quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Ann Crumb

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1950 - 2019
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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

British Independent Film Awards 2019: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos British Independent Film Awards em Londres. Bait, de Mark Jenkin, For Sama, de Waad Al-Kateab e Edward Watts, The Personal History of David Copperfield, de Armando Iannucci, The Souvenir, de Joanna Hogg e Wild Rose, de Tom Harper são as longas-metragens que competem pelo troféu de Melhor Filme Britânico Independente do ano.
São os demais nomeados:
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Melhor Filme Britânico Independente
Bait, de Mark Jenkin
For Sama, de Waad Al-Kateab e Edward Watts
The Personal History of David Copperfield, de Armando Iannucci
The Souvenir, de Joanna Hogg
Wild Rose, de Tom Harper
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Produtor Revelação
Kate Byers e Linn Waite, Bait
Joy Gharoro-Akpojotor, Blue Story
Jack Sidey, Moffie
Becky Read, Three Identical Strangers
Finn Bruce, Tucked
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Melhor Documentário
Coup 53, de Taghi Amirani
Diego Maradona, de Asif Kapadia
For Sama, de Waad Al-Khateab e Edward Watts
Seahorse, de Jeanie Finlay
Tell Me Who I Am, de Ed Perkins
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The Raindance Discovery Award
A Bump Along The Way, Shelly Love (prod.)
Children of the Snow Land, Zara Balfour, Marcus Stephenson e Mark Hakansson (prods.)
Here For Life, Andrea Luka Zimmerman, Adrian Jackson, James Lingwood, Michael Morris e Cressida Day (prods.)
Muscle, Gerard Johnson, Matthew James Wilkinson, Richard Wylie e Ed Barratt (prods.)
The Street, Zed Nelson (prod.)
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Melhor Filme Independente Internacional
Gisaengchung, de Bong Joon Ho (Coreia do Sul)
Jiang Hu er Nü, de Zhangke Jia (China)
Marriage Story, de Noah Baumbach (EUA)
Monos, de Alejandro Lanes (Colômbia)
Portrait de la Jeune Fille en Feu, de Céline Sciamma (França)
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Melhor Realização
Mark Jenkin, Bait
Asif Kapadia, Diego Maradona
Waad Al-Kateab e Edward Watts, For Sama
Oliver Hermanus, Moffie
Joanna Hogg, The Souvenir
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The Douglas Hickox Award - Realização Revelação
Will Becher e Richard Phelan, A Shaun the Sheep Movie: Farmageddon
Chiwetel Ejiofor, The Boy Who Harnessed the Wind
Ninian Doff, Boyz In the Wood
Fyzal Boulifa, Lynn + Lucy
Harry Wootliff, Only You
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Melhor Actor
Sam Adewumni, The Last Tree
Tom Burke, The Souvenir
Kris Hitchen, Sorry We Missed You
Josh O'Connor, Only You
Dev Patel, The Personal History of David Copperfield
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Melhor Actriz
Jessie Buckley, Wild Rose
Holliday Grainger, Animals
Sally Hawkins, Eternal Beauty
Vicky Knight, Dirty God
Renee Zellweger, Judy
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Melhor Actor Secundário
Chiwetel Ejiofor, The Boy Who Harnessed the Wind
Hugh Laurie, The Personal History of David Copperfield
Peter Mullan, The Vanishing
Edlison Manuel Olbera Núñez, Yuli
Bluey Robinson, Dirty God
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Melhor Actriz Secundária
Jessica Barden, Scarborough
Ruthxjiah Bellenea, The Last Tree
Elizabeth Debicki, Vita & Virginia
Tilda Swinton, The Personal History of David Copperfield
Julie Walters, Wild Rose
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Intérprete Revelação
Sam Adewumni, The Last Tree
Vicky Knight, Dirty God
Lorn Macdonald, Beats
Roxanne Scrimshaw, Lynn + Lucy
Honor Swinton Byrne, The Souvenir
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Melhor Argumento
Peter Strickland, In Fabric
Armando Iannucci e Simon Blackwell, The Personal History of David Copperfield
Paul Laverty, Sorry We Missed You
Joanna Hogg, The Souvenir
Nicole Taylor, Wild Rose
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Argumento Revelação
Kieran Hurley, Beats
Lisa Owens, Days of the Bagnold Summer
Harry Wootliff, Only You
Emma Jane, Unsworth Animals
Nicole Taylor, Wild Rose
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Melhor Casting
Shaheen Baig, In Fabric
Shaheen Baig e Aisha Bywaters, The Last Tree
Kahleen Crawford e Caroline Stewart, Only You
Sarah Crowe, The Personal History of David Copperfield
Kahleen Crawford, Wild Rose
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Melhor Montagem
Mark Jenkin, Bait
Chris King, Diego Maradona
Chloe Lambourne e Simon Mcmahon, For Sama
Mick Audsley e Peter Lambert, The Personal History of David Copperfield
Helle Le Fevre, The Souvenir
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Melhor Fotografia
Benjamin Kracun, Beats
Ari Wegner, In Fabric
Ole Bratt Birkeland, Judy
Jamie D Ramsay, Moffie
Zac Nicholson, The Personal History of David Copperfield
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Melhor Música Original
Jd Twitch, Penelope Trappes e Stephen Hindman, Beats
Antonio Pinto, Diego Maradona
Nainita Desai, For Sama
Cavern Of Anti-Matter, In Fabric
Jack Arnold, Wild Rose
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Melhor Som
David Bowtle-Mcmillan, Joakim Sundström e Robert Farr, Beats
Stephen Griffiths, Tim Cavagin, Max Walsh e Andy Shelley, Diego Maradona
Anna My Bertmark, Jonathan Seale e Jules Woods, Gwen
Martin Pavey, In Fabric
Lee Walpole, Colin Nicholson e Stuart Hilliker, Wild Rose
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Melhor Design de Produção
Paki Smith, In Fabric
Kave Quinn, Judy
Cristina Casali, The Personal History of David Copperfield
Stéphane Collonge, The Souvenir
Anne Seibel, The White Crow
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Melhor Guarda-Roupa
Jo Thompson, In Fabric
Jany Temime, Judy
Suzie Harman e Robert Worley, The Personal History of David Copperfield
Grace Snell, The Souvenir
Anna Mary Scott Robbins, Wild Rose
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Melhores Efeitos Especiais
Howard Jones, A Shaun The Sheep Movie: Farmageddon
Paul Mann, In Fabric
Andy Quinn, The Boy Who Harnessed the Wind
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Melhor Caracterização
Morten Jacobsen, Rogier Samuels e Lindelotte Van Der Meer, Dirty God
Emma Scott, In Fabric
Jeremy Woodhead, Judy
Karen Hartley-Thomas, The Personal History of David Copperfield
Jody Williams, Wild Rose
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Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 1 de Dezembro numa cerimónia a realizar no Old Billingsgate, em Londres.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

European Film Awards - Comédia Europeia 2019: as nomeadas

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A Academia Europeia de Cinema anunciou hoje as três Longas-Metragens de Comédia seleccionadas ao European Film Award na respectiva categoria. O júri composto por Katriel Schory (Israel), Angela Bosch Ríus (Espanha), Selma Mehadzic (Croácia), Jacob Neiieendam (Dinamarca) e Nik Powell (Reino Unido) seleccionou:
  • Ditte & Louise, de Niclas Bendixen (Dinamarca)
  • The Favourite, de Yorgos Lanthimos (Reino Unido/Irlanda)
  • Tel Aviv on Fire, de Sameh Zoabi (Luxemburgo/França/Israel/Bélgica)
Os vencedores desta e das demais categorias serão anunciados no próximo dia 7 de Dezembro, em Berlim no decorrer na trigésima-segunda edição dos European Film Awards.
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domingo, 27 de outubro de 2019

Jorge Fernando

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1955 - 2019
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sábado, 26 de outubro de 2019

DOCLisboa 2019: os vencedores

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Terminada mais uma edição do DOCLisboa que decorreu por várias salas da capital, foram hoje anunciados os vencedores de 2019 sendo eles:
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Competição Internacional
Grande Prémio Cidade de Lisboa: Santikhiri Sonata, de Thunska Pansittivorakul
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: Just Don't Think I'll Scream, de Frank Beauvais
Menção Especial: Um Filme de Verão, de Jo Serfaty
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Competição Portuguesa
Prémio DOCLisboa: Viveiro, de Pedro Filipe Marques
Prémio McFly SPF: Cerro Dos Pios, de Miguel de Jesus
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Competição Transversal
Prémio Revelação - Primeira Obra: Serpentário, de Carlos Conceição
Prémio Curta-Metragem: Tribute to Judas, de Manel Raga Raga (pré-seleccionado ao Oscar)
Prémio Prática, Tradição e Património: O Último Sonho, de Alberto Alvares
Prémio Fernando Lopes - Primeira Obra Portuguesa: Rio Torto, de Mário Veloso
Prémio Escolas: Três Perdidos Fazem um Encontrado, de Atsushi Kuwayama
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Competição Verdes Anos
Filme: A Family Tale, de Natalia Ciepiel
Prémio Especial McFly: The Rex Will Sail In, de Josip Lukić
Prémio Pedro Fortes - Filme Português: Rio Torto, de Mário Veloso
Menção Especial: Simulacro, de Duarte Maltez
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ARCHÉ
Prémio RTP - Projecto em Pós-Produção: O Lugar Mais Seguro do Mundo, de Aline Lata e Helena Wolfenson
Prémio Nova/FCSH: Babado, de Camila Freitas e João Vieira Torres
Menção Especial: La Memoria de las Mariposas, de Tatiana Fuentes Sadowski
Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas: La Memoria de las Mariposas, de Tatiana Fuentes Sadowski
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Prémio do Público: Zé Pedro Rock’n’Roll, de Diogo Varela Silva
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Robert Evans

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1930 - 2019
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Lo Dejo Cuando Quiera (2019)

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É Só Querer de Carlos Therón (Espanha) é o remake de Smetto Quando Voglio (2014), de Sydney Sibilia naquela que parece transformar-se numa tendência espanhola de adaptar ao seu cinema alguns dos mais recentes êxitos de comédia transalpinos como o já verificado com Perfectos Desconocidos (2017), de Álex de la Iglésia.
Pedro (David Verdaguer), Arturo (Ernesto Sevilla) e Eligio (Carlos Santos) eram um exemplo enquanto estudantes. Dez anos passados, todos eles vivem na primeira pessoa os problemas da dita "vida adulta"... Da solidão à separação, da incapacidade de ter um trabalho aos quarenta anos que estão cada vez mais perto, todos eles esperam algo mais da vida... Algo mais que tarda... até ao dia em que Pedro faz uma descoberta que irá revolucionar a vida de todos.
Existe toda uma geração que poderá, em certa medida, identificar-se com as personagens retratadas em Lo Dejo Cuando Quiera... toda aquela geração que já passou os trinta e que dedicou uma vida ao saber e àquilo que as promessa de uma vida "universitária" lhe garantiram encontram nesta longa-metragem um certo irónico paralelismo que os faz recordar "aquilo fui e sou eu". A garantia de uma vida melhor, a certeza de um futuro profissional mais risonho e que poderia conferir um nível de vida diferente daquele que os pais haviam proporcionado encontra nas rápidas e constantes transformações deste já não tão novo século uma paródia ao estilo de vida que, talvez, agora tenham. Nem tudo foram rosas ou tão pouco promessas garantidas... Nem todos os trabalhos e percursos profissionais corresponderam àquilo que se desejou e, de certa forma, as esperadas vidas familiares com os "amores de sempre" também encontram um rápido término quando a tal "promessa! não foi cumprida. As férias, os bens materiais e até mesmo a casa de sonho não cumprido deram lugar à certeza de que "isto" (seja lá o que fôr) não poderá ser melhor... por muito mau que seja.
Mas, nem tudo poderia terminar neste desencanto alucinante. As esperanças, ou melhor, as oportunidades iriam, afinal, aparecer... mas não sob a forma esperada ou mais lícita. O estudo, as invenções e o conhecimento de "Pedro" iriam, afinal, possibilitar-lhe a tal "oportunidade"... ainda que no seu todo esteja a jogar bem longe da sua área de conforto. Mas, a pergunta final, que interessa essa área de conforto se, até ao momento, não lhes possibilitou a concretização de sonhos, de vontades ou, afinal, da tal vida de sonho pela qual tanto lutaram enquanto estudantes exemplares? Do sonho à realidade perderam a vida ou, pelo menos, aquilo que de melhor ela parecia querer entregar-lhes...
Lo Dejo Cuando Quiera é uma comédia simpática e divertida que constrói um conjunto de personagens que se enquadram de forma perfeita no género... o trio protagonista que se conhece desde muito jovens, os conflitos existenciais que todos vivem, as sedutoras fatais e os criminosos com dotes para a comédia e boa disposição transformando os seus noventa minutos numa experiência agradável mas, ao mesmo tempo, vive no assombro de ser uma fórmula já conhecida e tacitamente replicada quando o espectador se recorda da original italiana que, na realidade, não tem tantos anos que a fizesse ser esquecida, e ainda que o trio Verdaguer, Sevilla e Santos desenvolva uma dinâmica comum interessante e se "construa" para lá do trio por si, não deixa de ser verdadeiro que são alguns dos secundários aqueles que melhor conseguem criar empatia com a câmara e, dessa forma, com o público. Exemplo disso está a magnética interpretação de Ernesto Alterio que com o seu "Tacho" não só se estabelece com um dos mais dinâmicos elementos de comédia desta história como sobretudo aquele pelo qual o espectador espera ver mais tempo na câmara. Cómico, transgressor, provocador e ao mesmo tempo a dose perfeita enquanto vilão de serviço, Alterio é, sem margem para dúvidas, a personagem que permanece mais tempo na memória e com a simpatia do espectador.
Para uma sessão ligeira de cinema, Lo Dejo Cuando Quiera cumpre a sua missão. Ainda que com um fundo com o qual muitos de nós se possam identificar - tráfico de droga à parte -, é a esperada (mas previsível) comédia que se destaca através de alguns momentos musicais mais "alternativos". No geral os actores não brilham nem constroem personagens memoráveis (excepção de Alterio já confirmada), a história no seu todo não é original e a comédia espanhola já deu provas de mais e muito melhor mas, ainda assim, esta longa-metragem de Therón consegue cumprir a sua missão de fazer o espectador libertar a sua mente de grandes preocupações e não ir à sala de cinema pensar mas sim descontrair com uma história centrada em grandes problemas mas que se permite não se deixar focar neles. Afinal, há que aproveitar a vida... ou pelo menos algumas das oportunidades que esta nos concede.
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6 / 10
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Terminator: Dark Fate (2019)

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Exterminador Implacável - Destino Sombrio de Tim Miller (EUA) é a mais recente incursão ao universo Terminator e de forma mais ou menos (in)esperada, uma longa-metragem adaptada aos seus dias.
Sarah Connor (Linda Hamilton), e o T-800 (Arnold Schwarzenegger) reencontram-se para, com a ajuda de Grace (Mackenzie Davis) vinda do futuro, protegerem a jovem Dani (Natalia Reyes) de um novo e melhorado ciborg  REV-9 (Gabriel Luna) e, dessa forma, salvarem os destinos da Humanidade.
Com esta breve sinopse da sexta entrega desta saga - sem mencionar a série televisiva -, o espectador percebe que o argumento, com todas as suas potenciais variantes sobre como salvar o mundo enquanto se escapa de um predador, não terá muitas variantes. Mas, no entanto, há que ver este Terminator: Dark Fate para compreender que elas estão lá e mais adaptadas aos dias não tão positivos que vivemos. Esqueçamos, por momentos, a ameaça cibernética que poderá eliminar o mundo... afinal, dessa vive a essência desta história que já nos acompanha há mais de trinta anos, para nos concentrarmos única e exclusivamente nas correcções de formatação social que a mesma exibe ao longo dos seus mais de cento e vinte minutos.
Quando qualquer um de nós que cresceu e vibrou com as nuances de um filme de heróis anónimos que salvavam o planeta Terra da sua eminente destruição pela mão do próprio homem, aquilo que imediatamente recorda é a presença do tal John Connor - que já cruzou vários actores - como uma das suas peças fundamentais e, no fundo, aquele que se assumia como o líder da tal resistência que, no futuro, continuaria essa luta pela sobrevivência. Talvez já não seja necessário o imaginário de um mundo destruído pelo nuclear - apesar dessa ameaça estar tão viva hoje como se calhar nos idos tempos da Guerra Fria... talvez até mais -, e se calhar essa sobrevivência chega de mão dada com tantas outras ameaças que nos cruzam diariamente mas a pergunta que se levanta é imediatamente uma... existe a necessidade real para que esta longa-metragem visse a luz do dia de transformar um dos seus protagonistas em presença inexistente para dar lugar a uma proto-protagonista feminina apenas pela força de que a história tem de ter um fio condutor de um género diferente? Que se desenganem aqueles que acham isto um qualquer comentário sexista, afinal Linda Hamilton tomou - e muito bem - as rédeas das duas primeiras entregas e foi possivelmente um dos elementos que mais falta fez às seguintes tal a saudade que deixou em todos nós (e o júbilo que provocou ao vê-la aqui de novo e em acção), mas no fundo a questão que aqui levanto é... teria existido um crime maior deixar a história de "Sarah" e "John Connor" presente e dar origem, por exemplo, a um reencontro entre mãe  e filho que foi inexplicavelmente cancelado em Terminator 3: Rise of the Machines (2003) quando a única coisa que sabemos da heroína de serviço é que... morreu?! Não teria esse reencontro sido desejado por todos nós eliminando aquele "desfecho" de que afinal o futuro foi diferente sim pela morte presente e não futura do protagonista?!
Se este factor dispersa momentaneamente a atenção do espectador, não deixa de ser real que Terminator: Dark Fate consegue inserir nesta história dois dos seus elementos primordiais... O primeiro, a inegável presença de Schwarzenegger como o vilão virado herói capaz de compreender a espécie humana e lutar ao seu lado (para voltar às suas origens e se regenerar de novo... confuso, é um facto) e, segundo, a presença ultra-feminina de Linda Hamilton que com uma participação em apenas dois dos cinco anteriores filmes conseguiu, de forma inigualável, manter-se até aos nossos dias como uma protagonista - leia-se no feminino - em filmes de acção que ainda hoje todos recordamos. Assim, e considerando que aqui se assume novamente como uma das peças fundamentais desta história, para quê alterar a base deste argumento apenas para o tornar "polido" para os tempos ultra-conservadores dos dias que vivemos e acenar que "afinal um filme de acção pode ser protagonizado por uma mulher"... Já outros o foram... e melhor... Referencia óbvia para os dois títulos iniciais desta saga não esquecendo a heroína absoluta de filmes de acção Sigourney Weaver que com a sua "Ripley" dominou um império de seres tão ou mais perigosos que estes ciborgs... e sózinha! A ditadura do "correcto" acaba por ser isso mesmo... uma ditadura polida mas pouco real que distancia o espectador do género em vez de o atrair para recordar os bons e velhos tempos conferidos por aquilo que já conheceu e do qual ficou um fiel seguidor.
Mas, o polido não está apenas aqui... O "Terminator", ainda que com as devidas inovações que a tecnologia do digital e dos VFX permitem tem, também ele, as suas próprias inovações... já não pode ser o dito "americano caucasiano" ou tão pouco uma "loira de olhos azuis"... agora o perigo (com todos os perigos que isso acarreta para quem quer o "correcto" como uma lei e ordem) tem de ser também ele um fruto dos dias de ameaças que o outro lado do Atlântico prevê... um exterminador latino (mexicano para bom entendedor...) que pretende destruir todo um modo de vida ocidental pondo em risco os demais "formatados" ao século XXI... para remediar a coisa faz-se também nascer uma futura heroína (feminina claro está) mexicana, substituindo o "John Connor" de serviço que "morreu" algures no tempo. Nada que no futuro, e com as diversas viagens no tempo aqui permitidas, não se altere mas, até lá, temos o que temos... e importa aquilo que um público norte-americano queira consumir... afinal o mal está - e sempre esteve - na forma como o queremos encarar face aos nossos próprios receios de um fim... seja do mundo... ou da nossa existência pacífica enquanto alguém que, sem problemas, terá de os inventar num qualquer bode expiatório.
O destino é, de facto, sombrio. A existência enquanto comunidade está ameaçada e, dessa forma, a própria sociedade poderá encontrar o seu fim. Da mesma forma que em tempos ditos conservadores a Sétima Arte sobre desafiar convenções e estatutos colocando mulheres fortes - tão fortes como qualquer homem - a comandar um filme de acção - talvez atípico mas são as transformações silenciosas aquelas que mais perduram -, estaria hoje na altura perfeita (não fosse ela sim ultra-conservadora) de encarar essa mudança conquistada há mais de trinta anos como um facto normalizado e aceite (não precisou de o ser) que, na realidade, nunca foi questionado por nenhum de nós que crescemos a ver uma mulher forte e capaz de enfrentar a própria extinção sem qualquer medo da mesma. Mas, esse destino não é apenas sombrio por este politizar do género. Do querer parecer bem porque as actuais convenções assim o determinam... são os pequenos elementos... a "mexicanização" do perigo (uma vez mais) que espreita e é capaz de passar a fronteira por debaixo do novo Muro da Vergonha agora em terras de Tio Sam detentoras do estatuto da liberdade ou a extrema necessidade mostrar que "as mulheres também o conseguem" quando, na realidade, já o conseguiram há trinta anos pelas mãos da própria protagonista... que acabam por fazer perder ou, no mínimo, dispersar todo o empenho aqui criado com uma história que parece querer disparar em todas as direcções faltando apenas o elemento ambientalista para ser sim... uma longa-metragem adaptada a este 2019.
Se esta é mais uma perda de tempo do género? Não. Terminator: Dark Fate tem os seus momentos de acção e as suas inúmeras acrobacias típicas de um filme capaz de distrair o espectador dessa tal triste realidade que eventualmente o espera para lá da porta da sala de cinema mas, ainda assim, está longe de ser capaz de se manter como o novo fôlego da saga que, elogios à parte, não consegue ter desde Terminator 2: Judgment Day (1991) onde o que importava era apenas as vantagens de um argumento apocalíptico e acção a todo o gás sem se equacionarem todas as correcções de uma sociedade deste século XXI que lentamente se destrói pela vontade de agradar a todos e sobreviver à crítica.
Com os efeitos especiais esperados e um Schwarzenegger relativamente apagado para aquilo que dele seria de esperar no género em questão - se foi esta a sua última entrega na saga... mais valia não ter participado - e com uma Linda Hamilton capaz de provar que ainda está para as curvas e suficientemente habilitado para comandar sózinha esta história, Terminator: Dark Fate cumpre os parâmetros mínimos para o espectador querer ir ao cinema e ter à sua frente um filme de acção mas, no entanto, para aqueles de nós que se lembram das filas intermináveis e sessões esgotadas que a obra de Cameron teve no início da década de '90... este Dark Fate deixa um enorme amargo de boca que, a existir, a próxima aventura terá muito que fazer para eliminar.
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7 / 10
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Gotham Awards 2019: os nomeados

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Foram hoje anunciados os nomeados aos Gotham Awards, aqueles que servem como o momento de abertura de mais uma temporada de prémios referentes ao último ano cinematográfico, e revelando The Farewell, de Lulu Wang, Hustlers, de Lorene Scafaria, Marriage Story, de Noah Baumbach, Uncut Gems, de Benny Safdie e Josh Safdie e Waves, de Trey Edward Shults como os candidatos ao Melhor Filme do Ano.
São os nomeados:
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Melhor Filme
The Farewell, de Lulu Wang
Hustlers, de Lorene Scafaria
Marriage Story, de Noah Baumbach
Uncut Gems, de Benny Safdie e Josh Safdie
Waves, de Trey Edward Shults
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Melhor Documentário
American Factory, de Steven Bognar e Julia Reichert
Apollo 11, de Todd Douglas Miller
Born in China, de Nanfu Wang e Jialing Zhang
The Edge of Democracy, de Petra Costa
Midnight Traveler, de Hassan Fazili
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The Bingham Ray Award - Realização Revelação
Olivia Wilde, Booksmart
Phillip Cane, Burning Cane
Kent Jones, Diane
Joe Talbot, The Last Black Man in San Francisco
Laure de Clermont-Tonnerre, The Mustang
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Melhor Actor
Willem Dafoe, The Lighthouse
Adam Driver, Marriage Story
Aldis Hodge, Clemency
André Holland, High Flying Bird
Adam Sandler, Uncut Gems
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Melhor Actriz
Awkwafina, The Farewell
Elisabeth Moss, Her Smell
Mary Kay Place, Diane
Florence Pugh, Midsomaar
Alfre Woodard, Clemency
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Intérprete Revelação
Julia Fox, Uncut Gems
Aisling Franciosi, The Nightingale
Chris Galust, Give Me Liberty
Noah Jupe, Honey Boy
Jonathan Majors, The Last Black Man in San Francisco
Taylor Russell, Waves
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Melhor Argumento
The Farewell, Lulu Wang
High Flying Bird, Tarell Alvin McCraney
The Last Black Man in San Francisco, Jimmie Fails, Rob Richert e Joe Talbot
Marriage Story, Noah Baumbach
Midsomaar, Ari Aster
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Os vencedores serão conhecidos na cerimónia a realizar no Cipriani Wall Street em Nova York, no próximo dia 2 de Dezembro.
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Outside the Oranges are Blooming (2019)

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Outside the Oranges are Blooming de Nevena Desivojevic (Portugal/Sérvia) é um documentário em formato de curta-metragem que remete o espectador para uma aldeia por entre as montanhas onde um grupo de habitantes resiste ao acelerado desaparecimento da vida na mesma.
A breve descrição desta curta-metragem acaba não só por revelar toda a dinâmica da mesma como, ao mesmo tempo, ser insuficiente para transmitir ao espectador todos os pequenos grandes detalhes que lhe dão corpo e alma.
Tudo começa com a imagem de um vale por onde ecoam cantares tradicionais vindos de parte incerta. Os seus intérpretes, nunca revelados de forma directa, são (supomos) aqueles habitantes que resistem nestas paragens que cada vez mais parecem traços de uma memória - também ela - ausente que agora permanece oculta não só pelo esquecimento como também pelo nevoeiro que se instala por todas aquelas paragens. Aos poucos conhecemos um homem que, tal como o espaço, permanece anónimo. Na realidade, e para a perspectiva do espectador, pouco importa quem ele foi mas o estado (psicológico principalmente) em que ele se encontra como, deduzimos, uma directa influência do espaço envolvente. Ali ele, e todos os demais que brevemente encontramos pelo caminho, definham como memórias vivas de um local que lentamente desaparece e que se deixa dominar pela Natureza, pelo ambiente e pelas memórias que apenas os silêncios dos locais e as estruturas que resistem podem testemunhar.
A vida é aqui quase imóvel e esta apenas é comparável à deslumbrante imponência da Natureza que se assume como o principal elemento de todo este filme. Natureza essa que se afirma perante o próprio espaço e para o espectador que se deixa levar pelo imaginário de um qualquer paraíso natural onde o Homem, pela sua extinção, não (já não) tocou. A Natureza encontra o seu rumo - ouvia-se num filme da década de '90 -, e pode ser aqui referenciado como a melhor descrição para tudo o que "nos" envolve. Aqui, toda a forma de vida é lentamente "tomada" por essa Natureza que apenas deixa subsistir os esqueletos de antigas estruturas que se constituíam como as formas de subsistência do Homem e das suas actividades e, como tal, da sua presença no espaço.
Agora, aquele homem, é convidado a sair daquele local... a encontrar um trabalho noutro sítio mas, à medida que tudo ali parece terminar, o próprio não aparenta querer sair daquele local onde possivelmente toda a sua vida tomou forma e onde residem todas as suas memórias e experiências. Como ele, todos os poucos anónimos que observamos ainda resistirem naquele local permanecendo, todos eles, numa certa espera pelo auto-desaparecimento que os aguarda como se de uma morte social se tratasse e apenas a presença da realizadora parece constituir, para aquele homem, a única réstia de novidade e curiosidade (ou incómodo?!)que poderia encontrar neste aparente "final".
Sem se enquadrar em qualquer género de cinema apocalíptico onde o fim é um potencial início de algo porvir, Outside the Oranges are Blooming parece, por sua vez, ser esse início para lá da presença humana... um espaço real, não dizimado pelo Homem mas sim abandonado pelo mesmo permitindo, dessa forma, a sua recuperação para algo de novo... que o próprio Homem desconhece. Tal como o próprio título parece querer fazer "acontecer"... lá fora... esse outro local agora próspero, prepara-se para revelar que resistiu à acção (ou destruição?!) humana e que apenas o chilrear dos pássaros faz adivinhar essa prosperidade natural tanto desejada.
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7 / 10
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European Film Awards - Curta-Metragem 2019: as nomeadas

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A Academia Europeia de Cinema revelou hoje ao início da manhã, as cinco curtas-metragens nomeadas ao European Film Award 2019 na respectiva categoria. Contrariamente ao que acontecera nos últimos anos onde os festivais associados da Academia conferiam uma nomeação directa ao troféu, este ano os mesmos seleccionaram por entre as escolhas dos seus jurados, as cinco curtas-metragens às quais seria conferida uma nomeação, sendo elas:
  • Cadoul de Craciun, de Bogdan Muresanu (Roménia/Espanha)
  • Cães que Ladram aos Pássaros, de Leonor Teles (Portugal)
  • Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre, de Gabriel Abrantes (Portugal/França)
  • Rekonstrukce, de Jiri Havlicek e Ondrej Novák (República Checa)
  • Suc de Síndria, de Irene Moray (Espanha)
Os vencedores desta e das demais categorias serão conhecidos no decorrer da trigésima-segunda edição dos European Film Awards a decorrer em Berlim no próximo dia 7 de Dezembro.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Francisco "Chiquinho" Medeiros

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1948 - 2019
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John Clarke

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1931 - 2019
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Ricardo Tércio

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1976 - 2019
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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Shortcutz Viseu - Sessão #133

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O Shortcutz Viseu - Sessão #133 irá marcar presença na próxima sexta-feira dia 18 de Outubro na Incubadora do Centro Histórico naquela que será uma noite inteiramente dedicada ao cinema em formato curto que marcou presença na última edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa que decorreu em Setembro passado.
Nesta noite, que se iniciará a partir das 22 horas, irão ser exibidos alguns filmes curtos do género nomeadamente Aquarium, de Lorenzo Puntoni (Itália), Cerdita, de Carlota Pereda (Espanha), The Desecrated, de John Gray (EUA), Five Course Meal, de James Cadden (Canadá), The Sermon, de Dean Puckett (Reino Unido) e Tu Último Día en la Tierra, de Marc Martínez Jordan (Espanha) numa Sessão Especial de entrada livre.
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European Film Awards - Filme de Animação 2019: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema anunciou hoje mais um conjunto de nomeados aos seus troféus anuais. Desta vez foram divulgados os nomeados na categoria de Melhor Filme de Animação seleccionados por um comité de selecção composto por Antonio Saura (Espanha), Graziella Bildesheim (Itália), Paul Young (Irlanda), Stéphane Dreyfus (França), Kristine M. I. Knudsen (Alemanha) e Janno Pöldma (Estónia).
São os nomeados:
  • Buñuel en el Laberinto de las Tortugas, de Salvador Simó (Espanha/Holanda)
  • L'Extraordinaire Voyage de Marona, de Anca Damian (França/Roménia/Bélgica)
  • Les Hirondelles de Kaboul, de Zabou Breitman e Éléa Gobbé-Mévellec (França/Luxemburgo/Suíça)
  • J'ai Perdu Mon Corps, de Jérémy Clapin (França)
Os vencedores desta e das demais categorias serão conhecidos na trigésima-segunda cerimónia dos European Film Awards, a realizar em Berlim no próximo dia 7 de Dezembro.
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domingo, 13 de outubro de 2019

Hideo Azuma

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1950 - 2019
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sábado, 12 de outubro de 2019

Carlo Croccolo

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1927 - 2019
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Stephen Moore

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1937 - 2019
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Manuel Frattini

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1965 - 2019
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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Robert Forster

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1941 - 2019
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

European Film Awards - European Discovery - Prix FIPRESCI 2019: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema anunciou hoje os nomeados ao European Discovery - Prix FIPRESCI para as primeiras obras dos respectivos realizadores. Os nomeados, deliberados por Mike Goodridge (Reino Unido), Valérie Delpierre (Espanha), Azize Tan (Turquia), Marta Balaga (Finlândia), Robbie Eksiel (Grécia) e Michael Pattison (Reino Unido) um conjunto de críticos e membros da Academia, são:
  • Aniara, de Pella Kagerman e Hugo Lilja (Suécia/Dinamarca)
  • Atlantique, de Mati Diop (França/Senegal/Bélgica)
  • Blindsone, de Tuva Novotny (Noruega/Dinamarca)
  • Irina, de Nadejda Koseva (Bulgária)
  • Les Misérables, de Ladj Ly (França)
  • Ray & Liz, de Richard Billingham (Reino Unido)
Os nomeados desta e das demais categorias serão conhecidos na trigésima-segunda cerimónia dos European Film Awards a realizar no próximo dia 7 de Dezembro, em Berlim.
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domingo, 6 de outubro de 2019

Rip Taylor

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1934 - 2019
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Karen Pendleton

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1946 - 2019
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Ginger Baker

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1939 - 2019
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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Diahann Carroll

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1935 - 2019
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Philip Gips

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1931 - 2019
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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Paul LeBlanc

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1946 - 2019
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terça-feira, 1 de outubro de 2019

European Film Awards - European University Film Award 2019: os nomeados

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A Academia Europeia de Cinema divulgou hoje os cinco nomeados ao European University Film Award entregue por um colectivo de estudantes universitários espalhados por vinte e cinco países europeus.
São os nomeados:
  • And Then We Danced, de Levan Akin (Geórgia/Suécia/França)
  • Gospod Postoi, Imeto I' e Petrunija, de Teona Stugar Mitevska (Macedónia do Norte/Bélgica/Eslovénia/França/Croácia)
  • La Paranza dei Bambini, de Claudio Giovannesi (Itália)
  • Portrait de la Jeune Fille en Feu, de Céline Sciamma (França)
  • System Sprenger, de Nora Fingscheidt (Alemanha)
O vencedor será conhecido no próximo dia 5 de Dezembro e o troféu será entregue na cerimónia a realizar no dia seguinte durante a cerimónia dos European Film Awards, em Berlim.
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