sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amadeus (1984)

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Amadeus de Milos Forman com a participação de F. Murray Abaham como o compositor Salieri e Tom Hulce no papel de Mozart é um intenso drama sobre a vida do compositor austríaco recheado de magníficos segmentos com as suas óperas e um interessante e intenso relato da vida decadente e de miséria que o mesmo levou.
Neste filme acompanhamos toda a história de Wolfgang Amadeus Mozart (Hulce) através do relato daquele que foi o seu maior rival "silencioso", o compositor italiano Antonio Salieri (Abraham) demente por ter prejudicado a vida daquele que considerava ser a voz de Deus na Terra.
Salieri que assistiu ao "nascer" de Mozart na vida social de Viena invejava, com uma grande convicção, a capacidade de Mozart compôr, respirar e no fundo viver música, e ser uma pessoa leviana e sem qualquer tipo de conduta moral. Se aos olhos de Mozart, Salieri ajudava-o na corte austríaca, a realidade era bem diferente.
Pelo meio das inúmeras intrigas de corte em que Mozart saía quase sempre perdedor, vítima das suas próprias ideias que queriam inovação e modernidade onde ela era ainda muito escassa, assistimos igualmente a uma vida recheda de boémia e afastada dos princípios algo castradores do seu pai que o queria numa vida calma, tranquila e guiada pelo temor a Deus. Estes eram os fantasmas pessoais pelos quais vivia assombrada e que, através do esplendor da sua música, conseguia exorcisar.
Utilizando uma expressão muito moderna, Mozart foi uma vítima do seu próprio tempo. Uma alma grande demais que foi silenciada tanto no plano profissional pelas invejas que causava a sua excelência, como também pelos próprios medos que sentia derivados da repressão de juventude.
A dar vida a estas personagens temos um elenco feito à sua medida. Para Mozart temos um excêntrico Tom Hulce que em nada se poupou para encarnar a vida e a alma do compositor austríaco. Ainda hoje todos nós nos lembramos das suas estridentes gargalhadas que em muito contribuíram para o lado cómico neste filme dramático. Da mesma forma que ainda nos lembramos de um Salieri soturno, maquiavélico e invejoso que tudo tentava para travar o génio de Mozart. Este Salieri interpretado por F. Murray Abraham naquele que foi talvez o melhor e maior papel da sua já longa carreira.
Ambos actores tiveram a sua primeira e única, até à data, nomeação para o Oscar de Melhor Actor. Abraham saíria vencedor da estatueta dourada sem, no entanto, deixar de referir que ela também pertencia ao seu parceiro protagonista. Esta dupla funciona simplesmente na perfeição, e realmente ambos mereciam ter levado um Oscar para casa.
Continuando com os Oscar, o filme foi vencedor de oito estatuetas num total de onze para que havia sido nomeado. Além da referida para Actor, o filme venceu ainda as de Filme, Realizador, Argumento Adaptado, Direcção Artística, Guarda-Roupa, Caracterização e Som, tendo ainda sido nomeado para Fotografia, Montagem e claro a segunda nomeação a Actor para Tom Hulce.
Este foi, e com justiça, o filme sensação do ano, que gerou uma legião de fãs ainda hoje resistente e incluindo músicas alternativas, tal não foi o seu sucesso.
Um filme intenso que reflete não só sobre a vida destas personalidades reais, como talmbém, e se calhar especialmente, sobre a inveja, o poder e a ambição. Como elas dominam o homem e os seus objectivos. Como estes mudam em favor da manutenção do poder próprio, e como elas podem levar à destruíção dos outros, mas ainda mais importante é como estes sentimentos podem levar à nossa própria destruíção quando os sentimos e nos deixamos consumir por eles.
E se não quisermos ou virmos o filme nesta perspectiva, ele não deixa de ser um estrondoso e luxuoso espectáculo que deve ser visto e apreciado e considerado, claro está, como um dos símbolos maiores do cinema e da década de 80. Imperdível.
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"Salieri: I will speak for you, Father. I speak for all mediocrities in the world. I am their champion. I am their patron saint. Mediocrities everywhere... I absolve you... I absolve you all."
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10 / 10
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