domingo, 31 de janeiro de 2016

Tomgirl (2015)

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Tomgirl de Jeremy Asher Lynch é um documentário em formato de curta-metragem norte-americano sobre Jake, um menino de sete anos com o seu próprio sentido de vida, de moda e sobre não o que o deixa conformado com um suposto papel que a sociedade lhe impõe mas sim sobre o seu próprio percurso e vontades.
Se inicialmente o espectador conhece uma jovem criança que aparenta ser um pouco diferente das demais ao apresentar-se ao mundo de forma diferente daquilo que socialmente se espera de um jovem rapaz, é também uma verdade que à medida que ele fala sobre os seus sonhos em tornar-se um "mágico de poções", um veterinário ou um polícia se percebe que ele mais não é do uma criança como tantas e tantas outras que simplesmente ousou ser e estar no mundo tal e qual como ele é... com uma personalidade e individualidade que o destacam sim mas que, ao mesmo tempo, o revelam como alguém que pensa por si, que se afirma e sobretudo que detém o apoio daqueles que o rodeiam... a família e os amigos.
Assim, e longe de tecer qualquer tipo de julgamento sobre Jake, esta curta-metragem tece sim uma vincada opinião sobre aqueles que o ousam julgar, sobre aqueles que determinam o que é "correcto" em sociedade e como esta - e a comunidade - estabelece um conjunto de padrões socialmente aceites onde predominam lugares comuns como o "azul ser a cor dos meninos" e a "o rosa a das meninas".
Interessante ainda é a reflexão da mãe de Jake que a certa altura questiona o que é "certo" no saudável desenvolvimento de uma criança, ou seja, será mais correcto deixá-lo ser como é e expressar-se da forma como se sente para consigo e no mundo ou por sua vez ceder aos tais parâmetros impostos pela sociedade - família, amigos e comunicação social - que vende um ideal de perfeição e cria uma noção de aceitação distante daquela com que todos nós nascemos inicialmente. Neste momento - neste breve momento - todos nascemos apenas e só com uma clara noção de felicidade e admiração por aquele/a que nos faz chegar ao mundo não tendo qualquer noção sobre "certo" ou "errado" até nos serem colocados na cabeça por aqueles que nos rodeiam desencadeando, ao mesmo tempo, todo um conjunto de preconceitos e pré-noções que, bem analisados, não o são.
Com um apurado sentido de lealdade para consigo e para com o espectador, Jake e a sua família e amigos mais próximos desvendam um pouco sobre a sua vivência, sobre os seus desejos para um futuro - no fundo iguais aos de tantos outros - e esperam (ou esperamos nós) que o mundo conseguisse ser um pouco mais "limpo" de noções e conceitos que em vez de celebrar o indivíduo, o isolam e o tornam solitário e, em boa medida, um retrato não tão feliz de todos os demais.
Numa simples e porventura eloquente expressão... Tomgirl é brilhante e audaz. Um documentário que deveria ser visto, digerido e também ele celebrado.
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9 / 10
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