quinta-feira, 21 de junho de 2018

Prix Lumière 2018 - a galardoada

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O Prémio Lumière foi criado por Thierry Frémaux e Bertrand Tavernier para celebrar a carreira de uma personalidade do cinema em Lyon, no mesmo local onde o cinematógrafo fora inventado por Louis e Auguste Lumière e onde filmaram a sua primeira obra La Sortie de l'Usine Lumière à Lyon (1895), numa forma de agraciar artistas com uma distinção que reflecte o tempo, a gratidão e admiração de todos.
Em 2018, o Prémio Lumière é entregue à actriz norte-americana Jane Fonda, sucedendo a Wong Kar.wai, Catherine Deneuve, Martin Scorsese, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Ken Loach, Gérard Depardieu, Milos Forman e Clint Eastwood. O Lumière é-lhe assim entregue "pela carreira composta por colaborações com Sidney Pollack, Arthur Penn, René Clément ou Roger Vadim; pela sua vontade em dar corpo a uma forte independência desde jovem idade, exemplificada em obras com A Doll's House, de Joseph Losey ou Julia, de Fred Zinnemann; pela sua singular personalidade que a inspirou em escolher personagens poderosas e politicamente comprometidas como em The China Syndrome, de James Bridges ou Klute, de Alan J. Pakula (pela qual venceu o seu primeiro Oscar), ou Coming Home, de Hal Ashby (o seu segundo Oscar). Vencedora de diversos troféus (Globos de Ouro, Emmy, BAFTA, entre outros), brilhou na galáxia Hollywood sem nunca comprometer as suas convicções".
Símbolo de árduas batalhas pela liberdade, anti-racismo e pela paz bem como uma vanguardista em ideais, Jane Fonda será ainda figura central de um documentário realizado por Susan Lacy sobre a sua vida e obra a ser exibido durante o festival e onde será ainda efectuada uma retrospectiva do legado da família bem como uma homenagem ao pai, o actor Henry Fonda.
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Com uma carreira iniciada no início da década de '60 em Tall Story, de Joshua Logan ao qual se seguiram Walk on the Wild Side (1962), de Edward Dmytryk, The Chapman Report (1962), de George Cukor, Period of Adjustment (1962), de George Roy Hill, In the Cool of the Day (1963), de Robert Stevens, Sunday in New York (1963), de Peter Tewksbury, Les Félins (1964), de René Clement, La Ronde (1964), de Roger Vadim, Cat Ballou (1965), de Elliot Silverstein, The Chase (1966), de Arthur Penn, La Curée (1966), de Roger Vadim, Any Wednesday (1966), de Robert Ellis Miller, Hurry Sundown (1967), de Otto Preminger, Barefoot in the Park (1967), de Gene Saks, Histoires Extraordinaires (1968), de Federico Fellini, Louis Malle e Roger Vadim, Barbarella (1968), de Roger Vadim e finalizando a década com They Shoot Horses, Don't They? (1969), de Sydney Pollack.
Klute (1971), de Alan J. Pakula seria a sua primeira obra da década de '70 - tendo ganha o seu primeiro Oscar -, seguindo-se-lhe Tout Va Bien (1972), de Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, Steelyard Blues (1973), de Alan Myerson, A Doll's House (1973), de Joseph Losey, The Blue Bird (1976), de George Cukor, Fun with Dick and Jane (1977), de Ted Kotcheff, Julia (1977), de Fred Zinnemann, Coming Home (1978), de Hal Ashby - segundo Oscar de Melhor Actriz -, Comes a Horseman (1978), de Alan J. Pakula, California Suite (1978), de Herbert Ross terminando a década com The China Syndrome (1979), de James Bridges e The Electric Horseman (1979), de Sydney Pollack.
A década de '80 começaria com a sua participação em Nine to Five (1980), de Colin Higgins, On Golden Pond (1981), de Mark Rydell - no qual recebera uma nomeação ao Oscar de Actriz Secundária e que valeria ao seu pai o Oscar de Melhor Actor -, Rollover (1981), de Alan J. Pakula, Agnes of God (1985), de Norman Jewison, The Morning After (1986), de Sidney Lumet e finalmente Old Gringo (1989), de Luis Puenzo. A década de '90 ficaria marcada por uma única participação cinematográfica em Stanley & Iris (1990), de Martin Ritt regressando quinze anos depois em 2005 com Monster-in-Law, de Robert Luketic seguido de Georgia Rule (2007), de Garry Marshall, Et si on Vivait Tous Ensemble? (2011), de Stéphane Robelin, Peace, Love & Misunderstanding (2011), de Bruce Beresford, The Butler (2013), de Lee Daniels, Better Living Through Chemistry (2014), de Geoff Moore e David Posamentier, This Is Where I Leave You (2014), de Shawn Levy, Youth (2015), de Paolo Sorrentino, Fathers & Daughters (2015), de Gabriele Muccino, Our Sould at Night (2017), de Ritesh Batra e finalmente Book Club (2018), de Bill Holderman.
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O 10º prémio Lumière será entregue à actriz no próximo dia 19 de Outubro na Salle 3000 no Centro de Conferências de Lyon, em França.
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Koko

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1971 - 2018
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MTV Movie & TV Awards 2018: os vencedores

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Foram entregues a noite passada os MTV Movie & TV Awards numa cerimónia realizada em Santa Monica, na California, e para os quais Black Panther e Stranger Things se destacavam como os mais nomeados em Cinema e Televisão respectivamente.
São os vencedores:
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Cinema
Filme: Black Panther, de Ryan Coogler
Documentário Musical: Gaga: Five Foot Two, de Chris Moukarbel
Interpretação: Chadwick Boseman, Black Panther
Interpretação Comédia: Tiffany Haddish, Girls Trip
Elenco: Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Jaeden Lieberher, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Jeremy Ray Taylor e Chosen Jacobs, It
Herói: Chadwick Boseman, Black Panther
Vilão: Michael B. Jordan, Black Panther
Beijo: Nick Robinson e Keiynan Lonsdale, Love, Simon
Luta: Wonder Woman (Gal Gadot) versus Soldados Alemães, Wonder Woman
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Televisão
Série: Stranger Things (Netflix)
Interpretação: Millie Bobby Brown, Stranger Things
Interpretação Mais Assustadora: Noah Schnapp, Stranger Things
Scene Stealer: Madelaine Petsch, Riverdale
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Honorário
Generation Award: Chris Pratt
Trailblazer Award: Lena Waithe
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segunda-feira, 18 de junho de 2018

XXXTentacion

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1998 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #102

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Para a sessão #102, o Shortcutz Viseu faz chegar à cidade uma extensão do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu na capital entre o final do mês de Abril e o início do mês de Maio passados.
Durante a sessão serão exibidas cinco curtas-metragens que saíram vencedoras desta edição do IndieLisboa sendo elas Drzenia, de Dawid Bodzak (Polónia) - Prémio Escolas -, Matria, de Álvaro Gago (Espanha) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Ficção -, Rabbit's Blood, de Sarina Nihei (Japão) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Animação -, Solar Walk, de Réka Bucsi - Grande Prémio de Curta-Metragem - e Stay Ups, de Joanna Rytel (Suécia) - Prémio do Público.
A sessão #102 irá decorrer no próximo dia 22 de Junho na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, em Viseu a partir das 22 horas com entrada livre até lotação da sala.
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sábado, 16 de junho de 2018

Martin Bregman

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1926 - 2018
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quarta-feira, 13 de junho de 2018

ASEI - Globo d' Oro 2018: os vencedores

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Foram anunciados os vencedores dos Globo d'Oro entregues anualmente pela Associazione della Stampa Estera in Italia numa cerimónia que se realizou na Villa Medici, em Roma.
São os vencedores:
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Filme: L'Intrusa, de Leonardo Di Costanzo
Grande Prémio: L'Esodo, de Ciro Formisano
Primeira Obra: Maria per Roma, de Karen do Porto
Comédia: Ammore e Malavita, de Manetti Bros.
Documentário: Caravaggio: The Soul and the Blood, de Jesús Garcés Lambert
Curta-Metragem: Stai Sereno, de Daniele Stocchi
Menção Honrosa: Numeruomini, de Gianfranco Ferraro
Actor: Toni Servillo, La Ragazza nella Nebbia e Luca Marinelli, Una Questione Privata
Actriz: Paola Cortellesi, Come un Gatto in Tangenziale
Argumento: Donato Carrisi, La Ragazza nella Nebbia
Fotografia: Fabrizio Lucci, The Place
Música: Pino Donaggio, Dove Non Ho Mai Abitato
Carreira: Gianni Amelio
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Sand & Blood (2017)

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Sand & Blood de Matthias Krepp e Angelika Spangel (Áustria/Iraque/Síria) é um dos documentários presente na competição oficial pelo Lince de Ouro do FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho a partir da próxima semana.
Este documentário é elaborado com um conjunto de testemunhos de cidadãos sírios e iraquianos presentes em campos de refugiados na Áustria - nunca identificados -, enquanto o espectador visiona, ao mesmo tempo, imagens dos seus países após a ocupação americana do Iraque em 2003 e demais consequências desse acto.
De forma lúcida e acutilante, todos eles reflectem sobre o passado vivido, sobre a sua juventude perdida face às guerras pelas quais os seus países atravessaram e ainda a possibilidade (ou inexistência) de um conjunto de sonhos porvir.
Dividido entre três capítulos e um epílogo, Sand & Blood inicia o seu relato com o segmento Saddam's Long Shadow onde se reflecte sobre a vida antes e depois da regência de Saddam Hussein e de todas as transformações provenientes com a invasão norte-americana do território considerado como o princípio do fim. Invadido que estava o país e dividida a sua população entre aqueles que ansiavam a esperança de uma liberdade desconhecida e os que viam nesta nova forma de vida o fim de uma aparente "tranquilidade" vivida, este segmento é marcado - e recebe o seu título - pelas palavras do ditador sobre o país posterior à sua governação... apenas restaria sangue... e areia. De destaque ainda o surgimento dos primeiros movimentos extremistas, incluindo terroristas, que se fixaram inclusive com o apoio de uma parte da população descontente com a ocupação estrangeira.
O segundo capítulo, God Syria Freedom, refere-se tal como o próprio título indica, na Síria, e tem o seu início em 2011 quando os movimentos emergentes da Primavera Árabe deram lugar a um conflito civil que se alastra até aos nossos dias deixando várias cidades do país completamente destruídas e obrigando a população a uma fuga em massa.
O terceiro e quarto capítulos intitulados The War of Sects e The Path of Jihad referem-se directamente às constantes lutas de poder entre as várias etnias e principalmente entre os diversos grupos terroristas que têm vindo a ocupar as cidades que conquistam em ambos os países - ultimamente menos no Iraque -, evidenciando também as acções de todas as "facções" no recrutamento desde cedo das crianças que endoutrinam nas diversas ideologias de forma a que se sinta sempre presente a constante divisão e a existência de dois "lados" criando, dessa forma, ódios, distanciamentos e a separação daqueles que anteriormente eram considerados amigos ou até mesmo família deixando inclusive, uma forte instabilidade na sociedade, na estrutura das comunidades e ainda na parca formação política que poderá existir.
Finalmente no Epílogo ou Paradise que fica marcado, ainda que por parcas palavras, uma vontade extrema de uma outra vida. Uma em que a família está próxima e não em territórios, ou até mesmo países, distantes. Uma vida em que a juventude pudesse ser vivida como tal e na compreensão de que chegam a um país diferente, num continente diferente com uma população habituada a escutar aquilo que as suas cidades hoje representam e que a imagem criada sobre eles - refugiados - pode não lhes ser totalmente benéfica.
A emotividade de Sand & Blood chega não tanto pelos relatos desencantados destes refugiados que, compreensivelmente, nunca revelam os seus rostos, mas sim pelas imagens não editadas de todo um descalabro de um país e de uma sociedade que saiu forçadamente de um processo de regime ditatorial para um em que os movimentos extremistas se revelaram uma força dominante no mesmo, ou seja, em vez da ditadura de "um" que todos consideravam perigosa encontramos agora a ditadura de "todos" (não uma anarquia mas sim resultante da proliferação dos diversos grupos extremistas que agora co-habitam o país) que foi instaurada como fruto da desordem provocada pela invasão norte-americana (no Iraque) e pela vontade de uma liberdade fruto da Primavera Árabe (na Síria), totalmente desvirtualizada quando deixada nas mãos daqueles que procuram um controlo tão ou mais bárbaro do que os ditadores que ocupam - ou ocupavam - o poder há várias décadas. É através destas imagens que compreendemos toda a decadência de um país e, principalmente, de um povo que se deixou levar pelas boas intenções de uma esperança em liberdade mas que caiu nas malhas de uma perigosa rede sedenta de poder que destruiu todas as suas ambições levando-lhes os seus pertences, essa mesma esperança e sobretudo os seus sonhos e muitos dos seus entes mais próximos. Aí, nesse brevíssimo epílogo residem as verdadeiras emoções de histórias de vidas reais que tudo revelam por poucas palavras que, no entanto, o espectador desejaria ter visto ainda mais exploradas apesar de todo o "acompanhamento" na primeira pessoa ao longo de todo o documentário.
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8 / 10
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Lupo (2018)

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Lupo de Pedro Lino (Portugal) é um documentário presente na competição pelo Lince de Ouro no FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho a partir da próxima semana.
Quem foi Rino Lupo? Para onde foi? Qual a sua obra e o seu percurso cinematográfico? Numa obra que se estende por aproximadamente noventa minutos, Lupo centra-se num ensaio de factos verídicos e algumas suposições que permitem ao realizador, e para o espectador, tecer algumas considerações sobre o destino do realizador luso-italiano que deixou obra não só em Portugal como também em diversos países europeus como Itália, Rússia, Dinamarca, Polónia, Alemanha, França e Espanha.
Iniciando a sua dramatização em Fevereiro de 1884 aquando do nascimento de Cesare Augusto Lupo em Roma, sabemos que iniciou um breve percurso cinematográfico no seu país de nascimento antes de partir rumo à Alemanha onde desenvolveu a sua primeira longa-metragem baseada na amizade de dois soldados - um francês e um alemão - durante a Primeira Guerra Mundial. Com o eclodir da guerra parte para a Dinamarca e daqui para Moscovo onde permanece até aos primeiros instantes da Revolução Russa tendo abandonado o país devido à extrema pobreza sentida, facto que constatou também na Polónia para onde se dirigira onde escuta pela primeira vez comentários sobre os primeiros passos do cinema em Portugal.
Chegado ao Porto - cidade percursora do cinema no país - onde funda a Invicta Filmes, empresa capaz de competir com as suas congéneres europeias e a maior da Península Ibérica e com a qual produz Mulheres da Beira (1923), a história de "Ana" (Brunilde Júdice), uma mulher que se apaixona fora da sua condição social e que por um amor não correspondido acaba por se suicidar.
No mesmo ano, e agora produzido pela Iberia Film, chegam Os Lobos, a primeira obra conhecida do cinema português que pode ser considerada etnográfica tendo, no entanto, sido um desastre financeiro e público fazendo com que Lupo se dirija a Madrid onde realiza Carmiña, Flor de Galicia em 1926 que surge como uma réplica de Mulheres da Beira mas com um final feliz onde o amor vence.
Para sentir os efeitos dos "loucos anos 20", Lupo regressa a uma Lisboa povoada por uma faixa etária mais jovem boémia que "almoços tardios e espectáculos de travestis no Trindade, danças exóticas no Teatro Variedades no Parque Mayer e chá com cocaína no Bristol", na qual prepara a sua longa-metragem seguinte, O Diabo em Lisboa (1928) que lança uma então desconhecida Beatriz Costa.
Deste primeiro segmento em que conhecemos um pouco do percurso do realizador, Lupo lança-se numa inesperada odisseia ao retratar e revelar algumas das salas de cinema desaparecidas ou "recicladas" do norte do país bem como uma ainda mais surpreendente visita ao interior do Cinema Odeon, em Lisboa - do mesmo oferecida uma panorâmica como último segmento do documentário partindo depois para um exterior geral da capital -, onde o espectador conhece o trágico destino de algumas das salas esquecidas do país e que tanta luz, cor e vida tiveram noutros tempos. Eventualmente o segmento mais trágico - pela sua condição - como nostálgico de todo este documentário, Lupo oscila entre estes dois momentos em que primeiramente se expõe um dos impulsionadores dos primeiros momentos do cinema português e que realizou obras emblemáticas do mesmo como os já referidos Mulheres da Beira, Os Lobos, Fátima Milagrosa ou até mesmo José do Telhado (1929) a sua obra mais controversa amada pela público e injuriada pela crítica pouco receptiva à mesma, e finalmente este relato das salas agora abandonadas à sua sorte (essa sim francamente trágica) algumas por onde estas obras passaram e que agora se limitam a um silêncio ensurdecedor ou realização de eventos que nada dignificam as paredes das mesmas.
E enquanto se celebra a obra e a sua importância no panorama artístico nacional, fora esquecido o homem. Rino Lupo desaparecera misteriosamente do país - facto que leva a que um dos comentários iniciais aproxime o espectador de um documentário baseado em suposições e conjunturas -, para finalmente ser revelado que no início da década de '30 este já se encontrava na sua Roma natal onde conhecera a sua filha de um primeiro casamento, seguindo depois em 1932 para a UFA em Berlim e finalmente regressando a Roma - em data incerta - onde viria a falecer em Janeiro de '36.
Com alguma dessa suposição (da equipa do documentário), ilustrado com comentários e também descobertas de alguns dos seus netos e documentação dos locais por onde passou dos filmes que realizou e das suas breves interpretações cinematográficas, Lupo expõe o homem realizador como uma figura incontornável sim, mas ao mesmo tempo como um homem misterioso, de paixões mas secreto, contido e esquivo deixando uma marca por onde passa mas não um grande número de factos que o coloquem durante muito tempo no mesmo espaço. Inquieto e com uma enorme vontade de criar mas reticente na sua presença - de facto - pelos locais e até mesmo pelas pessoas. Rino Lupo era um homem de um tempo "mais à frente", que cativava e sabia lidar com um mundo em completa transformação mas que, infelizmente, desapareceu cedo demais.
Cativante, francamente instintivo e a funcionar como um objecto de homenagem ao cinema e ao homem no cinema, Lupo é um documentário fascinante pela perspectiva história - mais ou menos verídica... com momentos ficcionados para os quais o espectador é devidamente alertado -, e capaz de despertar o interesse para com a obra do realizador assim como para os inúmeros espaços de cinema que revelam o interesse do povo por uma cultura cinematográfica que pode(rá) estar adormecida mas com uma intensa vontade de despertar.
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7 / 10
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Prix Jean Vigo 2018: os vencedores

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Criado com o intuito de destacar e premiar a originalidade, qualidade e independência da obra de um realizador, o 66º Prémio Jean Vigo foi atribuído este ano a dois realizadores; a primeira  obra de Jean-Bernard Marlin pela sua obra Shéhérazade que conta a história de "Zachary" (Dylan Robert), um jovem de dezassete anos recentemente saído da prisão e que após a rejeição da mãe se vê envolvido nos perigos das ruas de Marselha onde conhece a personagem "Shéhérazade" (Kenza Fortas). Com argumento do próprio realizador em colaboração com Catheriné Paillé, Shéhérazade foi premiada pela sua "excepcional direcção de actores, e pelo lirismo inerente que injecta no dilacerante realismo dos seus amantes na noite Marselhesa".
A segunda obra premiada foi Un Couteau dans le Coeur, de Yann Gonzalez que relata a relação conturbada entre "Anne" (Vanessa Paradis) uma produtora de pornagrafia gay e a sua companheira e editora "Loïs" (Kate Moran) na Paris de 1979. A obra de Yann Gonzalez foi premiada, segundo os jurados, pela forma "atenta e terna com que filma o cinema do género, bem como pela sua forma poética e artística".
Jean-Beranrd Marlin e Yann Gonzalez juntam-se assim a realizadores como Jean-Luc Godard, Maurice Pialat, Alain Resnais, Claude Chabrol, Philippe Garrel, Olivier Assayas, Bruno Dumont ou Laurent Cantet.
Finalmente o Prémio Jean Vigo para Curta-Metragem foi entregue a L'Ami du Dimanche, de Guillaume Brac e o Prémio Honorário entregue a Jean-François Stévenin pela sua "rica carreira enquanto intérprete tendo, ao mesmo tempo, demonstrado com apenas três filmes que é um grande realizador, livre e aventureiro como poucos outros".
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I Am Not a Witch (2017)

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I Am Not a Witch de Rungano Nyoni (Reino Unido/França/Alemanha) é uma das longas-metragens em competição no FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho na próxima semana.
Numa pequena comunidade africana, a jovem Shula de oito anos é acusada de bruxaria após estar no local onde ocorre um acidente. Posteriormente a sua comunidade acusa-a de bruxaria e, como resultado de um muito breve julgamento, é exilada pelo Estado para uma nova comunidade... de mulheres acusadas de bruxaria. Aí, uma fita branca é-lhe atada às costas tornando-se este o imediato controle dos seus movimentos que serão postos ao dispôr de um tutor que a utiliza para identificar os culpados dos mais diversos crimes.
A realizadora e argumentista Rungano Nyoni cria uma interessante e curiosa história longe das artimanhas de uma cidade cosmopolita mas que, ao mesmo tempo, revela todo um conjunto de hábitos e, até arrisco dizer, manhas típicas das mesmas onde a vontade de enriquecer e o lucro fácil fazem parte de um mundo que não é, afinal, tão distante de nós quanto poderíamos imaginar. I Am Not a Witch cedo deixa o espectador intrigado quando este observa um conjunto de turistas a chegar a um qualquer local isolado - ainda pouco perceptível - ao som de uma música clássica que, percebe, estar descontextualizada do universo que se prepara para conhecer. São estes mesmos turistas que pagam um bilhete para uma qualquer atracção turística que inicialmente não se compreende por parecer quase como algo circense num cenário improvável. No entanto, são as pequenas e breves descrições e observações que nos levam a compreender que nos encontramos num espaço onde a atracção turística é um conjunto de mulheres consideradas bruxas que apenas não (os) atacam porque estão presas a uma igualmente misteriosa fita branca.
Daqui, o espectador é transportado para uma qualquer outra comunidade onde da atracção turística passa para a realidade de uma África rural onde o modo de vida é totalmente distante deste mundo de "turismo" anteriormente apresentado. Aqui, são os velhos costumes e tradições já distantes desse turista Europeu ou Norte-Americano e encontramos velhos rituais e superstições que assumem a forma de costume, de lei e de justiça nem sempre imparcial. É aqui que encontramos a jovem "Shula", uma menina de oito anos acusada de bruxaria quando um acidente na aldeia ocorre na sua presença. Rapidamente levada para um tribunal onde é julgada na presença da polícia, da comunidade e do representante do Estado, "Shula" ao não admitir culpabilidade ou assumir inocência é condenada por um crime no qual (aparentemente) não havia estado envolvida. Ao ser ostracizada para a já mencionada comunidade de mulheres bruxas, "Shula" encontra neste conjunto de mulheres aquelas que irão ser as suas avós, mães, irmãs, amigas e confidentes que serão, no fundo, as que a irão inserir nos novos costumes enquanto agentes da justiça. Mas, algo mais está por detrás de todo este ritual de passagem...
Enquanto o espectador observa esta rápida inserção num novo mundo, enquadra-se igualmente a noção de que o mesmo é apenas uma forma mais subtil e matreira de encontrar uma mão-de-obra mais barata quando compreende que estas "mulheres bruxas" mais não são do que uma forma barata que o Estado tem de ter as suas terras lavradas, cultivadas, colhidas quando a produção já está preparada e, finalmente, encontrar um custo baixo quando surge a necessidade de encontrar uma decisão judicial que, pela falta de provas ou de agentes legais de uma justiça que não existe, se torna difícil de julgar de facto.
No entanto, ao mesmo tempo que o espectador assiste a esta pouco inocente similitude entre o dito Ocidente e esta África rural onde tudo aparente ser mais simples quando não o é, repetindo todo o tipo de esquemas que encontramos em qualquer destas cidades do dito primeiro mundo, não é menos real que "Shula" revela uma certa compreensão de que o mundo não será assim tão distante e, como tal, assumidamente global enquanto manifesta alguns comportamentos de que os ditames sobre si poderão não ser tão erróneos como aquilo que o espectador inicialmente havia pensado. Se "Shula" se deixa levar pelos encantos de uma nova comunidade na qual se sente inserida mas com o preço de pagar pelo espaço que lhe é reservado e acede a ser o juíz carrasco de certos casos que o Estado decide julgar, não é menos real que o seu comportamento, ainda que aparentemente ocasional, acaba por definir e decidir de forma acertada quando através de acções ou de palavras e promessas compromete e previne o comportamento daqueles que recorrem aos seus serviços. É com o passar do tempo e de forma muito subtil - talvez como uma verdadeira bruxa que nunca se assume na realidade - que o espectador assiste aos verdadeiros resultados da acção de "Shula", uma menina frágil, inocente e curiosa do que a rodeia a transformar-se em alguém cujas palavras ditam uma lei, pouco credível na opinião dos demais, mas certeira nos resultados práticos daquilo que afirma. E da mesma forma que as suas palavras se tornam reais no julgamento para os demais, cedo também se concretizam nas expectativas daquilo que espera para si... com a formação de chuva ou a audição de um bode que bale ao fundo sem ser, no entanto, visível. Aí o espectador compreende a existência de uma "Shula" como a verdadeira entidade com poder num mundo que o quer usar mas que não está preparado para as suas reais consequências. Um mundo que, no fundo, está tão corrupto como aqueles que no seu seio quer julgar mas que afinal, se julga detentor de uma moral corrompida e podre. "Shula" é assim um rosto inocente de uma justiça não oficial e que, farta de o incorporar, prefere a certo momento deixar dele fazer parte.
Curioso pela sua dinâmica enquanto história que funde por momentos a ficção com a realidade na proximidade que revela entre o choque do tribal com o urbano - principalmente na forma como ambos equacionam a noção de lei -, I Am Not a Witch é um daqueles filmes que cresce para o espectador à medida que o tempo decorre não só pela forma como se assume como uma interessante ironia sobre mundos tão distantes que, afinal, não o são assim como pela dinamização de uma história onde os costumes tribais assumem um lugar cimeiro e revelam (ao espectador) uma forma tão distinta de fazer justiça ou de vencer num mundo onde o dinheiro é também, afinal, o elemento mais importante da sociedade, sem esquecer a ligeira dramatização da história de uma criança e personagem central que ora não é aquilo de que a acusam... ora afinal se revela como alguém com uma presença magnânima capaz de enfrentar o mundo com muito mais certezas do que aquelas que o seu rosto permite transparecer... Ou será o universo que afinal chora pela desgraça de uma criança farta do mundo em que se encontra?!
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7 / 10
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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Vinterbrødre (2017)

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Vinterbrødre de Hlynur Palmason (Dinamarca/Islândia) é uma das longas-metragens presentes na Competição Oficial pelo Lince de Ouro do FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho entre os próximos dias 18 e 25 de Junho.
Dois irmãos num mesmo ambiente de trabalho. Emil (Elliott Crosset Hove) e Johan (Simon Sears) fundem-se num conjunto de hábitos e rotinas que diariamente interpretam enquanto que, no seu seio, se fomenta não só uma violenta divisão quando disputam o amor da mesma mulher mas também entre eles e outra família após Emil ser responsabilizado e ostracizado pela morte de um dos seus.
O realizador e argumentista Hlynur Palmason recria neste conto de pouco mais de oitenta minutos a eterna história de disputa de irmãos e, ao mesmo tempo, a luta entre feudos opostos que pretendem estabelecer um qualquer domínio nas suas paragens afinal, não há tempo para medições fálicas que, curiosamente, são também aqui ligeiramente adaptadas à sua dinâmica. Tal como todas as tradicionais histórias nórdicas, também Vinterbrødre é um conto centrado num meio hostil inicialmente pelo próprio espaço gélido e enterrado num rigoroso Inverno como também pela própria dinâmica entre as diversas personagens que lentamente se revela tão gélida quanto a temperatura que se faz sentir "lá fora".
Tendo como pano de fundo uma atmosfera mineira e altamente masculinizada remetida para um espaço que aparenta distanciar-se da civilização tal como a conhecemos, os comportamentos entre as diversas personagens rapidamente se assumem de controlo, francamente físicas e com a presente tentativa de delimitação de território tal como presenciamos em breves mas distintos momentos onde o território é, literalmente, "marcado". Se a este conjunto de elementos juntar-se o facto de apenas termos uma única personagem feminina que é disputada dentro das mesmas quatro paredes, então aquilo que cedo podemos compreender desta história é que a ruptura entre os seus diversos intervenientes está prestes a acontecer e de forma relativamente violenta especialmente quando entende o espectador que tanto hormonas como testosterona colidem com os interesses individuais de cada um destes homens.
A união estabelecida entre este conjunto de homens, sendo ou não membros do mesmo grupo familiar, acaba por se transformar numa relação fraterna na medida em que convivem durante este longo período de tempo num mesmo espaço. Nenhum deles sai daquela comunidade para regressar à sua família - se é que a têm -, e todos confraternizam nos mesmos locais, entre si, conhecendo-se minuciosamente ao ponto de se amarem e odiarem em igual medida. Entre todos, é "Emil" que se destaca como o elemento marginal de todo este grupo não só porque parece ser aquele que desespera por uma vida diferente - concretize-se ela de que forma seja -, que (des)espera por alguém que o ame vendo essa possibilidade ser-lhe retirada quando o seu irmão se manifesta interessado na mesma mulher que ele e, finalmente, quando se incompatibiliza no local de trabalho com patrão e colegas que rapidamente o colocam como o elemento indesejado naquele espaço e, futuramente, também ao próprio irmão.
É então esta vontade de ser (ou ter) algo mais manifestada por "Emil" que o lança na sua própria espiral de decadência - principalmente psicológica -, tornando-se mais violento no seu habitat para com todos aqueles com quem convive e principalmente com o seu "eu" ao revelar-se incapaz de se manter tranquilo num espaço e incompatibilizando-se com tudo ao seu redor evidenciando, ao mesmo tempo, todo um comportamento para-militarizado como a única forma de se impôr e afirmar num ambiente que lhe é cada vez mais adverso. No entanto, é a execução dramática de Vinterbrødre que poderá afastar o espectador da sua história, centrando-se mais na capacidade de tentar relacionar-se com as suas personagens (nem sempre fácil) e observando com mais detalhe o ambiente em que se encontram perdendo-se, dessa forma, daquilo que acontece com as mesmas.
Assim, estes "irmãos de Inverno" - tradução literal do título desta longa-metragem numa clara alusão a esta irmandade temporária que ali se forma -, centra-se portanto na dinâmica de um elemento com o seu grupo primário e com a comunidade em que se encontra "inserido" (nunca totalmente), esquecendo - o argumento - a profundidade desta personagem lançando-a numa nem sempre justa avaliação por parte do espectador que observa as suas acções individuais e em grupo distanciando-se da sua aparente perda de noção e de consciência que rapidamente considera como fruto de alguém prepotente, individualista e até mimado não querendo preocupar-se com aquilo que (talvez) está inerente nas mesmas, ou seja, um crescente desespero por ser alguém dentro desse grupo e não apenas um dos seus membros que, sem essa loucura, seria anónimo para o mesmo e principalmente em relação àquele com quem mantém o maior conflito pessoal... o seu irmão.
Interessante se o espectador se preocupar em aprofundar mais para além daquilo que é oferecido - afinal, é nos pequenos e subtis detalhes que se encontra toda uma história por explorar - e pela sua belíssima direcção de fotografia da autoria de Maria von Hausswolff que capta toda uma luminosidade própria de um Inverno solitário mas, pelo já mencionado, Vinterbrødre é uma daquelas longas-metragens difíceis de criar uma certa empatia logo de início e que poderá distanciar o espectador menos paciente.
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6 / 10
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Troféu de Televisão 2018 - Prémio Carreira

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Terminou há instantes a nona gala dos Troféus de Televisão atribuídos anualmente às melhores produções televisivas de Portugal. Entre programas Culturais, de Informação, Entretenimento e de Ficção são ainda entregues troféus especiais como o de Carreira este ano entregue à actriz Lourdes Norberto.
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Como uma carreira que se estende do Teatro à Televisão passando pela Rádio e pelo Cinema, Lourdes Norberto iniciou o seu percurso profissional em 1945 no Teatro Nacional D. Maria II com a peça Os Maias, pela mão de Amélia Rey Colaço teatro no qual permaneceu, aliás, até à primeira década do século XXI participando em peças como A Casa de Bernarda Alba (1948), A Voz da Cidade e Sonho de Uma Noite de Verão (1952) ou A Castro (1957).
Para além do teatro foi também na televisão onde manteve uma presença regular ao longo da segunda metade do século XX ao participar em inúmeras obras de Tele-Teatro - emissões teatrais efectuadas para difusão televisiva - como As Árvores Morrem de Pé (1966) ou Othelo (1969), bem como em diversas Séries como Retalhos da Vida de um Médico (1980), Tragédia da Rua das Flores (1981), Mala de Cartão (1988), Ricardina e Marta (1989), Ballet Rose (1998), Não És Homem Não És Nada (1999), Capitão Roby (2000), Jardins Proibidos (2000) como "Emília Ávila" uma das suas personagens mais emblemáticas, A Jóia de África (2002), Liberdade XXI (2009), Velhos Amigos (2012), Bem-Vindos a Beirais (2013), Mulheres de Abril (2014) ou Nelo & Idália (2016) e ainda em Telenovelas como Roseira Brava (1996), Vidas de Sal (1996) onde interpretou a mítica "Mimi", A Grande Aposta (1997), A Lenda da Garça (2000), Filha do Mar (2001), Queridas Feras (2003), Podia Acabar o Mundo (2008), Destinos Cruzados (2013) ou mais recentemente em A Impostora (2016).
Finalmente Lourdes Noberto teve ainda uma extensa carreira cinematográfica iniciada em Ribatejo (1949), de Henrique Campos, Chaimite (1953), de Jorge Brum do Canto, nas curtas-metragens Nicotiana (1964), de António de Macedo, A Cidade (1968), de José Fonseca e Costa, O Viúvo (1978), de João Roque, Adeus, Pai (1996), de Luís Filipe Rocha, O Crime do Padre Amaro (2005), de Carlos Coelho da Silva, Amália (2008), também de Carlos Coelho da Silva, Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009), de Marco Martins e novamente numa curta-metragem Amor Cego (2010), de Paulo Filipe tendo ainda, neste momento, duas longas-metragens por estrear sendo elas Olga Drummond (2018), de Diogo Infante e You Above All (2019), de Lucas Elliot Eberl e Edgar Morais culminando num percurso artístico de mais de setenta anos.
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domingo, 10 de junho de 2018

Joana Pimentel

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1953 - 2018
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Academia Portuguesa de Cinema - Prémios Nico 2018: os vencedores

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A Academia Portuguesa de Cinema anunciou ontem os vencedores do Prémio Nico que atribui pela segunda vez encontrando, entre eles, um realizador, um actor e uma actriz. Os Nico devem o seu nome ao actor Nicolau Breyner e visam distinguir jovens e emergentes talentos do cinema nacional.
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Um dos galardoados é o actor José Pimentão nomeado este ano para o Sophia de Melhor Actor pelo filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó a sua primeira longa-metragem. Entre o seu percurso cinematográfico encontramos um conjunto de curtas-metragens onde se destacam Turn (2014), de José Luís Lopes, Puto (2014), de Bernardo Carvalho e Fabiana Tavares, Lux (2015), de Bernardo Lopes e Inês Malveiro, Ninho (2016), de João P. Nunes, Ivan (2017), de Bernardo Lopes e tendo ainda em produção a curta-metragem Eva (2018), novamente de Bernardo Lopes.
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O segundo dos galardoados é o realizador Pedro Pinho - também com um percurso cinematográfico como produtor, director de fotografia e editor - e este ano nomeado para três Sophia nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Adaptado por A Fábrica de Nada, tendo saído vencedor deste último.
Para além de A Fábrica de Nada, Pedro Pinho realizou ainda as obras Bab Sebta (2008), Um Fim do Mundo (2013) e As Cidades e as Trocas (2014).
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Finalmente, a terceira e última galardoada deste ano é a actriz Oksana Tkach que protagonizou a longa-metragem O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão ao lado de actores como Sofia Alves, Virgílio Castelo e Ricardo Sá.
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sábado, 9 de junho de 2018

Jurassic World: Fallen Kingdom (2018)

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Mundo Jurássico: Reino Caído de Juan Antonio Bayona (EUA/Espanha) é o quinto título da saga Jurassic Park iniciada em 1993 por Steven Spielberg (aqui em funções de produtor executivo), e que regressa ao mundo dos dinossauros três anos depois da última aventura.
Quando o vulcão adormecido da ilha em que os dinossauros se encontram volta à actividade, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) são contactados para resgatar algumas das espécies e enviá-las para uma ilha onde poderão sobreviver, num ambiente sem jaulas, de uma segunda extinção. Mas, por detrás de todas estas boas intenções, poderão estar escondidos objectivos que lancem o mundo num perigo iminente?
Depois do título inicial (1993), a saga Jurassic Park manteve - injusto seria dizer o contrário - todo o seu dinamismo e magia ao conferir ao espectador o poder de imaginar um mundo onde os dinossauros vivessem realmente. No entanto, para lá desse mesmo título que lançou a saga, é também justo dizer que os títulos que lhe seguiram - The Lost World: Jurassic Park (1997) e Jurassic Park III (2001) - mantiveram-se um pouco alheios ao factor surpresa que a obra de Steven Spielberg conseguiu criar. Foi então que a obra Jurassic World (2015), de Colin Trevorrow ressuscitou o género e lançou todo um conjunto de fãs numa alucinação colectiva por poder imaginar que um dos mais sucessos da década de '90 estava finalmente por estrear quatorze anos depois da sua última entrega. Se esta última conseguiu ser uma interessante incursão no género recuperando muita dessa energia, dessa mística ou até mesmo desse universo, a expectativa para com Jurassic World: Fallen Kingdom não poderia ser maior. Assim, três anos depois encontramo-nos novamente na Ilha Nublar, agora um paraíso desertificado pelos (constantes) erros do passado com a agravante de ser ameaçado pela erupção de um vulcão que poderá causar um novo extermínio. Tudo certo até aqui?! Mais ou menos...
Jurassic World: Fallen Kingdom funciona muito no seu primeiro momento como um revitalizar da noção de salvar as espécies ameaçadas - de novo - e do seu potencial contributo para a aprendizagem das gerações futuras sobre um passado extinto e recuperado... no fundo, uma segunda oportunidade para todos - espécies animais e Humanidade -, de conviver (cada um no seu espaço próprio e livre de jaulas.... quase política esta afirmação) e co-existir podendo, dessa forma, garantir um local de habitação para todos. Daqui, e do reino de todas as boas vontades que parecem esconder algo mais, o argumento de Colin Trevorrow e Derek Connolly parte para a viagem "à ilha", onde encontramos todo um mundo selvagem no qual precisam de encontrar as poucas espécies que se propõem a salvar e levar para o tal "santuário". Com alguns momentos de boa acção e no qual o espectador fica a conhecer a realidade por detrás das "boas intenções", Jurassic World: Fallen Kingdom confere aquele que é possivelmente o segmento mais intenso de toda esta história com a violenta erupção do vulcão e a corrida pela sobrevivência das espécies que, no entanto, encontram o seu fim, e a real compreensão de que se o Homem não é bom para si próprio... como poderá sê-lo para as espécies diferentes? - novamente... a eterna mensagem política que brota a todo o instante.
Daqui, rumo ao último momento desta história - depois de um muito breve na Ilha Nublar onde, esperava o espectador pelos inúmeros trailers que visionou -, Jurassic World: Fallen Kingdom centra-se numa aventura na cidade (digamos assim), onde os dinossauros encontram na gótica mansão Lockwood - personagem interpretada por James Cromwell - o refúgio último antes de embarcarem para uma viagem por caminhos inesperados... ou assim pensa o espectador. Sem revelar grandes detalhes sobre o final algo (in)esperado, esta quinta entrega ao universo Jurassic Park consegue sim criar uma nova dinâmica ao fazer viajar a dinâmica de selva ou ambiente florestal para um espaço mais urbano, habitacional e profundamente medieval onde ao contrário do tradicional em que o Homem invade o espaço natural do dinossauro, é este que ocupa o dito "mundo dos homens", transformando-o (não tão) lentamente à sua medida e demonstrando que agora sim... chegaram para dominar... mesmo que esse domínio chegue pela possibilidade do imprevisto.
Juan Atonio Bayona consegue, uma vez mais, trazer ao grande ecrã uma história de aventura e acção que faz jus àquilo que se propõe. Na realidade nenhum espectador sai mal impressionado com esta obra independentemente de poder gostar de um ambiente mais natural, selvagem e onde a camuflagem dos gigantescos dinossauros possa sair a ganhar em relação a um espaço que - bem ou mal - não joga a seu favor... afinal, como se poderá esconder um dinossauro dentro de uma mansão?! No entanto, e mesmo com estas (im)possibilidades, Jurassic World: Fallen Kingdom é um filme dinâmico e fiel ao género, carregado de muita adrenalina e alguma tensão mas que poderia ter sido muito maior se mais centrado na ilha Nublar - nunca ficaremos fartos dela - e, após alguma tensão aí criada, levar toda a história para uma aventura palaciana que sim... tem tanto de original como de inovador funcionando mesmo como veículo para aquele que é (agora) esperado como o novo título da obra... um novo mundo... onde os dinossauros povoam as terras e o Homem mais não é do que um fugitivo naquele reino que outrora dominara.
Assim, Jurassic World: Fallen Kingdom é um daqueles títulos intermédios, que abre a perspectiva para o espectador sobre a potencialidade de todo um novo conjunto de obras que se lhe vão seguir não deixando esta da sua abordagem ecológica e ambiental - afinal, o mundo ou parte dele estão de facto a ruir e dar os seus sinais à Humanidade -, sobre as alterações aos hábitos comportamentais e de estilo de vida necessários para uma pacífica convivência num mundo em constante transformação... e nem sempre pelos melhores motivos e finalmente... que esse bicho Homem é tão ou mais perigoso do que um dinossauro... caso estes existissem. Já dizia Ripley no saudoso Aliens (1986), de James Cameron... "ao menos eles não se lixam por uma percentagem maior"...
Chris Pratt e Bryce Dallas Howard perdem em Jurassic World: Fallen Kingdom um pouco daquela magia que pareciam irradiar em Jurassic World. Ainda que o espectador sinta que existe algum "clima" entre as suas personagens, foi o idealismo de ambos que os separou entre as duas entregas deixando cada um com o seu ideal de vida feliz... se para um é viver isolado no meio do campo, para o outro é a ideia de salvar o mundo que o move e deixa feliz em todas as suas conquistas. No entanto, aquilo que poderiam ter sido um para o outro e, de certa forma, para a dinâmica das suas personagens nesta obra soa mais a forçado do que aquilo que emanavam três anos antes.
No final, e para lá de uma intensa visita a Nublar e de um breve encontro entre os dois reis dos animais - leão e T-Rex -, Jurassic World: Fallen Kingdom é fiel ao que se propõe... uma história cujo objectivo principal é o óbvio entretenimento do seu público alvo e claro, a igualmente óbvia "obra de passagem" - quase como um ritual - que anuncia que as próximas entregas (venham lá elas quando vierem) serão centradas no mundo como o conhecemos ou, pelo menos, naquilo que ainda não foi alterado pelo passo gigante e destruidor de animais com força bruta e completamente descontrolados num mundo que... não é o seu. Ou será que ainda é?
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"Ian Malcolm: These creatures were here before us. And if we're not careful... they're going to be here after. Life cannot be contained. Life breaks free. Life... finds a way."
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7 / 10
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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Jackson Odell

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1997 - 2018
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Eunice Gayson

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1928 - 2018
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Anthony Bourdain

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1956 - 2018
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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Os Mortos (2018)

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Os Mortos de Gonçalo Robalo (Portugal) é um documentário em formato de curta-metragem presente na Competição Nacional da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema que decorreu no passado mês de Maio, em diversas salas da capital.
O realizador no centro de uma história de vida - a sua - rodeada de momentos em que a morte esteve sempre presente. De forma bastante simples, é este o breve resumo de um dos filmes maiores que o IndieLisboa apresentou este ano e, arrisco dizer, a forma mais lúcida, íntegra, próxima, sentimental e mesmo emotiva que uma obra cinematográfica conseguiu atingir para falar da inevitabilidade de todas as vidas... a morte.
Desde um Prólogo onde o espectador conhece, pelas palavras do próprio realizador Gonçalo Robalo, a capacidade da sua avó em contar histórias sobre aqueles com quem se cruzara e principalmente sobre aqueles que já partiram e que sempre o aproximaram de uma talvez estranha mas obsessiva curiosidade sobre aqueles com quem o próprio convivera e que, ao longo dos anos, viu partir.
De 1985 a 2017, várias são as histórias que Gonçalo Robalo partilha, tal como a sua avó com ínfimo detalhe, sobre aqueles que lhe sendo próximos vira partir. Sempre acompanhado por fotos daqueles que (nos) apresenta, do cão da mãe aos avós, dos tios passando pelos pais da namorada e até ao próprio pai, o realizador entrega(-se) ao seu documentário e ao seu espectador de forma desarmante e lúcida conferindo uma humanidade francamente desconhecida à morte tanto no como fora do ecrã.
Qualquer um de nós opta de forma fácil e despreocupada por ignorar aquela última e final etapa pela qual todos iremos passar. Sabemos que ela é inevitável e, como tal, para quê manifestar uma preocupação com algo que está fora do alcance do nosso controle? No entanto, Os Mortos é um daqueles documentários que consegue conferir uma estranha mas reconfortante dignidade à morte através da empatia com que se fala daqueles que partiram e, obviamente, desse grande fantasma que paira no ar que é a Morte. O espectador, como consequência, aproxima-se também de todas aquelas pessoas que, sem alguma vez ter conhecido, se tornam próximas, reais e receptáculo de uma inesperada empatia que o leva a pensar que "esta pessoa poderia (poderá?) ser eu".
Cada segmento sempre acompanhado da fotografia daquele que é reconhecido enquanto alguém que "partiu", é repleto de pequenos momentos e detalhes sobre o mesmo. Ficamos a conhecer pequenos traços de perfil, breves histórias que eventualmente definem um pouco do carácter destas pessoas, humanizando-as para lá da sua fotografia e do simples registo de ter sido "alguém". Não vou ultrapassar os limites do bom senso caracterizando-os, a partir deste momento, como alguém que conhecemos, mas de certo modo é mesmo isto que acontece fazendo - este relato de Gonçalo Robalo - que o espectador consiga ver nas pessoas da sua vida alguém que o espectador consiga ver naqueles "seus" que também já partiram.
É então esta capacidade humanizadora de Os Mortos que mais seduz em todo este relato conseguindo criar durante os seus mais de vinte minutos toda uma empatia para com os vivos, compreensão para com os mortos e perceber que todos aqueles momentos que com eles partilhámos na (sua) vida deixaram(-nos) todo um conjunto de experiências e conhecimentos que aos poucos nos transformam - de forma quase inconsciente - e dando, ao mesmo tempo, uma certa perspectiva sobre a morte como mais uma etapa (a final) de todo um processo... temido... mas real, consistente e inevitável. Não choramos com este relato e estas histórias que nos são contadas na primeira pessoa mas, ainda assim, é no seu término que sentimos uma estranha impressão de que a veracidade das palavras aqui proferidas existe dentro de cada um de nós e que todos, sem excepção, conseguimos compreender que nos aproximamos dessa inevitabilidade... daquele momento em que equacionamos a vida enquanto tal e a morte como um seu parente (ou familiar) que com todas as suas pequenas grandes características (nos) define reconfortando-nos (ou não) e percebendo que todos aqueles que com quem convivemos nos "prepararam" - à sua maneira - para este final.
Assim, e sem palavras mais ou menos plásticas que caracterizem todos aqueles que conhecemos e nos conheceram, a melhor frase para todo este processo de vida e morte chega com a breve noção que o realizador nos entrega... todos somos bichos... e no final... bichos mortos. Todos tivemos o nosso momento e... um certo dia... ele termina sem qualquer aviso prévio. Tudo é cíclico, evolutivo e, finalmente, terminal deixando-nos apenas breves noções nunca confirmadas sobre como enfrentar esse momento específico. Preparados ou não... Os Mortos é um filme avassalador, intensamente tranquilo e profundamente pessoal. Sem margens para qualquer dúvida... um dos melhores filmes deste festival - desta e de outras edições - e um dos mais intensos sobre a realidade da morte.
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"Narrador: Somos todos bichos e, no final, seremos todos bichos mortos."
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9 / 10
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Alan O'Neill

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1970 - 2018
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Ariel 2018: os vencedores

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Sueño en Otro Idioma, de Ernesto Contreras foi o grande vencedor da noite ao arrecadar seis troféus Ariel entregues anualmente pela Academia Mexicana de Cinema incluindo os de Melhor Filme e Melhor Actor, numa cerimónia que se realizou ontem no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México.
São os vencedores:
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Filme: Sueño en Otro Idioma, de Agencia Sha, Alebrije cine y video, Revolver Ámsterdam, FOPROCINE, Estudios Churubusco Azteca, EFICINE e Ernesto Contreras (real.)
Primeira Obra: El Vigilante, de Diego Ros
Documentário: La Libertad del Diablo, de Everardo González
Filme Ibero-Americano: Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
Curta-Metragem de Ficção: Oasis, de Alejandro Zuno
Documentário Curta-Metragem: La Muñeca Tetona, de Diego Enrique Osorno e Alexandro Aldrete
Curta-Metragem de Animação: Cerulia, de Sofía Carrillo
Realização: Amat Escalante, La Región Salvaje
Actor: Eligio Meléndez, Sueño en Otro Idioma
Actriz: Karina Gidi, Los Adioses
Actor de Elenco: Andrés Almeida, Tiempo Compartido
Actriz de Elenco: Bernarda Trueba, La Región Salvaje
Actor Secundário: Miguel Rodarte, Tiempo Compartido
Actriz Secundária: Verónica Toussaint, Oso Polar
Revelação Masculina: Juan Ramón López, Vuelven
Revelação Feminina: Ana Valeria Becerril, Las Hijas de Abril
Argumento Original: Carlos Contreras, Sueño en Otro Idioma
Montagem: Fernanda de la Peza e Jacob Secher Schulsinger, La Región Salvaje
Fotografia: Tonatiuh Martínez, Sueño en Otro Idioma
Música Original: Andrés Sánchez Maher, Sueño en Otro Idioma
Som: Enrique Greiner, Pablo Tamez e Raymundo Ballesteros, Sueño en Otro Idioma
Direcção Artística: Antonio Muñohierro, El Elegido e Carlos Jacques, La Habitación
Guarda-Roupa: Mariestela Fernández e Gabriela Diaque, La Habitación
Caracterização: Adam Zoller, Vuelven
Efeitos Especiais: José Manuel Martínez, La Región Salvaje
Efeitos Visuais: Peter Hjorth, La Región Salvaje
Ariel de Oro: Queta Lavat (Actriz) e Toni Kuhn (Fotógrafo)
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The Looking Planet (2014)

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The Looking Planet de Eric Law Anderson (EUA) é uma brilhante curta-metragem de animação sobre, no fundo, a criação do planeta Terra - e do Universo - tal como o conhecemos.
Lufo (voz de Samuel Hery), é um jovem idealista membro do Congresso Cósmico de Engenheiros. Os seus sonhos de auto-expressão artística dão-lhe o impulso e a iniciativa para se exprimir num Universo ainda por se definir. Poderá o seu amor pela criação fazer nascer um novo e admirável planeta?
O realizador e argumentista Eric Law Anderson cria uma das mais surpreendentes, apaixonadas e premiadas curtas-metragens dos últimos anos ao sintetizar nos seus quinze minutos todo um conto de iniciativa, paixão, independência, liberdade e expressão individual expectável naquele que o espectador pode considerar e achar de e sobre um bom filme. E é aqui que reside a tal magia que se espera de uma história onde a criação e a expressão de uma individualidade se querem fazer sentir. Desde cedo que o espectador se deixa levar pelos encantos do jovem "Lufo", um simpático e afável extra-terrestre (quando ainda nem existia esta designação pela ausência de noção de Terra) que deseja com todas as suas energias encontrar uma forma especial de fazer nascer o sonho da sua expressão... algo que o represente e, de certa forma, aquele que será o seu legado para um futuro ainda distante. "Lufo", sem conhecimento de causa daquilo que a sua criação poderia trazer ao mundo, é essencialmente o inesperado pai de todo um planeta que cria através da deslocação pontual e pertinente de outra planeta... a Lua. A influência que a sua expressão artística exerce sobre as potenciais formas de vida que aqui existiam - à altura - foi fundamental para toda uma manifestação de evolução para todos os séculos de mudança que estavam porvir. No entanto, não é esta evolução que está aqui em destaque mas sim a forma apaixonada com que o jovem "Lufo" se deixa levar quando tudo à sua volta - os seus superiores - parecem estar contra a sua vontade.
"Lufo" é a expressão animada de todos os grandes criadores que se deixam levar pelos seus sonhos e por uma extrema paixão para com a sua arte e que criam verdadeiras obras capazes de manifestar, após a sua concretização, todo um conjunto de pensamentos, correntes ou expressões artísticas que marcam os tempos futuros. Aqui, "Lufo" cria com a sua obra artística, o exemplo maior de manifestação de um tempo... Ao deslocar a Lua e com o exercício da influência desta sobre a Terra - como criador de um objecto de arte cujas consequências desconhecia -, este jovem deu forma à única forma de evolução que, a vida tal como a conhecemos, alguma vez conheceria. Enquanto criador de arte, não só manifesta com a sua obra toda a sua paixão como principalmente dá corpo a uma expressão individual e criativa que desafiou os seus limites ou, pelo menos, aqueles que lhe haviam sido impostos enquanto "jovem" criador.
Inesperadamente dramática e surpreendentemente emotiva pela forma como entrega ao espectador a paixão de um grande artista no corpo de "Lufo", The Looking Planet é uma das mais agradáveis e imaginativas curtas-metragens, reflexo de uma animação contemporânea onde os limites da informatização e dos efeitos especiais são inexistentes... tal como a obra de um grande criador.
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9 / 10
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

The Birch (2016)

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The Birch de Ben Franklin e Anthony Melton (Reino Unido) é uma curta-metragem que revela a história de Shaun (Aaron Thomas Ward), um adolescente atormentado pela ira de Kris (Charlie Venables), um violento colega que tudo faz para o perseguir e maltratar. Mas, no momento em que a sua avó se prepara para partir para outro mundo, deixa-o com um estranho voto de protecção sobre alguém que irá preservar a sua segurança...
Cliff Wallace juntamente com a dupla de realizadores criou este argumento tendo como por base um tradicional conto de terror onde uma alma atormentada em vida encontra, num ser de outra dimensão, um inesperado aliado que o vingue dos seus carrascos. Fugido que está de um agressor que o tem vitimizado, e encontrando-se num momento de fragilidade em que se prepara para perder aquela que tem cuidado de si como um filho, "Shaun" estabelece essa tal improvável relação com uma entidade que tem tanto de assombroso como de natural, deixando o espectador num limbo sobre a empatia (ou falta dela) que se pretende criar com tão bizarra e sobrenatural personagem.
Assim, num misto de mitologia pagã onde a Natureza surge como uma personagem/entidade com poderes ultra-sobrenaturais - e não o será na realidade? - e conto urbano onde a jovem personagem principal (ainda adolescente) é a vítima de um dos seus pares sedento da sua constante humilhação, The Birch afirma-se como um daqueles filmes curtos - excessivamente curtos acrescento - que daria toda uma intensa história de terror sobrenatural capaz de explorar não só a influência desta entidade "natural" (ou demónio subterrâneo?!) assim como toda a sua influência na mente e nos comportamentos do jovem "Shaun" agora desprotegido e sózinho face às amarguras e tristezas de uma vida que nem sempre lhe sorri.
Dotado de uma direcção de fotografia de Jonny Franklin que capta muito da atmosfera do tradicional filme de terror bem como de toda uma cor e bruma mística de um ambiente natural, The Birch prima pela qualidade da sua execução assim como por todo um potencial que poderia ir muito mais além e surpreender pelo terror da dependência entre humano e sobrenatural assim como das suas (in)esperadas consequências.
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7 / 10
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Esta Noite que nos Chama (2016)

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Esta Noite que nos Chama de Francisco Morais e Miguel Pinto (Portugal) é uma curta-metragem com argumento da dupla de realizadores que conta um breve momento na vida de Luís (José Ceitil), um aparentemente pacífico comerciante de lãs que numa noite na sua loja é assaltado por Alex (Nelson Leão) e Sérgio (Pedro Bernardino). Mas aquele que parece um encontro do acaso cedo se transforma num inesperado ajuste de contas com o passado...
Esta curta-metragem ganha forma apresentando ao espectador a vida de um homem aparentemente simples. Já com uma certa idade, "Luís" trabalha num comércio local em franca decadência, vive só e toda a sua vida gira em torno de um conjunto de acções e momentos que já são parte de uma rotina de anos. Esta vida, característica de tantos que, tal como ele, já entraram na dita terceira idade, revela-se como símbolo de toda uma geração que agora, desamparados de qualquer apoio familiar ou social, se limita a (sobre)viver num mundo que aparenta já não ter lugar para ele(s). Mas, e se a vida de "Luís" esconder algo mais que não é revelado?
Quando a dinâmica de "Luís" é subitamente absorvida pela introdução de duas novas personagens - "Alex" e "Sérgio" -, o espectador rende-se à evidência de que algo mais irá surgir na vida de todos e que os seus destinos irão - algures - cruzar-se. Do assalto a algo mais carnal que possa colmatar as necessidades mútuas - para um talvez a quebra da sua solidão... para os outros mais algum dinheiro para satisfazer uma vida marginal... inicialmente não sabemos -, tudo passa pela mente do espectador que se deixa levar por esta dupla dinâmica num argumento que se revela consistente oscilando, no entanto, entre um aparente drama social e uma história de crime e talvez algum mistério.
Se aos poucos o espectador é surpreendido com os destinos das três personagens é, no entanto, a dinâmica recriada por um breve flashback que permanece na sua mente esclarecendo-o sobre os propósitos da dupla de jovens actores e das suas personagens que, para lá de um qualquer assalto, parecem condenados a um inesperado tormento que os ensombra desde um passado já - para eles - distante. E se as histórias de "Alex" e "Sérgio" não surpreendam em absoluto o espectador já "certo" daquilo que potencialmente os motiva, é sim "Luís" que se revela como o verdadeiro "lobo" que se esconde nessa vida dita "normal".
Não restam dúvidas que os predadores se escondem por detrás de rostos aparentemente normais - ou banais - com os quais todos nós nos cruzamos diariamente mas, no entanto, a dupla de realizadores e argumentistas consegue criar uma dinâmica de aparente solidão social a propósito de "Luís" que origina o mote da surpresa num espectador atento e preso à sua dinâmica inicial. É este mesmo efeito surpresa que revela não só a quebra da empatia que existia para com a sua personagem logo nos instantes iniciais, como desmistifica principalmente a noção de que marginal é apenas a dupla de jovens que tão veementemente desejam entrar na sua loja com o único pretexto de ganhar um dinheiro extra.
Consistente na sua trama e favorecida com três interpretações dignas e fiéis à mensagem que pretendem transmitir ao seu público, Esta Noite que nos Chama é o exemplo perfeito de um filme que se divide em dois momentos precisos levando inicialmente o espectador a criar uma ideia sobre a sua dinâmica para, de seguida, rapidamente a desfazer quando apresentados todos os elementos que dão cor e uma inesperada vida ao argumento transformando radicalmente até o próprio género da história.
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7 / 10
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Turned (2015)

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Turned de Adam Bolt (EUA) é uma curta-metragem que recupera a trama tradicional do género ao inserir uma família - ou o que resta dela - num mundo onde a sobrevivência face a uma invasão zombie é o objectivo último.
Mãe (Ryan Driscoll) e Filho (Zackary Arthur) tentam fugir numa cidade dominada pelos mortos-vivos. Quando refugiados numa casa com outro sobrevivente (Benjamin Busch), Lisa descobre que foi mordida. No momento em que percebe que a sua vida está perto do final, qual o legado que poderá deixar para que o jovem Cameron sobreviva?
Adam Bolt cria a tradicional história de apocalipse zombie. Uma cidade dominada pelos mortos-vivos que a ocuparam sem qualquer causa aparente que seja explicada, a dinâmica ultrapassa o interesse em descobrir os motivos mas sim compreender como é que os poucos sobreviventes não infectados que restam resistem num mundo onde tudo está contra as suas necessidades.
Das supostas alianças à memória para o futuro, Turned é contado através de um conjunto de flashbacks da protagonista que oscilam entre aquilo que recorda, o que deseja transmitir ao seu jovem filho que brevemente irá ficar orfão e ainda sobre o conjunto de memórias que lentamente vai perdendo enquanto o seu corpo cede perante o vírus que agora percorre o seu corpo.
Com alguma previsibilidade - a certa altura - à mistura, esta curta-metragem consegue manter um certo suspense sobre os destinos do jovem "Cameron" que embarca nas vontades da mãe que compreende estar perto do fim. Num último desejo de preservar a vida do seu jovem filho, "Lisa" terá de começar por eliminar as ameaças mais latentes... a sua "transformação" e claro, o outro sobrevivente que vê no seu filho um empecilho que não irá ajudar a salvar. No momento em que lhe faltam as forças físicas e psicológicas para conseguir manter o discernimento e a vontade, "Lisa" terá apenas uma última escolha... lutar sem propósito ou abraçar a condição de alguém que irá estar, para sempre, ligada a um filho que quer sobretudo salvar... mas a que custo?!
Dinâmico na sua elaboração e capaz de manter o ritmo e a incerteza até aos últimos instantes - falhando apenas no momento em que mais necessário era -, Turned consegue nos seus breves minutos contar uma história com princípio, meio e fim sem atropelos, exageros ou tempos mortos (sigh)... mesmo que para isso recorra a um sem fim de momentos desse passado já perdido e criar uma interessante atmosfera (em tão pouco espaço) do aspecto de um pequeno mundo destruído e onde reina o caos.
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7 / 10
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domingo, 3 de junho de 2018

Kent McCray

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1929 - 2018
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Love, Simon (2018)

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Com Amor, Simon de Greg Berlanti (EUA) é uma longa-metragem e possivelmente uma das primeiras comédias românticas de Verão a estrear, apresentando a história de Simon (Nick Robinson), um jovem adolescente que vê a sua homossexualidade exposta perante todos os seus colegas e amigos depois de uma breve relação online com outro colega da escola que desconhece.
Num momento determinante do seu desenvolvimento, Simon terá não só de se assumir perante a sua família e amigos como principalmente perante si próprio. Irá ele encontrar o amor verdadeiro?
Baseado no romance de Becky Albertalli, Elizabeth Berger e Isaac Aptaker escrevem o argumento de Love, Simon, uma comédia romântica que tem tudo de tradicional... menos o par protagonista. Ao contrário de todas as comédias adolescentes que estreiam nas salas de cinema onde os protagonistas são um casal do sexo oposto, esta longa-metragem não só prima pela diferença em apresentar no seu centro um jovem adolescente homossexual como principalmente privá-lo de um par... "Simon" é assim, o protagonista de uma história onde tudo o que o espectador vê se centra nos seus sentimentos, na sua descoberta, nos seus momentos e principalmente na sua evolução sentimental onde primeiro se compreende, depois se aceita e finalmente se assume ao mundo ao seu redor enquanto, pelo caminho, espera encontrar aquilo que possivelmente todos procuram... um verdadeiro amor (seja lá isso o que fôr em tão jovem idade).
Num mundo em constante mutação e no qual a aldeia global tudo e todos aproxima, a relação (ou potencial) que aqui se desenvolve inicia-se através de tantas nestes dias... online. Apenas chega um computador com ligação à "rede", para que tudo seja possível e aconteça. Mas, ao mesmo tempo que se esperam os efeitos positivos, é também uma realidade que tudo o que é de mau pode entrar pela porta... Mas, afastando os riscos da "rede" neste momento, concentre-se o espectador no potencial desta história que prima, de facto, pela diferença.
Longe de qualquer gratuitidade dos contos românticos e adolescentes de Verão, Love, Simon apresenta a história de um jovem que sente ter vivido tempo demais longe da sua própria felicidade onde, por medo ou por desconhecimento de outra pessoa como ele, escondeu os seus verdadeiros sentimentos e sexualidade, respondendo apenas aos lugares comuns de todos os demais que, contrariamente a ele, encontram a "naturalidade" dos afectos no sexo oposto. Num momento em que o mundo atravessa todas estas pequenas convulsões sociais onde os afectos e o direito à sexualidade são também um Direito Humano, Love, Simon surge então como a normal resposta às evidências... o amor, independentemente do género, é natural e acima de tudo... um Direito. Ainda que alguns momentos em que esta longa-metragem pareça querer exibir uma certa missão de ensinamento versus aprendizagem, Love, Simon consegue ao mesmo tempo criar o clima romântico esperado para uma história do género e ainda mostrar às mentes mais centradas num qualquer passado que independentemente da sexualidade, esta história contém o principal... todos têm o direito de amar.
Missão de aprendizagem à parte o que resta a Love, Simon? Uma história de amor, de descoberta, de aceitação, de ultrapassagem de obstáculos, de compreensão e sobretudo do poder da amizade e da união numa família que apenas deseja viver numa harmonia que sentida fragilizada apenas a quer ver reforçada pela compreensão de que naquele espaço tudo o que revela a positividade e garantia de amor é respeitado e bem-vindo. Love, Simon concentra-se ainda na história de amizade entre aqueles que sempre o foram (amigos), bem como na reacção em que estes reagem à descoberta de um segredo - até então - inconfessado. Poderão aqueles com quem partilhámos todos os momentos da vida aceitar e perceber que "Simon" é o mesmo de sempre apenas com um aspecto da sua vida agora assumido ou ver nele uma pessoa totalmente diferente, que desconhecem e com quem não querem voltar a conviver?
Expostos todos os argumentos narrativos desta história, Love, Simon é então a típica história sobre os últimos momentos da vida de um adolescente que encontra a sua vida dita "normal" (até então) ameaçada pelo bullying de um dos seus pares mas que, ao mesmo tempo, revela ter todo um potencial para continuar a acreditar na possibilidade do amor, em esperá-lo até, e manter não só o seu lugar junto dos seus amigos bem como - e principalmente - de uma família que ama... e que o ama.
Nick Robinson é extremamente convincente como o protagonista desta história assumindo-se capaz de espelhar todo um conjunto de emoções, surpresas, receios e alegrias típicas de um jovem da sua idade sem nunca perder o sonho, a ilusão, o desejo e a vontade de experimentar a sua sexualidade como algo normal - como o é - livre de preconceitos e medos que apenas fazem parte de um momento negro de um passado que, embora não distante, está ultrapassado. Com um elenco secundário coeso que passa não só pelos jovens actores que interpretam os seus amigos (e até o chantageador) sem esquecer aqueles que compõem a sua família - brilhantes e simples interpretações de Josh Duhamel (pai) e Jennifer Garner (mãe) capazes de criar todo um conjunto de emotividade e sofrimento por um filho que querem ver bem (mantenho a minha opinião sobre todo o potencial dramático de uma emotiva e belíssima Garner) -, Love, Simon é, tal como o seu nome indica, uma belíssima, pertinente e actual história de auto-descoberta e amor essencial para o grande ecrã e para o grande público capaz de se deixar prender por uma dos mais nobres sentimentos de sempre... o amor... onde residem as primeiras paixões, as primeiras expressões do mesmo e a compreensão de que o mundo pode ser vivido a dois... e livre de preconceitos.
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"Simon: I deserve a great love story."
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7 / 10
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