segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Mundo Cai aos Bocados e Ainda Assim as Pessoas Apaixonam-se (2014)

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O Mundo Cai aos Bocados e Ainda Assim as Pessoas Apaixonam-se de Henrique Pina é uma curta-metragem portuguesa de ficção que conta com as interpretações de Albano Jerónimo, Joana Solnado, António Victorino d'Almeida e José Wallenstein.
Ele (Albano Jerónimo) é um assassino profissional. Ela (Joana Solnado) é casada com Bebé (António Victorino d'Almeida), um dos mafiosos mais poderosos do país. Ambos procuram uma forma de deixaram a vida que até então têm seguido. Conseguirão eles fugir de uma vida que os persegue?
Francisco Baptista escreveu o argumento desta curta-metragem dando-lhe um ambiente que vive num limbo, ou seja, tão depressa o espectador se acha num espaço negro que está prestes a explodir de violência como, de seguida, sente ter acabado de entrar num qualquer espaço pacífico onde nada de terrível pode acontecer. Dito isto, aquilo que mais sobressai das histórias que se interligam a certa altura reside na sensação de escape e consequente esperança que se percebe nos intuitos de cada uma das referidas personagens. Se por um lado "Ele" é um homem marcado por uma vida em que a morte sempre esteve à sua volta, não é menos verdade que Albano Jerónimo lhe confere uma aparente humanidade que deseja fervorosamente sair daquele estilo de vida e da convivência com aquelas pessoas que em nada abonam à sua integridade. É quando se vê no seio de um final de vida - eventualmente o seu - que finalmente percebe ter chegado o fim. Ao mesmo tempo, temos "Ela", a mulher de um perigoso mafioso, interpretada por Joana Solnado que deseja desesperadamente um novo começo de vida... a maternidade... talvez um amor. Mas a sua liberdade tem um custo que terminará com o mesmo pagamento.
As segundas oportunidades são difíceis... para alguns até impossíveis pressupõe este argumento de Francisco Baptista. Impossíveis porque toda a sua vida esteve dependente de uma existência alternativa onde muitos foram os contratos e cedências efectuados em nome de um estilo de vida diferente... sem problemas, excepto os morais. A liberdade, quando desejada, é aqui um bem difícil de alcançar. Ela é comprometedora e pressupõe que muitas são as pontas soltas e traições que se imaginam. Muitos são os contratos que são colocados em causa e que fazem renascer o medo das traições ou das chantagens. No fundo, a liberdade é um bem precioso demais do qual algures no tempo se abdicou sem contrapartidas e que agora não se recupera.
Ainda que todas estas premissas funcionem na sua forma mais básica, O Mundo Cai aos Bocados e Ainda Assim as Pessoas Apaixonam-se é uma daquelas curtas-metragens que pelo seu argumento merecia ter ido mais longe e explorar mais o lado negro da cidade, das suas pessoas e dos seus ambientes. Filmar o "outro lado" da cidade, aquele que poucos conhecem e a maioria prefere nem sequer pensar que existe. O lado escuro... o lado ilegal... e o lado perigoso. Ainda que qualquer um de nós simpatize com a figura de António Victorino d'Almeida, é quase impossível olhar para o maestro e pensar nele enquanto um mestre do crime... um vilão. A sua personagem deveria ter ido ao limite e ultrapassá-lo... deveria ter sido mais negro... menos disponível e acentuadamente mais presente.
Jerónimo e Solnado denotam alguma química que, também ela, não tem a sua devida exploração e confirmação (ou não), conferindo apenas uma ligação que pouco mais existe que para além da conveniência - há que ver para perceber - e o espectador fica com um certo amargo de boca por não conseguir confirmar algumas ligações e fundamentos destas personagens.
Um apontamento positivo ainda para a direcção de fotografia de António Lima e Paulo Segadães que captam a luz e as sombras em doses iguais conseguindo separa os dois segmentos do filme... aquele que se prende com o lado negro e aquele no qual se espera por uma redenção e oportunidade.
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7 / 10
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