quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mean Creek (2004)

.
Uma Pequena Vingança de Jacob Aaron Estes é um drama teen que decorre numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos e que tem nos principais papéis Rory Culkin, Trevor Morgan e Scott Mechlowicz.
A acção do filme decorre após aquele que parece ser mais um bullying por parte de George (Josh Peck) sobre Sam (Culkin). Depois de já estar farto de ser constantemente agredido, Sam combina com o seu irmão Rocky (Morgan) e com uns amigos deste em pregar uma partida bem forte a George para o humilhar perante toda a cidade.
Depois de convidarem George sob o falso pretexto da festa de aniversário de Sam, e de dirigirem para o rio onde iriam fazer canoagem, George revela inicialmente uma personalidade mais dócil e frágil até ao momento em que se sente novamente provocado e reage como sempre havia feito até aí. Momento este em que tudo muda de figura.
Este filme composto quase na sua totalidade por actores mais jovens toca num assunto que até há bem pouco tempo era totalmente tabu, ou seja, o bullying. Quantos não serão os jovens que maioritariamente no silêncio não sofrem ataques consecutivos de outros jovens, nomeadamente nas escolas, e que se fecham e isolam tentanto mostrar aos demais que não se passa nada?
Esta seria a premissa inicial do filme até ao momento em que a personagem interpretada por Rory Culkin desabafa e confessa ao irmão o que afinal se tem passado com ele. É então aqui que a história toma outros contornos e se assume como aquilo que ela na realidade é... uma história de vingança. Vingança esta que assumia inicialmente contornos não tão "graves" mas que, com o desenrolar da acção se assumiu como uma vingança pura e dura para alguém que fazia os demais sofrer quer física quer psicologicamente às suas mãos.
Este filme deixa-nos pensar onde está na realidade o agressor. Será ele George, um jovem problemático que mostra que a única atenção de que é alvo é aquela que tem das suas vítimas quando as agride? Serão os agressores os outros jovens que são diariamente alvos destas investidas violentas?
Por sua vez deixa-nos igualmente a ponderar sobre quem será a verdadeira vítima.... É George a vítima na medida em que tem pouca atenção em casa e ainda menos na escola, muito derivado também das dificuldades de aprendizagem que revela ter ao longo do filme? Serão os demais jovens que sofrem às mãos de George?
Quem é a verdadeira vítima e o verdadeiro agressor no meio de tudo? Nada mais simples do que pensarmos que existe apenas uma resposta para ambas as perguntas... A sociedade. É ela que permite que um jovem tenha e continue a ter dificuldades de aprendizagem e que não seja devidamente inserido num contexto de compreensão e atenção. É ela que permite que os mais jovens assistam a todo o tipo de violência e que pensem que essa é a única forma de obtenção so que querem, e não através do diálogo. Finalmente, é também a sociedade, e por sua vez a comunidade, a verdadeira vítima na medida em que são estes mesmos jovens que, de uma forma ou de outra, irão ser os futuros líderes e adultos da mesma, perpetuando assim um ciclo de violência que dificilmente consegue encontrar o seu fim.
Assumo que foram precisas duas vezes para ver este filme, e que ambas foram separados por cinco anos para que pudesse claramente perceber a mensagem que este filme tem. Não por não lhe ter dado devida atenção da primeira vez, mas porque há temas e assuntos que felizmente deixam de ser tabu com o passar dos anos, e podemos assim perceber acções que se passam à nossa volta e por vezes até mesmo connosco. É esta distância temporal que faz este filme realmente ganhar a importância que tem e tornar-se numa importante peça que testemunha aquilo que hoje vulgarmente conhecemos como bullying. Como este assume contornos perigosos que vão desde a violência física à psicológica e como nos compete a nós enquanto comunidade e membros da sociedade tomar medidas para que ela não se perpetue num ciclo vicioso do qual a juventude dificilmente escapa.
A ignorância não é felicidade. Nunca foi. Nunca deveria ter sido. Não é. E espero sinceramente que nunca o seja.
Um aplauso aos brilhantes desempenhos que este grupo de jovens actores aqui tem que retrata de forma exacta e coesa um dos mais fortes e pesados dramas da população mais jovem.
.
 
.
7 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário