sábado, 30 de junho de 2018

SNGCI - Nastri d'Argento 2018: os vencedores

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Foram hoje revelados os vencedores dos Nastri d'Argento, prémios entregues anualmente pelo SNGCI - Sindicato Nazionale di Giornalisti Cinematografici Italiani, numa cerimónia que se realizou em Taormina fazendo de Dogman, de Matteo Garrone o grande vencedor da noite ao arrecadar sete troféus.
São os vencedores:
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Filme: Dogman, de Matteo Garrone
Comédia: Come un Gatto in Tangenziale, de Riccardo Milani
Realização: Matteo Garrone, Dogman
Realização Revelação: Fabio D'Innocenzo e Damiano D’Innocenzo, La Terra dell'Abbastanza
Produtor: Matteo Garrone e Paolo Del Brocco, Dogman
Actor: Marcello Fonte e Edoardo Pesce, Dogman
Actor - Comédia: Antonio Albanese, Come un Gatto in Tangenziale
Actriz: Elena Sofia Ricci, Loro
Actriz - Comédia: Paola Cortellesi, Come un Gatto in Tangenziale
Actor Secundário: Riccardo Scamarcio, Loro
Actriz Secundária: Kasia Smutniak, Loro
Argumento Original: Made in Italy, Luciano Ligabue
Argumento: Loro, Paolo Sorrentino e Umberto Contarello
Montagem: Walter Fasano, Call Me by Your Name e Marco Spoletini, Dogman
Fotografia: Gian Filippo Corticelli, Napoli Velata
Música: Pivio De Scalzi e Aldo De Scalzi, Ammore e Malavita
Canção Original:
“Bang Bang”, Ammore e Malavita
Som: Maricetta Lombardo, Dogman e L'Intrusa
Direcção Artística: Dimitri Capuani, Dogman
Guarda-Roupa: Nicoletta Taranta Agadah e A Ciambra
Director de Casting: Francesco Vedovati, Dogman
Nastro Especial: Paolo Taviani e Vittorio Taviani, Una Questione Privata e ao elenco de A Casa Tutti Bene
Nastro Cinema Internazionale: Vittorio Storaro, Wonder Wheel (fotografia) e Paolo Virzì, The Leisure Seeker (realização)
Nastro ArgentoVivo cinema&ragazzi: Gabriele Salvatores, Il Ragazzo Invisibile - Seconda Generazione
Nastro alla Carriera: Gigi Proietti
Prémio Nino Manfredi: Claudia Gerini, Ammore e Malavita e A Casa Tutti Bene
Outros Prémios: Gatta Cenerentola, de Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Alessandro Rak e Dario Sansone
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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Liliane Montevecchi

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1932 - 2018
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Matt Cappotelli

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1979 - 2018
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Steve Ditko

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1927 - 2018
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Harlan Ellison

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1934 - 2018
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Indivisible (2017)

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"Dreamers", Sem Direitos e Sem Família de Hilary Linder (EUA/Brasil/Colômbia/México) é um documentário que se centra na dinâmica das gerações de jovens que chegados aos Estados Unidos ilegalmente acompanhados pelos seus pais e demais família estão, neste momento, afastados dos mesmos após a sua deportação para os seus países de origem. Num processo de luta constante para que o seu estatuto seja regularizado no país que hoje já consideram seu como também numa forma de poder fazer regressar os seus familiares agora distantes, este documentário revela toda a acção de um grupo de jovens preso num limbo institucional que os faz sentir apátridas... nem do país que hoje chamam de seu... nem daquele de onde um dia partiram.
Num olhar pertinente e oscilante entre o jogo legal que estes jovens associados numa organização de defesa dos seus direitos encetam e aqueles momentos de drama pessoal em que o espectador conhece as suas realidades desde a chegada a um país com uma língua diferente, os seus sonhos e ilusões de criança, a sua entrada na escola e sucessiva formação académica sem esquecer que a junção de todos estes elementos contribuiu de forma decisiva para que o seu país natal mais não fosse do que uma miragem, Indivisible capta com uma seriedade desarmante todo um drama vivido numa solidão constante onde, mesmo na companhia dos seus semelhantes, se sente que todos eles pertencem a um limbo legal e institucional que os afasta de uma vida vivida em pleno.
Em Indivisible encontramos então estes jovens que sonham com a sua situação legalizada nos Estados Unidos de forma a poderem estudar, trabalhar e não recear uma sempre presente possibilidade de deportação e, por outro lado, a incapacidade e inactividade de quem governa em resolver definitivamente esta situação. Sem que se cumpram os seus sonhos, ambições, desejos e uma reunião familiar definitiva, o espectador assiste também ao seu instável regresso - enquanto "turistas" - a um país que já não consideram seu (seja ele o México, o Brasil ou a Colômbia dos três protagonistas do documentário), e em todas as situações com que se deparam no país de origem o espectador não encontra nos seus rostos ou comportamentos uma qualquer identificação ou compreensão de rituais ou momentos que, na realidade, nunca fizeram parte do seu imaginário ou quotidiano. Perdidos entre origem e destino, entre duas línguas, duas famílias - a sua e a que foram obrigados a "encontrar" para não serem seres totalmente solitários no país que os "acolheu" -, todos estes jovens encontram as suas vidas adiadas e por cumprir num processo legal que se arrasta e (à data de hoje) se encontra cada vez mais complicado e turbulento... novamente por questões legais e políticas.
Dos momentos emocionantes dos seus relatos e da caracterização das suas vidas àqueles em que reencontram as suas mães junto ao muro da vergonha na fronteira com o México ou mesmo no regresso aos seus países, Indivisible prima pela capacidade de transmitir ao espectador aquele sentimento de impotência ao encontrar famílias divididas e desfeitas separadas por uma barreira de ferro impossibilitando a convivência saudável e natural de famílias, incapacitando-as de progredir, evoluir e transformar-se naturalmente e demarcando territórios que (naturalmente) não têm quaisquer separações. Intenso, emotivo, pertinente, actual e até mesmo revoltante ao ponto de indignar o espectador, Indivisible é o documentário que fazia falta para compreender o lado humano que está para lá de qualquer definição política que possa "explicar" esta questão central da actualidade dos Estados Unidos da América.
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8 / 10
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Saturn Awards 2018: os vencedores

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Decorreu na passada noite em Burbank, na California, a quadragésima-quarta edição dos Saturn Awards que coroaram Black Panther, de Ryan Coogler como o mais premiado da noite arrecadando, entre outros, os troféus de Comic-a-Filme, Realização e Actriz Secundária.
São os vencedores:
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Comic-a-Filme: Black Panther, de Ryan Coogler
Filme de Ficção Científica: Blade Runner 2049, de Denia Villeneuve
Filme de Fantasia:
The Shape of Water, de Guillermo del Toro
Filme de Terror:
Get Out, de Jordan Peele
Filme de Acção / Aventura:
The Greatest Showman, de Michael Gracey
Thriller:
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh
Filme Independente: Wonder, de Stephen Chbosky
Filme de Animação: Coco, de Lee Unkrich e Adrian Molina
Filme Internacional: Baahubali 2: The Conclusion, de S. S. Rajamouli (Índia)
Realização: Ryan Coogler, Black Panther
Actor: Mark Hamill, Star Wars: The Last Jedi
Actriz:
Gal Gadot, Wonder Woman
Actor Secundário:
Patrick Stewart, Logan
Actriz Secundária:
Danai Gurira, Black Panther
Intérprete Jovem:
Tom Holland, Spider-Man: Homecoming
Argumento: Rian Johnson, Star Wars: The Last Jedi
Montagem: Bob Ducsay, Star Wars: The Last Jedi
Música: Michael Giacchino, Coco
Design de Produção: Hannah Beachler, Black Panther
Guarda-Roupa: Jacqueline Durran, Beauty and the Beast
Caracterização:
Joel Harlow e Ken Diaz, Black Panther
Efeitos Especiais Visuais: Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner e Dan Sudick, Guardians of the Galaxy Vol. 2
Special Achievement Award: Don Mancini
Producers Showcase Award: Jason Blum
Dan Curtis Legacy Award: Sarah Scheechter
Filmmakers Showcase Award: Jake Kasdan
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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Dead Zone (2013)

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Dead Zone de Brian Binder (EUA) - também autor do argumento - é uma curta-metragem que revela a história de um jovem isolado (Tyler Alverson), num mundo devastado por uma qualquer epidemia e que espera por encontrar o cão que perdeu como última forma de ter um qualquer contacto com o mundo tal como o conhecera. As suas instruções foram breves... nunca se afastar do bunker em que reside - uma gruta -, nunca se cruzar com os corvos - misteriosos guardiões do espaço em que se encontra - e finalmente não entrar na "dead zone"... o espaço a que antes haviam chamado de casa. Irá ele resistir neste novo mundo?
Inúmeros são os filmes - curtos e não só - que se dedicam a este imaginário de fim-do-mundo ou de mundo pós destruição. Muitas são também as boas vontades e o gosto que o género exerce sobre não só fãs do mesmo como naqueles que desejam começar a sua carreira cinematográfica com estas histórias capazes de fazer despertar no espectador um gostinho pelo "como seria?" inerente a estes contos. No entanto, e ainda que reinem as boas intenções naqueles que as constroem com toda a sua dedicação, nem sempre o resultado final é ou o esperado ou o melhor.
Sem qualquer condescendência para com o trabalho de Brian Binder e de toda a sua equipa envolvida na construção deste filme curto, a realidade é que aquilo que aqui é apresentado já foi filmado, visto e revisto vezes sem conta e com mais criatividade ou primor na sua execução. A história... não é desconhecida.
Num mundo do qual poucas referências obtemos, apenas um sobrevivente e alguns tipos que o perseguem (pensamos), com o fim último de o exterminar. Afinal, o que existirá para lá daqueles morros e marcos de "segurança" que foram, em tempos, apresentados ao nosso protagonista como o último reduto de uma qualquer salvação pela qual espera? Deambulando por uma espaço desconhecido e com o propósito de encontrar uma companhia que perdera - o seu cão - e que escuta constantemente - delírio ou não nunca saberemos -, o actor principal desta curta-metragem, ainda que convincente dentro do género, necessitava de um aprofundamento do seu carácter e estado de espírito que aqui se resume ao já conhecido em tantos outros filmes do género... Tudo se resume ao "até que ponto aguenta alguém num mundo que aparenta estar deserto"... Até que ponto resiste a mente humana a uma solidão da qual parece não escapar?
Com uma maior e melhor coordenação não só do argumento como dos actores dos quais poderia ter sido explorado mais das suas motivações ou do seu ânimo - que aqui se resume a breves momentos em que a expressão facial tudo revela -, Dead Zone poderia ter surgido ao espectador como uma curta-metragem melhor conseguida e que deixasse mais mistério, suspense ou até mesmo incerteza sobre o que existe para lá daqueles montes e até que ponto existiria a própria Humanidade se o último habitante "limpo" perdesse o controlo sobre as suas emoções ou livre pensamento. Interessante pela abordagem, pela clara vontade em contar uma boa história e pelo prenúncio de interpretações que tinham mais sumo para ser espremido, Dead Zone mantém-se pelo seguro e não arrisca para alcançar aquilo que poderia ter sido.
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5 / 10
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Enchufados (2017)

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Enchufados de Sadie Duarte (Espanha) é uma curta-metragem que revela um pequeno momento na vida dos funcionários de uma empresa onde todos procuram um ambiente cordial... até surgir a próxima promoção.
Alfredo (Paco Arévalo) é o funcionário mais antigo da Blown Away. Como todos, procura o seu momento de glória e em que possa disfrutar de anos de dedicação. Mas, o que acontecerá se todos procurarem a mesma promoção que ele? Está Alfredo ainda "dentro do prazo" deste impiedoso mundo laboral?!
Com leves rasgos de humor, o argumento da autoria da realizadora tenta de forma agridoce, retratar um pouco da comunidade laboral tal como - de certa forma - todos a conhecemos; convenientemente simpática e agradável mas, a seu tempo implacável e traiçoeira à procura do próximo passo em falso. E é num passo em falso que esta curta-metragem realmente cai...
Enchufados poderia ser muito facilmente um daqueles episódios d'Os Malucos do Riso que todos nós vimos em criança. Mas, se nessa altura as piadas fáceis e de certa forma gratuitas que a trupe de Guilherme Leite fazia chegar ao espectador até conseguiam retirar alguns sorrisos, a realidade é que hoje, pensando um pouco melhor nas graçolas sem graça que nos eram apresentadas... o sentido de comédia fugiu repentinamente... E assim nos encontramos com a curta-metragem de Sadie Duarte capaz de fazer tremer o mais ingénuo mas incapaz de se afirmar com algum humor inteligente ou até mesmo sentido que se fizesse destacar por entre as inúmeras curtas-metragens que tentam o género... e quase sempre de forma precária.
Que o mundo laboral é mordaz e pronto para fazer cair o próprio sucesso... já todos nós o sabemos. Que os colegas que se fazem passar por (falsos) "amigos"... também já todos nós os conhecemos... Mas quando se tenta contar uma história destas caindo repetidas vezes na mesma fórmula gasta e sem graça, o erro não é do espectador incapaz de sorrir com esta gratuitidade de momentos mas sim de um contador de histórias nem sempre inspirado para retirar mais e melhor de um conto que já foi visto, filmado, retido e desgastado vezes sem conta. As piadas - sem graça - ditas como se fossem a última anedota do mundo e que todos iam apreciar consegue sim retirar um sorriso porque são - de facto - as últimas que o espectador espera escutar numa história assumidamente previsível e sem qualquer conteúdo que a faça destacar entre todas as demais.
Primária e até certa ponto a tocar no enfadonho, Enchufados prima por um humor carnavalesco que todos aprendemos desde muito cedo a ignorar e a desejar que passe rápido para que não tenhamos de forçar o rosto a reter uma expressão de contentamento que simplesmente não se encontra por lá.
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1 / 10
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Didáskale (2018)

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Didáskale de Juan Manuel Clausell (Espanha) é uma curta-metragem que dá corpo a uma viagem entre o passado e o presente num choque de mentalidades e referências das épocas temporais que atravessa.
Com um momento inicial em que dois filósofos da Antiguidade clássica reflectem sobre o tempo e sobre o contributo do seu pensamento para a sociedade, Didáskale reflecte sobre a viagem de um desses filósofos através de tempos que são, para si, desconhecidos, descobrindo-os enquanto eles marcam aqueles que neles "vivem". Assim, levantam-se as questões existenciais... o que é o amor? O que é a religião? Por que objectivos vivem os Homens? Existe (existirá?) moral com o passagem do tempo?
Ainda que repleto de um conjunto de questões morais e filosóficas sobre a essência da Humanidade, esta curta-metragem priva-se de uma sólida construção deixando-se levar pelas questões relevantes colocadas de uma forma moral e quase condenatória daqueles que o tempo - dele (filósofo) e nosso (na actualidade) - parece agora fazer viver. A falta de isenção deste trabalho - a mensagem ainda que actual e pertinente falha no imediato julgamento do tempo social e dos seus intervenientes - provoca o imediato repúdio do espectador na medida em que todas as observações sociais e temporais que aqui se pretendem retratar revelam não só algum amadorismo na sua concepção como, sobretudo, uma falta de imparcialidade na execução de uma observação não participante. De forma mais resumida, se o conteúdo central desta história parece até ser pertinente na forma como poderia revelar o que seria - aos olhos de alguém da Antiguidade - uma falta de valores morais observada com curiosidade empírica, Didáskale revela sim a própria condenação do realizador sobre aquilo que este acha como incorrecto num mundo onde os valores estão perdidos e a Humanidade vive pela força de bens materiais que corrompem e retiram a essência ao Homem de uma forma geral. Ainda que possa ser verdade... como sabê-lo na mente de quem nunca experimentou aquilo a que hoje "todos" temos acesso?
Didáskale é ainda uma curta-metragem extremamente frágil no que diz respeito a elementos técnicos começando logo pela sua captação de som que mais parece experimental e elaborada a título de ensaio do que propriamente a execução final de um filme que se perdeu no exacto momento em que teve a sua origem transformando-e em algo banal, pouco prudente na análise que, não existe, e por momentos snob na aparente isenção de julgamentos que se acumulam a cada segundo.
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1 / 10
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domingo, 24 de junho de 2018

FEST - New Directors New Films Festival 2018: os vencedores

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Terminou hoje mais uma edição do FEST - New Directors New Films Festival que decorreu em Espinho desde o passado dia 18 de Junho e que culminou com o anúncio dos vencedores nas mais diversas categorias.
São eles:
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Lince de Ouro
Longa-Metragem de Ficção: Lemonade, de Ioana Uricaru
Menções Honrosas: I'm Not a Witch, de Rungano Nyoni e Vinterbrødre, de Hlynur Palmason
Documentário Longa-Metragem: Sand and Blood, de Mathias Krepp e Angelika Spangel
Menção Honrosa: Lupo, de Pedro Lino
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Lince de Prata
Curta-Metragem de Ficção: Excuse Me, I'm Looking for the Ping Pong Room and My Girlfriend, de Bernhard Wenger
Menção Honrosa: La Casa del Árbol, de Juan Sebastián Quebrada
Documentário Curta-Metragem: Dust, de Jabuk Radej
Menção Honrosa: Conection, de Horizoe Garcia Miranda
Curta-Metragem de Animação: Oh Mother!, de Paulina Ziolkowska
Menção Honrosa: A Cat's Consciousness, de Andrea Guizar
Curta-Metragem Experimental: Home Exercises, de Sarah Friedland
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Grande Prémio Nacional
Curta-Metragem Portuguesa: Água Mole, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires
Menções Honrosas: Fidalga, de Flávio Ferreira e Uma Formiga, de João Veloso
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Prémio do Público Cineuropa
Longa-Metragem: Lupo, de Pedro Lino
Curta-Metragem: Snake, de Titas Laucius
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NEXXT
Curta-Metragem: Parallaxe, de Aline Magrez
Menção Honrosa: 212, de Boaz Frankel
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Festinha
Prémio Sub6: Achoo, de Lucas Boutrot, Élise Carret, Maoris Creantor, Pierre Hubert, Camille Lacroix e Charlotte Perroux
Prémio Sub12: Fruits of Clouds, de Katerina Karhánková
Prémio Sub16: Mele Murals, de Tadashi Nakamura
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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Vinnie Paul

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1964 - 2018
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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Prix Lumière 2018 - a galardoada

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O Prémio Lumière foi criado por Thierry Frémaux e Bertrand Tavernier para celebrar a carreira de uma personalidade do cinema em Lyon, no mesmo local onde o cinematógrafo fora inventado por Louis e Auguste Lumière e onde filmaram a sua primeira obra La Sortie de l'Usine Lumière à Lyon (1895), numa forma de agraciar artistas com uma distinção que reflecte o tempo, a gratidão e admiração de todos.
Em 2018, o Prémio Lumière é entregue à actriz norte-americana Jane Fonda, sucedendo a Wong Kar.wai, Catherine Deneuve, Martin Scorsese, Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino, Ken Loach, Gérard Depardieu, Milos Forman e Clint Eastwood. O Lumière é-lhe assim entregue "pela carreira composta por colaborações com Sidney Pollack, Arthur Penn, René Clément ou Roger Vadim; pela sua vontade em dar corpo a uma forte independência desde jovem idade, exemplificada em obras com A Doll's House, de Joseph Losey ou Julia, de Fred Zinnemann; pela sua singular personalidade que a inspirou em escolher personagens poderosas e politicamente comprometidas como em The China Syndrome, de James Bridges ou Klute, de Alan J. Pakula (pela qual venceu o seu primeiro Oscar), ou Coming Home, de Hal Ashby (o seu segundo Oscar). Vencedora de diversos troféus (Globos de Ouro, Emmy, BAFTA, entre outros), brilhou na galáxia Hollywood sem nunca comprometer as suas convicções".
Símbolo de árduas batalhas pela liberdade, anti-racismo e pela paz bem como uma vanguardista em ideais, Jane Fonda será ainda figura central de um documentário realizado por Susan Lacy sobre a sua vida e obra a ser exibido durante o festival e onde será ainda efectuada uma retrospectiva do legado da família bem como uma homenagem ao pai, o actor Henry Fonda.
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Com uma carreira iniciada no início da década de '60 em Tall Story, de Joshua Logan ao qual se seguiram Walk on the Wild Side (1962), de Edward Dmytryk, The Chapman Report (1962), de George Cukor, Period of Adjustment (1962), de George Roy Hill, In the Cool of the Day (1963), de Robert Stevens, Sunday in New York (1963), de Peter Tewksbury, Les Félins (1964), de René Clement, La Ronde (1964), de Roger Vadim, Cat Ballou (1965), de Elliot Silverstein, The Chase (1966), de Arthur Penn, La Curée (1966), de Roger Vadim, Any Wednesday (1966), de Robert Ellis Miller, Hurry Sundown (1967), de Otto Preminger, Barefoot in the Park (1967), de Gene Saks, Histoires Extraordinaires (1968), de Federico Fellini, Louis Malle e Roger Vadim, Barbarella (1968), de Roger Vadim e finalizando a década com They Shoot Horses, Don't They? (1969), de Sydney Pollack.
Klute (1971), de Alan J. Pakula seria a sua primeira obra da década de '70 - tendo ganha o seu primeiro Oscar -, seguindo-se-lhe Tout Va Bien (1972), de Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, Steelyard Blues (1973), de Alan Myerson, A Doll's House (1973), de Joseph Losey, The Blue Bird (1976), de George Cukor, Fun with Dick and Jane (1977), de Ted Kotcheff, Julia (1977), de Fred Zinnemann, Coming Home (1978), de Hal Ashby - segundo Oscar de Melhor Actriz -, Comes a Horseman (1978), de Alan J. Pakula, California Suite (1978), de Herbert Ross terminando a década com The China Syndrome (1979), de James Bridges e The Electric Horseman (1979), de Sydney Pollack.
A década de '80 começaria com a sua participação em Nine to Five (1980), de Colin Higgins, On Golden Pond (1981), de Mark Rydell - no qual recebera uma nomeação ao Oscar de Actriz Secundária e que valeria ao seu pai o Oscar de Melhor Actor -, Rollover (1981), de Alan J. Pakula, Agnes of God (1985), de Norman Jewison, The Morning After (1986), de Sidney Lumet e finalmente Old Gringo (1989), de Luis Puenzo. A década de '90 ficaria marcada por uma única participação cinematográfica em Stanley & Iris (1990), de Martin Ritt regressando quinze anos depois em 2005 com Monster-in-Law, de Robert Luketic seguido de Georgia Rule (2007), de Garry Marshall, Et si on Vivait Tous Ensemble? (2011), de Stéphane Robelin, Peace, Love & Misunderstanding (2011), de Bruce Beresford, The Butler (2013), de Lee Daniels, Better Living Through Chemistry (2014), de Geoff Moore e David Posamentier, This Is Where I Leave You (2014), de Shawn Levy, Youth (2015), de Paolo Sorrentino, Fathers & Daughters (2015), de Gabriele Muccino, Our Sould at Night (2017), de Ritesh Batra e finalmente Book Club (2018), de Bill Holderman.
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O 10º prémio Lumière será entregue à actriz no próximo dia 19 de Outubro na Salle 3000 no Centro de Conferências de Lyon, em França.
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Koko

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1971 - 2018
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MTV Movie & TV Awards 2018: os vencedores

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Foram entregues a noite passada os MTV Movie & TV Awards numa cerimónia realizada em Santa Monica, na California, e para os quais Black Panther e Stranger Things se destacavam como os mais nomeados em Cinema e Televisão respectivamente.
São os vencedores:
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Cinema
Filme: Black Panther, de Ryan Coogler
Documentário Musical: Gaga: Five Foot Two, de Chris Moukarbel
Interpretação: Chadwick Boseman, Black Panther
Interpretação Comédia: Tiffany Haddish, Girls Trip
Elenco: Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Jaeden Lieberher, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Jeremy Ray Taylor e Chosen Jacobs, It
Herói: Chadwick Boseman, Black Panther
Vilão: Michael B. Jordan, Black Panther
Beijo: Nick Robinson e Keiynan Lonsdale, Love, Simon
Luta: Wonder Woman (Gal Gadot) versus Soldados Alemães, Wonder Woman
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Televisão
Série: Stranger Things (Netflix)
Interpretação: Millie Bobby Brown, Stranger Things
Interpretação Mais Assustadora: Noah Schnapp, Stranger Things
Scene Stealer: Madelaine Petsch, Riverdale
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Honorário
Generation Award: Chris Pratt
Trailblazer Award: Lena Waithe
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segunda-feira, 18 de junho de 2018

XXXTentacion

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1998 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #102

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Para a sessão #102, o Shortcutz Viseu faz chegar à cidade uma extensão do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu na capital entre o final do mês de Abril e o início do mês de Maio passados.
Durante a sessão serão exibidas cinco curtas-metragens que saíram vencedoras desta edição do IndieLisboa sendo elas Drzenia, de Dawid Bodzak (Polónia) - Prémio Escolas -, Matria, de Álvaro Gago (Espanha) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Ficção -, Rabbit's Blood, de Sarina Nihei (Japão) - Prémio Turismo de Macau de Melhor Animação -, Solar Walk, de Réka Bucsi - Grande Prémio de Curta-Metragem - e Stay Ups, de Joanna Rytel (Suécia) - Prémio do Público.
A sessão #102 irá decorrer no próximo dia 22 de Junho na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea, em Viseu a partir das 22 horas com entrada livre até lotação da sala.
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sábado, 16 de junho de 2018

Martin Bregman

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1926 - 2018
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quarta-feira, 13 de junho de 2018

ASEI - Globo d' Oro 2018: os vencedores

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Foram anunciados os vencedores dos Globo d'Oro entregues anualmente pela Associazione della Stampa Estera in Italia numa cerimónia que se realizou na Villa Medici, em Roma.
São os vencedores:
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Filme: L'Intrusa, de Leonardo Di Costanzo
Grande Prémio: L'Esodo, de Ciro Formisano
Primeira Obra: Maria per Roma, de Karen do Porto
Comédia: Ammore e Malavita, de Manetti Bros.
Documentário: Caravaggio: The Soul and the Blood, de Jesús Garcés Lambert
Curta-Metragem: Stai Sereno, de Daniele Stocchi
Menção Honrosa: Numeruomini, de Gianfranco Ferraro
Actor: Toni Servillo, La Ragazza nella Nebbia e Luca Marinelli, Una Questione Privata
Actriz: Paola Cortellesi, Come un Gatto in Tangenziale
Argumento: Donato Carrisi, La Ragazza nella Nebbia
Fotografia: Fabrizio Lucci, The Place
Música: Pino Donaggio, Dove Non Ho Mai Abitato
Carreira: Gianni Amelio
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Sand & Blood (2017)

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Sand & Blood de Matthias Krepp e Angelika Spangel (Áustria/Iraque/Síria) é um dos documentários presente na competição oficial pelo Lince de Ouro do FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho a partir da próxima semana.
Este documentário é elaborado com um conjunto de testemunhos de cidadãos sírios e iraquianos presentes em campos de refugiados na Áustria - nunca identificados -, enquanto o espectador visiona, ao mesmo tempo, imagens dos seus países após a ocupação americana do Iraque em 2003 e demais consequências desse acto.
De forma lúcida e acutilante, todos eles reflectem sobre o passado vivido, sobre a sua juventude perdida face às guerras pelas quais os seus países atravessaram e ainda a possibilidade (ou inexistência) de um conjunto de sonhos porvir.
Dividido entre três capítulos e um epílogo, Sand & Blood inicia o seu relato com o segmento Saddam's Long Shadow onde se reflecte sobre a vida antes e depois da regência de Saddam Hussein e de todas as transformações provenientes com a invasão norte-americana do território considerado como o princípio do fim. Invadido que estava o país e dividida a sua população entre aqueles que ansiavam a esperança de uma liberdade desconhecida e os que viam nesta nova forma de vida o fim de uma aparente "tranquilidade" vivida, este segmento é marcado - e recebe o seu título - pelas palavras do ditador sobre o país posterior à sua governação... apenas restaria sangue... e areia. De destaque ainda o surgimento dos primeiros movimentos extremistas, incluindo terroristas, que se fixaram inclusive com o apoio de uma parte da população descontente com a ocupação estrangeira.
O segundo capítulo, God Syria Freedom, refere-se tal como o próprio título indica, na Síria, e tem o seu início em 2011 quando os movimentos emergentes da Primavera Árabe deram lugar a um conflito civil que se alastra até aos nossos dias deixando várias cidades do país completamente destruídas e obrigando a população a uma fuga em massa.
O terceiro e quarto capítulos intitulados The War of Sects e The Path of Jihad referem-se directamente às constantes lutas de poder entre as várias etnias e principalmente entre os diversos grupos terroristas que têm vindo a ocupar as cidades que conquistam em ambos os países - ultimamente menos no Iraque -, evidenciando também as acções de todas as "facções" no recrutamento desde cedo das crianças que endoutrinam nas diversas ideologias de forma a que se sinta sempre presente a constante divisão e a existência de dois "lados" criando, dessa forma, ódios, distanciamentos e a separação daqueles que anteriormente eram considerados amigos ou até mesmo família deixando inclusive, uma forte instabilidade na sociedade, na estrutura das comunidades e ainda na parca formação política que poderá existir.
Finalmente no Epílogo ou Paradise que fica marcado, ainda que por parcas palavras, uma vontade extrema de uma outra vida. Uma em que a família está próxima e não em territórios, ou até mesmo países, distantes. Uma vida em que a juventude pudesse ser vivida como tal e na compreensão de que chegam a um país diferente, num continente diferente com uma população habituada a escutar aquilo que as suas cidades hoje representam e que a imagem criada sobre eles - refugiados - pode não lhes ser totalmente benéfica.
A emotividade de Sand & Blood chega não tanto pelos relatos desencantados destes refugiados que, compreensivelmente, nunca revelam os seus rostos, mas sim pelas imagens não editadas de todo um descalabro de um país e de uma sociedade que saiu forçadamente de um processo de regime ditatorial para um em que os movimentos extremistas se revelaram uma força dominante no mesmo, ou seja, em vez da ditadura de "um" que todos consideravam perigosa encontramos agora a ditadura de "todos" (não uma anarquia mas sim resultante da proliferação dos diversos grupos extremistas que agora co-habitam o país) que foi instaurada como fruto da desordem provocada pela invasão norte-americana (no Iraque) e pela vontade de uma liberdade fruto da Primavera Árabe (na Síria), totalmente desvirtualizada quando deixada nas mãos daqueles que procuram um controlo tão ou mais bárbaro do que os ditadores que ocupam - ou ocupavam - o poder há várias décadas. É através destas imagens que compreendemos toda a decadência de um país e, principalmente, de um povo que se deixou levar pelas boas intenções de uma esperança em liberdade mas que caiu nas malhas de uma perigosa rede sedenta de poder que destruiu todas as suas ambições levando-lhes os seus pertences, essa mesma esperança e sobretudo os seus sonhos e muitos dos seus entes mais próximos. Aí, nesse brevíssimo epílogo residem as verdadeiras emoções de histórias de vidas reais que tudo revelam por poucas palavras que, no entanto, o espectador desejaria ter visto ainda mais exploradas apesar de todo o "acompanhamento" na primeira pessoa ao longo de todo o documentário.
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8 / 10
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Lupo (2018)

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Lupo de Pedro Lino (Portugal) é um documentário presente na competição pelo Lince de Ouro no FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho a partir da próxima semana.
Quem foi Rino Lupo? Para onde foi? Qual a sua obra e o seu percurso cinematográfico? Numa obra que se estende por aproximadamente noventa minutos, Lupo centra-se num ensaio de factos verídicos e algumas suposições que permitem ao realizador, e para o espectador, tecer algumas considerações sobre o destino do realizador luso-italiano que deixou obra não só em Portugal como também em diversos países europeus como Itália, Rússia, Dinamarca, Polónia, Alemanha, França e Espanha.
Iniciando a sua dramatização em Fevereiro de 1884 aquando do nascimento de Cesare Augusto Lupo em Roma, sabemos que iniciou um breve percurso cinematográfico no seu país de nascimento antes de partir rumo à Alemanha onde desenvolveu a sua primeira longa-metragem baseada na amizade de dois soldados - um francês e um alemão - durante a Primeira Guerra Mundial. Com o eclodir da guerra parte para a Dinamarca e daqui para Moscovo onde permanece até aos primeiros instantes da Revolução Russa tendo abandonado o país devido à extrema pobreza sentida, facto que constatou também na Polónia para onde se dirigira onde escuta pela primeira vez comentários sobre os primeiros passos do cinema em Portugal.
Chegado ao Porto - cidade percursora do cinema no país - onde funda a Invicta Filmes, empresa capaz de competir com as suas congéneres europeias e a maior da Península Ibérica e com a qual produz Mulheres da Beira (1923), a história de "Ana" (Brunilde Júdice), uma mulher que se apaixona fora da sua condição social e que por um amor não correspondido acaba por se suicidar.
No mesmo ano, e agora produzido pela Iberia Film, chegam Os Lobos, a primeira obra conhecida do cinema português que pode ser considerada etnográfica tendo, no entanto, sido um desastre financeiro e público fazendo com que Lupo se dirija a Madrid onde realiza Carmiña, Flor de Galicia em 1926 que surge como uma réplica de Mulheres da Beira mas com um final feliz onde o amor vence.
Para sentir os efeitos dos "loucos anos 20", Lupo regressa a uma Lisboa povoada por uma faixa etária mais jovem boémia que "almoços tardios e espectáculos de travestis no Trindade, danças exóticas no Teatro Variedades no Parque Mayer e chá com cocaína no Bristol", na qual prepara a sua longa-metragem seguinte, O Diabo em Lisboa (1928) que lança uma então desconhecida Beatriz Costa.
Deste primeiro segmento em que conhecemos um pouco do percurso do realizador, Lupo lança-se numa inesperada odisseia ao retratar e revelar algumas das salas de cinema desaparecidas ou "recicladas" do norte do país bem como uma ainda mais surpreendente visita ao interior do Cinema Odeon, em Lisboa - do mesmo oferecida uma panorâmica como último segmento do documentário partindo depois para um exterior geral da capital -, onde o espectador conhece o trágico destino de algumas das salas esquecidas do país e que tanta luz, cor e vida tiveram noutros tempos. Eventualmente o segmento mais trágico - pela sua condição - como nostálgico de todo este documentário, Lupo oscila entre estes dois momentos em que primeiramente se expõe um dos impulsionadores dos primeiros momentos do cinema português e que realizou obras emblemáticas do mesmo como os já referidos Mulheres da Beira, Os Lobos, Fátima Milagrosa ou até mesmo José do Telhado (1929) a sua obra mais controversa amada pela público e injuriada pela crítica pouco receptiva à mesma, e finalmente este relato das salas agora abandonadas à sua sorte (essa sim francamente trágica) algumas por onde estas obras passaram e que agora se limitam a um silêncio ensurdecedor ou realização de eventos que nada dignificam as paredes das mesmas.
E enquanto se celebra a obra e a sua importância no panorama artístico nacional, fora esquecido o homem. Rino Lupo desaparecera misteriosamente do país - facto que leva a que um dos comentários iniciais aproxime o espectador de um documentário baseado em suposições e conjunturas -, para finalmente ser revelado que no início da década de '30 este já se encontrava na sua Roma natal onde conhecera a sua filha de um primeiro casamento, seguindo depois em 1932 para a UFA em Berlim e finalmente regressando a Roma - em data incerta - onde viria a falecer em Janeiro de '36.
Com alguma dessa suposição (da equipa do documentário), ilustrado com comentários e também descobertas de alguns dos seus netos e documentação dos locais por onde passou dos filmes que realizou e das suas breves interpretações cinematográficas, Lupo expõe o homem realizador como uma figura incontornável sim, mas ao mesmo tempo como um homem misterioso, de paixões mas secreto, contido e esquivo deixando uma marca por onde passa mas não um grande número de factos que o coloquem durante muito tempo no mesmo espaço. Inquieto e com uma enorme vontade de criar mas reticente na sua presença - de facto - pelos locais e até mesmo pelas pessoas. Rino Lupo era um homem de um tempo "mais à frente", que cativava e sabia lidar com um mundo em completa transformação mas que, infelizmente, desapareceu cedo demais.
Cativante, francamente instintivo e a funcionar como um objecto de homenagem ao cinema e ao homem no cinema, Lupo é um documentário fascinante pela perspectiva história - mais ou menos verídica... com momentos ficcionados para os quais o espectador é devidamente alertado -, e capaz de despertar o interesse para com a obra do realizador assim como para os inúmeros espaços de cinema que revelam o interesse do povo por uma cultura cinematográfica que pode(rá) estar adormecida mas com uma intensa vontade de despertar.
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Prix Jean Vigo 2018: os vencedores

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Criado com o intuito de destacar e premiar a originalidade, qualidade e independência da obra de um realizador, o 66º Prémio Jean Vigo foi atribuído este ano a dois realizadores; a primeira  obra de Jean-Bernard Marlin pela sua obra Shéhérazade que conta a história de "Zachary" (Dylan Robert), um jovem de dezassete anos recentemente saído da prisão e que após a rejeição da mãe se vê envolvido nos perigos das ruas de Marselha onde conhece a personagem "Shéhérazade" (Kenza Fortas). Com argumento do próprio realizador em colaboração com Catheriné Paillé, Shéhérazade foi premiada pela sua "excepcional direcção de actores, e pelo lirismo inerente que injecta no dilacerante realismo dos seus amantes na noite Marselhesa".
A segunda obra premiada foi Un Couteau dans le Coeur, de Yann Gonzalez que relata a relação conturbada entre "Anne" (Vanessa Paradis) uma produtora de pornagrafia gay e a sua companheira e editora "Loïs" (Kate Moran) na Paris de 1979. A obra de Yann Gonzalez foi premiada, segundo os jurados, pela forma "atenta e terna com que filma o cinema do género, bem como pela sua forma poética e artística".
Jean-Beranrd Marlin e Yann Gonzalez juntam-se assim a realizadores como Jean-Luc Godard, Maurice Pialat, Alain Resnais, Claude Chabrol, Philippe Garrel, Olivier Assayas, Bruno Dumont ou Laurent Cantet.
Finalmente o Prémio Jean Vigo para Curta-Metragem foi entregue a L'Ami du Dimanche, de Guillaume Brac e o Prémio Honorário entregue a Jean-François Stévenin pela sua "rica carreira enquanto intérprete tendo, ao mesmo tempo, demonstrado com apenas três filmes que é um grande realizador, livre e aventureiro como poucos outros".
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I Am Not a Witch (2017)

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I Am Not a Witch de Rungano Nyoni (Reino Unido/França/Alemanha) é uma das longas-metragens em competição no FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho na próxima semana.
Numa pequena comunidade africana, a jovem Shula de oito anos é acusada de bruxaria após estar no local onde ocorre um acidente. Posteriormente a sua comunidade acusa-a de bruxaria e, como resultado de um muito breve julgamento, é exilada pelo Estado para uma nova comunidade... de mulheres acusadas de bruxaria. Aí, uma fita branca é-lhe atada às costas tornando-se este o imediato controle dos seus movimentos que serão postos ao dispôr de um tutor que a utiliza para identificar os culpados dos mais diversos crimes.
A realizadora e argumentista Rungano Nyoni cria uma interessante e curiosa história longe das artimanhas de uma cidade cosmopolita mas que, ao mesmo tempo, revela todo um conjunto de hábitos e, até arrisco dizer, manhas típicas das mesmas onde a vontade de enriquecer e o lucro fácil fazem parte de um mundo que não é, afinal, tão distante de nós quanto poderíamos imaginar. I Am Not a Witch cedo deixa o espectador intrigado quando este observa um conjunto de turistas a chegar a um qualquer local isolado - ainda pouco perceptível - ao som de uma música clássica que, percebe, estar descontextualizada do universo que se prepara para conhecer. São estes mesmos turistas que pagam um bilhete para uma qualquer atracção turística que inicialmente não se compreende por parecer quase como algo circense num cenário improvável. No entanto, são as pequenas e breves descrições e observações que nos levam a compreender que nos encontramos num espaço onde a atracção turística é um conjunto de mulheres consideradas bruxas que apenas não (os) atacam porque estão presas a uma igualmente misteriosa fita branca.
Daqui, o espectador é transportado para uma qualquer outra comunidade onde da atracção turística passa para a realidade de uma África rural onde o modo de vida é totalmente distante deste mundo de "turismo" anteriormente apresentado. Aqui, são os velhos costumes e tradições já distantes desse turista Europeu ou Norte-Americano e encontramos velhos rituais e superstições que assumem a forma de costume, de lei e de justiça nem sempre imparcial. É aqui que encontramos a jovem "Shula", uma menina de oito anos acusada de bruxaria quando um acidente na aldeia ocorre na sua presença. Rapidamente levada para um tribunal onde é julgada na presença da polícia, da comunidade e do representante do Estado, "Shula" ao não admitir culpabilidade ou assumir inocência é condenada por um crime no qual (aparentemente) não havia estado envolvida. Ao ser ostracizada para a já mencionada comunidade de mulheres bruxas, "Shula" encontra neste conjunto de mulheres aquelas que irão ser as suas avós, mães, irmãs, amigas e confidentes que serão, no fundo, as que a irão inserir nos novos costumes enquanto agentes da justiça. Mas, algo mais está por detrás de todo este ritual de passagem...
Enquanto o espectador observa esta rápida inserção num novo mundo, enquadra-se igualmente a noção de que o mesmo é apenas uma forma mais subtil e matreira de encontrar uma mão-de-obra mais barata quando compreende que estas "mulheres bruxas" mais não são do que uma forma barata que o Estado tem de ter as suas terras lavradas, cultivadas, colhidas quando a produção já está preparada e, finalmente, encontrar um custo baixo quando surge a necessidade de encontrar uma decisão judicial que, pela falta de provas ou de agentes legais de uma justiça que não existe, se torna difícil de julgar de facto.
No entanto, ao mesmo tempo que o espectador assiste a esta pouco inocente similitude entre o dito Ocidente e esta África rural onde tudo aparente ser mais simples quando não o é, repetindo todo o tipo de esquemas que encontramos em qualquer destas cidades do dito primeiro mundo, não é menos real que "Shula" revela uma certa compreensão de que o mundo não será assim tão distante e, como tal, assumidamente global enquanto manifesta alguns comportamentos de que os ditames sobre si poderão não ser tão erróneos como aquilo que o espectador inicialmente havia pensado. Se "Shula" se deixa levar pelos encantos de uma nova comunidade na qual se sente inserida mas com o preço de pagar pelo espaço que lhe é reservado e acede a ser o juíz carrasco de certos casos que o Estado decide julgar, não é menos real que o seu comportamento, ainda que aparentemente ocasional, acaba por definir e decidir de forma acertada quando através de acções ou de palavras e promessas compromete e previne o comportamento daqueles que recorrem aos seus serviços. É com o passar do tempo e de forma muito subtil - talvez como uma verdadeira bruxa que nunca se assume na realidade - que o espectador assiste aos verdadeiros resultados da acção de "Shula", uma menina frágil, inocente e curiosa do que a rodeia a transformar-se em alguém cujas palavras ditam uma lei, pouco credível na opinião dos demais, mas certeira nos resultados práticos daquilo que afirma. E da mesma forma que as suas palavras se tornam reais no julgamento para os demais, cedo também se concretizam nas expectativas daquilo que espera para si... com a formação de chuva ou a audição de um bode que bale ao fundo sem ser, no entanto, visível. Aí o espectador compreende a existência de uma "Shula" como a verdadeira entidade com poder num mundo que o quer usar mas que não está preparado para as suas reais consequências. Um mundo que, no fundo, está tão corrupto como aqueles que no seu seio quer julgar mas que afinal, se julga detentor de uma moral corrompida e podre. "Shula" é assim um rosto inocente de uma justiça não oficial e que, farta de o incorporar, prefere a certo momento deixar dele fazer parte.
Curioso pela sua dinâmica enquanto história que funde por momentos a ficção com a realidade na proximidade que revela entre o choque do tribal com o urbano - principalmente na forma como ambos equacionam a noção de lei -, I Am Not a Witch é um daqueles filmes que cresce para o espectador à medida que o tempo decorre não só pela forma como se assume como uma interessante ironia sobre mundos tão distantes que, afinal, não o são assim como pela dinamização de uma história onde os costumes tribais assumem um lugar cimeiro e revelam (ao espectador) uma forma tão distinta de fazer justiça ou de vencer num mundo onde o dinheiro é também, afinal, o elemento mais importante da sociedade, sem esquecer a ligeira dramatização da história de uma criança e personagem central que ora não é aquilo de que a acusam... ora afinal se revela como alguém com uma presença magnânima capaz de enfrentar o mundo com muito mais certezas do que aquelas que o seu rosto permite transparecer... Ou será o universo que afinal chora pela desgraça de uma criança farta do mundo em que se encontra?!
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segunda-feira, 11 de junho de 2018

Vinterbrødre (2017)

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Vinterbrødre de Hlynur Palmason (Dinamarca/Islândia) é uma das longas-metragens presentes na Competição Oficial pelo Lince de Ouro do FEST - New Directors New Films Festival a decorrer em Espinho entre os próximos dias 18 e 25 de Junho.
Dois irmãos num mesmo ambiente de trabalho. Emil (Elliott Crosset Hove) e Johan (Simon Sears) fundem-se num conjunto de hábitos e rotinas que diariamente interpretam enquanto que, no seu seio, se fomenta não só uma violenta divisão quando disputam o amor da mesma mulher mas também entre eles e outra família após Emil ser responsabilizado e ostracizado pela morte de um dos seus.
O realizador e argumentista Hlynur Palmason recria neste conto de pouco mais de oitenta minutos a eterna história de disputa de irmãos e, ao mesmo tempo, a luta entre feudos opostos que pretendem estabelecer um qualquer domínio nas suas paragens afinal, não há tempo para medições fálicas que, curiosamente, são também aqui ligeiramente adaptadas à sua dinâmica. Tal como todas as tradicionais histórias nórdicas, também Vinterbrødre é um conto centrado num meio hostil inicialmente pelo próprio espaço gélido e enterrado num rigoroso Inverno como também pela própria dinâmica entre as diversas personagens que lentamente se revela tão gélida quanto a temperatura que se faz sentir "lá fora".
Tendo como pano de fundo uma atmosfera mineira e altamente masculinizada remetida para um espaço que aparenta distanciar-se da civilização tal como a conhecemos, os comportamentos entre as diversas personagens rapidamente se assumem de controlo, francamente físicas e com a presente tentativa de delimitação de território tal como presenciamos em breves mas distintos momentos onde o território é, literalmente, "marcado". Se a este conjunto de elementos juntar-se o facto de apenas termos uma única personagem feminina que é disputada dentro das mesmas quatro paredes, então aquilo que cedo podemos compreender desta história é que a ruptura entre os seus diversos intervenientes está prestes a acontecer e de forma relativamente violenta especialmente quando entende o espectador que tanto hormonas como testosterona colidem com os interesses individuais de cada um destes homens.
A união estabelecida entre este conjunto de homens, sendo ou não membros do mesmo grupo familiar, acaba por se transformar numa relação fraterna na medida em que convivem durante este longo período de tempo num mesmo espaço. Nenhum deles sai daquela comunidade para regressar à sua família - se é que a têm -, e todos confraternizam nos mesmos locais, entre si, conhecendo-se minuciosamente ao ponto de se amarem e odiarem em igual medida. Entre todos, é "Emil" que se destaca como o elemento marginal de todo este grupo não só porque parece ser aquele que desespera por uma vida diferente - concretize-se ela de que forma seja -, que (des)espera por alguém que o ame vendo essa possibilidade ser-lhe retirada quando o seu irmão se manifesta interessado na mesma mulher que ele e, finalmente, quando se incompatibiliza no local de trabalho com patrão e colegas que rapidamente o colocam como o elemento indesejado naquele espaço e, futuramente, também ao próprio irmão.
É então esta vontade de ser (ou ter) algo mais manifestada por "Emil" que o lança na sua própria espiral de decadência - principalmente psicológica -, tornando-se mais violento no seu habitat para com todos aqueles com quem convive e principalmente com o seu "eu" ao revelar-se incapaz de se manter tranquilo num espaço e incompatibilizando-se com tudo ao seu redor evidenciando, ao mesmo tempo, todo um comportamento para-militarizado como a única forma de se impôr e afirmar num ambiente que lhe é cada vez mais adverso. No entanto, é a execução dramática de Vinterbrødre que poderá afastar o espectador da sua história, centrando-se mais na capacidade de tentar relacionar-se com as suas personagens (nem sempre fácil) e observando com mais detalhe o ambiente em que se encontram perdendo-se, dessa forma, daquilo que acontece com as mesmas.
Assim, estes "irmãos de Inverno" - tradução literal do título desta longa-metragem numa clara alusão a esta irmandade temporária que ali se forma -, centra-se portanto na dinâmica de um elemento com o seu grupo primário e com a comunidade em que se encontra "inserido" (nunca totalmente), esquecendo - o argumento - a profundidade desta personagem lançando-a numa nem sempre justa avaliação por parte do espectador que observa as suas acções individuais e em grupo distanciando-se da sua aparente perda de noção e de consciência que rapidamente considera como fruto de alguém prepotente, individualista e até mimado não querendo preocupar-se com aquilo que (talvez) está inerente nas mesmas, ou seja, um crescente desespero por ser alguém dentro desse grupo e não apenas um dos seus membros que, sem essa loucura, seria anónimo para o mesmo e principalmente em relação àquele com quem mantém o maior conflito pessoal... o seu irmão.
Interessante se o espectador se preocupar em aprofundar mais para além daquilo que é oferecido - afinal, é nos pequenos e subtis detalhes que se encontra toda uma história por explorar - e pela sua belíssima direcção de fotografia da autoria de Maria von Hausswolff que capta toda uma luminosidade própria de um Inverno solitário mas, pelo já mencionado, Vinterbrødre é uma daquelas longas-metragens difíceis de criar uma certa empatia logo de início e que poderá distanciar o espectador menos paciente.
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Troféu de Televisão 2018 - Prémio Carreira

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Terminou há instantes a nona gala dos Troféus de Televisão atribuídos anualmente às melhores produções televisivas de Portugal. Entre programas Culturais, de Informação, Entretenimento e de Ficção são ainda entregues troféus especiais como o de Carreira este ano entregue à actriz Lourdes Norberto.
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Como uma carreira que se estende do Teatro à Televisão passando pela Rádio e pelo Cinema, Lourdes Norberto iniciou o seu percurso profissional em 1945 no Teatro Nacional D. Maria II com a peça Os Maias, pela mão de Amélia Rey Colaço teatro no qual permaneceu, aliás, até à primeira década do século XXI participando em peças como A Casa de Bernarda Alba (1948), A Voz da Cidade e Sonho de Uma Noite de Verão (1952) ou A Castro (1957).
Para além do teatro foi também na televisão onde manteve uma presença regular ao longo da segunda metade do século XX ao participar em inúmeras obras de Tele-Teatro - emissões teatrais efectuadas para difusão televisiva - como As Árvores Morrem de Pé (1966) ou Othelo (1969), bem como em diversas Séries como Retalhos da Vida de um Médico (1980), Tragédia da Rua das Flores (1981), Mala de Cartão (1988), Ricardina e Marta (1989), Ballet Rose (1998), Não És Homem Não És Nada (1999), Capitão Roby (2000), Jardins Proibidos (2000) como "Emília Ávila" uma das suas personagens mais emblemáticas, A Jóia de África (2002), Liberdade XXI (2009), Velhos Amigos (2012), Bem-Vindos a Beirais (2013), Mulheres de Abril (2014) ou Nelo & Idália (2016) e ainda em Telenovelas como Roseira Brava (1996), Vidas de Sal (1996) onde interpretou a mítica "Mimi", A Grande Aposta (1997), A Lenda da Garça (2000), Filha do Mar (2001), Queridas Feras (2003), Podia Acabar o Mundo (2008), Destinos Cruzados (2013) ou mais recentemente em A Impostora (2016).
Finalmente Lourdes Noberto teve ainda uma extensa carreira cinematográfica iniciada em Ribatejo (1949), de Henrique Campos, Chaimite (1953), de Jorge Brum do Canto, nas curtas-metragens Nicotiana (1964), de António de Macedo, A Cidade (1968), de José Fonseca e Costa, O Viúvo (1978), de João Roque, Adeus, Pai (1996), de Luís Filipe Rocha, O Crime do Padre Amaro (2005), de Carlos Coelho da Silva, Amália (2008), também de Carlos Coelho da Silva, Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009), de Marco Martins e novamente numa curta-metragem Amor Cego (2010), de Paulo Filipe tendo ainda, neste momento, duas longas-metragens por estrear sendo elas Olga Drummond (2018), de Diogo Infante e You Above All (2019), de Lucas Elliot Eberl e Edgar Morais culminando num percurso artístico de mais de setenta anos.
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domingo, 10 de junho de 2018

Joana Pimentel

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1953 - 2018
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Academia Portuguesa de Cinema - Prémios Nico 2018: os vencedores

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A Academia Portuguesa de Cinema anunciou ontem os vencedores do Prémio Nico que atribui pela segunda vez encontrando, entre eles, um realizador, um actor e uma actriz. Os Nico devem o seu nome ao actor Nicolau Breyner e visam distinguir jovens e emergentes talentos do cinema nacional.
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Um dos galardoados é o actor José Pimentão nomeado este ano para o Sophia de Melhor Actor pelo filme Al Berto, de Vicente Alves do Ó a sua primeira longa-metragem. Entre o seu percurso cinematográfico encontramos um conjunto de curtas-metragens onde se destacam Turn (2014), de José Luís Lopes, Puto (2014), de Bernardo Carvalho e Fabiana Tavares, Lux (2015), de Bernardo Lopes e Inês Malveiro, Ninho (2016), de João P. Nunes, Ivan (2017), de Bernardo Lopes e tendo ainda em produção a curta-metragem Eva (2018), novamente de Bernardo Lopes.
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O segundo dos galardoados é o realizador Pedro Pinho - também com um percurso cinematográfico como produtor, director de fotografia e editor - e este ano nomeado para três Sophia nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Argumento Adaptado por A Fábrica de Nada, tendo saído vencedor deste último.
Para além de A Fábrica de Nada, Pedro Pinho realizou ainda as obras Bab Sebta (2008), Um Fim do Mundo (2013) e As Cidades e as Trocas (2014).
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Finalmente, a terceira e última galardoada deste ano é a actriz Oksana Tkach que protagonizou a longa-metragem O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão ao lado de actores como Sofia Alves, Virgílio Castelo e Ricardo Sá.
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Cropped (2015)

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Cropped de Chris Thomas (Reino Unido) e com argumento de Allan MacLeod revela a história de um grupo de entusiastas pela actividade extra-terrestre na Terra aquando de uma visita turística pelos misteriosos campos de cultivo no interior das ilhas britânicas. Conduzidos na visita por uma descrente Barbera (Annie Walker), o grupo vai ter mais do que esperava com esta visita relâmpago...
Dinâmica deste o primeiro instante graças a um conjunto de personagens que oscilam entre o cómico e o bizarro, Cropped afirma-se através de um sentido de humor muito particular no qual, aqueles que vivem dos passatempos ou crenças dos demais são os primeiros a ridicularizá-los de forma a transformá-los em indivíduos com falta de personalidade e até mesmo... inteligência. No entanto, a grande questão que cedo se levanta é... e se os avistamentos são, de facto, reais? Como proceder no caso de encontrar alguma dessa vida extra-terrestre que tanto se afirma visitar o planeta na penumbra?!
A breve história desta curta-metragem que não ultrapassa os cinco minutos desenvolve-se e conclui-se - curiosamente - no espaço de uma carrinha onde estranhos convivem com um propósito comum... é no seio dessa carrinha que o único confronto se desenrola e no qual as personagens ganham uma inesperada vida transformando-os de breves passageiros em protagonistas de uma história que inicia e que encerra mas que, ao mesmo tempo, permite ao espectador imaginar que mais existirá para lá daquilo que o mesmo vê... Afinal, é no exacto momento em que tudo termina que toda uma nova viagem poderá estar por acontecer...
Com uma vivida interpretação de Annie Walker como a turbulenta guia turística farta desta vida profissional que parece abominar e detestar mas na qual se afirma mais não fosse pelo poder descontrolador dos seus pulmões, Cropped é o típico filme curto que presta homenagem não só ao género - ficção científica e comédia - como também se assume como uma história de tal forma bem estruturada que tudo revela... nos seus escassos minutos. Intenso - principalmente no factor de comédia - Cropped é, assumidamente, a curta-metragem de eleição para os apreciadores de histórias que permitem ao espectador deixar-se levar pela sua imaginação.
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sábado, 9 de junho de 2018

Jurassic World: Fallen Kingdom (2018)

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Mundo Jurássico: Reino Caído de Juan Antonio Bayona (EUA/Espanha) é o quinto título da saga Jurassic Park iniciada em 1993 por Steven Spielberg (aqui em funções de produtor executivo), e que regressa ao mundo dos dinossauros três anos depois da última aventura.
Quando o vulcão adormecido da ilha em que os dinossauros se encontram volta à actividade, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) são contactados para resgatar algumas das espécies e enviá-las para uma ilha onde poderão sobreviver, num ambiente sem jaulas, de uma segunda extinção. Mas, por detrás de todas estas boas intenções, poderão estar escondidos objectivos que lancem o mundo num perigo iminente?
Depois do título inicial (1993), a saga Jurassic Park manteve - injusto seria dizer o contrário - todo o seu dinamismo e magia ao conferir ao espectador o poder de imaginar um mundo onde os dinossauros vivessem realmente. No entanto, para lá desse mesmo título que lançou a saga, é também justo dizer que os títulos que lhe seguiram - The Lost World: Jurassic Park (1997) e Jurassic Park III (2001) - mantiveram-se um pouco alheios ao factor surpresa que a obra de Steven Spielberg conseguiu criar. Foi então que a obra Jurassic World (2015), de Colin Trevorrow ressuscitou o género e lançou todo um conjunto de fãs numa alucinação colectiva por poder imaginar que um dos mais sucessos da década de '90 estava finalmente por estrear quatorze anos depois da sua última entrega. Se esta última conseguiu ser uma interessante incursão no género recuperando muita dessa energia, dessa mística ou até mesmo desse universo, a expectativa para com Jurassic World: Fallen Kingdom não poderia ser maior. Assim, três anos depois encontramo-nos novamente na Ilha Nublar, agora um paraíso desertificado pelos (constantes) erros do passado com a agravante de ser ameaçado pela erupção de um vulcão que poderá causar um novo extermínio. Tudo certo até aqui?! Mais ou menos...
Jurassic World: Fallen Kingdom funciona muito no seu primeiro momento como um revitalizar da noção de salvar as espécies ameaçadas - de novo - e do seu potencial contributo para a aprendizagem das gerações futuras sobre um passado extinto e recuperado... no fundo, uma segunda oportunidade para todos - espécies animais e Humanidade -, de conviver (cada um no seu espaço próprio e livre de jaulas.... quase política esta afirmação) e co-existir podendo, dessa forma, garantir um local de habitação para todos. Daqui, e do reino de todas as boas vontades que parecem esconder algo mais, o argumento de Colin Trevorrow e Derek Connolly parte para a viagem "à ilha", onde encontramos todo um mundo selvagem no qual precisam de encontrar as poucas espécies que se propõem a salvar e levar para o tal "santuário". Com alguns momentos de boa acção e no qual o espectador fica a conhecer a realidade por detrás das "boas intenções", Jurassic World: Fallen Kingdom confere aquele que é possivelmente o segmento mais intenso de toda esta história com a violenta erupção do vulcão e a corrida pela sobrevivência das espécies que, no entanto, encontram o seu fim, e a real compreensão de que se o Homem não é bom para si próprio... como poderá sê-lo para as espécies diferentes? - novamente... a eterna mensagem política que brota a todo o instante.
Daqui, rumo ao último momento desta história - depois de um muito breve na Ilha Nublar onde, esperava o espectador pelos inúmeros trailers que visionou -, Jurassic World: Fallen Kingdom centra-se numa aventura na cidade (digamos assim), onde os dinossauros encontram na gótica mansão Lockwood - personagem interpretada por James Cromwell - o refúgio último antes de embarcarem para uma viagem por caminhos inesperados... ou assim pensa o espectador. Sem revelar grandes detalhes sobre o final algo (in)esperado, esta quinta entrega ao universo Jurassic Park consegue sim criar uma nova dinâmica ao fazer viajar a dinâmica de selva ou ambiente florestal para um espaço mais urbano, habitacional e profundamente medieval onde ao contrário do tradicional em que o Homem invade o espaço natural do dinossauro, é este que ocupa o dito "mundo dos homens", transformando-o (não tão) lentamente à sua medida e demonstrando que agora sim... chegaram para dominar... mesmo que esse domínio chegue pela possibilidade do imprevisto.
Juan Atonio Bayona consegue, uma vez mais, trazer ao grande ecrã uma história de aventura e acção que faz jus àquilo que se propõe. Na realidade nenhum espectador sai mal impressionado com esta obra independentemente de poder gostar de um ambiente mais natural, selvagem e onde a camuflagem dos gigantescos dinossauros possa sair a ganhar em relação a um espaço que - bem ou mal - não joga a seu favor... afinal, como se poderá esconder um dinossauro dentro de uma mansão?! No entanto, e mesmo com estas (im)possibilidades, Jurassic World: Fallen Kingdom é um filme dinâmico e fiel ao género, carregado de muita adrenalina e alguma tensão mas que poderia ter sido muito maior se mais centrado na ilha Nublar - nunca ficaremos fartos dela - e, após alguma tensão aí criada, levar toda a história para uma aventura palaciana que sim... tem tanto de original como de inovador funcionando mesmo como veículo para aquele que é (agora) esperado como o novo título da obra... um novo mundo... onde os dinossauros povoam as terras e o Homem mais não é do que um fugitivo naquele reino que outrora dominara.
Assim, Jurassic World: Fallen Kingdom é um daqueles títulos intermédios, que abre a perspectiva para o espectador sobre a potencialidade de todo um novo conjunto de obras que se lhe vão seguir não deixando esta da sua abordagem ecológica e ambiental - afinal, o mundo ou parte dele estão de facto a ruir e dar os seus sinais à Humanidade -, sobre as alterações aos hábitos comportamentais e de estilo de vida necessários para uma pacífica convivência num mundo em constante transformação... e nem sempre pelos melhores motivos e finalmente... que esse bicho Homem é tão ou mais perigoso do que um dinossauro... caso estes existissem. Já dizia Ripley no saudoso Aliens (1986), de James Cameron... "ao menos eles não se lixam por uma percentagem maior"...
Chris Pratt e Bryce Dallas Howard perdem em Jurassic World: Fallen Kingdom um pouco daquela magia que pareciam irradiar em Jurassic World. Ainda que o espectador sinta que existe algum "clima" entre as suas personagens, foi o idealismo de ambos que os separou entre as duas entregas deixando cada um com o seu ideal de vida feliz... se para um é viver isolado no meio do campo, para o outro é a ideia de salvar o mundo que o move e deixa feliz em todas as suas conquistas. No entanto, aquilo que poderiam ter sido um para o outro e, de certa forma, para a dinâmica das suas personagens nesta obra soa mais a forçado do que aquilo que emanavam três anos antes.
No final, e para lá de uma intensa visita a Nublar e de um breve encontro entre os dois reis dos animais - leão e T-Rex -, Jurassic World: Fallen Kingdom é fiel ao que se propõe... uma história cujo objectivo principal é o óbvio entretenimento do seu público alvo e claro, a igualmente óbvia "obra de passagem" - quase como um ritual - que anuncia que as próximas entregas (venham lá elas quando vierem) serão centradas no mundo como o conhecemos ou, pelo menos, naquilo que ainda não foi alterado pelo passo gigante e destruidor de animais com força bruta e completamente descontrolados num mundo que... não é o seu. Ou será que ainda é?
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"Ian Malcolm: These creatures were here before us. And if we're not careful... they're going to be here after. Life cannot be contained. Life breaks free. Life... finds a way."
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