sábado, 6 de agosto de 2016

Star Trek Beyond (2016)

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Star Trek: Além do Universo de Justin Lin é o mais recente título da respectiva saga e aquele que serve - de certa forma - como uma despedida ao recentemente desaparecido actor Anton Yelchin.
Num dilema existencial sobre os primeiros tempos a liderar a USS Enterprise, o Capitão Kirk (Chris Pine) questiona-se sobre a passagem do tempo e como está a sua vida a ser marcada por uma rotina que o impede de aprofundar outros aspectos da mesma. No entanto, quando tudo parecia não evidenciar qualquer tipo de mudança, Kirk e a demais tripulação da Enterprise envolvem-se na missão mais perigosa das suas vidas e quando se vêem num planeta não registado e sem possibilidade de comunicarem com a Terra, o seu regresso fica cada vez mais ameaçado quando se deparam com uma nova ameaça.
Simon Pegg - que também interpreta "Scotty Scott" - e Doug Jung assinam o argumento de mais uma das muitas aventuras da Enterprise apresentando na mesma não só os diversos dilemas de uma tripulação que não só se ajusta aos demais como a si próprios, aos seus desejos, os compromissos e cedências estabelecidos para uma vida de missão interplanetária bem como pelos diversos universos explorados e não como, ao mesmo tempo, consegue transformar-se num bem sucedido filme de acção e aventura que deixará satisfeito o espectador e o fã mais devotos da mesma.
Num primeiro segmento de Star Trek Beyond, o espectador é transportado para um conjunto de momentos assumidamente reflexivos onde são questionados os propósitos de cada um, as já referidas cedências com que os mesmos se auto-comprometem para encetar uma vida que, não sendo militar, é de exploração do mundo desconhecido aproximando as diversas espécies e raças que os universos mais ou menos desconhecidos escondem. Num segundo momento e, no fundo, aquele que se insere mais na temática e na dinâmica desta saga, os tripulantes da Enterprise não só enfrentam um perigoso e mortal inimigo como também reencontram um pedaço da História das missões espaciais que irá, de certa forma, explicar a existência dessa mesma ameaça.
Como seu ponto forte, e de certa forma esperado, Star Trek Beyond denota a sua excelência em aspectos óbvios como o são os efeitos especiais visuais que nos levam a outros e inesperados mundos assim como o seu guarda-roupa - já uma imagem de marca da saga Star Trek - e a caracterização das mais variadas e surreais personagens/espécies que a mesma sempre tende a apresentar.
No entanto, é o já referido argumento e a sua narrativa que deixam as maiores reservas e expectativas por cumprir. Assumindo que é uma interessante e bem construída longa-metragem de acção, Star Trek Beyond é persistente na ideia de que este é apenas "mais um" dos muitos títulos que ainda irão surgir desta saga, estabelecendo portanto aquilo que é já comum nas diversas obras que a compõem, ou seja, a existência de uma história linear e sem grandes fugas de narrativa que não só possibilite que esta história se inicie e termine neste mesmo filme, como também dá o mote para a próxima entrega onde o espectador já conhece os dilemas morais de algumas personagens - sempre em crescimento - e também percebe toda a anterior conjuntura que os fez chegar até àquele preciso momento, as aventuras bem como os elos que foram criados no seu percurso.
As personagens são, também elas, lineares. Não fugindo ao esperado, o seu desenvolvimento individual acaba por estar directamente condicionado pelos demais - e suas respectivas atitudes - bem como pela própria continuidade desta saga que, lentamente, apresenta mais um elemento que as compõe até ao momento em que os conhecemos... de todos aqueles títulos passados que já conhecemos.
Dinâmico na acção que visa e pretende mostrar, a Star Trek Beyond falta o tal "para além de..." que poderia existir nos meandros dessa acção desenvolvendo uma maior dramatização das suas personagens. Se começou por fazê-lo mostrando o lado humano e não aventureiro de "Kirk" (por exemplo), poderia tê-lo aprofundado para o humanizar para lá do homem firme e destemido que conhecemos. Excluindo este elemento... é certamente uma história que irá despertar não só a curiosidade como satisfazer as expectativas daqueles que o irão ver.
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"Spock: Fear of death is illogical. 
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Bones: Fear of death is what keeps us alive."
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7 / 10
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