quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Arena (2009)


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Arena de João Salaviza foi a curta-metragem portuguesa que, em 2009, venceu a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes para grande espanto e surpresa de todos (pelo menos por estas bandas).
O filme, que sejamos honestos seria completamente esquecido por Portugal não tivesse ele ganho a Palma de Ouro em Cannes, segue Mauro (Carloto Cotta), detido em casa com pulseira electrónica que é abordado por uns miúdos a quem fez uma tatuagem e estão descontentes com o trabalho feito. Como vingança entram na casa de Mauro, agridem-no e roubam o seu dinheiro, algo que gera no mesmo a sede de vingança.
Após sair de casa, violando claramente a sua sentença, persegue-os com o objectivo de recuperar o seu dinheiro e após prender um deles na mala de um carro, Mauro olha para o céu e enquanto faz a sua "mijadela" da praxe, rende-se perante o esplendor daquilo que apenas pode ser equiparado à liberdade, esquecendo assim todos os seus sentimentos de vingança. Nada mais libertador do que um homem aliviar a bexiga a céu aberto... *sigh*
Com interpretações contidas da parte de um Carloto Cotta que tem aqui o desempenho pelo qual a sua carreira já esperava há bastante tempo, porque sim o tipo até tem jeito só lhe faltam mesmo é papéis à altura do seu talento, este filme foi um justo vencedor do elevado galardão que recebeu.
A Carloto Cotta, como disse, era o que lhe faltava. O seu desempenho está bem dirigido e coerente, sendo assim a rampa de lançamento que lhe faz justiça. E podemos ver também como desde então o seu ritmo de trabalho tem aumentado estando ele presente em pelo menos dois filmes longa-metragem e em papéis principais.
João Salaviza está realmente de parabéns e o seu trabalho como realizador desta curta (que aqui pode ser vista na íntegra) é, na minha modesta opinião, notável. Em termos técnicos apenas posso destacar que o seu trabalho de câmara dá a clara sensação do sentimento de clausura enquanto Mauro se encontra no seu minúsculo apartamento e, ao mesmo tempo, quando dele sai sentimos também o que é de facto a liberdade. A imagem em que ele e o céu preenchem o ecrã é demasiado reveladora.
Justo vencedor da Palma de Ouro na categoria de curta-metragem só é pena que desde então não se tenha ouvido mais falar de Salaviza como deveriamos ter. Aguardam-se então novos desenvolvimentos.
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7 / 10
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