quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sam Samurai (2014)

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Sam Samurai de Rui Ribeiro é uma curta-metragem portuguesa de ficção cujo seu primeiro grande trunfo se prende com um genial e muito bem elaborado genérico inicial da autoria de Guilherme Gomes que com uma animação muito sóbria nos apresenta a base para a história que iremos testemunhar de seguida.
Sam (José Pedro Ferreira) é um menino fã de toda a mitologia japonesa ligada aos samurais. O seu roupão enquanto "veste oficial" e o seu chapéu escondem, no entanto, toda uma diferente realidade que o afectam e aos seus pais (Martinho da Silva e Paula Neves).
Conseguirá Sam resistir ao terrível Tigre vencendo-o na sua mais difícil batalha?
O realizador e argumentista Rui Ribeiro prepara uma interessante analogia com esta história conferindo seriedade e a dose apropriada de humor para que o espectador se sinta ligado a esta odisseia que se espera tenha um fim bem sucedido. Raras são as ocasiões em que uma história com um profundamente dramático ambiente se consiga dirigir sem que apele à lágrima e a um sentimentalismo que, por vezes, condicionam os momentos bons da vida. Aqui, no meio da doença e da constante consciência de perda, o sentimento que prevalece à o da vitória... o das batalhas travadas e bem sucedidas e o não desistir face àquela que é - será - possivelmente a maior provação desta família.
Sam Samurai, como já referi, conquista imediatamente pelo seu genérico que poderia muito facilmente transformar-se no início de uma inteligente e bem estruturada curta-metragem de animação, mas não será menos verdade afirmar que também seduz o espectador pelo espírito enérgico que o jovem José Pedro Ferreira consegue conferir à sua personagem de forma muito natural. Contagiante pela energia que deposita nas suas aventuras para conquistar o temido "Tigre" (uma fera bem perigosa por sinal), "Sam" faz com que o espectador esqueça todo o fundo da história que se adivinha sério e apenas nos damos conta do mesmo pelos breves segmentos em que a mãe - inspirada e felizmente aparecida Paula Neves - encarna o rosto da realidade.
Rui Ribeiro não confere a Sam Samurai nenhum espírito derrotista ou até mais dramático. Aqui o que reina é uma incansável vontade de espalhar a mensagem de que o mal poderá e será derrotado mesmo que a batalha se adivinhe forte e impiedosa. Os bons vencem... os bons sempre vencem.
Com a música original de Filipe Goulart a fazer justiça ao verdadeiro espírito da história e aventura paralela àquela da realidade, Sam Samurai transforma-se muito rapidamente numa curta-metragem com uma missão, com uma positividade invulgar em filmes deste género e com um sentido de legado para aqueles que atravessam situações semelhantes... um filme de espírito de conquista, de razão no seio da aventura imaginada e com três interpretações capazes de representar tantos lares que sofrem problemas tão idênticos que poderão eventualmente encontrar aqui o espelho dos seus próprios momentos.
Surpreendentemente original e positivamente inspirador, Sam Samurai é - infelizmente - um filme que tem estado "escondido" mas que certamente irá revelar-se nos próximos tempos. Assim o merece.
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7 / 10
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