sábado, 30 de novembro de 2019

Caminhos do Cinema Português 2019: os vencedores

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Terminou hoje no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, a vigésima-quinta edição do Caminhos do Cinema Português por onde passaram algumas das obras mais emblemáticas do cinema nacional do último ano. Vitalina Varela, de Pedro Costa foi o grande vencedor da noite ao arrecadar não só o Grande Prémio como também os troféus para Melhor Actriz e Fotografia sendo que Variações, de João Maia foi o mais premiado da noite ao arrecadar cinco troféus incluindo os de Actor e Intérpretes Secundários.
São os vencedores:
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Selecção Oficial
Grande Prémio: Vitalina Varela, de Pedro Costa
Filme: Alva, de Ico Costa
Documentário: Fordlandia Malaise, de Susana de Sousa Dias
Curta-Metragem: Ruby, de Mariana Gaivão
Filme de Animação: O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto, de Bruno Caetano
Revelação: Maria Abreu, Tristeza e Alegria na Vida das Girafas
Realização: Pedro Filipe Marques, Viveiro
Actor: Sérgio Praia, Variações
Actriz: Vitalina Varela, Vitalina Varela
Actor Secundário: Filipe Duarte, Variações
Actriz Secundária: Teresa Madruga, Dia de Festa e Variações
Argumento Original: José Filipe Costa, Prazer, Camaradas!
Argumento Adaptado: Manuel Moreira e Bruno Caetano, O Peculiar Crime do Estranho Sr. Jacinto
Montagem: Francisco Moreira e Ana Godoy, Alva
Fotografia: Leonardo Simões, Vitalina Varela
Música Original: Normand Roger, Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias
Som: David Badalo, Alva
Direcção Artística: Ana Bossa, Último Acto
Guarda-Roupa: Patrícia Dória, Variações
Caracterização: Magali Santana, Variações
Cartaz: Inês Bento, Ruby
Menção Especialíssima: Fernando Alle, Mutant Blast - Efeitos Especiais
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Júri Cineclubes
Prémio D. Quijote: Cerro dos Pios, de Miguel de Jesus
Menção Honrosa: Raposa, de Leonor Noivo
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Selecção Ensaios
Ensaio Nacional: Quem Me Dera em Vez de Uma Câmara Ter Uma Mosca, de Cláudia Craveiro Santos
Menção Honrosa: Ode à Infância, de Luís Vital e João Monteiro
Ensaio Internacional: Freigang, de Martin Winter
Menção Honrosa: La Llorona, de Rosana Cuellar
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Júri da Imprensa
Prémio da Imprensa: Fordlandia Malaise, de Susana de Sousa Dias
Menção Honrosa: Past Perfect, de Jorge Jácome
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Selecção "Outros Olhares"
Filme: Actos de Cinema, de Jorge Cramez
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Prémio do Público: Quero-te Tanto!, de Vicente Alves do Ó
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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Prémios Feroz 2020: os nomeados

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Foram anunciados há instantes os nomeados aos Premios Feroz entregues anualmente pela crítica especializada espanhola. Entre os nomeados encontram-se os títulos mais falados do cinema espanhol do último ano destacando-se, entre eles, Dolor y Gloria, de Pedro Almodóvar reunindo 10 nomeações incluindo a de Melhor Filme - Drama. A acompanhá-lo na disputa deste troféu encontram-se Els Dies que Vindran, de Carlos Marques-Marcet, El Hoyo, de Galder Gaztelu-Urrutia, Lo que Arde, de Óliver Laxe, Quien a Hierro Mata, de Paco Plaza e La Trinchera Infinita, de Jon Garaño, José Maria Goenaga e Aitor Arregi.
São os nomeados:
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Cinema
Melhor Filme - Drama
Els Dies que Vindran, de Carlos Marques-Marcet
Dolor y Gloria, de Pedro Almodóvar
El Hoyo, de Galder Gaztelu-Urrutia
Lo que Arde, de Óliver Laxe
Quien a Hierro Mata, de Paco Plaza
La Trinchera Infinita, de Jon Garaño, José Maria Goenaga e Aitor Arregi
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Melhor Filme - Comédia
Diecisiete, de Daniel Sánchez Arévalo
El Increíble Finde Menguante, de Jon Mikel Caballero
Litus, de Dani de la Orden
Lo Dejo Cuando Quiera, de Carlos Therón
Ventajas de Viajar en Tren, de Aritz Moreno
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Melhor Realização
Pedro Almodóvar, Dolor y Gloria
Galder Gaztelu-Urrutia, El Hoyo
Óliver Laxe, Lo que Arde
Jon Garaño, Jose Mari Goenaga e Aitor Arregi, La Trinchera Infinita
Aritz Moreno, Ventajas de Viajar en Tren
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Melhor Actor Protagonista
Antonio Banderas, Dolor y Gloria
Karra Elejalde, Mientras Dure la Guerra
Antonio de la Torre, La Trinchera Infinita
Luis Tosar, Quien a Hierro Mata
David Verdaguer, Els Dies que Vindran
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Melhor Actriz Protagonista
Pilar Castro, Ventajas de Viajar en Tren
Belén Cuesta, La Trinchera Infinita
Greta Fernández, La Hija de un Ladrón
Marta Nieto, Madre
María Rodriguez Soto, Els Dies que Vindran
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Melhor Actor Secundário
Enric Auquer, Quien a Hierro Mata
Asier Etxeandía, Dolor y Gloria
Eduard Fernández, Mientras Dure la Guerra
Quim Gutiérrez, Ventajas de Viajar en un Tren
Leonardo Sbaraglia, Dolor y Gloria
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Melhor Actriz Secundária
Penélope Cruz, Dolor y Gloria
Mona Martínez, Adiós
Laia Marull, La Inocencia
Antonia San Juan, El Hoyo
Julieta Serrano, Dolor y Gloria
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Melhor Argumento
Pedro Almodóvar, Dolor y Gloria
David Desola e Pedro Rivero, El Hoyo
Óliver Laxe e Santiago Fillol, Lo que Arde
Jose Mari Goenaga e Luiso Berdejo, La Trinchera Infinita
Javier Gullón, Ventajas de Viajar en Tren
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Melhor Música Original
Zeltia Montes, Adiós
Arturo Cardelús, Buñuel en el Laberinto de las Tortugas
Alberto Iglesias, Dolor y Gloria
Alejandro Amenábar, Mientras Dure la Guerra
Pascal Gaigne, La Trinchera Infinita
Cristóbal Tapia de Veer, Ventajas de Viajar en Tren
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Melhor Trailer
Miguel Angel Trudu, Adiós
Jorge Luengo, Dolor y Gloria
Raúl López, El Hoyo
Marcos Flórez, Lo que Arde
Rafa Martínez, Mientras Dure la Guerra
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Melhor Cartaz
Miguel Navia, El Crack Cero
Eduardo García, El Hoyo
Aitor Errazquin e Carlos Hidalgo, Lo que Arde
José Ángel Peña, Ventajas de Viajar en Tren
Laura Renau, La Virgen de Agosto
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Televisão
Melhor Série - Drama
La Casa de Papel (Netflix)
En el Corredor de la Muerte (Movistar +)
Foodie Love (HBO Europe)
Hierro (Movistar +)
La Peste (Movistar +)
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Melhor Série - Comédia
Paquita Salas (Netflix)
Vida Perfecta (Movistar +)
Vota Juan (TNT España)
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Melhor Actor Protagonista
Javier Cámara, Vota Juan
Brays Efe, Paquita Salas
Darío Grandinetti, Hierro
Álvaro Morte, La Casa de Papel
Miguel Ángel Silvestre, En el Corredor de la Muerte
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Melhor Actriz Protagonista
Toni Acosta, Señoras del (h)Ampa
Laia Costa, Foodie Love
Leticia Dolera, Vida Perfecta
Candela Peña, Hierro
Eva Ugarte, Mira lo que has Hecho
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Melhor Actor Secundário
Enric Auquer, Vida Perfecta
Jesús Carroza, La Peste
Oscar Casas, Instinto
Eduard Fernández, Criminal: España
Adam Jezierski, Vota Juan
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Melhor Actriz Secundária
Belén Cuesta, Paquita Salas
Alba Flores, La Casa de Papel
Celia Freijeiro, Vida Perfecta
Yolanda Ramos, Paquilta Salas
Aixa Villagrán, Vida Perfecta
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O Prémio Feroz Especial e o Feroz de Melhor Documentário serão conhecidos no próximo dia 11 de Dezembro enquanto que os vencedores das demais categorias serão conhecidos na cerimónia dos Premios Feroz a realizar no próximo dia 16 de Janeiro em Alcobendas.
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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Prémio Sophia Estudante 2019: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Sophia Estudante, prémios entregues anualmente pela Academia Portuguesa de Cinema aos melhores trabalhos de cariz académico do último ano. Os nomeados nas cinco categorias são:
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Banho Santo, de Bruno Saraiva - ULHT
Cringe, de Dinis Leal Machado - ESMAD
Da Capo, de Mário de Oliveira - UBI
Estranha Forma de Vida, de Jorge Almeida - ESAD
Loop, de Ricardo M. Leite - ESMAD
Obduto, de Henrique Rocha - UCPorto
Ouro Sobre Azul, de Andreia Pereira da Silva - ULHT
Tragédia, de Célia Fraga - ESAP
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Melhor Documentário - Curta-Metragem
Direito à Memória, de Rúben Sevivas e Mariana Teixeira - UBI
E o Tempo Passou, de Maria Duarte - ESTA
Há Alguém na Terra, de Francisca Magalhães, Joana Tato Borges e Maria Canela - UCPorto
Jamaika Onto New Paths, de Alexander Sussmann - ULHT
A Rua é uma Selva, de Ricardo Mussa - World Academy
Sombra, de Diogo Lourenço, Duarte Gaivão e Francisco Moura - ULHT
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Grow Up, de Thomas Coutinho - Soares dos Reis
Hotaru, de Marta Ribeiro - Soares dos Reis
Ode à Infância, de João Monteiro e Luís Vital - ESTG - IPPortalegre
One Minute Show Time, de Maria Clara Norbachs e Marisa Alves Pedro - UBI
O Presidente Veste Nada, de Clara Borges e Diana Agar - UBI

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Melhor Curta-Metragem Experimental

José, de João Monteiro - ESAP
Juliette, de Gabriela Ferreira e Mário Almeida - U. Minho
Lázaro, de Concha Silveira, Alba Dominguez e David Cruces - ULHT
Somewhere in Outer Space This Might Be Happenin Somehow, de Paulo Malafaya - Soares dos Reis
A Viagem, de Henrique Lopes - ETIC Algarve
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Melhor Cartaz
Atrás de Tempo, Tempo Vem, de Patrícia Azevedo - ESMAD
Paisagem Submersa, de Edmundo Correia - ESMAD
A Poison Tree as Written by William Blake, de Tiago Nunes - ETIC
Ouro Sobre Azul, de Marta Féria de Sá - ULHT
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 12 de Dezembro no Museu da Farmácia, em Lisboa.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Godfrey Gao

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1984 - 2019
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Prémio LUX 2019: o vencedor

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Foi hoje revelado pelo Parlamento Europeu o vencedor do Prémio LUX atribuído anualmente pela instituição à obra cinematográfica europeia que melhor representa o espírito do cinema contemporâneo do continente.
Gospod Postoi, Imeto I'e Petrunija, de Teona Strugar Mitevska (Macedónia do Norte/Bélgica/França/Croácia/Eslovénia) foi o grande vencedor deste ano - já tendo passado por diversos festivais de cinema e tendo ganho inclusive o troféu de Melhor Actriz no Festival de Cinema Europeu de Sevilha -, disputando o troféu com El Reino, de Rodrigo Sorogoyen (Espanha/França) e Cold Case Hammarskjöld, de Mads Brügger (Dinamarca/Noruega/Suécia/Bélgica).
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O Prémio Lux foi entregue hoje no Parlamento Europeu depois da votação pelos deputados eleitos ao mesmo, e após ter sido exibido em diversas cidades europeias ao longo das últimas semanas.
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domingo, 24 de novembro de 2019

Shortcutz Viseu - Sessão #136

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Mais uma semana... mais uma sessão do Shortcutz Viseu. A Sessão #136 irá decorrer no próximo dia 29 de Novembro a partir das 22 horas na Incubadora do Centro Histórico com mais uma noites de filmes curtos presentes no segmento Curtas em Competição.
Assim, nesta noite, serão exibidos os filmes curtos Flumen, de Frederico Ferreira, José, de João Monteiro, Moscatro, de Patrícia Maciel e California, de Nuno Baltazar. Todos os realizadores estarão presentes na sessão para a apresentação dos seus filmes enquanto a realizadora marcará presença através de um vídeo onde dirigirá algumas palavras ao público.
O cinema curto volta a marcar presença em Viseu numa sessão que será, mais uma vez, de entrada gratuita para o público.
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LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival 2019: os vencedores

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Termina hoje a décima-terceira edição do LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival que teve como principais sedes, desde o passado dia 15 de Novembro, o Cinema Nimas (Lisboa) e no Centro Cultural Olga de Cadaval (Sintra), com o anúncio dos vencedores deste ano.
O júri composto por Victória Guerra, Yasmine Hamdan, Wagner Moura e Maria João Pires decidiu pelos seguintes vencedores:
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Filme: Balloon, de Pema Tseden
Grande Prémio do Júri - João Bénard da Costa: Tommaso, de Abel Ferrara
Prémio Especial do Júri: Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, Dylda e Grear Patterson, Giants Being Lonely
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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Eduardo Nascimento

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1943 - 2019
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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Film Independent's Spirit Awards 2020: os nomeados

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Foram hoje revelados os nomeados aos Spirit Awards. Entre os nomeados encontram-se vários dos títulos mais falados para esta temporada de prémios e entre as longas-metragens que disputam o troféu para Melhor Filme são A Hidden Life, de Terence Mallick, Clemency, de Chinonye Chukwu, The Farewell, de Lulu Wang, Marriage Story, de Noah Baumbach e Uncut Gems, de Benny Safdie e Josh Safdie.
São os nomeados:
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Melhor Filme
A Hidden Life, de Terence Mallick
Clemency, de Chinonye Chukwu
The Farewell, de Lulu Wang
Marriage Story, de Noah Baumbach
Uncut Gems, de Benny Safdie e Josh Safdie
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Melhor Primeira Obra
Booksmart, de Olivia Wilde
The Climb, de Michael Angelo Covino
Diane, de Kent Jones
The Last Black Man in San Francisco, de Joe Talbot
The Mustang, de Laure de Clermont-Tonnerre
See You Yesterday, de Stefon Bristol
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Melhor Documentário
American Factory, de Steven Bognar e Julia Reichert
Apollo 11, de Todd Douglas Miller
For Sama, de Waad Al-Khateab e Edward Watts
Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov
Island of the Hungry Ghosts, de Gabrielle Brady
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Melhor Filme Internacional
Gisaengchung, de Bon Joon Ho (Coreia do Sul)
Les Misérables, de Ladj Ly (França)
Portrait de la Jeune Fille en Feu, de Céline Sciamma (França)
Retablo, de Alvaro Delgado Aparício (Perú)
The Souvenir, de Joanna Hogg (Reino Unido)
A Vida Invisível, de Karim Aïnouz (Brasil)
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Jon Cassavetes Award
Burning Cane
Colewell
Give Me Liberty
Premature
Wild Nights with Emily
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Truer Than Fiction Award
Davy Rothbart, 17 Blocks
Erick Stoll e Chase Whiteside, América
Khalik Allah, Black Mother
Nadia Shihab, Jaddoland
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Producers Award
Mollye Asher
Krista Parris
Ryan Zacarias
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Someone to Watch Award
Joe Talbot, The Last Black Man in San Francisco
Rashaad Ernesto Green, Premature
Ash Mayfair, The Third Wife
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Bonnie Award
Marielle Heller
Kelly Reichardt
Lulu Wang
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Melhor Realização
Alma Har'el, Honey Boy
Lorene Scafaria, Hustlers
Roberts Eggers, The Lighthouse
Julius Onah, Luce
Benny Safie e Josh Safdie, Uncut Gems
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Melhor Actor Protagonista
Chris Galust, Give Me Liberty
Kevin Harrison Jr., Luce
Robert Pattinson, The Lighthouse
Adam Sandler, Uncut Gems
Matthias Schoenaerts, The Mustang
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Melhor Actriz Protagonista
Karen Allen, Colewell
Hong Chau, Driveways
Elisabeth Moss, Her Smell
Mary Kay Place, Diane
Alfre Woodard, Clemency
Renée Zellweger, Judy
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Melhor Actor Secundário
Willem Dafoe, The Lighthouse
Noah Jupe, Honey Boy
Shia LaBeouf, Honey Boy
Jonathan Majors, The Last Black Man in San Francisco
Wendell Pierce, Burning Cane
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Melhor Actriz Secundária
Jennifer Lopez, Hustlers
Taylor Russell, Waves
Zhao Shuzhen, The Farewell
Lauren 'Lolo' Spencer, Give Me Liberty
Octavia Spencer, Luce
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Melhor Argumento
Clemency, Chinonye Chukwu
High Flying Bird, Tarell Alvin McCraney
Marriage Story, Noah Baumbach
To Dust, Jason Begue e Shawn Snyder
Uncut Gems, Ronald Bronstein, Benny Safdie e Josh Safdie
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Melhor Primeiro Argumento
Blow the Man Down, Danielle Krudy e Bridget Savage Cole
Driveways, Hannah Bos e Paul Thureen
Greener Grass, Jocelyn DeBoer e Dawn Luebbe
See You Yesterday, Fredrica Bailey e Stefon Bristol
The Vast of Night, James Montague e Craig W. Sanger
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Melhor Montagem
Give Me Liberty, Kirill Mikhanovsky
The Lighthouse, Louise Ford
Sword of Trust, Tyler L. Cook
The Third Wife, Julie Béziau
Uncut Gems, Ronald Bronstein e Benny Safdie
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Melhor Fotografia
Honey Boy, Natasha Braier
Hustlers, Todd Banhazi
The Lighthouse, Jarin Blaschke
Midsommar, Pawel Pogorzelski
The Third Wife, Chananun Chotrungroj
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no dia 8 de Fevereiro de 2020 em Santa Monica, na California.
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terça-feira, 19 de novembro de 2019

José Mário Branco

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1942 - 2019
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European Film Awards 2019: os primeiros vencedores

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A Academia Europeia de Cinema anunciou hoje os primeiros vencedores dos European Film Awards de 2019. O júri composto por Nadia Ben Rachid (França), Vanja Černjul (Croácia), Annette Focks (Alemanha), Gerda Koekoek (Holanda), Eimer Ní Mhaoldomhnaigh (Irlanda), Artur Pinheiro (Portugal), Gisle Tveito (Noruega) e István Vajda (Hungria) deciciu assim os seguintes vencedores:
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Montagem: Yorgos Mavropsaridis, The Favourite
Fotografia - Prémio Carlo Di Palma: Robbie Ryan, The Favourite
Música Original: John Gürtler, Systemsprenger
Som: Eduardo Esquide, Nacho Royo-Villanova e Laurent Chassaigne, La Noche de 12 Años
Design de Produção: Antxon Gómez, Dolor y Gloria
Guarda-Roupa: Sandy Powell, The Favourite
Caracterização: Nadia Stacey, The Favourite
Efeitos Visuais: Martin Ziebell, Sebastian Kaltmeyer, Néha Hirve, Jesper Brodersen e Torgeir Busch, Om det Oändliga
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Os demais vencedores serão conhecidos na cerimónia da trigésima-segunda edição dos European Film Awards a decorrer em Berlim, no próximo dia 7 de Dezembro.
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segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Argentina Santos

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1924 - 2019
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domingo, 17 de novembro de 2019

Meat Wagon (2019)

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Meat Wagon de Josh Gould (EUA) é uma das estreias da décima edição do Buried Alive Film Festival em Atlanta e um dos mais curiosos filmes curtos da selecção na medida em que o seu potencial - por explorar - poderá criar um interessante conto de terror moderno.
Um homem que não consegue respirar. Dois paramédicos chamados para assistência. Uma casa e todo um conjunto de crenças religiosas que se misturam numa história onde o terror está porvir.
Num estilo muito próprio da série Z, esta magnífica curta-metragem de Josh Gould prima desde os seus primeiros instantes pela direcção de fotografia de Sidarth Kantamneni que confere a esta história a atmosfera assustadora dos filmes zombie que George Romero entregou há mais de trinta anos e que deixaram o grande público num suspenso sobre o que era mito ou realidade no espaço e no tempo da história a que assistiam. Mais, Meat Wagon consegue com os seus vários elementos escondidos por entre palavras enigmáticas e que deixam muito à sugestão do espectador, criar um conto que mescla essa incerteza do espaço com crenças religiosas, voodoo e ainda desavenças familiares que expõem o público a uma espécie de transe na medida em que este se concentra em todo um conjunto de subtis detalhes que chegam a um ritmo alucinante sem que, no entanto, nada na dinâmica desta história revele muito mais do que o início de "algo" que está por acontecer.
O espaço é, pensamos, familiar. Um sul profundo dos Estados Unidos... uma região ligada à crenças voodoo onde os feitiços e as conjuras são frequentes para que uma parte aparentemente vítima de uma comunidade possa garantir o (seu) controlo sobre a mesma. O espectador desconhece quais os seus fins. Nada, nesse aspecto, consegue ser suficientemente claro para que se delimite as acções daqueles que "nos" circulam mas, ainda assim, percebe que todos os acontecimentos que ali testemunhamos mais não são do que o início de uma qualquer revolução social que está por chegar... Serão zombies... será um qualquer feitiço de histeria colectiva... será uma simples dominação pelo subconsciente? Nada é certo. A única certeza conferida por esta história é que os acontecimentos, tal como se espera que eles se desenvolvam, ainda estão por chegar.
Ver a dinâmica desta história faz o espectador recordar um qualquer filme de Romero ou até mesmo destas recentes histórias de The Walking Dead. O espaço - físico - é familiar. Locais perdidos e voluntariamente isolados que são a génese de tudo o que está por acontecer... no fundo, o centro de uma qualquer "epidemia" que, por razões desconhecidas, irá tomar conta dos destinos da Humanidade - pelo menos daquele espaço em concreto -, e que a todos irá mudar sem qualquer piedade. Até mesmo os diálogos entre as diversas personagens fazem adivinhar essa mudança... Primeiro o paramédico que inicia esta dinâmica pela observação da sua tranquilidade por acabar, depois pela vítima que (talvez) não o será... O acusado que poderá ser o detentor de uma qualquer futura redenção mas agora injustamente acusado e finalmente as conversas teológicas e filosóficas que inundam os minutos finais desta curta-metragem... Algo está "presente" mesmo que, para o espectador, seja ainda incerto sobre que forma irá assumir.
Meat Wagon é a esperada introdução a uma história maior e que aqui ganha forma... Possivelmente essa forma acabará por ser a mesma que se espera do tal "perigo" que espreita sem se assumir como uma realidade (por enquanto), e que o realizador certamente irá desenvolver num próximo trabalho. Meat Wagon não se apresenta como um filme terminado mas sim como aqueles que lança os primeiros elementos de uma história maior... uma história onde as suas personagens não só nos lancem mais factos sobre as suas realidades mas também sobre aquela que (então) vivem. Um conto sobre um mundo em transformação onde as crenças antigas se misturam com novas realidades convivendo como num limbo e onde se conquistam seguidores que encontram nas mesmas as formas da sua própria sobrevivência.
Formalmente ambíguo - mesmo o seu título não se expõe àquilo que aparenta mas sim a uma forma multifacetada de ler o que nos pretende transmitir - pois não só não se assume como um tradicional filme de terror onde se expõem as realidades das personagens e do mundo tal como os conhecemos conseguindo, dessa forma, ser uma história sedutora e capaz de atrair o espectador para algo que se adivinha ter uma continuidade mas que, ao mesmo tempo, é capaz de estabelecer regras e limites sobre aquilo que pretende transmitir ao espectador. Aqui não existem inocentes mas sim personagens capazes de delinear o mundo à sua própria maneira... E para o espectador mantém-se a certeza de que assiste a um filme capaz de deixá-lo a pensar para lá da sua duração temporal.
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8 / 10
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Marighella (2019)

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Marighella de Wagner Moura (Brasil) presente numa das Sessões Especiais desta décima-terceira edição do LEFFEST - Lisbon & Sintra Film Festival a decorrer até ao próximo dia 25 de Novembro e assumindo-se como um dos grandes filmes do ano e, seguramente, uma forte aposta do novo cinema brasileiro.
Finais da década de '60. O Brasil vive sob uma ditadura militar que depôs em 1964 o Presidente eleito João Goulart. A violenta ditadura militar instalada com grande apoio populacional mas com a oposição de Carlos Marighella classificado pelo regime - que duraria até 1985 - como o inimigo público número um do Brasil.
Oscilando entre dois momentos específicos na vida do revolucionário Carlos Marighella (1964 com o início do golpe e 1968 em que a luta dos revolucionários era já uma certeza), a longa-metragem de Wagner Moura assume-se desde os instantes iniciais como uma poderosa história de resistência, de resiliência, de perda mas sobretudo de uma forte componente humanista que expõe os homens e mulheres que se opuseram à brutalidade do regime, os seus sonhos de uma vida em liberdade e, sobretudo o seu desencanto por uma sociedade na qual a repressão e a perseguição se solidificava com o apoio de uma maioria que se mantinha silenciosa ou pactuante.
Com mais de duas horas e meia de duração, não há um instante em Marighella que seja ao acaso. Tudo tem uma continuidade lógica e cada momento é vividamente absorvido pelo espectador que ora se deixa encantar pelo homem por detrás do nome ora se emociona com a realidade dos acontecimentos que sabe de antemão. Marighella começa como, de certa forma, põe o fim a todo um relato da vida de quatro anos deste homem... uma história e um legado para o seu filho. Na beira da mudança de regime, "Carlos Marighella" (Seu Jorge) é um homem que vive na clandestinidade e num constante receio da perseguição dos agentes do novo governo vivendo, ainda assim, com uma certa exposição pública que o leva a visitar aquilo que tem de mais precioso... o seu filho.
Os sinais do regime são evidentes... os constantes desfiles militares pela cidade, o receio de falar mais do que o devido num sítio público onde poderá ser escutado por qualquer um e até mesmo a sentida necessidade de se esconder naqueles espaços que sempre foram seus mas que agora são do domínio de um poder autoritário. A oposição ao comunismo, ou àquela que era encarada como a sua ameaça, levava às prisões aleatórias a todos os recantos onde se pensasse que a sua doutrina estava a ser ensinada... do mais simples cidadão às universidades passando mesmo pela Igreja tantas vezes associada a um maior conservadorismo. Este é todo um contexto em que Marighella se enquadra. Mas será este filme apenas e só sobre essa realidade? Não... longe disso.
Wagner Moura concentrou-se, e bem considerando os tempos conturbados que cinquenta anos depois o Brasil volta a viver, em enquadrar o espectador no tempo no espaço e nos agentes nos quais esta parte da História se centra mas, ao mesmo tempo, tem o cuidado de respeitar o Homem para lá da sua militância e resistência ao regime. Marighella vê a luz através da próxima relação que o protagonista tem com o seu filho. Filho esse a quem dedica uma "carta" explicando a sua ausência. Mais... uma carta na qual lhe endereça o seu legado. Independentemente de o fim último ser ou não conseguido - não o seria uma vez que a ditadura militar só viria a terminar vinte e um anos depois em 1985 -, aquilo que ele enquanto homem desejava é que o filho pudesse viver num país melhor. Aliás, não só o seu filho mas os de todos... como um testamento anunciado para que o país saísse de um obscurantismo ultra-conservador que reprimia e assassinava todos aqueles que lhe fizessem frente. É esse legado, ou até mesmo essa opus maior que acaba por ser o denominador centrar de toda esta longa-metragem que não tem um único momento "morto". Moura, de câmara segura e fixa, obriga (mas de forma voluntária) o espectador a abraçar "Marighella" enquanto um lutador pela liberdade... Um lutador que depois do desencanto de ver o seu povo de costas voltadas para a sua causa - e que no fundo seria a de todos -, e também de um Partido Comunista tímido e reticente à luta, recorreu às armas e também a um outro tipo de violência paa se (a)firmar no terreno assumindo, dessa forma, que apenas pela força se pode combater a própria.
O legado de "Marighella" para o filho não foi, no entanto, esquecido. Para qualquer um dos resistentes aqui retratados - ou para tantos outros aos quais é dado também um rosto -, existe um drama associado... o distanciamento das famílias, o sofrimento causado pelo mesmo, as gerações perdidas e as pressões diárias que vivem quer pela ostracização social quer também pela constante vigilância que poderia resultar na prisão de mais um dos resistentes. Da vilanização dos resistentes como forma de destruição da sua moral e oposição da população de uma forma geral, existia uma necessidade por parte dos emissários deste novo regime para que "Marighella" e os seus apoiantes fossem condenados pela sociedade antes de serem detidos - ou eliminados - pelo mesmo numa clara alusão de que a "maçã" deve apodrecer primeiro por dentro para depois ser fortemente retirada da circulação. Mas se internamente "Marighella" sofria a perseguição do regime intimamente apoiado pelos Estados Unidos, era de França e de demais regimes de esquerda que surgia a sua rendição enquanto um homem que lutava pelos direitos da população. Mas a sua mensagem, ou legado, mantinha-se intacto... liberdade para o seu povo e generosidade, lealdade e honestidade para um filho em pleno desenvolvimento num momento em que todas estas características parecem dispensáveis quando o medo se apodera dos sentidos mais básicos de cada um.
Independentemente de conhecermos o final trágico deste momento da História, Wagner Moura prepara o espectador para aquilo que o mesmo sabe ser inevitável... o fim. O fim de "Marighella" enquanto um resistente... a sua compreensão de que o fim se aproximava a passos largos mas, ainda assim, a completa noção de que a obra iria, no futuro, resistir (tal como ele) e persistir para que a liberdade fosse, de facto, uma confirmação. É impossível assistir a esta longa-metragem e, concordando ou não com os actos de violência tomados por parte destes resistentes, ser incapaz de nos identificarmos com a sua extrema e justa necessidade de obter a liberdade que tanto desejam. A vontade de serem representados livremente e poderem manifestar-se ou conhecer o que quisessem sem que a mão conservadora do regime proibisse ou regulasse aquilo ao qual todos pudessem ter acesso. Sentir a liberdade da interferência estrangeira no país e a forma como esta delimitava os limites e as fronteiras daquilo que era "permitido" ter ou ser. "Marighella" - o homem - deixou sim um legado pago com a sua vida mas fortemente transcrito nas suas palavras que resistiram - resistem - ao tempo e a qualquer revanchismo absolutista que teime em se afirmar. A vontade de liberdade do Homem é maior do que a sua forçada prisão e ainda que esta se possa confirmar fisicamente, o pensamento irá perdurar para lá de qualquer grade que lhe seja imposta.
"Marighella" teve assim a sua justa adaptação cinematográfica tendo ganho corpo através de uma magistral interpretação de Seu Jorge que capta de forma distinta mas firme, não só a sua componente revolucionária como também uma perspectiva pessoal e mais emocional do homem para lá da luta. Dinâmico na sua intensa luta de resistência mas afectivo para com os amigos e com a família, Seu Jorge não receia a sua exposição e a sua perspectiva do "homem" para lá daquilo que a História dele reserva. Intenso, carismático e próximo da câmara - logo, do espectador -, Seu Jorge tem seguramente uma das interpretações mais marcantes deste último ano cinematográfico transformando o "Homem" como um seu expressivo alter ego difícil de ultrapassar. Mas como todos os heróis precisam do seu vilão de serviço, é Bruno Gagliasso com o seu "Inspector Lúcio" que se afirma como o lado negro da História. Corrosivo, agressivo e implacável, Gagliasso confere à sua personagem um conjunto de características que provocam o repúdio do espectador pela brutalidade das suas acções bem como pelos métodos utilizados para que a sua vontade "patriótica" vingasse num país que, para infortúnio dos demais, compreendia e sabia como fazer mover. Dois homens que funcionam como mútua antítese mas cujos actores que lhes dão corpo e alma conseguem dinamizar a sua energia para criar um pólo de atracção perfeito para que esta longa-metragem não tenha um único momento que seja considerado superficial.
Polémicas políticas à parte - aquelas que levam este filme a ser "proibido" aos olhares brasileiros -, Wagner Moura cria uma obra maior do cinema de terras de Vera Cruz. Um testemunho histórico do tempo, da sociedade, do Homem e dos homens... dos regimes, das vontades, dos sonhos e das suas privações que "apenas" tem um único propósito final... o desejo intenso de uma liberdade que tarda... que por vezes parece perdida... mas que um dia chega e se firma pedindo que nunca se deixe de por ela lutar... e resistir.
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"Memória de um tempo que lutar pelo seu direito é um defeito que mata."
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10 / 10
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Mark of the Beast: The Legacy of the Universal Werewolf (2019)

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Mark of the Beast: The Legacy of the Universal Werewolf de Daniel Griffith (EUA) é uma das longas-metragens presentes na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta.
O lobisomem. O primeiro dos "monstros" do cinema e as suas influências na Sétima Arte ao longo das décadas. Das origens no cinema aos títulos mais reconhecidos dos últimos anos, Mark of the Beast: The Legacy of the Universal Werewolf é um relato da lenda que se cruza com a história do cinema fantástico através do comentário de alguns dos seus principais intervenientes.
Através de uma introdução histórico-mitológica entregue por alguns nomes reconhecidos da Sétima Arte como John Landis, Peter Atkins ou Joe Dante, o realizador Daniel Griffith entrega ao espectador uma abordagem dos primórdios da marca, da simbologia e do folclore tradicionalmente ligados à imagem do lobo que remontam à mitologia grega na qual se assumem como capazes da transformação ou metamorfose de animal para homem. Da antiguidade grega - pela mutação animal evidenciada pela divindade Zeus - à Idade Média, o imaginário do lobo - e do homem-lobo -, povoou as mentes humanas como um perigo latente que espreitava nas sombras. Intimamente associado àqueles que sendo humanos evidenciavam comportamentos animalescos ou desviantes, é estabelecida uma teoria à evidente superstição que a sustenta, e registados inúmeros casos em França onde, à época, o imaginário colectivo condenou e torturou muitos cidadãos por serem associados a uma desumanidade (pela sua força e robustez) e, logo, padecentes ou vítimas da licantropia.
A licantropia passou assim a estar associada também à literatura que explorava o imaginário do lobo e da transformação deste na sua figura humana. A mais evidente referência literária é a de Drácula de Bram Stoker - adaptada ao cinema nos anos '90 por Francis Ford Coppola -, onde o cosmopolitanismo e sofisticação do vampiro contrasta com a robustez física do lobo que ataca e se manifesta nas noites de lua cheia dando relevo à figura do lobisomem agora na Sétima Arte. Mas as origens deste estaria já marcada no cinema décadas antes.
Foi no início dos anos '30 que se registou pelas mãos da Universal o cinema de género através de um terror assumidamente gótico e negro, o preferido de Carl Laemmle, fundador da companhia. De Boris Karloff a Bela Lugosi sem esquecer Lon Chaney Jr. que marcou de forma definitiva a personagem do lobisomem servindo, inclusive, de referência para todas as interpretações que se lhe seguiriam, com a sua interpretação em The Wolf Man (1941), de George Waggner. Da obra que estabeleceu as linhas condutoras para o cinema de género e como a caracterização assumia aqui um papel protagonista na forma como o homem lobo era visto pelo grande público, não só pela sobreposição de imagem com que se conseguiria criar toda uma imagem de referência da transformação - do homem em lobo - propriamente dita e à sua directa relação com a passagem do adolescente a adulto (ou criança a homem pelo corpo que se transforma e anuncia a puberdade do "ser"), à importância da direcção de fotografia para conseguir criar uma atmosfera de terror claustrofóbico que induzia o espectador a temer mais aquilo que não via do que aquilo que os seus olhos testemunhavam no grande ecrã.
Um dos elementos interessantes deste documentário é a forma como apresenta a figura do lobisomem. Se os demais monstros da Universal - Frankenstein... Drácula... Múmia... - são sobre a forma como todos tentam voltar à vida depois de uma morte confirmada, o Lobisomem enquanto figura com uma elevada carga maléfica, estabelece-se e afirma-se no cinema como uma cujo fim último é a morte. O Lobisomem não procura o seu lugar no mundo dos vivos mas sim terminar com o seu sofrimento e castigo "em vida" directamente relacionado com a morte dos demais, procurando a morte e cancelando assim esse suplício. Ao contrário dos demais o Lobisomem procura não o início de uma nova vida mas sim o auto-extermínio e, como tal, o fim que não se anuncia. A este imaginário foi a interpretação de Chaney Jr. que se lhe juntou e muito contribuiu para a estabelecer e contrariamente a todos os demais "monstros", foi o actor que se conseguiu manter sempre associado a esta marca interpretando-o em todas as demais entregas ao longo de décadas.
Interessante e importante documentário - e documento - não só sobre a História (mitológica) bem como sobre aquela da imagem em movimento e do cinema, Mark of the Beast: The Legacy of the Universal Werewolf é uma obra de referência que analisa a mitologia, a História, o cinema e os seus intervenientes e algumas das histórias caricatas que caracterizaram o género estabelecendo este "lobisomem" como um dos seus principais fundadores e um dos mais resistentes conseguindo entregar múltiplas entregas capazes de se afirmar no terreno dos "monstros cinematográficos" numa arte que, tal como o próprio, está sempre em perfeita e constante mutação.
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8 / 10
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sábado, 16 de novembro de 2019

Fred Mella

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1924 - 2019
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Astray (2019)

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Astray de Kyle Sharpe (Canadá) é uma das curtas-metragens de animação presentes na selecção oficial da décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta.
A curiosidade de uma mulher sobre uma casa abandonada leva-a a embarcar numa viagem pela desconhecido e pelos horrores que se escondem por detrás das sombras. Irá ela descobrir o que habita naquele espaço?
Numa perspectiva de terror gótico e considerando que esta curta-metragem tinha todo um potencial por explorar sobre os verdadeiros horrores de uma casa que esconde uma versão perfeita do "mal" enquanto uma entidade, Astray é uma potente curta-metragem de género que tem tudo para se assumir como uma referência do género. Nada do que aqui temos é colocado ao acaso. Tão pouco está sub-explorada deixando, no entanto, uma porta aberta - sem ironia para com o próprio começo desta história - para que a mesma se possa (ou deva) explorar enquanto um conto mais longo onde se conhecem os verdadeiros detalhes do que todos os recantos daquela casa dos horrores escondem.
Se é um facto que acompanhamos as tímidas investidas desta jovem que se deixa embrenhar pelos corredores obscuras daquela velha mansão, não deixa de ser uma realidade que, para o espectador, interessam mais os pequenos detalhes e inuendos apresentados (pensamos) pela mesma para que a jovem se deixe levar, num misto de curiosidade e incapacidade de fugir, por aqueles corredores que parecem colocá-la face a um labirinto onde o único caminho possível é seguir em frente e deparar-se com aquilo que, deduzimos, a espera. Da borboleta que invade a casa como o símbolo da pureza que deve seguir às portas que se abrem para dar rosto a um novo caminho, Astray faz sempre ressaltar a sua componente mórbida e gótica que põem em evidência um destino que poderá ser tão ou mais escuro quanto os recantos por onde a jovem passa. E é quando pensamos que se a tal pureza escapa, também ela - a jovem - pode encontrar o seu final feliz, que deparamos com o inesperado e compreendemos que ela mais não é do que uma boneca nas mãos de um poder maior que a controla, aos seus passos e sobretudo ao seu final revelando-a como, não mais, do que uma peça de um jogo maior.
Executada com rigor e precisão, a curta-metragem Astray é o símbolo de um filme maior em construção - ou pelo menos um que se poderia criar -, e a revelação de que o horror e a animação podem andar de mãos dadas e ser tão ou mais eficazes do que muitas obras de ficção habituadas ao mesmo estereótipo que (re)cria sucessivas obras com o mesmo final. Aqui o realizador Kyle Sharpe cria a atmosfera perfeita... para que o terror reine e para que o espectador se deixe cativar e mantenha toda a sua atenção aos pequenos detalhes que parecem, também eles, ganhar a sua própria vida e "alma".
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7 / 10
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Toothache (2019)

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Toothache de Stacey Palmer (EUA) é mais uma das curtas-metragens presentes na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta, numa história que remete o espectador para um drama familiar onde, no seio de um casal, algo invulgar está prestes a ocorrer.
Uma mulher chega a casa enquanto outra a espera para mais uma noite familiar. Quando uma desenvolve uma súbita e inesperada dor de dentes, o impensável estava prestas a acontecer abalando definitivamente a vida deste casal.
Aquilo que poderia ser um drama familiar ou mesmo uma história de terror sobrenatural pela impossibilidade dos acontecimentos, cedo se revela como uma história filmada com uma sentida despreocupação pela perfeição dos detalhes que poderiam enriquecer a mesma. O conto é banal... um casal em que as duas mulheres falam de um conjunto de banalidades sobre o seu dia-a-dia para, sem qualquer aviso para lá da óbvia menção presente através do título da mesma, uma das mulheres manifestar uma preocupante - e eventualmente lacerante - dor de dentes que incomoda a esperada noite pacífica. Dor essa que se repete para uma eventual noite mais ou menos grotesca onde o dente - ou dentes - manifestam a sua presença da forma mais inesperada. Diz o ditado popular que sonhar com dentes é sinal de morte... aqui, vê-los a ganhar vida própria é sinal de que esse fim se anuncia e não da melhor forma.
O terror grotesco tem a sua justificação e marca pessoal no cinema destacando-se com inúmeros títulos e obras que ainda hoje são referência no género. No entanto, Toothache vibra com a tentativa de se assumir como uma história de terror moderno capaz de provocar o factor "susto" através de lugares comuns e momentos já conhecidos daquele género que ganha forma através da convivência e ambiente familiar. No entanto, para lá de uns breves minutos de banalidades que em nada contribuem para o género - o dito terror só chega mesmo no final -, aquilo que separa esta história de um banal conto matrimonial é, de facto, muito pouco.
Nem mesmo ganhando pontos com a sua execução que oscila entre o primário e o francamente amador, esta curta-metragem assume-se como aquela mais frágil em toda a selecção e possivelmente a que menos terror (ou a ver com ele) teve. Talvez como ensaio estudantil ou para aqueles que se querem iniciar no género - ainda que não da melhor forma - Toothache é mais uma dor de cabeça do que propriamente de dentes...
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1 / 10
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Toe (2019)

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Toe de Chad Thurman e Neal O'Bryan (EUA) é uma das curtas-metragens de animação presentes na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta.
Um jovem rapaz habita um meio pobre e decadente. Onde nada floresce nada se consegue comer. Até que num passeio pela propriedade encontra um dedo que leva para casa.
Toda a atmosfera desta curta-metragem poderia, muito facilmente, inserir-se num universo sobrenatural gótico não só pela sua temática como principalmente pela brilhante direcção de arte de Truc Nguyen que transforma aquilo que seria um espaço (supostamente) verdejante e onde brotaria vida, num espaço macabro, grandiosamente assustador e negro pela falta de vida à qual, obviamente, o espectador junta a excelente direcção de fotografia de Neal O'Bryan que com os seus jogos de (ausência) de luz faz das sombras e da escuridão que se move em torno do protagonista, o centro de toda a dramatização de uma história que humaniza o sofrimento da fome e da miséria social.
Mas centrar Toe como uma história sobrenatural era por demais redutor. Thurman e O'Bryan criam um conto gótico onde é a miséria a principal "personagem". Um conto onde um jovem, abandonado pelo que o espectador compreende, tenta sobreviver num espaço agreste, numa casa rudimentar e numa propriedade onde tudo morre lentamente. As plantas não florescem, os animais desaparecera - à excepção de uma ou outra ave que tenta, também ela, encontrar algo com que subsistir -, e este jovem proprietário mais não é do que uma sombra de um eventual passado que já não tem. Até um específico momento em que encontra aquilo que pode ser a sua salvação.
Se inicialmente o espectador cria uma certa empatia imediata com esta personagem sobrevivente, aos poucos vibra com o seu sofrimento ao não conseguir encontrar algo que o faça sobreviver um dia mais. É quando este seu desespero o leva a um acto impensável caso o seu estado mental estivesse em plenas condições, que finalmente compreendemos com maior discernimento o quão selvagem pode ser a condição humana quando levada e testada ao seu limite. A fome extrema, à qual ele obviamente tentava resistir à muito, fê-lo encontrar os restos mortais de alguém que, possivelmente em tempos, habitou o mesmo espaço que ele. Alguém que cruzou os mesmos espaços, que viveu naquela mesma casa e que certamente tentou cultivar as terras onde agora está enterrado. Alguém que, tal como ele, também foi um sobrevivente independentemente das suas condições específicas. Um dedo... um único dedo ali desprotegido como que indiciando que poderia ser a tal escapatória para a sua fome... mas, a que preço?!
Todo o segmento seguinte de Toe dedica-se ao tal esperado elemento sobrenatural onde todas as provações têm, um dia, de ser devidamente pagas. E este jovem, indefeso na sua condição mas esperançoso por poder ver um novo dia... tem a sua prova final na mesma noite em que cometeu o acto impensável de um canibalismo necrófilo não "processado" enquanto tal. É quando o "proprietário" do dedo vem finalmente reclamar aquilo que lhe foi retirado que se compreende que o perigo espreita a todos os recantos. É nesse momento que a sua casa parece ganhar, também ela, uma alma desesperada... as janelas assemelham-se a olhos sinistros que espreitam, as frestas entre as tábuas como portas de entrada para quem chega e a música da autoria de Flora Cheng muito ao estilo de um The Shining animado, conferem a esta história uma ambiência paranormal que apenas adivinha um único final. E este não será animado para um dos seus protagonistas...
Engenhoso e mordaz, com um humor negro e satírico que parodia sem qualquer comédia, Toe é uma brilhante forma de condenar a miséria não a vitimizando e garantir que todas as provações se pagam... nem que sejam cobradas depois da própria morte.
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8 / 10
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Terror Road (2018)

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Terror Road de Brian Shephard (EUA) é mais uma das curtas-metragens a marcar presença na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta neste que é o penúltimo dia do evento.
Uma estrada deserta. Um regresso a casa. Um carro que avaria e uma mulher que tem um estranho encontro que poderá determinar o seu destino. Irá ela encontrar a melhor solução para o seu regresso?
Numa fórmula já conhecida de qualquer cinéfilo mais atento, Terror Road recorre aos elementos tradicionais deste horror sobrenatural colocando personagens e espectador no mais óbvio e sinistro ambiente possível. Tudo nesta curta-metragem tem, sem grande margem para manobra, os indícios típicos de uma história de género que o espectador já sabe de antemão como irá terminar. Afinal, alguém acredita que numa estrada como aquela em que a nossa protagonista se encontra existe uma qualquer possibilidade - ainda que remota - de sobrevivência? E isto... não é entregar nenhum spoiler.
"Anna" (Surely Alvelo) é uma mulher de regresso a casa num clima que, aparentemente, nunca lhe provocou calafrios... Mesmo considerando que a estrada que percorre dá, de forma mais ou menos casual, título a esta curta-metragem e isso, por si só, deveria ser motivo suficientemente para pensar se a deveria cruzar mais alguma vez... O seu trajecto é "habitual"... a sua completa descontracção é, pelo que percebemos, tanta como em qualquer outro dia... Mas, será que anteriormente o mal espreitou com tanta vontade de a encontrar como agora o faz? A resposta será... possivelmente sim... mas apenas agora decidiu dar o ar de sua graça.
A partir daqui os lugares comuns invadem o ecrã... Todos sabemos que irá existir um atropelo "acidental"... Uma preocupação natural daquela que tem o coração puro e que o mal irá certamente testar... E mesmo a habitual fuga ao mesmo que, afinal, poderá não ser tão certa como se faz adivinhar. Mas, no entanto, que elementos conseguem fazer ou dar a esta história alguma originalidade? Nenhum. Nada a transforma naquela história que cativa pela diferença em relação às demais. Ou, dizendo de outra forma, aquilo que a torna segura de si própria é a execução dos elementos já conhecidos com segurança e confiança que, há excepção de uma caracterização menos cuidada e credível (afinal qualquer um de nós com uma dentadura de Carnaval poderia tentar o mesmo), consegue recriar uma atmosfera digna do cinema de género bem como uma estrada que para lá de sombria consegue fazer as delícias do terror tal como ele planeia os destinos das suas vítimas.
Capaz, segura de si mesma e aparentemente sem grandes desejos de ser algo mais do que aquilo que as possibilidades do género apresentam, Terror Road faz as delícias dos amantes do género e deixa a porta aberta para a possibilidade de, de forma mais polida, conseguir sem um filme mais ou menos curto com o potencial e qualidade que lhe são devidas. Entretém... mas longe de provocar os calafrios que poderia ter provocado.
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6 / 10
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Playtime's Over (2019)

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Playtime's Over de Tony Reames (EUA) é uma das curtas-metragens seleccionadas para a décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta.
Dee (Evan Reames) é uma jovem menina apaixonada pelo cinema de terror. Mas com uma paixão ainda maior pelos sustos que poderá provocar às suas babysitters.
Todd Jacobs e Haley Leary assinam o argumento desta curta-metragem de suspense que mistura um pouco de filme juvenil com a esperada incerteza de um filme de terror que surpreende pela sua imprevisibilidade. Em Playtime's Over encontramos aquele elemento de cinema dentro de um filme de cinema que junto pequenas referências de inúmeras obras do género - assim prestando a sua homenagem e dando luz às diversas referências que "educaram" o seu realizador - permitindo construir uma obra que brilha não só pelo susto que se espera a cada segmento como, ao mesmo tempo, brinda com aquele humor incerto pela incerteza do que esperar ao virar de cada cena.
Desde alguém que toca à campaínha no mais inesperado dos momentos às máscaras assustadoras, das referências a Psicho (1960), de Alfred Hitchcock ou a Carrie (1976), de Brian de Palma, do quarto 237 de The Shining (1980) de Kubrik ao mais recente franchise Saw sem esquecer um dos êxitos do final do século através de The Blar Witch Project (1999), Playtime's Over brinca um pouco com o cinema permitinfo ao seu realizador criar uma obra que se insere no terror não só pelo ambiente de insegurança que recria ao colocar uma inocente babysitter num ambiente hóstil como também pela sua capacidade de brincar com as diversas referências que homenageia ao mesmo tempo em que constrói a sua própria história.
Mais uma comédia mordaz do que propriamente um filme de terror, este assume-se portanto através das referência aos hoje considerados clássicos do género. Aquelas obras que qualquer cinéfilo mais atento irá reconhecer sem, no entanto, esquecer de criar a sua protagonista de terror que aqui se assume mais como uma personagem "em crescimento", capaz de transformar a vida da mais inocente pessoa num caos (talvez seja esse o seu terror verdadeiro), enquanto que se diverte em fazer sofrer, em assustador e em criar a próxima vítima do género - e no final percebe o espectador que ela não estava sózinha - mas que, ao mesmo tempo, consegue passar incólume aos olhos dos seus progenitores mais preocupados com a sua própria vida e acontecimentos sociais do que propriamente em dar atenção ao seu rebento que encontra, dessa forma, não só a sua desculpa para passar ao lado dos que a olham com olhos de verdade como também em construir o seu próprio universo cheio de imaginação e criatividade.
Típico do género teen horror movie, Playtime's Over é acima de um filme de terror, um que celebra o género pela referida homenagem assim como tantos dos elementos que os compõem... o terror dentro de uma casa isolada... a eterna criança tantas vezes vítima de um agressor desconhecido e claro... a sempre presente babysitter que é, normalmente, a primeira e vítima maior do terror que espreita na escuridão... divertido, bem pensado e executado, Playtime's Over... ou será apenas o início?!
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7 / 10
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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Budfoot (2019)

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Budfoot de Tim Reis e James Sizemore (EUA) é mais uma das curtas-metragens presentes na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta, e a primeira que garante ao espectador uma experiência que se pode afirmar, no mínimo, psicadélica.
Numa sala decorada com as últimas maravilhas do coleccionismo exotérico e do fantástico Jo (Skinner) prepara-se para ver entrar no seu universo o imparável Budfoot, a figura animada de um gorila que tem os seus próprios planos para o destino de Jo.
O argumento de Akom Tidwell prima por, desde o momento inicial, garantir ao espectador que não está perante uma curta-metragem qualquer. De um universo semi-hindu que se cruza com budismo, existencialismo, psico-trópicos e até mesmo receios pessoais, aquilo que o espectador pode observar é, em boa medida, francamente alternativo e original. Dito isto, imagine o espectador um adepto fanático das figuras de acção, de histórias e mundos onde o sobrenatural e o fantástico reinam e que imperam face a uma qualquer realidade (para ele) virtual que está para lá das paredes da sua casa. Com isto, continue o espectador com o seu processo de criação imaginativa para, dentro deste mesmo universo, pensar que o seu principal protagonista mais não é do que alguém que passa o seu tempo - desde há muito tempo -, no consumo de drogas alucinogéneas e que lhe conferem uns instantes mais ou menos prolongados de separação e alienação da realidade tal como pensa conhecer.
Se dentro daquele espaço em que "Jo" vive tudo já parece uma recriação muito pessoal da realidade tal como ela é, o certo é que este homem recebe uma chamada enigmática que acaba por dominar muito do seu tempo. De divindades macabras a conversas mais ou menos inteligentes que parecem não ter fim, tudo ao seu redor parece transformar-se de forma tão maleável como aquela que ele utilizou para criar as figuras que o rodeiam. Qual será a realidade ou, por outras palavras, a percepção que "Jo" tem da realidade... tal como ela, de facto, é?!
É quando "Budfoot" ganha vida, facto ainda mais assustador do que propriamente a falta de percepção de "Jo", que o espectador compreende que nada nesta história irá terminar da melhor forma. A figura animada mais não é do que um ser macabro capaz de tudo para atingir um objectivo - se é que este existe -, inclusive eliminar o seu mentor e criador. As trapaças criadas pelo mesmo para o engano para a rasteira psicológica e sobretudo para o domínio sobre o homem que lhe deu forma vão muito para lá daquelas imaginadas pelo mesmo e se estas parecem surpreender (o espectador) pela forma súbtil e inocentemente macabra com que são planeadas - bisturi à parte -, a realidade é que é já no final que é compreendida toda a dimensão desta história que oscila entre esse mundo sobrenatural e a doença mental deixando o público no seu próprio transe sobre as potencialidades do que é inexplicável!
Com duas personagens carismáticas devendo, uma delas, muito ao poder da sua interpretação vocal que é capaz de criar alguns arrepios ao nível de "Chuckie" em Child's Play - universos do sobrenatural à parte -, é sem margem de dúvidas o elaborado, enigmático mas assumidamente alternativo argumento de Tidwell que, juntamente com uma exemplar fotografia e uma música ambiente da autoria de Christopher Ian Brooker, são capazes de transformar uma banal história de suspense e terror num conto macabro e sobrenatural que, no entanto, não deixa esconder uma certa aproximação à doença mental que o protagonista parece esconder do espectador.
Para o género... uma referência... para o futuro, a possibilidade de uma porta aberta que consiga explorar os destinos do misteriosamente cruel "Budfoot".
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7 / 10
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Ferry (2019)

Ferry de Tyler Hatch (EUA) é uma das curtas-metragens de animação presentes na selecção oficial do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta e um dos mais intrigantes e curiosos filmes curtos da competição até ao momento.
Uma viagem de ferry. Uma tentativa de chegar ao outro lado. Alguém que adormece e a imagem de "outro lado" ganha toda uma nova dimensão.
Num breve minuto o realizador Tyler Hatch consegue criar uma das histórias mais enigmáticas e interessantes da competição até ao momento. Tudo aquilo que parece ser uma aparente e banal viagem para a margem oposto em que uns se dirigem para os locais de trabalho e outros para casa ganha novos contornos quando a mesma, sem grandes e aparentes explicações, se vê interrompido por aquilo que o espectador sabe posteriormente ter sido um acidente que vitimou todos os seus passageiros.
A revelação chega, para o espectador, quando o único suposto sobrevivente (?) desta viagem desperta do seu sono para encontrar o barco vazio. Nenhum passageiro, nenhum tripulante e o barco à deriva pelo rio até chegar a uma cidade que está, também ela, deserta. Os vestígios de humanidade mantêm-se presente na medida em que observamos aquilo que parece o que restou de alguém que saiu rapidamente daquele espaço. Mas, no entanto, ao contrário de um qualquer vírus, é então que o espectador compreende que aquele barco sofreu um desastre e que não há sobreviventes... há excepção daquele único homem que apenas tem como companhia o espectador desesperado por saber mais dos trágicos acontecimentos.
Do purgatório anunciado a um Inferno materializado, as ruas daquela cidade e as águas daquele rio que viu o final de tantas e tantas almas, todos os recantos deste brevíssimo filme conseguem cativar pela sua mórbida exuberância bem como por toda uma história que revela o essencial daquilo que uma alma desperta consegue reter mas não tudo aquilo que quem está deste lado do ecrã pretende saber, ver e testemunhar.
Ferry é o exemplar perfeito de como uma (não tão) simples curta-metragem de um minuto poderia ser, por todo o seu potencial, uma extensa e intensa longa-metragem de terror que certamente se iria firmar como uma das mais esperadas do género... e uma à qual não dou uma pontuação mais alta por tudo aquilo que poderia ser ainda contado... Do acidente às vítimas... do purgatório às almas penadas... Nada, mesmo nada, é deixado ao acaso.
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7 / 10
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D is for Demon (2019)

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D is for Demon de Stephen Stull (EUA) é mais uma das curtas-metragem presentes na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta até amanhã e uma nova incursão no universo do abecedário da morte aqui com um especial interesse pela invocação de um demónio.
Ele (Jonthan C. Schelmety) e Ela (Dina Najjar) encontram-se num quarto de hotel. Preparam-se para uma noite de paixão quando, de repente Ela decide lembrá-lo de algo. Irá o sentimento de culpa prevalecer ou entregar-se-ão a uma noite de paixão?
Dedicando-se à tal mais ou menos esperada incursão no campo dos pecados capitais - a traição que origina a ira... a avareza... o orgulho... ou até mesmo a soberba - D is for Demon transforma-se rapidamente numa reflexão sobre os sentidos e a percepção nem sempre capaz de um casal (ou protótipo de...), cujos pecados dão corpo a uma punição inesperada quando as suas almas são reclamadas por uma entidade que, fazendo-se afirmar perante os mesmos, nunca dá aos protagonistas um completo "ar de sua graça".
Se "Ele" quer, para lá de um compromisso, uma "relação" que lhe confira certas "vantagens" matrimoniais onde o sexo venha acompanhado de uma "dona-de-casa", já "Ela" está apenas preocupada em manter viva a emoção do proibido e do momento deixando-se levar por aquilo que sabe que ele nunca lhe irá dar... o tal compromisso.
É quando ambos se distanciam, ainda que por momentos, do seu real propósito naquele quarto de hotel, que as manifestações sobrenaturais ocorrem com a malícia e tentação esperadas ao revelaram-se quanto baste para anunciarem a sua presença sem que, na realidade, se deixem ver em absoluto. A tentação provocada, esperada ou não pelos protagonistas, assume-se sobretudo pela violência de um desespero como resultado do ilegal e desse fruto proibido que ambos provaram e, como tal, a noite que prometia acabar com a satisfação do desejo... termina sim mas com a confirmação do pecado maior do qual ninguém poderá escapar... um pela morte... e o outro pela sua condenação num purgatório do qual jamais irá fugir.
Com uma dinâmica já conhecida e interpretações que não se destacam ou harmoniosamente co-habitam com o argumento proposto, D is for Demon prima pela premissa apresentada mas fragiliza na execução de uma história que poderia ser mais polida ou interpretada com maior empenho e desdém... Desdém esse para transformar as personagens não em elementos comuns de um qualquer dia-a-dia mas sim seres detestáveis que o espectador pudesse, de certa forma, perceber que o pecado cometido era intencional e não o fruto de uma culpa que se compreende mas que se deixa prolongar. Acessível na sua narrativa e de aceitação que não deixa grande margem à imaginação, esta curta-metragem tinha aquele tal potencial para se deixar levar por caminhos mais tenebrosos optando, por sua vez, por invocar o demónio sem que, na realidade, lhe permitisse que ele se revelasse em todo o seu... esplendor.
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5 / 10
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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Hanako-San (2014)

Hanako-San de Dan Tabor (EUA) é uma das curtas-metragens exibidas no decurso da décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta, e uma das que conjuga ficção e animação com uma já clássica lenda urbana japonesa.
Hanako-San é o espírito de uma jovem japonesa falecida durante a Segunda Guerra Mundial que vagueia por casas de banho de colégios à espera de ser invocada. O destino das suas acções corresponde, no entanto, ao âmago daqueles que a invocam...
Com uma duração que pouco excede os quatro minutos de duração, esta curta-metragem divide-se no seu primeiro segmento com toda uma explicação - primeiro redigida e depois pelo poder da imagem - sobre aquilo que é, no fundo, a explicação deste "fenómeno". Se os primeiros segundos se prendem com a explicação per si, o espectador é seguidamente surpreendido com uma invocação que, ao mesmo tempo, apresenta um conjunto de momentos ou sentimentos sentidos por uma jovem rapariga. Da tristeza sentida pelo bullying do qual é vítima à eternidade representada pela morte sem esquecer o desejo do pai que é completada por uma mãe que a culpa do mesmo terminado, logo de seguida com uma redenção através do final mais ou menos esperado, Hanako-San atinge o seu esplendor não por toda esta rápida mas precisa explicação mas sim pelo segmento final em animação - teria sido uma muito maior e clara vencedora se o realizador tivesse apostado no mesmo como um todo - onde se conhece a real dimensão e "obra" deste espírito que aguarda nas sombras.
Quase sempre incapaz de corresponder a uma inovação da forma como o invocador o pretende, ou tão pouco com o destino final que espera de "algo" a quem recorre como a sua última esperança (para uma vida melhor?!), esta curta-metragem entrega um final suficientemente gráfico que poderia ter dela feito uma referência no género do suspense e terror, limitando-se, no entanto, a uma experiência pouco conclusiva no seu segmento ficcionado e em todo um portento nesta brevíssima animação que revela que nem tudo o que se deseja é, afinal, tão libertador como se pensa... ou pelo menos não da forma como seria esperado.
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5 / 10
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Violence (2019)

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Violence de Christian Meola (EUA) presente na décima edição do Buried Alive Film Festival a decorrer em Atlanta é, possivelmente, o filme que melhor encarna o espírito do terror moderno sentido e vivido na sociedade urbana na actualidade.
Acompanhamos aquilo que parecem ser vulgares polaroids de uma casa nos subúrbios de uma qualquer cidade norte-americana. Uma mulher no supermercado encontra uma polaroid perdida pelos corredores. A foto deixa-a em sobressalto.
As câmaras. A vigilância constante. Mas, estaremos nós a salvo nesta sociedade moderna onde tudo é observado a todos os instantes? Esta é a grande questão aqui levantada pelo realizador Christian Meola naquela que será muito possivelmente a mais terrorífica curta-metragem a passar pelo BAFF. Esqueçamos os filmes curtos onde o terror chega pela forma sobrenatural, pelos instintos assassinos ou mesmo por um qualquer elemento fantástico que insiste povoar o nosso imaginário colectivo. É um facto que todos nós temos medo do desconhecido, do irreal, das sombras e até mesmo de algumas daquelas histórias que permanecem na nossa mente desde crianças. Mas, o que acontece quando encontramos o terror literalmente no nosso caminho? Não um terror qualquer mas aquele que escutamos tantas e tantas vezes através de um qualquer relato de notícias ou mesmo pelo imaginário desse terror urbano onde a criminalidade parece tomar conta das ruas.
Meola consegue, nos escassos cinco ou seis minutos em que esta curta-metragem decorre, criar esse terror. O medo do desconhecido através daquilo que todos nós conhecemos. Um passeio pela rua... uma ida ao supermercado. Tudo é vigiado constantemente e nada parece ser deixado ao acaso ou fruto de uma qualquer distracção que se aproveitou da inocência alheia para marcar a sua presença. Violence é, para lá do prenúncio de uma qualquer violência física ou psicológica - que cedo se anuncia sob as duas formas -, um conto de terror que nos amedronta não pela impossibilidade do imaginado mas sim pelas possibilidades do real que lhe são conferidas pela violência urbana que se esconde atrás de um qualquer rosto que não será assim tão inocente como se adivinha.
Tudo é captado para o registo posterior mas, no entanto, todas as imagens caem no esquecimento pela incapacidade de realmente olhar para o que nos é fornecido. Aquilo que se transforma em comuns e banais elementos da nossa vida em sociedade - uma ida a um supermercado ou o registo fotográfico de elementos e momentos que nos são especiais - ganha novos contornos quando eles parecer ser uma espécie de aviso ou de indício de que algo está para acontecer (ou já terá acontecido) quando a realidade das imagens passam para lá daquilo que a nossa existência pacífica parece querer adivinhar. E, é quando aquela mulher apanhada de surpresa na sua realidade, encontra uma foto "inocentemente" perdida que o seu mundo se altera imediatamente... uma outra mulher atada. Presa numa qualquer divisão de uma casa que ninguém saberá onde é. Ou quando foi registada. Mas que nela se encontra um eventual destino de tortura que a deixou em condições não imaginadas mas compreendidas como de um extermínio registado. Aquele destino poderia ser desta outra pessoa que ali encontrou aquela fotografia. Num local comum... insuspeito... que todos frequentamos. E aqui é encontrado aquele que será o elemento mais medonho deste filme curto. Até que ponto poderá qualquer um de nós viver em tranquilidade depois de assistir a uma imagem tão perturbadora como aquela que ali foi deixada?!
O sentimento de perseguição e de tormento originado não só a partir deste instante mas, na realidade, desde que o primeiro registo fotográfico foi iniciado é, assumidamente, avassalador. O espectador compreende que nada é feito ao acaso e que se prepara para testemunhar um acto hediondo. Seja público ou privado - mais provavelmente -, nada é anunciado como podendo ter um final feliz e o jogo do gato e do rato teve o seu início e a sensação de prisioneira sentido por esta última mulher deixa-a inquieta e instável. Observada sem saber por quem. Incapaz de fazer frente a algo que desconhece mas que compreende ser propositado para ela.
O medo e a impossibilidade de reagir ao desconhecido. A certeza da vivência num mundo em que tudo é registado. O claustro público. A perseguição silenciosa. O medo do real e, finalmente a instalação do caos que precede o medo. Violence regista todos em breves instantes criando, ao mesmo tempo, aquela psicose que Amenábar conseguiu com Tesis (1996) ao deixar o espectador cúmplice deste registo macabro querendo observar todo e qualquer instante que lhe suceda mas sendo impossibilitado de registar esse horror no instante em que ele se irá confirmar.
Numa brevíssima descrição... Meola cria uma curta-metragem simplesmente brilhante e avassaladoramente assustadora que se doseia na duração perfeita para o registo do mal dando-lhe corpo, forma, tempo e espaço.
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9 / 10
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