terça-feira, 5 de outubro de 2010

República (2010)

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República de Jorge Paixão da Costa, é um telefilme português devidido ao meio para se tornar numa mini-série. Honestamente ainda estou para perceber qual esta tendência recente que muito do nosso cinema tem. Tivemos o mesmo com o Salazar, A Vida Privada, com o Amália, iremos ter com o Mistérios de Lisboa e agora... mais este República.
Bom... comentário negativo à parte (que o é sim assumidamente), foi com entusiasmo que vi este telefilme repartido não só pela sua temática como pelo conjunto de actores que me pareceu interessante, algo que apenas foi aguçado graças à enorme publicidade que o filme teve (felizmente já a começam a fazer em larga escala ao produto nacional, o que só me deixa satisfeito).
Tendo como pano de fundo a queda da Monarquia e a Implantação da República em Portugal, os conflitos gerados entre as duas facções e as inúmeras diferenças sociais existentes no país em 1910, este República conta-nos também a história de amor existente entre uma Marquesa e um Oficial apoiante da República.
Assistimos também a todo o processo que levou à fuga da família Real de Portugal bem como à tomada de posse dos primeiros governantes do novo regime num país que, pensavasse à altura, estaria a abrir um novo rumo para a sua História.
Através de um facto Histórico entrelaçado com algumas histórias ficcionadas que adensam a trama este telefilme de Jorge Paixão da Costa é a meu ver uma obra interessante e inovadora na medida em que este período da nossa História é, para a maioria da população, algo de desconhecido.
Com um conjunto de actores conhecidos das nossas televisões e outros mais esporádicos e menos assíduos, fazem parte do elenco actores como Joaquim de Almeida, Helena Costa, Pedro Lamares nos papéis principais juntamente com Carloto Cotta, Sisley Dias, Pedro Efe, João Lagarto, Ana Nave, Fernando Luís ou Ian Velloza a secundá-los. No seu todo os actores complementam-se e conseguem retirar um bom registo de forma geral, mas de todo o lote tenho que destacar os trabalhos de Pedro Lamares e Ana Nave com registos seguros e muito interessantes, e as duas agradáveis surpresas que foram Helena Costa e Sisley Dias com registos seguros e confiantes mostrando assim que a nossa nova geração de actores está com pernas para andar.
Muito bom trabalho também está o de Sílvia Grabowski, autora do guarda-roupa do filme, que recria a meu ver na perfeição o estilo de moda da altura tornando a acção muito credível como aliás é factor presente em todo o filme.
Outro factor positivo é a emergente vontade de alguns cineastas portugueses em fazer cinema de época. É certo que neste caso em concreto inserido no centenário da República Portuguesa mas, ainda assim, é bom perceber que é cinema bem feito e que, como tal, esperemos que tenha pernas para andar e que resulte na produção de uns quantos mais filmes sobre outras tantas temáticas que a nossa rica História tem para oferecer.
Gostei igualmente da banda-sonora de Pedro Janela sendo que, no entanto, parece que em momentos é repentinamente cortada deixando-nos a nós como espectadores com vontade de mais mas... não temos...
O único aspecto essencialmente negativo que encontro nesta produção televisiva é o facto de ser um telefilme (que para mim o é) dividido em dois para dar a ideia de mini-série. Não há qualquer necessidade disso, nem mesmo em audiências pois honestamente dá-me a ideia que mais depressa as perdem do que ganham e faz com que o espectador disperse a atenção de um telefilme que tem no seu todo muita qualidade.
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7 / 10
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