terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Manhattan Nocturne (2016)

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Manhattan Nocturne de Brian DeCubellis (EUA) baseado no romance de Colin Harrison que conta a história de Porter Wren (Adrian Brody), um repórter de um tablóide de Nova York disposto a tudo pelo próximo escândalo. Quando Caroline Crowley (Yvonne Strahovski) o aborda para descobrir o que está por detrás da morte de Simon (Campbell Scott), o seu marido, Porter não resiste àquilo que pode ser o próximo escândalo mediático da sociedade.
Num misto de chantagem e segredos que todos tentam desesperadamente esconder, Porter irá envolver-se numa história para a qual poderá não estar preparado arriscando a própria estabilidade familiar.
Sexo, escândalo e poder. Qualquer filme poderia desejar ter no seu argumento estes três elementos e transformar-se num esperado êxito de bilheteira mas, no entanto Manhattan Nocturne e a adaptação do romance pelos mãos do próprio realizador que também assina o argumento, exibe-se com muita facilidade como uma réplica menos noir, e francamente menos inspirada, de um qualquer conto de Brian De Palma.
Se cedo Manhattan Nocturne se assume como um conto sobre a desilusão graças aos inúmeros relatos das vidas destas personagens que povoam uma Nova York mais cinzenta e desprovida de vida do que qualquer outra longa-metragem do género que o espectador já tenha visionado, aqui cedo se compreende que estas personagens desencantadas povoam aquele espaço tépido onde nem aspirações profissionais nem sonhos ou tão pouco desejos parecem existir sob uma forma concreta. Sim, é verdade que todos ambicionam vencer e marcar pela diferença mas, ao mesmo tempo, parece que todas vivem de um certo expediente que apenas irá lograr pela via da trapaça, do sexo ou de um qualquer esquema que justifique todas as suas existências mundanas, banais e muito alternativas. Num mundo em que nada corresponde aos sonhos idealistas de uma juventude já ida... só resta poder sobreviver à custa da fragilidade alheia. Mas que fragilidades?!
Comecemos pela óbvia... a tentativa de transformar esta longa-metragem em algo mais sério do que alguma vez poderia ser. Se o espectador analisar esta história a partir do seu final, rapidamente compreenderá que aquilo que observa é um conto sobre pessoas que se apresentam (à sua sociedade) como moralmente intocáveis - valha isto o que valer num mundo de tablóides e escândalos - e capazes de expiar todos os pequenos "delitos" que estão inerentes àqueles pouco aptos para uma sobrevivência na mesma. Mas, é aqui que começam todos os podres... nem todas as famílias são perfeitas, nem todos os casamentos felizes ou tão pouco todas as histórias de inocentes têm, na realidade, inocentes que as contam. Quanto tudo é um conjunto de aparências... onde permanece a realidade?!
É então que o espectador se coloca com uma nova realidade... existe sobriedade nestas personagens ou apenas uma breve miragem da mesma que os leva a vaguear por uma história de amor e traição enganados e enganadores? Nesta perspectiva, pergunta-se o espectador se as mesmas interpretadas por um aparentemente pouco sinspirado Adrien Brody incapaz de reunir a simpatia e a admiração de outros tempos e uma Yvonne Strahovski desesperadamente incapaz de se apresentar ora como vítima ora como predadora com mais por contar do que aquilo que a sua personagem inicialmente revela são, na realidade, credíveis o suficiente para resgatar esta longa-metragem de um qualquer lodo narrativo onde parece ter tentado entrar com um aparente selo de "film noir"...
Incapaz de se afirmar como aquilo que pretende ser, Manhattan Nocturne apenas confere alguma luz do género a que se propôs já nos instantes finais quanto o espectador finalmente compreende todos os pequenos podres que cada personagem revela do seu passado e presente desmistificando assim qualquer ilusão de um futuro mais promissor... de trauma em trauma e de perda em perda, todas estas personagens resvalam num abismo de perdição onde nada daquilo que tinham como garantido consegue finalmente manter-se como o reduto da sua salvação. Perdidos que foram... perdidos que se irão manter...
Interessante pela sua premissa e pela recuperação de um Adrien Brody há muito desaparecido do protagonismo que em tempos teve e merece, Manhattan Nocturne é apenas uma daquelas longas-metragens que qualquer um de nós visiona a altas horas da madrugada sem grandes expectativas sobre aquilo que irá observar e, ao mesmo tempo, com a noção que pouco poderá ter digno de apontamentos mais positivos... Percebe-se a intenção de DeCubellis para criar um noir digno dessa designação mas, ao mesmo tempo, compreende-se as limitações com que se depare bem como a forma pouco inspirada com que, no final, tudo se confirmou resgatando-se, apesar de tudo, uma agradável surpresa de Strahovski quando não se perde nos lugares comuns da típica femme fatale colocando, por sua vez, numa primeira linha os seus momentos enquanto mulher amarga fragilizada por esse passado desconhecido.
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4 / 10
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