sexta-feira, 8 de setembro de 2023
9 1/2 (2022)
5:15 (2022)
Laura regressa a casa. Numa noite escura onde enfrenta o caminho de forma solitária, são os pequenos recantos que a assustam. É quando já se encontra no seu prédio que, no entanto, chega o seu verdadeiro susto... Ao avariar o elevador em que ela segue, uma misteriosa figura masculina que não identifica com clareza oferece-lhe ajuda. Encontra-se Laura perante um inesperado salvador ou enfrenta a maior provação da sua vida ao recusar uma ajuda que poderá ser indesejada?
Aquilo que a curta-metragem de de la Fuente melhor não é necessariamente a originalidade do seu argumento pos qualquer um de nós mais atento poderá recordar uma ou duas obras em que esta temática específica já havia sido abordada mas, por sua vez, a forma como este género é recuperado e filmado com a classe de uma digna obra do género que recuperando todos os seus elementos tradicionais não esbarra no vulgar dando a cada uma destas personagens a esperada dimensão que permita ao espectador compreender que está perante um vilão e uma vítima da "velha guarda" não sem antes deixar presente a dúvida que... tudo poderá estar equivocado.
Encontramos de facto o vilão por detrás da porta? Será este realmente um vilão ou alguém certo no momento certo? Estará a vítima dentro daquela cabine? Existirá na verdade alguma vítima? Todas estas questões povoam a mente do espectador que, de forma inadvertida, altera o seu estado de mente perante as personagens - pelo menos perante uma delas -, lançando a suspeita sobre o "predador" - será? - que tão convenientemente se encontrava no local em que era necessário e que, rapidamente, poderá também ser visto como um bom samaritano - será? - prestes a ajudar a vizinha indefesa. Num mundo em que os perigos da urbe surgem mascarados com diversos disfarces, em que se pode realmente acreditar - ou a quem se pode realmente recorrer - quando a necessidade de auxílio surge num momento em que se está totalmente exposto, indefeso e vulnerável? Poderá existir auxílio depois daquela "porta" ser aberta?
E depois do espectador pensar sobre o que poderá estar a ser desenvolvido numa conversa sem aparente solução entre duas pessoas que, na realidade, não se conhecem e entre as quais não existe qualquer tipo de confiança ou de vontade em prestar e receber auxílio, surge ainda uma questão que se prende com a percepção de que o perigo - seja ele qual for - pode não terminar com o término daquele demorado e inconveniente instante.
Tenso e perspicaz... actual e envolvente... 5:15 reflecte sobre todos aqueles instantes que podem ser decisivos na vida de qualquer um de nós... Esse "nós" que nem sempre dá ouvidos à chamada "voz da consciência" que tão subtilmente nos avisa daquilo que poderá estar para lá do que é perceptível.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
2º Dto. (2020)

2º Dto. de Hernâni Duarte Maria e Pedro Noel da Luz (Portugal) é a única curta-metragem portuguesa presente nesta edição do Trapped Film Festival e que revela a história de Vera e o seu regresso à sua antiga casa onde para lá dos seus pesadelos também alguém a espera.
De imediato é compreendido pelo espectador que esta casa, aparentemente abandonada, é o refúgio de algo desconhecido. Observamos objectos dispersos e uma desarrumação que apenas uma casa com uma "alma" própria poderia revelar ou será que não estamos perante uma "casa" qualquer. À medida que conhecemos o espaço em que se encontram as nossas personagens, reparamos também em pequenos detalhes que a casa esconde. De sombras que ocultam parte do cenário a uma aparente ausência de reentrâncias que permitam a luz exterior e que, em boa medida, condicionam a compreensão do espaço num todo.
Lentamente encontramos brinquedos e breves espaços que parecem fazer despertar a memória de um passado mais ou menos presente. As sombras desvanecem e confirmam-se enquanto a viagem pela casa prossegue. Proferem-se nomes que o espectador apenas pode confirmar com as suas próprias suspeitas sobre quem serão não tendo, para além das mesmas, qualquer outro indício significativo que o possa esclarecer sobre estas identidades... quando ali terão estado ou, por outro lado, que papel terão desempenhado nas memórias daquelas que, agora, os chamam e recordam. Assim, e numa casa que parece enclausurar todas as memórias de um passado que aquelas almas insistem ou não podem reconhecer, persistem os ecos da memória e de um passado vivido e deixado numa distância que apenas faculta uma miragem e não uma confirmação. Os anos passam - passaram - e disso temos uma confirmação pelos parcos diálogos que nos chegam das intervenções das duas personagens e, com eles, todo um latente esquecimento que se compreendem por um comportamento que as leva a vaguear por aquele espaço que não só parece diminuto como, ao mesmo tempo, um próprio resquício de uma memória pouco clara que o tempo ainda não apagou.
Visualmente cativante através de uma direcção de fotografia de Pedro Noel da Luz que recupera o melhor de um terror retro que coloca os espectador nos meandros de corredores que dificilmente se compreendem como aqueles de uma casa ou de uma mente. Este 2º Dto. permite assim diversas leituras sobre os meandros deste "apartamento" que esconde mais do que revela e que oferece, dessa forma, a possibilidade do espectador olhar para o mesmo como uma história dita "real" onde acontece de facto esta realidade a estas personagens ainda existentes no universo dos vivos como, ao mesmo tempo, permite a leitura de estes mesmos já não pertencerem a "este reino", e que mais não são agora do que meros fantasmas em busca de um significado para o local em que se encontram e no mesmo reter um sentido para uma existência que está basicamente num limbo entre dois espaços.
Não conseguindo necessariamente criar terror através das interpretações - que não deixam de ser de qualidade -, mas sim pelos actos que o argumento assim lhe permite, 2º Dto., poderia abrir a porta - ironia à parte - para uma obra mais alongada e onde se explorem estas dúvidas existenciais - nossas face às personagens - transformando-se dessa forma num interessante conto que oscilaria entre o terror psicológico ou, talvez, aquele tido num mundo "mais além" e, possivelmente, criando mais questões do que aquelas que já agora nos deixou.
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7 / 10
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quarta-feira, 3 de julho de 2019
2 Lava 2 Lantula! (2016)

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sábado, 24 de novembro de 2018
20-02-80 (2017)

Uma filmagem em Super 8... excertos de um filme snuff. O que poderá estar escondido com a revelação de imagens que se julgavam perdidas?
Depois das atmosferas de terror proporcionadas com as curtas-metragens Breu (2009), Dédalo (2013), Arcana (2015) e Macabre (2015), Ribeiro Rocha chega com o inesperado trazendo para o cinema em formato curto um inteligente - mas infelizmente incompleto - filme snuff que cativa não só pelo inesperado mas sobretudo pela inovação em fazer do género uma obra cinematográfica que nova e facilmente o coloca como uma referência do cinema de género.
O ambiente recriado também não poderia ser mais fiel ao género em questão. Numa floresta com elementos medievais e primitivos que remetem o espectador para um certo paganismo religioso - temática aliás recorrente na obra recente do realizador -, uma mulher é perseguida por quatro homens vestidos a rigor (um como elemento morte e líder do grupo, os três restantes como seus servos) que a transformam não só pela violência física que exercem sobre ela mas sobretudo pelo elemento psicológico que parece dominar os seus sentidos. Ritual místico que mescla religioso e pagão à parte, existe sim um sexto elemento - agressores e vítima à parte - que tenta, com o requinte possível para o género, filmar e captar todo um conjunto de elaboradas encenações para validar o filme snuff em que todos participam e do qual se compreende o fim último.
Com uma vívida imaginação para o género de terror e suspense recuperando aqui os tenebrosos filmes snuff, Jerónimo Ribeiro Rocha consegue um dos mais inteligentes dos últimos tempos pela sua capacidade de tudo fazer crer tendo, no entanto, muito pouco revelado sobre aquelas temidas e perigosas imagens... Já bem perto do final - e tal como revelou há mais de vinte anos o fortíssimo Tese, de Alejandro Amenábar -, é a curiosidade do espectador que, tão ou mais mortal do que as imagens filmadas, assume a maior revelação... afinal, não queremos todos nós ver mais daquilo que tão perigosamente tememos?

terça-feira, 5 de junho de 2018
2024 (2016)
quinta-feira, 11 de maio de 2017
30 Minutos con Laura (2017)

Laura (Laura Heredero) tem uma vida complicada... e agora um novo homem (Javier Uriarte) entrou na sua vida. Irá Laura sair desta sua aparente existência?
Juanjo Haro cria com este genial argumento aquilo que todo e qualquer espectador anseia numa história, ou seja, a capacidade de não ter nenhuma margem de desatenção que lhe permita sequer olhar para o lado. Sim... estamos perante uma daquelas histórias que pedem - e até exigem - que durante os seus mais ou menos breves instantes detenham o espectador como seu refém.
Inicialmente o espectador pensa que está perante uma qualquer banal história mais ou menos romântica que o vá distrair durante uns quantos minutos. No entanto, aquilo que 30 Minutos con Laura lhe confere é algo que vai bem mais longe do que os referidos trinta minutos que se supõe ir durar a acção deste conto moderno. Aqui, acompanhamos um conto sobre a memória... A memória de uma mulher sobre os seus espaços do passado, sobre as suas histórias e sobre as recordações que guarda de uma vida mais ou menos feliz... mais ou menos atribulada mas que, percebemos, mais não é do que um pequeno lugar da sua já extensa memória. Mas, no entanto, e se essa memória escondesse por detrás da sua componente idílica algo mais do que a positividade de uma relação tida até então? O que aconteceria se, por detrás de todos os acontecimentos de uma vida, se escondesse algo mais negro e terminal que agora já não lhe pertencem. No fundo, e se agora depois de toda uma vida com um significado inabalável se escondesse toda uma história de traição, ciúme, paixão e loucura que têm - como tudo na vida - as suas consequências mais ou menos imediatas e que estão prestes a ser cobradas?
Desta forma "Laura" (Heredero) e "Ele" (Uriarte) encontram-se num restaurante. Não são aquilo que inicialmente poderíamos imaginar nem tão pouco um casual encontro que se proporcionou através dessa casualidade ou tão pouco fruto de uma qualquer rede social onde tantos encontram o seu escape para uma nova "vida social". Não... em 30 Minutos con Laura aquilo que o realizador e argumentista Juanjo Haro nos revelam é uma surpreendente história onde não só todos os pequenos detalhes têm uma importância inquestionável para a resolução de um conto impossível como também os desempenhos dos seus actores conferem - depois de descoberta toda a verdade por detrás das suas acções - toda uma nova dinâmica que destroem a tal "zona de conforto" do espectador mais preparado para resistir à surpresa.
No final, onde tudo é entretanto percebido pelo espectador, aquilo que lhe resta compreender e acompanhar é, não o percurso de uma "Laura" entretanto encaminhada para a sua nova realidade mas sim o trajecto já passado, mas recente, d'"Ele" enquanto aquele que mais directamente privou com esta mulher e a compreendeu nas suas limitações imediatas... Acompanhamos os seus instantes... os seus pensamentos que, como desabafos, nos empurram para um destino final relativamente inesperado mas igualmente surpreendente e, m pouco menos de dez minutos, compreendemos toda uma vida de "Laura"... as suas aspirações, as suas paixões mas sobretudo a sua compreensão daquele preciso momento em que reage à ideia desse tudo agora perdido.
Raras são as ocasiões em que um filme consegue de forma engenhosa e brilhante surpreender com os seus twists finais e conferir todo um novo significado a um filme que o espectador já tinha assumido como "garantido". No entanto, 30 Minutos con Laura consegue não só prender o espectador ao banco da sala de cinema como especialmente dinamizar toda uma história com a irreverência de alguém que sabe fazer bom cinema, cativar o seu público e sobretudo não se deixar inibir pelas ideias assumidas do espectador sobre uma história que surpreende até ao último instante. Aqui não estamos simplesmente a ver um filme... pelo contrário... aqui estamos a assistir a uma obra de arte em formato curto e a um dos mais brilhantes, enigmáticos e assumidamente surpreendentes filmes dos últimos tempos que consegue ainda ter duas intensas e bem estruturadas interpretações que se complementam na descoberta do um aparente impossível.
Bravo! Two thumbs up!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016
21 Nuits avec Pattie (2015)

A casa de "Isabelle" - a falecida - é algures durante o filme citada como um espaço que "acolhe todos os ventos"... um local onde todos se dirigem e onde passam momentos de completa e total libertação - sentimental, sexual, emotiva e até mesmo social - comprometendo-se apenas com os seus próprios pensamentos e, no fundo, liberdade. É por estas palavras que acabam por ser caracterizadas estas duas mulheres... Uma mãe libertina e um espírito livre que criava elos sentimentais e emocionais com todas as pessoas que decidiam realmente viver a sua vida e uma filha que eventualmente dela se tenha distanciado - desconhecendo por completo todas as facetas da sua vida - e que desenvolve todo um comportamento social apático mesmo com um marido que a ama que mais os separa que aproxima.
Com um subtexto muito explícito no que diz respeito a uma liberdade sexual que aquele grande casarão faz florescer, 21 Nuits avec Pattie tenta a comédia ligeira e o drama sentimental fácil que, no entanto, não convence o espectador a criar uma acentuada empatia com nenhuma das personagens. Personagens essas que, na sua maioria, são meramente figurativas e complementares a uma história onde apenas brilha aquela interpretada por Isabelle Carré que dinamiza todo o filme - para o bem e para o mal - podendo apenas ela dar cor a este filme que nunca desenvolve para além do momento em que reflecte - a todos os instantes - sobre a repressão versus liberdade sexual da protagonista.
Com uma interpretação exaustivamente vulgar de Isabelle Carré - com cuja personagem dificilmente se consegue criar qualquer tipo de empatia - tendo alguns momentos com potencial para transformar esta história numa divertida comédia dramática, 21 Nuits avec Pattie é, no entanto, excessivamente longo para o conjunto de banalidades que entrega ao espectador caindo num conto monótono e aborrecido sobre uma descoberta - fora de tempo - daquilo que é, no fundo, o tema principal desta história, ou seja, sem sexo... livre e descomprometido... a vida é um aborrecimento.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016
2 Minutos (2016)

segunda-feira, 4 de julho de 2016
4242 (2016)

sexta-feira, 1 de julho de 2016
30 Days with My Brother (2016)

terça-feira, 12 de abril de 2016
8 Mile (2002)

sábado, 9 de abril de 2016
4th Man Out (2015)

quinta-feira, 24 de março de 2016
10 Cloverfield Lane (2016)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
The 5th Wave (2016)

sábado, 9 de janeiro de 2016
3½ Minutes, Ten Bullets (2015)

sexta-feira, 17 de julho de 2015
'71 (2014)

terça-feira, 16 de junho de 2015
10 Sombras Douradas (2015)

segunda-feira, 13 de abril de 2015
2 Metros Quadrados (2014)

