quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pieces of April (2003)

Pedaços de uma Vida de Peter Hedges é um daqueles filmes independentes para com os quais confesso vou sempre de pé atrás pois ou se ama ou se odeia. Famílias disfuncionais onde estão cimentados os problemas entre os vários elementos da família. Um pai reconciliador, uma mãe austera, uma filha perfeita, um filho apagado, uma drogada áfastada do resto da família e uma avó que já não se encontra a jogar com o baralho todo. Essencialmente são estas as personagens que vamos encontrar pelo filme.
A dar corpo a estas personagens temos um elenco masculino meio apagado compensado no entanto de uma forma absoluta pelas três principais personagens femininas interpretadas por Katie Holmes, Alison Pill e Patricia Clarkson no papel de mãe, para o qual foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária.
Toda a história gira em torno da visita da família a casa da filha afastada (Holmes) durante a o período de quimioterapia da mãe na época da tão célebre época festiva americana do Thanksgiving. Ao estilo de road-trip dos pais, irmãos e avó enquanto se cruzam com alguns dos fantasmas que ensombram a família, ao mesmo tempo que vemos a odisseia de Holmes para cozinhar o bendito perú, assistimos não só a regeneração mas também à aproximação de novos elementos à própria família. Aqueles que nos ajudam num momento de crise. Que nos apoiam. Que estão simplesmente lá. Os que não nos viram a cara.
Li algures que este é o melhor filme passada durante esta época festiva que alguma vez foi feito. Tenho quase a certeza que não vi todos eles, mas dos que vi sou obrigado a concordar com esta observação. É um filme que lida com a dor, com a perda, com a indiferença mas que como todo este conjunto de sentimentos negativos forma, a seu tempo, a mesma redenção com que se abraçam e acarinham aqueles que nos são próximos. É um filme muito ao estilo d'O Casamento de Rachel, com o qual se estabelecem muitas semelhanças nos dramas familiares, sendo que este Retalhos de uma Vida consegue apesar de tudo ter um desfecho bem mais positivo.
Muito positivo na sua generalidade desde o argumento à banda-sonora mas este filme seria impossível se não tivesse um elenco tão coeso e bem estruturado com actores que se interligam e entre os quais é notória a existência de uma forte química. São eles sem qualquer sombra de dúvida o elemento mais forte entre vários.

8 / 10

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