quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Shutter Island (2010)

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Shutter Island de Martin Scorsese é um intenso thriller do realizador de Casino e Tudo Bons Rapazes que marca uma nova colaboração com o seu novo actor fetiche Leonardo Di Caprio.
Scorsese reune aqui aquele que é um elenco de luxo onde participam além de Di Caprio, os actores Ben Kingsley, Mark Ruffalo, Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Michelle Williams, Max von Sydow, Jackie Earle Haley, Elias Koteas e Ted Devine. Só pelos nomes já desejamos que o filme valha a pena, e ao considerarmos o realizador, temos a garantia de que mau filme não será.
Acompanhamos então a chegada do detective Teddy Daniels (Di Caprio) que chega a Shutter Island para descobrir o estranho desaparecimento de uma doente que se encontrava num quarto isolado e fechado.
Através de inúmeras incursões quer pela ilha sombria, misteriosa e cada vez mais alvo de uma tempestada que tudo e todos nela isola, assistimos àquilo que para nós é uma cada vez maior intriga política que afecta não só alguns dos doentes que nela se encontram como também os dois detectives que a ela chegaram para investigar o sinistro desaparecimento até que, já bem perto do final começamos a perceber que afinal nem tudo é aquilo que, à partida, parece ser.
Com um por vezes algo sinistro argumento da autoria de Laeta Kalogridis, Scorsese dirige este filme que, não sendo a sua obra maior ou sequer que suplante o anterior filme, consegue ser suficientemente pesado e com algumas ideias com as quais nós somos infelizmente obrigados a concordar e reconhecer que se calhar até aconteceram, e que tem na sua quase totalidade uma certa aura de desconforto.
E desconforto porquê? Bom... começando pela própria temática que envolve o desaparecimento de uma doente que se encontrava isolada é por si só já algo que nos deixa que pensar. Se juntarmos a isto o facto de a ilha/hospital psiquiátrico ter um conjunto de médicos que foram claramente médicos que estiveram em campos de concentração (não esquecer que a acção do filme se centra no período pós-Segunda Guerra Mundial), também o facto de a maioria das personagens assumir desde o início ao final um comportamente francamente estranho e que a personagem principal assume uma teoria de conspiração governamental na época da caça às bruxas... então isto não é desconforto... é quase mesmo a teoria da conspiração.
No entanto esta teoria, que perdura quase durante todo o filme, desvanece já bem perto do final para dar lugar à triste realidade que assombra as personagens centrais do mesmo.
Intensa também é a banda-sonora... Fez-me, por inúmeras vezes, lembrar a d'O Cabo do Medo em que o que realmente assustava era a interpretação de De Niro mas a banda-sonora do filme teve a sua quota parte de culpa em nos manter bastante tensos enquanto assistiamos ao decorrer da acção, e não me espantaria em nada vê-la nomeada a um Oscar na próxima edição em 2011.
Como disse anteriormente esta não será a obra maior de Scorsese ou pela qual este irá ser lembrado. Também não digo que será uma obra menor... Simplesmente não tem a mesma intensidade que têm outras obras, talvez também pelo facto do nome do realizador está fundamentalmente ligado a uma filmografia de filmes de Mafia. No entanto, não será com este filme que iremos ver novamente Scorsese nomeado aos Oscars. Acredito que além da banda-sonora como referi, que o filme obtenha mais umas quantas nomeações em categorias como o Guarda-Roupa, Montagem, Direcção Artística e Som. Pouco mais do que isso. Não será com este filme que Di Caprio irá conquistar a sua nomeação a Oscar de Actor apesar de, uma vez mais, ter conseguido superar-se enquanto actor.
Interessante como um filme de actores onde, além de Di Caprio, também Jackie Earle Haley e o eternamente grandioso Ben Kingsley se destacam uma vez mais de forma bem positiva. E claro, é sempre muito bom ver uma Patricia Clarkson a aparecer novamente no ecrã... só é pena que não em papéis de maior duração porque qualidade têm todos.
Interessante e bom filme de drama e suspense que nos consegue prender do primeiro ao último momento e que nos consegue surpreender na recta final de uma forma muito interessante e bem orquestrada. Como toda a filmografia de Scorsese, também este não se deve perder.
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8 / 10
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