segunda-feira, 18 de junho de 2018

XXXTentacion

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1998 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #102

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Para a sessão #102, o Shortcutz Viseu faz chegar à cidade uma extensão do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu na capital entre o final do mês de Abril e o início do mês de Maio passados.
Durante a sessão serão exibidas cinco curtas-metragens que saíram vencedoras desta edição do IndieLisboa sendo elas Drzenia, de Dawid Bodzak (Polónia) - Prémio Escolas -, Matria, de Álvaro Gago (Espanha) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Ficção -, Rabbit's Blood, de Sarina Nihei (Japão) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Animação -, Solar Walk, de Réka Bucsi - Grande Prémio de Curta-Metragem - e Stay Ups, de Joanna Rytel (Suécia) - Prémio do Público.
A sessão #102 irá decorrer no próximo dia 22 de Junho na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, em Viseu a partir das 22 horas com entrada livre até lotação da sala.
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sábado, 16 de junho de 2018

Martin Bregman

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1926 - 2018
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terça-feira, 12 de junho de 2018

I Am Not a Witch (2017)

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I Am Not a Witch de Rungano Nyoni (Reino Unido/França/Alemanha) é uma das longas-metragens em competição no FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho na próxima semana.
Numa pequena comunidade africana, a jovem Shula de oito anos é acusada de bruxaria após estar no local onde ocorre um acidente. Posteriormente a sua comunidade acusa-a de bruxaria e, como resultado de um muito breve julgamento, é exilada pelo Estado para uma nova comunidade... de mulheres acusadas de bruxaria. Aí, uma fita branca é-lhe atada às costas tornando-se este o imediato controle dos seus movimentos que serão postos ao dispôr de um tutor que a utiliza para identificar os culpados dos mais diversos crimes.
A realizadora e argumentista Rungano Nyoni cria uma interessante e curiosa história longe das artimanhas de uma cidade cosmopolita mas que, ao mesmo tempo, revela todo um conjunto de hábitos e, até arrisco dizer, manhas típicas das mesmas onde a vontade de enriquecer e o lucro fácil fazem parte de um mundo que não é, afinal, tão distante de nós quanto poderíamos imaginar. I Am Not a Witch cedo deixa o espectador intrigado quando este observa um conjunto de turistas a chegar a um qualquer local isolado - ainda pouco perceptível - ao som de uma música clássica que, percebe, estar descontextualizada do universo que se prepara para conhecer. São estes mesmos turistas que pagam um bilhete para uma qualquer atracção turística que inicialmente não se compreende por parecer quase como algo circense num cenário improvável. No entanto, são as pequenas e breves descrições e observações que nos levam a compreender que nos encontramos num espaço onde a atracção turística é um conjunto de mulheres consideradas bruxas que apenas não (os) atacam porque estão presas a uma igualmente misteriosa fita branca.
Daqui, o espectador é transportado para uma qualquer outra comunidade onde da atracção turística passa para a realidade de uma África rural onde o modo de vida é totalmente distante deste mundo de "turismo" anteriormente apresentado. Aqui, são os velhos costumes e tradições já distantes desse turista Europeu ou Norte-Americano e encontramos velhos rituais e superstições que assumem a forma de costume, de lei e de justiça nem sempre imparcial. É aqui que encontramos a jovem "Shula", uma menina de oito anos acusada de bruxaria quando um acidente na aldeia ocorre na sua presença. Rapidamente levada para um tribunal onde é julgada na presença da polícia, da comunidade e do representante do Estado, "Shula" ao não admitir culpabilidade ou assumir inocência é condenada por um crime no qual (aparentemente) não havia estado envolvida. Ao ser ostracizada para a já mencionada comunidade de mulheres bruxas, "Shula" encontra neste conjunto de mulheres aquelas que irão ser as suas avós, mães, irmãs, amigas e confidentes que serão, no fundo, as que a irão inserir nos novos costumes enquanto agentes da justiça. Mas, algo mais está por detrás de todo este ritual de passagem...
Enquanto o espectador observa esta rápida inserção num novo mundo, enquadra-se igualmente a noção de que o mesmo é apenas uma forma mais subtil e matreira de encontrar uma mão-de-obra mais barata quando compreende que estas "mulheres bruxas" mais não são do que uma forma barata que o Estado tem de ter as suas terras lavradas, cultivadas, colhidas quando a produção já está preparada e, finalmente, encontrar um custo baixo quando surge a necessidade de encontrar uma decisão judicial que, pela falta de provas ou de agentes legais de uma justiça que não existe, se torna difícil de julgar de facto.
No entanto, ao mesmo tempo que o espectador assiste a esta pouco inocente similitude entre o dito Ocidente e esta África rural onde tudo aparente ser mais simples quando não o é, repetindo todo o tipo de esquemas que encontramos em qualquer destas cidades do dito primeiro mundo, não é menos real que "Shula" revela uma certa compreensão de que o mundo não será assim tão distante e, como tal, assumidamente global enquanto manifesta alguns comportamentos de que os ditames sobre si poderão não ser tão erróneos como aquilo que o espectador inicialmente havia pensado. Se "Shula" se deixa levar pelos encantos de uma nova comunidade na qual se sente inserida mas com o preço de pagar pelo espaço que lhe é reservado e acede a ser o juíz carrasco de certos casos que o Estado decide julgar, não é menos real que o seu comportamento, ainda que aparentemente ocasional, acaba por definir e decidir de forma acertada quando através de acções ou de palavras e promessas compromete e previne o comportamento daqueles que recorrem aos seus serviços. É com o passar do tempo e de forma muito subtil - talvez como uma verdadeira bruxa que nunca se assume na realidade - que o espectador assiste aos verdadeiros resultados da acção de "Shula", uma menina frágil, inocente e curiosa do que a rodeia a transformar-se em alguém cujas palavras ditam uma lei, pouco credível na opinião dos demais, mas certeira nos resultados práticos daquilo que afirma. E da mesma forma que as suas palavras se tornam reais no julgamento para os demais, cedo também se concretizam nas expectativas daquilo que espera para si... com a formação de chuva ou a audição de um bode que bale ao fundo sem ser, no entanto, visível. Aí o espectador compreende a existência de uma "Shula" como a verdadeira entidade com poder num mundo que o quer usar mas que não está preparado para as suas reais consequências. Um mundo que, no fundo, está tão corrupto como aqueles que no seu seio quer julgar mas que afinal, se julga detentor de uma moral corrompida e podre. "Shula" é assim um rosto inocente de uma justiça não oficial e que, farta de o incorporar, prefere a certo momento deixar dele fazer parte.
Curioso pela sua dinâmica enquanto história que funde por momentos a ficção com a realidade na proximidade que revela entre o choque do tribal com o urbano - principalmente na forma como ambos equacionam a noção de lei -, I Am Not a Witch é um daqueles filmes que cresce para o espectador à medida que o tempo decorre não só pela forma como se assume como uma interessante ironia sobre mundos tão distantes que, afinal, não o são assim como pela dinamização de uma história onde os costumes tribais assumem um lugar cimeiro e revelam (ao espectador) uma forma tão distinta de fazer justiça ou de vencer num mundo onde o dinheiro é também, afinal, o elemento mais importante da sociedade, sem esquecer a ligeira dramatização da história de uma criança e personagem central que ora não é aquilo de que a acusam... ora afinal se revela como alguém com uma presença magnânima capaz de enfrentar o mundo com muito mais certezas do que aquelas que o seu rosto permite transparecer... Ou será o universo que afinal chora pela desgraça de uma criança farta do mundo em que se encontra?!
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7 / 10
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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Vinterbrødre (2017)

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Vinterbrødre de Hlynur Palmason (Dinamarca/Islândia) é uma das longas-metragens presentes na Competição Oficial pelo Lince de Ouro do FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho entre os próximos dias 18 e 25 de Junho.
Dois irmãos num mesmo ambiente de trabalho. Emil (Elliott Crosset Hove) e Johan (Simon Sears) fundem-se num conjunto de hábitos e rotinas que diariamente interpretam enquanto que, no seu seio, se fomenta não só uma violenta divisão quando disputam o amor da mesma mulher mas também entre eles e outra família após Emil ser responsabilizado e ostracizado pela morte de um dos seus.
O realizador e argumentista Hlynur Palmason recria neste conto de pouco mais de oitenta minutos a eterna história de disputa de irmãos e, ao mesmo tempo, a luta entre feudos opostos que pretendem estabelecer um qualquer domínio nas suas paragens afinal, não há tempo para medições fálicas que, curiosamente, são também aqui ligeiramente adaptadas à sua dinâmica. Tal como todas as tradicionais histórias nórdicas, também Vinterbrødre é um conto centrado num meio hostil inicialmente pelo próprio espaço gélido e enterrado num rigoroso Inverno como também pela própria dinâmica entre as diversas personagens que lentamente se revela tão gélida quanto a temperatura que se faz sentir "lá fora".
Tendo como pano de fundo uma atmosfera mineira e altamente masculinizada remetida para um espaço que aparenta distanciar-se da civilização tal como a conhecemos, os comportamentos entre as diversas personagens rapidamente se assumem de controlo, francamente físicas e com a presente tentativa de delimitação de território tal como presenciamos em breves mas distintos momentos onde o território é, literalmente, "marcado". Se a este conjunto de elementos juntar-se o facto de apenas termos uma única personagem feminina que é disputada dentro das mesmas quatro paredes, então aquilo que cedo podemos compreender desta história é que a ruptura entre os seus diversos intervenientes está prestes a acontecer e de forma relativamente violenta especialmente quando entende o espectador que tanto hormonas como testosterona colidem com os interesses individuais de cada um destes homens.
A união estabelecida entre este conjunto de homens, sendo ou não membros do mesmo grupo familiar, acaba por se transformar numa relação fraterna na medida em que convivem durante este longo período de tempo num mesmo espaço. Nenhum deles sai daquela comunidade para regressar à sua família - se é que a têm -, e todos confraternizam nos mesmos locais, entre si, conhecendo-se minuciosamente ao ponto de se amarem e odiarem em igual medida. Entre todos, é "Emil" que se destaca como o elemento marginal de todo este grupo não só porque parece ser aquele que desespera por uma vida diferente - concretize-se ela de que forma seja -, que (des)espera por alguém que o ame vendo essa possibilidade ser-lhe retirada quando o seu irmão se manifesta interessado na mesma mulher que ele e, finalmente, quando se incompatibiliza no local de trabalho com patrão e colegas que rapidamente o colocam como o elemento indesejado naquele espaço e, futuramente, também ao próprio irmão.
É então esta vontade de ser (ou ter) algo mais manifestada por "Emil" que o lança na sua própria espiral de decadência - principalmente psicológica -, tornando-se mais violento no seu habitat para com todos aqueles com quem convive e principalmente com o seu "eu" ao revelar-se incapaz de se manter tranquilo num espaço e incompatibilizando-se com tudo ao seu redor evidenciando, ao mesmo tempo, todo um comportamento para-militarizado como a única forma de se impôr e afirmar num ambiente que lhe é cada vez mais adverso. No entanto, é a execução dramática de Vinterbrødre que poderá afastar o espectador da sua história, centrando-se mais na capacidade de tentar relacionar-se com as suas personagens (nem sempre fácil) e observando com mais detalhe o ambiente em que se encontram perdendo-se, dessa forma, daquilo que acontece com as mesmas.
Assim, estes "irmãos de Inverno" - tradução literal do título desta longa-metragem numa clara alusão a esta irmandade temporária que ali se forma -, centra-se portanto na dinâmica de um elemento com o seu grupo primário e com a comunidade em que se encontra "inserido" (nunca totalmente), esquecendo - o argumento - a profundidade desta personagem lançando-a numa nem sempre justa avaliação por parte do espectador que observa as suas acções individuais e em grupo distanciando-se da sua aparente perda de noção e de consciência que rapidamente considera como fruto de alguém prepotente, individualista e até mimado não querendo preocupar-se com aquilo que (talvez) está inerente nas mesmas, ou seja, um crescente desespero por ser alguém dentro desse grupo e não apenas um dos seus membros que, sem essa loucura, seria anónimo para o mesmo e principalmente em relação àquele com quem mantém o maior conflito pessoal... o seu irmão.
Interessante se o espectador se preocupar em aprofundar mais para além daquilo que é oferecido - afinal, é nos pequenos e subtis detalhes que se encontra toda uma história por explorar - e pela sua belíssima direcção de fotografia da autoria de Maria von Hausswolff que capta toda uma luminosidade própria de um Inverno solitário mas, pelo já mencionado, Vinterbrødre é uma daquelas longas-metragens difíceis de criar uma certa empatia logo de início e que poderá distanciar o espectador menos paciente.
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6 / 10
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Troféu de Televisão 2018 - Prémio Carreira

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Terminou há instantes a nona gala dos Troféus de Televisão atribuídos anualmente às melhores produções televisivas de Portugal. Entre programas Culturais, de Informação, Entretenimento e de Ficção são ainda entregues troféus especiais como o de Carreira este ano entregue à actriz Lourdes Norberto.
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Como uma carreira que se estende do Teatro à Televisão passando pela Rádio e pelo Cinema, Lourdes Norberto iniciou o seu percurso profissional em 1945 no Teatro Nacional D. Maria II com a peça Os Maias, pela mão de Amélia Rey Colaço teatro no qual permaneceu, aliás, até à primeira década do século XXI participando em peças como A Casa de Bernarda Alba (1948), A Voz da Cidade e Sonho de Uma Noite de Verão (1952) ou A Castro (1957).
Para além do teatro foi também na televisão onde manteve uma presença regular ao longo da segunda metade do século XX ao participar em inúmeras obras de Tele-Teatro - emissões teatrais efectuadas para difusão televisiva - como As Árvores Morrem de Pé (1966) ou Othelo (1969), bem como em diversas Séries como Retalhos da Vida de um Médico (1980), Tragédia da Rua das Flores (1981), Mala de Cartão (1988), Ricardina e Marta (1989), Ballet Rose (1998), Não És Homem Não És Nada (1999), Capitão Roby (2000), Jardins Proibidos (2000) como "Emília Ávila" uma das suas personagens mais emblemáticas, A Jóia de África (2002), Liberdade XXI (2009), Velhos Amigos (2012), Bem-Vindos a Beirais (2013), Mulheres de Abril (2014) ou Nelo & Idália (2016) e ainda em Telenovelas como Roseira Brava (1996), Vidas de Sal (1996) onde interpretou a mítica "Mimi", A Grande Aposta (1997), A Lenda da Garça (2000), Filha do Mar (2001), Queridas Feras (2003), Podia Acabar o Mundo (2008), Destinos Cruzados (2013) ou mais recentemente em A Impostora (2016).
Finalmente Lourdes Noberto teve ainda uma extensa carreira cinematográfica iniciada em Ribatejo (1949), de Henrique Campos, Chaimite (1953), de Jorge Brum do Canto, nas curtas-metragens Nicotiana (1964), de António de Macedo, A Cidade (1968), de José Fonseca e Costa, O Viúvo (1978), de João Roque, Adeus, Pai (1996), de Luís Filipe Rocha, O Crime do Padre Amaro (2005), de Carlos Coelho da Silva, Amália (2008), também de Carlos Coelho da Silva, Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009), de Marco Martins e novamente numa curta-metragem Amor Cego (2010), de Paulo Filipe tendo ainda, neste momento, duas longas-metragens por estrear sendo elas Olga Drummond (2018), de Diogo Infante e You Above All (2019), de Lucas Elliot Eberl e Edgar Morais culminando num percurso artístico de mais de setenta anos.
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domingo, 10 de junho de 2018

Joana Pimentel

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1953 - 2018
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Academia Portuguesa de Cinema - Prémios Nico 2018: os vencedores

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A Academia Portuguesa de Cinema anunciou ontem os vencedores do Prémio Nico que atribui pela segunda vez encontrando, entre eles, um realizador, um actor e uma actriz. Os Nico devem o seu nome ao actor Nicolau Breyner e visam distinguir jovens e emergentes talentos do cinema nacional.
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Um dos galardoados é o actor José Pimentão nomeado este ano para o Sophia de Melhor Actor pelo filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó a sua primeira longa-metragem. Entre o seu percurso cinematográfico encontramos um conjunto de curtas-metragens onde se destacam Turn (2014), de José Luís Lopes, Puto (2014), de Bernardo Carvalho e Fabiana Tavares, Lux (2015), de Bernardo Lopes e Inês Malveiro, Ninho (2016), de João P. Nunes, Ivan (2017), de Bernardo Lopes e tendo ainda em produção a curta-metragem Eva (2018), novamente de Bernardo Lopes.
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O segundo dos galardoados é o realizador Pedro Pinho - também com um percurso cinematográfico como produtor, director de fotografia e editor - e este ano nomeado para três Sophia nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Adaptado por A Fábrica de Nada, tendo saído vencedor deste último.
Para além de A Fábrica de Nada, Pedro Pinho realizou ainda as obras Bab Sebta (2008), Um Fim do Mundo (2013) e As Cidades e as Trocas (2014).
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Finalmente, a terceira e última galardoada deste ano é a actriz Oksana Tkach que protagonizou a longa-metragem O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão ao lado de actores como Sofia Alves, Virgílio Castelo e Ricardo Sá.
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sábado, 9 de junho de 2018

Jurassic World: Fallen Kingdom (2018)

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Mundo Jurássico: Reino Caído de Juan Antonio Bayona (EUA/Espanha) é o quinto título da saga Jurassic Park iniciada em 1993 por Steven Spielberg (aqui em funções de produtor executivo), e que regressa ao mundo dos dinossauros três anos depois da última aventura.
Quando o vulcão adormecido da ilha em que os dinossauros se encontram volta à actividade, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) são contactados para resgatar algumas das espécies e enviá-las para uma ilha onde poderão sobreviver, num ambiente sem jaulas, de uma segunda extinção. Mas, por detrás de todas estas boas intenções, poderão estar escondidos objectivos que lancem o mundo num perigo iminente?
Depois do título inicial (1993), a saga Jurassic Park manteve - injusto seria dizer o contrário - todo o seu dinamismo e magia ao conferir ao espectador o poder de imaginar um mundo onde os dinossauros vivessem realmente. No entanto, para lá desse mesmo título que lançou a saga, é também justo dizer que os títulos que lhe seguiram - The Lost World: Jurassic Park (1997) e Jurassic Park III (2001) - mantiveram-se um pouco alheios ao factor surpresa que a obra de Steven Spielberg conseguiu criar. Foi então que a obra Jurassic World (2015), de Colin Trevorrow ressuscitou o género e lançou todo um conjunto de fãs numa alucinação colectiva por poder imaginar que um dos mais sucessos da década de '90 estava finalmente por estrear quatorze anos depois da sua última entrega. Se esta última conseguiu ser uma interessante incursão no género recuperando muita dessa energia, dessa mística ou até mesmo desse universo, a expectativa para com Jurassic World: Fallen Kingdom não poderia ser maior. Assim, três anos depois encontramo-nos novamente na Ilha Nublar, agora um paraíso desertificado pelos (constantes) erros do passado com a agravante de ser ameaçado pela erupção de um vulcão que poderá causar um novo extermínio. Tudo certo até aqui?! Mais ou menos...
Jurassic World: Fallen Kingdom funciona muito no seu primeiro momento como um revitalizar da noção de salvar as espécies ameaçadas - de novo - e do seu potencial contributo para a aprendizagem das gerações futuras sobre um passado extinto e recuperado... no fundo, uma segunda oportunidade para todos - espécies animais e Humanidade -, de conviver (cada um no seu espaço próprio e livre de jaulas.... quase política esta afirmação) e co-existir podendo, dessa forma, garantir um local de habitação para todos. Daqui, e do reino de todas as boas vontades que parecem esconder algo mais, o argumento de Colin Trevorrow e Derek Connolly parte para a viagem "à ilha", onde encontramos todo um mundo selvagem no qual precisam de encontrar as poucas espécies que se propõem a salvar e levar para o tal "santuário". Com alguns momentos de boa acção e no qual o espectador fica a conhecer a realidade por detrás das "boas intenções", Jurassic World: Fallen Kingdom confere aquele que é possivelmente o segmento mais intenso de toda esta história com a violenta erupção do vulcão e a corrida pela sobrevivência das espécies que, no entanto, encontram o seu fim, e a real compreensão de que se o Homem não é bom para si próprio... como poderá sê-lo para as espécies diferentes? - novamente... a eterna mensagem política que brota a todo o instante.
Daqui, rumo ao último momento desta história - depois de um muito breve na Ilha Nublar onde, esperava o espectador pelos inúmeros trailers que visionou -, Jurassic World: Fallen Kingdom centra-se numa aventura na cidade (digamos assim), onde os dinossauros encontram na gótica mansão Lockwood - personagem interpretada por James Cromwell - o refúgio último antes de embarcarem para uma viagem por caminhos inesperados... ou assim pensa o espectador. Sem revelar grandes detalhes sobre o final algo (in)esperado, esta quinta entrega ao universo Jurassic Park consegue sim criar uma nova dinâmica ao fazer viajar a dinâmica de selva ou ambiente florestal para um espaço mais urbano, habitacional e profundamente medieval onde ao contrário do tradicional em que o Homem invade o espaço natural do dinossauro, é este que ocupa o dito "mundo dos homens", transformando-o (não tão) lentamente à sua medida e demonstrando que agora sim... chegaram para dominar... mesmo que esse domínio chegue pela possibilidade do imprevisto.
Juan Atonio Bayona consegue, uma vez mais, trazer ao grande ecrã uma história de aventura e acção que faz jus àquilo que se propõe. Na realidade nenhum espectador sai mal impressionado com esta obra independentemente de poder gostar de um ambiente mais natural, selvagem e onde a camuflagem dos gigantescos dinossauros possa sair a ganhar em relação a um espaço que - bem ou mal - não joga a seu favor... afinal, como se poderá esconder um dinossauro dentro de uma mansão?! No entanto, e mesmo com estas (im)possibilidades, Jurassic World: Fallen Kingdom é um filme dinâmico e fiel ao género, carregado de muita adrenalina e alguma tensão mas que poderia ter sido muito maior se mais centrado na ilha Nublar - nunca ficaremos fartos dela - e, após alguma tensão aí criada, levar toda a história para uma aventura palaciana que sim... tem tanto de original como de inovador funcionando mesmo como veículo para aquele que é (agora) esperado como o novo título da obra... um novo mundo... onde os dinossauros povoam as terras e o Homem mais não é do que um fugitivo naquele reino que outrora dominara.
Assim, Jurassic World: Fallen Kingdom é um daqueles títulos intermédios, que abre a perspectiva para o espectador sobre a potencialidade de todo um novo conjunto de obras que se lhe vão seguir não deixando esta da sua abordagem ecológica e ambiental - afinal, o mundo ou parte dele estão de facto a ruir e dar os seus sinais à Humanidade -, sobre as alterações aos hábitos comportamentais e de estilo de vida necessários para uma pacífica convivência num mundo em constante transformação... e nem sempre pelos melhores motivos e finalmente... que esse bicho Homem é tão ou mais perigoso do que um dinossauro... caso estes existissem. Já dizia Ripley no saudoso Aliens (1986), de James Cameron... "ao menos eles não se lixam por uma percentagem maior"...
Chris Pratt e Bryce Dallas Howard perdem em Jurassic World: Fallen Kingdom um pouco daquela magia que pareciam irradiar em Jurassic World. Ainda que o espectador sinta que existe algum "clima" entre as suas personagens, foi o idealismo de ambos que os separou entre as duas entregas deixando cada um com o seu ideal de vida feliz... se para um é viver isolado no meio do campo, para o outro é a ideia de salvar o mundo que o move e deixa feliz em todas as suas conquistas. No entanto, aquilo que poderiam ter sido um para o outro e, de certa forma, para a dinâmica das suas personagens nesta obra soa mais a forçado do que aquilo que emanavam três anos antes.
No final, e para lá de uma intensa visita a Nublar e de um breve encontro entre os dois reis dos animais - leão e T-Rex -, Jurassic World: Fallen Kingdom é fiel ao que se propõe... uma história cujo objectivo principal é o óbvio entretenimento do seu público alvo e claro, a igualmente óbvia "obra de passagem" - quase como um ritual - que anuncia que as próximas entregas (venham lá elas quando vierem) serão centradas no mundo como o conhecemos ou, pelo menos, naquilo que ainda não foi alterado pelo passo gigante e destruidor de animais com força bruta e completamente descontrolados num mundo que... não é o seu. Ou será que ainda é?
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"Ian Malcolm: These creatures were here before us. And if we're not careful... they're going to be here after. Life cannot be contained. Life breaks free. Life... finds a way."
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7 / 10
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Jackson Odell

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1997 - 2018
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Eunice Gayson

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1928 - 2018
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Anthony Bourdain

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1956 - 2018
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Os Mortos (2018)

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Os Mortos de Gonçalo Robalo (Portugal) é um documentário em formato de curta-metragem presente na Competição Nacional da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema que decorreu no passado mês de Maio, em diversas salas da capital.
O realizador no centro de uma história de vida - a sua - rodeada de momentos em que a morte esteve sempre presente. De forma bastante simples, é este o breve resumo de um dos filmes maiores que o IndieLisboa apresentou este ano e, arrisco dizer, a forma mais lúcida, íntegra, próxima, sentimental e mesmo emotiva que uma obra cinematográfica conseguiu atingir para falar da inevitabilidade de todas as vidas... a morte.
Desde um Prólogo onde o espectador conhece, pelas palavras do próprio realizador Gonçalo Robalo, a capacidade da sua avó em contar histórias sobre aqueles com quem se cruzara e principalmente sobre aqueles que já partiram e que sempre o aproximaram de uma talvez estranha mas obsessiva curiosidade sobre aqueles com quem o próprio convivera e que, ao longo dos anos, viu partir.
De 1985 a 2017, várias são as histórias que Gonçalo Robalo partilha, tal como a sua avó com ínfimo detalhe, sobre aqueles que lhe sendo próximos vira partir. Sempre acompanhado por fotos daqueles que (nos) apresenta, do cão da mãe aos avós, dos tios passando pelos pais da namorada e até ao próprio pai, o realizador entrega(-se) ao seu documentário e ao seu espectador de forma desarmante e lúcida conferindo uma humanidade francamente desconhecida à morte tanto no como fora do ecrã.
Qualquer um de nós opta de forma fácil e despreocupada por ignorar aquela última e final etapa pela qual todos iremos passar. Sabemos que ela é inevitável e, como tal, para quê manifestar uma preocupação com algo que está fora do alcance do nosso controle? No entanto, Os Mortos é um daqueles documentários que consegue conferir uma estranha mas reconfortante dignidade à morte através da empatia com que se fala daqueles que partiram e, obviamente, desse grande fantasma que paira no ar que é a Morte. O espectador, como consequência, aproxima-se também de todas aquelas pessoas que, sem alguma vez ter conhecido, se tornam próximas, reais e receptáculo de uma inesperada empatia que o leva a pensar que "esta pessoa poderia (poderá?) ser eu".
Cada segmento sempre acompanhado da fotografia daquele que é reconhecido enquanto alguém que "partiu", é repleto de pequenos momentos e detalhes sobre o mesmo. Ficamos a conhecer pequenos traços de perfil, breves histórias que eventualmente definem um pouco do carácter destas pessoas, humanizando-as para lá da sua fotografia e do simples registo de ter sido "alguém". Não vou ultrapassar os limites do bom senso caracterizando-os, a partir deste momento, como alguém que conhecemos, mas de certo modo é mesmo isto que acontece fazendo - este relato de Gonçalo Robalo - que o espectador consiga ver nas pessoas da sua vida alguém que o espectador consiga ver naqueles "seus" que também já partiram.
É então esta capacidade humanizadora de Os Mortos que mais seduz em todo este relato conseguindo criar durante os seus mais de vinte minutos toda uma empatia para com os vivos, compreensão para com os mortos e perceber que todos aqueles momentos que com eles partilhámos na (sua) vida deixaram(-nos) todo um conjunto de experiências e conhecimentos que aos poucos nos transformam - de forma quase inconsciente - e dando, ao mesmo tempo, uma certa perspectiva sobre a morte como mais uma etapa (a final) de todo um processo... temido... mas real, consistente e inevitável. Não choramos com este relato e estas histórias que nos são contadas na primeira pessoa mas, ainda assim, é no seu término que sentimos uma estranha impressão de que a veracidade das palavras aqui proferidas existe dentro de cada um de nós e que todos, sem excepção, conseguimos compreender que nos aproximamos dessa inevitabilidade... daquele momento em que equacionamos a vida enquanto tal e a morte como um seu parente (ou familiar) que com todas as suas pequenas grandes características (nos) define reconfortando-nos (ou não) e percebendo que todos aqueles que com quem convivemos nos "prepararam" - à sua maneira - para este final.
Assim, e sem palavras mais ou menos plásticas que caracterizem todos aqueles que conhecemos e nos conheceram, a melhor frase para todo este processo de vida e morte chega com a breve noção que o realizador nos entrega... todos somos bichos... e no final... bichos mortos. Todos tivemos o nosso momento e... um certo dia... ele termina sem qualquer aviso prévio. Tudo é cíclico, evolutivo e, finalmente, terminal deixando-nos apenas breves noções nunca confirmadas sobre como enfrentar esse momento específico. Preparados ou não... Os Mortos é um filme avassalador, intensamente tranquilo e profundamente pessoal. Sem margens para qualquer dúvida... um dos melhores filmes deste festival - desta e de outras edições - e um dos mais intensos sobre a realidade da morte.
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"Narrador: Somos todos bichos e, no final, seremos todos bichos mortos."
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9 / 10
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Alan O'Neill

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1970 - 2018
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Ariel 2018: os vencedores

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Sueño en Otro Idioma, de Ernesto Contreras foi o grande vencedor da noite ao arrecadar seis troféus Ariel entregues anualmente pela Academia Mexicana de Cinema incluindo os de Melhor Filme e Melhor Actor, numa cerimónia que se realizou ontem no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México.
São os vencedores:
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Filme: Sueño en Otro Idioma, de Agencia Sha, Alebrije cine y video, Revolver Ámsterdam, FOPROCINE, Estudios Churubusco Azteca, EFICINE e Ernesto Contreras (real.)
Primeira Obra: El Vigilante, de Diego Ros
Documentário: La Libertad del Diablo, de Everardo González
Filme Ibero-Americano: Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
Curta-Metragem de Ficção: Oasis, de Alejandro Zuno
Documentário Curta-Metragem: La Muñeca Tetona, de Diego Enrique Osorno e Alexandro Aldrete
Curta-Metragem de Animação: Cerulia, de Sofía Carrillo
Realização: Amat Escalante, La Región Salvaje
Actor: Eligio Meléndez, Sueño en Otro Idioma
Actriz: Karina Gidi, Los Adioses
Actor de Elenco: Andrés Almeida, Tiempo Compartido
Actriz de Elenco: Bernarda Trueba, La Región Salvaje
Actor Secundário: Miguel Rodarte, Tiempo Compartido
Actriz Secundária: Verónica Toussaint, Oso Polar
Revelação Masculina: Juan Ramón López, Vuelven
Revelação Feminina: Ana Valeria Becerril, Las Hijas de Abril
Argumento Original: Carlos Contreras, Sueño en Otro Idioma
Montagem: Fernanda de la Peza e Jacob Secher Schulsinger, La Región Salvaje
Fotografia: Tonatiuh Martínez, Sueño en Otro Idioma
Música Original: Andrés Sánchez Maher, Sueño en Otro Idioma
Som: Enrique Greiner, Pablo Tamez e Raymundo Ballesteros, Sueño en Otro Idioma
Direcção Artística: Antonio Muñohierro, El Elegido e Carlos Jacques, La Habitación
Guarda-Roupa: Mariestela Fernández e Gabriela Diaque, La Habitación
Caracterização: Adam Zoller, Vuelven
Efeitos Especiais: José Manuel Martínez, La Región Salvaje
Efeitos Visuais: Peter Hjorth, La Región Salvaje
Ariel de Oro: Queta Lavat (Actriz) e Toni Kuhn (Fotógrafo)
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Esta Noite que nos Chama (2016)

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Esta Noite que nos Chama de Francisco Morais e Miguel Pinto (Portugal) é uma curta-metragem com argumento da dupla de realizadores que conta um breve momento na vida de Luís (José Ceitil), um aparentemente pacífico comerciante de lãs que numa noite na sua loja é assaltado por Alex (Nelson Leão) e Sérgio (Pedro Bernardino). Mas aquele que parece um encontro do acaso cedo se transforma num inesperado ajuste de contas com o passado...
Esta curta-metragem ganha forma apresentando ao espectador a vida de um homem aparentemente simples. Já com uma certa idade, "Luís" trabalha num comércio local em franca decadência, vive só e toda a sua vida gira em torno de um conjunto de acções e momentos que já são parte de uma rotina de anos. Esta vida, característica de tantos que, tal como ele, já entraram na dita terceira idade, revela-se como símbolo de toda uma geração que agora, desamparados de qualquer apoio familiar ou social, se limita a (sobre)viver num mundo que aparenta já não ter lugar para ele(s). Mas, e se a vida de "Luís" esconder algo mais que não é revelado?
Quando a dinâmica de "Luís" é subitamente absorvida pela introdução de duas novas personagens - "Alex" e "Sérgio" -, o espectador rende-se à evidência de que algo mais irá surgir na vida de todos e que os seus destinos irão - algures - cruzar-se. Do assalto a algo mais carnal que possa colmatar as necessidades mútuas - para um talvez a quebra da sua solidão... para os outros mais algum dinheiro para satisfazer uma vida marginal... inicialmente não sabemos -, tudo passa pela mente do espectador que se deixa levar por esta dupla dinâmica num argumento que se revela consistente oscilando, no entanto, entre um aparente drama social e uma história de crime e talvez algum mistério.
Se aos poucos o espectador é surpreendido com os destinos das três personagens é, no entanto, a dinâmica recriada por um breve flashback que permanece na sua mente esclarecendo-o sobre os propósitos da dupla de jovens actores e das suas personagens que, para lá de um qualquer assalto, parecem condenados a um inesperado tormento que os ensombra desde um passado já - para eles - distante. E se as histórias de "Alex" e "Sérgio" não surpreendam em absoluto o espectador já "certo" daquilo que potencialmente os motiva, é sim "Luís" que se revela como o verdadeiro "lobo" que se esconde nessa vida dita "normal".
Não restam dúvidas que os predadores se escondem por detrás de rostos aparentemente normais - ou banais - com os quais todos nós nos cruzamos diariamente mas, no entanto, a dupla de realizadores e argumentistas consegue criar uma dinâmica de aparente solidão social a propósito de "Luís" que origina o mote da surpresa num espectador atento e preso à sua dinâmica inicial. É este mesmo efeito surpresa que revela não só a quebra da empatia que existia para com a sua personagem logo nos instantes iniciais, como desmistifica principalmente a noção de que marginal é apenas a dupla de jovens que tão veementemente desejam entrar na sua loja com o único pretexto de ganhar um dinheiro extra.
Consistente na sua trama e favorecida com três interpretações dignas e fiéis à mensagem que pretendem transmitir ao seu público, Esta Noite que nos Chama é o exemplo perfeito de um filme que se divide em dois momentos precisos levando inicialmente o espectador a criar uma ideia sobre a sua dinâmica para, de seguida, rapidamente a desfazer quando apresentados todos os elementos que dão cor e uma inesperada vida ao argumento transformando radicalmente até o próprio género da história.
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7 / 10
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Turned (2015)

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Turned de Adam Bolt (EUA) é uma curta-metragem que recupera a trama tradicional do género ao inserir uma família - ou o que resta dela - num mundo onde a sobrevivência face a uma invasão zombie é o objectivo último.
Mãe (Ryan Driscoll) e Filho (Zackary Arthur) tentam fugir numa cidade dominada pelos mortos-vivos. Quando refugiados numa casa com outro sobrevivente (Benjamin Busch), Lisa descobre que foi mordida. No momento em que percebe que a sua vida está perto do final, qual o legado que poderá deixar para que o jovem Cameron sobreviva?
Adam Bolt cria a tradicional história de apocalipse zombie. Uma cidade dominada pelos mortos-vivos que a ocuparam sem qualquer causa aparente que seja explicada, a dinâmica ultrapassa o interesse em descobrir os motivos mas sim compreender como é que os poucos sobreviventes não infectados que restam resistem num mundo onde tudo está contra as suas necessidades.
Das supostas alianças à memória para o futuro, Turned é contado através de um conjunto de flashbacks da protagonista que oscilam entre aquilo que recorda, o que deseja transmitir ao seu jovem filho que brevemente irá ficar orfão e ainda sobre o conjunto de memórias que lentamente vai perdendo enquanto o seu corpo cede perante o vírus que agora percorre o seu corpo.
Com alguma previsibilidade - a certa altura - à mistura, esta curta-metragem consegue manter um certo suspense sobre os destinos do jovem "Cameron" que embarca nas vontades da mãe que compreende estar perto do fim. Num último desejo de preservar a vida do seu jovem filho, "Lisa" terá de começar por eliminar as ameaças mais latentes... a sua "transformação" e claro, o outro sobrevivente que vê no seu filho um empecilho que não irá ajudar a salvar. No momento em que lhe faltam as forças físicas e psicológicas para conseguir manter o discernimento e a vontade, "Lisa" terá apenas uma última escolha... lutar sem propósito ou abraçar a condição de alguém que irá estar, para sempre, ligada a um filho que quer sobretudo salvar... mas a que custo?!
Dinâmico na sua elaboração e capaz de manter o ritmo e a incerteza até aos últimos instantes - falhando apenas no momento em que mais necessário era -, Turned consegue nos seus breves minutos contar uma história com princípio, meio e fim sem atropelos, exageros ou tempos mortos (sigh)... mesmo que para isso recorra a um sem fim de momentos desse passado já perdido e criar uma interessante atmosfera (em tão pouco espaço) do aspecto de um pequeno mundo destruído e onde reina o caos.
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7 / 10
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domingo, 3 de junho de 2018

Kent McCray

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1929 - 2018
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Love, Simon (2018)

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Com Amor, Simon de Greg Berlanti (EUA) é uma longa-metragem e possivelmente uma das primeiras comédias românticas de Verão a estrear, apresentando a história de Simon (Nick Robinson), um jovem adolescente que vê a sua homossexualidade exposta perante todos os seus colegas e amigos depois de uma breve relação online com outro colega da escola que desconhece.
Num momento determinante do seu desenvolvimento, Simon terá não só de se assumir perante a sua família e amigos como principalmente perante si próprio. Irá ele encontrar o amor verdadeiro?
Baseado no romance de Becky Albertalli, Elizabeth Berger e Isaac Aptaker escrevem o argumento de Love, Simon, uma comédia romântica que tem tudo de tradicional... menos o par protagonista. Ao contrário de todas as comédias adolescentes que estreiam nas salas de cinema onde os protagonistas são um casal do sexo oposto, esta longa-metragem não só prima pela diferença em apresentar no seu centro um jovem adolescente homossexual como principalmente privá-lo de um par... "Simon" é assim, o protagonista de uma história onde tudo o que o espectador vê se centra nos seus sentimentos, na sua descoberta, nos seus momentos e principalmente na sua evolução sentimental onde primeiro se compreende, depois se aceita e finalmente se assume ao mundo ao seu redor enquanto, pelo caminho, espera encontrar aquilo que possivelmente todos procuram... um verdadeiro amor (seja lá isso o que fôr em tão jovem idade).
Num mundo em constante mutação e no qual a aldeia global tudo e todos aproxima, a relação (ou potencial) que aqui se desenvolve inicia-se através de tantas nestes dias... online. Apenas chega um computador com ligação à "rede", para que tudo seja possível e aconteça. Mas, ao mesmo tempo que se esperam os efeitos positivos, é também uma realidade que tudo o que é de mau pode entrar pela porta... Mas, afastando os riscos da "rede" neste momento, concentre-se o espectador no potencial desta história que prima, de facto, pela diferença.
Longe de qualquer gratuitidade dos contos românticos e adolescentes de Verão, Love, Simon apresenta a história de um jovem que sente ter vivido tempo demais longe da sua própria felicidade onde, por medo ou por desconhecimento de outra pessoa como ele, escondeu os seus verdadeiros sentimentos e sexualidade, respondendo apenas aos lugares comuns de todos os demais que, contrariamente a ele, encontram a "naturalidade" dos afectos no sexo oposto. Num momento em que o mundo atravessa todas estas pequenas convulsões sociais onde os afectos e o direito à sexualidade são também um Direito Humano, Love, Simon surge então como a normal resposta às evidências... o amor, independentemente do género, é natural e acima de tudo... um Direito. Ainda que alguns momentos em que esta longa-metragem pareça querer exibir uma certa missão de ensinamento versus aprendizagem, Love, Simon consegue ao mesmo tempo criar o clima romântico esperado para uma história do género e ainda mostrar às mentes mais centradas num qualquer passado que independentemente da sexualidade, esta história contém o principal... todos têm o direito de amar.
Missão de aprendizagem à parte o que resta a Love, Simon? Uma história de amor, de descoberta, de aceitação, de ultrapassagem de obstáculos, de compreensão e sobretudo do poder da amizade e da união numa família que apenas deseja viver numa harmonia que sentida fragilizada apenas a quer ver reforçada pela compreensão de que naquele espaço tudo o que revela a positividade e garantia de amor é respeitado e bem-vindo. Love, Simon concentra-se ainda na história de amizade entre aqueles que sempre o foram (amigos), bem como na reacção em que estes reagem à descoberta de um segredo - até então - inconfessado. Poderão aqueles com quem partilhámos todos os momentos da vida aceitar e perceber que "Simon" é o mesmo de sempre apenas com um aspecto da sua vida agora assumido ou ver nele uma pessoa totalmente diferente, que desconhecem e com quem não querem voltar a conviver?
Expostos todos os argumentos narrativos desta história, Love, Simon é então a típica história sobre os últimos momentos da vida de um adolescente que encontra a sua vida dita "normal" (até então) ameaçada pelo bullying de um dos seus pares mas que, ao mesmo tempo, revela ter todo um potencial para continuar a acreditar na possibilidade do amor, em esperá-lo até, e manter não só o seu lugar junto dos seus amigos bem como - e principalmente - de uma família que ama... e que o ama.
Nick Robinson é extremamente convincente como o protagonista desta história assumindo-se capaz de espelhar todo um conjunto de emoções, surpresas, receios e alegrias típicas de um jovem da sua idade sem nunca perder o sonho, a ilusão, o desejo e a vontade de experimentar a sua sexualidade como algo normal - como o é - livre de preconceitos e medos que apenas fazem parte de um momento negro de um passado que, embora não distante, está ultrapassado. Com um elenco secundário coeso que passa não só pelos jovens actores que interpretam os seus amigos (e até o chantageador) sem esquecer aqueles que compõem a sua família - brilhantes e simples interpretações de Josh Duhamel (pai) e Jennifer Garner (mãe) capazes de criar todo um conjunto de emotividade e sofrimento por um filho que querem ver bem (mantenho a minha opinião sobre todo o potencial dramático de uma emotiva e belíssima Garner) -, Love, Simon é, tal como o seu nome indica, uma belíssima, pertinente e actual história de auto-descoberta e amor essencial para o grande ecrã e para o grande público capaz de se deixar prender por uma dos mais nobres sentimentos de sempre... o amor... onde residem as primeiras paixões, as primeiras expressões do mesmo e a compreensão de que o mundo pode ser vivido a dois... e livre de preconceitos.
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"Simon: I deserve a great love story."
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7 / 10
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Shortcutz Viseu - Sessão #101

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Depois de uma celebração da centésima edição, o Shortcutz Viseu chega com a Sessão #101 que irá decorrer no próximo dia 8 de Junho.
No habitual - e de regresso - segmento de Curtas em Competição, o Shortcutz Viseu irá ter a presença de Manuel, de Bruno Carnide e ainda Norley y Norlen, de Flávio Ferreira estando ambos os realizadores presentes na sessão para a apresentação das suas obras cinematográficas.
Ainda nesta Sessão #101 está também de regresso o segmento Projecto Convidado recaindo, desta vez, o convite ao FEST - New Directors New Films Festival que decorre anualmente em Espinho - e em Viseu com a presença da direcção do festival -, que apresenta dois filmes, sendo eles, Adeus à Carne, de Julia Anquier (Brasil) e Happy End, de Jan Saska (República Checa).
Assim, e na próxima sexta-feira dia 8 de Junho, a Sessão #101 do Shortcutz Viseu irá decorrer novamente na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea a partir das 22 horas.
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Pretty Boy (2015)

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Pretty Boy de Cameron Thrower (EUA) é uma curta-metragem de ficção que revela a história de Sean (Nick Eversman), um jovem adolescente cujo pai conservador o leva para um motel para ter a sua primeira relação sexual com Katie (Rebekah Tripp), uma prostituta. Por detrás desta acção está a vontade de John (Jon Briddell) em curar a sua homossexualidade.
Cameron Thrower cria aqui uma história - também assina o argumento - que não só se foca no relato na primeira pessoa de uma personagem que não só é vítima de bullying como ainda da rejeição familiar (na pessoa do seu pai) sentindo-se, dessa forma, isolado em todo o seu sofrimento e falta de aceitação naquele que deveria ser o seu núcleo principal e primário. No entanto, nem tudo é tão terminal como aparenta...
Depois de um breve e desastroso encontro, "Sean" recolhe a empatia de "Katie" (belíssimo desempenho de Rebekah Tripp), a prostituta que o deveria "converter" a uma vida socialmente e familiarmente mais aceite do que aquele define, no fundo, a sua própria personalidade sexual. As breves horas - aqui minutos - que o espectador partilha com a dupla são reconfortantes e, em certa medida, mágicas. E é nas mesmas que se conseguem encontrar duas vidas perdidas num mundo que não está preparado - e aparenta não querer - aceitá-los pelas suas diferenças, estilos de vida, escolhas ou comportamentos remetendo-os a uma ostracização que os força (contrariamente ou não) a encontrar o seu "par" no local mais improvável do mundo encontrando, um no outro, o primeiro acto de amor e afecto que não conseguiam encontrar em anos... Para "Sean" esse amor fora apenas encontrado na dedicação e compreensão da sua mãe já falecida e para "Katie" encontrado num filho que já não está à sua guarda.
Numa reflexão sobre duas pessoas que se encontram no mais improvável dos locais, fruto de um acaso e do preconceito, Pretty Boy consegue entregar uma interessante alma às suas personagens, humanizando-as através dos seus dramas, vulnerabilizando-as pela sua dor e mágoa mas garantindo-lhes aquilo que se espera dessa mesma humanidade intrínseca a cada um de nós revelando a capacidade de perceber que as diferenças - voluntárias ou não - transformam-nos em algo de único e que compõe apenas mais um pouco do universo multicolor em que todos nos encontramos, sem esquecer a eternamente desejada esperança de que o dia de "amanhã" possa ser um pouco melhor do que todos os demais que já passaram e que foram vividos.
Simples, eficaz e dotada de uma enorme sensibilidade, esta curta-metragem de Cameron Thrower consegue ainda revelar duas intensas e sentidas interpretações do par protagonista que se assume como uma força em sintonia, capaz de levar o espectador a ignorar tudo o demais que está ao seu redor... dos adereços às demais interpretações - ainda que relevantes para a dinâmica da história ao recriar o espaço em que se encontram -, tudo o que encontramos leva-nos a encontrar refúgio em "Sean" e "Katie"... a empatizar com as suas mágoas mas, ao mesmo tempo, em esperar (e talvez saber) que o futuro lhes poderá reservar algo de bom.
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7 / 10
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The Surface (2015)

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The Surface de Willem Kampenhout (EUA) é uma curta-metragem centrada num cenário pós-apocalíptico onde a Humanidade reside no subsolo escondida de uma nova espécie robótica que povoa o que restou das cidades como as conhecíamos.
Liz (Liz Christensen) tem de arriscar tanto a sua vida como a sua segurança para salvar a vida do filho, aventurando-se na superfície onde os monstros espreitam pelo mínimo deslize depois de terem forçado a Humanidade para os subterrâneos das antigas cidades.
Também autor do argumento, o realizador Willem Kampenhout cria uma história centrada num mundo diferente daquele que conhecemos não através da dinâmica humana onde a solidariedade e compreensão parecem cada vez mais escassas quer pela força do lucro quer pela escassez de bens essenciais que, na realidade, ninguém aparenta ter, mas sim pela percepção (do espectador) que o mundo tal como o conhecera já não existe. No entanto, as necessidades para uma constante sobrevivência... não cessam. É então que começa a aventura por um espaço (des)conhecido - dependendo se se é espectador ou personagem desta história -, lançando-se "Liz" - protagonista - numa perigosa viagem pelo mundo tal como fora tentando dessa forma encontrar uma forma de sobrevivência e subsistência para o seu filho que... precisa de uma diferente fonte de alimentação.
Nestas histórias o elemento predominante é que a Humanidade, ou o que dela resta, já não é aquilo que conhecemos. O mundo destruiu-se e a população teve de encontrar refúgio longe da pouca luz solar que ainda resiste e da sociedade tal como anteriormente a idealizara. No subsolo - parco em elementos que garantam essa sobrevivência - a sociedade é marginal, indiferente e indiferenciada e uma réstia daquilo que em tempos fora limitando-se cada um a conseguir ver o dia seguinte da melhor forma possível. A sobrevivência (a existir) é garantida então pelos poucos aventureiros que se lançam numa caminhada pela superfície habitada por aqueles que chamam de "monstros"... seres humanoides robotizados que se alimentam das mesmas baterias que alguns dos "humanos"... lá em baixo. Assim, e num universo onde todos aprenderam a temer-se e odiar-se, The Surface acaba por transformar-se num relato onde a sobrevivência se define nas margens da confiança (perdida) do antigamente, ou seja, até que ponto poderá existir um novo amanhã quando todos aprenderam (com os erros do passado), a temer a diferença e a outra espécie como a causadora do mal próprio quando, na realidade, todos haviam contribuído para o mal de alguém nesse antigamente agora tão distante.
Os mitos e lendas urbanas de um mundo destruído são assim a principal barreira para que a sociedade e a comunidade diversa e diversificada que habita os dois lados desta nova realidade possa dar o passo em frente para a sua própria regeneração, e apenas a extrema confiança no"outro" por parte daqueles que estão numa situação limite poderá ser esse momento transformador para todos. Apenas quando se compreende a "perda" como uma realidade, poderá esta confiança subsistir. Assim, e numa interessante e não tão bacoca analogia com o nosso presente, poderá o espectador compreender que as ânsias, receios, expectativas e vontade de sobreviver em todos os lugares de um mundo que já não é assim tão distante como se pensa, são idênticas e alimentam-se das mesmas necessidades. Para lá dos lugares comuns... será a vontade de viver tão diferente no local em que o espectador está daquela que outros no extremo oposto do mesmo mundo sente?
Para lá das diferenças é a necessidade de sobreviver e ver o novo amanhã que todos une. É a compreensão de que sózinho nunca se conseguirá sobreviver e que apenas na comunhão de esforços e na noção de que todos somos iguais independentemente das diferenças que o primeiro olhar expõe se obterá a reconstrução do espaço destruído (o que pressupõe futuramente a sua partilha), na qual este The Surface faz centrar a sua principal mensagem, impondo de forma ficcionada a noção de que as diferenças não são assim tão evidentes em espécies supostamente distintas revelando que entre Humanos e Humanoides... as necessidades de energia centram-se nos mesmos elementos.
Ainda que presente na dinâmica habitual das histórias do mesmo género, The Surface distingue-se por uma interessante dinâmica de espaço - urbano e cosmopolita -, e por uma bem sucedida caracterização dos actores que os embrenha na dinâmica de pós-apocalipse ou de um mundo perdido na própria imagem de um passado que já não existe.
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7 / 10
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Zombiehagen (2014)

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Zombiehagen de Jonas Ussing (Dinamarca) é uma curta-metragem de terror centrada na ocupação de Copenhague pelos mortos-vivos.
Uma rapariga (Simone Lykke), percorre as ruas da capital até chegar a uma praça onde estão centenas de pedidos de ajuda e de notícias sobre os desaparecidos. Um rapaz (Casper Sloth) que chega ao mesmo local minutos depois. Os dois cruzam-se no estádio da cidade onde ela tenta encontrar o namorado. Poderão eles os dois ser os últimos sobreviventes que ali se encontram e os responsáveis pela continuação da Humanidade?
O realizador e argumentista Jonas Ussing entrega ao espectador uma das inúmeras histórias de mortos-vivos (ou zombies) aqui num cenário urbano e Europeu que contrariando o tradicional rural norte-americano, insere o espectador num espaço que fora - em tempos - densamente povoado e agora mais não é do que uma miragem desse passado. Mas, se nesse espaço rural os mortos parece que abundam pelas ruas, em Zombiehagen - uma Copenhague literalmente mortificada - as ruas parecem desprovidas de qualquer forma de "vida" (ironicamente falando), conferindo a toda esta curta-metragem uma certa sensação de que para lá do perigo de um qualquer ataque, é aquele que se prende com a solidão que ameaça os nossos protagonistas.
Assim, e para lá da dinâmica de perigo que está instalada, é aquela que se prende com a relação dos dois protagonistas que fica sob atenção do espectador que deseja ver na relação de ambos uma qualquer salvação para aquilo que poderá restar dessa Humanidade agora semi desaparecida. O encontro entre "Ela" e "Ele" - provocado pela personagem interpretada por Casper Sloth - deve-se, pensa o espectador, por uma necessidade extrema de se poder estabelecer uma nova relação numa cidade que está literalmente perdida. Assim, o segmento dentro do estádio da cidade repleto daqueles poucos que ainda caminham mas que já não têm qualquer réstia de vida, impressiona não só pela magnitude do espaço e da dinâmica ensombrada por uma direcção de fotografia de Andrew Grant-Christensen que lhe confere todo uma atmosfera de morte, mas principalmente pela esperança depositada naquelas duas pessoas cujo encontro mais ou menos casual faz adivinhar todo um novo começo.
Saídos das ruas da cidade e agora dentro da casa d'"Ele", Zombiehagen revela os trágicos passados desta personagem masculina e um vislumbre do seu desejo em poder voltar a ter companhia depois da trágica morte da mãe da qual o próprio se responsabiliza. Mas poderão estar os propósitos deste jovem corrompidos de alguma forma? Se a sua rápida intervenção junto d'"Ela" se revelou crucial para que a mesma fosse salva, é um pequeno e muito súbtil detalhe que deixa o alarme instalado e são os breves mas intensos momentos finais que revelam que de facto, num momento de crise extrema, nada é como parece... ou pelo menos... nada é como aquilo que se poderia fazer esperar.
Original pelo seu desfecho que revela que a Humanidade está perdida não necessariamente pela catástrofe mas sim pela desgraça em querer sobreviver mantendo os parâmetros e ideais de uma vida que já não é, Zombiehagen é uma curta-metragem atípica pela sua concepção fora dos locais tradicionais que o espectador tão bem conhece e, como tal, um ponto que joga a seu favor e, apesar de recorrer a todo um conjunto de elementos que, de certa forma, o espectador já conhece, consegue vencer pela forma como se livra dos lugares comuns do género surpreendendo com um desfecho não só inesperado como mortalmente inspirador para aqueles que julgam que a perda determina a capacidade de cada um avançar mais além do esperado. Porque por vezes a morte faz laços tão ou mais fortes do que a própria vida.
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7 / 10
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Alone Time (2013)

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Alone Time de Rod Blackhurst (EUA) é uma curta-metragem de ficção baseada em factos verídicos que revela um breve momento na vida de Ann (Rose Hemingway), uma jovem mulher saturada da sua agitada existência em Nova York e que decide retirar uns dias na floresta. Encantada por poder relaxar e tirar algumas horas de prazer junto da natureza, estará Ann assim tão solitária quanto a vida que deixará para trás?
O realizador e David Ebeltoft deixam com esta obra um marco do terror moderno ao qual o espectador está incapaz de fugir pela sua intensa dinâmica de inevitabilidade face aos comportamentos sociais de um mundo moderno que não só não se controlam como podem facilmente ganhar proporções que estão para lá do controlo de cada um de nós. Por outras palavras, quando é que uma vida vivida no meio de toda uma constante agitação diária deixa, realmente, de ser vigiada? E, dentro desta suspeita do controlo alheio sobre os nossos próprios comportamentos... até que momento está cada um de nós livre dos olhares mais ou menos indiscretos dos infindáveis anónimos com quem nos cruzamos diariamente?
Partindo desta premissa encontramos "Ann", uma jovem mulher saturada das rotinas e das obrigatoriedades diárias que a deixam assoberbada e entregue a um incapacidade de fugir à tal rotina que a condiciona em todos os seus desejos... Afinal, alguém havia confirmado que a tal vida "adulta" iria ser assim tão aborrecida? Ao acompanharmos a sua rotina, compreendemos que a sua realidade é banal e desinteressante... comportamentos sociais vividos num perfeito anonimato e uma quase inexistância de amigos condicionam-na a uma vida em que o trabalho é o mais real substituto de qualquer contacto humano - per si -, e os poucos momentos que percebemos - sem nunca os confirmar - em que poderá existir vida para lá das quatro paredes do escritório ou até da sua casa, são rapidamente substituídos pela sua crescente vontade de viver uma aventura... sózinha. No entanto, até que ponto algo ou alguém não a estará a seguir da cidade para a floresta? Sob que realidade estará ela realmente sózinha considerando que as provas de que na cidade é observada por alguém que a persegue incansavelmente e que, também ali, poderá estar a ser silenciosamente perseguida?
Alone Time é assim a lenta constatação de que quer no campo quer na cidade, "Ann" é o rosto de um conjunto de vidas vividas num semi-anonimato apenas interrompido por breves momentos ou situações nas quais poucos - se é que alguns! - a conhecem de facto e que podem testemunhar, com segurança, a sua existência. Assim, e dominando o seu destino (assim o pensa), "Ann" tentará viver uma nova experiência confiante na sua segurança e que apenas será abalada no momento em que percebe que a sua solidão é, afinal, vivida na companhia de alguém que desconhece mas que a conhece melhor do que ela poderia imaginar de alguém que partilhasse todos os seus momentos in loco. "Ann" é então ensombrada com a realidade de que existe mais alguém na sua vida... mas alguém que conscientemente nunca viu... alguém que conhece os seus hábitos, os seus locais, os seus momentos e instantes e sobretudo que a acompanha a todo o momento. Desta forma, o verdadeiro terror não chega sob uma qualquer forma sobrenatural mas sim pela imediata percepção de que existe (mais) alguém a seu lado para lá dos inúmeros anónimos - ainda que não deixe de o ser - que a capta na sua mais intensa vulnerabilidade sem nunca se fazer anunciar.
Ainda que Rose Hemingway tenha uma sólida interpretação enquanto uma jovem mulher "perdida" na grande cidade, é o argumento da dupla Blackhurst e Ebeltoft que prende o espectador a um imaginário de mundo globalizado - que é pequeno - e à compreensão daqueles pequenos grandes indícios que revelam que existe mais para lá do óbvio mas ao qual, na realidade, poucos de nós prestam atenção e principalmente que neste mundo moderno onde a solidão é o modus vivendi das grandes cidades, o perigo espreita do mais inesperado local pelo momento certo para se fazer notar destruindo todas as convicções que qualquer um de nós tem sobre o seu ideal de segurança.
Centrado no seu próprio passo mas intenso pela dinâmica em que revela o seu lado mais negro, Alone Time é sem sombra de dúvida um daqueles filmes curtos que o espectador não irá esquecer pela sua assustadora realidade e intimidante presença.
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7 / 10
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Intromissão (2016)

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Intromissão de Francisco Morais e Miguel Pinto (Portugal) é uma curta-metragem que revela um dia de trabalho aparentemente normal na vida de Simão (Ricardo Pinto de Magalhães) mas que um dia recebe uma misteriosa chamada exigindo-lhe que confesse os seus mais escondidos segredos ou irá pagar as consequências.
Esta história assinada pela dupla de realizadores em colaboração com Mariana Morais é um ensaio sobre as consequências da revelação dos segredos inconfessáveis... Uma história que se prende com a chantagem, com a ameaça e com o desabar de toda uma vida de enganos quando presa nas mãos de um predador anónimo e implacável levando, no entanto, o espectador a ficar dividido entre uma qualquer empatia entre o protagonista e este carrasco. Se o primeiro é um indivíduo com uma vida dupla que oculta tudo àqueles com quem decidiu formar uma família e, como tal, condiciona o seu natural desenvolvimento e confiança que é, ao momento, cega, e um segundo que se assume como um justiceiro mas, ao mesmo tempo, não por um bom sentido na medida em que para obter a responsabilização dos actos de "Simão", exige que este termine com a sua vida familiar ou profissional como uma sentença anunciada sem julgamento prévio.
Assim, e divididos entre um protagonista presente e uma voz que de forma anónima controla os seus destinos, o espectador centra-se nas regras de jogo ditadas por este último e na decisão do primeiro que vê a sua vida a ruir a cada instante que passa. No entanto, se esta dicotomia entre personagens nos leva a criar os referidos polos opostos, é a interpretação de Ricardo Pinto de Magalhães que, no entanto, não deixa o espectador criar grande empatia com a sua personagem. Longe de qualquer sensibilização para com a sua história fruto eventual de uma qualquer pressão social que o levou a "mostrar ao mundo" aquilo que o mundo queria ver, Pinto de Magalhães concentra-se em pequenos exageros e tiques representativos para demonstrar a sua aflição mas pouca expressividade num rosto que parece descontrolado mas pouco emotivo, enervado e pouco sentido e sobretudo quase tão vilão como o próprio que o ameaça. Ao telefone, do outro lado, temos sim alguma expressão... um intenso e constante desdém, uma ameaça velada, sentida e marcada à qual o espectador não fica indiferente... e se esta compõe muito para a tensão dramática que aqui se espera, é Pinto de Magalhães que rapidamente a faz perder necessitando de mais concentração para espelhar esse medo, desespero e sobretudo noção de perda que a sua personagem faz adivinhar.
Com alguma intensidade pela sua mensagem e pela forma como é filmada que lança no pânico um homem que vê toda a sua vida a fugir-lhe das mãos, Intromissão vale pela sua narrativa mas fragiliza por uma interpretação pouco sentida e assumidamente exagerada desde os primeiros instantes em que se impõe como figura... mas pouco pela expressão dos seus sentimentos.
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5 / 10
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sexta-feira, 1 de junho de 2018

William Phipps

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1922 - 2018
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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Jerry Maren

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1920 - 2018
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sábado, 26 de maio de 2018

António Loja Neves

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1953 - 2018
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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Premios Fugaz 2018: os vencedores

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Terminou há instantes cerimónia da segunda edição dos Prémios Fugaz entregues às melhores curtas-metragens do último ano numa iniciativa CortoEspaña, que decorreu Cine Palacio de la Prensa, em Madrid.
São os vencedores:
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Curta-Metragem: Madre, de Rodrigo Sorogoyen
Documentário Curta-Metragem: La Pureza, de Pedro Vikingo
Curta-Metragem de Animação: Un Día en el Parque, de Diego Porral
Longa-Metragem: Muchos Hijos, Un Mono y un Castillo, de Gustavo Salmerón
Realização: Rodrigo Sorogoyen, Madre
Realização Revelação: Joan Vives Lozano, El Escarabajo al Final de la Calle
Actor: Carlos Kaniowsky, Adivina
Actriz: Marta Nieto, Madre
Argumento: Madre, Rodrigo Sorogoyen
Direcção de Produção: Nuestro Viejo (Y el Mar), Gorka Zalacaín
Montagem: Ni Una Sola Línea, Verónica Callón
Fotografia: Exhalación, Miguel Ángel Viñas
Música Original: Exhalación, Luis Hernaiz
Som: Caronte, Daniel Jiménez
Direcção Artística: Adivina, Eduardo Parrilla
Guarda-Roupa: La Dama de Sal, Pepe Vázquez
Caracterização: La Dama de Sal, Yolanda Piña
Efeitos Visuais: Caronte, Luis Tinoco
Fugaz Homenaje: Javier Fesser
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terça-feira, 22 de maio de 2018

Philip Roth

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1933 - 2018
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Clint Walker

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1927 - 2018
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Allyn Ann McLerie

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1926 - 2018
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