sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

The 5th Wave (2016)

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A 5ª Vaga de J Blakeson é uma longa-metragem norte-americana recentemente estreada e que faz renascer a temática da invasão alienígena e a luta pela sobrevivência de um grupo de humanos que resiste às mais diversas provas.
Cassie (Chloë Grace Moretz) é a típica adolescente norte-americana com uma vida aparentemente normal que num único dia vê toda a sua vida alterada com a chegada de uma nave extra-terrestre cujos tripulantes têm os seus próprios planos para o planeta Terra.
Numa viagem de destruição e sobrevivência Cassie tem não só de conseguir sobreviver junto da família como também às cinco vagas de extermínio a que os extra-terrestres sujeitam a Humanidade.
Não fugindo ao típico filme de invasão alienígena ao planeta Terra que tem tantos recursos menosprezados - pelo Homem - e tão cobiçados por entidades que não sabemos se existem e "andam por aí", The 5th Wave mantém um ritmo interessante para o género brindando ainda o espectador - que se tem maioritariamente adolescente graças ao elenco de actores mais jovens - com alguns apontamentos interessantes sobre a forma como se processa essa "invasão". Longe de existir uma derrocada militar que controla todos pela força e pela subjugação, a longa-metragem de J Blakeson transforma os próprios recursos da Terra nas potenciais forças destruidoras da sua maior praga, ou seja, os próprios Humanos.
Se uma primeira vaga elimina através de impulsos electromagnéticos as fontes de energia no planeta fazendo estremecer todo e qualquer tipo de meio de comunicação - telemóveis, computadores e sistemas de navegação - bem como as vias de transporte per si - automóveis, aviões, comboios - isolando e limitando as populações (que melhor forma de fazer o bicho Homem perder-se num mundo onde tudo é devida e electronicamente programado) é a segunda vaga que tenta eliminar uma boa parte da população ao fazer tremer o planeta lançando sobre ele ondas gigantes capazes de destruir as mais preparadas cidades. Maior parte da população eliminada a custo zero - para as forças extra-terrestres - há que preservar o planeta tentando mais uma qualquer epidemia - terceira vaga - que dizime os cada vez menos sobreviventes que existem.
Com perdas máximas do lado da Terra - da sua população - e mínimas por parte do invasor, eis que chega a quarta vaga, ou seja, a presença extra-terrestre no planeta para, de forma disfarçada, tentarem eliminar os poucos e isolados sobreviventes que ainda resistem. Quando tudo parece perdido e as redes de apoio são escassas ou inexistentes, quem conseguirá lançar uma ofensiva se se desconhece que mais alguém "exista"?!
Se estes elementos até se constituem como uma novidade e, como tal, interessantes para o dinamismo deste filme, é também verdade que são explorados a um rimo alucinante deixando apenas uma grande sugestão sobre o destino de um planeta que aparenta estar destruído. E se esta destruição chega essencialmente através da erradicação da praga - nós - é também justo dizer que se é para ver, perceber e sentir "algo", então estes elementos deveriam ser mais explorados em detrimento de pequenos detalhes que "enchem mas não adiantam". O medo - neste caso - instala-se por aquilo que se vê e não pelo que fica por contar.
As ditas quatro vagas iniciais mais não são do que mais ou menos "simpáticos" alertas ecológicos que The 5th Wave tenta abordar na medida em que se torna claro que nada ou ninguém precisa vir destruir o planeta com uma qualquer invasão quando, aparentemente, o bicho Homem é tão eficaz a fazê-lo por si só com o desrespeito que geração após geração afecta a Terra. Para quê destruir algo pela força militar - que a existir seria pelos vistos bem mais poderosa do que a terrestre - quando aqueles que reclamam o espaço por serem seus habitantes são os mesmos que tão vincadamente o "gostam" de destruir com o seu saque e esgotamento de recursos que todos os anos se excede?!
E é nesta exacta medida que entra em campo a tão esperada quinta vaga; como livrar o planeta dos humanos? Retirando-lhes a própria Humanidade - no sentido lato -, ou seja, primeiro através da capacidade de sentir as inúmeras perdas (afinal há um número limitado de provações que cada um consegue aguentar)  finalmente lançando Homem contra Homem num clima de suspeita e incerteza que espalham primeiro o medo, depois o pânico e finalmente a paranóia. E no seguimento desta premissa... que humanos? Se considerarmos que a maioria da população do planeta morreu durante as quatro vagas iniciais, aqueles que sobram são as crianças que no "amanhã" poderia povoar a terra mas, no entanto, se estas forem controladas e endoutrinadas, que melhor "armamento" do que as suas mentes capazes de eliminar como sendo um sentido de justiça "divina" que lhes chegou às mãos podendo desta forma vingar a morte daqueles que perderam?!
É esta militarização da população - e muito concretamente da juventude - que acaba por lançar a mensagem mais irónica visto serem os Estados Unidos - país onde a suposta invasão ganha mais expressão - aquele que maior número de armamento em mãos civis possui e cujo acesso à mesma não só é facilitado como incentivado pelas autoridades?! Num mundo em que a violência se torna tão banal ao ponto de fazer parte do dia-a-dia e comum por se repetir sucessivas e cada mais mais expressivas vezes, não será esta invasão alienígena mais do que uma irónica crítica à própria actuação do Homem e dos seus excessos para com o planeta em que vive?
Sem esquecer a toque juvenil - não esqueçamos o público alvo - e o romance entre espécies - multiculturalismo no seu melhor - cujo amor mais não é do que um "truque para proteger o património genético", The 5th Wave falha naqueles detalhes que não o são, nomeadamente ao deixar em aberto a sequela pois existem questões essenciais que não encontram resposta... Terão os extra-terrestres sucumbido à vontade Humana (de crianças)? Para onde levaram aquelas que capturaram? Voltaremos a vê-los? O que será feito aos poucos que escaparam às garras invasoras? E finalmente, irá o interesse amoroso de "Cassie" - o mestiço "Evan" - aparecer ou ficaremos sem saber qual o seu mais ou menos trágico destino quando é ele que impulsiona a rebelião contra os invasores - nada melhor do que uma conspiração palaciana por dentro das suas próprias muralhas -?
Todo um conjunto de questões interessantes que dinamizarão esta histórias se existir futuramente uma resposta para lhes dar pois, caso contrário, teremos mais um daqueles filmes que não adiantou ter existido pois apenas se justifica como uma forma de levar um público mais jovem às salas de cinema para um pouco de entretenimento-pipoca que nunca poderá ser justificado de outra forma... Motivo pelo qual, aliás, lhe dei esta pontuação tão fragilizada pois enquanto espectador só me sentirei satisfeito se a sequela estiver para breve.
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6 / 10
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