing more than I even wanna win."
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7 / 10
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Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Albert Nobbs (2011)

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Albert Nobbs de Rodrigo García é aquele filme que podemos apelidar do coração para Glenn Close, a sua actriz principal que além do interpretar escreveu a adaptação, produziu e do qual detinha os direitos há já trinta anos.
Glenn Close, nesta interpretação que lhe valeu a sexta nomeação a um Oscar, dá corpo e alma a Albert Nobbs, numa Irlanda do século XIX onde as mulheres não são de forma alguma encorajadas a ter uma vida independente. Assim, Albert trabalha enquanto homem e mordomo num dos hóteis mais requisitados de Dublin garantindo assim a sua sobrevivência e subsistência mesmo que para isso tenha de ocultar de todos a sua verdadeira identidade.
Tudo muda para Albert quando chega ao hotel Hubert Page (Janet McTeer), um pintor com os seus próprios segredos e que lhe irá mostrar as alternativas que poderá ter para encarar a sua vida, e a sua própria existência, com outros olhos.
Este extraordinário filme assenta essencialmente na já referia interpretação de Glenn Close. Repleta de um humanismo extremo que assenta na vontade de sobrevivência e de uma dignidade que, apesar de escondida não está esquecida, sente-se perfeitamente que Glenn Close tem um fogo e um carisma inatos que fazem desta uma das suas mais fortes e dedicadas interpretações não dos últimos anos mas de toda uma carreira. A sua composição enquanto Albert Nobbs é profundamente sentida e genuína. Através do seu olhar sentimos uma clara convicção que todo aquele medo, esperança e determinação se encontram por detrás daquele olhar tão receptivo a um mundo novo ao qual sente não ter direito devido à sociedade em que se encontra, mas que anseia com ainda mais convicção. Esta sua interpretação que lhe valeu nomeações para todos os prémios da última temporada, inclusivé ao Oscar que não venceu, não deixa se ser não só uma das suas mais fortes como uma das mais firmes de todo o último ano. Glenn Close regressou ao cinema, e regressou em força (espero que para continuar).
O mesmo se pode dizer da comovente interpretação de Janet McTeer que não estava com tanto protagonismo desde o seu Tumbleweeds, e que enquanto Hubert Page nos revela uns revigorantes e profundamente dramáticos momentos cinematográficos também eles carregados de um profundo humanismo.
Close e McTeer formam sem qualquer margem para dúvidas uma dupla forte e resistente que nos conseguem cativar desde o primeiro instante em que as vemos, e prova disso são as diversas reacções que temos aos seus momentos, às suas descobertas e ao seu espanto perante o mundo em que vivem e à condição a que são remetidas para poderem sobreviver. Nós estamos ali, lado a lado, a esperar que tudo lhes corra pelo melhor.
Como todo o filme de época, este Albert Nobbs não foge a certas "regras" de excelência que este género tem como é por exemplo o caso da caracterização que fora inclusivamente nomeada para Oscar e que transformam literalmente Glenn Close num homem, ou do extraordinário e rigoroso guarda-roupa de Pierre-Yves Gayraud, ou ainda a magnífica fotografia da autoria de Michael McDonough, tão carregada como o próprio ambiente austero que se vivia na época como pela própria questão da ocultação de identidade.
Identidade esta que acaba por ser a grande questão do filme. Para além da homossexualidade feminina que esta história acaba por abordar, num país onde a mulher era considerada uma propriedade dos homens com quem casavam, é a luta pela própria identidade e a luta por uma valorização de Direitos pessoais dos quais nem sequer se arriscava falar, que este filme retrata. Uma luta que, no caso das mulheres, levou ainda largas e largas dezenas de anos a travar até à sua plena igualdade para com os homens. Luta esta que levava não só à sua independência como, acima de tudo, ao seu reconhecimento enquanto géneros iguais.
Se esta luta pudesse ter uma entre tantas histórias, essa poderia muito facilmente ser a de Albert Nobbs que, a certa ponto quando questionado (questionada) sobre o sua verdadeira identidade e nome... outro não tinha senão... Albert.
Bem-vinda de volta Glenn Close... e assim que fiques cá por muitos e bons anos.
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8 / 10
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Contagion (2011)

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Contágio de Steven Soderbergh é um intenso thriller que equaciona a possibilidade de uma pandemia a nível global da qual não existe qualquer conhecimento e para a qual não existe qualquer vacina ou cura.
Depois de uma visita a Hong Kong onde é infectada com este novo vírus, Beth (Gwyneth Paltrow) regressa aos Estados Unidos onde revela sérios sintomas da doença. Depois dos primeiros sinais que a levam a uma morte prematura, um pouco por todo o mundo começam a fazer-se sentir os mesmos efeitos deste vírus que em poucas horas não só infecta como leva à morte os seus portadores.
Quando por dia tocamos em todo o tipo de objectos que milhares de outras pessoas já tocaram e quando levamos as mãos à cara centenas de vezes ao dia, ninguém está imune ao contágio de um vírus fatal. É então que um grupo de médicos onde se destacam Ellis Cheever (Laurence Fishburne), Leonora Orantes (Marion Cotillard) e Erin Mears (Kate Winslet), percorrem o mundo em busca não só do início deste contágio como de uma vacina que o possa curar e impedir o aumento exponencial de mortes que se registam por todo o lado.
Com um elenco multi-nomeado e premiado em várias edições dos Oscars, não é aqui que este filme se destaca. Todos os actores formam um sólido elenco onde além de não estarem presentes no ecrã ao mesmo tempo, ninguém se atropela dividindo o protagonismo em iguais "doses". Este filme destaca-se sim, e muito bem, pelo seu argumento que pressupõe algo que é bem mais possível de acontecer do que aquilo que nós queremos pensar. A difusão de um vírus a nível global que apesar de ter o seu início numa parte muito específica do globo pode, em poucas horas, estar em diversos países pelos cinco continentes espalhando assim não só o risco de contágio como o de sofrer mutações que podem propagar a morte por milhares ou até mesmo milhões.
Como li algures na altura que este filme estreou, se alguém ao ver este filme fica indiferente ao ouvir alguém a tossir ou a espirrar, então é porque não percebe realmente os reais perigos que uma pandemia pode originar. E isto sim, é francamente assustador. Como a personagem interpretada por Laurence Fishburne diz pelo filme "para quê preocupar-se com alguém a criar armas de destruição massiva quando os pássaros são suficientes para o fazer", referindo-se claramente à sua condição de portadores de um vírus que podem a qualquer momento espalhar numa outra parte distinta do globo terrestre.
Ainda com as interpretações de Matt Damon e Jude Law, este filme não nos provoca tanto o sentimentalismo dramático da perda dos entes queridos, mas sim o sentimento de medo por algo que aqui está ficcionado poder ser uma trágica realidade com a proliferação de tantos e tantos vírus que, felizmente, têm sido controlados à medida que têm aparecido.
Muito eficaz enquanto thriller e assustador enquando um "terror" real, bastando para isto vermos as assustadoras imagens de cidades povoadas por milhões que, de um dia para o outro se encontram desertas não devido à fuga da sua população mas sim à elevada taxa de mortalidade que um vírus desta magnitude poderia provocar.
Intenso e com uma banda-sonora de Cliff Martinez muito adequada para aumentar a tensão que o espectador sente, este filme consegue vencer pelo clima de medo que nos pode provocar quando assistimos nas notícias à emergência de uma nova estirpe de vírus que ninguém conhece ou sabe de onde veio.
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"Dr. Ellis Cheever: Someone doesn't have to weaponize the bird flu.The birds are doing that."
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8 / 10
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Domingo, 6 de Maio de 2012

A Teia de Gelo (2012)

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A Teia de Gelo de Nicolau Breyner foi a segunda incursão deste actor na realização e contou com um grupo de actores de nível como Margarida Marinho, Nuno Melo, Elisa Lisboa e Diogo Morgado e ainda com as interpretações secundárias de Paula Lobo Antunes, Pedro Giestas, Patrícia Tavares, Sandra Cóias, Vítor Gonçalves e do próprio Nicolau Breyner.
Jorge (Morgado) realiza o desfalque da sua vida ao seu próprio patrão (Nicolau Breyner) e tenta escapar para ir ter com a sua namorada. Ao chegar a Portugal vindo de São Tomé, Jorge é descoberto e ameaçado pelo patrão que lhe diz ter 24 horas para devolver todo o dinheiro ou a sua namorada será morta pelos raptores.
No meio de uma arriscada tentativa de a salvar Jorge, perseguido pelos raptores, tem um acidente no meio de uma serra e perde-se no meio da serra. Depois de uma desesperante caminhada no meio de uma tempestade chega a uma estranha casa habitada por Verónica (Marinho), pela sua filha Madalena (Antunes) e pelos empregados Hugo (Melo), Mariana (Lisboa) e Estela (Tavares).
O ambiente naquela casa sente-se muito cortante e claustrofóbico. Percebemos que algo não está realmente bem. Nem tão pouco normal. As insinuações que Jorge sente por parte daquele grupo de estranhas pessoas fazem-no sentir, e perceber, que algo de estranho e errado ensombra aquela casa.
As minhas suspeitas para com esta nova incursão de Nicolau Breyner na realização eram muitas. De facto, há que ser honesto, eram quase a 100%, e apenas superadas por poder ver a Margarida Marinho e o Nuno Melo num novo filme.
E realmente as reservas que tinha quanto a este filme confirmaram-se. O argumento, assinado por João Nunes e pelo próprio Nicolau Breyner, têm mais falhas do que uma qualquer estrada nacional portuguesa. O primeiro, longo e demorado segmento do filme em que assistimos a todo o desfalque que Jorge efectua, a sua vinda para Portugal onde é perseguido por alguém de mota que nunca mais vemos durante todo o filme acabando por não perceber porque motivo algum o perseguiu até ao aeroporto se depois nada mais se fez acabam por ser momentos perfeitamente desnecessários. Uma introdução destas seria muito mais eficaz com menos uns quantos minutos.
E as falhas não se ficam por aqui... deduções quase ilógicas de quem são os raptores... estes que saem de um hotel já armados não causando qualquer tipo de reacção numa recepcionista que se encontra a escassos metros de distância... da namorada de Jorge nunca mais sabemos (possivelmente ainda está fechada naquele quarto de hotel), uma tempestade numa serra onde não se encontra uma árvore a mexer... telemóveis que não têm rede... até um deles tocar, fazem parte de uma longa, muito longa, lista de incongruências que passam por nós a um ritmo bem acelerado. E elas não ficam por aqui...
Quanto aos actores, que aqui temos um grupo do que de melhor há, temos interpretações contidas e muito pouco aproveitadas. Margarida Marinho, de quem sou um fã incondicional e sobre quem afirmo sem qualquer reserva ser uma das melhores actrizes portuguesas, temos uma interpretação quase apagada e sem o "fogo" que lhe é habitual. A sua "Verónica", matriarca de uma estranha família dona de um casarão perdido no meio de nenhures apenas consegue ser convincente pelo clima de desconfiança que cria, e que nos faz aguardar a qualquer momento uma explosão de loucura... que infelizmente nunca chega.
O mesmo digo de Nuno Melo, que também sobre ele afirmo ser um dos melhores actores portugueses, temos aqui uma personagem remetida a uma prestação secundária, dentro dos secundários, e que passa completamente "anónimo" num filme cujo argumento tinha potencial para ele ter uma forte e bem firme interpretação.
A única das interpretações que consegue ser marcante é a de Elisa Lisboa, que apesar de repetir um pouco a sua prestação de Coisa Ruim, consegue ainda assim ser aquela que se torna mais sinistra e assustadora sem que para isso muito contribua.
Todos os demais actores quase que se limitam a deambular pelo ecrã num conjunto de momentos isolados e sem grande nexo com o único propósito de criar um ambiente sinistro que, felizmente em muitos momentos, resulta mas que se perde no meio de tanta disparidade a que se assiste.
E este é sim o elemento mais forte do filme. Esqueçamos por momentos tudo o que se passa antes do "Jorge" de Diogo Morgado entrar naquela casa. Façamos de conta que nada existe... o clima recriado dentro daquelas paredes consegue ser claustrofóbico, tenso, muito denso e por vezes cria algum desconforto se pensarmos que por detrás de tanta porta pode estar realmente um "diabo à espreita". No entanto muito pouco deste clima é aproveitado para dar uma reviravolta ao argumento e conquistar-nos pelo medo. Em vários momentos, na realidade em praticamente todos, o filme perde-se. Perde-se não pela falta de qualidade dos seus actores nem tão pouco pelo potencial que a história tem, mas sim pela vontade de filmar vários momentos que nunca encontram uma união ficando a todo o momento soltos.
Outro dos momentos, não direi maus mas sim péssimos que este filme tem, é a sua banda-sonora. Já se torna perfeitamente agonizante passar todo um filme com música de fundo (qual elevador...), como quando o clima se encontra no mais sinistro e no preâmbulo de uma cena escaldante... eis que entra Áurea e a sua música apalhaçando, literalmente falando, o momento que se queria sinistro. Por momentos lembrei-me de uma série portuguesa chamada Não És Homem Não És Nada que a RTP passou há alguns anos onde um brilhante Licínio França entrava nos momentos mais inoportunos a cantar temas de décadas passadas. A diferença é que aí a comédia funcionava na perfeição e aqui parece que assistimos a algo de muito decadente e perturbador.
Dito isto, este estará longe de ser um bom exemplo do que melhor se faz em cinema. Cria alguns interessantes momentos que não são aproveitados como poderiam ter sido, nem tão pouco faz justiça ao talento dos actores que lhe dão rosto.
Quanto ao Nicolau Breyner, e digo isto com muito respeito, mantenha-se pela representação onde sempre revelou ser alguém com um potencial muito grande tanto na comédia como no drama, porque pela realização... temos o que temos...
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3 / 10
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Sábado, 5 de Maio de 2012

Body Armour (2007)

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Escolta de Risco de Gerry Lively conta com a interpretação de Til Schweiger, Chazz Palminteri e Lluís Homar nesta que é uma co-produção entre vários países e que se desenrola na sua maioria em Barcelona.
John Ridley (Schweiger) é um guarda-costas profissional que cai em desgraça quando a sua última missão fracassa e ele perde não só colegas como as pessoas que havia jurada defender, note-se a "curiosidade" de ser uma candidata à Presidência dos Estados Unidos que mais parece uma pessoa bastante tempestiva e com sérias desordens psicológicas.
Tempos depois Ridley, já afastado do seu próprio meio, é contratado para voltar ao activo e defender um informador que detém importante informação. Aquilo que Ridley não sabia é que este homem é Lee Maxwell (Palminteri), aquele que lhe havia destruído a vida e que ele deixou escapar.
O dilema entre defendê-lo ou deixá-lo sucumbir às mãos daqueles que agora o procuram atinge Ridley desde o primeiro instante. Será quando ambos se vêem perseguidos pelos mesmos homens que irão finalmente trabalhar em conjunto e defender as suas próprias vidas?
Todos nós já sabemos que um filme com o Til Schweiger corre sérios riscos de resvalar numa qualquer amálgama desinteressante onde as frases feitas, os lugares comuns, os clichés e muita pancadaria e tiros à mistura serão os elementos fundamentais e que dão alguma coerência (dão?) ao mesmo. No entanto, aquilo que ao mesmo tempo todos nós acabamos por esperar é que um destes filmes consiga ser interessante o suficiente num desses aspectos. Como os clichés e frases feitas não trazem nada de novo, acabamos por esperar que seja no lado da acção e da pancadaria que se consigam encontrar alguns momentos que nos façam passar o tempo com alguma "adrenalina".
Tudo isto é muito bonito de se dizer mas, na prática (que é como quem diz no nosso subconsciente), sabemos perfeitamente que nada disto vai acontecer e que nos espera mais uma hora e meia de mau cinema. O pior é que se por um lado o esperamos por outro desesperamos por ver alguns actores, nomeadamente Palminteri e Lluís Homar a participarem tão activamente neste conjunto de minutos sem qualquer nexo possível.
A história resume-se (muito resumidamente) a um conjunto de tiros, perseguições e fugas mais ou menos absurdas que todos nós acabamos por desejar nunca ver num filme (mas que acabamos infelizmente por ver), e de resto esperamos que nenhum dos actores caia demasiadamente no ridículo (o que por vezes acontece). De resto não temos absolutamente nada de novo, nem sequer as típicas graçolas que dão alguma luz a este género... aqui, nem isso. À excepção de um ou outro momento, que graças ao absurdo nos animam, este filme consegue ser mau o suficiente para o considerar tóxico, corrosivo e capaz de provocar sérios danos à saúde de qualquer um de nós que seja apanhado desprevenido.
Para que é que serve (na prática)? Para absolutamente nada além de nos ocupar algum tempinho das nossas vidas.
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2 / 10
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

David di Donatello 2012: vencedores

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Filme: Cesare Deve Morire, de Grazia Volpi (produtora) e Paolo Taviani e Vittorio Taviani (reals.)
Produtor: Grazia Volpi, Cesare Deve Morire
Actor: Michel Piccoli, Habemus Papam
Actriz: Zhao Tao, Io Sono Li
Actor Secundário: Pierfrancesco Favino, Romanzo di una Strage
Actriz Secundária: Michela Cescon, Romanzo di una Strage
Realizador: Paolo Taviani e Vittorio Taviani, Cesare Deve Morire
Realizador Revelação: Francesco Bruni, Scialla! (Stai Sereno)
Argumento: Paolo Sorrentino e Umberto Contarello, This Must Be the Place
Fotografia: Luca Bigazzi, This Must Be the Place
Música: David Byrne, This Must Be the Place
Canção: "If it Falls, It Falls", de David Byrne (música), Will Oldham (letra) e Michael Brunnock (intérprete), This Must Be the Place
Direcção Artística: Paola Bizzarri, Habemus Papam
Guarda-Roupa: Lina Nerli Taviani, Habemus Papam
Caracterização: Luisa Abel, This Must Be the Place
Design/Estilo de Cabelo: Kim Santantonio, This Must Be the Place
Montagem: Roberto Perpignani, Cesare Deve Morire
Som: Benito Alchimede e Brando Mosca, Cesare Deve Morire
Efeitos Especiais Visuais: Stefano Marinoni e Paola Trisoglio, Romanzo di una Strage
Filme da União Europeia: Tellement Proches, de Olivier Nakache e Eric Toledano (França)
Filme Estrangeiro: Jodaeiye Nader az Simin, de Asghar Farhadi (Irão)
Documentário: Tahrir Liberation Square, de Stefano Savona
Curta-Metragem: Dell'Ammazzare il Maiale, de Simone Massi
David Giovani: Scialla! (Stai Sereno), de Francesco Bruni
David Speciale: Liliana Cavani
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David di Donatello 2012: Filme

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Grazia Volpi (produtora)
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Paolo Taviani
Vittorio Taviani
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(realizadores)
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Realizador

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Paolo Taviani
Vittorio Taviani
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Realizador Revelação

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Francesco Bruni
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Scialla! (Stai Sereno)
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David di Donatello 2012: Argumento

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Paolo Sorrentino
Umberto Contarello
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Produtor

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Grazia Volpi
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Actriz

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Zhao Tao
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Io Sono Li
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David di Donatello 2012: Actor

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Michel Piccoli
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Habemus Papam
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David di Donatello 2012: Actriz Secundária

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Michela Cescon
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Romanzo di una Strage
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David di Donatello 2012: Actor Secundário

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Pierfrancesco Favino
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Romanzo di una Strage
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David di Donatello 2012: Fotografia

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Luca Bigazzi
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Música

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David Byrne
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Canção Original

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"IF IT FALLS, IT FALLS"
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David BYRNE (música)
Will OLDHAM (texto)
Michael BRUNNOCK (intérprete)
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Direcção Artística

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Paola Bizzarri
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Habemus Papam
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David di Donatello 2012: Guarda-Roupa

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Lina Nerli Taviani
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Habemus Papam
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David di Donatello 2012: Caracterização

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Luisa Abel
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Design/Estilo de Cabelo

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Kim Santantonio
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This Must Be the Place
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David di Donatello 2012: Montagem

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Roberto Perpignani
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Som

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Benito Alchimede
Brando Mosca
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Cesare Deve Morire
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David di Donatello 2012: Efeitos Especiais Visuais

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Stefano Marinoni
Paola Trisoglio
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Romanzo di una Strage
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David di Donatello 2012: Filme da União Europeia

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Tellement Proches (França)
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Olivier Nakache
Eric Toledano
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David di Donatello 2012: Filme Estrangeiro

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Jodaeiye Nader az Simin (Irão)
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Asghar Farhadi
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David di Donatello 2012: Documentário

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Tahrir Liberation Square
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Stefano Savona
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David di Donatello 2012: Curta-Metragem

Dell'Ammazzare il Maiale
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Simone Massi
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David di Donatello 2012: David Giovani

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Scialla! (Stai Sereno)
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Francesco Bruni
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David di Donatello 2012: David Speciale

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Liliana Cavani
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Alegoria dos Sentidos (2010)

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Alegoria dos Sentidos de Nelson de Castro e Wilson Pereira é uma curta-metragem de ficção que nos conta a história de Catarina (Mafalda Figueiredo), uma menina cega que enfrenta e obtém uma percepção do mundo através da sua boneca que, para ela, consegue através dos diversos sentidos, ser a sua ligação com o mundo que a rodeia.
Filmado naquele que é um dos lugares mais emblemáticos de Sintra, os jardins de Monserrate (que também já haviam sido escolhidos em tempos para a mini-série As Viagens de Gulliver), esta curta-metragem cria uma perfeita atmosfera de um mundo paralelo e de fantasia que resulta maravilhosamente. Tudo desde o local em si, a fotografia que nos faz recorrer de imediato a um lugar imaginado e o próprio guarda-roupa muito característico deste estilo de filme.
Ainda com as interpretações de João Villas-Boas e de Suzana Borges (que tanta falta faz ao nosso cinema), esta curta-metragem consegue recriar um interessante ambiente visual pouco comum no panorama nacional e só por isso já merece a devida atenção.
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5 / 10
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Assim Assim (2012)

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Assim Assim de Sérgio Graciano é a longa que sucede a curta-metragem vencedora do primeiro Shortcutz Lisboa e que agora estreia já com uma extensa legião de fãs.
A história deste filme segue a mesma linha da curta-metragem já aqui comentada no CinEuphoria, onde assistimos a um conjunto de conversas entre amigos sobre a descoberta do amor e as relações. O filme começa, aliás, com a curta-metragem e parte depois para um outro conjunto de personagens que, em muitos casos, estão ligadas entre si.
Assim, depois de assistirmos à divertida e desafiante conversa entre Miguel (Ivo Canelas) e Duarte (Joaquim Horta), onde o primeiro revela a descoberta do verdadeiro amor, temos um novo conjunto de personagens com as suas alegrias, tristezas e muitas (des)ilusões sobre as suas vidas sentimentais.
Perto delas encontram-se Margarida (Isabel Abreu) e Fred (Albano Jerónimo) que têm exactamente o mesmo tipo de conversa sobre a recente relação de Margarida. A semelhança entre as histórias é tanta que pensamos que Miguel e Margarida estão de facto feitos um para o outro.
Muitos são os momentos de surpresa ou de angústia que estas diversas personagens têm. Algumas mais previsíveis que outras mas no fundo todas elas acabam por revelar aquilo que a vida é... uma surpresa. Relações que se iniciam... outras que terminam... comportamentos imprevistos por parte daqueles com quem se passa uma vida ou até mesmo relações de dependência doentia onde num casal um se anula constantemente. Medo, riso, desabafos e (in)denpendência... tudo se encontra nas diversas histórias que cruzam o nosso ecrã.
Tal como já havia referido na curta-metragem, além de um argumento brilhantemente elaborado por Pedro Lopes que nos faz simpatizar e identificar com alguns daqueles dilemas ao mesmo tempo que nos damos conta que tantos outros daqueles momentos nos são familiares através de um ou outro amigo, outro dos elementos dos quais este filme se pode "orgulhosamente orgulhar", é o seu extenso e intocável elenco
Ao já referido brilhante quarteto Ivo Canelas, Joaquim Horta, Isabel Abreu e Albano Jerónimo, juntamos outro grande conjunto de actores bem conhecido do grande público onde se destacam Cleia Almeida e Sabri Lucas, numa relação que aparenta poder romper a qualquer momento. Tomás Alves e Gonçalo Waddington, numa relação homossexual que pelo que percebemos se manteve de pé graças à constante humilhação do primeiro. Rita Blanco e Dinarte Branco, como um casal separado pela vontade deste último manter uma relação extra-matrimonial com Ana Brandão que, por sua vez, é casada com a personagem interpretada por Joaquim Horta. Nuno Lopes e Joana Santos, um casal já separado graças aos comportamentos pouco estáveis do primeiro e já em relações novas (não vou revelar quem, vejam no cinema)... Temos ainda Margarida Carpinteiro e um brilhante Pedro Lacerda que se revelam como os elementos mais soft e cómicos deste filme, cada um deles à sua própria maneira.
Este filme vai assim além da divertida história que a curta-metragem nos apresentou, explorando não só as histórias daquelas cinco pessoas que inicialmente vimos, mas também as histórias, angústias e aspirações de todos aqueles que privam com eles mais de perto.
Destaco ainda a banda-sonora de André Joaquim que consegue estabelecer uma harmoniosa relação entre as várias personagens e momentos deste filme e também a fotografia de Miguel Manso que dá uma certa "cor" às próprias angústias de todas aquelas personagens.
Este Assim Assim de Sérgio Graciano, terceira obra que vejo do realizador depois da curta-metragem com o mesmo nome e da curta Um Dia Longo que foi uma das mais fortes da última edição do Córtex, não só confirma o realizador como um dos seguros e fortes talentos da cinematografia portuguesa como ainda confirma a tendência de que grandes histórias e momentos de cinema também podem ser feitos na língua de Camões. Prova disso não só a qualidade do filme como também a sala praticamente cheia ao fim de duas semanas de exibição do filme.
E no final (não, não vou contar nada sobre o filme), sem ser abertamente revelado, temos a réstia de esperança que procuramos neste género de filmes sobre as relações sentimentais... Aqueles dois que parecem poder realmente manter uma relação... Sente-se o tal "click"... a tal "química" entre aquelas duas personagens e percebemos que independentemente do que está no passado, independenemente de se voltarem a encontrar num futuro próximo, sabemos que entre eles sim... irá resultar. O único problema é esse mesmo... será que estas duas pessoas que parecem ter uma química se voltarão a cruzar? Arrisco dizer que as estatísticas confirmam-no... eles cruzaram-se duas vezes... porque não uma terceira!
Assim Assim, um filme que todos devem obrigatoriamente ir ver ao cinema pois desde as suas personagens à sua história, todos teremos algo com que nos identificar.
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8 / 10
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