domingo, 30 de setembro de 2018

Estiu 1993 (2017)

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Verão 1993 de Carla Simón (Espanha) é uma das longa-metragens espanholas presentes no Cine Fiesta - Mostra de Cinema Espanhol 2018 a decorrer até ao próximo dia 2 de Outubro.
No Verão de 1993 depois da morte dos pais, a jovem Frida (Laia Artigas) de seis anos abandona a casa dos avós em Barcelona rumo a uma nova realidade no campo com os tios Esteve (David Verdaguer) e Marga (Bruna Cusí) e a prima Ana (Paula Robles). Se esta nova vida parece ter tudo para ser feliz, Frida esconde uma ainda desconhecida tristeza e revolta que não trazem estabilidade para a vida de todos. Mas à medida que o Verão caminha para o seu final, também os sentimentos de Frida estão prestes a ser revelados...
Escolhida como a longa-metragem espanhola que representaria o país na nonagésima edição dos Oscars e com uma carreira internacional pelos mais diversos festivais de cinema, Estiu 1993 chega finalmente a Portugal onde se assume naturalmente como uma das melhores obras a estrear nas salas do país durante o último ano. Com um passo aparentemente tranquilo, Carla Simón - realizadora e argumentista desta obra auto-biográfica - leva o espectador a observar não só a nova realidade de "Frida" como principalmente essa realidade através dos seus olhos na medida em que existem duas imediatas perspectivas para este (seu) novo mundo... A primeira que se prende directamente com aquilo que está obviamente explícito para o espectador e que lhe chega pelas breves informações que tornam esta mudança concretizada... a morte da mãe... um pai já falecido há mais tempo... e avós cuja idade já não lhes permite tomar conta da jovem "Frida". Observamos o primeiro contacto "definitivo" com os seus tios, a chegada a uma nova casa no campo rodeada de uma enorme floresta por entre a qual irá - futuramente - perder-se nas suas brincadeiras e o recurso aos seus parcos objectos pessoais que trouxe da sua - agora - antiga casa. A segunda perspectiva é conferida ao espectador pelo olhar da jovem criança... um olhar aparentemente frio, distante e que se tenta adaptar ao espaço, e às pessoas, sem que, no entanto, com elas pretenda estabelecer um laço definitivo ou próximo. A sua existência naquele local é, pelos seus próprios olhos, algo imediato e circunstancial, desprovido de qualquer empatia ou de identificação com uma vida que, para qualquer outra criança, poderia ser considerada como um longo e extenso período de férias que se prolonga para lá do habitual... mas para "Frida", estas "férias" mais não são do que uma qualquer eventual penitência que não compreende e não está disposta a aceitar como comprovam as suas parcas perguntas sobre a "casa de Barcelona".
Estas duas perspectivas, subtilmente apresentadas pela realizadora, prendem o espectador a uma dupla compreensão do momento na medida em que primeiro observa toda esta transformação na vida de uma criança para depois compreender o que a mesma significa mas... através dos seus olhos e da sua própria compreensão. Independentemente do anterior estilo de vida, que se torna perceptível através dessas poucas informações que as personagens "adultas" fazem chegar, o espectador cedo compreende que para aquela criança todo o seu mundo foi abalado... não só pela perda dos pais, e mais concretamente do recém falecimento da sua mãe, como pelo afastamento dos poucos amigos que poderia ter na sua cidade natal, dos avós e tia que permaneceram na capital catalã e, finalmente, por todo um novo estilo de vida num ambiente que mal conhece com tios cuja mútua convivência desconhecemos e com uma prima mais nova que vê nela a sua melhor amiga mas que a própria tem como alguém que apenas pretende os seus brinquedos. São estas perspectivas que não só fazem o espectador aproximar-se da jovem "Frida" - numa soberba interpretação de Laia Artigas - como compreender que é nela que reside toda a tensão dramática, emotiva e contenção de sentimentos que independentemente de explodirem a qualquer momento se tomam como os definitivos para a formação do seu carácter e estado de espírito.
Assim, num passo muito próprio e num relato não perceptível sobre o passar dos dias e desta esperada "adaptação ao meio e às pessoas", o espectador compreende ainda o espírito do seu tempo na medida em que observa e retém que a mãe da jovem "Frida" faleceu de complicações com uma pneumonia mas que os tais "adultos" pensavam ser "outra coisa" - numa clara alusão ao vírus da SIDA -, da mesma forma que observamos a reacção desses ditos adultos que pretendem o afastamento de uma criança que se feriu na rua e que está a sangrar... Do conservadorismo à ignorância e da alteração comportamental das pessoas ao seu redor, aquilo que todos parecem esquecer é que é a jovem "Frida" que tem não só a maior perda, como a maior transformação e sobretudo a maior capacidade de reprimir as suas emoções e ocultar aquilo que realmente pensa e sente. Quando os adultos pensam que o seu mundo fora alterado e está em reboliço esquecem-se, de imediato, que são aqueles que não compreendem essas transformações aqueles que maior e mais depressa as vivem.
Nesta história auto-biográfica destaca-se, portanto, a jovem Laia Artigas como a protagonista "Frida". São os seus constantes silêncios e observação desse seu não tão admirável mundo novo que prendem o espectador... Primeiro por se manifestar como a jovem cujo "sono" é apenas desperto pelo fogo de artifício dos outros ao seu redor que festejam um qualquer acontecimento. Depois por se tentar enquadrar num mundo que sente não ser o seu... Está com os seus tios e com a sua prima mas, ao mesmo tempo, distante de tudo o demais que conhecera até então e é a imagem da casa de Barcelona, a sua casa, que tanto a preocupa com os seus seis anos de idade... o tal espaço que não compreende não ser o seu nem tão pouco o porquê de não lá regressar apesar de ser um espaço que, conforme lhe é dito, ainda não está ocupado por mais ninguém. É esta adaptação - ou falta dela - que aparentam transformá-la numa jovem e problemática criança, cheia de caprichos e de vontades que ninguém parecer (querer) compreender e que, ao mesmo tempo, a revelam como alguém quase insuportável mas que, no entanto, é apenas a única forma que encontra de exprimir um qualquer sofrimento que ninguém parece conhecer. Comportamento esse que, repleto de pequenas grandes manifestações religiosas vindas de uma avó que compreendemos como mais conservadora e católica, lhe conferem uma percepção (ainda que imaginária) de uma realidade extra-terrena que a poderá confortar mas que, no entanto, apenas potencializam a sua vontade de comunica com uma mãe que já não irá responder. Finalmente, é a aceitação de um novo espaço, e de uma nova forma de família, à qual se rende e com a qual partilha um primeiro e verdadeiro momento de intimidade que a fazem desarmar e que a revelam como, nada mais, a criança que é... cheia de uma dor imensa que não conseguira exprimir e que finalmente se abate sobre ela ao compreender que nada poderá voltar a ser como até então fora... e que nada lhe poderá possibilitar a tal família que tivera até então. As suas lágrimas são de revolta, de dor, de perda mas, sobretudo, da compreensão de todas elas como a sua nova realidade.
Com a tal passada especial que levam o espectador a percorrer os mesmos espaços que a jovem "Frida" ao seu ritmo e à sua capacidade de ver o mundo com os olhos de alguém que ainda não deveria pensar no mesmo, Estiu 1993 é não só uma das mais intensas obras cinematográficas deste último ano como sobretudo um intenso, inteligente e emocional registo sobre a perda e sobre uma dor psicológica que tantas vezes é difícil não só de compreender por quem a observa como sobretudo por aqueles que a sentem e Carla Simón tem aqui não só a sua primeira longa-metragem como seguramente aquela que irá ser referenciada ao longo dos anos como a mais emblemática de todo o seu percurso. Simplesmente genial.
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9 / 10
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sábado, 29 de setembro de 2018

Otis Rush

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1934 -2018
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Leonardo Machado

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1976 - 2018
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Xan Cejudo

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1947 - 2018
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terça-feira, 25 de setembro de 2018

European Film Awards - European University Film Award 2018: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema anunciou há instantes as cinco longa-metragens nomeadas para o European University Film Award escolhido por estudantes universitários por toda a Europa e por um comité de selecção composto por Dagmar Brunow (Suécia), Mike Goodridge (Reino Unido) e Christophe Leparc (França).
São os nomeados:
  • Foxtrot, de Samuel Maoz (Israel/Alemanha/França/Suíça)
  • Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher (Itália/França/Alemanha/Suíça)
  • Ouale Lui Tarzan, de Alexandru Solomon (Roménia/França)
  • Styx, de Wolfgang Fischer (Alemanha/Áustria)
  • Utoya 22. Juli, de Erik Poppe (Noruega)
Os vencedores desta e das demais categorias serão conhecidos na trigésima-primeira cerimónia dos European Film Awards a 14 de Dezembro que se realizará em Sevilha, em Espanha.
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Paul Vasquez

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1970 - 2018
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Premios Fenix de Cine IberoAmericano 2018: os nomeados

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Foram divulgados há instantes os nomeados aos Premios Fenix de Cine IberoAmericano anualmente atribuídos às melhores produções do ano transacto dos países da América Latina e Península Ibérica.
São os nomeados:
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Melhor Longa-Metragem de Ficção
Alanis, de Anahè Berneri
As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias
Las Herederas, de Marcelo Martinessi
Museo, de Alonso Ruizpalacios
Pájaros de Verano, de Cristina Gallego e Ciro Guerra
Zama, de Lucrecia Martel
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Melhor Documentário
Baronesa, de Juliana Antunes
Bixa Travesty, de Evelyn Mab
Central Airport THF, de Karim Aïnouz
Muchos Hijos, Un Mono y Un Castillo, de Gustavo Salmerón
O Processo, de Maria Augusta Ramos
El Silencio es un Cuerpo que Cae, de Agustina Comedi
Teatro de Guerra, de Lola Arias
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Melhor Realização
Anahì Berneri, Alanis
Julio Hernández Cordón, Cómprame un Revolver
Marcelo Martinessi, Las Herederas
Laura Mora, Matar a Jesús
Alonso Ruizpalacios, Museo
Cristina Gallego e Ciro Guerra, Pájaros de Verano
Lucrecia Martel, Zama
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Melhor Interpretação Masculina
Lorenzo Ferro, El Ángel
Gabriel García Bernal, Museo
Daniel Giménez Cacho, Zama
Javier Gutiérrez, El Autor
Rodrigo Santoro, Un Traductor
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Melhor Interpretação Feminina
Antonella Costa, Dry Martina
Sofia Gala, Alanis
Bárbara Lennie, Una Especie de Familia
Carmiña Martínez, Pájaros de Verano
Karine Teles, Benzinho
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Melhor Argumento
Las Herederas, Marcelo Martinessi
Matar a Jesús, Laura Mora e Alonso Torres
Pájaros de Verano, Maria Camila Arias e Jacques Toulemonde
Petra, Jaime Rosales, Michel Gaztambide e Clara Roquet
Zama, Lucrecia Martel
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Melhor Montagem
El Ángel, Guille Gatti
As Boas Maneiras, Caetano Gotardo
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias
Pájaros de Verano, Miguel Schverdfinger
Zama, Miguel Schverdfinger e Karen Harley
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Melhor Fotografia - Ficção
El Ángel, Julian Apezteguía
Las Herederas, Luis Armando Arteaga
Museo, Damián García
Pájaros de Verano, David Gallego
Zama, Rui Poças
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Melhor Fotografia - Documentário
Central Airport THF, Juan Sarmiento G.
Ex-Pajé, Pedro J. Márquez
Nosotros las Piedras, Caleb B. Kuntz
Teatro de Guerra, Manuel Abramovich
Trinta Lumes, Lara Vilanova
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Melhor Música Original
Azougue Nazaré, Tomaz Alves Souza e Mestre Anderson
Central Airport THF, Benedikt Schiefer
Museo, Tomás Barreiro
Pájaros de Verano, Leonardo Heiblum
Tiempo Compartido, Giorgio Giampá
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Melhor Som
El Ángel, José Luis Diaz e Emmanuel Croset
Cocote, Nelson Carlo de los Santos Arias e Nahuel Palenque
Las Herederas, Daniel Turini, Fernando Henna, Rafael Alvárez e Ariel Henrique
Museo, Javier Umpierrez, Isabel Muñoz, Michelle Couttolenc e Jaime Baksht
Pájaros de Verano, Carlos E. García, Claus Lynge e Marco Salaverría
Zama, Guido Berenblum
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Melhor Direcção Artística
El Ángel, Julia Freid
Handia, Mikel Serrano
Las Herederas, Carlo Spatuzza
La Librería, Llorenç Miquel
Zama, Renata Pinheiro
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Melhor Guarda-Roupa
El Ángel, Julio Suárez
Handia, Saioa Lara
La Librería, Mercè Paloma
Pájaros de Verano, Caterine Rodríguez
Zama, Julio Suárez
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Os vencedores dos Prémios Fenix serão conhecidos a 7 de Novembro próximo numa cerimónia a realizar na Cidade do México.
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domingo, 23 de setembro de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #110

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Decorrerá na próxima sexta-feira dia 28 de Setembro a Sessão #110 do Shortcutz Viseu onde serão exibidas, na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, no habitual segmento Curtas em Competição, as curtas-metragens Menina, de Simão Cayatte e Hei-de Morrer Onde Nasci, de Miguel Munhá que estará presente na sessão para a apresentação do seu filme curto.
Finalmente, como Convidado Especial, estará ainda presente o Leiria Film Fest - Festival Internacional de Curtas-Metragens de Leiria que apresenta os filmes curtos It's Just a Gun, de Brian Robau (Cuba/EUA) e Parfum Fraise, de Alix Arrault, Martin Hurmane, Jules Rigolle e Samuel Klughertz (França).
A sessão, de entrada livre até preenchimento da sala, iniciar-se-à pelas 22 horas.
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Manuela "Manecas" Novais

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1941 - 2018
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sábado, 22 de setembro de 2018

Al Matthews

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1942 - 2018
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Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer 2018: os vencedores

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Terminou hoje a vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorreu desde o passado dia 14 de Setembro no Cinema São Jorge, em Lisboa.
São os vencedores:
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Competição de Longas-Metragens
Longa-Metragem: Marilyn, de Martín Rodríguez Redondo

Menção Especial: Tinta Bruta, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Prémio do Público: Girl, de Lukas Dhont
Actor: Victor Polster, Girl
Actriz: Kristín Thóra Haraldsdóttir, And Breathe Normally
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Competição de Documentários
Documentário: Room for a Man, de Anthony Chidiac
Menção Especial: Cartas para um Ladrão de Livros, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros
Prémio do Público: Lunàdigas - Ovvero Delle Donne Senza Figli, de Nicoletta Nesler e Marilisa Piga
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Competição de Curtas-Metragens
Curta-Metragem: Would You Look At Her, de Goran Stolevski
Menção Especial: O Órfão, de Carolina Markowicz
Prémio do Público: O Órfão, de Carolina Markowicz
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Competição In My Shorts
Curta-Metragem de Escola: Mathias, de Clara Stern
Menção Especial do Júri: Three Centimetres, de Lara Zeidan
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Competição Queer Art
Filme: Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diogenes
Menção Especial: Martyr, de Mazen Khaled
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Moça do Calendário (2017)

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A Moça do Calendário de Helena Ignez (Brasil) é uma das longa-metragens em competição na secção Queer Art da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que termina amanhã no Cinema São Jorge.
Esta longa-metragem conta a história de Inácio (André Guerreiro Lopes), um homem de quarenta anos, mecânico e bailarino em part-time, casado mas pouco dado a laços mais estreitos quer profissional quer sentimentalmente que sonha acordado com a Moça do Calendário (Djin Sganzerla) desconhecendo que ela é militante do Movimento Sem Terra.
A realizadora adapta ao cinema o argumento de Rogério Sganzerla num relato que pretende caracterizar o Brasil dos nossos dias expondo, dessa forma, que passado e presente não estão tão distantes como poderíamos pensar. Tendo como ponto de partida as desventuras pela cidade de São Paulo de um "Rogério" visivelmente pouco preocupado com o mundo que o rodeia, confiante pela sua condição masculina privilegiada - assim o saberemos mais tarde - e que, na prática, nunca abandonou uma juventude que o seu conforto económico lhe possibilitam, vemos o Brasil através dos seus olhos... indiferente, casual, masculino, potencialmente viril e onde a mulher se resume, em certa medida, a um elemento apêndice do homem... mas, nas sombras desta abordagem meramente ligeira, encontramos mulheres em pano de fundo que reclamam direitos e condições de igualdade que, não sendo anónimas, são abafadas por um ruído bem presente.
Vários são os momentos em que o espectador (re)conhece diálogos, discursos ou monólogos femininos que reclamam não só dos direitos tardios da mulher como daqueles que parecem ser dados como uma mera casualidade do seu género e não algo conferido como m (não tão) simples direito como seria de esperar. A mulher, nesta sociedade que se afirma multicultural e diversa, acaba por se revelar como um ser ainda não de plenos direitos e em igualdade de oportunidades mas sim alguém que surge como uma "consequência" de algo que... "sobrou".
É, para este "Rogério", homem branco, heterossexual e privilegiado, uma certeza que o mundo está de portas abertas para o receber... que as suas preocupações, desejos - económicos, sociais e sexuais -, são confirmados, reconhecidos e satisfeitos quando o mesmo deseja.. quando ele espera... quando ele quer... mas do outro lado da barricada encontra-se uma mulher (a sua), que o próprio considera como o tal móvel "lá de casa" que satisfaz as suas necessidades imediatas... tal como um electrodoméstico, um sofá ou mesmo uma cama... tudo tem uma função ao seu redor... também assim a (sua) mulher. Tal esta funcionalidade da mulher que "Rogério" sonha - e não só quando dorme - com a eterna "Moça do Calendário", que povoa o seu imaginário de desejo sexual e a qual reconhece como "a mulher" para a qual ele é capaz de reconhecer existência.
No misto desta sua desventura pela cidade, onde revisita velhos amigos e companheiros de trabalho, onde descobre um Brasil atormentado por uma crise económica e social no qual nem todos os direitos são direitos de todos, onde a educação é cada vez mais um privilégio de poucos, onde a mulher é uma parte da sociedade sem direitos igualitários, onde a cor define oportunidades e onde o dinheiro e a luta de classes ainda se impõem como uma pérfida realidade neste mundo que se diz moderno, o espectador conhece ainda esse tal Brasil em busca de uma identidade - individual e colectiva - interna e externamente que o possibilite de encontrar o seu devido lugar... não basta apregoar diversidade e encantos mil... há que saber reconhecê-los e integrá-los como uma parte inquestionável da sua própria realidade... se este "Rogério" está perdido pelas ruas e no seu propósito existencial... assim também o está este Brasil de 2017/18.
Mas se o dilema de busca de identidade está tão real para a personagem principal como para o país em si, não deixa de ser verdade que A Moça do Calendário enquanto longa-metragem se debate com a eterna questão do conseguir encontrar respostas - ou pelo menos facultar vias para se chegar a elas - para a perfeita harmonização entre ficção e documentário (aqui poderemos encontrar referências para ambos) sem, no entanto, estabelecer lugares comuns para o papel social do homem e da mulher... se no caso masculino a realizadora e argumentista encontram estes lugares comuns um pouco por todo o lado desde a indiferença que "Rogério" perpetua para com a sua mulher até ao momento em que ele, enquanto criança adulta está automaticamente a ser julgado pelo simples facto de ser homem - ainda que compreensível em certa medida a utilização desta abordagem depois da mulher ter sido (e ainda ser) alvo do mesmo julgamento unicamente por ser mulher -, não deixa de ser visível que a mulher aqui é retratada como activista, social e politicamente preocupada com a sua condição e do país mas, ao mesmo tempo, também retratada como uma perigosa predadora quando se mascara de rosto do crime perpetuado de um país visivelmente à beira da ruptura.
Se a realizadora pretende oscilar os dois géneros - ficção e documentário - numa única longa-metragem, o espectador compreende-lhe não só a vontade como a intenção na medida em que consegue identificar os momentos em que ambos são utilizados primeiro pela inserção da perspectiva masculina do mundo quase como um documentário sobre a realidade do país e, finalmente, a do sonho (o potencial documentário) onde são expostos os desejos de uma mulher viril, forte, emancipada, consciente e determinada capaz de tomar o destino pelo seu próprio pulso mas que, tal como nos revela "Rogério", esta parece não mais do que um seu constante sonho... ou será que esta figura não mítica está apenas a passos de distância do seu universo?!
Compreensivelmente com uma necessidade feminista - infelizmente ainda nos encontramos numa era em que existe a pertinência de reclamar por direitos igualitários para as mulheres, um século depois destes terem sido... "conferidos" -, A Moça do Calendário tem, no entanto, certos tiques e lugares comuns que fazem do homem um bicho inconsciente para a realidade feminina. O homem como o tal animal de interesses primários que utiliza a mulher para uma satisfação imediata... comer... tarefas domésticas... sexo... comer... tarefas domésticas... sexo... num ciclo perpétuo não conseguindo (ou querendo) reconhecê-la como outro ser social de idêntica capacidade cognitiva - o segmento em que a mulher de "Rogério" fala de direitos tardios e cujo monólogo é ligeiramente abafado pelo som da televisão... é disso exemplo -, transformando-se por momentos num filme manifesto mas, ao mesmo tempo, criando uma certa abordagem de machismo de saias elucidando(-se) o espectador de que tanto feminismo como machismo podem existir em ambos os géneros não sendo este exclusivos de cada um deles especificamente. Existe quem lute e reconheça a igualdade entre ambos e, de igual forma, quem manifeste a sua misoginia ou misandria... nem tudo é cem por cento limpo... ou cem por cento insípido...
Facilmente perceptível a componente que tenta caracterizar o Brasil de 2018... e um pouco do mundo moderno tal como o vamos conhecendo, A Moça do Calendário não é necessariamente o retrato fiel do bicho homem que martiriza a mulher mas sim a de um homem que ignora aquela que tem a seu lado... Da mesma forma que muitas mulheres foram, felizmente, percursoras do movimento feminista que lhes granjeou com todo o direito os seus Direitos... não poderemos esquecer que alguns homens também lutaram a seu lado... mesmo nos dias que hoje correm. Reduzir todo um género a uma condição de "castrador"... é o lugar comum mais fácil e mais propício para não conseguir criar empatia num público que não é só feminino. Nem tudo é teatro... nem tudo é cinema... e este foi buscar muitos dos seus fundamentos ao primeiro vivendo hoje uma harmoniosa relação e reconhecimento de inspiração...
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4 / 10
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António Escudeiro

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1933 - 2018
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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Anjo (2018)

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Anjo de Miguel Nunes (Portugal) - também argumentista e intérprete protagonista - é uma das curtas-metragens presentes na secção Panorama da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge e que revela uma Lisboa estival testemunha de uma paixão abruptamente interrompida.
Miguel (Nunes) encontra-se numa entrevista para entrada nos Estados Unidos. Pretende encontrar um amigo. Revela a sua paixão. De seguida encontramos o seu apartamento onde, compreendemos, sucedem-se as festas, as reuniões de amigos e a presença d'Ele (Edgar Morais), com quem vive momentos de entrega, cumplicidade e paixão, faz-se sentir na sua memória e nos seus pensamentos.
Da curta-metragem de Miguel Nunes surgem de imediato não só o seu nome enquanto realizador, argumentista, actor e produtor da mesma como também a presença de Joana de Verona e Edgar Morais como seus actores e rostos de uma nova geração de intérpretes portugueses com um percurso cinematográfico já confirmado para conquistarem um novo público para as salas. Se este elemento não fosse por si já suficiente, eis que o espectador encontra na sinopse aquele que poderá ser uma história de amor numa Lisboa contemporânea onde esta nova geração dos 30's ruma sem um destino certo ou vínculos firmes para lá daqueles que são firmados pela lealdade para com a tribo.
Seja nos palcos de um qualquer festival de cinema, nos telhados vizinhos observando uma Lisboa nocturna ou nas inúmeras festas que, não observadas, ocupam longas madrugadas, Anjo centra-se numa dessas figuras... a de "Miguel". Tudo começa com uma entrevista de entrada nos Estados Unidos onde ficamos a saber que ele pretende passar duas semanas da sua vida à procura de um amigo... de uma paixão. A tal paixão estival que lhe ficou na memória e que, por motivos que o espectador desconhece, terminou repentinamente. "Ele" (Edgar Morais) partiu. Os breves momentos que passam juntos são de paixão intensa, de entrega e de cumplicidade. De olhares e pequenas conversas banais entre quem, compreendemos, já se conhece ao ponto de tudo se poder dizer através do nada. Dos passeios pelas ruas aos pequenos silêncios que se partilham, "Ele" e "Miguel" entregam-se nos braços um do outro. Instala-se então a dúvida no espectador que se questiona sobre os porquês desta separação. Não terá sido nada de tão importante como aparentava? Terá "Miguel" sentido algo mais que na realidade nunca existira? Porque se terá confirmado esta distanciamento? Existe um endereço do outro lado do Atlântico mas... será que ainda permanece a tal cumplicidade?!
Interessante do ponto de vista dos tais "ses" que se instalam e mantêm na mente do espectador, a Anjo falta, no entanto, o tal aproveitamento da intenção narrativa para transformar o tal sofrimento da paixão distante, a dinâmica da proximidade dos amigos e o sentimento de busca pelo que já não lhe (a "Miguel") lhe pertence - ou possui - e transformá-lo num drama moderno sobre a procura do amor nesta geração dos 30's ainda tão pouco explorada em cinema. Habituados que estamos a encontrar filmes mais juvenis que exploram a temática do amor - não de forma condescendente mas sobre a tal geração ainda livre de grandes responsabilidades que estejam para lá de aproveitarem a respectiva juventude -, Anjo (tal como Verão Danado (2017), de Pedro Cabeleira que é, curiosamente, da mesma produtora ou mesmo Uma Rapariga da sua Idade (2015), de Márcio Laranjeira) tem todo o potencial para explorar esta dinâmica de uma geração que ainda procura o seu lugar num mundo que parece ter fechado a porta na altura em que a mesma se preparava para sair "de casa" mas, ao mesmo tempo, privou-se de o fazer deixando o espectador com uma mão cheia de incertezas, questões, dúvidas e pensamentos sobre a (não) concretização dessa busca... terá "Miguel" ido para os Estados Unidos... terá "Ele" (Morais) ainda correspondido à tal paixão? Pergunta que é, aliás, levantada pela entrevistadora (deduzimos que na Embaixada) quando "Miguel" revela que não sabe ao certo onde o amigo vive... Ou será que tudo mais não é do que uma reflexão tardia sobre uma busca e um amor que, não tendo sido correspondido, permanece como algo bonito e inalterado na mente daquele que realmente amou?!
Inteligente e perspicaz pela forma como filma esta (já não tão nova) geração que parece procurar, acima de uma estabilidade financeira, uma que também seja emocional, Anjo é, para lá de uma simpática estreia do actor enquanto realizador, um filme ensaio com potencial suficiente para explorar todas as dinâmicas da vida (apresentada) de "Miguel" - com os amigos, com o amor, com a vida de uma forma geral - sob a forma de ma longa-metragem... talvez com um resultado (sobre essa mesma geração) emocionalmente não tão feliz... mas real, crua e ligeiramente esperançosa sobre o tal "dia de amanhã" que a sua personagem aqui aparenta procurar.
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6 / 10
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Disobedience (2017)

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Disobedience de Sebastián Lelio (Reino Unido/Irlanda/EUA) exibido na secção Panorama da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge centra-se na história de Ronit (Rachel Weisz), uma mulher que regressa à sua Londres natal para o funeral do seu pai rabi, depois de décadas de ostracização pela sua comunidade ortodoxa ao ter sido descoberta a sua relação com Esti (Rachel McAdams), agora casada com o seu amigo de infância Dovid (Alessandro Nivola).
Se há uma palavra que imediatamente surge na mente do espectador ao assistir a esta longa-metragem de Sebastián Lelio, ela é imediatamente "solidão". Os instantes iniciais revelam uma "Ronit" - "Ronnie" nos Estados Unidos - como uma fotógrafa reputada mas cuja vida pós-laboral se mantém isolada num qualquer canto de um bar que lhe serve exclusivamente para os seus encontros sexuais fortuitos e assim conseguir preencher com alguma falsa noção de sentimento (sexual) o vazio no qual sente a sua vida. Na cidade que nunca dorme, "Ronit" é então o protótipo de alguém que está literalmente sózinha numa cidade com milhões de pessoas que circulam diariamente à sua volta sem que, na realidade, se apercebam que ela ali está.
Esta sua noção de solidão é imediatamente interrompida quando subitamente recebe notícias de um pai recentemente falecido. O mesmo pai que pactuou com o afastamento das pessoas que conhecia, da sua comunidade, da sua cidade e mesmo da sua vida. É neste contexto que o espectador é imediatamente assombrado com outra dinâmica relacionada com o poder e a influência de uma comunidade mais reclusa e ortodoxa que se fecham nos seus hábitos e costumes impondo a obrigado e o dever como derivados directos um do outro e que pré-estabeleceu "papéis sociais" para cada um dos seus membros. Homens e mulheres devem ter relações meramente cordiais... homem deve casar com mulher... mulher deve ser submissa, boa esposa e boa mãe... homem garante o sustento para o seu lar.
É nesta dinâmica que encontramos "Esti" e "Dovid", amigos de "Ronit" desde infância e que se juntaram como um casal primeiro por um conhecimento comum e próximo e depois porque era o que deles se esperava. Distantes de uma qualquer noção de cumplicidade e amor, foi a amizade que os juntou e, ao mesmo tempo, a mesma que com o decorrer dos anos acabou por separá-los emocionalmente. A sua relação e casamento, agora uma obrigação social, desgastou-se pela imagem perdida de uma amiga distante - "Ronit" - e paixão (eventualmente comum) mas apenas correspondida para com "Esti". "Ronit", chega a uma Londres que parece ainda mais fria dentro de portas familiares, abalando todas as estruturas sociais que a encontram... a da família, a dos amigos e mesmo a de conhecidos que, conhecendo ou não o motivo do seu afastamento, a julgam como uma forasteira muito pouco desejada.
No entanto, é a dinâmica estabelecida entre o trio protagonista que cativa o espectador desde o primeiro instante. Se a dinâmica entre a personagem de Wiesz e a de Nivola parece amistosa, franca e em certa medida cúmplice, cedo se revela como tensa e indiferente. O "Dovit" de Nivola, fervoroso judeu ortodoxo cujos valores não tendem a ser abalados, encara a chegada de "Ronit" como a da amiga desaparecida (e não convocada) como um estorvo que pode ser contido e se inicialmente a convida para dentro da sua casa, cedo compreende que a família que tende a construir com "Esti" pode ser abalada com esta presença. É, por outro lado, a relação entre as duas mulheres aquela que acaba por se revelar como a mais intensa, cúmplice e a que poderá dar mais frutos quando se compreende que o amor que as separou fisicamente nunca deixou de existir nem no seu pensamento nem naquele desejo pensado extinto. "Ronit" e "Esti" são, afinal uma única alma dividida em dois corpos que se completam, desejam, amam e anseiam... mas o meio ao seu redor, ultra-conservador e religioso, não as permite consumar esse amor.
Se a "Ronit" de Weisz se revela como uma mulher segura psicologicamente, mas ao mesmo tempo frágil emocionalmente - ainda que firma nas suas convicções sobre o seu "papel" (a existir um) no mundo - pela descoberta de um pai que, de facto, não queria saber dela, e a "Esti" de McAdams como aquela que acabou por sempre a amar em segredo limitando-se a um papel de esposa devota e cumprida das suas "obrigações" matrimoniais é, no entanto, no "Dovid" de Alessandro Nivola que o espectador sente o maior e mais intenso conflito emocional na medida em que os seus momentos no ecrã se preenchem de pequenos elementos contraditórios à espera do seu próprio clímax. Nivola compõe uma personagem que se altera com o decorrer dos minutos... de um inicial homem seguro e confiante prestes a transformar-se no pilar de uma comunidade que o respeita - muito por ser o discípulo preferido do pai de "Ronit" -, o seu "Dovid" transforma-se num homem que vê a sua posição na comunidade ser ameaçada pela presença de um elemento por todos indesejado mas que, ao mesmo tempo, tenta conciliar para o bem de todos (e das aparências), respeitando a memória do homem que, no fundo, todos respeitam. É com a descoberta de um cada vez mais desinteresse da sua esposa "Esti" que "Dovid" se expõe como um homem aparentemente violento - não fisicamente mas psicologicamente e para si pela compreensão de que o seu ideal de família está prestes a terminar -, comprometendo não só a sua posição dentro do seu lar, como na comunidade e, sobretudo, perante os demais líderes que o escolheram para os liderar.
Expondo estas três personagens - co-protagonistas que ocupam, cada uma delas, a sua própria dinâmica na construção desta intensa história -, questiona-se o espectador sobre a origem desta "desobediência" ainda não confirmada... Se facilmente a poderíamos associar à personagem de Weisz na medida em que esta, expulsa do seu grupo primário, conseguiu construir toda uma nova realidade onde pode viver uma vida mais ou menos livre (pelo menos psicologicamente) dos padrões de "sociedade" a que estaria exposta na sua Londres ou, mais ainda, a poderíamos observar nos comportamentos transgressores - novamente para a referida comunidade - da "Esti" de McAdams, a realidade é que esta desobediência firma-se convictamente nos comportamentos do "Dovid" de Nivola... o aparentemente afável anfitrião... o violentamente instável marido... o receoso futuro pai...e, finalmente, o compreensível, empático e humano amigo, cúmplice e confidente que, incerto do seu papel no ideal de mundo que havia criado, compreende realmente que a tal palavra de Deus que passara anos a apregoar está finalmente na aceitação do "outro", da sua diferença e sobretudo da forma como esta não ameaça em nada aquilo que ele próprio representa mas sim expande os seus próprios horizontes a uma nova descoberta desse mesmo mundo em seu redor... Não será a verdadeira palavra de Deus a capacidade que "nos" conferiu, pelo livre arbítrio, de poder escolher quem amar, com quem formar amizade, a possibilidade de respeitar, de honrar e de conhecer tudo o todos os que nos rodeiam não vendo neles rótulos pré-definidos pela sociedade ou comunidade em que nos encontramos?!
Disobedience será assim inicialmente uma história de solidão... mas também uma história de busca pelo reconhecimento, pela aceitação, pela compreensão, pelo amor, pela família, pela redenção e até mesmo pela tradição - não nos poderemos esquecer que "Ronit" também regressa e apenas leva com ela aquilo que a mãe lhe havia destinado perdendo todos os demais valores de família - e o verdadeiro acto de desobediência, presente em cada uma destas personagens co-protagonistas, está na sua capacidade de, em bom tempo, compreender que todos podem ser felizes, juntos ou separados, se conseguirem respeitar as vontades individuais... tal como a palavra de Deus tinha, nos princípio dos tempos, estabelecido como uma sua vontade.
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"Rav: (...) what is this thing? Man? Woman? It is a being with the power to disobey."
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9 / 10
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Grande Prémio do Cinema Brasileiro 2018: os vencedores

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Foram ontem anunciados os vencedores dos troféus Grande Otelo atribuídos anualmente pela Academia Brasileira de Cinema numa cerimónia que se realizou na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, e que destacaram Bingo - O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende como o grande vencedor do ano ao arrecadar sete troféus oficiais mais o Prémio do Público de Melhor Filme.
São os vencedores:
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Prémios Oficiais
Filme: Bingo - O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende
Comédia: Divórcio, de Pedro Amorim
Documentário: Divinas Divas, de Leandra Leal
Filme de Animação:
Historietas Assombradas - O Filme, de Victor-Hugo Borges
Filme Infantil: Detetives do Prédio Azul - O Filme, de André Pellenz
Filme Estrangeiro: Una Mujer Fantástica, de Sebastián Lelio (Chile)
Curta-Metragem de Ficção: A Passagem do Cometa, de Juliana Rojas
Documentário Curta-Metragem: Ocupação do Hotel Cambridge, de Andrea Mendonça
Curta-Metragem de Animação: Vênus-Filó - A Fadinha Lésbica, de Sávio Leite
Realização: Laís Bodanzky, Como Nossos Pais
Actor:
Vladimir Brichta, Bingo - O Rei das Manhãs
Actriz: Maria Ribeiro, Como Nossos Pais
Actor Secundário: Augusto Madeira, Bingo - O Rei das Manhãs
Actriz Secundária: Sandra Corveloni, A Glória e a Graça
Argumento Original: A Glória e a Graça, Mikael de Albuquerque e Lusa Silvestre
Argumento Adaptado: Real - O Plano por Trás da História, Mikael de Albuquerque
Montagem - Ficção: Bingo - O Rei das Manhãs, Márcio Hashimoto
Montagem - Documentário:
Divinas Divas, Natara Ney
Fotografia: A Glória e a Graça, Gustavo Hadba
Música Original: O Filme da Minha Vida, Plínio Profeta
Banda Sonora: João, o Maestro, Mauro Lima, Fael Mondego e Fábio Mondego
Som: João, o Maestro, George Saldanha, François Wolf e Armando Torres Jr.
Direcção de Arte: Bingo - O Rei das Manhãs, Cássio Amarante
Guarda-Roupa: Bingo - O Rei das Manhãs, Verônica Julian
Maquilhagem: Bingo - O Rei das Manhãs, Anna van Steen
Efeitos Visuais: Malasartes e o Duelo com a Morte, Ricardo Bardal
Prémio Carreira: Fernanda Montenegro
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Prémios do Público
Filme: Bingo - O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende
Documentário: Cora Coralina: Todas as Vidas, de Renato Barbieri
Filme Estrangeiro: La La Land, de Damien Chazelle (EUA)
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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Marceline Loridan Ivens

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1928 - 2018
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Sewing Borders (2018)

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Sewing Borders de Mohamad Hafada (Líbano) presente na secção Panorama Special Focus dedicada à temática das migrações da vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorre no Cinema São Jorge até ao próximo dia 22 de Setembro, é uma curta-metragem centrada na região do Médio Oriente - mais concretamente na cidade de Beirute - e nas diferentes "fronteiras" do território quer sejam elas sociais, culturais, políticas ou geográficas bem como sobre as decorrentes movimentações populacionais decorrentes ao longo das últimas décadas.
Partindo de uma simples premissa, Sewing Borders possibilita ao seus protagonistas nunca devidamente identificados, a oportunidade de, através de uma mapa da capital libanesa, poder estabelecer as suas fronteiras (ou aquelas que o seu imaginário permite), da cidade tal como dela se recordam. Dispersos ao longo das décadas por diversos locais que passaram por campos de refugiados na Síria ou na Turquia devidas às guerras civis e instabilidade sentida no país, estes entrevistados recuperam a "sua" cidade de Beirute, os locais que frequentavam então e aqueles espaços onde as suas casas se encontravam. Numa recuperação já perdida da memória histórica da cidade, Sewing Borders possibilita aos intervenientes através das suas capacidades e conhecimentos de costura, criar as suas fronteiras internas numa reflexão sobre o tempo e a História assim como sobre as suas memórias individuais.
Sem nunca conhecer quem está a narrar os seus conhecimentos da História, esta curta-metragem libanesa tem, como sua personagem principal, diferentes mapas da cidade, do país e da região sujeitas a uma "intervenção cirúrgica" por parte de uma máquina de costura que estabelece os seus limites. Num irónico e inesperado paralelismo com a realidade, o espectador consciencializa-se da comparação entre a realidade Histórica e aquela com que o realizador prestou ao título da sua obra ao estabelecer que tanto estas como as fronteiras reais mais não foram do que meros acasos estabelecidos por aqueles que, sentados à mesa com os mapas de então, resolveram dividir territórios, povos, espaços e uma mesma comum cultura.
Ainda que com todo um potencial maior por explorar, mas sempre acompanhada da memória oralizada e de alguns documentos históricos, Sewing Borders encontra uma forma simples mas eficaz de se expôr enquanto representação fílmica de um contexto histórico tantas vezes explorado e tão poucas vezes (tentado ser) compreendido.
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6 / 10
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sábado, 15 de setembro de 2018

Cartas para um Ladrão de Livros (2017)

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Cartas para um Ladrão de Livros de Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini (Brasil) é um dos documentário em competição na vigésima-segunda edição do Queer Lisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorre no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema até ao próximo dia 22 de Setembro.
Laéssio Rodrigues de Oliveira é considerado pelas autoridades brasileiras como o maior ladrão de livros raros no país. Do balcão de uma padaria onde começou a trabalhar à sua paixão por objectos evocativos da memória de Carmen Miranda, Laéssio começou a frequentar - enquanto apaixonado - diversos arquivos históricos do país onde a segurança era mínima e deles retirar todos os documentos históricos que satisfaziam a sua paixão. De uma vida simples à alta roda dos "comerciantes" de arte, Laéssio tornou-se uma figura de destaque na casa da sociedade brasileira ao mesmo tempo que crescia o registo do seu nome nos arquivos das próprias autoridades.
Tradicionalmente habituado que está o espectador a ver filmes em que as histórias de "ladrões" se centram em vulgares criminosos que roubam tudo o que está ao seu alcance, privados de qualquer tipo de cultura ou de bem-estar em sociedade, Cartas para um Ladrão de Livros surpreende na medida em que todos são apanhados de surpresa ao observar um conto real sobre alguém que se focou não em meros assaltos de dinheiro mas sim em alguém que utilizou os seus conhecimentos auto-adquiridos e a cultura que possuía para engendrar aqueles que seriam alguns dos maiores assaltos no país a obras de arte... livros.
Laéssio é assim a figura central deste documentário que se centra na sua detenção, no seu percurso enquanto homem livre e nos inúmeros meandros de uma vida intimamente ligada a furtos de obras de arte que o levaram uma e outra vez a novas detenções e ao conhecimento - do espectador - da sua ligação com figuras de primeira linha social que pactuavam com os seus assaltos mas que nunca são identificados. Laéssio é portanto a "personagem" principal da sua própria história... o espectador fica a conhecê-lo não só pelos relatos dos seus crimes mas também pelas suas próprias palavras e comportamentos que o denunciam enquanto um homem simples, modesto e de origens humildes, casado com outro homem que o espectador nunca compreende na realidade se actuou como seu parceiro ou mais não foi do que culpado por associação - esta última sendo a versão apresentada pelo próprio Laéssio -, e verificar, ao mesmo tempo, como todo o sistema de segurança de museus e bibliotecas no país acabou por ser alterado graças às consequências dos seus próprios actos.
Inteligente, culto e com um sentido de humor apurado, Laéssio acaba por ser o rosto de um certo Brasil desprivilegiado que tudo faz para poder vencer na vida mas que, neste caso em concreto, o tentou por via do crime e de elaborados esquemas indetectáveis para todos os demais. Com um sentido de humor apurado e sempre dotado de uma contextualização histórica que revela as suas origens, os seus amigos e mesmo a sua vida, este documentário revela o homem para lá do crime, para lá das suas origens e principalmente ele enquanto um homem interessado no contexto histórico do seu país... ainda que para este âmbito cultural nunca tenha optado pelas melhores vias.
Contextualmente pertinente e socialmente cativante, Cartas para um Ladrão de Livros é sobretudo o rosto de um Brasil empobrecido e onde as oportunidades não se encontram ao alcance directo de todos, onde muitos tentam vencer - independentemente do crime - e estabelecer uma identidade própria - para o indivíduo e para o país - através do seu legado histórico tantas vezes deixado ao abandono ou à indiferença mas capaz de, com os próprios erros, obter alguma noção da importância do passado com vista a almejar um futuro onde essas oportunidades possam ser concretizadas... pessoalmente com um maior enriquecimento do indivíduo e nacional com um reconhecimento do património histórico de um passado ainda pouco estudado ou preservado mas, até então, desprotegido e à mercê dos carrascos que o tentam delapidar para uso próprio... Afinal, o que este documentário tenta lançar para o conhecimento do espectador é o facto de que o criminoso nesta "história"... não é só Laéssio.
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7 / 10
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Zienia Merton

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1945 - 2018
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Academia Argentina de Cinema - Premios Sur 2018: os vencedores

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Foram divulgados ontem, dia 13 de Setembro, os vencedores dos Prémios Sur, entregues anualmente pela Academia Argentina de Cinema, e que declararam Zama, de Lucrecia Martel como o grande vencedor do ano ao arrecadar dez troféus.
São os vencedores:
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Filme: Zama, de Lucrecia Martel
Primeira Obra: El Invierno, de Emiliano Torres
Documentário: Cuatreros, de Albertina Carri
Realização: Lucrecia Martel, Zama
Actor Protagonista: Daniel Giménez Cacho, Zama
Actriz Protagonista: Sofia Gala Castiglione, Alanis
Actor Secundário: Pablo Cedrón, El Otro Hermano
Actriz Secundária: Mara Bestelli, El Invierno
Revelação Masculina: Lautaro Bettoni, Temporada de Caza
Revelação Feminina: Yanina Ávila, Una Especie de Familia
Argumento Original: Diego Lerman e Maria Meira, Una Especie de Família
Argumento Adaptado: Lucrecia Martel, Zama
Montagem: Karen Harley e Miguel Schverdfinger, Zama
Fotografia: Rui Poças, Zama
Música Original: Leo Sujatovich, La Novia del Desierto
Som: Guido Berenblum, Zama
Direcção Artística: Renata Pinheiro, Zama
Guarda-Roupa: Julio Suárez, Zama
Caracterização: Marisa Amenta e Alberto Moccia, Zama
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Brothers' Nest (2018)

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Brothers' Nest de Clayton Jacobson (Austrália) é uma das longa-metragens exibidas durante a décima-segunda edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que, na passada semana, decorreu no Cinema São Jorge.
Terry (Shane Jacobson) e Jeff (Clayton Jacobson) rumam à casa da mãe e do padrasto numa tentativa de o assassinarem e, dessa forma, evitar que a mãe altere o testamento em seu favor. No entanto, aquilo com que os dois irmãos não contavam era com os momentos em que iriam passar juntos e com as verdades que viriam a ser descobertas.
O primeiro elemento que se destaca nesta longa-metragem australiana é, desde logo, o ambiente isolado e desértico que o imaginário do país faz imediatamente despertar na mente do espectador. Ainda que o país seja dotado de algumas metrópoles entre as quais Sidney, não será menos verdade que rapidamente qualquer um de nós liga o imaginário do país aos seus vastos desertos que a saga Mad Max (1979), de George Miller popularizou ao longo dos últimos quarenta anos. Nesta medida, Brothers' Nest afasta imediatamente o espectador de qual cenário citadino levando-o a um espaço afastado de qualquer cenário de civilização entregando as duas almas a um espaço confinado às quatro paredes de uma casa onde cresceram e onde todas as suas memórias estão guardadas.
Tendo este cenário em mente, aquilo que Brothers' Nest entrega ao espectador é um conto sobre a sede de poder e de posse que rapidamente soltam os uivos de uma vingança desconhecida onde a avareza e a ganância fazem despertar o pior de cada um deles. É na sua estadia naquela casa que o argumento da autoria de Jaime Browne e Chris Pahlow revela dois homens esquecidos por si próprios, que vivem de mentiras e ilusões que revelam como a única forma de satisfazerem um qualquer ego que precisa ser alimentado e que mimam como forma de revelar o melhor de uma vida que, na realidade, não têm. Assim, e por detrás do óbvio saque que querem fazer a vontade de uma mãe moribunda, tanto "Terry" como "Jeff" apenas se concentram num plano meticulosamente elaborado que, no entanto, mais do que revelar a ausência de provas que os incriminem revela, por sua vez, todas as pequenas nuances, dilemas e aspectos de um carácter ferido não só pela vida como, surpreendentemente... pelo seu próprio ego.
Donos de vidas supostamente aceites pela sociedade mas que revelam todos os podres da mesma que se quer rápida, bem sucedida e proeminente, os dois irmãos são, no entanto, o seu oposto. Com famílias destruídas e separadas, com vidas profissionais à beira da ruína e distantes dos valores familiares que muito consistentemente insistem em defender em nome de uma moral paternal, também ela já distante, aquilo que os dois revelam é uma ausência de consciência inicial que os expõe como capazes de tudo para bem suceder neste seu propósito. No entanto, é à medida que o tempo avança que ambos se revelam num patamar distinto de evolução e onde nada é como tenta aparentar. Se "Jeff" se assume como a força bruta para quem, na realidade, nada importa, nem mesmo os tais valores morais de que o património familiar deve ficar nas mãos da família de sangue, é "Terry" que lentamente se revela mais despreocupado com o que lhe sucede preocupando-se, por sua vez, com todas as pequenas memórias que ressurgem com os pequenos passeios que dá pela casa e pela propriedade. "Terry" sente a alma da casa, das paredes, dos objectos e das pequenas lembranças que, sem serem do conhecimento do espectador, se fazem transparecer pelos seus olhares auto-reflexivos e que o levam a equacionar - novamente sem nunca serem revelados mas que se expressam pela sua postura física e psicológica cada vez mais branda - na validade da acção a que se propôs. Será que tudo aquilo valerá a pena ou, por sua vez, irá manchar as memórias de um passado que, afinal, poderá não ter sido tão mau como aquilo que inicialmente julgara?
À medida que a dinâmica entre os dois irmãos se altera, não só entre ambos mas também em relação ao propósito que ali os levou, percebe-se e compreende-se como inevitável a chegada de novas personagens - nomeadamente a mãe e o padrasto - para provocar o esperado clímax nesta história. No entanto, o que poderá acontecer quando a dinâmica dois irmãos para com as suas figuras parentais rapidamente ganha novos contornos alterando a concepção que tinham dos papéis que cada um representou na sua juventude? Será a mãe tão inocente no seu passado? Será o padrasto alguém tão detestável como o haviam imaginado? Poderá esta relação entre irmãos e de filhos para, no fundo, pais sair imaculada depois de um tão grande voto de desdém?! Saber-se-ão verdades julgadas impossíveis e enterradas pelo passado? Irá alguém finalmente compreender o que sempre representou no seio desta família?
Ainda que toda a dinâmica do argumento de Browne e Pahlow seja suficiente para criar uma história não de um terror sobrenatural mas sim daquele que as mentes de duas crianças - agora adultos - criam ao longo dos anos e pelo qual se deixam atormentar como representativo daquele papão debaixo da cama que, na realidade, nunca os abandonou, a realidade é que esta longa-metragem peca um pouco - ao ponto de perder muito da sua verve -, pela excessiva relação entre os dois irmãos que se deixa arrastar ao longo de praticamente sessenta minutos de duração deixando para os instantes finais toda a trágica resolução que se fazia adivinhar para esta família. Não existe grande dinâmica entre as quatro personagens mas sim blocos separados da mesma... primeiro entre os irmãos, destes para com o espaço que os viu crescer, seguido pela que estabelecem com o seu padrasto e, finalmente, com a sua mãe. Se o momento entre os dois irmãos foi demorado ao ponto do espectador compreender que poderia ser editada, é também certo que os momentos estabelecidos com os seus pais pecam por uma conclusão intensa mas apressada ao ponto de nos deixar pouco impressionados enquanto aquele clímax que, na realidade, esperaríamos.
Nota positiva a um brilhante Shane Jacobson que consegue destacar-se no seio desta história como o apontamento moral - ou aquele em que a dita moral mais se manifesta -, pode-se destacar que muito se revela do passado destas quatro personagens quer pelas palavras que trocam quer pelas dinâmicas que são estabelecidas ao longo do tempo mas, ao mesmo tempo, não existem pequenos detalhes que ficam por explorar como, por exemplo, qual a relação que os irmãos tinham com a sua mãe, os vídeos que vêem e como a sua percepção está, afinal, tão distante da realidade ou mesmo o pequeno lembrete que o papel de parede faz despertar a "Terry" de um "algo" que nunca é revelado? Ainda que nunca devidamente explorados ou revelados para lá do essencial, são estes pequenos elementos que deixam uma certa curiosidade no espectador mais atento e que poderiam ter contribuído para melhor a dinâmica destas personagens com o espaço e com elas próprias fazendo, por sua vez, um maior "corte" em momentos de contemplação que, embora importantes, se prolongam para lá do seu tempo. No final, Brothers' Nest expõe muito da comédia negra ou do terror psicológico que algum cinema australiano tão bem tem entregue nas últimas décadas mas, ao mesmo tempo e considerando todos os seus momentos mais intensos, nunca consegue atingir todo o esplendor que poderia ter alcançado se algumas arestas tivessem sido melhor limadas.
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6 / 10
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Frank Serafine

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1953 - 2018
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terça-feira, 11 de setembro de 2018

E o candidato de Portugal é...

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Foi hoje divulgado pela Academia Portuguesa de Cinema a longa-metragem portuguesa seleccionada para concorrer aos Oscars na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e aos Goya da Academia Espanhola de Cinema na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano.
Peregrinação, de João Botelho, longa-metragem filmada durante quatorze semanas na China, Japão, Índia, Malásia, Vietname e Portugal em Lisboa, Sintra, Vila do Conde, Tomar e Sesimbra, foi a escolhida para representar o país nos dois eventos internacionais que se irão realizar a 2 (Goya) e 24 (Oscars) de Fevereiro de 2019.
A longa-metragem de João Botelho que conta com as interpretações de Cláudio da Silva, Cassiano Carneiro, Pedro Inês, Catarina Wallenstein, José Neto, Maya Booth, Pedro Lacerda, Jani Zhao entre outros, foi nomeada a onze prémios Sophia entregues anualmente pela Academia Portuguesa de Cinema tendo sido vencedora de três nas categorias de Melhor Maquilhagem e Cabelos (Rita de Castro e Filipe Muiron), Melhor Caracterização/Efeitos Especiais (Nuno Esteves) e Melhor Guarda-Roupa (Sílvia Grabowski e Joana Veloso), centra-se a partir de Março de 1537 quando Fernão Mendes Pinto (Cláudio da Silva), fugido da miséria da vida parte para a Índia em busca de fama e fortuna. Peregrinação conta assim a viagem e as desventuras do escritor no decurso dos vinte e um anos que se encontrou no Oriente. De aventureiro a peregrino, penitente, embaixador e soldado, traficante mas também escravo, Mendes Pinto foi um pouco de tudo por onde passou. O livro das suas aventuras publicado trinta anos após a sua morte é o primeiro best-seller da língua portuguesa traduzido e publicado em vários línguas pela Europa.
Peregrinação foi ainda nomeado aos Sophia de Melhor Realização (João Botelho), Melhor Actor (Cláudio da Silva), Melhor Actriz Secundária (Catarina Wallenstein), Melhor Argumento Adaptado (João Botelho), Melhor Montagem (João Braz), Melhor Fotografia (Luís Branquinho), Melhor Música Original (Luís Bragança Gil e Daniel Bernardes) e Melhor Som (Francisco Veloso, Paulo Abelho e Tiago Inuit) nesta que é a terceira representação de João Botelho para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro depois de Tempos Difíceis (em 1988) e Três Palmeiras (em 1994) e a primeira para o Goya de Melhor Filme Ibero-Americano.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Peter Donat

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1928 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #109

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O Shortcutz Viseu regressa com a Sessão #109 apresentando uma tarde dedicada ao cinema curto de animação num segmento inteiramente dedicado às Curtinhas Vila do Conde na qual serão exibidos alguns dos filmes que passaram pela última edição do festival sendo eles A Caça, de Alexey Alekseev (França), Dois Balões, de Mark Smith (EUA), Dois Eléctricos, de Svetlana Andrianova (Rússia), Formiga, de Julia Ocker (Alemanha) e O Rato da Floresta, de Joroen Jaspaert (Reino Unido).
A Sessão #109 irá decorrer na próxima sexta-feira dia 14 de Setembro pelas 15 horas na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea.
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domingo, 9 de setembro de 2018

MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa 2018: os vencedores

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Terminou a décima-segunda edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que decorreu no Cinema São Jorge desde o passado dia 4 de Setembro.
Hagazussa, de Lukas Feigelfeld foi o grande vencedor desta edição ao arrecadar o troféu de Melhor Longa-Metragem Europeia de Terror sendo assim candidata ao Meliès d'Or.
Foram os vencedores:
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Melhor Longa-Metragem Europeia de Terror: Hagazussa, de Lukas Feigelfeld
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Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror: A Estranha Casa na Bruma, de Guilherme Daniel
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Menção Honrosa: Agouro, de David Doutel e Vasco Sá
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Foram ainda atribuídas Menções Especiais à Interpretação, sendo elas:
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Celia Williams, Inner Ghosts
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Maria Leite, Mutant Blast
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Alex Lawther, Ghost Stories
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sábado, 8 de setembro de 2018

Festival Internacional de Cinema de Veneza 2018: os vencedores

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Terminou hoje a mais recente edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza anunciando Roma, de Alfonso Cuarón como o grande vencedor da noite ao arrecadar o Leão de Ouro de Melhor Filme em competição.
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Selecção Oficial
Leão de Ouro:
Roma, Alfonso Cuarón
Prémio Especial do Jurado: The Nightingale, de Jennifer Kent
Leão de Prata - Realização: Jacques Audiard, The Sisters Brothers
Coppa Volpi - Actor: Willem Dafoe, At Eternity's Gate
Coppa Volpi - Actriz:
Olivia Colman, The Favourite
Argumento: Joel Coen e Ethan Coen, The Ballad of Buster Scruggs
Prémio Marcello Mastroianni - Jovem Intérprete: Baykali Ganambarr, The Nightingale
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Orizzonti
Filme: Manta Ray, de Phuttiphong Aroonpheng
Prémio Especial do Jurado: Anons, de Mahmut Fazil Coskun
Realização: Emir Baigazin, The River
Curta-Metragem: Kado, de Aditya Ahmad
Actor: Kais Nashif, Tel Aviv on Fire
Actriz: Natalia Kudryashova, A Man Who Surprised Everyone
Argumento: Pema Tseden, Jinpa
Leão do Futuro: The Day I Lost My Shadow, de Soudade Kaadan
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Leão de Ouro - Carreira: Vanessa Redgrave e David Cronenberg
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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Mac Miller

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1992 - 2018
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Burt Reynolds

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1936 - 2018
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