quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ghostbusters (2016)

.
Caça Fantasmas de Paul Feig é a mais recente incursão no campo dos remakes de grandes clássicos de décadas passadas - Ghostbusters (1984), de Ivan Reitman - e uma das comédias mais aguardadas deste ano cinematográfico que agora vai a meio.
Erin Gilbert (Kristen Wiig) e Abby Yates (Melissa McCarthy) eram as duas maiores entusiastas estudiosas da actividade paranormal até que a primeira decidiu levar uma vida "mais séria".
No entanto, é quando Manhattan é ameaçada por uma invasão de seres paranormais que, unidas à engenheira nuclear Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) e à funcionário do metro Patty Tolan (Leslie Jones) que irão tentar salvar a cidade e, com ela, toda a Humanidade.
A antecipação com que qualquer entusiasta desta saga dos anos 80 - Ghostbusters II (1989) - foi notória pelas diversas redes sociais onde todos comentaram a vinda de um novo título neste Verão. Estariam de volta os eternos "Venkman" (Bill Murray), "Winston" (Ernie Hudson), "Ray" (Dan Aykroyd) - com a sentida falta de "Egon" (Harold Ramis) - e "Dana Barrett" (Sigourney Weaver), o eterno amor do primeiro? Seria um voltar a ver a equipa reunida a combater as estranhas e misteriosas forças do sobrenatural que ameaçavam a segurança de toda a espécie humana? Seria a sua passagem de testemunho após anos de ausência que o peso da idade não perdoou? Não... nada disso. Ghostbusters, de Paul Feig veio apenas - e digo isto com alguma condescendência e mágoa - revitalizar o sucesso da década de 80 com alguns elementos que são (agora) politicamente correctos numa sociedade que se quer igualitária (felizmente no que ao real diz respeito).
Seria hipócrita para qualquer um de nós fãs daquilo que assistimos e que foi, em suma, uma "escola" de diversão e bom humor, não admitir agora que queríamos voltar a ver todas aquelas personagens que fizeram parte da nossa infância. Há excepção de todas as demais interpretações, foi com estas personagens que estes actores conquistaram muito do estatuto que obtiveram junto do público dos idos anos 80 e todos nós esperávamos, mesmo que brevemente quase como uma passagem de testemunho, eles regressassem e nos presenteassem com a sua verve. No entanto, este Ghostbusters do século XXI prima por recuperar alguns momentos e segmentos dos títulos anteriores - espíritos presos em quadros, casas e espaços assombrados, um fantasma já nosso conhecido, um Mayor mais preocupado com a sua imagem do que com a sua cidade, o metro assombrado e os fantasmas electrocutados (...) - transformando-os para aquilo que se espera como uma público mais abrangente. No entanto, a realidade é que este Ghostbusters não é mais abrangente do que os originais o foram.
Com alguns apontamentos divertidos que se prendem essencialmente com as personagens secundárias de Leslie Jones e Kate McKinnon como as "caça" mais atrevidas e insinuantes e, como tal, com maior peso cómico e dinâmico nos seus breves apontamentos, e ainda um Chris Hemsworth como o assistente como pouca assistência para dar e que é aqui reduzido à imagem de um "loiro burro" altamente visto como o potencial objecto sexual de "Erin", este Ghostbusters prima pouco por uma originalidade que o faça destacar dos anteriores títulos e nem mesmo o segmento da luta bem versus mal na Times Square de 2016 nos faz esquecer as muito próximas semelhanças que este título tem com, por exemplo, o de 1989, e nem mesmo a recuperação de Bill Murray, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e Annie Potts - estrelas dos anteriores filmes - para cameos com novas personagens salva esta longa-metragem de um distanciamento real dos mesmos...  Afinal, se eles participam que fosse com as personagens que imortalizaram e não com parentes pobres que não os dignificam e que mais não servem do que dizer "estivemos lá".
Ghostbusters, de Paul Feig tem os seus momentos, consegue capturar algum humor e deixar uma certa nostalgia não correspondida com aquilo que, certamente, todos nós recordamos. No entanto, considerando as expectativas elevadas que o público em geral tinha, as pouco inspiradas interpretações de Wiig e McCarthy - apesar de sabermos e reconhecermos o seu potencial cómico - e o fraco distanciamento do que já havia sido feito deixando apenas uma breve e ligeira "reformulação" de momentos para este supostamente "novo" título faz com que o espectador abandone a sala de cinema com uma sensação mista... nem é algo novo que fizesse recordar os bons velhos tempos nem tão pouco consegue recuperar o humor corrosivo que se fez no início da década de 80.
Diverte? Diverte um pouco... Ficamos satisfeitos com aquilo que nos é oferecido? Não muito. Continuamos a sonhar com o humor corrosivo de "Venkman", com o charme de "Dana", com a simples inteligência de "Ray" e com os pés bem assentes na terra de "Winston"? Sem dúvida... No final apenas nos resta uma simples mas eternizada questão.... "Who are gonna call?! Ghostbusters..." - 80's style.
.

.
"Patty Tolan: Ah hell naw, the Devil is a liar! Get out of my friend, ghost! The power of Patty compels you!"
.
6 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário