segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Sombra Luminosa (2018)

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Sombra Luminosa de Francisco Queimadela e Mariana Caló (Portugal) é uma das curtas-metragens na secção competitiva dos Caminhos do Cinema Português e uma das obras experimentais presentes na mesma.
Através de uma sucessão de imagens de estatuetas tribais, a narração questiona(-se) sobre o papel que elas representa na questão de identidade de grupo demonstrando, através de digitalização das mesmas, o que se esconde por detrás da sua representação - e representatividade - revelando a imagem por detrás da "imagem" e fazendo desta última uma espécie de alter-ego que é, na realidade, a verdadeira essência desse "eu" representado.
Assim, através da construção de um património museológico digitalizado e esperado para a consulta de um público mais vasto, também como forma de criar uma identidade própria através daqueles que o procuram, Sombra Luminosa acaba por reflectir este processo de construção como parte da criação de um projecto identitário para dentro (na medida em que se torna de acesso público um acervo museológico) e para fora ao tornar disponível para esse mesmo público aquilo que fora outrora individual.
Ainda que com um conjunto interessante e pertinente de ideias sobre a identidade, é a sua execução enquanto projecto experimental que torna e transforma esta curta-metragem numa obra cinematográfica muito particular e de difícil proximidade para com o público que não consegue aderir à sucessão aleatória de imagens concentrando-se apenas na sua mensagem que, mesmo encontrando o seu espaço num mundo esvaziado de valores, nem sempre se torna cativante para o espectador de uma forma geral. Assim, e mesmo que actual... a sua mensagem dilui-se ao não conquistar um público mais vasto... se é que algum.
Pertinente apenas pela mensagem, esta curta-metragem esvai-se... tal como uma sombra... com pouca luz ou brilho próprio.
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2 / 10
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