quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Gotham Independent Film Awards 2018: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Gotham Independent Film Awards, os primeiros que "abrem" oficialmente a temporada de prémios às produções cinematográficas do último ano.
Entre as surpresas e as confirmações, os nomeados são:
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Melhor Filme
The Favorite, de Yorgos Lanthimos
First Reformed, de Paul Schrader
If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins
Madeline's Madeline, de Josephine Decker
The Rider, de Chloé Zhao
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Melhor Documentário
Bisbee' 17, de Robert Greene
Hale County This Morning, This Evening, de RaMell Ross
Minding the Gap, de Bing Liu
Shirkers, de Sandi Tan
Won't You Be My Neighbor?, de Morgan Neville
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Bingham Ray Award - Realizador Revelação
Bo Burnham, Eighth Grade
Ari Aster, Hereditary
Crystal Moselle, Skate Kitchen
Boots Riley, Sorry to Bother You
Jennifer Fox, The Tale
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Melhor Actor
Adam Driver, BlacKkKlansman
Ben Foster, Leave No Trace
Richard E. Grant, Can You Ever Forgive Me?
Ethan Hawke, First Reformed
Lakeith Stanfield, Sorry to Bother You
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Melhor Actriz
Glenn Close, The Wife
Toni Collette, Hereditary
Kathryn Hahn, Private Life
Regina Hall, Support the Girls
Michelle Pfeiffer, Where Is Kyra?
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Intérprete Revelação
Yalitza Aparicio, Roma
Elsie Fisher, Eighth Grade
Thomasin Harcourt, Leave No Trace
Helena Howard, Madeline's Madeline
Kiki Layne, If Beale Street Could Talk
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Prémio Especial do Jurado - Elenco: The Favorite, Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz
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Melhor Argumento
The Favorite, Deborah Davis e Tony McNamara
First Reformed, Paul Schrader
Private Life, Tamara Jenkins
Support the Girls, Andrew Bujalski
Thoroughbreds, Cory Finley
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 26 de Novembro, em Nova York.
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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

César Fernandes

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1966 - 2018
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Festival Caminhos do Cinema Português 2018: selecção oficial

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O Festival Caminhos do Cinema Português divulgou hoje a programação oficial da sua vigésima-quarta edição a decorrer entre os próximos dias 23 de Novembro a 1 de Dezembro, em Coimbra. Entre as várias centenas de obras visionadas, divididas entre Ficção, Documentário e Animação nos formatos de longa e curta-metragem, os seleccionados foram:
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Ficção
3 Anos Depois, de Marco Amaral
20-02-80, de Jerónimo Rocha
Amantes na Fronteira, de Atsushi Funahashi
Anjo, de Miguel Nunes
Anteu, de João Vladimiro
Aparição, de Fernando Vendrell
Aquaparque, de Ana Moreira
Cabaret Maxime, de Bruno de Almeida
California, de Nuno Baltazar
Calipso, de Paulo A. M. Oliveira
Caminhos Magnéticos, de Edgar Pêra
Carga, de Bruno Gascon
Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, de Eugène Green
O Coração Revelador, de São José Correia
Descobrindo a Variável Perfeita, de Rafael Almeida
Os Dois Irmãos, de Francisco Manso
Drvo - A Árvore, de André Gil Mata
Equinócio, de Ivo M. Ferreira
A Estranha Casa na Bruma, de Guilherme Daniel
Filomena, de Pedro Cabeleira
Inversão, de Miguel Ângelo
Letters from Childhood, de José Magro
Leviano, de Justin Amorim
Luana, de Pedro Magano
Maria, de Catarina Neves Ricci
Mariphasa, de Sandro Aguilar
Nevoeiro, de Daniel Veloso
Pedro e Inês, de António Ferreira
Peregrinação, de João Botelho
Por Tua Testemunha, de João Pupo
A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes
Pródigo, de João Lourenço
O Quadro, de Paulo Araújo
Quando Pudermos, de Miguel Cardoso Faria
Quantas Vezes Tem Sonhado Comigo?, de Júlia Buísel
Russa, de João Salaviza e Ricardo Alves Jr.
O Segredo da Casa Fechada, de Teresa Garcia
Segunda-Feira, de Sebastião Salgado
Self Destructive Boys, de André Santos e Marco Leão
Soldado Milhões, de Gonçalo Galvão Teles
Sombra Luminosa, de Francisco Queimadela e Mariana Caló
Terra Amarela, de Dinis M. Costa
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Documentário
Até que o Porno nos Separe, de Jorge Pelicano
Bostofrio, où le Ciel Rejoint la Terre, de Paulo Carneiro
O Canto do Ossobó, de Silas Tiny
A Casa, de Rui Simões
O Homem-Pykante, de Edgar Pêra
Madness, de João Viana
Os Mortos, de Gonçalo Robalo
Pele de Luz, de André Guiomar
À Tarde, de Pedro Florêncio
Terra Franca, de Leonor Teles
Turno do Dia, de Pedro Florêncio
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Animação
28 de Outubro, de Tiago Albuquerque
Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
Desempregato, de Sara Marques
Ensaio sobre a Morte, de Margarida Madeira
Entre o Verão e o Outono, de Maria Francisca Pinto
Entre Sombras, de Mónica Santos e Alice Guimarães
Porque é Este o Meu Ofício, de Paulo Monteiro
Razão Entre Dois Volumes, de Catarina Sobral
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terça-feira, 16 de outubro de 2018

European Film Awards - European Achievement in World Cinema 2018

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A Academia Europeia de Cinema anunciou hoje o nome do homenageado com o European Achievement in World Cinema de 2018 a premiar no decorrer da trigésima-primeira cerimónia dos European Film Awards a decorrer em Sevilha no próximo dia 15 de Dezembro... Ralph Fiennes.
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O actor britânico nascido em Ipswich em 1962, iniciou o seu percurso cinematográfico no início da década de '90 com Wuthering Heights (1992), de Peter Kosminsky ao lado de Juliette Binoche. The Baby of Mâcon (1993), de Peter Greenaway foi a longa-metragem que precedeu Schindler's List (1993), de Steven Spielberg que valeu a Fiennes a primeira nomeação ao Oscar na categoria de Actor Secundário ao qual sucederam Quiz Show (1994), de Robert Redford e Strange Days (1995), de Kathryn Bigelow. The English Patient (1996), de Anthony Minghella traria a Fiennes a sua segunda nomeação ao Oscar agora na categoria de Actor Protagonista. Com o final da década, Ralph Fiennes surgiria como protagonista em Oscar and Lucinda (1997), de Gillian Armstrong, The Avengers (1998), de Jeremiah Chechik, na longa-metragem de animação The Prince of Egypt (1998), de Brenda Chapman, Steve Hickner e Simon Wells, Sunshine (1999), de István Szabó, Onegin (1999), de Martha Fiennes e em The End of the Affair (1999), de Neil Jordan.
O novo milénio começaria com a sua segunda animação The Miracle Maker (2000), de Derek W. Hayes e Stanislav Sokolov à qual se seguiriam Spider (2002), de David Cronenberg, The Good Thief (2002), de Neil Jordan, Red Dragon (2002), de Brett Ratner, no êxito comercial Maid in Manhattan (2002), de Wayne Wang ao lado de Jennifer Lopez, The Chumscrubber (2005), de Arie Posin, Chromophobia (2005), de Martha Fiennes, The Constant Gardener (2005), de Fernando Meirelles, na terceira animação vencedora de Oscar The Curse of the Were-Rabbit (2005), de Steve Box e Nick Park, The White Countess (2005), de James Ivory dando início, no mesmo ano, à sua colaboração como Lord Voldemort em Harry Potter and the Goblet of Fire (2005), de Mike Newell. Seguir-se-iam Land of the Blind (2006), de Robert Edwards, Bernard and Doris (2006), de Bob Balaban, Harry Potter and the Order of the Phoenix (2007), de David Yates, In Bruges (2008), de Martin McDonagh, The Duchess (2008), de Saul Dibb, no vencedor do Oscar de Melhor Filme The Hurt Locker (2008), de Kathryn Bigelow, The Reader (2008), de Stephen Daldry, Nanny McPhee and the Big Bang (2010), de Susanna White, Clash of Titans (2010), de Louis Leterrier, Cemetery Junction (2010), de Ricky Gervais e Stephen Merchant, Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (2010), de David Yates aos quais se seguiram Coriolanus (2011),a sua estreia na realização e Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 (2011), de David Yates.
Em 2012 Ralph Fiennes participaria em Wrath of the Titans, de Jonathan Liebesman, Great Expectations, de Mike Newell e Skyfall, de Sam Mendes aos quais sucederiam The Invisible Woman (2013), que o próprio realizou, The Grand Budapest Hotel (2014), de Wes Anderson e nas curtas-metragens The Hogwarts Express (2014) e Harry Potter and the Escape from Gringotts (2014), de Thierry Coup, e Mesyats v Derevne (2014), de Vera Glagoleva, National Theatre Live: Man and Superman (2015), de Simon Godwin, A Bigger Splash (2015), de Luca Guadagnino, Spectre (2015), de Sam Mendes, Hail, Caesar! (2016), de Ethan Coen e Joel Coen, na curta-metragem The Works (2016), de Elliot Barnes-Worrell, Richard III (2016) e nas longas-metragens de animação Kubo and the Two Strings (2016), de Travis Knight e The Lego Batman Movie (2017), de Chris McKay, The White Crow (2018) novamente dirigido por si e Antony & Cleopatra (2018), de Simon Godwin tendo ainda por estrear Holmes & Watson (2018), de Etan Cohen, The Voyage of Doctor Doolittle (2020), de Stephen Gaghan e sem data por estrear Official Secrets, de Gavin Hood e Hallelujah!, de Chris Addison.
Para lá das já mencionadas nomeações a dois Oscars da Academia norte-americana de cinema, Fiennes foi ainda nomeado por cinco vezes aos Globos de Ouro da Imprensa Estrangeira nos Estados Unidos, é vencedor de um BAFTA por Schindler's List num total de seis nomeações e de um European Film Award por Sunshine entre inúmeros outros troféus e nomeações nos mais diversos festivais de cinema e da crítica especializada.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Paul G. Allen

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1953 - 2018
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Le Vent Tourne (2018)

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O Vento que Sopra de Bettina Oberli (Suíça/França) é uma das longas-metragens exibidas em Antestreia na décima-nona edição da Festa do Cinema Francês a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa até ao próximo dia 14 de Outubro.
Pauline (Mélanie Thierry) vive isolada nos Alpes Suíços com Alex (Pierre Deladonchamps). Enquanto tentam subsistir com o rendimento natural que os animais lhe providenciam, o casal recebe na sua propriedade uma jovem oriunda de Pripyat na tentativa de lhe proporcionar um melhor nível de vida... Mas é a chegada de Samuel (Nuno Lopes) à quinta que desperta nela um sentimento até então nunca sentido.
Bettina Oberli dá vida a um argumento do qual também é autora em colaboração com Antoine Jaccoud, Thomas Ritter e Céline Sciamma que apresenta uma aparente comunidade idílica no qual um jovem casal se pretende distanciar desse admirável mundo novo dominado pelas modernidades que as novas tecnologias - e até mesmo as "velhas" - lhes podem proporcionar. Independentes de qualquer aparenta regra desse mundo "lá fora", tanto "Pauline" como "Alex" estão refugiados dos ventos do século XXI graças às planícies escondidas pelos Alpes até ao momento em que finalmente se deixam levar por um dos engenhos que lhes poderão facultar luz e, como tal, uma maior autonomia laboral. Isentos dessa "mão moderna" no seu espaço, o casal parece querer estabelecer-se como uma nova comunidade hippie ao recusar a vacinação dos seus animais, não possuir rádio, televisão ou qualquer tipo de contacto com o mundo exterior para lá do estritamente necessário. No entanto, é com a chegada primeiro de "Galina" (Anastasia Shevtsova) à procura de um melhor ambiente natural que ajude a melhorar os eu estado de saúde e depois de "Samuel" por quem "Pauline" desenvolve uma imediata repulsa transformada posteriormente em atracção, que a sua vida com "Alex" se desmorona primeiro na sua relação enquanto casal, depois na sua cumplicidade e finalmente na vontade de continuarem pelo mesmo caminho de confiança.
O poder transformador de uma nova sociedade isenta da interferência alheia, resultou para o jovem casal na medida em que se refugiavam do mundo exterior nas suas vertentes mais básicas... Alheios a notícias, às inovações, à interferência de estranhos (todos aqueles que não habitavam no mesmo espaço que eles) e até mesmo a cuidados médicos para com os seus animais, confiantes que estavam do poder de uma Terra rejuvenescedora, tanto "Pauline" como "Alex" pretendiam transformar o seu espaço num novo mundo incapaz de, no entanto, conseguir satisfazer qualquer uma das suas necessidades... até mesmo as físicas e sentimentais. Mas seria, afinal, esse desejo partilhado? A chegada de "Galina" parece transformar "Pauline" numa mulher que o espectador não conhecia dando asas à sua jovialidade e a uma vontade de experimentar o mundo e aquilo que lhe pode ser proporcionado... primeiro sob a forma de uma nova amizade com a jovem com quem dificilmente comunica mas que lhe mostra a possibilidade de ser alguém, não diferente, mas mais receptivo àquilo que do outro lado da montanha a espera... e finalmente, com a chegada de "Samuel", a personagem de Mélanie Thierry conhece o desejo ardente de uma paixão sentida, de uma entrega física e psicológica capaz de a fazer compreender que ainda está viva e entregue a um mundo que, afinal, poderá não ser o seu ou para o qual não estaria tão direccionada como poderia pensar.
Se a estabilidade emocional de "Pauline" parece ser alterada na medida em que tem a sua "primeira" amizade, o seu "primeiro" grande amor e a sua "primeira grande revelação para com o mundo exterior - um paradoxo se o espectador pensar que se encontra num espaço sem barreiras, cancelas, fronteiras ou obstáculos que a permitem andar livremente por todo o lado -, estes funcionam como o seu despertar para uma realidade (in)conscientemente desejada e para a qual está disposta a lutar como a sua aparente nova realidade. O mundo tal como o conhecera até então já não a seduz ou tão pouco parece fazer sentido e, da mesma forma que os animais dos quais trata são abatidos, também o seu lado mais primitivo e consequentemente também irracional parece morrer e dar forma a uma nova e inesperada realidade... aquela de que o mundo "lá fora" poderá não ser tão nocivo quanto pensaria ou, pelo menos, tanto quanto aquele que defendera até então e no qual se sentia inserida como um dos seus elementos.
É esta percepção de "Pauline", bem como da sua nova realidade que a leva a querer expandir os seus conhecimentos - e potencialmente viagens - por todo esse mundo novo que, sabendo da sua existência, ignora como sendo uma possibilidade. Um mundo onde agora sente poder viver e crescer enquanto pessoa e talvez alcançar novos objectivos e metas que a sua clausura a céu aberto nas montanhas do Jura suíço lhe revelavam ser impossíveis... é apenas a compreensão de que aquele imenso mundo agora tornado pequeno onde tudo o que conhecera parece desaparecer lentamente - tal como a sua sensação de conforto e segurança - não lhe confere a concretização dos seus sonhos que a leva a desejar o desconhecido como o seu novo "limite" ou, pelo menos, a sua nova e (in)esperada realidade.
Com uma belíssima interpretação de Thierry - magnífica a sua iniciação à libertação na discoteca enquanto dança - secundada pelos belíssimos e convictos Deladonchamps e Lopes a funcionarem como os dois pesos da sua nova balança e uma imponente Shevtsova que liga essa ignição que a prepara para uma nova concepção de mundo, Le Vent Tourne será assim um esperado hino à liberdade de uma nova geração privada da possibilidade do "sonho" mesmo residindo num espaço onde tudo parece possível... mesmo o desejo de um mundo mais limpo e mais saudável que, no entanto, (n)os priva de saborear todas as possibilidades e, desse modo, conservador e proibitivo em toda a sua génese.
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7 / 10
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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

James Emswiller

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1957 - 2018
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terça-feira, 9 de outubro de 2018

European Film Awards - European Discovery - Prix FIPRESCI 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje as seis longas-metragens europeias nomeadas aos European Film Awards na categoria de European Discovery - Prix FIPRESCI a partir de uma selecção de Katriel Schory (Israel), Mihai Chirilov (Roménia), Azize Tan (Turquia), Isabelle Danel (França), Robbie Eksiel (Grécia) e Michael Pattison (Reino Unido).
São as nomeadas:
  • Dene Wos Guet Geit, de Cyril  Schäublin (Suíça)
  • Egy Nap, de Zsófia Szilágyi (Hungria)
  • Girl, de Lukas Dhont (Bélgica/Holanda)
  • Sashishi Deda, de Ana Urushadze (Geórgia/Estónia)
  • Den Skyldige, de Gustav Möller (Dinamarca)
  • Touch Me Not, de Adina Pintilie (Roménia/Alemanha/República Checa/Bulgária/França)
Os vencedores desta e das demais categorias serão anunciados na trigésima-primeira cerimónia dos European Film Awards a realizar no próximo dia 15 de Dezembro, em Sevilha.
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domingo, 7 de outubro de 2018

Mariema

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1943 - 2018
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Celeste Yarnall

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1944 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #111

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Será no próximo dia 12 de Outubro que o Shortcutz Viseu apresenta a sua Sessão #111 e, de novo, com sessão de Curtas em Competição onde serão apresentados dois documentários em fomato curto, sendo eles, Em Lugar Algum, de Inês Sá Frias e O Homem Eterno, de Luís Costa estando ambos os realizadores presentes para a apresentação dos seus filmes.
Finalmente no segmento Curta Convidada será exibido o filme curto O Coveiro, de André Gil Mata vencedor de diversos prémios incluindo no MOTELx.
Assim, para aquela que será mais uma noite recheada de bom cinema em formato curto, o Shortcutz Viseu tem a sua Sessão #111 no próximo dia 12 de Outubro pelas 22 horas na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea.
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sábado, 6 de outubro de 2018

Scott Wilson

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1942 - 2018
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European Film Awards 2018: Curtas-Metragens nomeadas

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A Academia Europeia de Cinema anunciou quais as quinze curtas-metragens nomeadas ao European Film Award 2018. Seleccionadas a partir de quinze festivais europeus de cinema de referência, as nomeadas são:
  • Gli Anni, de Sara Fgaier (Itália/França) - Veneza
  • Aquaparque, de Ana Moreira (Portugal) - Vila do Conde
  • Burkina Brandenburg Komplex, de Ulu Braun (Alemanha) - Berlim
  • Cpam, de Petar Krumov (Bulgária) - Clermont-Ferrand
  • L'Échapée, de Laëtitia Martinoni (França) - Drama FF.
  • I Signed the Petition, de Mahdi Fleifel (Reino Unido/Alemanha/Suíça) - Sarajevo
  • Kapitalistis, de Pablo Muñoz Gomez (Bélgica/França) - Valladolid
  • Kontener, de Sebastian Lang (Alemanha) - Cork
  • Lâchez les Chiens, de Manue Fleytoux (França/Bélgica) - Cracóvia
  • Meryem, de Reber Dosky (Holanda) - Uppsala
  • Prisoner of Society, de Rati Tsiteladze (Geórgia/Letónia) - Tampere
  • Los que Desean, de Elena López Riera (Espanha/Suíça) - Locarno
  • Vypusk '97, de Pavlo Ostrikov (Ucrânia) - Leuven
  • What's the Damage, de Heather Phillipson (Reino Unido) - Roterdão
  • Wildebeest, de Nicolas Keppens e Matthias Phlips (Bélgica) - Bristol
O vencedor desta e das demais categorias será conhecido na cerimónia da trigésima-primeira edição dos European Film Awards a realizar no próximo dia 15 de Dezembro, em Sevilha.
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Montserrat Caballé

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1933 - 2018
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Diane a les Épaules (2017)

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Diane a les Épaules de Fabien Gorgeart (França) exibido no âmbito da décima-nona Festa do Cinema Francês a decorrer em Lisboa no Cinema São Jorge é uma longa-metragem que revela nove meses na vida de Diane (Clotilde Hesme), barriga de aluguer para os amigos Thomas (Thomas Suire) e Jacques (Grégory Montel) ao mesmo tempo que inesperadamente se apaixona por Fabrizio (Fabrizio Rongione).
Filha de uma vida libertina mas a atravessar a idade em que o seu relógio biológico parece começar a manifestar-se, Diane vive dividida entre uma vida de folia e um sentimento de amor que insiste em bater-lhe à porta... mas não para sempre.
"Diane", interpretada de forma inspirada por uma fogosa Clotilde Hesme, é uma mulher que parece recusar as ditas responsabilidades que a vida adulta normalmente trazem consigo. Livre de qualquer relacionamento ou relação sentimental, trabalho e até mesmo de família, os únicos momentos em que a observamos inicialmente prende-se com um jogo de relações fugazes tidas nas habituais saídas nocturnas e um compromisso mais sério com um casal amigo para quem serve de barriga de aluguer. É aqui que surgem os nove meses nos quais a acompanhamos e que observamos o seu amadurecimento enquanto mulher... e mãe ou, pelo menos, enquanto potencial mãe de uma criança... que não será sua.
Clotilde Hesme tem uma qualquer força interior que leva o espectador primeiro a compreendê-la enquanto uma mulher livre, sem responsabilidades - mas não irresponsável - cujo mais importante e talvez único propósito na sua vida é uma diversão constante libertando-se de qualquer "amarra" que a sociedade criou sobre o conceito do que é ser "mulher". Nesta medida, e para lá de qualquer desejo maternal, ela assume aquela que será eventualmente a sua maior responsabilidade à data ao desejar facultar aos seus amigos a parentalidade que, de outra forma, lhes seria dificultada. É neste processo que todas as "regras" sociais dessa idade adulta já anunciada parecem começar a manifestar-se... primeiro a lealdade aos amigos, depois a maternidade e, finalmente, o inesperado despertar sentimental que surge ao conhecer "Fabrizio" com quem, no entanto, parece co-existir numa relação de toca e foge. Emancipada, independente, fugaz mas com uma elevada debilidade sentimental, a "Diane" de Hesme acaba por transformar-se, no olhar do espectador mais atento, uma mulher perdida entre aquilo que a sociedade espera que ela seja e aquilo que a própria deseja ser... enquanto mulher, esposa e mãe... acabando por terminar tal como começa num patamar onde apenas permanece como mulher... (in)completa - agora - para os seus próprios parâmetros daquilo que deveria ser.
Com todo o peso do mundo - o esperado e não só - "Diane" vibra ao som de uma qualquer música diária que a acompanha, longe de qualquer significado absoluto mas como uma sinfonia dos seus pensamentos de momento e que a caracterizam mais do que qualquer palavra que possa proferir... com medo de (se) magoar acaba por atingir aqueles que privam de perto com ela afastando-os lentamente não só pela sua incapacidade de decidir para lá do momento mas sobretudo pela sua crescente sensação de compreender que quer mais... sem com isso aceitar que tem de ceder e comprometer-se em encontrá-lo acompanhada por alguém de quem goste e por quem manifeste os seus sentimentos.
Revelador enquanto uma obra que facilmente poderíamos caracterizar enquanto um coming of (late) age, Diane a les Épaules vibra a um passo muito próprio destronando velhas concepções sobre o papel social de uma mulher aqui emancipada mas fervorosamente desejosa de que esses tais papéis sociais que todas as demais "compreenderam", também lhe cheguem um dia sendo, no entanto, capaz de ir vivendo e experimentando o mundo tal como ele se lhe vai manifestando e, ao mesmo tempo, receosa de se deixar levar por um qualquer sentimento que se percebe ser difícil de aceitar e compreender.
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6 / 10
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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Audrey Wells

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1960 - 2018
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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Mi Querida Cofradía (2018)

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Devota com Pouca Sorte de Marta Díaz de Lope Díaz (Espanha) foi a longa-metragem escolhida para terminar mais uma edição do Cine Fiesta - Mostra de Cinema Espanhol que decorreu em Lisboa.
Carmen (Gloria Muñoz) prepara-se para finalmente ser eleita Presidente da Irmandade Católica à qual pertence. Conhecedora de todas as regras e tradições, não existe melhor candidato do que ela até que Ignacio (Juan Gea) assume a presidência. Num mundo reservado ao poder masculino, irá Carmen aceitar ser ultrapassada naquela que seria a etapa mais importante da sua vida?
Numa época em que tanto se debate sobre o dilema do acesso ao poder entre homens e mulheres, Mi Querida Cofradía surge como uma revelação do mesmo através de dois protagonistas cuja idade avançada faz realçar velhos hábitos de outros tempos, costumes e "leis" onde os elementos femininos mais não são do que simpáticos "apoios" da figura masculina dominante que comanda, impõe e dispõe conforme as suas próprias necessidades. Nesta medida, o argumento de Marta Díaz de Lope Díaz e Zebina Guerra faz deste dilema toda uma acção que primeiro apresenta uma personagem feminina protagonista dinâmica e que se entende como respeitada por toda a comunidade - relativamente conservadora e onde a mulher está condicionada a um papel social mais recatado -, preparada para assumir aquele que é o mais importante desempenho social de toda a sua vida. Convencida desta subida na hierarquia social, é quando compreende que foi ultrapassada por um inesperado protagonista cuja única vantagem é ser homem que "Carmen" finalmente se descontrola nas suas acções e comportamentos levando-a a uma inesperada vingança da qual, também ela, não saberia ser capaz.
No entanto, esta comédia espanhola não se fica pela simples corrente social actual onde a mulher reivindica os seus sempre devidos direitos enquanto tão competente (ou mais) do que a dominante figura masculina mostrando, por sua vez, o outro lado da moeda quando a mulher detentora de poder pode, também ela, ser uma figura dominante e manipuladora dos ditos "bons costumes", deixando todos os demais serventes de um qualquer ideal de ordem, lei ou tradição que, no fundo, sempre castrou o chamado "sexo mais fraco". Assim, o que afinal comanda a sociedade? Uma ideia igualitária que perpetua os velhos costumes ou, por sua vez, uma igualdade que permite tudo a todos dentro do devido respeito pela lei e pelo livre acesso às mesmas oportunidades sem descriminação ou benefícios indevidos?
Sem esquecer este aspecto social tão em voga numa altura em que, na realidade, já não deveria ser uma questão tal a pensada evolução dos tempos, Mi Querida Cofradía acaba por ser a esperada comédia de costumes do momento com alguns inspirados momentos de bom humor e disposição sem esquecer as tradicionais interpretações dignas da comédia espanhola nas quais se destacam a óbvia Gloria Muñoz que dá uma cor especial à sua "Carmen" perdida entre o dever de lealdade à irmandade que tanto respeita e dignifica, à sua comunidade na qual se destacou enquanto líder não reconhecida pelos seus superiores - aqui sob o "rosto" da Igreja Católica - e ainda com os seus problemas familiares que tenta abafar pelo bom nome e imagem que tanto tenta preservar. Num momento em que já nada é possível de ocultar ou de ultrapassar, a grande questão que se coloca à sua "Carmen" é se será capaz de sobreviver a um dia de constantes provações! E se "Carmen" é a personagem dominante, surgem de forma ligeira e pouco notada pequenas interpretações secundárias entre as quais as de Rosario Pardo ocmo "Isi" que compõe a imagem da mulher submissa aos antigos costumes que "Carmen" tanto tenta combater. Temerosa mas inspirada, a personagem de Pardo transforma-se naquele conhecido oposto que Muñoz tenta retratar opondo-se estas duas vizinhas e amigas nos limites que os seus desejos tentam personificar.
Não sendo aquela grande comédia de género que o cinema espanhol tão convictamente costuma entregar ao seu público, é pelo seu humor ligeiro e irrepreensível típico das mesmas que Mi Querida Cofradía conquista o espectador independentemente de não ser aquela longa-metragem que irá permanecer muito tempo como uma referência deste género em específico.
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6 / 10
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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Stelvio Cipriani

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1931 - 2018
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Charles Aznavour

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1924 - 2018
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domingo, 30 de setembro de 2018

Estiu 1993 (2017)

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Verão 1993 de Carla Simón (Espanha) é uma das longa-metragens espanholas presentes no Cine Fiesta - Mostra de Cinema Espanhol 2018 a decorrer até ao próximo dia 2 de Outubro.
No Verão de 1993 depois da morte dos pais, a jovem Frida (Laia Artigas) de seis anos abandona a casa dos avós em Barcelona rumo a uma nova realidade no campo com os tios Esteve (David Verdaguer) e Marga (Bruna Cusí) e a prima Ana (Paula Robles). Se esta nova vida parece ter tudo para ser feliz, Frida esconde uma ainda desconhecida tristeza e revolta que não trazem estabilidade para a vida de todos. Mas à medida que o Verão caminha para o seu final, também os sentimentos de Frida estão prestes a ser revelados...
Escolhida como a longa-metragem espanhola que representaria o país na nonagésima edição dos Oscars e com uma carreira internacional pelos mais diversos festivais de cinema, Estiu 1993 chega finalmente a Portugal onde se assume naturalmente como uma das melhores obras a estrear nas salas do país durante o último ano. Com um passo aparentemente tranquilo, Carla Simón - realizadora e argumentista desta obra auto-biográfica - leva o espectador a observar não só a nova realidade de "Frida" como principalmente essa realidade através dos seus olhos na medida em que existem duas imediatas perspectivas para este (seu) novo mundo... A primeira que se prende directamente com aquilo que está obviamente explícito para o espectador e que lhe chega pelas breves informações que tornam esta mudança concretizada... a morte da mãe... um pai já falecido há mais tempo... e avós cuja idade já não lhes permite tomar conta da jovem "Frida". Observamos o primeiro contacto "definitivo" com os seus tios, a chegada a uma nova casa no campo rodeada de uma enorme floresta por entre a qual irá - futuramente - perder-se nas suas brincadeiras e o recurso aos seus parcos objectos pessoais que trouxe da sua - agora - antiga casa. A segunda perspectiva é conferida ao espectador pelo olhar da jovem criança... um olhar aparentemente frio, distante e que se tenta adaptar ao espaço, e às pessoas, sem que, no entanto, com elas pretenda estabelecer um laço definitivo ou próximo. A sua existência naquele local é, pelos seus próprios olhos, algo imediato e circunstancial, desprovido de qualquer empatia ou de identificação com uma vida que, para qualquer outra criança, poderia ser considerada como um longo e extenso período de férias que se prolonga para lá do habitual... mas para "Frida", estas "férias" mais não são do que uma qualquer eventual penitência que não compreende e não está disposta a aceitar como comprovam as suas parcas perguntas sobre a "casa de Barcelona".
Estas duas perspectivas, subtilmente apresentadas pela realizadora, prendem o espectador a uma dupla compreensão do momento na medida em que primeiro observa toda esta transformação na vida de uma criança para depois compreender o que a mesma significa mas... através dos seus olhos e da sua própria compreensão. Independentemente do anterior estilo de vida, que se torna perceptível através dessas poucas informações que as personagens "adultas" fazem chegar, o espectador cedo compreende que para aquela criança todo o seu mundo foi abalado... não só pela perda dos pais, e mais concretamente do recém falecimento da sua mãe, como pelo afastamento dos poucos amigos que poderia ter na sua cidade natal, dos avós e tia que permaneceram na capital catalã e, finalmente, por todo um novo estilo de vida num ambiente que mal conhece com tios cuja mútua convivência desconhecemos e com uma prima mais nova que vê nela a sua melhor amiga mas que a própria tem como alguém que apenas pretende os seus brinquedos. São estas perspectivas que não só fazem o espectador aproximar-se da jovem "Frida" - numa soberba interpretação de Laia Artigas - como compreender que é nela que reside toda a tensão dramática, emotiva e contenção de sentimentos que independentemente de explodirem a qualquer momento se tomam como os definitivos para a formação do seu carácter e estado de espírito.
Assim, num passo muito próprio e num relato não perceptível sobre o passar dos dias e desta esperada "adaptação ao meio e às pessoas", o espectador compreende ainda o espírito do seu tempo na medida em que observa e retém que a mãe da jovem "Frida" faleceu de complicações com uma pneumonia mas que os tais "adultos" pensavam ser "outra coisa" - numa clara alusão ao vírus da SIDA -, da mesma forma que observamos a reacção desses ditos adultos que pretendem o afastamento de uma criança que se feriu na rua e que está a sangrar... Do conservadorismo à ignorância e da alteração comportamental das pessoas ao seu redor, aquilo que todos parecem esquecer é que é a jovem "Frida" que tem não só a maior perda, como a maior transformação e sobretudo a maior capacidade de reprimir as suas emoções e ocultar aquilo que realmente pensa e sente. Quando os adultos pensam que o seu mundo fora alterado e está em reboliço esquecem-se, de imediato, que são aqueles que não compreendem essas transformações aqueles que maior e mais depressa as vivem.
Nesta história auto-biográfica destaca-se, portanto, a jovem Laia Artigas como a protagonista "Frida". São os seus constantes silêncios e observação desse seu não tão admirável mundo novo que prendem o espectador... Primeiro por se manifestar como a jovem cujo "sono" é apenas desperto pelo fogo de artifício dos outros ao seu redor que festejam um qualquer acontecimento. Depois por se tentar enquadrar num mundo que sente não ser o seu... Está com os seus tios e com a sua prima mas, ao mesmo tempo, distante de tudo o demais que conhecera até então e é a imagem da casa de Barcelona, a sua casa, que tanto a preocupa com os seus seis anos de idade... o tal espaço que não compreende não ser o seu nem tão pouco o porquê de não lá regressar apesar de ser um espaço que, conforme lhe é dito, ainda não está ocupado por mais ninguém. É esta adaptação - ou falta dela - que aparentam transformá-la numa jovem e problemática criança, cheia de caprichos e de vontades que ninguém parecer (querer) compreender e que, ao mesmo tempo, a revelam como alguém quase insuportável mas que, no entanto, é apenas a única forma que encontra de exprimir um qualquer sofrimento que ninguém parece conhecer. Comportamento esse que, repleto de pequenas grandes manifestações religiosas vindas de uma avó que compreendemos como mais conservadora e católica, lhe conferem uma percepção (ainda que imaginária) de uma realidade extra-terrena que a poderá confortar mas que, no entanto, apenas potencializam a sua vontade de comunica com uma mãe que já não irá responder. Finalmente, é a aceitação de um novo espaço, e de uma nova forma de família, à qual se rende e com a qual partilha um primeiro e verdadeiro momento de intimidade que a fazem desarmar e que a revelam como, nada mais, a criança que é... cheia de uma dor imensa que não conseguira exprimir e que finalmente se abate sobre ela ao compreender que nada poderá voltar a ser como até então fora... e que nada lhe poderá possibilitar a tal família que tivera até então. As suas lágrimas são de revolta, de dor, de perda mas, sobretudo, da compreensão de todas elas como a sua nova realidade.
Com a tal passada especial que levam o espectador a percorrer os mesmos espaços que a jovem "Frida" ao seu ritmo e à sua capacidade de ver o mundo com os olhos de alguém que ainda não deveria pensar no mesmo, Estiu 1993 é não só uma das mais intensas obras cinematográficas deste último ano como sobretudo um intenso, inteligente e emocional registo sobre a perda e sobre uma dor psicológica que tantas vezes é difícil não só de compreender por quem a observa como sobretudo por aqueles que a sentem e Carla Simón tem aqui não só a sua primeira longa-metragem como seguramente aquela que irá ser referenciada ao longo dos anos como a mais emblemática de todo o seu percurso. Simplesmente genial.
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9 / 10
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sábado, 29 de setembro de 2018

Otis Rush

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1934 -2018
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Xan Cejudo

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1947 - 2018
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terça-feira, 25 de setembro de 2018

European Film Awards - European University Film Award 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema anunciou há instantes as cinco longa-metragens nomeadas para o European University Film Award escolhido por estudantes universitários por toda a Europa e por um comité de selecção composto por Dagmar Brunow (Suécia), Mike Goodridge (Reino Unido) e Christophe Leparc (França).
São os nomeados:
  • Foxtrot, de Samuel Maoz (Israel/Alemanha/França/Suíça)
  • Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher (Itália/França/Alemanha/Suíça)
  • Ouale Lui Tarzan, de Alexandru Solomon (Roménia/França)
  • Styx, de Wolfgang Fischer (Alemanha/Áustria)
  • Utoya 22. Juli, de Erik Poppe (Noruega)
Os vencedores desta e das demais categorias serão conhecidos na trigésima-primeira cerimónia dos European Film Awards a 14 de Dezembro que se realizará em Sevilha, em Espanha.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Paul Vasquez

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1970 - 2018
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Premios Fenix de Cine IberoAmericano 2018: os nomeados

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Foram divulgados há instantes os nomeados aos Premios Fenix de Cine IberoAmericano anualmente atribuídos às melhores produções do ano transacto dos países da América Latina e Península Ibérica.
São os nomeados:
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Melhor Longa-Metragem de Ficção
Alanis, de Anahè Berneri
As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias
Las Herederas, de Marcelo Martinessi
Museo, de Alonso Ruizpalacios
Pájaros de Verano, de Cristina Gallego e Ciro Guerra
Zama, de Lucrecia Martel
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Melhor Documentário
Baronesa, de Juliana Antunes
Bixa Travesty, de Evelyn Mab
Central Airport THF, de Karim Aïnouz
Muchos Hijos, Un Mono y Un Castillo, de Gustavo Salmerón
O Processo, de Maria Augusta Ramos
El Silencio es un Cuerpo que Cae, de Agustina Comedi
Teatro de Guerra, de Lola Arias
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Melhor Realização
Anahì Berneri, Alanis
Julio Hernández Cordón, Cómprame un Revolver
Marcelo Martinessi, Las Herederas
Laura Mora, Matar a Jesús
Alonso Ruizpalacios, Museo
Cristina Gallego e Ciro Guerra, Pájaros de Verano
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Interpretação Masculina
Lorenzo Ferro, El Ángel
Gabriel García Bernal, Museo
Daniel Giménez Cacho, Zama
Javier Gutiérrez, El Autor
Rodrigo Santoro, Un Traductor
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Melhor Interpretação Feminina
Antonella Costa, Dry Martina
Sofia Gala, Alanis
Bárbara Lennie, Una Especie de Familia
Carmiña Martínez, Pájaros de Verano
Karine Teles, Benzinho
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Melhor Argumento
Las Herederas, Marcelo Martinessi
Matar a Jesús, Laura Mora e Alonso Torres
Pájaros de Verano, Maria Camila Arias e Jacques Toulemonde
Petra, Jaime Rosales, Michel Gaztambide e Clara Roquet
Zama, Lucrecia Martel
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Melhor Montagem
El Ángel, Guille Gatti
As Boas Maneiras, Caetano Gotardo
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias
Pájaros de Verano, Miguel Schverdfinger
Zama, Miguel Schverdfinger e Karen Harley
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Melhor Fotografia - Ficção
El Ángel, Julian Apezteguía
Las Herederas, Luis Armando Arteaga
Museo, Damián García
Pájaros de Verano, David Gallego
Zama, Rui Poças
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Melhor Fotografia - Documentário
Central Airport THF, Juan Sarmiento G.
Ex-Pajé, Pedro J. Márquez
Nosotros las Piedras, Caleb B. Kuntz
Teatro de Guerra, Manuel Abramovich
Trinta Lumes, Lara Vilanova
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Melhor Música Original
Azougue Nazaré, Tomaz Alves Souza e Mestre Anderson
Central Airport THF, Benedikt Schiefer
Museo, Tomás Barreiro
Pájaros de Verano, Leonardo Heiblum
Tiempo Compartido, Giorgio Giampá
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Melhor Som
El Ángel, José Luis Diaz e Emmanuel Croset
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias e Nahuel Palenque
Las Herederas, Daniel Turini, Fernando Henna, Rafael Alvárez e Ariel Henrique
Museo, Javier Umpierrez, Isabel Muñoz, Michelle Couttolenc e Jaime Baksht
Pájaros de Verano, Carlos E. García, Claus Lynge e Marco Salaverría
Zama, Guido Berenblum
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Melhor Direcção Artística
El Ángel, Julia Freid
Handia, Mikel Serrano
Las Herederas, Carlo Spatuzza
La Librería, Llorenç Miquel
Zama, Renata Pinheiro
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Melhor Guarda-Roupa
El Ángel, Julio Suárez
Handia, Saioa Lara
La Librería, Mercè Paloma
Pájaros de Verano, Caterine Rodríguez
Zama, Julio Suárez
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Os vencedores dos Prémios Fenix serão conhecidos em Dezembro de 2018 numa cerimónia a realizar na Cidade do México.
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domingo, 23 de setembro de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #110

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Decorrerá na próxima sexta-feira dia 28 de Setembro a Sessão #110 do Shortcutz Viseu onde serão exibidas, na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, no habitual segmento Curtas em Competição, as curtas-metragens Menina, de Simão Cayatte e Hei-de Morrer Onde Nasci, de Miguel Munhá que estará presente na sessão para a apresentação do seu filme curto.
Finalmente, como Convidado Especial, estará ainda presente o Leiria Film Fest - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Leiria que apresenta os filmes curtos It's Just a Gun, de Brian Robau (Cuba/EUA) e Parfum Fraise, de Alix Arrault, Martin Hurmane, Jules Rigolle e Samuel Klughertz (França).
A sessão, de entrada livre até preenchimento da sala, iniciar-se-à pelas 22 horas.
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Manuela "Manecas" Novais

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1941 - 2018
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sábado, 22 de setembro de 2018

Al Matthews

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1942 - 2018
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Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer 2018: os vencedores

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Terminou hoje a vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorreu desde o passado dia 14 de Setembro no Cinema São Jorge, em Lisboa.
São os vencedores:
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Competição de Longas-Metragens
Longa-Metragem: Marilyn, de Martín Rodríguez Redondo

Menção Especial: Tinta Bruta, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Prémio do Público: Girl, de Lukas Dhont
Actor: Victor Polster, Girl
Actriz: Kristín Thóra Haraldsdóttir, And Breathe Normally
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Competição de Documentários
Documentário: Room for a Man, de Anthony Chidiac
Menção Especial: Cartas para um Ladrão de Livros, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros
Prémio do Público: Lunàdigas - Ovvero Delle Donne Senza Figli, de Nicoletta Nesler e Marilisa Piga
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Competição de Curtas-Metragens
Curta-Metragem: Would You Look At Her, de Goran Stolevski
Menção Especial: O Órfão, de Carolina Markowicz
Prémio do Público: O Órfão, de Carolina Markowicz
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Competição In My Shorts
Curta-Metragem de Escola: Mathias, de Clara Stern
Menção Especial do Júri: Three Centimetres, de Lara Zeidan
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Competição Queer Art
Filme: Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diogenes
Menção Especial: Martyr, de Mazen Khaled
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Moça do Calendário (2017)

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A Moça do Calendário de Helena Ignez (Brasil) é uma das longa-metragens em competição na secção Queer Art da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que termina amanhã no Cinema São Jorge.
Esta longa-metragem conta a história de Inácio (André Guerreiro Lopes), um homem de quarenta anos, mecânico e bailarino em part-time, casado mas pouco dado a laços mais estreitos quer profissional quer sentimentalmente que sonha acordado com a Moça do Calendário (Djin Sganzerla) desconhecendo que ela é militante do Movimento Sem Terra.
A realizadora adapta ao cinema o argumento de Rogério Sganzerla num relato que pretende caracterizar o Brasil dos nossos dias expondo, dessa forma, que passado e presente não estão tão distantes como poderíamos pensar. Tendo como ponto de partida as desventuras pela cidade de São Paulo de um "Rogério" visivelmente pouco preocupado com o mundo que o rodeia, confiante pela sua condição masculina privilegiada - assim o saberemos mais tarde - e que, na prática, nunca abandonou uma juventude que o seu conforto económico lhe possibilitam, vemos o Brasil através dos seus olhos... indiferente, casual, masculino, potencialmente viril e onde a mulher se resume, em certa medida, a um elemento apêndice do homem... mas, nas sombras desta abordagem meramente ligeira, encontramos mulheres em pano de fundo que reclamam direitos e condições de igualdade que, não sendo anónimas, são abafadas por um ruído bem presente.
Vários são os momentos em que o espectador (re)conhece diálogos, discursos ou monólogos femininos que reclamam não só dos direitos tardios da mulher como daqueles que parecem ser dados como uma mera casualidade do seu género e não algo conferido como m (não tão) simples direito como seria de esperar. A mulher, nesta sociedade que se afirma multicultural e diversa, acaba por se revelar como um ser ainda não de plenos direitos e em igualdade de oportunidades mas sim alguém que surge como uma "consequência" de algo que... "sobrou".
É, para este "Rogério", homem branco, heterossexual e privilegiado, uma certeza que o mundo está de portas abertas para o receber... que as suas preocupações, desejos - económicos, sociais e sexuais -, são confirmados, reconhecidos e satisfeitos quando o mesmo deseja.. quando ele espera... quando ele quer... mas do outro lado da barricada encontra-se uma mulher (a sua), que o próprio considera como o tal móvel "lá de casa" que satisfaz as suas necessidades imediatas... tal como um electrodoméstico, um sofá ou mesmo uma cama... tudo tem uma função ao seu redor... também assim a (sua) mulher. Tal esta funcionalidade da mulher que "Rogério" sonha - e não só quando dorme - com a eterna "Moça do Calendário", que povoa o seu imaginário de desejo sexual e a qual reconhece como "a mulher" para a qual ele é capaz de reconhecer existência.
No misto desta sua desventura pela cidade, onde revisita velhos amigos e companheiros de trabalho, onde descobre um Brasil atormentado por uma crise económica e social no qual nem todos os direitos são direitos de todos, onde a educação é cada vez mais um privilégio de poucos, onde a mulher é uma parte da sociedade sem direitos igualitários, onde a cor define oportunidades e onde o dinheiro e a luta de classes ainda se impõem como uma pérfida realidade neste mundo que se diz moderno, o espectador conhece ainda esse tal Brasil em busca de uma identidade - individual e colectiva - interna e externamente que o possibilite de encontrar o seu devido lugar... não basta apregoar diversidade e encantos mil... há que saber reconhecê-los e integrá-los como uma parte inquestionável da sua própria realidade... se este "Rogério" está perdido pelas ruas e no seu propósito existencial... assim também o está este Brasil de 2017/18.
Mas se o dilema de busca de identidade está tão real para a personagem principal como para o país em si, não deixa de ser verdade que A Moça do Calendário enquanto longa-metragem se debate com a eterna questão do conseguir encontrar respostas - ou pelo menos facultar vias para se chegar a elas - para a perfeita harmonização entre ficção e documentário (aqui poderemos encontrar referências para ambos) sem, no entanto, estabelecer lugares comuns para o papel social do homem e da mulher... se no caso masculino a realizadora e argumentista encontram estes lugares comuns um pouco por todo o lado desde a indiferença que "Rogério" perpetua para com a sua mulher até ao momento em que ele, enquanto criança adulta está automaticamente a ser julgado pelo simples facto de ser homem - ainda que compreensível em certa medida a utilização desta abordagem depois da mulher ter sido (e ainda ser) alvo do mesmo julgamento unicamente por ser mulher -, não deixa de ser visível que a mulher aqui é retratada como activista, social e politicamente preocupada com a sua condição e do país mas, ao mesmo tempo, também retratada como uma perigosa predadora quando se mascara de rosto do crime perpetuado de um país visivelmente à beira da ruptura.
Se a realizadora pretende oscilar os dois géneros - ficção e documentário - numa única longa-metragem, o espectador compreende-lhe não só a vontade como a intenção na medida em que consegue identificar os momentos em que ambos são utilizados primeiro pela inserção da perspectiva masculina do mundo quase como um documentário sobre a realidade do país e, finalmente, a do sonho (o potencial documentário) onde são expostos os desejos de uma mulher viril, forte, emancipada, consciente e determinada capaz de tomar o destino pelo seu próprio pulso mas que, tal como nos revela "Rogério", esta parece não mais do que um seu constante sonho... ou será que esta figura não mítica está apenas a passos de distância do seu universo?!
Compreensivelmente com uma necessidade feminista - infelizmente ainda nos encontramos numa era em que existe a pertinência de reclamar por direitos igualitários para as mulheres, um século depois destes terem sido... "conferidos" -, A Moça do Calendário tem, no entanto, certos tiques e lugares comuns que fazem do homem um bicho inconsciente para a realidade feminina. O homem como o tal animal de interesses primários que utiliza a mulher para uma satisfação imediata... comer... tarefas domésticas... sexo... comer... tarefas domésticas... sexo... num ciclo perpétuo não conseguindo (ou querendo) reconhecê-la como outro ser social de idêntica capacidade cognitiva - o segmento em que a mulher de "Rogério" fala de direitos tardios e cujo monólogo é ligeiramente abafado pelo som da televisão... é disso exemplo -, transformando-se por momentos num filme manifesto mas, ao mesmo tempo, criando uma certa abordagem de machismo de saias elucidando(-se) o espectador de que tanto feminismo como machismo podem existir em ambos os géneros não sendo este exclusivos de cada um deles especificamente. Existe quem lute e reconheça a igualdade entre ambos e, de igual forma, quem manifeste a sua misoginia ou misandria... nem tudo é cem por cento limpo... ou cem por cento insípido...
Facilmente perceptível a componente que tenta caracterizar o Brasil de 2018... e um pouco do mundo moderno tal como o vamos conhecendo, A Moça do Calendário não é necessariamente o retrato fiel do bicho homem que martiriza a mulher mas sim a de um homem que ignora aquela que tem a seu lado... Da mesma forma que muitas mulheres foram, felizmente, percursoras do movimento feminista que lhes granjeou com todo o direito os seus Direitos... não poderemos esquecer que alguns homens também lutaram a seu lado... mesmo nos dias que hoje correm. Reduzir todo um género a uma condição de "castrador"... é o lugar comum mais fácil e mais propício para não conseguir criar empatia num público que não é só feminino. Nem tudo é teatro... nem tudo é cinema... e este foi buscar muitos dos seus fundamentos ao primeiro vivendo hoje uma harmoniosa relação e reconhecimento de inspiração...
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4 / 10
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António Escudeiro

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1933 - 2018
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Anjo (2018)

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Anjo de Miguel Nunes (Portugal) - também argumentista e intérprete protagonista - é uma das curtas-metragens presentes na secção Panorama da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge e que revela uma Lisboa estival testemunha de uma paixão abruptamente interrompida.
Miguel (Nunes) encontra-se numa entrevista para entrada nos Estados Unidos. Pretende encontrar um amigo. Revela a sua paixão. De seguida encontramos o seu apartamento onde, compreendemos, sucedem-se as festas, as reuniões de amigos e a presença d'Ele (Edgar Morais), com quem vive momentos de entrega, cumplicidade e paixão, faz-se sentir na sua memória e nos seus pensamentos.
Da curta-metragem de Miguel Nunes surgem de imediato não só o seu nome enquanto realizador, argumentista, actor e produtor da mesma como também a presença de Joana de Verona e Edgar Morais como seus actores e rostos de uma nova geração de intérpretes portugueses com um percurso cinematográfico já confirmado para conquistarem um novo público para as salas. Se este elemento não fosse por si já suficiente, eis que o espectador encontra na sinopse aquele que poderá ser uma história de amor numa Lisboa contemporânea onde esta nova geração dos 30's ruma sem um destino certo ou vínculos firmes para lá daqueles que são firmados pela lealdade para com a tribo.
Seja nos palcos de um qualquer festival de cinema, nos telhados vizinhos observando uma Lisboa nocturna ou nas inúmeras festas que, não observadas, ocupam longas madrugadas, Anjo centra-se numa dessas figuras... a de "Miguel". Tudo começa com uma entrevista de entrada nos Estados Unidos onde ficamos a saber que ele pretende passar duas semanas da sua vida à procura de um amigo... de uma paixão. A tal paixão estival que lhe ficou na memória e que, por motivos que o espectador desconhece, terminou repentinamente. "Ele" (Edgar Morais) partiu. Os breves momentos que passam juntos são de paixão intensa, de entrega e de cumplicidade. De olhares e pequenas conversas banais entre quem, compreendemos, já se conhece ao ponto de tudo se poder dizer através do nada. Dos passeios pelas ruas aos pequenos silêncios que se partilham, "Ele" e "Miguel" entregam-se nos braços um do outro. Instala-se então a dúvida no espectador que se questiona sobre os porquês desta separação. Não terá sido nada de tão importante como aparentava? Terá "Miguel" sentido algo mais que na realidade nunca existira? Porque se terá confirmado esta distanciamento? Existe um endereço do outro lado do Atlântico mas... será que ainda permanece a tal cumplicidade?!
Interessante do ponto de vista dos tais "ses" que se instalam e mantêm na mente do espectador, a Anjo falta, no entanto, o tal aproveitamento da intenção narrativa para transformar o tal sofrimento da paixão distante, a dinâmica da proximidade dos amigos e o sentimento de busca pelo que já não lhe (a "Miguel") lhe pertence - ou possui - e transformá-lo num drama moderno sobre a procura do amor nesta geração dos 30's ainda tão pouco explorada em cinema. Habituados que estamos a encontrar filmes mais juvenis que exploram a temática do amor - não de forma condescendente mas sobre a tal geração ainda livre de grandes responsabilidades que estejam para lá de aproveitarem a respectiva juventude -, Anjo (tal como Verão Danado (2017), de Pedro Cabeleira que é, curiosamente, da mesma produtora ou mesmo Uma Rapariga da sua Idade (2015), de Márcio Laranjeira) tem todo o potencial para explorar esta dinâmica de uma geração que ainda procura o seu lugar num mundo que parece ter fechado a porta na altura em que a mesma se preparava para sair "de casa" mas, ao mesmo tempo, privou-se de o fazer deixando o espectador com uma mão cheia de incertezas, questões, dúvidas e pensamentos sobre a (não) concretização dessa busca... terá "Miguel" ido para os Estados Unidos... terá "Ele" (Morais) ainda correspondido à tal paixão? Pergunta que é, aliás, levantada pela entrevistadora (deduzimos que na Embaixada) quando "Miguel" revela que não sabe ao certo onde o amigo vive... Ou será que tudo mais não é do que uma reflexão tardia sobre uma busca e um amor que, não tendo sido correspondido, permanece como algo bonito e inalterado na mente daquele que realmente amou?!
Inteligente e perspicaz pela forma como filma esta (já não tão nova) geração que parece procurar, acima de uma estabilidade financeira, uma que também seja emocional, Anjo é, para lá de uma simpática estreia do actor enquanto realizador, um filme ensaio com potencial suficiente para explorar todas as dinâmicas da vida (apresentada) de "Miguel" - com os amigos, com o amor, com a vida de uma forma geral - sob a forma de ma longa-metragem... talvez com um resultado (sobre essa mesma geração) emocionalmente não tão feliz... mas real, crua e ligeiramente esperançosa sobre o tal "dia de amanhã" que a sua personagem aqui aparenta procurar.
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6 / 10
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Disobedience (2017)

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Disobedience de Sebastián Lelio (Reino Unido/Irlanda/EUA) exibido na secção Panorama da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge centra-se na história de Ronit (Rachel Weisz), uma mulher que regressa à sua Londres natal para o funeral do seu pai rabi, depois de décadas de ostracização pela sua comunidade ortodoxa ao ter sido descoberta a sua relação com Esti (Rachel McAdams), agora casada com o seu amigo de infância Dovid (Alessandro Nivola).
Se há uma palavra que imediatamente surge na mente do espectador ao assistir a esta longa-metragem de Sebastián Lelio, ela é imediatamente "solidão". Os instantes iniciais revelam uma "Ronit" - "Ronnie" nos Estados Unidos - como uma fotógrafa reputada mas cuja vida pós-laboral se mantém isolada num qualquer canto de um bar que lhe serve exclusivamente para os seus encontros sexuais fortuitos e assim conseguir preencher com alguma falsa noção de sentimento (sexual) o vazio no qual sente a sua vida. Na cidade que nunca dorme, "Ronit" é então o protótipo de alguém que está literalmente sózinha numa cidade com milhões de pessoas que circulam diariamente à sua volta sem que, na realidade, se apercebam que ela ali está.
Esta sua noção de solidão é imediatamente interrompida quando subitamente recebe notícias de um pai recentemente falecido. O mesmo pai que pactuou com o afastamento das pessoas que conhecia, da sua comunidade, da sua cidade e mesmo da sua vida. É neste contexto que o espectador é imediatamente assombrado com outra dinâmica relacionada com o poder e a influência de uma comunidade mais reclusa e ortodoxa que se fecham nos seus hábitos e costumes impondo a obrigado e o dever como derivados directos um do outro e que pré-estabeleceu "papéis sociais" para cada um dos seus membros. Homens e mulheres devem ter relações meramente cordiais... homem deve casar com mulher... mulher deve ser submissa, boa esposa e boa mãe... homem garante o sustento para o seu lar.
É nesta dinâmica que encontramos "Esti" e "Dovid", amigos de "Ronit" desde infância e que se juntaram como um casal primeiro por um conhecimento comum e próximo e depois porque era o que deles se esperava. Distantes de uma qualquer noção de cumplicidade e amor, foi a amizade que os juntou e, ao mesmo tempo, a mesma que com o decorrer dos anos acabou por separá-los emocionalmente. A sua relação e casamento, agora uma obrigação social, desgastou-se pela imagem perdida de uma amiga distante - "Ronit" - e paixão (eventualmente comum) mas apenas correspondida para com "Esti". "Ronit", chega a uma Londres que parece ainda mais fria dentro de portas familiares, abalando todas as estruturas sociais que a encontram... a da família, a dos amigos e mesmo a de conhecidos que, conhecendo ou não o motivo do seu afastamento, a julgam como uma forasteira muito pouco desejada.
No entanto, é a dinâmica estabelecida entre o trio protagonista que cativa o espectador desde o primeiro instante. Se a dinâmica entre a personagem de Wiesz e a de Nivola parece amistosa, franca e em certa medida cúmplice, cedo se revela como tensa e indiferente. O "Dovit" de Nivola, fervoroso judeu ortodoxo cujos valores não tendem a ser abalados, encara a chegada de "Ronit" como a da amiga desaparecida (e não convocada) como um estorvo que pode ser contido e se inicialmente a convida para dentro da sua casa, cedo compreende que a família que tende a construir com "Esti" pode ser abalada com esta presença. É, por outro lado, a relação entre as duas mulheres aquela que acaba por se revelar como a mais intensa, cúmplice e a que poderá dar mais frutos quando se compreende que o amor que as separou fisicamente nunca deixou de existir nem no seu pensamento nem naquele desejo pensado extinto. "Ronit" e "Esti" são, afinal uma única alma dividida em dois corpos que se completam, desejam, amam e anseiam... mas o meio ao seu redor, ultra-conservador e religioso, não as permite consumar esse amor.
Se a "Ronit" de Weisz se revela como uma mulher segura psicologicamente, mas ao mesmo tempo frágil emocionalmente - ainda que firma nas suas convicções sobre o seu "papel" (a existir um) no mundo - pela descoberta de um pai que, de facto, não queria saber dela, e a "Esti" de McAdams como aquela que acabou por sempre a amar em segredo limitando-se a um papel de esposa devota e cumprida das suas "obrigações" matrimoniais é, no entanto, no "Dovid" de Alessandro Nivola que o espectador sente o maior e mais intenso conflito emocional na medida em que os seus momentos no ecrã se preenchem de pequenos elementos contraditórios à espera do seu próprio clímax. Nivola compõe uma personagem que se altera com o decorrer dos minutos... de um inicial homem seguro e confiante prestes a transformar-se no pilar de uma comunidade que o respeita - muito por ser o discípulo preferido do pai de "Ronit" -, o seu "Dovid" transforma-se num homem que vê a sua posição na comunidade ser ameaçada pela presença de um elemento por todos indesejado mas que, ao mesmo tempo, tenta conciliar para o bem de todos (e das aparências), respeitando a memória do homem que, no fundo, todos respeitam. É com a descoberta de um cada vez mais desinteresse da sua esposa "Esti" que "Dovid" se expõe como um homem aparentemente violento - não fisicamente mas psicologicamente e para si pela compreensão de que o seu ideal de família está prestes a terminar -, comprometendo não só a sua posição dentro do seu lar, como na comunidade e, sobretudo, perante os demais líderes que o escolheram para os liderar.
Expondo estas três personagens - co-protagonistas que ocupam, cada uma delas, a sua própria dinâmica na construção desta intensa história -, questiona-se o espectador sobre a origem desta "desobediência" ainda não confirmada... Se facilmente a poderíamos associar à personagem de Weisz na medida em que esta, expulsa do seu grupo primário, conseguiu construir toda uma nova realidade onde pode viver uma vida mais ou menos livre (pelo menos psicologicamente) dos padrões de "sociedade" a que estaria exposta na sua Londres ou, mais ainda, a poderíamos observar nos comportamentos transgressores - novamente para a referida comunidade - da "Esti" de McAdams, a realidade é que esta desobediência firma-se convictamente nos comportamentos do "Dovid" de Nivola... o aparentemente afável anfitrião... o violentamente instável marido... o receoso futuro pai...e, finalmente, o compreensível, empático e humano amigo, cúmplice e confidente que, incerto do seu papel no ideal de mundo que havia criado, compreende realmente que a tal palavra de Deus que passara anos a apregoar está finalmente na aceitação do "outro", da sua diferença e sobretudo da forma como esta não ameaça em nada aquilo que ele próprio representa mas sim expande os seus próprios horizontes a uma nova descoberta desse mesmo mundo em seu redor... Não será a verdadeira palavra de Deus a capacidade que "nos" conferiu, pelo livre arbítrio, de poder escolher quem amar, com quem formar amizade, a possibilidade de respeitar, de honrar e de conhecer tudo o todos os que nos rodeiam não vendo neles rótulos pré-definidos pela sociedade ou comunidade em que nos encontramos?!
Disobedience será assim inicialmente uma história de solidão... mas também uma história de busca pelo reconhecimento, pela aceitação, pela compreensão, pelo amor, pela família, pela redenção e até mesmo pela tradição - não nos poderemos esquecer que "Ronit" também regressa e apenas leva com ela aquilo que a mãe lhe havia destinado perdendo todos os demais valores de família - e o verdadeiro acto de desobediência, presente em cada uma destas personagens co-protagonistas, está na sua capacidade de, em bom tempo, compreender que todos podem ser felizes, juntos ou separados, se conseguirem respeitar as vontades individuais... tal como a palavra de Deus tinha, nos princípio dos tempos, estabelecido como uma sua vontade.
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"Rav: (...) what is this thing? Man? Woman? It is a being with the power to disobey."
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