quarta-feira, 3 de junho de 2015

San Andreas (2015)

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San Andreas de Brad Peyton é a mais recente longa-metragem catástrofe e que terá estreia comercial em Portugal durante o mês de Junho.
Depois de um terramoto que abala toda a California deixando um rasto de destruição sem precedentes, Ray (Dwayne Johnson) ruma a São Francisco, cidade que se prepara para o mais violento abalo sísmico de sempre e onde se encontra a sua filha Blake (Alexandra Daddario).
Carlton Cuse, Andre Fabrizio e Jeremy Passmore são os autores do argumento de San Andreas, um filme que não se prende tanto com uma história que vá emocionar os espectadores mas sim um que possa e consiga impressionar pela espectacularidade dos efeitos especiais envolvidos há semelhança do que acontecera já com longas-metragens do género nomeadamente The Day After Tomorrow (2004) ou 2012 (2009) cujo único apelo às emoções humanas é aquele feito através da mais ou menos elaborada destruição do planeta Terra tal como o conhecemos.
No entanto - pensado ou não por parte dos argumentistas - não deixa de conter alguma réstia de verdade que todos os problemas ambientais surjam eles sob a forma que surgirem, não são questões suficientemente importantes para no meio de toda esta recriação da desgraça pensarmos um pouco nos "e se..." que toda a questão levanta se bem que, na prática, nenhum espectador pensa.
Mas, quanto a assuntos mais sérios, ficamos por aqui. San Andreas vive exclusivamente do seu efeito sensacionalista onde quanto maior a desgraça e o espectáculo que lhe está inerente melhor será o efeito "rentável" do filme... afinal, qual de nós assiste a isto pensando realmente que todos estes acontecimentos são uma "possibilidade"? Aquilo que o espectador realmente procura é um blockbuster de entretenimento onde a sobrevivência esteja presente naqueles que se assumem como os protagonistas do filme e quanto a isso podemos todos ficar descansados pois de sobrevivência fala este filme. Em San Andreas temos um pouco de tudo sem esquecer os tradicionais factores e elementos que caracterizam um filme do género nomeadamente o herói que cedo se revela com um qualquer acto de bravura mas que na sua vida pessoal sofre de inúmeros problemas existenciais e familiares que irão definir toda a sua personagem desde esse momento inicial. Temos desgraça anunciada e em grandes proporções que definem com uma nova fronteira tudo aquilo que conhecemos como a realidade presente... destruição, mortes - ainda que nada gráfico visualmente - arranha-céus que não resistem, monumentos nacionais que caem como uma baralho de cartas e finalmente um tsunami que parece estar tão "na moda" agora... Desastre natural que não apresente um tsunami... não é desastre natural.
Se até aqui todos estes elementos são típicos do género, não é menos verdade que também entramos no campo daqueles lugares comuns que seriam perfeitamente dispensáveis para a boa execução de um filme-catástrofe nomeadamente quando é finalmente desvendado o grande problema emocional do protagonista ao ser-lhe colocada uma situação idêntica que parece ser determinante e definitiva. Clichés que vamos também encontrar já bem perto do final quando os sobreviventes olham embevecidos para uma cidade destruída por detrás de um grande plano da bandeira norte-americana... Sim, todos nós sabemos que o "evento" ocorre nos Estados Unidos mas não precisamos do "plano patriota" num acontecimento que, a ter lugar, ultrapassa qualquer tipo de nacionalidade ou fronteira... afinal, e ao contrário daquilo que muitos pensam... todos nós habitamos nesta esfera azul.
Com interpretações fiéis ao género - que não se esperam grandes conflitos existenciais ou emocionais pois não estamos aqui para isso - San Andreas é o blockbuster de acção do Verão, competente e com toda a consciência que não irá ultrapassar fronteiras como a "referência do género", que funciona bem como um filme de entretenimento que reserva ao espectador momentos de acção bem construídos e que talvez - atenção ao talvez - possa recolher alguns prémios no campo dos efeitos especiais que são, assumidamente, o seu ponto forte.
Simpático e energético, competente e com as respectivas tiradas sarcásticas que lhe são esperadas, San Andreas não irá desiludir nenhum espectador que entenda de antemão que não está perante o melhor filme do ano mas sim perante uma boa longa-metragem de acção.
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7 / 10
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