domingo, 14 de agosto de 2016

Alone (2013)

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Alone de Brock Torunski é uma curta-metragem canadiana de ficção e que versa sobre o fim dos tempos quando, num mundo pós-apocalíptico, um homem (Alex Vietinghoff) - o último homem na Terra - recorda o passado tendo em mente o seu presente, solitário e onde todo um conjunto de rotinas se limita à sua própria sobrevivência.
Realizador e actor assinam o argumento de Alone, uma invulgar curta-metragem sobre o fim dos tempos onde a acção não se concentra sobre qualquer tipo de cataclismo ou epidemia mas sim sobre a rotina diária de um homem que tenta encontrar sentido na sua sobrevivência. Sentido esse que passa pela sua resistência à passagem de um tempo não determinado onde as memórias começam a tornar-se dispersas e onde o sobrevivente em questão já começa a desconhecer tudo aquilo que lhe era familiar... a sua voz incluída.
A pergunta que as suas acções e reflexões desperta é apenas uma... qual o sentido de uma vida onde tudo permaneceu no mesmo local mas onde todos aqueles que o partilhavam desaparecerem e deixaram de existir? Como será o mundo se apenas "eu" existo e me limito a uma sobrevivência sem aparente sentido e que fará, com o meu desaparecimento, a confirmação da extinção humana?
Num ritual de reflexão sobre o sentido da vida - e até desta ser (ou não) uma vida -, como poderia esta alterar se, de repente, se descobrisse que o isolamento afinal não é como se equacionou até então? O que aconteceria se afinal se descobrisse que no seio de todo um deserto, existia mais uma pessoa que estava ali ao alcance de toda uma nova descoberta humana e social? Quem será a outra pessoa? Como conseguiu sobreviver? Onde esteve todos aqueles anos? Num momento em que tudo era questionado inclusive o sentido de uma vida que aparentava já não o ser, como regressar a um novo mundo de uma interacção social até então desaparecida?
Interessante, e até invulgar, pela forma como aborda a solidão independentemente do local temporal e físico em que se desenrola, Alone é acima de tudo uma reflexão sobre essa mesma solidão, sobre a forma como o Homem se esquece do mundo e até dos seus próprios rituais mas sobretudo sobre o poder da memória, do registo mental de um passado vivido e da vontade extrema da união e da interacção social quando esta parece impossível.
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7 / 10
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