sexta-feira, 29 de maio de 2020

The Light Side (2020)

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The Light Side de Ryan Ebner (EUA) é uma das curtas-metragens de ficção exibidas neste dia no decorrer no WAO:GFF - We Are One: A Global Film Festival e que revela a história de Sith (Joseph Ragno) um homem solitário e marginal que esconde uma vida e um passado intrigante à procura de um novo rumo e começo.
Ryan Ebner apresenta uma história cativante que se revela aos poucos. Aqui, desde o começo, deixamo-nos levar por um conto sobre a vida de um homem que, como tantos outros, se encontra num impasse sobre aquilo que teve e foi em comparação ao que tem ou poderá vir a ser. Uma história sobre redenção com um passado ou até, melhor dito, um relato sobre o que se deixou ou perdeu e a forma como esse legado nos atormenta num chamado presente que em tudo se alterou. Vários são os momentos em que acompanhamos "Sith" e compreendemos que existe uma certa amargura para esse passado vivido ao ponto do mesmo sentir saudades do que teve.
Toda a vida deste homem aparente ser um reflexo da marginalidade e da inadaptação a uma vida diferente. Não necessariamente melhor do que havia tido, pelo menos nenhum dos seus comportamentos o revela (antes pelo contrário), mas aqui observamos a sua vida como sendo um regresso a uma "normalidade" à qual se custa adaptar. Lentamente compreendemos que esse passado foi ilustre (dentro da sua área) e, aos poucos, o espectador começa a ter breves indícios - talvez só compreendidos no final desta curta-metragem - que nos indicam sobre aquilo que foi a sua vida passada. Encontra um trabalho e, no geral, a sua vida não difere muito daquilo que um homem da sua idade pode(rá) fazer até entendermos qual a sua verdadeira idade. Ele não é um homem qualquer. Nem tão pouco a sua vida o foi. Mas compreendemos que reconhece que o seu passado está repleto de actos maldosos que prejudicaram não só os que o rodeavam como sobretudo a sua capacidade (no hoje) de ser um homem dito "normal".
A inteligência desta curta-metragem e da abordagem que é dada à personagem interpretada por Joseph Ragno é apenas interrompida pela breve duração de um filme que poderia ter ido muito mais além entregando - ao espectador e a toda uma rede de fãs -, o conhecimento da vida do mesmo e a equação do "e o que seria se?..." aqui possível. Quão possível seria a alguém com um passado onde tudo foi feito e visto, adaptar-se a uma vida dita normal, com um trabalho mais ou menos comum e uma vida onde todas as suas experiências são idênticas às de outros homens que, como ele, agora cruzam as ruas de uma qualquer cidade perdida no planeta? O que o distingue de todos os outros? O que o faz diferente e especial numa sociedade onde todos se normalizam? Irá ele alguma vez adaptar-se a esta sua nova realidade? Talvez não. O passado e aquilo que fez, viu e experimentou são impactantes demais para se limitar (agora) ao banal. É quando o espectador realmente compreende quem é aquele homem misterioso que se abrem todas as possibilidades que a imaginação permite e que o mesmo deseja que tivessem dado origem a um filme bem mais extenso para compreender o outro lado da realidade desta história imaginada. E aqui... só os verdadeiros fãs irão compreender.
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7 / 10
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