sexta-feira, 3 de julho de 2009

The Color Purple (1985)

É curioso pensar como dos primeiros filmes que foram grandes produções a que assisti, todos eles foram realizador pelo Steven Spielberg. Começando pelos Salteadores da Arca Perdida depois o ET e o Tubarão e antes de chegar ao filme de hoje vi ainda primeiro o Império do Sol.


Assim sendo foi este o grande mestre que me "mostrou" aquilo que até então eu considerava bom, e aquilo que é hoje considerado obra-prima.


Chegou o dia, há muitos muitos anos atrás, em que vi dois elementos que me transportaram até ao A Cor Púrpura. O primeiro tal como disse o nome de Spielberg que me havia habituado até há data a grandes espectáculos de emoções e de cinema de qualidade. O segundo prende-se com outro nome; o de Whoopi Goldberg da qual tinha conhecimento dos seus papéis que achava magníficos no domínio da comédia nomeadamente Uma Mulher dos Diabos que havia inclusivé visto no cinema também. Tinha aos meus olhos os ingredientes que me levariam a ir vê-lo. E que bem que assim foi.


O filme começa... Somos imediatamente presos ao ecrã por uma história que aos poucos se revela ser extraordinariamente cativante e emocionante. Não tem sequências de acção como outros filmes a que Spielberg nos habituou, mas prende-nos ao ecrã pela enorme carga humana com que nos vamos deparando à medida que o tempo do filme vai passando por nós. É uma verdadeira experiência humana.
Dividido entre dois grandes universos. O primeiro de repressão e de humilhação e o segundo de liberdade e crescimento. É assim o mundo de Cellie (a personagem interpretada pela GRANDE Whoopi Goldberg) que tanto nos faz rir como emocionar. De uma personagem mais reservada e calada passa a uma mulher que se afirma e conquista. Apesar de não ter ganho o Oscar de Melhor Actriz ela tem aqui o grande papel da sua vida. Teve outros bons de facto, mas este é aquele pelo qual ela irá ser para sempre recordada. Justamente!
Todo o conjunto de actores e actrizes foi certo. Tendo visto hoje o filme inúmeras vezes não há qualquer outro que eu ache que o poderia ter feito tão bem como aqueles que aqui marcaram presença.

Danny Glover tem aqui uma presença que nos incomoda pela sua violência, mas que está perfeita na sua elaboração.

A sensualidade que a Margaret "Shug" Avery nos trás a este filme apenas é ultrapassada pela sensibilidade que depois nos mostra, e pelo afecto que dá à personagem da Whoopi.



E a grande, GRANDE Oprah "Sofia" Winfrey... que não precisaria fazer absolutamente mais NADA no cinema porque aqui demonstrou em todas as frentes o que é o verdadeiro papel de uma actriz. Emocionante e forte. Sentimental e duro. É ela que tem uma das presenças mais significativas do filme bem como um dos seus mais poderosos e simbólicos discursos:

"Sofia: Sat in that jail, I sat in that jail til I near about done rot to death. I know what it like to wanna go somewhere and cain't. I know what it like to wanna sing... and have it beat out 'ya. I want to thank you, Miss Celie, fo everything you done for me. I 'members that day in the store with Miss Millie - I's feelin' real down. I's feelin' mighty bad. And when I seed you - I know'd there is a God. I know'd there is a God."


Neste filme tudo é bom... As interpretações como já referi são muito coerentes e extremamente boas. Qualquer uma delas sem excepção o que aliado a um bom argumento, como é o caso, faz logo à partida um potencial excelente filme (como se confirma).

Há no entanto que não esquecer excelentes cenários na qual para mim reina a cena final (não, dessa não vou deixar aqui qualquer vídeo pois para quem não viu TEM de ver para saber e perceber daquilo que falo).

É também muito boa a banda sonora, que teve em Quincy Jones um dos seus mestres, e da qual deixei aqui já um belo (o mais) dela para que se sinta e perceba a importância que este tem ao longo de todo o filme, que é por si só uma obra sem qualquer defeito.

No meio de tudo isto resta-me dar a ressalva do muito bem entregue que foi o Globo de Ouro de Melhor Actriz Drama à Whoopi Goldberg por este seu desempenho. É algo de reconfortante perceber que por vezes há papéis francamente bons que são recompensados.

Lamento no entanto que este que é um BELÍSSIMO filme e que foi recompensado com 11 nomeações aos Oscars da Academia, não tenha durante a cerimónia visto nenhuma (nem UMA) dessas nomeações ser convertida numa estatueta. Não que isso torne o filme menos importante, pois é soberbo demais para se manchar com a "falta" de prémios. Eles simplesmente iriam fazer brilhar aquilo que já é estelar.

Mais um filme que considero não ser de perder por ninguém por ser do mais belo que a Sétima Arte nos poderá alguma vez oferecer.







"Celie: [lunging towards Albert with a knife] I curse you. Until you do right by me everything you think about is gonna crumble!



Sofia: Don't do it Mrs. Celie. Don't trade places with what I been through.



Shug: Come on, Celie, let's go to the car.



Sofia: He ain't worth it, he ain't worth it.



Albert: Who you think you is? You can curse nobody. Look at you. Your black, you're poor, you're ugly, you're a woman, you're nothing at all!



Celie: Until you do right by me, everything you even think about gonna fail!"



10 / 10

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