domingo, 26 de junho de 2011

The Nanny Diaries (2007)

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Diário de uma Nanny de Shari Springer Berman e Robert Pulcini põe dois grandes nomes femininos no grande ecrã... Scarlett Johansson e Laura Linney secundadas por Alicia Keys, Paul Giamatti e Chris Evans neste filme que nos mostra as vivências de uma classe mais abastada de Nova York.
Annie (Johansson) recém licenciada e com incertezas sobre o seu futuro profissional onde sabe não querer uma vida de escritório consegue, por um mero acaso, uma entrevista como ama para uma família bem colocada financeiramente da cidade.
Começa então assim uma nova e completamente desconhecida etapa da sua vida onde irá pôr em prática os seus conhecimentos antropólogos, não num ambiente nativo longe do seu meio, mas nativo na sua própria cidade.
É aqui que Annie começa a lidar com Mrs. X (Linney), uma rica e desinteressada mulher de Nova York que tem como lema de educação não o conforto do seu filho e o seu desenvolvimento maternal mas sim tudo o que de mais caro e sofisticado fôr entregando os cuidados da criança a uma ama que passa quase a assumir o papel de mãe da mesma.
O simples facto destas duas excelentes actrizes fazerem parte de um mesmo filme é motivo suficiente para me fazer vê-lo no entanto devo confessar que o trailer fez-me pensar que iria assistir a uma qualquer comédia manhosa e que as ditas actrizes tinham "descido" um pouco na categoria de interpretações a que me tinham habituado. Surpresa tive quando percebi o quão enganado estava. Não se tratava de uma comédia, pelo menos não de uma comédia manhosa como inicialmente pensei, mas sim de um extraordinário filme dramático com os seus momentos mais alegres.
Johansson com a sua intepretação de uma jovem com uma vida inteira pela frente e indecisa sobre o que será o seu "dia de amanhã", onde para além de ter passado uma vida inteira a estudar pouco mais conhece do mundo que a rodeia, dá-nos um perfeito retrato de muitos de nós que paramos por momentos a seguir ao término dos nossos estudos. A sua vontade de conhecer o mundo aliada ao facto de pouco saber como reagir ao mais variado conjunto de situações tornam-na numa personagem quase real de quem muitos exemplos todos nós temos e conhecemos.
Por sua vez, Laura Linney, de quem confesso ser um admirador profundo, tem um desempenho inicialmente reprimido de uma senhora da alta sociedade com uma vida perfeita mas que por detrás de um sorriso sempre presente esconde uma realidade bem diferente. Uma realidade triste de uma vida reprimida e onde a constante necessidade de agradar aos outros impera.
Esta dupla cria uma perfeita química que inicialmente nos mostra o período de "namoro" mas que muito rapidamente entra no período de afastamento que tão bem irá caracterizar todo o restante filme. Funcionam na perfeição e, uma vez mais, mostram o seu calibre enquanto excelente actrizes que são.
Gostei deste filme, não só das interpretações como falei anteriormente, também do excelente argumento da autoria da dupla de realizadores em particular da forma como a personagem de Johansson descreve o ambiente em que se encontra não referindo as outras personagens pelo nome mas sim por uma letra criando aquilo que um investigador deve fazer, ou seja, o distanciamento do "objecto" estudado. Gostei igualmente da banda-sonora da autoria de Mark Suozzo que recria um ambiente da alta sociedade numa mescla com os temas actuais e urbanos criando por um lado um filme moderno e actual mas não deixando de lado o requinte e a sofisticação essenciais para os momentos em que a "alta" está em evidência.
É um filme que vale a pena... não por ser uma comédia, que dela tem pouco, mas por colocar em evidência dois mundos tão distintos e mostrar que nem tudo está perfeito por detrás de um sorriso que o aparenta ser. Há muito mais por encontrar e descobrir, entre aqueles que vindo de mundos ou meios socialmente diferentes e distintos, além daquilo que inicialmente nos é dado a conhecer. Diferente, com os seus bons momentos de drama mas com alguns toques de esperança, é um filme que deve ser visto e não relegado para segundo plano por ter um trailer que pode, à partida, dar uma ideia errada sobre aquilo que realmente é.
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"Annie Braddock: My desire to be an observer of life was actually keeping me from having one."
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8 / 10
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