
People Who Wait Backwards (EUA) é mais uma das curtas-metragens recentemente editadas dirigidas com o recurso à Inteligência Artificial. Nesta história, todas as manhãs os cidadãos de uma qualquer cidade aguardam numa plataforma de metro pela chegada do seu transporte. Mas esta espera não é feita de qualquer forma... todos esperam de costas voltadas para a linha em absoluto silêncio. A que se deve esta estranha transe que ninguém consegue explicar?
Sem uma aparente coerência na sua narrativa, esta curta-metragem tem uma premissa interessante que gira em torno da ideia da rotina que todos assola diariamente. A repetição de actos, movimentos e acções condenam todos a uma prisão a céu aberto que, em último recurso, acabam por a todos condenar a um esvaziamento da alma lançando-(n)os nesta impermeabilidade de sensações e sentimentos. No fundo todos estão presos a uma solidão (silêncio) no meio de tanta gente, já o dizia a canção.
No entanto, se esta premissa tem o seu potencial para criar um filme que permita a reflexão sobre os dias de hoje e sobre essa solidão cosmopolita, a verdade é que entregar a sua execução a esta nova tendência da inteligência artificial acaba por minar o resultado final e entregar ao espectador algo que acaba por ser, em diversos momentos, francamente bizarro. Bizarria esta que inicia com a movimentação artificial das personagens, a opacidade da sua presença no ecrã e sobretudo às expressões e (falta de) emoções que as personagens criadas transmitem. Expressões essas que são muitas vezes quase cópias baratas de filmes como Body Snatchers, de Abel Ferrara (1993) onde todos parecem estar numa transe (caras deformadas) dentro da própria transe que já prevê a própria história ao colocá-los num espaço e ambiente de saturação social.
Assim, o argumento que foca essencialmente os efeitos a longo prazo de um ambiente centrado na rotina e numa sociedade onde a comunidade vive perto fisicamente mas distante psicologicamente de si própria acaba por se perder numa execução que se transforma em pequenos momentos de bizarria e desconectividade provocados por uma "entidade" que, felizmente, ainda se distancia e não compreende a verdade concepção dos sentimentos e emoções humanas criando, em sua representação, figuras que são em muitos momentos, fantasmagóricos e disfuncionais daquilo que entendemos como seres "humanos"... mesmo quando vivem o auge das suas adversidades.
Potencialmente interessante sob uma perspectiva da mensagem que parece pretender transmitir, este People Who Wait Backwards acaba por ser irrelevante graças à sua execução que se torna assustadora e não pelos melhores motivos.
No entanto, se esta premissa tem o seu potencial para criar um filme que permita a reflexão sobre os dias de hoje e sobre essa solidão cosmopolita, a verdade é que entregar a sua execução a esta nova tendência da inteligência artificial acaba por minar o resultado final e entregar ao espectador algo que acaba por ser, em diversos momentos, francamente bizarro. Bizarria esta que inicia com a movimentação artificial das personagens, a opacidade da sua presença no ecrã e sobretudo às expressões e (falta de) emoções que as personagens criadas transmitem. Expressões essas que são muitas vezes quase cópias baratas de filmes como Body Snatchers, de Abel Ferrara (1993) onde todos parecem estar numa transe (caras deformadas) dentro da própria transe que já prevê a própria história ao colocá-los num espaço e ambiente de saturação social.
Assim, o argumento que foca essencialmente os efeitos a longo prazo de um ambiente centrado na rotina e numa sociedade onde a comunidade vive perto fisicamente mas distante psicologicamente de si própria acaba por se perder numa execução que se transforma em pequenos momentos de bizarria e desconectividade provocados por uma "entidade" que, felizmente, ainda se distancia e não compreende a verdade concepção dos sentimentos e emoções humanas criando, em sua representação, figuras que são em muitos momentos, fantasmagóricos e disfuncionais daquilo que entendemos como seres "humanos"... mesmo quando vivem o auge das suas adversidades.
Potencialmente interessante sob uma perspectiva da mensagem que parece pretender transmitir, este People Who Wait Backwards acaba por ser irrelevante graças à sua execução que se torna assustadora e não pelos melhores motivos.
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