segunda-feira, 30 de abril de 2018

Pico de Orizaba (2017)

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Pico de Orizaba de Jaime Fidalgo (Espanha/México) é uma das curtas-metragens presentes na Competição Oficial Nacional da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cortometrajes que decorre até ao próximo dia 5 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Num simpático e acolhedor restaurante, dois amigos (Luis Alberti e Juan Pablo Castañeda) reencontram-se. Aquilo que parecia uma amena conversa entre ambos, cedo se transforma num confronto de ideias quando um deles parece revelar ao outro a sua sexualidade. Mas nem tudo é o que aparenta... ou será?!
Jaime Fidalgo e Juan Pablo Corcuera assinam o argumento desta curta-metragem onde os inuendos e os subterfúgios de uma conversa que esconde segredos incapazes de ser revelados ao longo de uma vida atribuem, por si só, toda uma nova vida aos dois protagonistas. Cedo é apresentado ao espectador um ambiente informal entre dois amigos que, independentemente das distâncias que habitualmente os separem, deixam transparecer toda uma sentida cumplicidade típica de uma amizade próxima e já longa. No entanto, é através das pequenas "armadilhas" de uma linguagem que compromete mais quem escuta do que aquele que quer transmitir uma mensagem, que cedo se revelam os comportamentos - e os segredos - destes dois amigos que, afinal, estão mais distantes um do outro do que aquilo que o espectador cedo pensou ter compreendido. Se esta distância se assume mais psicológica do que propriamente física, é à medida que se desconstrói todo o seu discurso que se compreende que, afinal, aquela pessoa que se julgou amiga mais não é do que um estranho em potência que se apresenta à sua frente.
Mas, quem são afinal estes dois amigos? O seu discurso faz o espectador deduzir que são confidentes de outros tempos... cúmplices nas inúmeras desventuras tradicionalmente esperadas de dois amigos que se conhecem de longa data e confortavelmente confiantes da relação de amizade que mantêm. No entanto, algo faz despoletar uma reacção adversa quando um beijo surge no seu imaginário. Um beijo dado na mesa do lado que ambos observam e que poderá representar o elemento de mudança na relação que até então mantinham. Será esta uma relação que sobrevive à revelação de um segredo mantido até então? Poderá a maior fragilidade perante uma esperada amizade ser o motivo para que estes dois amigos se revelem, afinal, como dois estranhos incapazes de conviver com a diferença que até então os tinha aproximado? Existirá um "dia de amanhã" que os aproxime agora que todos os seus segredos foram finalmente revelados?
Com o tempo - breve mas conciso desta curta-metragem -, o espectador conhece dois opostos refugiados em todo um conjunto de lugares comuns que a revelação do segredo desmistifica. Da amizade o espectador espera encontrar uma história que o elucide (ou confirme) sobre o poder da empatia, sobre aquilo que reconhece como expectável entre dois amigos que nada poderá separar... nem mesmo a tal "diferença" mas... e se tudo se alterar com uma simples palavra? E se o conhecimento fôr determinante para que nada mais seja como até então?! E se, a partir daquele instante, se compreender que até mesmo a amizade pode ser tão fugaz como uma ligeira brisa?
Com duas dinâmicas interpretações que brilham pelo poder das palavras e uma inteligente realização de Jaime Fidalgo que aproxima o espectador das expressões e reacções de dois intérpretes que dão corpo, vida e alma a duas intensamente (não tão) ligeiras personagens, Pico de Orizaba surge como uma descida/subida a uma montanha repleta de pequenas surpresas que podem (ou não) ser ultrapassadas dependendo da convicção com que cada um tende a enfrentá-las sem esquecer a capacidade de desmistificar recorrentes lugares comuns sobre a sexualidade, a forma como cada um a encara ou, até mesmo, sobre o modo como cada um a expressa.
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9 / 10
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domingo, 29 de abril de 2018

Drvo - A Árvore (2018)

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Drvo - A Árvore de André Gil Mata (Portugal/Bósnia-Herzegovina) foi a longa-metragem de abertura da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer em Lisboa até ao próximo dia 6 de Maio e também um dos filmes presentes na Competição Nacional.
Um Homem (Petar Fradelic), uma Criança (Filip Zivanovic). Duas guerras. Dois estados temporais. Um Rio. Uma Árvore. O Homem e a Criança conhecem-se sob uma árvore junto a um rio. Partilham uma memória.
Com argumento do próprio Gil Mata e uma direcção de fotografia de João Ribeiro - que "pinta" belíssimo quadros de imagem em movimento -, Drvo - A Árvore é assumidamente uma obra de arte que exige, sem se impôr, ser contemplada.
Os dois momentos que acompanham esta longa-metragem aproximam o espectador de duas cruas realidades temporais de uma Sarajevo que, então, viveu sob um manto negro e violento. Numa primeira realidade temos uma criança (Zivanovic) que enquanto brinca "força" o espectador a escutar os bombardeamentos que, distantes, cercam o espaço natural à sua volta. Percebemos, mais tarde, que um homem (Fradelic) vive sob a mesma realidade no mesmo espaço. Distantes pelo tempo, o espectador compreende estas semelhantes realidades como os anos '40 - para a criança - e '90 - para o homem - onde a capital bósnia viveu sob intensos períodos de guerra - Segunda Guerra Mundial e os conflitos resultantes da declaração de independência da então Jugoslávia - nos quais, aqueles que nela subsistiam viviam sob um intenso e violento purgatório. Se a criança encontra espaço para brincar alheando-se (ou talvez não) da realidade "lá de fora", é no homem mais velho que encontramos o rosto marcado por esta (sobre)vivência e uma certa apatia para com aquilo que o rodeia.
"Ele" (Fradelic) recolhe garrafas de vidro que transporta às suas costas, e os únicos ruídos que são perceptíveis são os do vidro que chocalha e o dos seus passos na neve. Distantes, mas igualmente presentes, são os dos bombardeamentos que, no entanto, acabam por ser por ele ignorados tal a sua normalidade nesta que é a sua realidade. Dali parte num barco e desce o rio rumo a uma realidade que o espectador desconhece até que, de repente, um vulto surge numa das suas margens. O vulto de uma criança que ele então persegue até uma árvore. É naquela árvore com as marcas do frio de um rigoroso Inverno, que os dois se encontram e conversam revelando incoerentes momentos de uma memória partilhada, e eventualmente colectiva, da sua realidade e daquela do espaço em que ambos se encontram.
A conversa entre ambos ganha uma dimensão de reflexão na medida em que explora pequenas particularidades que parecem comuns a ambos. Pequenos momentos dessa referida memória que apenas o mesmo ser poderia saber e conhecer. É então que o espectador se questiona se estas duas pessoas não serão uma única em momentos distintos de uma realidade comum e, nesta medida, em que espaço temporal se encontram de facto... naquele que foi vivido pelo jovem ou pelo adulto? Estarão eles distanciados por anos ou simplesmente por realidades distintas mas comuns que se cruzam nesta cidade deserta, quase fantasma, que poderá mais não ser do que a imagem reflectida que ambos encontram e conhecem como o seu espaço de segurança?
Por momentos, e tendo esta linha de pensamento, o espectador questiona-se sobre a possibilidade deste mais não ser do que um espaço transitório para onde ambos foram transportados no seu "depois". Um espaço no qual a mesma pessoa em diferentes etapas da sua vida encontrou para poder tranquilizar o seu outro "eu"... Um jovem que encontra uma qualquer forma de paz compreendendo que o próprio irá existir até tardia idade, e o mais velho assegurando este que as agruras da vida não terminarão com o rugir das bombas que escuta ao longe. Nem tudo serão maus tempos e os anos de uma paz física e psicológica surgirão com os anos mas, ao mesmo tempo, ambos são, no seu tempo, assombrados com a realidade da guerra, do fim, da perda, da inexistência, do nada e até mesmo de uma morte vizinha que espreita pelo melhor momento de surgir e se dar a conhecer.
Também surge ao espectador uma noção de tragédia grega... dos deuses do Olimpo e dos seus servos na medida em que o homem (Fradelic) não só procura a sua subsistência (a moeda) pela recolha das garrafas como também se faz transportar entre margens através do seu barco. Fradelic, ou o "Caronte" destes tempos, transporta ou aborda aqueles que se acercam à margem do rio conferindo-lhes a possibilidade de uma existência do "outro" lado ou, por sua vez, confirmando que ainda não chegou o tempo deles serem transportados para essa nova realidade que julgam ter então alcançado. A tranquilidade ou seu adiamento, surge então personificado pela caminhada sem destino que estas margens precisam "consumir" antes de ser consumada a eterna e última passagem para o outro lado ou outra existência.
Ao mesmo tempo, André Gil Mata força o espectador a acompanhar o "homem" de Fradelic, primeiro através de uma calma e psicologicamente tranquila existência - pelo menos aparentemente -, que o faz percorrer as ruas de uma cidade abandonada e visivelmente deserta apenas na companhia de um fiel cão. Nesta caminhada percebemos a existência de um sofrimento inerente às suas acções, algo que o acompanha como um fardo atribuído a alguém que cumpre uma pena... O sofrimento como pena de uma existência condenada aos meus ritos e rituais, aos mesmos gestos e passos que se repetem sistematicamente dia após dia e dos quais este homem não consegue escapar. Numa prisão a céu aberto, o espectador sente uma imediata empatia pelo homem, pela sua condição e pela forma como silenciosamente - pela ausência de outro alguém ou até mesmo pela voluntariedade que assume ou assumiu com o passar dos tempos -, aceita o seu isolamento e aquilo que o destino lhe proporcionou... naquele momento e em toda a sua vida. O desespero surge assim não pela condição mas pela repetição de um ritual que se perpetua. Um desespero silencioso que apenas quebra para salvar da incerteza o seu "eu" mais jovem e que, de certa forma, resulta como um auto-conforto na medida em que as suas palavras poder-se-ão perpetuar na mente de um jovem que cresce e se desenvolve com a certeza de que esta incerteza de paz e segurança serão a sua realidade no início da sua vida e potencialmente nesse tal "final" nunca confirmado.
Contemplativo desde os instantes iniciais onde o espectador é levado a conhecer o interior de uma modesta habitação perdida num qualquer vale dos Balcãs, Drvo - A Árvore assume-se como a fonte de uma vida (a árvore) independentemente da forma como esta poderá ser desenvolvida no futuro. Ela será no entanto, o elemento que testemunha toda essa passagem de tempo, de pensamento, de regimes, de conflitos e sobretudo daqueles que a cruzaram ignorando que se manteve ali durante tempos inconfessáveis. Com uma direcção de fotografia de João Ribeiro, um mestre na captação do espírito, do momento e da energia do espaço, Gil Mata constrói uma obra maior do cinema português distanciando-se, no entanto, de qualquer nacionalidade que poderia inicialmente ser atribuída a esta história. Ao reter a mensagem de Drvo - A Árvore, o espectador desconhece primeiro o espaço - apenas revelado por pequenos elementos da obra -, depois o tempo - que apenas assume pela narrativa e pelo cenário de fundo na qual se desenrola - e finalmente a sua origem que pode firmar a obra apenas pela origem do seu realizador mas transformá-la num conto sem nacionalidade pela universalidade da sua mensagem.
De longe uma das obras maiores do novo cinema português, Drvo - A Árvore consegue nos seus pouco mais de noventa minutos firmar a importância da memória (física, psicológica, histórica, temporal...), transformar-se num conto assombroso na medida em que deixa o espectador incerto sobre os limites da ficção, do drama, do real e do fantástico sem que, no entanto, este se consiga esquecer de que se encontra perante uma história contemplativa sobre o silêncio, a dor, a perda e sobretudo o sofrimento de uma alma que - desconhecemos - se limita a percorrer os mesmos espaços, cantos e lugares de forma monótona (des)esperando por um breve momento no qual possa partilhar a sua sabedoria e o seu relato sobre a passagem desse tempo nem sempre benemérito.
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8 / 10
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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Paul Junger Witt

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1943 - 2018
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Self Destructive Boys (2018)

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Self Destructive Boys de André Santos e Marco Leão é uma curta-metragem portuguesa de ficção da dupla de realizadores de Aula de Condução (2015) e Pedro (2016) presente na Competição Oficial da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorre até ao próximo dia 6 de Maio em várias salas da cidade.
António (Miguel Cunha) Xavier (João Veloso) e Miguel (João Mota) são três jovens adultos na casa dos vinte anos com vidas banais e alguma necessidade de dinheiro. Cada um proveniente de um meio diferente optam por participar em filmes de pornografia homossexual. Se para uns é apenas mais uma forma de trabalho e para outros um teste à sua masculinidade, a realidade é que esta decisão modifica as suas noções sobre as suas próprias certezas.
Depois do drama hiper sexualizado Pedro (2016), a dupla André Santos e Marco Leão, também autores do argumento, regressa com uma história onde a sexualidade está novamente no centro da história mas aqui com doses de um humor descontraído que ameniza todas as grandes questões desta curta-metragem. Se em Pedro encontrávamos um jovem centrado nas suas escapadelas para alguns encontros homossexuais anónimos mantendo assim toda a sua imagem social "incólume", em Self Destructive Boys o trio de jovens reúne-se para aquilo que será a escapatória de uma vida ou sem dinheiro ou sem nada mais para fazer. Se os dois realizadores do porno gay - Victor Gonçalves e Nuno Nolasco - revelam desde cedo que o seu trabalho mais parece auto-satisfatório e uma forma de poder admirar os corpos despidos de jovens adultos a troco de algum dinheiro (sendo a sua própria parte - como cedo é revelado - bem compensatória para ambos), é no trio que encontramos algumas disparidades nas suas intenções. "António" e "Xavier" são a dupla descontraída... O primeiro encontrou a forma de ganhar algum dinheiro extra e o segundo uma forma de preencher os seus tempos mortos - sem esquecer o bom humor que em tudo coloca e, sexualidade à parte (até aqui), é na postura de "Miguel" que encontramos a maior incerteza, reticência e até mesmo um certo prazer escondido e por revelar para quem apenas ali estava para encontrar mais alguns "trocos" para comprar uma mota nova.
Mas... será só isso? Se os dois primeiros parecem algo despreocupados com o que estão predispostos a fazer e encaram tudo como "apenas mais um trabalho", é "Miguel" que se revela preocupado e temeroso sobre as consequências que podem surgir dali para o seu futuro. Afirmativo quanto às suas intenções monetárias e não sexuais, "Miguel" cedo se mostra um pouco mais entusiasmado com os seus propósitos, fugindo para não ter de enfrentar(-se?) as consequências de um aparente ou possível prazer e estímulo sexual.
Tudo num constante tom de humor, ainda que "realizadores" e "Miguel" sejam o centro mais sério deste enredo, é na dupla interpretada por Miguel Cunha e João Veloso que encontramos os desempenhos mais carismáticos desta história. "Habitués" actores - neste filme - de cinema porno gay, a descontracção entregue às suas personagens que tudo encaram como mais um "trabalhinho" que fazem para passar as horas mortas é desarmante transformando toda aquela dinâmica de uma história pseudo-dramática sobre os contornos nem sempre certos ou sérios de um conjunto de jovens adultos em busca de dinheiro, num hilariante e descontraído momento de tranquilidade de alguém que... tão depressa está prestes a fazer um filme pornográfico como, de repente, equacionam sobre onde podem ir comer um hamburguer num segmento de total banalidade cómica entre dois amigos que talvez até nem o sejam mas que se conhecem - literalmente - como se o fossem.
Descontraído e dotado de muito humor, este Self Destructive Boys revela um lado mais humorístico sobre a sexualidade explorada de forma mais séria e dramática pela dupla Santos e Leão em Pedro, conferindo às suas personagens uma ligeireza icónica revelando, ao mesmo tempo, um João Veloso como um jovem e interessante talento em ter em conta nos próximos anos sem esquecer de fazer com que o próprio espectador esqueça os supostos limites da sexualidade existentes entre três jovens adultos que, em toda a (sua) consciência, estão prestes a desafiar os seus próprios limites (se é que alguns), dar corpo aos seus desejos e vontades mas, sobretudo, perceber até onde é que estão dispostos a ir sem que a sua mente encontre os tais bloqueios que a sociedade poderá - em tempos - lhes ter colocado.
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8 / 10
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A Barriga de Mariana (2018)

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A Barriga de Mariana de Frederico Mesquita é uma curta-metragem portuguesa de ficção presente na Competição Oficial dá décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer na capital até ao próximo dia 6 de Maio.
Mariana (Mariana Pinheiro) está com o namorado (José Condessa) na casa de campo dos pais onde todos passam férias. No Verão que define a sua passagem da adolescência à idade adulta, Mariana descobre que está grávida. Será este o momento que define a sua relação com todos os demais?
Com um argumento também da autoria do realizador, A Barriga de Mariana recupera o Portugal interior do último ano já marcado pelas cicatrizes de um fogo que transformou toda a sua geografia. Da mesma forma que o país real se transformou, também "Mariana" está prestes a ter a sua prova de fogo ao descobrir a inesperada gravidez que terá de revelar a alguém do seu grupo estival. Filha de pais conservadores e com um namorado que se sente - mais do que ela - como um eterno jovem ainda a precisar de gozar a vida, a jovem "Mariana" encontra-se naquele inesperado limbo que coloca todos os jovens com as supostas decisões "por tomar" nas mãos. No entanto, enquanto essas decisões são, para uns, a escolha de que curso ou universidade a optar, para ela é a maternidade que que lhe bate à porta. Receosa da atitude dos pais e temerosa por um namorado que parece não estar preparado (ou querer!) a criança porvir, "Mariana" poderá ter de se transformar na inevitável adulta que, inexperiente, se prepara para ter uma vida igualmente inesperada nas suas próprias mãos.
Numa época de transformações inevitáveis - para "Mariana" e para o país como pano de fundo -, A Barriga de Mariana é portanto o retrato de uma jovem presa a noções pré-concebidas que fazem parte de uma educação mais conservadora que colidem com a irreverência natural de uma jovem que ainda não descobriu sequer o que é viver por si e que se prepara para uma maternidade onde será, forçadamente, responsável por outra vida que se avizinha. Colocando as duas noções em claro confronto emocional e psicológico, a curta-metragem de Frederico Mesquita não esquece de enquadrar a história com o Portugal de 2017 onde também predominou uma incerteza sobre o passado e o presente e as necessárias transformações que se adivinhavam para o país.
Sem nunca revelar o dia de amanhã de "Mariana", A Barriga de Mariana deixa o espectador na tal incerteza sobre aquilo que irá decidir a jovem - manter ou interromper a gravidez -, deixando claro que o seu confronto emocional é provavelmente aquilo que mais irá marcar a sua mais ou menos precipitada decisão. Ainda que sem grandes revelações sobre a história que, de forma geral, se assemelha a tantas outras do género, a curta-metragem de Mesquita revela, no entanto, uma certa sensibilidade na forma como expõe as incertezas de uma jovem que compreende estar a preparar-se para a perda... da criança porvir, de um namorado não preparado para assumir as suas responsabilidades ou ainda o apoio dos pais que não esperam uma surpresa que poderá pôr em causa os valores que pensam ter incutido na sua jovem e adolescente filha.
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7 / 10
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Histórias de Fantasmas (2018)

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Histórias de Fantasmas de Carlos Pereira é uma curta-metragem luso-alemã experimental presente na Competição Nacional da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente a decorrer até ao próximo dia 6 de Maio em Lisboa.
Tudo começa com uma tempestade. Relâmpagos ao longe que iluminam a noite de uma cidade. Alguém na noite que observa imagens do passado e um vulto que sobe umas escadas de um prédio aparentemente abandonado.
O realizador, também autor deste argumento, leva o espectador ao interior de um antigo quartel da Stasi agora vetado ao abandono. As imagens que inicialmente percorrem o imaginário do espectador rapidamente o fazem pensar nas centenas ou milhares de pessoas que fizeram o mesmo percurso e que subiram as mesmas escadarias. O que escondem, no silêncio, aquelas paredes? O que retêm as sombras onde o sol mal toca? Quais os fantasmas - e suas histórias - que ainda fazem ecoar a sua presença naqueles corredores despidos de qualquer presença humana?
Inicialmente incomodativo pela forma como faz dos silêncios e da percepção - do espectador - sobre a sua presente mensagem, Histórias de Fantasmas capta essencialmente a memória de um passado trágico, pouco explorado mas ainda presente na marca arquitectónica, histórica e sobretudo humana de uma cidade em constante transformação. Numa vontade de se inserir num novo mundo - e numa nova Europa -, a questão que permanece por responder reside na vontade de compreender qual o lugar desse mesmo legado histórico, da sua importância e do seu potencial lugar no imaginário e na História comum daquele período e dos que dele fizeram parte. Quase contemplativo e que força à cooperação da mente do espectador enquanto observador participante - pela memória que evoca -, Histórias de Fantasmas é um dos daqueles filmes que recupera o ideal da Memória Histórica no cinema bem como da sua importância para a evolução de uma comunidade (ou sociedade) através da vivência de um passado e de um contributo histórico comuns.
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6 / 10
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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Jesús Daniel Díaz

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1998 - 2018
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Marco Francisco García

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1998 - 2018
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Javier Salomón Aceves

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1993 - 2018
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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Michael Anderson

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1920 - 2018
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terça-feira, 24 de abril de 2018

Ariel 2018: os nomeados

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Foram ontem divulgados os nomeados aos prémios Ariel entregues anualmente pela Academia Mexicana de Cinema. Batallas Íntimas, de Lucía Gajá, La Libertad del Diablo, de Everardo González, La Región Salvaje, de Amat Escalante, Sueño en Otro Idioma, de Ernesto Contreras e Tiempo Compartido, de Sebastián Hofmann são as obras a competir para o Ariel de Oro de Melhor Filme.
São os demais nomeados:
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Melhor Filme
Batallas Íntimas, de Caguama producciones (CasaDeLou), FOPROCINE, IMCINE e Lucía Gajá (real.)
La Libertad del Diablo, de Artegios, Animal de luz films e Everardo González (real.)
La Región Salvaje, de Mantarraya producciones, Tres tunas e Amat Escalante (real.)
Sueño en Otro Idioma, de Agencia Sha, Alebrije cine y video, Revolver Ámsterdam, FOPROCINE, Estudios Churubusco Azteca, EFICINE e Ernesto Contreras (real.)
Tiempo Compartido, de Piano e Sebastián Hofmann (real.)
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Melhor Primeira Obra
Los Años Azules, de Sofía Gómez Córdova
Ayúdame a Pasar la Noche, de José Ramón Chávez
Mientras el Lobo No Está, de Joseph Hemsani
Plaza de la Soledad, de Maya Goded
El Vigilante, de Diego Ros
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Melhor Documentário
Batallas Íntimas, de Lucía Gajá
El Maíz en los Tiempos de Guerra, de Alberto Cortés
La Libertad del Diablo, de Everardo González
Plaza de la Soledad, de Maya Goded
Un Exilio: Película Familiar, de Juan Francisco Urrusti
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Melhor Filme Ibero-Americano
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho (Brasil)
La Mujer del Animal, de Víctor Gaviria (Colômbia)
Últimos Días en la Habana, de Fernando Pérez (Cuba)
Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
Zama, de Lucrecia Martel (Argentina)
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Melhor Curta-Metragem de Ficção
Chambelán, de Fabián León
Libre de Culpa, de Santiago Arriaga e Mariana Arriaga
Mamartuile, de Alejandro Saevich
Oasis, de Alejandro Zuno
La Ramona, de Antonio de Jesús Sánchez
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Melhor Documentário Curta-Metragem
Artemio, de Sandra Luz López
Juan Perros, de Rodrigo Ímaz
La Muñeca Tetona, de Diego Enrique Osorno e Alexandro Aldrete
Relato Familiar, de Sumie García
Tecuani, Hombre Jaguar, de Isis Alejandra Ahumada e Nelson Omar Aldape
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Amor, Nuestra Prisión, de Carolina Corral
Cerulia, de Sofía Carrillo
Nos Faltan, de Lucía Gajá e Emilio Ramos
Poliangular, de Alexandra Castellanos
Última Estación, de Héctor Dávila
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Melhor Realização
Natalia Beristáin, Los Adioses
Lucía Gajá, Batallas Íntimas
Everardo González, La Libertad del Diablo
Amat Escalante, La Región Salvaje
Issa López, Vuelven
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Melhor Actor
Leonardo Alonso, El Vigilante
Daniel Giménez Cacho, Los Adioses
Gabino Rodríguez, Los Crímenes de Mar del Norte
Humberto Busto, Oso Polar
Eligio Meléndez, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Actriz
Ángeles Cruz, Tamara y la Catarina
Angelina Peláez, Tamara y la Catarina
Arcelia Ramírez, Verónica
Cassandra Ciangherotti, Tiempo Compartido
Karina Gidi, Los Adioses
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Melhor Actor de Elenco
Andrés Almeida, Tiempo Compartido
Héctor Holten, El Vigilante
Hernán Mendoza, Las Hijas de Abril
Norman Delgadillo, Los Crímenes de Mar del Norte
Tenoch Huerta, Vuelven
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Melhor Actriz de Elenco
Bernarda Trueba, La Región Salvaje
Mercedes Pascual, Tamara y la Catarina
Mónica Miguel, Sueño en Otro Idioma
Norma Angélica, Sueño en Otro Idioma
Vico Escorcia, Los Crímenes de Mar del Norte
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Melhor Actor Secundário
Emilio Echevarría, El Elegido
Hoze Meléndez, Sueño en Otro Idioma
Juan Pablo de Santiago, Sueño en Otro Idioma
Miguel Rodarte, Tiempo Compartido
Pedro de Tavira, Los Adioses
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Melhor Actriz Secundária
Fátima Molina, Sueño en Otro Idioma
Joanna Larequi, Las Hijas de Abril
Simone Bucio, La Región Salvaje
Tessa Ia, Los Adioses
Verónica Toussaint, Oso Polar
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Revelação Masculina
Luis Amaya Rodríguez, Ayúdame a Pasar la Noche
Jesús Meza, La Región Salvaje
Juan Ramón López, Vuelven
Luis de la Rosa, Mientras el Lobo No Está
Máximo Hollander, Los Herederos
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Revelação Feminina
Ana Valeria Becerril, Las Hijas de Abril
Macarena Arias, Alba
Nicolasa Ortiz Monasterio, Sueño en Otro Idioma
Paola Lara, Vuelven
Ruth Ramos, La Región Salvaje
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Melhor Argumento Original
Everardo González e Diego Enrique Osorno, La Libertad del Diablo
Amat Escalante e Gibrán Portela, La Región Salvaje
Carlos Contreras, Sueño en Otro Idioma
Sebastián Hofmann e Julio Chavezmontes, Tiempo Compartido
Issa López, Vuelven
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Melhor Montagem
Francisco X. Rivera, Lucía Gajá e Mariana Rodríguez, Batallas Íntimas
Paloma López Carrillo, La Libertad del Diablo
Valentina Leduc, Plaza de la Soledad
Fernanda de la Peza e Jacob Secher Schulsinger, La Región Salvaje
Joaquim Marti, Vuelven
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Melhor Fotografia
Dariela Ludlow, Los Adioses
Guillermo Granillo, El Elegido
Guillermo Granillo e Bogumil Godfrejów, La Habitación
María José Secco, La Libertad del Diablo
Tonatiuh Martínez, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Música Original
Jacobo Lieberman e Leonardo Heiblum, Batallas Íntimas
Quincas Moreira, La Libertad del Diablo
Jacobo Lieberman e Leonardo Heiblum, Plaza de la Soledad
Guro Moe, La Región Salvaje
Andrés Sánchez Maher, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Som
Antonio Diego, Jorge Juárez, Omar Juárez e Tomasz Dukszta, La Habitación
Matías Barberis, Bernat Fortiana, Pablo Tamez, Jaime Baksht e Michelle Couttolenc, La Libertad del Diablo
Raúl Locatelli, Sergio Díaz e Vincent Arnardi, La Región Salvaje
Enrique Greiner, Pablo Tamez e Raymundo Ballesteros, Sueño en Otro Idioma
Emilio Cortés, Martín Hernández, Alejandro Quevedo, Jaime Baksht e Michelle Couttolenc, Vuelven
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Melhor Direcção Artística
Carlos Jacques, Los Adioses
Antonio Muñohierro, El Elegido
Carlos Jacques, La Habitación
Bárbara Enríquez, Sueño en Otro Idioma
Ana Solares, Vuelven
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Melhor Guarda-Roupa
Anna Terrazas, Los Adioses
Fernanda Vélez, Los Crímenes de Mar del Norte
Mercè Paloma, El Elegido
Mariestela Fernández e Gabriela Diaque, La Habitación
Gabriela Fernández, Sueño en Otro Idioma
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Melhor Caracterização
Nury Alamo, Los Crímenes de Mar del Norte
Maru Errando e Carlos Sánchez, El Elegido
Carlos Sánchez e Itzel Peña, La Habitación
Maripaz Robles, Sueño en Otro Idioma
Adam Zoller, Vuelven
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Melhores Efeitos Especiais
Lluis Rivera e Alejandro Vázquez, El Elegido
Arturo Godínez, La Habitación
Yoshiro Hernández, Purasangre
José Manuel Martínez, La Región Salvaje
Alejandro Vázquez, Sueño en Otro Idioma
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Melhores Efeitos Visuais
Lluís Castells, El Elegido
Radoslaw Rekita, La Habitación
Peter Hjorth, La Región Salvaje
Raúl Prado, Mientras el Lobo No Está
Raúl Prado, Juan Carlos Lepe e Edgar Piña, Vuelven
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Ariel de Oro: Queta Lavat (Actriz) e Toni Kuhn (Fotógrafo)
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 5 de Junho no Palacio de Bellas Artes, na Cidade do México.
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Globos de Ouro SIC/Caras 2018: os nomeados

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Foram há instantes revelados os nomeados à vigésima-terceira edição dos Globos de Ouro numa iniciativa anual da SIC e da Caras tendo revelado São Jorge, de Marco Martins e Fátima, de João Canijo como os grandes favoritos do ano ao arrecadar três nomeações cada.
São os nomeados:
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Melhor Filme
A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho
Fátima, de João Canijo
Peregrinação, de João Botelho
São Jorge, de Marco Martins
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Melhor Actor
Sinde Filipe, Zeus
Nuno Lopes, São Jorge
José Raposo, São Jorge
Cláudio da Silva, Peregrinação
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Melhor Actriz
Rita Blanco, Fátima
Lia Carvalho, Verão Danado
Carla Galvão, A Fábrica de Nada
Anabela Moreira, Fátima
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Os vencedores desta e das demais categorias serão anunciados numa cerimónia a realizar no próximo dia 20 de Maio no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.
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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #97

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O Shortcutz Viseu terá a sua sessão #97 a decorrer no próximo dia 27 de Abril na qual o segmento Curtas em Competição exibirá os filmes O Livro de Tudo, de Joana Alves e ainda Ivan, de Bernardo Lopes estando ambos os realizadores presentes para a apresentação das suas obras.
Como Projecto Convidado, o Shortcutz Viseu contará com a presença do Leiria Film Fest - Festival Internacional de Curtas-Metragens que trará consigo o filme curto Are You Volleyball?, de Mohammad Bakhshi, do Irão, vencedor do Prémio do Público na última edição do LFF.
Assim, a sessão #97 decorrerá na próxima sexta-feira a partir das 22 horas no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu.
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domingo, 22 de abril de 2018

Another Lisbon Story (2017)

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Another Lisbon Story de Claudio Carbone é um documentário luso-italiano exibido no âmbito do Festival Política a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Numa Lisboa cada vez mais cosmopolita é impensável a existência de bairros-favela nos arredores da capital. O Bairro da Torre, perto do aeroporto, é disso exemplo. Sessenta e duas famílias resistem num bairro sem quaisquer condições de saneamento básico ou infraestruturas reclamando-as em nome de uma vida melhor e digna.
Num mundo em constante transformação, a centralidade das cidades e da sua área metropolitana deslocou-se em relação ao passado. Aquilo que anteriormente eram bairros periféricos erguidos em locais que se distanciavam do centro são agora os espaços que a cidade reclama em nome de um crescimento frenético que os aproxima desse referido "centro". Assim, e numa análise próxima das realidades de uma comunidade que foi esquecida ao longo dos anos, Another Lisbon Story - num claro piscar de olhos à obra Lisbon Story (1994), de Wim Wenders e da sua Lisboa romântica, histórica e melancólica - primeiro faz com que o espectador conheça esta população perdida num tempo incerto às portas de uma cidade que, finalmente, chegou até às suas portas para, de seguida, revelar todo um conjunto de vontades e iniciativas que visam a recuperação destes bairros e das realidades de quem neles vivem tomando como exemplo outros já bem sucedidos - como é o caso da Quinta do Mocho e, por exemplo, os seus murais artísticos como ponto de referência artística e urbana - tentando exportar para o Bairro da Torre não só esta recuperação e iniciativa como também fazer-lhe chegar todo um conjunto de elementos básicos como, por exemplo, o saneamento básico, a canalização e mesmo a própria limpeza do espaço que parece ausente do mesmo há décadas.
Dos interesses da Faculdade de Arquitectura aos poderes políticos da cidade sem esquecer, claro, as vontades e necessidades da população que começam com a simples comparência da mesma nas diversas reuniões efectuadas onde não só se conhecem rostos como principalmente vontades, Another Lisbon Story termina com um conjunto de sentidas vontades e esperanças que culminam com a "construção" de um pequeno espaço para que as crianças brinquem e se possam fazer cumprir nestas pequenas gerações os sonhos que até então foram perdidos.
Embebido num espírito de registo-denúncia (sem apontar directamente o dedo ao acontecimento mas sim à necessidade de transformação que é notória), e com apontamentos musicais de André David, este documentário luso-italiano expõe ainda de forma francamente interessante a mescla pacífica de etnias numa comunidade onde tudo escasseia - menos a dignidade - como um interessante elemento da vida da própria cidade da Lisboa multicultural e a necessidade da integração de todos os espaços da mesma como centros de realidades diversas que não podem - ou devem - ser esquecidas. Desta forma, e sem esquecer que Lisboa não é apenas a Baixa Pombalina ou os bairros históricos como, por exemplo, Belém ou tão pouco toda uma nova área recuperada no Parque das Nações, Another Lisbon Story insiste na vontade de fazer ver - e principalmente crer - que Lisboa é uma cidade em franco crescimento que tem, no entanto, uma franja populacional em franca necessidade de fazer cumprir o fundamental... a concretização da sua própria dignidade e reconhecimento como uma parte integrante da mesma.
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7 / 10
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Festival de Málaga - Cine Español 2018: os vencedores

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Foram ontem revelados os vencedores da vigésima-primeira edição do Festival de Málaga - Cine Español que decorra na cidade andaluza desde o passado dia 13 de Abril.
São os vencedores:
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Selecção Oficial - Ficção
Biznaga de Oro
Filme: Les Distàncies
, de Elena Trapé
Filme Ibero-Americano: Benzinho, de Gustavo Pizzi (Brasil/Uruguai/Alemanha)
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Biznaga de Plata
Prémio Especial do Júri:
Casi 40, de David Trueba e La Reina del Miedo, de Valeria Bertuccelli e Fabiana Tiscornia
Prémio Especial do Júri da Crítica: Benzinho, de Gustavo Pizzi
Prémio do Público: Mi Querida Cofradía, de Marta Díaz de Lope Díaz
Realização: Elena Trapé, Les Distàncies
Actor: Javier Rey, Sin Fin
Actriz: Valeria Bertuccelli, La Reina del Miedo e Alexandra Jiménez, Les Distàncies
Actor Secundário: Vladimir Cruz, Los Buenos Demonios
Actriz Secundária: Carmen Flores, Mi Querida Cofradía
Argumento: Daniel Díaz Torres e Alejandro Hernández, Los Buenos Demonios
Montagem: Pablo Zumárraga, No Dormirás
Fotografia: Guillermo Nieto, No Dormirás
Música: Edesio Alejandro, Los Buenos Demonios
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Zonazine
Biznaga de Plata
Filme Espanhol: Con el Viento
, de Meritxell Colell
Filme Ibero-Americano: Casa Coraggio, de Baltazar Tokman (Argentina)
Prémio do Público: Traigan la Hierba, de Denny Brechner, Alfonso Guerrero e Marcos Hecht
Realização: Baltazar Tokman, Casa Coraggio
Actor: Dani Casellas, Yo la Busco
Actriz: Sofia Urosevich, Casa Coraggio
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Secção Oficial - Documentário
Documentário: Ainhoa, Yo No Soy Esa, de Carolina Astudillo
Prémio do Público: La Flor de la Vida, de Claudia Abend e Adeiana Loeff
Menção Especial: Hayati (Mi Vida), de Sofi Escudé e Liliana Torres
Realização: Juan Manuel Sepúlveda Martínez, La Vida Suspendida de Harley Prosper
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Secção Oficial - Curtas-Metragens
Ficção: La Última Virgen, de Bàrbara Farré
Prémio do Público: Seattle, de Marta Aledo
Actor: Ferrán Vilajosana, Australia
Actriz: Susana Abaitua, Vacío
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Documentário: Improvisaciones de una Ardilla, de Virginia García del Pino
Menção Especial: Você Não me Conhece, de Rodrigo Séllos
Prémio do Público: Kyoko, de Joan Bover e Marcos Cabotá
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Animação: Afterwork, de  Luis Usón e Andrés Aguillar
Prémio do Público: Eusebio80, de Jesús Martínez e Iván Molina
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Curtas-Metragens de Málaga
Ficção: Charlitas de Verano, de Javier Díaz Conde
Documentário, Animação ou Experimental: Conversaciones Ajenas, de Manuel Jiménez Núñez
Prémio do Público: Charlitas de Verano, de Javier Díaz Conde
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Prémios Málaga Cinema
Produção Cinematográfica: José Alba
Oficios del Cine: Nacho Albert
Trajectória Profissional: Juanma Lara
Actor: Pepón Nieto
Actriz: Belén Cuesta
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Outros Prémios
Prémio Júri Jovem - Longa-Metragem da Secção Oficial: Sergio & Serguéi, de Ernesto Daranas
Prémio Escuelas de Cine - Longa-Metragem da Secção Zonazine: Oso Polar, de Marcelo Tovar
Prémio Movistar+ - Longa-Metragem Zonazine: Yo la Busco, de Sara Gutiérrez
Prémio Feroz Puerta Oscura - Longa-Metragem da Secção Oficial: Benzinho, de Gustavo Pizzi
Prémio ASECAN - Primeira Obra: Sin Fin, de César Esteban Alenda e José Esteban Alenda
Prémio SIGNIS: Sergio & Serguéi, de Ernesto Daranas
Menção Especial: Sin Fin, de César Esteban Alenda e José Esteban Alenda
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Prémios "Afirmando los Derechos de la Mujer"
Documentário Longa-Metragem: Organizar lo (Im)posible, de Carme Gomila e Tonina Matamalas
Documentário Curta-Metragem: I Forgot Myself Somewhere, de Iker Elorrieta
Prémio do Público: Negra Soy, de Laura Bermúdez
Prémio Mujeres en Escena - Longa-Metragem: Ala-Kachuu, Grab and Run, de Roser Corella
Prémio Mujeres en Escena - Curta-Metragem: Approaching, de Tereza Pospíšilová
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sábado, 21 de abril de 2018

Nelson Pereira dos Santos

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1928 - 2018
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Verne Troyer

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1969 - 2018
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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Premios Fugaz 2018: os nomeados

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Foram hoje divulgados os nomeados à segunda edição dos Prémios Fugaz entregues à curta-metragem espanhola numa iniciativa CortoEspaña.
São os nomeados:
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Melhor Curta-Metragem
El Escarabajo al Final de la Calle, de Joan Vives
Madre, de Rodrigo Sorogoyen
Ni Una Sola Línea, de Víctor E. D. Somoza
Nuestro Viejo (Y el Mar), de Lander Camarero
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Melhor Documentário Curta-Metragem
5105 História de Una Fuga de Mauthausen, de Diego González
The Mauritania Railway: Backbone of the Sahara, de MacGregor
La Pureza, de Pedro Vikingo
El Tesoro, de Nestor del Castillo e Marisa Lafuente Esteso
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Melhor Curta-Metragem de Animação
Alley Cats, de Alejandro Jiménez e Bernardo González
Mars Love, de Mario Serrano Hervás
Un Día en el Parque, de Diego Porral
Woody and Woody, de Jaume Carrió
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Melhor Longa-Metragem
Estiu 1993, de Carla Simón
Handía, de Aitor Arregi e on Garaño
Muchos Hijos, Un Mono y un Castillo, de Gustavo Salmerón
Verónica, de Paco Plaza
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Melhor Realização
Luis Tinoco, Caronte
Rodrigo Sorogoyen, Madre
Alicia Albares, Madres de Luna
Lander Camarero, Nuestro Viejo (Y el Mar)
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Melhor Actor
Ramón Barea, Miss Wamba
Luis Callejo, Enemigos
Carlos Kaniowsky, Adivina
Alfred Picó, El Escarabajo al Final de la Calle
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Melhor Actriz
Itziar Castro, RIP
Marta Nieto, Madre
Mabel Rivera, Alto San Nen
Selica Torcal, Ni Una Sola Línea
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Melhor Argumento
Alto San Nen, Pedro Collantes
El Escarabajo al Final de la Calle, Joan Vives Lozano
Madre, Rodrigo Sorogoyen
Ni Una Sola Línea, Chema Cardosa, Nadia Matia e Víctor E. D. Somoza
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Melhor Direcção de Produção
Caronte, Irene Camposo
La Dama de Sal, Mario Venegas
Madres de Luna, Iván Calderón e Teresa Gago
Nuestro Viejo (Y el Mar), Gorka Zalacaín
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Melhor Montagem
Caronte, Frank Gutiérrez
El Escarabajo al Final de la Calle, Guiu Vallvé
Ni Una Sola Línea, Verónica Callón
Nuestro Viejo (Y el Mar), Lander Camarero
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Melhor Fotografia
Adivina, Juan Santacruz
Caronte, Pablo Burmann
Exhalación, Miguel Ángel Viñas
The Mauritania Railway: Backbone of the Sahara, MacGregor
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Melhor Música Original
Adivina, Rafael Arnau Bataller
Caronte, Rafael Arnau Bataller
Exhalación, Luis Hernaiz
Nuestro Viejo (Y el Mar), David Alonso
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Melhor Som
Caronte, Daniel Jiménez
La Dama de Sal, José Tomé
Madre, Roberto Fernández
Nuestro Viejo (Y el Mar), David Cuesta e Ernesto Santana
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Melhor Direcção Artística
Adivina, Eduardo Parrilla
Caronte, Eva Morales
La Dama de Sal, Gigia Pellegrini
RIP, Cristina Borobia
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Melhor Guarda-Roupa
Adivina, Víctor Vilas
La Dama de Sal, Pepe Vázquez
Madres de Luna, Sol Curiel
Miss Wamba, Alex Green
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Melhor Caracterização
La Dama de Sal, Yolanda Piña
Miss Wamba, Maribel Garrido
Nuestro Viejo (Y el Mar), Berta Lasheras
RIP, Alba Setó
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Melhores Efeitos Visuais
Adivina, Iván Martín Ruedas
Caronte, Luis Tinoco
La Dama de Sal, Bernardo González e Alejandro Jiménez
Nuestro Viejo (Y el Mar), Unai Guerra e Matías Matteri
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 24 de Maio no Cine Palacio de la Prensa, em Madrid.
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Avicii

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1989 - 2018
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European Film Awards - Young Audience Award 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou recentemente os três filmes nomeados à terceira edição do Young Audience Award. Numa iniciativa que ocorre em Portugal com o patrocínio da Academia Portuguesa de Cinema e do ICA - Instituto de Cinema e Audiovisual, a edição deste ano decorre no próximo dia 6 de Maio na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema sendo os nomeados exibidos em vários cidades europeias em simultâneo.
Os filmes nomeados versam sobre questões temáticas e sociais e terão como jurados um conjunto de adolescentes entre os 12 e os 14 anos de idade. São os filmes nomeados:
  • La Fuga: Girl in Flight, de Sandra Vannucchi (Itália/Suíça)
  • Hobbyhorse Revolution, de Selma Vilhunen (Finlândia)
  • Wallay, de Berni Goldblat (França/Burkina Faso)
O vencedor será conhecido no próprio dia e divulgado em directo através de Erfurt, na Alemanha.
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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira 2018: os vencedores

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Terminou a vigésima-primeira edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira que decorria desde o passado dia 8 de Abril no Auditório da Biblioteca Municipal tendo anunciado Benzinho - Filme, de Gustavo Pizzi como o Melhor Filme do Ano.
São os vencedores:
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Competição de Longas-Metragens
Filme: Benzinho - Filme, de Gustavo Pizzi
Actor: André Guerreiro Lopes, A Moça do Calendário
Actriz: Martha Nowill, Vermelho Russo
Prémio Especial do Júri: Unicórnio, de Eduardo Nunes
Prémio Revelação: Los Leones, de André Lage
Menção Honrosa do Júri: Vermelho Russo, de Charly Braun
Prémio da Crítica: Pendular, de Júlia Murat
Prémio dos Cineclubes: Unicórnio, de Eduardo Nunes
Prémio do Público: A Moça do Calendário, de Helena Ignez
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Competição de Curtas-Metragens
Filme: Vou-me Despedir do Rio, de David Gomes e Pedro Cruz
Prémio Revelação: Travessia, de Safira Moreira
Prémio Especial do Júri: Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo
Menção Honrosa do Júri: Laura, de Tânia Dinis e Habitado, de Daniela Fortuna
Prémio da Crítica: Superpina, de Jean Santos
Prémio dos Cineclubes: Torre, de Nádia Mangolini
Prémio do Público: Água Mole, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires (Xá)
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Dona Ivone Lara

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1921 - 2018
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Harry Anderson

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1952 - 2018
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Tempo Comum (2018)

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Tempo Comum de Susana Nobre é uma longa-metragem portuguesa presente na Competição Nacional da décima-quinta edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que irá decorrer entre os dias 26 de Abril e 6 de Maio, em Lisboa.
Num apartamento em Lisboa, Marta (Marta Lança) toma conta da filha recém nascida enquanto recupera do parto. Por entre visitas de familiares e amigos onde se expõem ideias sobre o casamento, o parto, os primeiros empregos bem como os planos e expectativas para com o futuro, observamos o ciclo da vida por vozes de várias gerações enquanto Marta tenta encontrar o seu caminho.
Depois de Lisboa-Província (2010), Vida Activa (2014) e Provas, Exorcismos (2015), Susana Nobre regressa com esta longa-metragem que não só mescla o documentário e a ficção como assume muito das vertentes exploradas nas suas obras anteriores. Da casa em que se encontram e de onde esperam partir para uma mais permanente, Susana Nobre confere a este casal - e sobretudo à perspectiva da mãe - os dramas e dilemas de uma família que tenta encontrar o seu lugar após as constantes transformações que a sua vida acaba de encontrar. A dinâmica do casal é então explorada sobre a perspectiva de alguém que tenta primeiramente encontrar o seu lugar enquanto pais recentes e, dessa forma, lidar com uma nova vida que agora ocupa os poucos ou nenhuns espaços livres que têm como também o seu próprio lugar como membros de um casal que agora tem toda a sua convivência alterada pela presença de uma filha recém nascida. Ao mesmo tempo, Tempo Comum explora, ainda que livre e levemente, o regresso a uma vida profissional activa que parece não querer esperar por ninguém enquanto se debate - o casal - com a dicotomia entre campo e cidade e as (des)vantagens que ambos os espaços parecem querer trazer para a sua dinâmica enquanto família em crescimento. Se na cidade tudo parece estar ao alcance de breves passos, é no campo que aparentam estar as suas raízes e a aparência de uma vida menos complicada à qual, no entanto, faltam tantos outros recursos que apenas a cidade pode satisfazer.
Ao mesmo tempo, Tempo Comum insiste em não esquecer a dinâmica da família extensa ao colocar os problemas do casal "Marta" e "Pedro" em directo confronto com as vivências dos seus pais e sogros como exemplos que se esperam alcançar ou, pelo menos, tomar como ponto de partida para aquilo que esperam construir. No entanto, e neste tal mundo em constante movimento e transformação, como alcançar feitos que agora podem ser não só efémeros como um mero trânsito para realidades que poderão não ter - para eles - o mesmo impacto que outrora fora conquistado?
Quase como um filme registo ou relato, Susana Nobre conquista com Tempo Comum a capacidade de espelhar esta sociedade moderna onde o "eu", o "nós", a família, a vida profissional e a paternidade se confundem e imiscuem dificultando a percepção do que representam cada um deles e, sobretudo, o que representam para a formação dessa consciência sobre o individual e o colectivo. Até que ponto está hoje definida a noção de família? De casal? De progenitores? Do trabalho? Quais as prioridades? Quais as barreiras? Quais os entraves ou, principalmente, quais os sentidos proibidos que se devem ter sempre presentes e consciencializados enquanto tal.
Diferente, afastando-se de breves catalogações que o opõem a documentário ou a ficção - à vez -, Tempo Comum une-se a outras obras recentes como, por exemplo, Uma Rapariga da Sua Idade (2015), de Márcio Laranjeira ou Verão Danado (2017), de Pedro Cabeleira na vontade de fazer assumir - e se assumir - os dilemas de uma geração à deriva incapaz de se enquadrar em diferentes patamares de um normal desenvolvimento psicológico, pessoal, familiar e profissional lançando os seus intervenientes num campo por explorar, desconhecido e incerto... Tanto quanto a incerteza com que o espectador retém no final sobre os destinos destas não tão improváveis "personagens" reais. Bravo Susana Nobre. Bravo!
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7 / 10
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domingo, 15 de abril de 2018

R. Lee Ermey

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1944 - 2018
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Philip D'Antoni

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1929 - 2018
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Vittorio Taviani

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1929 - 2018
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Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra 2018: os vencedores

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Terminou hoje a oitava edição do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra que decorreu no Centro Cultural Olga de Cadaval desde o passado dia 11 de Abril. Para a Competição Nacional o júri foi composto por Beatriz Batarda, Cláudia Chéu e Sérgio Tréfaut enquanto que a Competição Internacional fora decidida por Ana David, João Ferreira e Margarida Leitão tendo decidido o seguinte palmarés:
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Competição Nacional
Grande Prémio do Júri: Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes
Menção Honrosa: Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo
Prémio do Público: Surpresa, de Paulo Patrício
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Competição Internacional
Curta-Metragem: The Wizard of U.S., de Balbina Bruszewska (Polónia)
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Competição Mini-Córtex
Prémio Mini-Córtex: In a Heartbeat, de Esteban Bravo e Beth David
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sábado, 14 de abril de 2018

Isabella Biagini

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1940 - 2018
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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Milos Forman

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1932 - 2018
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A Quiet Place (2018)

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Um Lugar Silencioso de John Krasinski é uma longa-metragem norte-americana centrada na interacção de uma família forçada a viver em silêncio num meio isolado como forma de escapar a uma misteriosa criatura que caça e ataca quando escuta o mais ínfimo dos ruídos.
Krasinski juntamente com Bryan Woods e Scott Beck escreveram o argumento desta inesperada e surpreendente história que leva o espectador para a vivência quase improvável de uma família que não só tem de viver num silêncio sepulcral como principalmente escapar a um perigo invisível que ataca ao mínimo ruído existente. Num mundo onde a presença humana parece ter desaparecido do mapa, como escapar a um perigo que não se observa?
A dinâmica desta longa-metragem é imediatamente cativante não só pela forma como se desenha a vivência desta família encabeçada por Emily Blunt como "Evelyn" e John Krasinski como "Lee" na qual a sobrevivência dos seus três filhos é a prioridade máxima. Não existe vida aparente para além dos cinco nem tão pouco qualquer tipo de notícia do mundo exterior à sua pequena comunidade onde apenas eles resistem. As poucas notícias que chegam ao espectador são aquelas de jornais que guardam no seu bunker improvisado remetentes a tempos não tão distantes onde se percebe que o planeta Terra foi alvo de uma invasão alienígena. Ao 89º dia compreende o espectador que os desaparecidos são às centenas de milhar, que as cidades estão desertas - principalmente as mais pequenas onde a acção de A Quiet Place se desenrola - e que a necessidade de sobreviver é em igual proporção àquela de manter o silêncio como uma constante na própria dinamização desta história e da original forma de comunicação entre as personagens que transformaram uma aparente debilidade de um mundo normal numa técnica de escapar neste nova forma de sociedade que desconhece o dia de amanhã.
Do mundo exterior pouco se sabe. A comunicação é inexistente e apenas as informações dos "primeiros dias" subsiste. Mais de um ano depois da invasão e da destruição inicial, os alimentos escasseiam e já não existe nada para pilhar nas lojas tendo a sobrevivência de ser efectuada por mão própria e com o pouco que a terra ainda pode fornecer. No entanto chega ao espectador a realidade de "Evelyn" que se encontra no final da sua gravidez, que o espectador compreende que é esta nova forma de vida, que poderá dar continuidade àquilo que resta da civilização, que poderá pôr em risco a sobrevivência de uma família que já se deparou com a morte de um dos seus. Sobreviver é assim indispensável mas... a que custo?
Se por um lado o espectador poderá imaginar que o género cinematográfico em questão está mais do que explorado com as inúmeras e por vezes infundadas histórias de invasão alienígena existe, no entanto, a confirmação de que Krasinski - actor, realizador, argumentista e produtor -, deu vida a um conto que prima pela quase total ausência de extraterrestres que apenas brevemente conhecemos nos segmentos finais, pela igualmente ausente existência de uma qualquer batalha que lançasse os sobreviventes nos seus abrigos (aqui apenas percebemos o que aconteceu ao mundo após a sua aparente destruição), mas sobretudo pela habilidade em inovar e transformá-la através da sua forma de comunicação que chega apenas pela interacção entre os diversos actores bem como pelas composições das suas personagens que sofrem, choram, riem e falam através da expressividade de um olhar ou pela língua gestual americana que aqui ganha lugar de língua de destaque revelando que as supostas pequenas debilidades do mundo tal como o conhecemos são, afinal, as formas mais válidas de sobrevivência numa espécie de nova sociedade incerta e insegura.
O silêncio, ou a sua ausência nos pequenos actos do dia-a-dia, acabam por transformar-se em A Quiet Place como uma outra forma de comunicação ou até mesmo numa espécie de personagem oculta na medida em que são as alterações a esse existir quotidiano que se assumem como os tais elementos de destaque nesta longa-metragem. Caminhar já não se faz da mesma forma, uma ida a um supermercado é agora feita no mais profundo silêncio e o simples mexer numa prateleira da cozinha lá de casa pode transformar-se num risco de vida constante. Tudo tem de ser feito no mais absoluto silêncio que se afirma e os ruídos existentes apenas são os daqueles elementos naturais que não perturbam a nova força dominante num planeta que o espectador desconhece estar ainda com vida humana ou já desta desprovido.
Krasinski que o espectador mais atento poderá reconhecer de inúmeras obras de comédia ou até mesmo pelo seu ar cool e descontraído, é aqui a força motora de um filme tenso e intenso de um terror que está para lá da simples invasão extraterrestre, e que se afirma pela forma pela incapacidade de expressar dor ou sofrimento correndo o risco de, ao estar exposto, se transformar na próxima vítima desse mal oculto e anónimo. Da comédia ao terror como a mesma ligeireza mas, ao mesmo tempo, firmando-se como um interessante e inteligente contador de histórias, Krasinski faz do seu A Quiet Place o filme sensação do momento que prima pela dinâmica da família em tempos conturbados independentemente do pano de fundo ser aquele que aqui encontramos mas que facilmente poderia centrar-se num qualquer outro contexto mais ou menos denso. No final, a grande questão que permanece para o espectador é apenas uma... até que ponto estaria qualquer um disposto a ir para salvar aquilo que tem de mais sagrado... ninguém lutará por um país, por uma crença ou por um governo... mas sim pela perpetuação daquilo que tem de mais sagrado... uma família que ama. E é em nome desse amor, ou por esse amor, que se sobrevive e vive o mais certo sacrifício...
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"Evelyn: Who are we if we can't protect them?"
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8 / 10
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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Festa do Cinema Italiano 2018: os vencedores

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Termina hoje a décima-primeira edição da Festa do Cinema Italiano que decorreu no Cinema São Jorge, em Lisboa desde o passado dia 4 de Abril.
Os membros do júri composto por Francisco Valente, Paula Brito Medori e Pedro Cabeleira decidiram atribuir o Prémio do Júri ao filme Happy Winter / Buon Inverno, de Giovanni Totaro pela "originalidade da sua proposta e pela liberdade do seu gesto (...) constrói a partir de um mosaico de vidas verdadeiras, um retrato lúdico, social e político complexo no qual reconhecemos não apenas um país mas também um microcosmo da realidade em que vivemos, tanto o seu lado eufórico como incerto".
Happy Winter / Buon Inverno é um documentário que nos leva até à praia de Mondello, em Palermo na ilha mediterrânica da Sicília, onde todos os anos, no Verão, são reconstruídas mais de mil cabanas prontas para receber inúmeros banhistas que ali passam toda a temporada estival.
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Durante a Festa do Cinema Italiano é ainda atribuído através do voto dos espectadores, o Prémio do Público tendo sido Cuori Puri, de Roberto De Paolis - nomeado este ano ao David di Donatello de Realizador Revelação - a longa-metragem premiada.
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