quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Day of the Dead: Bloodline (2018)

.
Day of the Dead: Bloodline de Hèctor Hernández Vicens é uma longa-metragem de co-produção búlgara e norte-americana que recupera o clássico Day of the Dead (1985), de George Romero no qual os sobreviventes de um holocausto zombie se refugiam numas instalações militares onde se tentam algumas experiências que possam reverter os efeitos de uma dentada dos mortos-vivos.
Contrariamente àquilo que os filmes deste género nas décadas passadas apresentavam, Day of the Dead: Bloodline é o mais recente exemplar de que os mortos-vivos já não são o que eram... Privados de vida, inteligência e reflexos, aqui estes seres que já não o são movimentam-se, e bem, conseguindo chegar sempre às suas vítimas da forma mais eficiente para a sua própria "sobrevivência". Mas, comecemos pelo princípio... Desde os momentos iniciais que temos a vítima de serviço numa "Zoe" (Sophie Skelton), que de estudante universitária com sede de conhecimento mas atormentada por um psicopata "Max" (Jonhathon Schaech) que resolve atacar quando todo o mundo se prepara para ruir. Mas, é quando todo o mundo se prepara para morrer que "Zoe" tem a sua inesperada salvação... à custa de um morto-vivo. Fugas à parte, os poucos sobreviventes que conseguem escapar a um ataque muito coordenado - e excessivamente coreografado - refugiam-se num bunker onde não só escapam ao apocalipse como também tentam encontrar a tal cura que possa fazer reverter os nefastos efeitos destes seres que agora parecem dominar as ruas de todas as povoações.
Com doses pouco equilibradas sobre a noção do mundo tal como está - e foi -, bem como o tradicional isolamento e medo dele proveniente desta nova realidade, Day of the Dead: Bloodline tenta ganhar um novo fôlego revelando que, afinal, estes mortos também podem pensar. Sem uma comédia propositada para lá daquela provocada pelo absurdo motivacional em causa, esta longa-metragem de Hernández Vicens não escapa a nenhum dos lugares comuns que as entregas mais frágeis deste género têm realizado nos últimos anos, nomeadamente os acasos que se tornam em factores condicionantes e determinantes para a extinção dos próprios sobreviventes, as vítimas indefesas e frágeis que se transformam nas novas heroínas de serviço face a um mal ao qual, aparentemente, ninguém conseguiu escapar e, finalmente, a breve mas intensa história de amor que nem o apocalipse consegue fazer terminar... ou a qual o mesmo lhe deu pernas para andar. Aqui, temos de tudo.
Mas, quando o espectador pensa que os lugares comuns e as banalidades estão prestes a terminar, eis que encontramos o factor X que determina a irreverência - ou talvez não! - desta história quando um supostamente eliminado "Max" regressa... num limbo entre existências... estará morto... estará ainda vivo? Morto certamente... e com algum apetite por carne humana mas não sem antes revelar que a memória persiste e a sua obsessão por "Zoe" está tão intensa e presente quanto antes qual cão farejador que não desiste de encontrar a sua - digamos - amada... Num baile entre vítimas e mortos-vivos que pouco se distanciam "emocionalmente" de alguns dos vivos que insistem em manter o seu poder como salvação daquilo que resta da Humanidade, Day of the Dead: Bloodline confirma que por muito que se tentem as incursões no género, poucas são aquelas que irão conseguir resistir com a mesma verve, inteligência e irreverência que aquelas sob a mão do verdadeiro mestre George Romero.
As banalidades e momentos absurdos conseguem destruir algo que até teria algum potencial, afinal tantos são os milhares de fãs que se mordem - piada à parte - por um filme deste género. No entanto, não basta querer fazer... há que saber fazê-lo e este Day of the Dead: Bloodline não consegue recuperar o tal "sangue" - outra piada à parte - que se espera de um filme que deveria ter tudo para resultar como uma nova abordagem ao género... afinal, se se quisesse fazer algo com algum humor e entregar sim, uma consciência a um morto-vivo, esta longa-metragem não se poderia levar tanto a sério como o pretende... E, por sua vez, se a vontade de Bloodline era criar um filme cujas temáticas sobre experiências médicas em humanos e curas milagrosas à custa de perigosos predadores se pretendiam ser levadas a sério... então não poderíamos estar a assistir a uma obra onde a sua suposta seriedade é levada com tanta ligeireza e sentido de humor (pobre) como aqui o temos.
Com um conjunto de personagens que oscilam entre o banal - Marcus Vanco e o já mencionado Schaech - e o piroso -Skelton -, Day of the Dead: Bloodline é um daqueles filmes do qual o espectador dificilmente irá encontrar uma explicação plausível para o justificar como "existente", que não chega para satisfazer a necessidade fílmica quer da obra quer do espectador que pagou um bilhete para o ver e, finalmente, que transforma todos os lugares comuns em momentos dispensáveis onde nem os mortos-vivos que por ali andam conseguem convencer sobre a sua... intenção. Assim, e numa breve avaliação final... pouco se aproveita e o absurdo espreita realmente ao virar da esquina quando basta um morto-vivo com "consciência" para destruir todas as defesas de um grupo de experientes militares altamente armados.
.

.
3 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário