domingo, 17 de abril de 2016

The River King (2005)

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Os Crimes do Rio Rei de Nick Willing é uma longa-metragem canadiana cuja personagem principal é Abel Grey (Edward Burns), um polícia de uma pequena cidade de interior que se depara com a misteriosa morte de Gus (Thomas Gibson), um jovem estudante inadaptado de um colégio muito restrito.
Quando tudo parece indicar que existe algo mais por detrás da morte de Gus, Abel encara a relutância não só do colégio como principalmente do corpo policial em prosseguir com a investigação pois pode colocar em risco os elevados donativos que a direcção do reputado colégio faz para a cidade.
Entre desvendar um misterioso crime ou deixar que tudo se desvaneça na memória da população, Abel tem igualmente de enfrentar os seus próprios demónios e lembranças de um passado que não ficou resolvido.
Quase tão pacífico como a própria localidade em si, The River King esconde uma violenta realidade por detrás dos bons costumes da comunidade exemplar em que esta acção decorre. Se por momentos esquecermos o crime que aqui é investigado, The River King apresenta uma comunidade tranquila onde ninguém questiona as elites que são aqui agregadas aos jovens e exemplares estudantes de um colégio que não só é uma instituição respeitada pela sua exigência académica como também contribui de forma determinante para o bom funcionamento de todas as instituições da cidade. No fundo, aquilo que o espectador aqui tem é o perfeito exemplo de uma comunidade onde desejaria viver... em tranquilidade e segurança. No entanto, muito lentamente acaba por ser desmistificada toda esta aparente tranquilidade quando alguém, que vive o seu próprio conflito interior com a localidade e com as suas gentes, começa por questionar todos os pequenos mistérios que até então passavam sem serem alvo de observações.
The River King é acima de um filme sobre um eventual assassinato, um filme sobre a corrupção, sobre o preço de e que cada pessoa tem e coloca sobre os seus próprios princípios morais e sociais revelando que, dadas as circunstâncias certas, qualquer um pode ser passível de corrupção... afinal, todos têm - eventualmente - o seu próprio preço. Até que ponto se fecham os olhos quando os verdadeiros crimes acontecem sem que ninguém os questione ou, ainda pior, sem que quem tem a autoridade sancione a quebra de um elo mesmo que este seja frágil e potencialmente susceptível de uma ruptura?
Com questões que passam pela já referida corrupção - das pessoas, das instituições, da comunidade e da sociedade - The River King não esquece a infância, a adolescência, os rituais de iniciação e o tão silenciada crime como o é o bullying onde as vítimas sofrem com a convicção de que a sua dor mais não é - aos olhos dos demais - do que meras brincadeiras (perigosas) de crianças que primam pela ostracização social aquando da indiferença voluntária de um inadaptado para com um suposto - e temido - líder.
Muito ao estilo de um telefilme em que tudo é graciosamente pausado para manter em suspenso os instantes seguintes, The River King integra ainda na sua narrativa um elemento sobrenatural que - a seu tempo - revela não ser mais do que o peso de uma consciência atormentada pela culpa auto-incutida de um passado conturbado - o de "Abel" - e ao qual Edward Burns tenta com a sua interpretação humanizar. Se este poderia ser um dos aspectos mais desenvolvidos de The River King, é também verdade que acaba por ser aquele que é voluntariamente ignorado até um final já relativamente esperado pelas pequenas, mas óbvias, pistas que são deixadas pelo caminho ao longo do filme.
Não sendo um filme que fique na memória para lá do tempo necessário - os instantes seguintes ao seu visionamento - The River King consegue ser competente na sua construção mas pouco expressivo nos seus factos, na sua suposta dor e principalmente na forma como impavidamente todas as suas personagens tentam demonstrar ora a sua preocupação ora a sua indiferença para com aquilo que os rodeia. Deveria ter uma alma - tenta a certa altura - mas perde-se por um caminho gélido no qual as comparações com as suas personagens se tornam, a certa altura, por demais evidentes.
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6 / 10
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