segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O Último Dia de Um Homem Morto (2013)

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O Último Dia de Um Homem Morto de Joel Rodrigues e André Agostinho é uma curta-metragem portuguesa de ficção na qual Alfredo (José Freixo) surge coberto de sangue e a arrastar o corpo de Joaquim (Joel Rodrigues) por umas escadas. Quando Joaquim desperta e percebe a sua nova condição em cativeiro, o espectador é levado a um passado em que conhece toda uma terrível história de dor física mas principalmente uma dor psicológica que destrói a mente humana.
Joel Rodrigues, André Agostinho, José Freixo e Diogo Silva assinam um argumento que roça os princípios do terror físico na medida em que praticamente toda esta história se desenvolve num espaço onde uma vítima enclausurada é sujeita à mais variada tortura mas, ao mesmo tempo, é também verdade que aos poucos percebemos que esta tortura é mais psicológica quando descobrimos quem é realmente "Alfredo".
A certa altura, e graças a uma sobreposição de imagem, o espectador compreende a complexidade de uma mente perturbada como é a de "Alfredo", um homem atormentado pela sua vida e experiências, que o condicionam a um estado de constante alucinação não distinguindo o "eu" do "outro" e até mesmo mesclá-lo num novo ser que o próprio não reconhece.
Quando a dor provocada pela vida intensifica um sofrimento já de si extremo, a mente, o pensamento e a consciência desligam-se da realidade vivida fazendo-a escapar para uma realidade paralela que o façam ignorar o momento que vive. Assim, num duelo entre o real e o imaginado, a verdade e a mentira, apenas uma alucinação extrema o conseguem fazer sentir-se vivo quando, na realidade, a vida escapa perante os seus dedos sem que disso se dê conta.
Com uma química presente entre os dois actores, Joel Rodrigues dirige-se a si próprio nesta curta-metragem mas, ao mesmo tempo, distancia-se do seu duplo papel para entregar um determinante protagonismo a José Freixo que encarna na perfeição o retrato de um corpo e de uma mente perdidos no seu próprio labirinto de dor que o fazem escapar à sua realidade entrando num domínio onde ele realmente se perde.
O Último Dia de Um Homem Morto é assim uma interessante curta-metragem sobre a dualidade do ser e da mente mas que, ao mesmo tempo, mereceria uma maior exploração das suas personagens, dos seus passados e das suas limitações que os transportaram àquele espaço e àquele local que estranhamente fazem parte do seu ser sem que, os próprios, sejam dali.
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7 / 10
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