sábado, 15 de fevereiro de 2014

Morales (2013)

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Morales de Roger Villarroya é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos apresenta o pequeno Morales (Adrián Torrero), um miúdo desatento na sala de aula e cuja professora (Montse Alcoverro) está constantemente a repreender pela sua falta de atenção e notória vontade de não responder às questões colocadas.
Ameaçado pela  professora de que está a um pequeno passo de perder o direito de ir ao recreio, Morales ignora mais uma vez as instruções dadas e desafia uma última vez a autoridade... o castigo está para breve.
O argumento, também ele escrito por Villarroya, não poderia entregar um conjunto mais vasto de boas sensações ao longo de toda esta curta-metragem. Se por um lado nos sentimos empáticos com aquela criança que se encontra num espaço pequeno demais para a sua aparente imaginação, não é menos verdade que se o espectador o pudesse inicialmente achar "disperso" e desatento, rapidamente percebia que dentro de uma sala de aula onde se vive uma ameaça constante esta seria a sua única fuga possível.
No entanto, as boas notícias chegam aos poucos especialmente quando percebemos que aquela sua condição esconde um plano bem mais elaborado do que o seu ar angelical permite suspeitar. "Morales" é assim fundamentalmente uma criança que, aos poucos, deseja um pouco mais do que aquilo que lhe é possibilitado entre as quatro paredes de um colégio conservador.
Dito isto, e tendo sempre em consideração que nos encontramos perante um jovem intérprete - um brilhante Adrián Torrero - mais empatia nutrimos pelo seu trabalho quando finalmente descobrimos todo o seu plano e escape de um meio que é, desde o primeiro instante, adverso.
Torrero cativa-nos com a sua expressividade, com os seus olhos cheios de sonhos e com a concretização dos mesmos e dos quais temos um breve vislumbre. Cativa-nos ainda graças à concretização de uma história terna, sensível e ao mesmo tempo reveladora de uma grande coragem e de um sentimento absoluto que confirma vida... a "vida". E apesar da curta duração desta curta-metragem, não é menos verdade que tudo o que é preciso dizer está ali... As adversidades, a esperança, o sonho, a verdade e principalmente os sacrifícios que cada um se dispõe a experenciar em nome de um desejo de ter algo maior... muito maior.
Igualmente intensa, mas esta pelo seu lado negativo, é a breve mas segura interpretação de Montse Alcoverro, a professora pouco dada a simpatias para com os seus alunos que ameaça e amedronta aqueles que de alguma forma lhe fazem frente.
Medo este que se dissipa e que se torna uma mera má ilusão quando no final todos os objectivos se concretizam e se revelam graças ao poder de ser diferente, original e principalmente por respeitar a sua própria essência transformando Morales num "feel good movie" e que fazem de "Morales" enquanto personagem, aquele miúdo vencedor e que mais tarde alguém que se sente completo. No final, e apesar de ir recorrer a um "lugar comum", muitos de nós vão rever-se nesta personagem ou até mesmo rever alguns dos nossos momentos do passado e relembrar alguém que, tal como "Morales", ousou ser diferente e fazer o seu próprio percurso... mesmo que este parecesse, na altura, (in)correcto.
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9 / 10
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