segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Yuki & Nina (2009)

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Yuki & Nina de Hippolyte Girardot e Nobuhiro Suwa, que também assinam o argumento, é uma longa-metragem francesa que nos conta a história de duas amigas: Yuki (Noë Sampy) e sempre do seu lado temos Nina (Arielle Moutel). Quando Yuki descobre que os seus pais se estão a separar tenta em vão reunir o casal através dos seus inocentes actos sempre assistidos pela sua amiga.
Quando o mundo dos adultos parece totalmente transformado deixando assim de fazer o pouco sentido que fazia, o melhor escape que estas duas amigas encontram é o refúgio que têm nas suas pequenas brincadeiras e cumplicidades típicas de uma genuína amizade.
Se inicialmente o espectador é surpreendido por uma aparente tranquilidade nos tormentos de uma jovem menina que vê todo o seu mundo abalado pelas atitudes e comportamentos dos adultos que a rodeiam, as pequenas nuances que são fornecidas pelas suas reacções face aos mesmos demonstram que não só tem todo um mundo de sentimentos à flor da pele que só não são imediatamente compreendidos fruto da jovem idade da mesma.
A mudança radical de vida que "Yuki" irá ter fazem-na tentar descobrir um pouco mais sobre o mundo que irá conhecer e que foi, até então, algo distante e longínquo do qual pouco ou nada compreendia para além da língua com a qual mantém alguma proximidade através da sua mãe. A novidade da sua situação é total mas, tendo isso em consideração, a sua jovem idade impedem-na de o ver como algo mau mas sim uma transformação que ainda não compreende para lá daquilo que irá deixar para trás na sua Paris natal.
Com uma dinâmica muito própria, talvez tentada como um reflexo da experiência e da compreensão tida por uma jovem criança da sua nova realidade, Yuki & Nina pouco acrescenta ao espectador que apenas retém um distanciamento de uns pais que parecem apenas pensar na sua liberdade individual enquanto casal que já não partilha destinos e ideais em comum esquecendo, por sua vez, uma jovem filha que não só não parece motivada para aceitar a separação dos seus pais como menos ainda mudar para o outro lado do mundo e abandonar tudo aquilo que conhece.
Simpático e com alguns momentos "familiares" que - esperava - pudessem ter sido mais explorados e que contribuíssem assim para uma maior dinâmica de toda a narrativa, Yuki & Nina não consegue, no entanto, se aquela longa-metragem cativante que explora a transformação de uma jovem criança numa pré-adolescente que percebe que o mundo não é tão cor-de-rosa como até então o idealizara ou, por outras palavras, ser aquele filme sobre a infância que o espectador desejaria ver onde o mundo se revela - finalmente - bem mais distante da inocência com que em criança o pintamos, que não é garantido que todo o amor dure para uma vida ou até mesmo em que medida resistem as (verdadeiras) amizades.
De Yuki & Nina destaca-se evidentemente a interpretação de Nöe Sampy, a jovem actriz que dá corpo e uma estranha alma a "Yuki", a jovem que revela ter o maior desenvolvimento de carácter da sua personagem e que a assume como uma jovem perspicaz e atenta ao desencanto do mundo que se desenvolve não só do outro lado das quatro paredes da sua casa, mas também ali dentro, com os seus pais... aqueles que prometeram de tudo protegê-la mas que agora parecem concentrados na sua própria personalidade enquanto seres "livres" e abertos para uma nova vida. Sampy destaca-se pela sua aparente inocência que se transforma em desilusão, medo que dá lugar à incerteza e finalmente uma esperada aceitação de que a sua realidade será numa sociedade e comunidades mais próximas do seu própria carácter reservado e intuitivo.
Com um ritmo muito próprio e por vezes aquém do esperado desenvolvimento da transformação da vida parisiense para o interior profundo de um Japão conservador, Yuki & Nina cumpre na sentida reflexão sobre o dito "coming of age" de uma jovem menina mas fragiliza-se na revelação das suas consequências bem como na percepção daquilo que permanece para lá da compreensão de que a vida já não será como até então... muda... evolve... desenvolve... mas nada será como até àquele momento.
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6 / 10
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